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  • Nota oficial: PSOL lamenta tragédia com o Museu Nacional

    Na noite deste domingo, 2 de setembro, um incêndio destruiu o Museu Nacional, ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Com mais de 20 milhões de peças em seu amplo acervo – de fósseis de dinossauros com dezenas de milhões de anos à história dos povos originários do Brasil, entre tantas outras coisas –, o incêndio no Museu representa uma perda trágica para a história e a pesquisa científica no Brasil.

    Infelizmente, não se pode dizer que o ocorrido foi um mero acidente. Trata-se da expressão mais cruel de um projeto político de desvalorização da cultura, educação e pesquisa científica em nosso país. Há muitos anos as universidades federais sofrem um processo de sucateamento e os investimentos seguem sendo reduzidos. Obviamente, essa falta de recursos cobra sua fatura: nossas universidades estão em situação de penúria.

    Apenas de 2011 para cá, na UFRJ, houve incêndios no Palácio Universitário, na Faculdade de Letras, no Centro de Ciências da Saúde, no prédio da reitoria, no Alojamento e agora este, no Museu Nacional.

    Em 2015, dos R$341 milhões em verbas da União autorizadas pela Lei de Diretrizes Orçamentária para o custeio e investimentos na UFRJ, R$53 milhões não foram liberados. Em 2018, esse orçamento caiu para R$ 282 milhões, com mais contingenciamentos anunciados. As verbas para investimentos caíram de R$51 milhões, em 2016, para R$6 milhões em 2018.

    Se esse processo de falta de investimentos já tem décadas, ele ganhou um combustível extra com o golpe que se abateu sobre o país em 2016. A Emenda Constitucional 95, aprovada pelo governo ilegítimo de Michel Temer, que congela os investimentos sociais no Brasil pelos próximos 20 anos foi repudiada por toda a comunidade acadêmica nacional, independente da posição política, incluindo instituições como a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

    Há exatamente um mês, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) divulgou nota oficial comunicando que os cortes no orçamento significariam a suspensão do pagamento de cerca de 200 mil bolsas em 2019 – da pós-graduação à formação de professores da rede básica.

    O PSOL teve uma posição firme de enfrentamento e denúncia do que a Emenda Constitucional 95 representaria para nossa população. Temos afirmado reiteradamente que a redução de investimentos sociais não pode, de maneira nenhuma, ser considerada uma solução para a crise que o Brasil enfrenta. Nosso candidato à presidência, Guilherme Boulos, vem defendendo nos debates a importância da revogação da EC 95.

    Por fim, repudiamos a tentativa que começamos a ver nas redes sociais de responsabilizar a reitoria da UFRJ e, indiretamente, o PSOL, citando que o reitor Robeto Leher é filiado ao nosso Partido. Temos muito orgulho de ter Roberto Leher ao nosso lado. Em anos no movimento docente, Leher sempre esteve comprometido com a defesa da educação pública, gratuita e de qualidade e a ampliação dos investimentos públicos necessários para isso. Como pesquisador, com um currículo e uma trajetória respeitadíssimos, também trouxe importantes reflexões sobre a educação pública. Há três anos, junto com docentes de diversos centros da UFRJ, dispôs-se a encarar esse desafio de, em plena crise, assumir a gestão da maior Universidade Federal do Brasil, tendo sido eleito com amplo apoio da comunidade acadêmica. Ao longo desses três anos, tem sido incansável na busca por mais investimentos que possam garantir o funcionamento da UFRJ.

    Executiva Nacional do PSOL
    3 de setembro de 2018

  • Assista o vídeo com a análise do debate na Band

    Nesta quinta-feira, 09, ocorreu o primeiro confronto entre os presidenciáveis. Participaram oito candidatos estarão presentes: Alvaro Dias (Podemos), Cabo Daciolo (Patriota), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), Henrique Meirelles (MDB), Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (Rede). A emissora não permitiu a participação de Lula (PT) ou de seu vice, Fernando Haddad, e não convidou várias candidaturas, como a de Vera Lúcia (PSTU).

    O Esquerda Online realizou uma live, com Gabriel Santos, com uma primeira análise do debate. Assista.

    REVEJA O DEBATE NO CANAL DA BAND NO YOUTUBE

     

  • Mulheres do PSOL enviam delegação e carta em solidariedade às argentinas

    Nós, Mulheres do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), no Brasil, escrevemos esta carta aberta em apoio e solidariedade às companheiras argentinas, que lutam pela aprovação do Projeto de Lei de Interrupção Voluntária da Gravidez, na Câmara dos Senadores.

    A criminalização do aborto voluntário atenta contra toda a ampliação de direitos, restringe a cidadania das mulheres e agrava a situação social de vulnerabilidade, que tem como consequência mais violenta a morte. As mulheres são as pessoas com capacidade de gestar, e as com escassos recursos econômicos e educativos, oprimidas hoje pela alta da inflação, o desemprego e a crise econômica, que não contam com educação sexual integral e não têm acesso assegurado a métodos contraceptivos, são as que estão mais expostas e sofrem as consequências.

    No Brasil, vivemos numa conjuntura em que temos um Congresso extremamente conservador – o mais conservador desde a ditadura militar de 1964. Portanto, o movimento de mulheres no Brasil ainda encontra severas oposições para pautar uma legislação avançada sobre o tema, e ainda existe enorme resistência por parte da sociedade civil em aprovar o aborto legal. Ou seja, o aborto ainda é um tabu no Brasil. Porém, não deixamos de ampliar esse debate com a sociedade e, por isso, as mulheres do PSOL foram protagonistas ao registrar a apreciação sobre o tema na Suprema Corte, por meio da ADPF 442.

    A Argumentação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 442, registrada no ano de 2017 pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), com apoio do Instituto Anis, questiona perante ao Supremo Tribunal Federal a violação de direitos fundamentais das mulheres diante da manutenção dos artigos 124 e 126 do Código Penal de 1940, que hoje permitem o aborto com apenas três exceções: risco de morte, gravidez resultante de estupro e feto anencéfalo, incluído posteriormente. Nem presa, nem morta! São as palavras de luta e mobilização das mulheres em todo o Brasil.

    Na mesma semana que a Câmara de Senadores da Argentina promoverá a votação do Projeto I.V.G. (Interrupção Voluntária da Gravidez), ocorreu na Suprema Corte do Brasil (STF) a audiência pública sobre a descriminalização do aborto até a 12.ª semana de gravidez. Acreditamos, mais do que nunca, que a luta das mulheres latino-americanas em defesa do aborto legal e seguro como direito reprodutivo e de saúde pública das mulheres está conectada em escala global, e que a unidade e solidariedade fortalecem nossas lutas locais. Portanto, defendemos o Projeto I.V.G. que tem metade da aprovação, por parte dos deputados, e requeremos que se aprove sem modificações neste 8 de agosto. Compreendemos que com a aprovação do Projeto I.V.G. na Câmara dos Senadores da Argentina conquistaremos uma vitória para todas as mulheres na América Latina que lutam pelos seus direitos sexuais e reprodutivos e pelo aborto legal e seguro.

    Por nossa autonomia e liberdade. A todas as pessoas com capacidade de gestar e gestantes: mulheres, adolescentes e crianças, bissexuais, lésbicas, travestis, trans, não binárias e mais. Pela vida, pela saúde, pelo exercício de uma sexualidade sem coerção ou violências, pelo direito de decidir se desejamos ter filhxs, quantos e em qual momento.

    • O direito ao aborto, que seja lei!
    • Educação sexual para decidir!
    • Anticoncepcionais para não abortar.
    • Aborto legal para não morrer.

    Buenos Aires, 8 de agosto de 2018

    Mulheres do PSOL

    Publicado originalmente no portal nacional do PSOL

  • Neste sábado, é dia de mobilização nacional dos Grupos de Ação “Vamos com Boulos e Sônia”

    Neste dia 04 de agosto os Grupos de Ação “Vamos com Boulos e Sônia” irão contagiar o país levando uma mensagem de força, esperança e propostas para mudar o Brasil. Serão mais de 100 ações em locais de grande circulação e bairros. Os preparativos se intensificam Brasil adentro na confecção de faixas, cartazes, lambes, gravação de vídeos para invadir as redes e muita vontade para dialogar e escutar o povo.

    Em tempos de “vale tudo” pelo tempo de TV, milhares de ativistas que não possuem a grana dos poderosos, e não querem as alianças espúrias dos partidos tradicionais irão mostrar que a força das ideias pode romper o bloqueio da mídia e levar propostas radicais, de enfrentamento aos privilégios da minoria e dos interesses do mercado para que o Brasil possa ser do povo trabalhador.

    A unidade entre MTST, PSOL, PCB e APIB não é só uma aliança entre organizações combativas e de esquerda, mas une milhares em torno à necessidade de superar o ciclo de uma esquerda que em nome da governabilidade abandonou a ideia de que o povo organizado de forma independente pode transformar o Brasil.

    Por isso a campanha se organiza em “Grupos de Ação” que, conectados, formam uma grande rede para promover ações. Essa proposta de organização desde os locais de estudo, de trabalho e no território é uma semente que plantamos para reconstruir um projeto de esquerda que volte a encantar os trabalhadores e o povo. Uma semente que começa a florescer nesse sábado.

    Em tempos de crise a pré-campanha de Boulos vem defendendo ideias realmente radicais que foram construídas por muitas mãos num ciclo de debates por todo o país. Destes debates surgiram propostas como a revogação das reformas de Temer, a taxação das grandes fortunas, a redução da jornada de trabalho sem redução de salário para combater o desemprego, o fim da política de guerra às drogas para acabar com o extermínio da juventude negra e periférica, a legalização do aborto e diversas outras propostas que provocariam mudanças verdadeiras e profundas.

    Munidos dessas ideias poderosas, amanhã seremos muitos(as) pelo país construindo uma política diferente, auto-organizada por aqueles que fazem parte do povo que batalha.

     

    ORIENTAÇÕES

    Se vc já tem grupo

    1. marcar uma reunião presencial e decidir onde fará a panfletagem ou outra atividade de divulgação no dia 4.

    2. Definir quem vai buscar o panfleto na sede do PSOL da sua cidade.

    3. Acordar bem cedo nesse sabadão bonito e levar nossas propostas para as pessoas conversando, dialogando e apresentando nossas propostas.

    4. Fique atento nas informações que a equipe de campanha coloca no grupo, pois em várias cidades haverão reuniões de preparação com inter-grupos para potencializar a nossa força e ver juntos os locais das panfletagens.

    Se você não tem grupo ainda:

    Fale com amigos, colegas de trabalho ou de estudo. A partir de 2 pessoas você já pode montar seu grupo. Entre na plataforma vamoscomboulosesonia.com.br, cadastre o grupo. Depois faça um grupo de WhatsApp com os participantes, inclua no grupo de WhatsApp o contato da equipe de mobilização da campanha (11) 942157600.

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  • A importância da auditoria da dívida para enfrentar os lucros exorbitantes dos bancos

    Está aberta uma importante discussão programática na campanha de Guilherme Boulos e Sonia Guajajara para a Presidência da República (MTST-PSOL-PCB-APIB, entre outros movimentos e organizações) em torno do tema da dívida pública. Em função da importância desse tema, julgamos fundamental abrir um diálogo franco com o conjunto dos movimentos e organizações que constroem essa candidatura.

    A auditoria da dívida é uma proposta constantemente reivindicada pelos movimentos sociais brasileiros e a esquerda socialista nas últimas décadas. Essa iniciativa tem demonstrado ser de grande valor pedagógico para explicar os mecanismos de transferência de dinheiro público para os grandes bancos e instituições financeiras. O próprio PSOL tem, em sua trajetória, uma grande vinculação com esta bandeira. Por exemplo, em 2015, a bancada do partido na Câmara dos Deputados conseguiu incluir a auditoria da dívida no chamado Plano Plurianual. Infelizmente, a ex-presidente Dilma (PT) vetou esta proposta.

    Apesar desse veto, não se deve considerar que se trata de uma proposta impraticável. Experiências de auditorias das dívidas públicas já foram conduzidas em outros países, como o Equador e a Grécia. Nos dois casos, independentemente dos seus resultados efetivos, é preciso indicar que essa iniciativa não significou uma ruptura com os agentes financeiros internacionais, o que demonstra se tratar de uma iniciativa possível, mesmo nos marcos do regime político atual. Lembramos, ainda, que a proposta da auditoria da dívida, longe de representar uma proposta de calote nos pequenos investidores, é um recurso previsto na Constituição Federal, e tem como objetivo atacar as ilegalidades na conformação do montante da dívida e nos juros aplicados sobre ela. Portanto, mesmo respeitando os (as) companheiros (as) que divergem de nossa posição, seguimos considerando fundamental que a auditoria da dívida seja parte do programa da esquerda socialista para as próximas eleições, principalmente pelos elementos que listaremos ao longo deste texto.

    A dívida brasileira
    A dívida interna brasileira saltou de R$ 86 bilhões em 1995 para mais de R$ 3 trilhões e meio em 2018. Esse salto absurdo é fruto dos juros exorbitantes e de especulação financeira. Entre os países da América Latina, o Brasil tem o maior percentual da dívida em relação ao seu Produto Interno Bruto (PIB), chegando a 74%. Segundo previsões de importantes agentes do mercado financeiro, essa relação deve se agravar nos próximos anos, alcançando os 80% até 2022. Portanto, é um erro desconsiderar o problema da dívida e suas consequências sobre o grau de dependência da economia brasileira em relação ao mercado financeiro, seja ele nacional ou internacional.

    Segundo o Tesouro Nacional, hoje temos um estoque total de dívida de R$ 3,63 trilhões, sendo 96,33% desta dívida interna, 3,67% externa e 0,37% contratuais (ou seja, através de contratos e não de títulos, com organismos multilaterais, agências governamentais e outros). O valor gasto apenas com o pagamento de juros anualmente é estratosférico, sem considerar o que se paga da dívida em si. Em 2017 foram mais de R$ 203 bilhões gastos em juros, o que equivale ao dobro do que se gastou em todo o ano em Educação (R$ 103 bilhões) ou em Saúde (R$ 102 bilhões).

    Já a Campanha Nacional pela Auditoria Cidadã apresenta dados ainda mais preocupantes, indicando que, em 2017, a dívida interna brasileira superou os R$ 5 trilhões. E a dívida externa chegou a 550 bilhões de dólares. Valores que são muito altos e que comprometem bastante a capacidade de investimentos do Estado brasileiro. Segundo a mesma fonte, no ano de 2017, foram pagos R$ 986 bilhões de juros e amortizações da dívida pública federal. Este valor representa cerca de 40% do total do Orçamento da União.

    Esse quadro é continuamente agravado pelo fato de que a taxa de juros brasileira continua entre as maiores do mundo. Em um levantamento feito pelo Esquerda Online com 168 economias, o Brasil mantém – mesmo com a recente diminuição da SELIC – uma taxa de juros de quase duas vezes e meia e mediana mundial. Apesar de estar na 43a posição, poucas economias relevantes estão à nossa frente (Argentina, Irã, Equador, Turquia, Egito, Rússia e Iraque). Isto torna o negócio da dívida no Brasil algo muito lucrativo, atraindo bancos e investidores estrangeiros para ganhar dinheiro com esta usurpação nacional.

    Quem se beneficia da dívida?
    A dívida interna brasileira – que compõe a imensa maioria da dívida pública – não está nas mãos de pequenos poupadores. Segundo o Tesouro, quase metade dela remunera os maiores agentes do mercado financeiro, destacando-se os bancos (21,76%) e os fundos de investimento (27,29%), sempre ligado a bancos. Assim, em 2017, segundo estudo feito pelo DIEESE sobre os balanços dos cinco maiores bancos do Brasil, R$ 199 bilhões das suas receitas tiveram origem justamente nos títulos e valores mobiliários, a maior parte desses valores é ligado aos ganhos referentes ao mecanismo da dívida.

    Além de controlarem a maior parte dos papeis da dívida, os bancos também gerenciam as transações desses papeis. Todo ano, o Tesouro Nacional nomeia os chamados “Dealers” (negociantes, na tradução do inglês), que são instituições financeiras credenciadas para controlar as regras do mercado de títulos da dívida. Atualmente, 12 instituições financeiras são os “Dealers” da dívida interna brasileira. Entre elas, nove bancos nacionais e estrangeiros e corretoras de valores e distribuidoras. É a velha máxima: “Colocar as raposas para tomar conta do galinheiro”.

    Por outro lado, o fundo público (aquilo que a economia burguesa chama de “orçamento público”) que é usado para remunerar os títulos da dívida é composto majoritariamente por recursos oriundos dos trabalhadores. Em função da estrutura tributária absolutamente regressiva do Brasil, as grandes fortunas não são taxadas e os impostos sobre consumo possuem grande peso, atingindo de forma desproporcional os trabalhadores. Além disso, mesmo os impostos pagos pela burguesia são fruto do trabalho não pago (mais-valor) extraído da classe trabalhadora.

    A dívida não é solução
    Em função da grave crise enfrentada pelo Brasil, uma parte da esquerda considera que o endividamento do Estado pode ser importante para dinamizar a economia, atacar o desemprego e incentivar os investimentos privados. De acordo com esse raciocínio, uma dívida com maiores prazos de pagamento e remunerada a uma taxa de juros mais baixa poderia gerar os recursos necessários para essa recuperação. Essa proposta se sustenta no arsenal teórico keynesiano.

    Partindo de um ponto de vista marxista, nossa posição é outra. Embora o Estado seja um importante indutor das ações econômicas, não é capaz, sozinho, de convencer os milhares de agentes privados a aumentarem seus investimentos. Em uma economia capitalista, o fator mais relevante para incentivar os investimentos privados é a taxa de lucros do capital, que permanece em patamares limitados, quando comparados com os níveis anteriores ao início da crise. Além disso, no cenário de um eventual governo do PSOL, a desconfiança do conjunto da burguesia seria redobrada, tornando-a ainda mais cautelosa em seus investimentos. Ou seja, também não é possível pensar que esse governo contaria com o apoio maciço de uma burguesia “produtiva” em oposição à burguesia financeira.

    Em suma, a dívida pública não é uma solução para a crise brasileira, nem deve ser tratada como um tema de gestão técnica do Estado. Se trata, pelo contrário, de um grande problema político, que está na raiz das limitações às ações do próprio Estado brasileiro.

    Acabar com o controle dos bancos sobre o mecanismo da dívida
    A auditoria da dívida vai ajudar a demonstrar as ilegalidades praticadas pelos grandes bancos e instituições financeiras, suspendendo e anulando as partes ilegais dessa dívida e devolvendo ao Estado brasileiro o controle sobre essas importantes operações financeiras. É ela que possibilitará colocar realmente o “dedo na ferida” e atacar o poder político dos bancos. É impossível pensar um país realmente independente, que ataque os enormes privilégios do 1% mais ricos, sem interromper a terrível transferência anual de recursos públicos para o capital financeiro.

    Nos últimos anos, a economia brasileira vem se tornando cada vez mais dependente do mercado mundial. Portanto, não se recupera de forma significativa a capacidade de investimento do Estado brasileiro sem mexer no mecanismo perverso gerado pela dívida pública, com seus juros exorbitantes e amortizações.

    Além disto, através das agências de risco, os bancos chantageiam Estados a partir de suas dívidas públicas. Rebaixam notas de crédito quando não aprovam reformas como a da Previdência e Trabalhista, ameaçando assim as dívidas públicas destes países, assim como faziam na década de 1990 o FMI e o Banco Mundial.

    Simplesmente levantar uma proposta de alargamento dos prazos de pagamentos e serviços da dívida, ou pior, acreditar que uma dívida deste montante seja positiva para o desenvolvimento nacional, é deixar de enfrentar a grande fonte de lucros exorbitantes e ilegais dos bancos e instituições financeiras em nosso país.

    Por isso, a campanha da Auditoria Cidadã publicou uma carta aberta à população, cobrando dos pré-candidatos nas eleições deste ano a defesa da auditoria da dívida pública, entre outras propostas que visam combater os lucros exorbitantes dos grandes bancos.

    Vamos, sem medo de mudar o Brasil. E um dos primeiros passos fundamentais dessa mudança deve ser o compromisso fundamental da nossa campanha com a defesa da auditoria da dívida, sempre se apoiando na mobilização e organização do povo trabalhador, da juventude e do conjunto dos explorados e oprimidos para garantirmos a efetivação de nossas propostas e do nosso programa para o país.

  • PSOL Camaçari (BA) realiza atividade sobre intervenção militar

    Na tarde de 07 de junho, o PSOL Camaçari realizou no centro da cidade uma exposição de fotos com objetivo de informar as pessoas sobre o que significa uma intervenção militar. A atividade mostrou fotos chocantes tanto do período da ditadura militar, como também cenas da recente intervenção militar no Rio de Janeiro.

    Muitos jovens que saiam das escolas naquele horário passaram pelo local. Muitos trabalhadores do centro de Camaçari também. O povo pode ter contato com um pouco dessa história.

    Atualmente várias pessoas defendem uma intervenção militar nas redes sociais sem saber de fato o conteúdo trágico dessa proposta. Essa pequena exposição serviu para iniciar esse debate educativo com a população da cidade. É uma iniciativa que poderia ser seguida em outras cidades e regiões. É decisivo mover uma campanha de conscientização da população brasileira.

    *Matheus Quadros é presidente do Diretório Municipal de Camaçari (BA).

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    Intervenção militar nunca irá garantir democracia e fim da corrupção


  • Acampamento de Jovens Anticapitalistas, organizado pelo Afronte!, aprova carta à juventude brasileira

    Entre os dias 01 a 03 de junho aconteceu na Universidade Federal Fluminense, em Niterói – RJ, o Acampamento Nacional de Jovens Anticapitalistas: Resistir Sem Medo. Primeiro acampamento nacional organizado pelo Afronte!. Foram três dias de intensos debates políticos sobre conjuntura, anticapitalismo, opressões, trabalho de base, além de contar com uma grande Roda Vida com o pré-candidato a Presidência pelo PSOL, Guilherme Boulos. Ao final do encontro, os cerca de 400 jovens  presentes aprovaram a “Carta de Niterói”, sintetizando as principais tarefas políticas para a juventude na atual conjuntura. Confira:

    CARTA DE NITERÓI

    Desde a fundação do nosso movimento, cantamos em muitas atividades o grito “Afronte! É guerra!”. Após 3 dias de Acampamento Nacional de Jovens Anticapitalistas, entendemos mais profundamente o que isso significa. Convivemos e compartilhamos ideias, rimas, debates, resistências, risadas, dificuldades, aprendizados e solidariedade, que nos fortaleceram para organizar a batalha.

    Apontaremos nossas armas contra aqueles que querem vender o nosso país, oprimir nossos irmãos e irmãs, destruir a educação e os serviços públicos, privatizar a Petrobrás, exterminar a esperança que tem rosto de mulher, negra, bissexual e favelada. Estamos contra os donos do poder que ditam os mandamentos do lucro acima da vida. Somos anticapitalistas. Somos 99% contra o 1%. Não descansaremos até a destruição de toda a exploração, opressão e exclusão que vive nosso povo, através da luta radical pela transformação do futuro.

    O mundo capitalista vive uma das maiores crises de sua história e querem que a juventude e os trabalhadores paguem por ela. O desgoverno de Michel Temer abre portas para o retrocesso, aplicando um projeto político e econômico ditado pelo imperialismo. Quem ganha são os bancos, o agronegócio, os tubarões do ensino, e quem perde são as universidades e hospitais públicos, a periferia, os indígenas, as LGBTs, as mulheres e o povo negro.

    Junto com os retrocessos, o golpe fortaleceu uma nova direita em nosso país. Cinquenta anos depois do AI-5 e da morte do Edson Luís, há quem se sinta a vontade para defender a volta da ditadura. Vimos milhares irem às ruas organizados pela FIESP e novos movimentos de direita. Sob o pretexto do combate à corrupção, disputam uma saída reacionária para crise disseminando preconceito e ódio nas ruas e redes. Fazem isso através de seus representantes, como os “heróis da pátria” Moro e Bolsonaro, ou agrupamentos como o MBL. Dizem representar uma nova política, porém suas ideias retrocedem o país aos tempos da Casa Grande.

    Sem medo, a nossa juventude não foge da luta. Nosso movimento foi forjado nas ocupações de escolas e universidades no final de 2016, que enfrentaram a PEC do Fim do Mundo. Estivemos presentes na histórica Greve Geral de 28 de abril de 2017. Acreditamos na força da unidade das lutas da juventude e dos trabalhadores para combatermos todos os retrocessos e enfrentar a extrema direita. Construímos a Frente Povo Sem Medo, organizamos o movimento estudantil a partir de novas práticas, participamos de cursinhos populares e grupos de periferia que tem a arte como ferramenta de luta, nos auto-organizamos como mulheres, negras e negros e LGBTs para combater a opressão.

    Agora, estamos diante de um novo desafio, que é construir de norte a sul do país, em cada bairro, escola, universidade, a campanha de Guilherme Boulos e Sônia Guajajara. Só iremos transformar o Brasil aliando nossas ideias com a luta direta, como fazem os movimentos sem teto e indígena. Sem fazer aliança com partidos da direita e representantes do capital, a Frente Politica e Social entre MTST, PSOL, PCB e APIB representam uma alternativa política com um programa de enfrentamento às ideias reacionárias e supera a ilusão de que é possível “governar para todos”. Esta campanha, portanto, vai além da votação de outubro; serve pra renovar a esperança em nossas próprias forças.

    Com satisfação, voltamos para nossas cidades com muita disposição de organizar a luta e construir nosso movimento. São inúmeros os desafios. Não deixaremos que privatizem as universidades públicas e acabem com a assistência estudantil. Queremos ampliação da política de cotas e medidas de combate às fraudes. Nos somaremos à construção das Marchas da Maconha e à luta antiproibicionista. Afrontaremos, todos os dias, o machismo, o racismo e a LGBTfobia. Lutaremos ombro a ombro com o movimento dos sem teto, sem terra, do sindicalismo independente. Estaremos nas periferias construindo política através da arte e cultura de resistência. Vamos Sem Medo multiplicar os Grupos de Ação da campanha de Boulos e Sônia. Resistiremos a todas as medidas do governo golpista de Temer, como a Reforma Trabalhista, da Previdência e a tentativa de privatizar as estatais. Seguiremos afrontando todo o conservadorismo e retrocesso em nosso país! Este é o nosso compromisso. Paz entre nós, guerra aos senhores!

    03 de Junho de 2018

     

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    Acampamento reúne centenas de jovens anticapitalistas em Niterói (RJ)

  • Boulos à juventude: “Nossa campanha vai ser a campanha do movimento, do ativismo”

    No acampamento do Afronte, pré-candidato fala de muros, psicanálise e palpita sobre a Copa

    Guilherme Boulos, coordenador nacional do MTST e pré-candidato a Presidência da República, participou na manhã deste sábado (02) de uma sabatina no Acampamento Nacional de Jovens Anticapitalistas, em Niterói (RJ). Ele apresentou os objetivos da sua pré-candidatura e de Sonia Guajajara, falou sobre política e economia, mas a temática foi muito além, tratando de temas como opressões, psicánalise, meio ambiente, transporte e integração latino-americana, em um formato semelhante ao programa de entrevistas de TV. Ao final, na despedida, Boulos agradeceu pelo excelente debate e brincou: “As perguntas desse Roda Viva do Afronte foram muito mais interessantes do que as do roda viva da TV”.

    Boulos falou sobre psicánalise, atividade que exerce junto com a militância e as aulas. Citou o período que esteve na Argentina, em 2001, logo após o Argentinazo. Lá ele conviveu com os movimentos de bairro, com os grupos piqueteiros, que haviam liderado a revolta que derrubou três presidentes do País em poucas semanas. “Eu conheci um projeto muito interessante, de um coletivo de psicanalistas que atendia militantes em uma região na cidade, onde havia acontecido um massacre, com duas mortes. Era um trauma, e esse grupo atendia e cuidava destes militantes”, recorda.

    “As pessoas não se movem apenas pelas ideias, pela racionalidade. Têm sentimentos, um monte de coisas”. Ele anunciou que a campanha também irá tratar de temas como depressão e suicídio, que são temas coletivos, relacionados à falta de perspectivas. “É preciso acolher as pessoas. Isso é algo que as igrejas evangélicas fazem muito bem. E nós, da esquerda, temos que deixar de olhar com preconceito”, refletiu.

    Ele falou sobre a necessidade da campanha “atravessar os muros”. “Precisamos parar de falar para nós mesmos. Temos que falar com o eleitor da periferia que está dizendo que vai votar no Bolsonaro. A fórmula de chamar essa pessoa de fascista, não passará, não resolve. Fascista é o Bolsonaro. Essas pessoas estão sem perspectivas, sem esperanças, e em parte porque a esquerda não foi capaz de apresentar saídas, um programa.”

    VÍDEO: Assista a entrevista completa no facebook do Esquerda Online

    Falou ainda sobre política externa, criticando a presença no Haiti e fez questão de se diferenciar dos governos petistas. “Nossa política de integração não pode ser pensada apenas como integração econômica, discutir pauta de exportação… Temos que pensar além. Precisa ser pensada como uma integração entre os povos, cultural, política e solidária. Temos que reverter a política entreguista de Temer, mas o Brasil não pode usar a sua liderança para aspirar a um papel de subimperialismo”, afirmou.

    Guilherme aproveitou uma pergunta sobre meio ambiente para debater o modelo de desenvolvimento do País. “O período de mais crescimento foi o milagre econômico na ditadura. Mas foi quando mais se concentrou renda, de mais destruição das populações… Precisamos de um modelo de desenvolvimento que respeite indígenas, quilombolas e as populações tradicionais. Não pode ter uma grande obra que os afete, sem diálogo, sem acordos.”

    Ele citou a importância de ter Sonia Guajajara, da APIB, como companheira, pela primeira vez uma mulher indígena na chapa, e criticou a destruição da Amazônia, os alimentos transgëncios e o agronegócio. “Ao contrário do que diz o agropop, esse modelo não é bom para o país. Setenta porcento dos alimentos vem da agricultura familiar. Precisamos da reforma agrária”.

    “É evidente que a gente quer a melhoria do pais. Mas não queremos um modelo de desenvolvimento a qualquer custo, que sirva apenas ao mercado” E prosseguiu, criticando, sem citar, o programa da candidatura Ciro Gomes (PDT). “Nosso modelo é um contraponto a visões desenvolvimentistas que falam em gerar emprego, mas que a fórmula é a mesma da ditadura militar”.

    Ele convocou a juventude a discutir o projeto e falou da importância da candidatura do PSOL, PCB, MTST e APIB. “A diferença começa no nosso jeito de fazer campanha. Nossa campanha vai ser a campanha do movimento, a campanha do ativismo. Nós vamos ter que reencantar as pessoas, discutir pautas, discutir um projeto que não vai terminar em outubro deste ano, que não tem data de validade. Queremos um projeto para a próxima geração. Queremos disputar essa eleição, ocupar cada espaço, mas não queremos apenas isso. Mesmo que a gente vença, a gente não governaremos sem os trabalhadores organizados, sem lastro. Nossa responsabilidade é plantar uma semente enorme, que vai colher frutos nesta eleição e sobretudo na reorganização de um projeto de esquerda do Brasil.”

    Ao final, Guilherme ainda foi surpreendido por um pingue-pongue, com dez perguntas, que respondeu rapidamente, demorando um pouco mais apenas para responder sobre um acontecimento que marcou a sua vida (Pinheirinho) e se o Brasil vai vencer a Copa do Mundo. Confira abaixo as respostas.

     

    Perguntas para Boulos

    Um(a) revolucionário(a) – Che Guevara
    Um livro – As Veias Abertas da América Latina (Galeano)
    Um acontecimento político que te marcou muito – Os últimos meses foram repletos de acontecimentos importantes… Mas um que me marcou foi o despejo da Ocupação Pinheirinho, em São José dos Campos, em 2012.
    Seu time – Corinthians, claro.
    O Tite vai trazer o hexacampeonato? – Humm… Sim, vai trazer.
    Um artista – Férrez
    Comida preferida – Feijoada
    Bebida – Cachaça
    Gênero musical – Samba

     

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  • PSOL RJ aprova apoio à greve nacional petroleira

    MOÇÃO DE APOIO À GREVE NACIONAL PETROLEIRA
    O PSOL no Rio de Janeiro vem, por meio desta, se somar a greve petroleira, a ser realizada a partir do dia 30/06/2018.
    A política de preços dos combustíveis e a privatização da Petrobrás são fatos rejeitados pela população brasileira e devem ser combatidos com toda a força.
    Os aumentos sucessivos na gasolina, diesel e gás de cozinha corroem o já escasso orçamento das famílias trabalhadoras, já bastante castigadas pelo enorme desemprego. Além disso, escancarou as portas do país para a importação de combustíveis do exterior, reduzindo a produção nacional e agravando ainda mais o desemprego e fragilizando a Petrobrás, que vem perdendo mercado a passos largos.
    Para piorar, o governo ilegítimo de Temer, através do presidente da Petrobrás, Pedro Parente, tem feito da nossa petroleira um balcão de negócios fáceis para as companhias internacionais. Agora, quer acabar de vez com a preponderância da Petrobrás no Brasil ao anunciar o Interesse de vender o controle de 4 refinarias: REFAP (RS), REPAR (PR), RLAM (BA) e RENEST (PE).
    O PSOL é terminantemente contrário a essa política que ameaça a soberania nacional. Defendemos uma Petrobrás 100% estatal, a serviço do desenvolvimento social e econômico do país, que atue com responsabilidade ambiental, buscando soluções para uma nova matriz energética. Por isso, apoiamos integralmente a greve petroleira e nos somamos a ela.
    Por combustíveis mais baratos;
    Contra o desmonte da Petrobrás e pela sua reestatização;
    Não à venda das refinarias;
    Fora Parente!
    Fora Temer!
  • Conferência do M-LPS aprova unificação com a Resistência

    Nos dias 25, 26 e 27 de maio de 2018, em São Paulo e Praia Grande (SP), se realizou a Conferência do Movimento Luta Pelo Socialismo (M-LPS), com delegados eleitos pela sua militância. Uma delegação da Resistência esteve presente nos debates. A Conferência se realizou em um importante momento da luta de classes, com a greve dos caminhoneiros.

    A Conferência se chamou Humberto Belvedere, em homenagem a este camarada, militante desde o início dos anos 1960, fundador e um dos principais animadores e dirigentes do M-LPS, que faleceu pouco tempo após a constituição da organização.

    A abertura foi no Sindicato dos Vidreiros do Estado de São Paulo, na região central da capital. Apesar da difícil locomoção devido ao desabastecimento e da falta de transporte público, mais de 50 pessoas participaram do ato de abertura da Conferência.

    As boas vindas e a abertura foram feitas pelo camarada Miranda e a direção da mesa pela camarada Vera Lucia, de Joinville, ambos da Coordenação Nacional do M-LPS.

    Além dos militantes da organização, havia uma representativa delegação da Resistência e a Conferência recebeu saudações de organizações de outros países: MAS (Movimento Alternativa Socialista), de Portugal; “The Struglle” (A Luta), do Paquistão; Jornal Revolução, do México; “Left Horizons” (Horizontes de Esquerda), do Reino Unido; “Socialisten”, da Dinamarca. Da Argentina, o camarada Bob, dirigente da organização Nuevo Mas, fez uma saudação durante o ato. Também enviaram saudações o MTST e a Insurgência, corrente do PSOL.

    E no ato de abertura tomaram a palavra e saudaram a Conferência os camaradas Marcos, da LSR, Renato, pela corrente Socialismo ou Barbárie e João Zafalão, pela Resistência. Também tomaram a palavra, os militantes do M-LPS: Helder Rocha, pré-candidato a deputado federal em Pernambuco, Almir Maciel, diretor do Sindicato dos Vidreiros, Ellen Coelho, da Executiva do PSOL de Caieiras (SP) e Rosalvo Cardoso, operário químico de São Paulo. Após as intervenções, o camarada Miranda encerrou agradecendo a participação de todos e todas, analisando a grave situação da conjuntura e desejando uma ótima Conferência.

    No sábado e domingo, a pauta foi Conjuntura Política Internacional e Nacional, o trabalho na classe operária e o futuro político do M-LPS. A Conferência discutiu e aprovou por unanimidade a Carta de Princípios e o Estatuto, que tinham sido definidos pelo Congresso de Fusão NOS-MAIS, que deu origem a Resistência.

    Ao final, os delegados aprovaram a unificação do M-LPS com a Resistência, que se organiza como uma corrente do PSOL. A partir desta decisão, vamos concluir o processo de unificação completa entre as duas organizações.

    Essa unificação se dá em bases sólidas, tanto políticas, programáticas e de concepção, após um ano de intervenção em comum na luta de classes, nos debates do PSOL e na confluência de análises teóricas. Além da aprovação comum da Carta de Princípios e do Estatuto, foi acertado também um Protocolo de Unificação. Abaixo, reproduzimos os principais pontos deste protocolo.

    O M-LPS e a Resistência consideram sua unificação um passo à frente na reorganização dos revolucionários brasileiros. Enxergamos nossa unificação como um pequeno, mas importante passo no caminho de lutar pela construção e fortalecimento de uma organização socialista e revolucionária.

    Sabemos que ela não encerra a tarefa fundamental de seguir batalhando para superar a dispersão dos socialistas revolucionários. Portanto, vamos seguir abertos para a discussão com outros setores da esquerda socialista brasileira e de outros países.

    A concretização da nossa unificação vai fortalecer a militância das duas organizações. Estaremos mais fortalecidos para seguir e ampliar a nossa atuação no movimento da classe trabalhadora, da juventude e do conjunto dos explorados e oprimidos.

    Mãos à obra!

    28 de maio de 2018.

    Movimento Luta Pelo Socialismo (M-LPS)
    Resistência

     

     



    PROTOCOLO DE UNIFICAÇÃO DO M-LPS COM A RESISTÊNCIA
    (extratos):

    “1. Este Protocolo tem como objetivo organizar a unificação do M-LPS com a Resistência, surgida da fusão entre a NOS e o MAIS; 

     2 – Nossa unificação se dá, principalmente, a partir do acordo com a Carta de Princípios, o Estatuto e o Manifesto de Constituição da Resistência. 

    3 – Além do acordo com os documentos fundamentais da Resistência (Carta de Princípios e Estatuto) destacamos abaixo acordos importantes sobre temas que foram discutidos entre nós, durante o período de discussões e atividades comuns de nossas organizações: 

     a- Sobre nossas relações com outras organizações Internacionais: 

     Coerente com o nosso princípio internacionalista, lutaremos pela construção de uma nova Internacional Marxista Revolucionária. Em nossa concepção sobre uma nova organização internacional, não é necessário que todos se considerem trotskistas. Reivindicamos o legado histórico dos quatro primeiros congressos da Terceira Internacional e as posições programáticas fundamentais e documentos da IV Internacional; 

    Ainda estamos em uma fase exploratória no terreno da organização internacional. Portanto, não devemos tomar uma decisão precipitada sobre entrar em alguma Corrente Internacional hoje constituída ou mesmo nos declarar como uma organização / corrente internacional acabada; mas, que este debate deve entrar em pauta em um período que ainda não foi definido, pois não concordamos com a ideia de nos construirmos como uma organização apenas nacional; 

    No terreno das organizações internacionais, manteremos a construção e fortalecimento iniciais de uma coordenação internacional entre a Resistência com os camaradas do MAS de Portugal; 

    Os camaradas que construíram o M-LPS também mantém relações fraternais e de troca de experiências, nos termos dos pontos anteriores, com organizações e militantes em outros países. 

     b- Sobre o Programa marxista para as lutas contra as opressões:  

     . Os marxistas revolucionários – a Resistência e o M-LPS tem acordo com isso – e consideram uma questão de princípios a luta contra as opressões, sejam elas o machismo, o racismo, a LGBTfobia, a xenofobia, regionais, etc., portanto, que as lutas dos oprimidos não podem ser relegadas a segundo plano em nossa intervenção política e em nosso programa; 

    . Como afirmado na Carta de Princípios da Resistência, o sujeito social da libertação dos oprimidos é a classe trabalhadora, mas evidentemente os oprimidos devem ter protagonismo de vanguarda nas suas lutas; que a libertação dos oprimidos só pode estar colocada em uma sociedade sem classes sociais. No programa para as lutas contra as opressões deve se colocar sempre a questão de classe. Neste sentido teremos o compromisso de realização de um novo seminário sobre o tema de opressões antes da realização do congresso de 2019, onde poderá ser compartilhado o acúmulo ao qual chegou a Resistência sobre o tema e buscaremos avançar na criação de um programa marxista sobre o tema das opressões; 

    . A questão da dependência as drogas não é um tema de repressão policial e judicial, mas sim de saúde pública; desta forma deve ser tratado com rigor científico que os marxistas conferem à elaboração dos demais tópicos de seu programa e buscar fundamentação nas descobertas e pesquisas comprovadas sobre o tema, quer do ponto de vista das abrangências e consequências das políticas de descriminalização e redução de danos, quer das pesquisas que demonstrem as consequências e impactos na saúde dos adictos; 

    . A Resistência tem um acumulo de discussão e tradição na defesa das cotas raciais nas universidades etc. e a questão da legalização das drogas. Os camaradas do M-LPS não defendem estes pontos programáticos. Mas, os camaradas aceitam militar em uma organização que defenda estes pontos, desde que exista espaço para debates internos permanentes sobre estas polêmicas – o que já está garantido na proposta de estatuto da nova organização. 

     c- Sobre a relação com as centrais sindicais: 

     . A Resistência tem sua atuação sindical junto a construção da CSP Conlutas, especialmente através do bloco de oposição “SOMOS [email protected] CSP CONLUTAS”; 

     . Os camaradas do M-LPS terão direito a seguir atuando na CUT; 

     . O I Congresso da Resistência, já indicado para o segundo semestre de 2019, fará uma nova avaliação sobre o nosso projeto sindical comum; 

     . Ainda antes do I Congresso, em um Seminário ou em uma Plenária Nacional Sindical, a Resistência discutirá a atuação no movimento sindical e a proposta dos camaradas do M-LPS da construção de uma corrente (frente ou espaço) sindical comum, onde atuem entidades, movimentos e ativistas, independentemente de sua filiação a uma central sindical. 

     

    4 – Fica garantido aos camaradas oriundos do M-LPS a possibilidade de realizar uma reunião ou encontro onde possam realizar um balanço do processo de unificação. No mesmo, os militantes buscarão um balanço político da integração entre as organizações e como estas impulsionaram a construção de uma organização comum sob a mesma base política e se o processo apresentou a necessidade de discussão mais aprofundada de algum tema inicialmente não contemplado no processo de discussão entre as organizações que antecedeu a unificação. 

     5 – A partir da concretização final da unificação, toda centralização política passa a se dar pela Direção da Resistência e todos os militantes, garantidos seus direitos democráticos de expressão interna pelo estatuto e por correio interno, quando um tema ou polêmica se fizer necessário, atuarão conjuntamente, integrando-se os militantes do M-LPS às respectivas regionais e ou núcleos da Resistência e dissolvendo suas instâncias, organismos e finanças independentes. 

     6. A unificação e, portanto, a integração plena do M-LPS à Resistência, está baseada em sólidos acordos de princípio. Portanto, será fundamental que os quadros oriundos do M-LPS sejam incorporados nas equipes, comissões de trabalho e nas direções das regionais onde estiverem presentes, a partir de discussões que já se iniciaram entre as direções das duas organizações. Na conclusão positiva deste processo de unificação, os camaradas do M-LPS indicarão membros para organismos de direção nacional e outras equipes nacionais da Resistência.

     

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