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  • PSOL realiza Encontro Municipal em Campos (RJ)

    Na última terça-feira, 04 de dezembro, foi realizado o 1º Encontro Municipal do PSOL em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro. A atual conjuntura, que coloca como principal tarefa resistir aos ataques que estão na ordem do dia por parte do presidente eleito Jair Bolsonaro e sua equipe de governo além das medidas ultraliberais do prefeito Rafael Diniz, contribuiu para formar um polo aglutinador de antigos e novos militantes, filiados e simpatizantes que se reuniram para formar um campo político alternativo no maior município do interior do estado.

    Durante o encontro os ativistas do PSOL centraram o debate em desenvolver estratégias para consolidar o partido como uma alternativa política para a sociedade campista, bem como travar a batalha contra a reforma da Previdência, os ataques à educação pública e as minorias que são o carro-chefe do governo eleito. Um dos pontos culminantes do encontro foi a eleição da nova diretoria municipal do partido.

    A presidenta municipal do PSOL, Ana Carolina Chagas, disse para o EOL que: “O PSOL em Campos passou por um longo período de renovação e reestruturação culminando na organização, no último dia 4, do diretório municipal. Estamos todos muito empenhados em propor uma alternativa à velha política campista. Estaremos presentes nas lutas contra as reformas que retiram direitos dos trabalhadores e fazendo oposição ferrenha as medidas ultraliberais do atual prefeito”.

    Toda essa movimentação realizada pelo partido demonstra que se os próximos anos serão de muita luta e resistência. Teremos em Campos pessoas que tem na ordem do dia travar uma batalha por uma sociedade mais justa, disposta a lutar contra a atual ascensão fascista que está em curso em todo o país

  • Uma polêmica com o balanço eleitoral do MES

    O debate de ideias na esquerda socialista é parte do melhor da tradição marxista. Há pelo menos dois anos desenvolvemos visões distintas do MES (Movimento Esquerda Socialista) sobre importantes fenômenos da luta de classes no Brasil: a Lava Jato, o sentido das mobilizações de 2015, a profundidade do golpe parlamentar, a prisão de Lula. Mas isso não diminui o respeito mútuo e os nossos acordos – partilhamos uma herança comum na Quarta Internacional, somos do mesmo partido e temos inúmeros objetivos comuns na luta pela construção de uma alternativa de esquerda para a crise brasileira.

    O MES foi uma das correntes fundadoras do PSOL. Esse acerto deve ser sempre reconhecido e lembrado. A candidatura de Luciana Genro em 2014, felizmente aceita pelo PSOL depois da renúncia de Randolfe Rodrigues, fez a bandeira da esquerda socialista brilhar. Além disso, o MES foi uma das primeiras correntes do PSOL a se posicionar pelo acolhimento do ex-MAIS no PSOL, em 2016, e nunca esqueceremos essa solidariedade. Tudo isso nos une. E tem muito valor. Queremos construir relações de confiança. Mas isso só é possível esclarecendo as divergências, como já fizemos de forma respeitosa contra a posição desta corrente, quando esta defendeu uma suposta progressividade da Lava Jato.

    Nos referimos neste texto ao balanço eleitoral publicado pela sua Coordenação Nacional, no qual faz uma avaliação da situação brasileira e do lugar do PSOL da qual discordamos.

    Essa avaliação parte da premissa de que a explicação para o crescimento de Bolsonaro e da extrema direita neofascista é um sentimento predominante de renovação, “contra tudo que está aí”. E a partir daí, o texto apresenta um balanço duro do PSOL:

    “a esquerda crítica ao PT perdeu oportunidades para converter-se num polo anticapitalista e anti-regime com grande audiência nacional. A escolha do PSOL, desde 2015, de abster-se nos momentos mais decisivos, de adotar uma posição independente do PT impediu que surgisse uma alternativa à esquerda com peso de massas. Esta ausência cobra seu preço quando frações da classe trabalhadora, das massas populares e da pequena-burguesia, que poderiam ser convencidas por nossas ideias, iludem-se por uma liquidação reacionária do regime da Nova República.”

    Trata-se de uma crítica muito grave. O PSOL teria sido, de alguma maneira, corresponsável pelo crescimento de Bolsonaro e do neofascismo no Brasil, colocando-se como um empecilho para que a esquerda radical capitalizasse a crise brasileira.

    Por que Bolsonaro conquistou influência  eleitoral de massas?

    Desde março de 2015, com as grandes mobilizações da classe média urbana mais abastada, assistimos a uma ofensiva  burguesa. Essa ofensiva inverteu a relação social de forças de forma desfavorável para a classe trabalhadora e sua juventude. As mobilizações pelo impeachment de Dilma Rousseff alcançaram a dimensão de vários milhões, a votação no Congresso consagrou o golpe parlamentar e ocorreu uma derrota política que não foi somente uma derrota do PT, mas abriu-se uma ofensiva de classe que provocou avanços concretos sobre a classe trabalhadora, como a reforma trabalhista e a PEC do teto de gastos.

    O debate sobre esta mudança qualitativa na situação política é parte importante das nossas diferenças de caracterização e política. O MES considera que o impulso de junho de 2013 permaneceu ininterrupto, vivo, até agora, em outubro de 2018, às vésperas do início do governo Bolsonaro.

    Evidentemente existe luta e resistência, as derrotas não são o “fim da história”, o jogo continua sendo jogado. Há disposição de luta nos setores mais jovens  e entre os oprimidos e essa é nossa fortaleza para enfrentarmos este cenário. Houve uma potente resistência, que barrou a reforma da Previdência, mas não sendo suficiente para inverter o signo da correlação de forças, a reação burguesa pôde avançar.

    Bolsonaro capitalizou, em uma situação de crise política, social e econômica, o crescente antipetismo na classe média, fomentado pelos grandes grupos econômicos e de mídia. Foram três anos de propaganda massiva contra o PT. A operação Lava Jato teve como objetivo principal derrubar o governo Dilma e criminalizar o PT, foi um dos agentes decisivos do golpe. E posteriormente, em um segundo momento, condenou, prendeu e impediu Lula de ser candidato a presidente da República. Ela teve papel decisivo para a evolução negativa da situação política. Ela alimentou, na pequena burguesia enraivecida pelo impacto da crise econômico-social, a ideologia reacionária de que o maior problema do Brasil seria a corrupção do PT. Finalmente, uma parte da classe trabalhadora do Sul e Sudeste foi arrastada para a base social da reação. Para completar o caráter reacionário da Lava Jato, Sergio Moro acaba de anunciar que será o superministro da Justiça do governo Bolsonaro.

    Não é de se estranhar que, por conta dessa avaliação equivocada a respeito da Lava Jato, Roberto Robaína, aponte o superministério nas mãos de Moro como um elemento contraditório do governo Bolsonaro, uma espécie de ala disputável do governo.

    Vemos o oposto: o superministério de Moro desnuda que a Lava Jato era uma operação política, com o objetivo de abrir caminho para a ofensiva brutal de classe da burguesia. Antes a partir dos poderes de um juiz de primeira instância, agora com os poderes de ministro.

    A desmoralização do PSDB, com os escândalos envolvendo Aécio Neves e sua participação desastrosa no governo Temer, ajudou Bolsonaro a se conectar com a base social do golpe, pressionada pelo aumento dos custos dos serviços. Não conseguiam mais pagar a dívida da casa própria, do carro e até do estacionamento, o plano de saúde, a escola particular dos filhos, a mensalidade do clube, a empregada doméstica. O agravamento da insegurança pública acendeu o rastilho de pólvora do ressentimento social.

    O rancor social se identificou, profundamente, com o discurso de ódio de Bolsonaro criminalizando a esquerda pela crise. Não fosse tudo isso o bastante, Bolsonaro inflamou o racismo, o machismo e a LGBTfobia naqueles que viam com desgosto as pequenas conquistas dos oprimidos.

    O “bode expiatório” tinha sido encontrado. A conivência das instituições ajudou. A justiça, o parlamento, o ministério público se calaram perante a ofensiva reacionária da extrema-direita. Por fim, com o fracasso de Alckmin, depois dos resultados do primeiro turno, a maioria da burguesia brasileira aderiu à candidatura de Bolsonaro.

    A evolução da situação política desautorizou as caracterizações do MES. A Lava Jato não cumpriu um papel progressivo “limpando a política das velhas castas”. Ao contrário, foi elemento decisivo da virada reacionária na situação política. O regime democrático eleitoral, o semipresidencialismo consagrado pela Constituição de 1988 passou a ter elementos bonapartistas, autoritários, mais acentuados. Jair Bolsonaro lidera uma corrente eleitoral de massas e grupos neofascistas estão tendo um protagonismo inédito na história recente do Brasil.

    O papel do PSOL e da aliança nas eleições de 2018

    A tarefa do PSOL na situação aberta após o golpe parlamentar e, portanto, nessas eleições era, centralmente, lutar contra a ofensiva de classe da burguesia. Esta ofensiva se expressou através dos ataques aos direitos da classe trabalhadora e às liberdades democráticas impostos pelo governo Temer. Esta tarefa era indivisível do enfrentamento com Bolsonaro. Porque desde o início da campanha era inconfundível que Bolsonaro era a candidatura com maior força eleitoral, já que a prisão de Lula deixava o PT descabeçado. Mais grave, depois do episódio do atentado da facada em Juiz de Fora do dia 6 de setembro, ficou claro que Alckmin não conseguiria recuperar a influência eleitoral do PSDB.

    É inequívoco o papel do PSOL nas lutas contra o golpe e contra Bolsonaro. As denúncias que fizemos nas eleições, especialmente nos debates, tendo Guilherme Boulos como porta voz, a política foi certeira: enfrentamento prioritário a Jair Bolsonaro, revogação das reformas de Temer, contra a reforma da Previdência, contra as privatizações, reforma tributária progressiva e etc.

    Mas existe outra tarefa estratégica que cabe ao PSOL. Ela é cara tanto para o MES quanto para a Resistência. Mas seria injusto não reconhecer que ela foi assumida, também, pela aliança entre PSOL, MTST, PCB, Mídia Ninja e APIB. A tarefa de fortalecer um polo de independência de classe em condições de superar o PT, e se colocar como alternativa de direção ao movimento de massas.

    O MES avalia que diante dessa tarefa fracassamos. Mais grave. Que teríamos sido, em alguma medida, de alguma maneira, responsáveis pela audiência da extrema direita. Porque a campanha Boulos/Sonia, ao não ter uma política independente do PT, não teria sido capaz de dialogar com um setor de massas e da vanguarda antipetistas. Tentar semear uma alternativa de esquerda no campo do antipetismo é uma grande ilusão. O antipetismo é anti-estatais, é pró-privatizações, é anti-povo, é misógeno, racista e LGBTfóbico. É infantil achar que era possível ganhar às massas em meio a uma situação reacionária, onde as ideias da esquerda radical estão em completa minoria. A linha correta era de combate ideológico. Justamente por isso, consideramos que o respeito conquistado pelo PSOL, nestas eleições, nunca foi tão grande. Consideramos que Boulos se transformou em uma das maiores lideranças de massas da esquerda brasileira e que afirmamos uma alternativa ao PT.

    Resta saber o que os companheiros interpretam como uma política independente do PT. Não consideramos que a defesa de Lula contra a sua prisão arbitrária tenha rompido com a independência política do PSOL, pois se deu nos marcos de uma frente em defesa das liberdades democráticas. Participamos com nossa própria pré-candidatura, sem nos comprometer com o programa petista. Não acreditamos que seria correto ignorar, no primeiro debate na TV, que o primeiro colocado nas pesquisas estava preso por uma operação política, que no momento em que escrevemos este texto está evidente.

    No entanto, essa posição não nos impediu de criticar o PT. Denunciamos as alianças nos estados com MDB, inclusive, no debate na TV. A diferenciação também se deu nos marcos do programa defendendo investimento público na educação, desmilitarização das polícias, contra a reforma da Previdência, contra os privilégios do judiciário, legalização do aborto e etc. Para ilustrar trazemos algumas matérias da grande imprensa: “Boulos critica ‘beija-mão’ de Haddad a caciques do MDB e diz que é ‘caso de masoquismo” (Folha de S. Paulo), “Boulos critica encontro de Haddad com Renan e diz ser único candidato que ‘enfrenta de verdade esse sistema”  (G1).

    A campanha teve, certamente, erros. Em nossa opinião foram quantitativos, não qualitativos. A Resistência fez, por exemplo, ao lado do MES, nos organismos do PSOL e até publicamente, um debate para que se incorporasse o tema da auditoria da dívida pública, que consideramos essencial.

    Nesse sentido discordamos, frontalmente, que não houve independência do PT na campanha de Guilherme Boulos e do PSOL. E consideramos, mais que um exagero polêmico, um desatino, a acusação de que a linha da campanha do PSOL tenha entregue parte das massas a Bolsonaro.

    Portanto, se o MES entende por “independência do PT” que a campanha não deveria ter se posicionado, ativamente, contra a prisão de Lula, divergimos. Ou, se o MES entende que não deveríamos ter buscado impulsionar a frente antifascista depois do assassinato de Marielle, a partir do ato no Circo Voador, no Rio de Janeiro, diante dos ataques à caravana Lula, estamos diante de outra discordância.

    Porque todos estes ataques, e muitos outros, são contra às liberdades democráticas, aos movimentos sociais, e à toda a esquerda, não só ao PT. Na verdade, estes  posicionamentos fazem com que tenhamos futuro. O PSOL passou na prova da história. Não esperamos Bolsonaro chegar às portas do poder para construir a frente antifascista que hoje se coloca na ordem do dia. Que bom que cálculos eleitorais não nos cegaram nesse momento histórico.

    O antipetismo é um caminho válido para a tarefa necessária de superação do PT?

    É evidente que a burguesia, especialmente através da extrema-direita, tem hoje a iniciativa política e por isso acaudilha outros setores sociais e arrasta parte da classe trabalhadora. Nossa tarefa é sim inverter o signo e buscar com que nossas organizações e a classe trabalhadora dividam a classe média e arrastem uma parcela expressa dela e do sub proletariado. É preciso disputar, sim, amplas massas proletárias e subproletárias que enxergam nas propostas reacionárias de Bolsonaro uma saída para a situação desesperadora na qual se encontram. Mas o antipetismo não é um atalho válido para essa disputa, porque ele é reacionário e alimenta ideologicamente as forças sociais contrárias a nós.

    A tentação de “pegar carona” no repúdio ao PT embrulhado no discurso anticorrupção nos levaria a um beco sem saída. O ódio da classe média contra o PT foi incendiado pela LavaJato, mas tem raízes de classe mais profundas e complexas e, infelizmente, reacionárias. Não é um sentimento democrático progressivo.

    O caminho para fazer essa disputa é nos ligando com os anseios da classe trabalhadora na sua experiência com este governo. Será, portanto, a campanha política e a luta contra a reforma da Previdência já anunciada, a luta contra a privatização do ensino público superior, a luta contra uma anunciada reforma trabalhista ainda mais radical, a luta contra as privatizações, o desmascaramento da Lava Jato como operação política e o desmascaramento das entranhas corruptas deste governo. Enfim, é necessário nos apresentar para as lutas na defesa da classe trabalhadora para nos reconectarmos com os setores da classe trabalhadora iludidos com o neofascismo.

    Não é qualquer ruptura com o PT que é progressiva. Não é qualquer caminho que nos serve para reconquistar as massas desiludidas com o PT, é preciso um caminho que busque reverter a deseducação promovida pelo próprio PT. Devemos ser instrumentos para retomar o classismo, a independência de classe, a desconfiança das instituições burguesas, inclusive do judiciário e da polícia. Nossas ideias certamente encontrarão terreno para serem semeadas na luta de resistência nas quais seremos linha de frente.

    Da mesma maneira devemos dialogar com os setores de esquerda iludidos com Ciro Gomes, como alternativa de esquerda. Aliás Guilherme Boulos tem a simpatia de parte importante do ativismo que votou em Ciro. Como político burguês que é, se restringirá a imprensa e a luta institucional.

    É verdade que Ciro Gomes fez essa opção de cavalgar num suposto “antipetismo” independente. Vejamos onde foi parar: durante a campanha de segundo turno, a opção de Ciro Gomes por preservar uma imagem de oposição ao PT determinou que tivesse fora da frente democrática e do enfrentamento a Jair Bolsonaro e o neofascismo. Ciro preferiu preservar sua imagem de oposição ao PT pensando nas eleições de 2022 e apostando que mais a frente pode ser aceito por uma parcela da burguesia brasileira. Um projeto que busca construir uma esquerda “neo-desenvolvimentista” por dentro da burguesia, e não por organizações da classe trabalhadora. Por isso, surge como um adversário político que precisa ser derrotado no próximo período. Não podemos absolver Ciro dos seus erros e irresponsabilidades políticas perante a gravidade da situação política aberta no segundo turno com a possibilidade de vitória de Bolsonaro que acabou se confirmando. É decisivo que de maneira unificada façamos esse balanço.

    Mas resta o argumento de que o “antipetismo” de Ciro poderia ter vencido, no segundo turno, Bolsonaro. Esta é uma hipótese que nunca vai se comprovar por não ter efetivamente se dado, o que não impediu que parte da esquerda fizesse um cálculo eleitoral. Alguns consideraram que Ciro Gomes poderia ser uma opção mais viável que Haddad para vencer Bolsonaro no segundo turno. Sabemos que esta não foi a posição do MES, que se manteve firme na defesa da candidatura Boulos, mesmo tendo apoiado como pré-candidato Plínio de Arruda Sampaio Jr.

    Mas a presunção de que Ciro Gomes não seria atingido pelo antipetismo é equivocada. A verdade é que esse movimento de pensar o melhor candidato para derrubar Bolsonaro menospreza a ofensiva reacionária em curso e que o antipetismo é também anti-esquerda e anti-direitos, ou seja, Ciro Gomes também sofreria o impacto dessa reação.

    O documento da coordenação nacional do MES também afirma:

    “O que devemos debater com a base petista é que Lula inviabilizou qualquer política de frente democrática, resultando numa linha hegemonista que debilitou o diálogo com quem rompeu ou não quer se colocar no espectro petista. A falta de uma autocrítica de Lula e da direção do PT levou a afastar Ciro de um empenho militante no segundo turno, mesmo que tenha tido uma votação ampla dos setores democráticos.”

    É verdade que o PT frequentemente tem uma postura hegemonista no movimento de massas, na frente única e nas frentes democráticas, enfraquecendo a unidade necessária para combater a burguesia. Nós lutamos contra tal hegemonismo e por uma frente que realmente possa unificar a classe trabalhadora em defesa das liberdades democráticas. Mas não concordamos que qualquer justificativa caiba para amenizar a traição de Ciro Gomes que abandonou o país durante um dos períodos de mais agonia, diante da luta para tentar impedir que um neofascista chegasse ao poder.

    Não acreditamos que o PT deveria ter aberto mão da luta contra a prisão de Lula, contra a operação política reacionária de prender o primeiro colocado nas pesquisas. Mas debater as táticas eleitorais do PT é cair na lógica de que as eleições se deram em uma correlação de forças totalmente aberta, é cair na lógica eleitoral, é ajudar a manter sob a neblina os reais erros do PT, que são mais graves do que um possível erro eleitoral.  O maior erro da direção do PT foi não ter aproveitado a oportunidade aberta pela greve geral de abril de 2017 contra a reforma da Previdência do governo Temer. Ela abriu uma janela, quando o escândalo das denúncias da JBS, deixou o governo Temer suspenso, a classe dominante dividida, e a luta pela antecipação das eleições diretas se colocou na ordem do dia. A direção do PT fez uma aposta errada, e foi um grande entrave para as mobilizações. O PSOL, ao contrário, respondeu com firmeza à nova conjuntura, a partir da iniciativa enérgica de convocação de atos de massas no Rio de Janeiro e São Paulo por Diretas. O PT preferiu apostar no respeito ao calendário eleitoral e na possibilidade de reverter, no TRF-4 de Porto Alegre, a sentença de Moro na primeira instância de Curitiba. A direção do PT tremeu com medo de ser acusada de tentar usar contra Temer as mesmas armas usadas pelo MDB/PSDB contra Dilma Rousseff. Sua “lealdade” ao regime foi até o limite do suicídio político.

    A unidade necessária para enfrentar Bolsonaro não pode nos impedir de criticar o PT. Mas o conteúdo da crítica faz diferença. O PT deve ser superado porque caducou historicamente. Não pode mais impulsionar a mobilização e organização independente dos trabalhadores. Foram anos de abandono da luta ideológica e do classismo depositando toda a esperança e insatisfação nas urnas e na institucionalidade. Isso custou mais do que a prisão de seu principal líder. Custou desmoralização entre os trabalhadores e enfraquecimento de suas entidades. Em treze anos de governo se fortaleceram as instituições repressivas do Estado e o Judiciário. A manutenção do mesmo aparato militar da ditadura sem a punição para os agentes da repressão fez crescer o genocídio da juventude negra, o encarceramento dos filhos da classe trabalhadora, e os deixou livres para que neste momento oferecessem a “ordem” como saída para a crise. Este é o conteúdo da crítica que propomos fazer ao PT.

    Caducar historicamente não é caducar politicamente e, por isso, o PT, após tamanha ofensiva, chegou ao segundo turno, e obteve a maior bancada da Câmara dos Deputados, e segue dirigindo o movimento social organizado de forma ainda majoritária. Isso significa que a diferenciação com o PT não deve ser sectária, nem nos impedir de dialogar com sua base, muito menos nos impedir de golpear juntos contra o fascismo.

    Por isso a superação do PT passa por nos apresentarmos na linha de frente para os enfrentamentos que virão. Passa por dialogar com as demandas concretas dos trabalhadores e passa por apresentarmos um programa anticapitalista, e isso não pode ser feito cortando caminho pelo atalho do antipetismo que é hoje uma ideologia reacionária.

    Para disputar amplos setores de massas hoje iludidos pelo fascismo é preciso reavivar o movimento de massas da classe trabalhadora e colocá-lo em ação. A frente única antifascista está no centro da tática política. É assim que disputaremos a consciência de milhões. A autoridade moral do PSOL diante dos setores que neste momento podem ser ganhos para a superação a esquerda do PT é imensa. Seja a base que votou em Ciro, seja a base que votou em Haddad.

    O enfrentamento dos setores oprimidos a Bolsonaro foi o fato político mais importante das eleições. Esse fenômeno segue uma tendência mundial. São as mulheres, negros, LGBTs e jovens que estão na vanguarda das lutas, em especial, contra a extrema-direita. Esse fato foi determinante para o crescimento eleitoral do PSOL e para que o partido ultrapassasse a cláusula de barreira. Isso porque estamos ligados às lutas dos oprimidos. Esse foi um importante passo para a construção da Frente Antifascista que devemos nutrir e fortalecer desde já. Aí também reside parte da votação expressiva que tivemos em nossas candidatas feministas, especialmente, as mulheres negras.

    A resistência pujante nas universidades e os atos do dia 29 de setembro apontam o caminho: organizar a resistência e construir aí uma nova esquerda!

    A vitória política da candidatura Guilherme Boulos e Sonia Guajajara

    A baixa votação da candidatura Boulos/Sônia Guajajara tem explicação. Foi o fenômeno do voto útil que foi antecipado para o primeiro turno como reação à ameaça Bolsonaro. O MES fez uma forte campanha e sabe que inúmeras pessoas justificavam o não voto em Boulos. Queriam votar em uma candidatura em condições de ir para o segundo turno enfrentar Bolsonaro.

    A explicação que o MES propõe para explicar a contradição entre votos proporcionais e votos para a chapa Boulos-Sônia é instrumental, e limitada a lógica eleitoral. O documento da coordenação nacional do MES afirma:

    “O PSOL teve, nesse marco, um desempenho eleitoral contraditório: se, por um lado, em sua localização nacional, o partido teve uma campanha presidencial fraca e recuou em sua capacidade de implantar seu projeto; por outro, o crescimento de suas bancadas federais e estaduais revelou justamente a força que uma política independente e colada ao movimento democrático pode ter…”

    “Guilherme Boulos, na preparação de sua candidatura, optou por uma linha política de não independência, que o impediu de apresentar um novo rumo para o país por não poder apresentar uma crítica real ao regime e a seus principais atores. Ao final da campanha, quando chamou a luta contra Bolsonaro, pôde encerrar sua participação nos debates eleitorais com dignidade. Pela construção anterior de sua candidatura, entretanto, Boulos não pôde apresentar-se como líder de um novo projeto.”

    Não é uma suposta diferença na linha política das candidaturas proporcionais na relação com o PT que explica a contradição. Em primeiro lugar, porque nossos deputados e deputadas eleitos não tiveram uma linha diferente em relação ao PT. Inclusive o perfil das candidatas eleitas do MES, Sâmia e Fernanda, eram bem próximos ao perfil do PSOL, e de forma alguma fizeram demarcações mais explícitas que as de Boulos com o PT em seus vídeos, programas de TV e materiais. Definitivamente as candidaturas eleitas, incluindo as do MES, não foram vistas por amplas massas e nem pela vanguarda como candidaturas que demarcavam uma suposta independência do PT ausente na candidatura presidencial. Parte dos votos de nossas candidatas e candidatos eleitos foram inclusive de setores petistas.

    Por outro lado há algumas possibilidades de aferir a política defendida pela Revista Movimento, que contraditoriamente não foi testada pelas candidatas eleitas do MES, mas por exemplo, pelo PSTU, que implementou uma variante da tática proposta pelos camaradas e navegou no “contra tudo que está aí”. Mesmo tendo Vera como candidata, uma mulher negra e nordestina, não saiu do primeiro turno com sua imagem ou prestígio aumentado  na vanguarda. Ao contrário, saiu ainda mais isolado, com menos votos do que nunca, e com ainda menos capacidade de mobilização. Outros candidatos do próprio PSOL, como o vereador Babá, da CST, com perfil de priorizar a crítica ao PT, ante o enfrentamento as alternativas da direita e extrema direita, tiveram resultados eleitorais baixíssimos que revelam que não foi essa a razão de sucesso da nossa importante e valorosa bancada.

    O posicionamento do PSOL de conjunto e da aliança estando na linha de frente da luta contra a extrema-direita e cumprindo um papel decisivo nas mobilizações de mulheres #EleNão do dia 29 de setembro potencializou nossas figuras públicas e foi decisiva para nossa vitória eleitoral. Esse mérito não é de uma corrente do PSOL, em especial, mas do partido de conjunto e da aliança que construímos, que soube se conectar a luta dos oprimidos, vanguarda da luta contra Bolsonaro.

    Justamente, por isso, entendemos que também houve nos proporcionais um voto de compensação, impulsionados inclusive pela campanha Boulos, e a simpatia que esta teve por parte da vanguarda. O PSOL acabou tendo uma vitória política e eleitoral, superando a cláusula de barreira, chegando a quase 3% dos votos para deputado federal.

    A vanguarda tem respondido aos chamados de Boulos e do PSOL a ação e esse é o objetivo mais almejado pelos revolucionários. A recepção de Boulos nas Universidades durante a disputa de segundo turno também  demonstram de forma inequívoca o prestígio que adquiriu nossa aliança na disputa eleitoral. Boulos sai como uma das principais figuras da esquerda no país, e o PSOL como o partido mais engajado na luta eleitoral e das ruas para derrotar Bolsonaro. Foram milhares de estudantes por onde passou. Boulos foi ovacionado no ato do dia 29 de setembro, assim como em todas as mobilizações do segundo turno no país e agora, depois do segundo turno, esteve a frente das mobilizações e plenárias convocadas no dia 30 de outubro.

    As Brigadas pela Democracia convocadas pela aliança já tem mais de 20 mil inscritos para se organizar conosco na luta contra o fascismo.

    Este saldo se deve a correta tática de lançar uma aliança entre PSOL, MTST, PCB, Mídia Ninja, APIB. Essa aliança, ao invés de enfraquecer o PSOL, como previa o MES, nos fortaleceu. Mesmo com votações superiores, nenhuma candidatura presidencial anterior do PSOL proporcionou tanta capacidade de mobilização social, nem teve tanto prestígio sobre setores mais amplos que a base do próprio partido. Tudo isso para nós é muito significativo, pois o PSOL está melhor localizado para disputar a direção das lutas, terreno onde o PT deve ser superado. Comparar essa votação com outros momentos políticos é descabido, já que a existência de uma corrente neofascista com peso eleitoral de massas é inédito.

    O MES se opôs a candidatura Boulos e Sônia. Talvez por isso, agora, defenda que a diminuição da votação de Boulos em relação à de Luciana Genro, por exemplo, confirmaria sua posição. Temos outros parâmetros. Será que o perfil “antipetista” defendido pelo MES ao sustentar Plínio de Arruda Sampaio Jr. nos colocaria em melhores condições para a disputa do movimento de massas, e para chamados à ação dos trabalhadores? Sairíamos com tanto prestígio reunindo milhares por onde passamos? Categoricamente, afirmamos que não.

    A disputa das massas para a esquerda socialista vai se dar, e já está se dando, nos conectando as lutas pelas suas demandas concretas, e de forma alguma pelo atalho reacionário do antipetismo. As críticas ao PT devem ser feitas no sentido de reeducar a classe trabalhadora contra a ideologia da conciliação de classes que o PT promoveu, no classismo, revelando o caráter das instituições repressivas do estado e o caráter dos governos. A chapa Boulos/Sônia, com um líder dos sem-teto e uma líder indígena conferiu ao PSOL mais força e enraizamento do que nunca. Por isso, essa aliança, longe de ser um erro, foi uma importante vitória política do PSOL, uma necessidade para que o PSOL pudesse se colocar na linha de frente da luta contra o neofascismo representado pelo governo de Bolsonaro e para que possamos superar o fracassado projeto de conciliação de classes defendido pelo PT.

  • Nota oficial: PSOL lamenta tragédia com o Museu Nacional

    Na noite deste domingo, 2 de setembro, um incêndio destruiu o Museu Nacional, ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Com mais de 20 milhões de peças em seu amplo acervo – de fósseis de dinossauros com dezenas de milhões de anos à história dos povos originários do Brasil, entre tantas outras coisas –, o incêndio no Museu representa uma perda trágica para a história e a pesquisa científica no Brasil.

    Infelizmente, não se pode dizer que o ocorrido foi um mero acidente. Trata-se da expressão mais cruel de um projeto político de desvalorização da cultura, educação e pesquisa científica em nosso país. Há muitos anos as universidades federais sofrem um processo de sucateamento e os investimentos seguem sendo reduzidos. Obviamente, essa falta de recursos cobra sua fatura: nossas universidades estão em situação de penúria.

    Apenas de 2011 para cá, na UFRJ, houve incêndios no Palácio Universitário, na Faculdade de Letras, no Centro de Ciências da Saúde, no prédio da reitoria, no Alojamento e agora este, no Museu Nacional.

    Em 2015, dos R$341 milhões em verbas da União autorizadas pela Lei de Diretrizes Orçamentária para o custeio e investimentos na UFRJ, R$53 milhões não foram liberados. Em 2018, esse orçamento caiu para R$ 282 milhões, com mais contingenciamentos anunciados. As verbas para investimentos caíram de R$51 milhões, em 2016, para R$6 milhões em 2018.

    Se esse processo de falta de investimentos já tem décadas, ele ganhou um combustível extra com o golpe que se abateu sobre o país em 2016. A Emenda Constitucional 95, aprovada pelo governo ilegítimo de Michel Temer, que congela os investimentos sociais no Brasil pelos próximos 20 anos foi repudiada por toda a comunidade acadêmica nacional, independente da posição política, incluindo instituições como a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

    Há exatamente um mês, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) divulgou nota oficial comunicando que os cortes no orçamento significariam a suspensão do pagamento de cerca de 200 mil bolsas em 2019 – da pós-graduação à formação de professores da rede básica.

    O PSOL teve uma posição firme de enfrentamento e denúncia do que a Emenda Constitucional 95 representaria para nossa população. Temos afirmado reiteradamente que a redução de investimentos sociais não pode, de maneira nenhuma, ser considerada uma solução para a crise que o Brasil enfrenta. Nosso candidato à presidência, Guilherme Boulos, vem defendendo nos debates a importância da revogação da EC 95.

    Por fim, repudiamos a tentativa que começamos a ver nas redes sociais de responsabilizar a reitoria da UFRJ e, indiretamente, o PSOL, citando que o reitor Robeto Leher é filiado ao nosso Partido. Temos muito orgulho de ter Roberto Leher ao nosso lado. Em anos no movimento docente, Leher sempre esteve comprometido com a defesa da educação pública, gratuita e de qualidade e a ampliação dos investimentos públicos necessários para isso. Como pesquisador, com um currículo e uma trajetória respeitadíssimos, também trouxe importantes reflexões sobre a educação pública. Há três anos, junto com docentes de diversos centros da UFRJ, dispôs-se a encarar esse desafio de, em plena crise, assumir a gestão da maior Universidade Federal do Brasil, tendo sido eleito com amplo apoio da comunidade acadêmica. Ao longo desses três anos, tem sido incansável na busca por mais investimentos que possam garantir o funcionamento da UFRJ.

    Executiva Nacional do PSOL
    3 de setembro de 2018

  • Assista o vídeo com a análise do debate na Band

    Nesta quinta-feira, 09, ocorreu o primeiro confronto entre os presidenciáveis. Participaram oito candidatos estarão presentes: Alvaro Dias (Podemos), Cabo Daciolo (Patriota), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), Henrique Meirelles (MDB), Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (Rede). A emissora não permitiu a participação de Lula (PT) ou de seu vice, Fernando Haddad, e não convidou várias candidaturas, como a de Vera Lúcia (PSTU).

    O Esquerda Online realizou uma live, com Gabriel Santos, com uma primeira análise do debate. Assista.

    REVEJA O DEBATE NO CANAL DA BAND NO YOUTUBE

     

  • Mulheres do PSOL enviam delegação e carta em solidariedade às argentinas

    Nós, Mulheres do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), no Brasil, escrevemos esta carta aberta em apoio e solidariedade às companheiras argentinas, que lutam pela aprovação do Projeto de Lei de Interrupção Voluntária da Gravidez, na Câmara dos Senadores.

    A criminalização do aborto voluntário atenta contra toda a ampliação de direitos, restringe a cidadania das mulheres e agrava a situação social de vulnerabilidade, que tem como consequência mais violenta a morte. As mulheres são as pessoas com capacidade de gestar, e as com escassos recursos econômicos e educativos, oprimidas hoje pela alta da inflação, o desemprego e a crise econômica, que não contam com educação sexual integral e não têm acesso assegurado a métodos contraceptivos, são as que estão mais expostas e sofrem as consequências.

    No Brasil, vivemos numa conjuntura em que temos um Congresso extremamente conservador – o mais conservador desde a ditadura militar de 1964. Portanto, o movimento de mulheres no Brasil ainda encontra severas oposições para pautar uma legislação avançada sobre o tema, e ainda existe enorme resistência por parte da sociedade civil em aprovar o aborto legal. Ou seja, o aborto ainda é um tabu no Brasil. Porém, não deixamos de ampliar esse debate com a sociedade e, por isso, as mulheres do PSOL foram protagonistas ao registrar a apreciação sobre o tema na Suprema Corte, por meio da ADPF 442.

    A Argumentação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 442, registrada no ano de 2017 pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), com apoio do Instituto Anis, questiona perante ao Supremo Tribunal Federal a violação de direitos fundamentais das mulheres diante da manutenção dos artigos 124 e 126 do Código Penal de 1940, que hoje permitem o aborto com apenas três exceções: risco de morte, gravidez resultante de estupro e feto anencéfalo, incluído posteriormente. Nem presa, nem morta! São as palavras de luta e mobilização das mulheres em todo o Brasil.

    Na mesma semana que a Câmara de Senadores da Argentina promoverá a votação do Projeto I.V.G. (Interrupção Voluntária da Gravidez), ocorreu na Suprema Corte do Brasil (STF) a audiência pública sobre a descriminalização do aborto até a 12.ª semana de gravidez. Acreditamos, mais do que nunca, que a luta das mulheres latino-americanas em defesa do aborto legal e seguro como direito reprodutivo e de saúde pública das mulheres está conectada em escala global, e que a unidade e solidariedade fortalecem nossas lutas locais. Portanto, defendemos o Projeto I.V.G. que tem metade da aprovação, por parte dos deputados, e requeremos que se aprove sem modificações neste 8 de agosto. Compreendemos que com a aprovação do Projeto I.V.G. na Câmara dos Senadores da Argentina conquistaremos uma vitória para todas as mulheres na América Latina que lutam pelos seus direitos sexuais e reprodutivos e pelo aborto legal e seguro.

    Por nossa autonomia e liberdade. A todas as pessoas com capacidade de gestar e gestantes: mulheres, adolescentes e crianças, bissexuais, lésbicas, travestis, trans, não binárias e mais. Pela vida, pela saúde, pelo exercício de uma sexualidade sem coerção ou violências, pelo direito de decidir se desejamos ter filhxs, quantos e em qual momento.

    • O direito ao aborto, que seja lei!
    • Educação sexual para decidir!
    • Anticoncepcionais para não abortar.
    • Aborto legal para não morrer.

    Buenos Aires, 8 de agosto de 2018

    Mulheres do PSOL

    Publicado originalmente no portal nacional do PSOL

  • Neste sábado, é dia de mobilização nacional dos Grupos de Ação “Vamos com Boulos e Sônia”

    Neste dia 04 de agosto os Grupos de Ação “Vamos com Boulos e Sônia” irão contagiar o país levando uma mensagem de força, esperança e propostas para mudar o Brasil. Serão mais de 100 ações em locais de grande circulação e bairros. Os preparativos se intensificam Brasil adentro na confecção de faixas, cartazes, lambes, gravação de vídeos para invadir as redes e muita vontade para dialogar e escutar o povo.

    Em tempos de “vale tudo” pelo tempo de TV, milhares de ativistas que não possuem a grana dos poderosos, e não querem as alianças espúrias dos partidos tradicionais irão mostrar que a força das ideias pode romper o bloqueio da mídia e levar propostas radicais, de enfrentamento aos privilégios da minoria e dos interesses do mercado para que o Brasil possa ser do povo trabalhador.

    A unidade entre MTST, PSOL, PCB e APIB não é só uma aliança entre organizações combativas e de esquerda, mas une milhares em torno à necessidade de superar o ciclo de uma esquerda que em nome da governabilidade abandonou a ideia de que o povo organizado de forma independente pode transformar o Brasil.

    Por isso a campanha se organiza em “Grupos de Ação” que, conectados, formam uma grande rede para promover ações. Essa proposta de organização desde os locais de estudo, de trabalho e no território é uma semente que plantamos para reconstruir um projeto de esquerda que volte a encantar os trabalhadores e o povo. Uma semente que começa a florescer nesse sábado.

    Em tempos de crise a pré-campanha de Boulos vem defendendo ideias realmente radicais que foram construídas por muitas mãos num ciclo de debates por todo o país. Destes debates surgiram propostas como a revogação das reformas de Temer, a taxação das grandes fortunas, a redução da jornada de trabalho sem redução de salário para combater o desemprego, o fim da política de guerra às drogas para acabar com o extermínio da juventude negra e periférica, a legalização do aborto e diversas outras propostas que provocariam mudanças verdadeiras e profundas.

    Munidos dessas ideias poderosas, amanhã seremos muitos(as) pelo país construindo uma política diferente, auto-organizada por aqueles que fazem parte do povo que batalha.

     

    ORIENTAÇÕES

    Se vc já tem grupo

    1. marcar uma reunião presencial e decidir onde fará a panfletagem ou outra atividade de divulgação no dia 4.

    2. Definir quem vai buscar o panfleto na sede do PSOL da sua cidade.

    3. Acordar bem cedo nesse sabadão bonito e levar nossas propostas para as pessoas conversando, dialogando e apresentando nossas propostas.

    4. Fique atento nas informações que a equipe de campanha coloca no grupo, pois em várias cidades haverão reuniões de preparação com inter-grupos para potencializar a nossa força e ver juntos os locais das panfletagens.

    Se você não tem grupo ainda:

    Fale com amigos, colegas de trabalho ou de estudo. A partir de 2 pessoas você já pode montar seu grupo. Entre na plataforma vamoscomboulosesonia.com.br, cadastre o grupo. Depois faça um grupo de WhatsApp com os participantes, inclua no grupo de WhatsApp o contato da equipe de mobilização da campanha (11) 942157600.

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  • A importância da auditoria da dívida para enfrentar os lucros exorbitantes dos bancos

    Está aberta uma importante discussão programática na campanha de Guilherme Boulos e Sonia Guajajara para a Presidência da República (MTST-PSOL-PCB-APIB, entre outros movimentos e organizações) em torno do tema da dívida pública. Em função da importância desse tema, julgamos fundamental abrir um diálogo franco com o conjunto dos movimentos e organizações que constroem essa candidatura.

    A auditoria da dívida é uma proposta constantemente reivindicada pelos movimentos sociais brasileiros e a esquerda socialista nas últimas décadas. Essa iniciativa tem demonstrado ser de grande valor pedagógico para explicar os mecanismos de transferência de dinheiro público para os grandes bancos e instituições financeiras. O próprio PSOL tem, em sua trajetória, uma grande vinculação com esta bandeira. Por exemplo, em 2015, a bancada do partido na Câmara dos Deputados conseguiu incluir a auditoria da dívida no chamado Plano Plurianual. Infelizmente, a ex-presidente Dilma (PT) vetou esta proposta.

    Apesar desse veto, não se deve considerar que se trata de uma proposta impraticável. Experiências de auditorias das dívidas públicas já foram conduzidas em outros países, como o Equador e a Grécia. Nos dois casos, independentemente dos seus resultados efetivos, é preciso indicar que essa iniciativa não significou uma ruptura com os agentes financeiros internacionais, o que demonstra se tratar de uma iniciativa possível, mesmo nos marcos do regime político atual. Lembramos, ainda, que a proposta da auditoria da dívida, longe de representar uma proposta de calote nos pequenos investidores, é um recurso previsto na Constituição Federal, e tem como objetivo atacar as ilegalidades na conformação do montante da dívida e nos juros aplicados sobre ela. Portanto, mesmo respeitando os (as) companheiros (as) que divergem de nossa posição, seguimos considerando fundamental que a auditoria da dívida seja parte do programa da esquerda socialista para as próximas eleições, principalmente pelos elementos que listaremos ao longo deste texto.

    A dívida brasileira
    A dívida interna brasileira saltou de R$ 86 bilhões em 1995 para mais de R$ 3 trilhões e meio em 2018. Esse salto absurdo é fruto dos juros exorbitantes e de especulação financeira. Entre os países da América Latina, o Brasil tem o maior percentual da dívida em relação ao seu Produto Interno Bruto (PIB), chegando a 74%. Segundo previsões de importantes agentes do mercado financeiro, essa relação deve se agravar nos próximos anos, alcançando os 80% até 2022. Portanto, é um erro desconsiderar o problema da dívida e suas consequências sobre o grau de dependência da economia brasileira em relação ao mercado financeiro, seja ele nacional ou internacional.

    Segundo o Tesouro Nacional, hoje temos um estoque total de dívida de R$ 3,63 trilhões, sendo 96,33% desta dívida interna, 3,67% externa e 0,37% contratuais (ou seja, através de contratos e não de títulos, com organismos multilaterais, agências governamentais e outros). O valor gasto apenas com o pagamento de juros anualmente é estratosférico, sem considerar o que se paga da dívida em si. Em 2017 foram mais de R$ 203 bilhões gastos em juros, o que equivale ao dobro do que se gastou em todo o ano em Educação (R$ 103 bilhões) ou em Saúde (R$ 102 bilhões).

    Já a Campanha Nacional pela Auditoria Cidadã apresenta dados ainda mais preocupantes, indicando que, em 2017, a dívida interna brasileira superou os R$ 5 trilhões. E a dívida externa chegou a 550 bilhões de dólares. Valores que são muito altos e que comprometem bastante a capacidade de investimentos do Estado brasileiro. Segundo a mesma fonte, no ano de 2017, foram pagos R$ 986 bilhões de juros e amortizações da dívida pública federal. Este valor representa cerca de 40% do total do Orçamento da União.

    Esse quadro é continuamente agravado pelo fato de que a taxa de juros brasileira continua entre as maiores do mundo. Em um levantamento feito pelo Esquerda Online com 168 economias, o Brasil mantém – mesmo com a recente diminuição da SELIC – uma taxa de juros de quase duas vezes e meia e mediana mundial. Apesar de estar na 43a posição, poucas economias relevantes estão à nossa frente (Argentina, Irã, Equador, Turquia, Egito, Rússia e Iraque). Isto torna o negócio da dívida no Brasil algo muito lucrativo, atraindo bancos e investidores estrangeiros para ganhar dinheiro com esta usurpação nacional.

    Quem se beneficia da dívida?
    A dívida interna brasileira – que compõe a imensa maioria da dívida pública – não está nas mãos de pequenos poupadores. Segundo o Tesouro, quase metade dela remunera os maiores agentes do mercado financeiro, destacando-se os bancos (21,76%) e os fundos de investimento (27,29%), sempre ligado a bancos. Assim, em 2017, segundo estudo feito pelo DIEESE sobre os balanços dos cinco maiores bancos do Brasil, R$ 199 bilhões das suas receitas tiveram origem justamente nos títulos e valores mobiliários, a maior parte desses valores é ligado aos ganhos referentes ao mecanismo da dívida.

    Além de controlarem a maior parte dos papeis da dívida, os bancos também gerenciam as transações desses papeis. Todo ano, o Tesouro Nacional nomeia os chamados “Dealers” (negociantes, na tradução do inglês), que são instituições financeiras credenciadas para controlar as regras do mercado de títulos da dívida. Atualmente, 12 instituições financeiras são os “Dealers” da dívida interna brasileira. Entre elas, nove bancos nacionais e estrangeiros e corretoras de valores e distribuidoras. É a velha máxima: “Colocar as raposas para tomar conta do galinheiro”.

    Por outro lado, o fundo público (aquilo que a economia burguesa chama de “orçamento público”) que é usado para remunerar os títulos da dívida é composto majoritariamente por recursos oriundos dos trabalhadores. Em função da estrutura tributária absolutamente regressiva do Brasil, as grandes fortunas não são taxadas e os impostos sobre consumo possuem grande peso, atingindo de forma desproporcional os trabalhadores. Além disso, mesmo os impostos pagos pela burguesia são fruto do trabalho não pago (mais-valor) extraído da classe trabalhadora.

    A dívida não é solução
    Em função da grave crise enfrentada pelo Brasil, uma parte da esquerda considera que o endividamento do Estado pode ser importante para dinamizar a economia, atacar o desemprego e incentivar os investimentos privados. De acordo com esse raciocínio, uma dívida com maiores prazos de pagamento e remunerada a uma taxa de juros mais baixa poderia gerar os recursos necessários para essa recuperação. Essa proposta se sustenta no arsenal teórico keynesiano.

    Partindo de um ponto de vista marxista, nossa posição é outra. Embora o Estado seja um importante indutor das ações econômicas, não é capaz, sozinho, de convencer os milhares de agentes privados a aumentarem seus investimentos. Em uma economia capitalista, o fator mais relevante para incentivar os investimentos privados é a taxa de lucros do capital, que permanece em patamares limitados, quando comparados com os níveis anteriores ao início da crise. Além disso, no cenário de um eventual governo do PSOL, a desconfiança do conjunto da burguesia seria redobrada, tornando-a ainda mais cautelosa em seus investimentos. Ou seja, também não é possível pensar que esse governo contaria com o apoio maciço de uma burguesia “produtiva” em oposição à burguesia financeira.

    Em suma, a dívida pública não é uma solução para a crise brasileira, nem deve ser tratada como um tema de gestão técnica do Estado. Se trata, pelo contrário, de um grande problema político, que está na raiz das limitações às ações do próprio Estado brasileiro.

    Acabar com o controle dos bancos sobre o mecanismo da dívida
    A auditoria da dívida vai ajudar a demonstrar as ilegalidades praticadas pelos grandes bancos e instituições financeiras, suspendendo e anulando as partes ilegais dessa dívida e devolvendo ao Estado brasileiro o controle sobre essas importantes operações financeiras. É ela que possibilitará colocar realmente o “dedo na ferida” e atacar o poder político dos bancos. É impossível pensar um país realmente independente, que ataque os enormes privilégios do 1% mais ricos, sem interromper a terrível transferência anual de recursos públicos para o capital financeiro.

    Nos últimos anos, a economia brasileira vem se tornando cada vez mais dependente do mercado mundial. Portanto, não se recupera de forma significativa a capacidade de investimento do Estado brasileiro sem mexer no mecanismo perverso gerado pela dívida pública, com seus juros exorbitantes e amortizações.

    Além disto, através das agências de risco, os bancos chantageiam Estados a partir de suas dívidas públicas. Rebaixam notas de crédito quando não aprovam reformas como a da Previdência e Trabalhista, ameaçando assim as dívidas públicas destes países, assim como faziam na década de 1990 o FMI e o Banco Mundial.

    Simplesmente levantar uma proposta de alargamento dos prazos de pagamentos e serviços da dívida, ou pior, acreditar que uma dívida deste montante seja positiva para o desenvolvimento nacional, é deixar de enfrentar a grande fonte de lucros exorbitantes e ilegais dos bancos e instituições financeiras em nosso país.

    Por isso, a campanha da Auditoria Cidadã publicou uma carta aberta à população, cobrando dos pré-candidatos nas eleições deste ano a defesa da auditoria da dívida pública, entre outras propostas que visam combater os lucros exorbitantes dos grandes bancos.

    Vamos, sem medo de mudar o Brasil. E um dos primeiros passos fundamentais dessa mudança deve ser o compromisso fundamental da nossa campanha com a defesa da auditoria da dívida, sempre se apoiando na mobilização e organização do povo trabalhador, da juventude e do conjunto dos explorados e oprimidos para garantirmos a efetivação de nossas propostas e do nosso programa para o país.

  • PSOL Camaçari (BA) realiza atividade sobre intervenção militar

    Na tarde de 07 de junho, o PSOL Camaçari realizou no centro da cidade uma exposição de fotos com objetivo de informar as pessoas sobre o que significa uma intervenção militar. A atividade mostrou fotos chocantes tanto do período da ditadura militar, como também cenas da recente intervenção militar no Rio de Janeiro.

    Muitos jovens que saiam das escolas naquele horário passaram pelo local. Muitos trabalhadores do centro de Camaçari também. O povo pode ter contato com um pouco dessa história.

    Atualmente várias pessoas defendem uma intervenção militar nas redes sociais sem saber de fato o conteúdo trágico dessa proposta. Essa pequena exposição serviu para iniciar esse debate educativo com a população da cidade. É uma iniciativa que poderia ser seguida em outras cidades e regiões. É decisivo mover uma campanha de conscientização da população brasileira.

    *Matheus Quadros é presidente do Diretório Municipal de Camaçari (BA).

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    Intervenção militar nunca irá garantir democracia e fim da corrupção


  • Acampamento de Jovens Anticapitalistas, organizado pelo Afronte!, aprova carta à juventude brasileira

    Entre os dias 01 a 03 de junho aconteceu na Universidade Federal Fluminense, em Niterói – RJ, o Acampamento Nacional de Jovens Anticapitalistas: Resistir Sem Medo. Primeiro acampamento nacional organizado pelo Afronte!. Foram três dias de intensos debates políticos sobre conjuntura, anticapitalismo, opressões, trabalho de base, além de contar com uma grande Roda Vida com o pré-candidato a Presidência pelo PSOL, Guilherme Boulos. Ao final do encontro, os cerca de 400 jovens  presentes aprovaram a “Carta de Niterói”, sintetizando as principais tarefas políticas para a juventude na atual conjuntura. Confira:

    CARTA DE NITERÓI

    Desde a fundação do nosso movimento, cantamos em muitas atividades o grito “Afronte! É guerra!”. Após 3 dias de Acampamento Nacional de Jovens Anticapitalistas, entendemos mais profundamente o que isso significa. Convivemos e compartilhamos ideias, rimas, debates, resistências, risadas, dificuldades, aprendizados e solidariedade, que nos fortaleceram para organizar a batalha.

    Apontaremos nossas armas contra aqueles que querem vender o nosso país, oprimir nossos irmãos e irmãs, destruir a educação e os serviços públicos, privatizar a Petrobrás, exterminar a esperança que tem rosto de mulher, negra, bissexual e favelada. Estamos contra os donos do poder que ditam os mandamentos do lucro acima da vida. Somos anticapitalistas. Somos 99% contra o 1%. Não descansaremos até a destruição de toda a exploração, opressão e exclusão que vive nosso povo, através da luta radical pela transformação do futuro.

    O mundo capitalista vive uma das maiores crises de sua história e querem que a juventude e os trabalhadores paguem por ela. O desgoverno de Michel Temer abre portas para o retrocesso, aplicando um projeto político e econômico ditado pelo imperialismo. Quem ganha são os bancos, o agronegócio, os tubarões do ensino, e quem perde são as universidades e hospitais públicos, a periferia, os indígenas, as LGBTs, as mulheres e o povo negro.

    Junto com os retrocessos, o golpe fortaleceu uma nova direita em nosso país. Cinquenta anos depois do AI-5 e da morte do Edson Luís, há quem se sinta a vontade para defender a volta da ditadura. Vimos milhares irem às ruas organizados pela FIESP e novos movimentos de direita. Sob o pretexto do combate à corrupção, disputam uma saída reacionária para crise disseminando preconceito e ódio nas ruas e redes. Fazem isso através de seus representantes, como os “heróis da pátria” Moro e Bolsonaro, ou agrupamentos como o MBL. Dizem representar uma nova política, porém suas ideias retrocedem o país aos tempos da Casa Grande.

    Sem medo, a nossa juventude não foge da luta. Nosso movimento foi forjado nas ocupações de escolas e universidades no final de 2016, que enfrentaram a PEC do Fim do Mundo. Estivemos presentes na histórica Greve Geral de 28 de abril de 2017. Acreditamos na força da unidade das lutas da juventude e dos trabalhadores para combatermos todos os retrocessos e enfrentar a extrema direita. Construímos a Frente Povo Sem Medo, organizamos o movimento estudantil a partir de novas práticas, participamos de cursinhos populares e grupos de periferia que tem a arte como ferramenta de luta, nos auto-organizamos como mulheres, negras e negros e LGBTs para combater a opressão.

    Agora, estamos diante de um novo desafio, que é construir de norte a sul do país, em cada bairro, escola, universidade, a campanha de Guilherme Boulos e Sônia Guajajara. Só iremos transformar o Brasil aliando nossas ideias com a luta direta, como fazem os movimentos sem teto e indígena. Sem fazer aliança com partidos da direita e representantes do capital, a Frente Politica e Social entre MTST, PSOL, PCB e APIB representam uma alternativa política com um programa de enfrentamento às ideias reacionárias e supera a ilusão de que é possível “governar para todos”. Esta campanha, portanto, vai além da votação de outubro; serve pra renovar a esperança em nossas próprias forças.

    Com satisfação, voltamos para nossas cidades com muita disposição de organizar a luta e construir nosso movimento. São inúmeros os desafios. Não deixaremos que privatizem as universidades públicas e acabem com a assistência estudantil. Queremos ampliação da política de cotas e medidas de combate às fraudes. Nos somaremos à construção das Marchas da Maconha e à luta antiproibicionista. Afrontaremos, todos os dias, o machismo, o racismo e a LGBTfobia. Lutaremos ombro a ombro com o movimento dos sem teto, sem terra, do sindicalismo independente. Estaremos nas periferias construindo política através da arte e cultura de resistência. Vamos Sem Medo multiplicar os Grupos de Ação da campanha de Boulos e Sônia. Resistiremos a todas as medidas do governo golpista de Temer, como a Reforma Trabalhista, da Previdência e a tentativa de privatizar as estatais. Seguiremos afrontando todo o conservadorismo e retrocesso em nosso país! Este é o nosso compromisso. Paz entre nós, guerra aos senhores!

    03 de Junho de 2018

     

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    Acampamento reúne centenas de jovens anticapitalistas em Niterói (RJ)

  • Boulos à juventude: “Nossa campanha vai ser a campanha do movimento, do ativismo”

    No acampamento do Afronte, pré-candidato fala de muros, psicanálise e palpita sobre a Copa

    Guilherme Boulos, coordenador nacional do MTST e pré-candidato a Presidência da República, participou na manhã deste sábado (02) de uma sabatina no Acampamento Nacional de Jovens Anticapitalistas, em Niterói (RJ). Ele apresentou os objetivos da sua pré-candidatura e de Sonia Guajajara, falou sobre política e economia, mas a temática foi muito além, tratando de temas como opressões, psicánalise, meio ambiente, transporte e integração latino-americana, em um formato semelhante ao programa de entrevistas de TV. Ao final, na despedida, Boulos agradeceu pelo excelente debate e brincou: “As perguntas desse Roda Viva do Afronte foram muito mais interessantes do que as do roda viva da TV”.

    Boulos falou sobre psicánalise, atividade que exerce junto com a militância e as aulas. Citou o período que esteve na Argentina, em 2001, logo após o Argentinazo. Lá ele conviveu com os movimentos de bairro, com os grupos piqueteiros, que haviam liderado a revolta que derrubou três presidentes do País em poucas semanas. “Eu conheci um projeto muito interessante, de um coletivo de psicanalistas que atendia militantes em uma região na cidade, onde havia acontecido um massacre, com duas mortes. Era um trauma, e esse grupo atendia e cuidava destes militantes”, recorda.

    “As pessoas não se movem apenas pelas ideias, pela racionalidade. Têm sentimentos, um monte de coisas”. Ele anunciou que a campanha também irá tratar de temas como depressão e suicídio, que são temas coletivos, relacionados à falta de perspectivas. “É preciso acolher as pessoas. Isso é algo que as igrejas evangélicas fazem muito bem. E nós, da esquerda, temos que deixar de olhar com preconceito”, refletiu.

    Ele falou sobre a necessidade da campanha “atravessar os muros”. “Precisamos parar de falar para nós mesmos. Temos que falar com o eleitor da periferia que está dizendo que vai votar no Bolsonaro. A fórmula de chamar essa pessoa de fascista, não passará, não resolve. Fascista é o Bolsonaro. Essas pessoas estão sem perspectivas, sem esperanças, e em parte porque a esquerda não foi capaz de apresentar saídas, um programa.”

    VÍDEO: Assista a entrevista completa no facebook do Esquerda Online

    Falou ainda sobre política externa, criticando a presença no Haiti e fez questão de se diferenciar dos governos petistas. “Nossa política de integração não pode ser pensada apenas como integração econômica, discutir pauta de exportação… Temos que pensar além. Precisa ser pensada como uma integração entre os povos, cultural, política e solidária. Temos que reverter a política entreguista de Temer, mas o Brasil não pode usar a sua liderança para aspirar a um papel de subimperialismo”, afirmou.

    Guilherme aproveitou uma pergunta sobre meio ambiente para debater o modelo de desenvolvimento do País. “O período de mais crescimento foi o milagre econômico na ditadura. Mas foi quando mais se concentrou renda, de mais destruição das populações… Precisamos de um modelo de desenvolvimento que respeite indígenas, quilombolas e as populações tradicionais. Não pode ter uma grande obra que os afete, sem diálogo, sem acordos.”

    Ele citou a importância de ter Sonia Guajajara, da APIB, como companheira, pela primeira vez uma mulher indígena na chapa, e criticou a destruição da Amazônia, os alimentos transgëncios e o agronegócio. “Ao contrário do que diz o agropop, esse modelo não é bom para o país. Setenta porcento dos alimentos vem da agricultura familiar. Precisamos da reforma agrária”.

    “É evidente que a gente quer a melhoria do pais. Mas não queremos um modelo de desenvolvimento a qualquer custo, que sirva apenas ao mercado” E prosseguiu, criticando, sem citar, o programa da candidatura Ciro Gomes (PDT). “Nosso modelo é um contraponto a visões desenvolvimentistas que falam em gerar emprego, mas que a fórmula é a mesma da ditadura militar”.

    Ele convocou a juventude a discutir o projeto e falou da importância da candidatura do PSOL, PCB, MTST e APIB. “A diferença começa no nosso jeito de fazer campanha. Nossa campanha vai ser a campanha do movimento, a campanha do ativismo. Nós vamos ter que reencantar as pessoas, discutir pautas, discutir um projeto que não vai terminar em outubro deste ano, que não tem data de validade. Queremos um projeto para a próxima geração. Queremos disputar essa eleição, ocupar cada espaço, mas não queremos apenas isso. Mesmo que a gente vença, a gente não governaremos sem os trabalhadores organizados, sem lastro. Nossa responsabilidade é plantar uma semente enorme, que vai colher frutos nesta eleição e sobretudo na reorganização de um projeto de esquerda do Brasil.”

    Ao final, Guilherme ainda foi surpreendido por um pingue-pongue, com dez perguntas, que respondeu rapidamente, demorando um pouco mais apenas para responder sobre um acontecimento que marcou a sua vida (Pinheirinho) e se o Brasil vai vencer a Copa do Mundo. Confira abaixo as respostas.

     

    Perguntas para Boulos

    Um(a) revolucionário(a) – Che Guevara
    Um livro – As Veias Abertas da América Latina (Galeano)
    Um acontecimento político que te marcou muito – Os últimos meses foram repletos de acontecimentos importantes… Mas um que me marcou foi o despejo da Ocupação Pinheirinho, em São José dos Campos, em 2012.
    Seu time – Corinthians, claro.
    O Tite vai trazer o hexacampeonato? – Humm… Sim, vai trazer.
    Um artista – Férrez
    Comida preferida – Feijoada
    Bebida – Cachaça
    Gênero musical – Samba

     

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