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  • O PT do Pará vai mesmo compor o governo de Hélder Barbalho?

    Foi publicado no domingo (18/11) no jornal O Diário do Pará uma nota divulgando que o PT do Pará irá compor o governo de Hélder Barbalho (MDB), cuja indicação seria feita pelo deputado federal Beto Faro. Não está ainda esclarecido se se trata de boataria ou de um furo de reportagem. Cabe à direção estadual do PT se pronunciar oficialmente sobre isso.

    Porém, a hipótese é bastante plausível e merece um debate fraterno com a militância do PT. Se já se demonstrou equivocada a decisão de apoiar o candidato da oligarquia mais corrupta do Estado no segundo turno sem nem uma contrapartida de um acordo anti-bolsonaro, a possível decisão de compor o governo do golpista MDB será o fim da picada.

    A nota do PT de apoio à candidatura Hélder no segundo turno sustenta sua defesa em uma ilusória caracterização de que a candidatura Hélder/MDB representaria um “pólo democrático e civilizatório” contra “o autoritarismo e a barbárie” representados pelo bloco PSDB/DEM. Dizer que o MDB representa um campo político democrático e defensor de um projeto civilizatório para o Estado é semear ilusões nos corações e mentes de milhões de trabalhadores que serão atacados pelo governo Helder nos próximos anos. É jogar contra a resistência e a unidade dos movimentos sociais do campo e da cidade.

    Como um governo hegemonizado pelas mais tradicionais oligarquias do Estado (família Barbalho, família Vale, família Marinho, etc.) pode representar um campo político progressivo democrático?

    Como uma aliança com o deputado-delegado Éder Mauro (PSD), o mesmo que dias atrás hostilizou um professor na Câmara dos Deputados apontando o dedo como o simulacro de uma arma de fogo, pode significar algum avanço em direção às pautas populares, particularmente em relação à grave crise de segurança pública que assola o estado? Fala-se inclusive que o delegado terá o apoio de Hélder e do MDB para a disputa à Prefeitura de Belém em 2020 como recompensa ao apoio dado ao futuro governador nas eleições deste ano. Logo ele, o principal cabo eleitoral de Bolsonaro no Estado.

    Consideramos correta a decisão do PSOL Pará em chamar o voto nulo no segundo turno das eleições estaduais na medida em que os dois blocos de poder majoritários (Tanto o bloco demo-tucano quanto o bloco dos barbalhos) representam os interesses das classes dominantes do Estado e defendem em essência o mesmo projeto político – a salvaguarda do latifúndio, as isenções fiscais e tributárias para as multinacionais, a destruição sócio-ambiental da Amazônia através de grandes projetos, a perseguição aos movimentos sociais, a política de guerra às drogas, etc. Brigam apenas pela chave do cofre.

    Estamos às vésperas de um governo Bolsonaro, que será sustentado no Pará pelo futuro governo do Estado e seu consórcio de poder. Necessitamos de uma frente única ampla e democrática dos movimentos sociais e partidos de esquerda para enfrentar os ataques aos direitos e a democracia que estão sendo gestados, tanto em esfera federal, como aqui no Estado. O empenho da militância do PT na frente única será decisivo no próximo período para a organização e o desfecho das grandes batalhas que virão pelo peso político que tem este partido nos movimentos sociais e populares. Resta saber: De que lado estará a direção do PT? Do lado dos golpistas e das oligarquias ou do lado da resistência popular contra Bolsonaro, Helder e Éder Mauro? Com a palavra, o PT do Pará.

    Foto: Hélder Barbalho. Valter Campanato/Agência Brasil

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  • Tito de Alencar Lima, o Frei Tito: presente, sempre

    A história do cristianismo é feita também de mártires. Dentre estes podemos destacar a figura singular que foi o brasileiro Tito de Alencar Lima. Frei Tito nasceu em 14 de setembro de 1945, no seio de uma família cearense numerosa, de origem católica. Depois de passar a infância e a adolescência em sua Fortaleza, migrou para o “sul maravilha” na década de sessenta, com o intuito de estudar Teologia e Ciências Sociais.

    Naquele contexto, teve seu destino pessoal definitivamente entrelaçado com a história do Brasil, já agora sob a égide do terrorismo oficial de uma sanguinolenta ditadura a serviço do grande capital nacional e associado, resultado do golpe militar de 1 de abril de 1964. Além de estudar e meditar muito na grande metrópole, Tito participou intensamente dos protestos populares contra a ditadura, especialmente daqueles capitaneados pelo movimento estudantil. Era o tempo do Concílio Vaticano II, da Teologia da libertação, da opção preferencial pelos pobres da América Latina, quando cristãos e marxistas se uniram na luta comum contra a exploração e a desumanização capitalista.

    A trajetória de Frei Tito seria radicalmente alterada quando na madrugada de 04 de novembro de 1969 ele foi preso, juntamente com outros frades dominicanos do Convento das Perdizes, em São Paulo, no quadro mais geral da infame operação “batina branca”, acusado de pertencer aos quadros da Ação Libertadora Nacional, organização guerrilheira de esquerda comandada pelo comunista histórico Carlos Mariguella. Enquanto Mariguella era friamente trucidado na noite daquele mesmo dia, em emboscada preparada pelo famigerado delegado Sérgio Paranhos Fleury, na Alameda Casa Branca, centro da cidade, Tito começava seu longo calvário nos porões da ditadura militar. Nestas verdadeiras “sucursais do inferno”, Tito passou por todos os tipos de torturas: choque elétrico, telefone, cadeira do dragão, pau de arara etc.

    Depois de barbaramente supliciado pelo mesmo Fleury e seus asseclas, permaneceu encarcerado nas masmorras do regime até janeiro de 1971, quando foi libertado com outros 69 presos políticos em troca do embaixador suíço no Brasil, sequestrado no final do ano anterior por um comando guerrilheiro da Vanguarda Popular Revolucionária, liderado por Carlos Lamarca. Após breve passagem pelo Chile de Salvador Allende foi para a Europa, se fixando definitivamente na França.

    Nos lugares por onde passou em seu forçado exílio Tito nunca deixou de denunciar, aos quatro cantos do mundo, a ditadura militar e suas barbaridades, inclusive a cumplicidade da cúpula da Igreja católica com os ditadores de plantão dos países do cone-sul. Porém, atormentado pelos fantasmas dos seus algozes e pelas sequelas físicas e mentais das sevícias sofridas, veio a se suicidar em um convento da cidade francesa de Lyon no dia 10 de agosto de 1974, quando contava com apenas 29 anos. Seu corpo só retornou ao Brasil em março de 1983, quando finalmente foi enterrado em sua terra natal. Desde então não deixa de clamar por justiça e reparação.

    Nunca como hoje tornou-se tão urgente e necessário lembrar e reverenciar figuras humanas como Frei Tito. Dentre outras razões, poderíamos recordar pelo menos três: 1- Frei Tito viveu sua curta existência com intensidade, senso de justiça e compromisso para com o outro. Nem na hora da morte lhe faltou dignidade. Incapaz de “sentir – se em casa neste mundo”, lutando para não sucumbir à loucura gerada pelas sequelas que a tortura deixou nas profundezas de seu ser, optou por tirar a própria vida, mesmo que esse gesto extremo contrariasse seus mais caros princípios.

    Esse estado de espírito ele deixou transparecer em um de seus últimos escritos, que soa como um grito de protesto, um ato final de bravura: “É melhor morrer do que perder a vida”; 2- Supondo que Frei Tito tivesse sido a única vítima dos horrores da ditadura militar no Brasil (o que, como sabemos, não foi), isso por si só seria motivo suficiente para que todos os responsáveis por seu martírio (generais ditadores, empresários, banqueiros, latifundiários, grande imprensa etc, enfim, todos que se locupletaram com as políticas da ditadura) fossem julgados e condenados por crime de lesa – humanidade; 3- Por fim, quando hoje assistimos com preocupação ao surgimento de grupos “cristo fascistas”, que apoiaram abertamente candidatos como o obscurantista Jair Bolsonaro (notório apologista da ditadura militar), o exemplo de Frei Tito aponta em direção radicalmente oposta.

    Em outras palavras, isso quer dizer que os verdadeiros cristãos do tempo presente devem estar ao lado dos pobres e oprimidos, por quem o Cristo histórico se sacrificou e morreu de morte matada, a mando dos poderosos de seu tempo.

    *Luciano Mendonça de Lima é Historiador

  • Tirem as mãos de nossas escolas; censura nunca mais

    Na próxima terça-feira (20), está prevista a quarta tentativa de aprovação, na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, do PL 7180/2014, denominado “Escola Sem Partido”, proposto pelo Deputado Federal Pastor Erivelton Santana, do Patriota (BA), com um substitutivo redigido pelo relator do projeto, o deputado do PSC (SP) Flavinho. O projeto de lei altera a Lei Complementar 9394/1996, a Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional (LDB), incluindo no seu artigo 3º o seguinte inciso:“XIII – respeito às convicções do aluno, de seus pais ou responsáveis, tendo os valores de ordem familiar precedência sobre a educação escolar nos aspectos relacionados à educação moral, sexual e religiosa, vedada a transversalidade ou técnicas subliminares no ensino desses temas”.

    Uma mudança que, ao considerar os aspectos políticos e ideológicos do debate que a envolve, seus principais defensores e interesses no contexto social e político aberto com a eleição do presidente Jair Bolsonaro e seu projeto de governo autoritário, trará consequências gigantescas para a educação e seus principais protagonistas: os professores e estudantes.

    Qual a origem do Projeto?

    O projeto de lei que a Comissão Especial pretende aprovar no próximo dia 20 é a versão final da junção de diversos projetos de lei, que há quatro anos se acumularam na Câmara dos Deputados (PL 7181/2014;  PL 867/2015 (1); PL 6005/2016;  PL 1859/2015 (3); PL 5487/2016; PL 10577/2018; PL 10659/2018; PL 8933/2017 e  PL 9957/2018), em sua maioria, como resultado da adesão de deputados ligados ao fundamentalismo relgioso às teses defendidas pelo advogado e procurador do Estado de São Paulo, Miguel Nagib, que, em 2004, criou o Movimento Escola Sem Partido para “combater” o “flagelo da educação brasileira”: a suposta “doutrinação ideológica” que a “pretexto de transmitir aos alunos uma ‘visão crítica’ da realidade, um exército organizado de militantes travestidos de professores prevalece-se da liberdade de cátedra e da cortina de segredo das salas de aula para impingir-lhes a sua própria visão de mundo”. (“Quem somos”, escolasempartido.org).

    De acordo com o advogado e seu movimento, que se apresenta como “uma iniciativa conjunta de estudantes e pais preocupados com o grau de contaminação político-ideológica das escolas brasileiras, em todos os níveis: do ensino básico ao superior”, a organização do movimento se deu devido às frustradas “tentativas de combatê-la por meios convencionais”, pois “sempre esbarraram na dificuldade de provar os fatos e na incontornável recusa de nossos educadores e empresários do ensino em admitir a existência do problema”, propondo então a “idéia de divulgar testemunhos de alunos, vítimas desses falsos educadores. Abrir as cortinas e deixar a luz do sol entrar.”

    Apesar das tentativas de passar a imagem de um movimento de “estudantes e pais preocupados”, diversas são as tramas que ligam o movimento e seu principal coordenador ao Instituto Millenium (Imil), entidade formada “por intelectuais e empresários” para promover “valores e princípios que garantem uma sociedade livre, como liberdade individual, direito de propriedade, economia de mercado, democracia representativa, Estado de Direito e limites institucionais à ação do governo”, que tem dentre seu grupo de fundadores figuras bastante conhecidas por seus posicionamentos políticos e econômicos de cunho privatista como o jornalista Antonio Carlos Pereira, d’O Estado de São Paulo; Guilherme Fiuza, jornalista da revista Época; Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central na época de FHC; Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central nos governos de Lula e do golpista Michel Temer, que construiu sua carreira no Bank Boston, chegando a sua presidência internacional em 1996; Paulo Guedes, indicado como super-ministro da economia do governo Bolsonaro e “fundador e sócio majoritário do grupo financeiro BR Investimentos e um dos quatro fundadores do Banco Pactual”; além de Rodrigo Constantino, economista e articulista da revista Veja. Ou seja, a gênese e desenvolvimento do “movimento” está umbilicalmente ligada a um instituto que reúne a “nata” da intelectualidade da “nova” direita brasileira, defensora do neoliberalismo na sua fase senil, ou seus principais partidários e porta-vozes. É um projeto de “escola sem partido” apenas no nome, pois é defendida e busca expressar os interesses da corrente de opinião dominante na sociedade!

    A localização dos ideólogos e apoiadores, abertos ou velados, do projeto é importante porque a disputa de projeto de escola em curso representa interesses sociais, políticos e econômicos bastante distintos. Os defensores da “escola sem partido” criam um fantasma, a “doutrinação ideológica” de professores, que mais uma vez são responsabilizados pelo maior “flagelo da educação brasileira” e a utilizam como “cortina de fumaça” para não discutir os verdadeiros flagelos da educação brasileira: o baixo investimento que há décadas está sendo aplicado no país e as defasagens estruturais que foram se acumulando nas décadas de austeridade fiscal neoliberal sob suas diversas formas que, desde o governo Collor – e não superada mesmo sob os governos petistas, criaram um verdadeiro apartheid educacional no país. Um projeto com o qual os fundadores do Imil, o Escola Sem Partido e seus defensores (MBL, senadores, deputados, vereadores, incluindo nesta lista o presidente Jair Bolsonaro) estão comprometidos até o último fio de cabelo: a privatização da educação pública e de seus recursos.

    Conseqüências da aplicação do projeto

    Caso o projeto seja aprovado, as conseqüências para a vida de estudantes e professores serão gigantescas. Temas que afligem a juventude em nossa sociedade estariam excluídos dos espaços educacionais. A discussão sobre questões referentes às desigualdades entre homens e mulheres, a situação da população LGBT ou o racismo estrutural de nosso país serão proibidos. Mas a censura que querem impor não se limita apenas aos debates sobre temas referentes aos setores mais oprimidos de nossa sociedade, o que já não é pouca coisa. O projeto também abre margem para o impedimento da própria reflexão sobre a história do país ou do mundo, pois temas como a escravidão negra no Brasil, o genocídio promovido pelo nazi-fascismo contra judeus, ciganos, negros, etc no século XX ou a ditadura civil-militar que existiu no país entre 1964 e 1984 poderiam ser temas relativizados nos espaços escolares, pois poderiam confrontar as “convicções do aluno, de seus pais ou responsáveis” uma vez que “os valores de ordem familiar” teriam “precedência sobre a educação escolar”, de acordo com o que propõe os defensores do projeto.

    O esvaziamento de uma reflexão crítica sobre a História e a atualidade defendido pelos entusiastas do projeto empobrecerá a escola como espaço de construção de conhecimento e fortalecerá a característica da escola como um espaço de reprodução acrítico das mazelas da sociedade, ao invés de fortalecer mecanismos para a construção de uma concepção de educação democrática, tolerante e de desenvolvimento de relações humanas mais civilizadas diante das diferenças e diversidade.

    Tende a agravar problemas cotidianos bastante presentes no espaço escolar como a violência física ou psicológica contra estudantes que se encontram nos grupos sociais, que historicamente são violentados em nossa sociedade (mulheres, negros e LGBT’s), pois os educadores estariam impedidos de problematizar com os estudantes as raízes e consequências para as relações sociais das desigualdades historicamente construídas contra estas parcelas de nossa população.

    Por último, o projeto busca romper as relações de solidariedade entre comunidade, estudantes e professores, ao incentivar o policiamento ideológico e o denuncismo, típicos das sociedades autoritárias, impedindo que cimentemos relações estreitas para a defesa da qualidade da educação.

    Derrotar o “Escola sem Partido” para defender o caráter democrático da educação

    Desde o surgimento deste debate várias iniciativas de resistência têm sido desenvolvidas em todo o país. Comitês, frentes, campanhas desenvolvidas pelas entidades sindicais e do movimento estudantil tem buscado fortalecer entre educadores, estudantes e demais setores populares uma massa crítica contra o projeto.

    Do ponto de vista institucional, o STF, em caráter liminar, decretou inconstitucional o projeto de lei de mesmo conteúdo aprovado pela Assembleia Legislativa de Alagoas, e esta tem sido a interpretação de diversos setores ligados ao poder judiciário de norte a sul do país. Um julgamento sobre o mérito da questão sobre o projeto de Alagoas está previsto para o próximo dia 28 de novembro.
    Neste sentido precisamos fortalecer e unir as iniciativas em curso para ter força social para barrar a votação na Câmara e no Senado, assim como para aumentar a pressão sobre o STF para a declaração de inconstitucionalidade definitiva de qualquer restrição às liberdades democráticas de estudantes e professores, como pretendem os defensores da “Escola sem Partido”. Para avançar na construção da unificação da resistência contra a escola com mordaça, é necessário que as entidades nacionais da educação, dentre elas a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), seus sindicatos e a União Nacional dos Estudantes (UNE), convoquem todas as frentes e comitês já existentes no país para a construção de uma campanha unificada e construam de forma democrática um calendário de mobilização nacional para a luta pelo definitivo arquivamento deste projeto nefasto para a construção de uma educação que atenda ao que está estabelecido em nossa Constituição Federal em seu artigo 206: igualdade de condições para o acesso e permanência na escola, liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber e pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas.

    *Richard  Araujo é professor e diretor da Apeoesp

    Foto: Mídia Ninja

     

  • Existe uma economia política do Bolsonarismo?

    Há historias que começam com o avô e terminam com o neto. Em 1964, logo depois do golpe empresarial-militar que depôs o governo constitucional de João Goulart, o Marechal Castello Branco, primeiro ditador-presidente, indicou Roberto Campos como um dos seus ministros da área econômica; para 2019, o governo de Jair Bolsonaro terá como presidente do Banco Central o economista e executivo do Banco Santander Roberto Campos Neto. Separados por mais de cinco décadas, avô e neto simbolizam o conteúdo da política econômica da tragédia do castellismo e da farsa do bolsonarismo ou estamos perante uma simples coincidência histórico-familiar?

    As pistas

    As insinuações e indicações econômicas de Jair Bolsonaro e os pronunciamentos de seu círculo mais próximo compõem o núcleo central desta análise que, de algum modo, busca responder não só a pergunta expressa há instante, mas, principalmente, à indagação que atribui título a este artigo.

    Com sua rara habilidade em expressar o macabro como vulgar, Bolsonaro, pai e presidente, indica que as contrarreformas, notadamente a reforma da previdência, constituem um dos carros-chefes do seu programa econômico, ao lado das privatizações, das tendências de reforço das posições das oligarquias financeiras e do agronegócio. Tentemos definir isso à luz inclusive das manifestações de membros do próprio futuro governo.

    A Folha de São Paulo informou que “Paulo Guedes quer acelerar o cronograma de privatizações do PPI como uma das primeiras medidas para gerar receitas e assim fazer frente ao quadro de aperto fiscal”. Junto disso, o economista defende reduzir as tarifas de importação. Ao mesmo tempo em que Guedes sinaliza esse receituário já clássico do liberalismo, Jair Bolsonaro ressalta a premência de que sejam adotadas medidas amargas, e o capitão se refere, sobretudo, à Reforma da Previdência, ao mesmo tempo em que sugere que a Reforma Trabalhista carece de aprofundamento e que o trabalhador deve escolher entre o emprego e o usufruto de direitos. Acrescenta ainda outra questão: a necessidade de acelerar a liberação de licenças ambientais, o que indica que o agronegócio “pujante” será uma das áreas prioritárias do próximo governo. Aliás, de um governo que nomeia para o Ministério das Relações Exteriores um senhor que defende a “tese” de que “mudança climática é uma trama marxista”, nada pode surpreender.

    O ultraliberalismo da equipe econômica, contudo, não é um acaso histórico, uma vez que boa parte dessa equipe fez formação acadêmica em Chicago, como Paulo Guedes (Ministro da Economia) e Joaquim Levy (BNDES), ou na Universidade da Califórnia, caso de Roberto Campos Neto (BC). Esse ultraliberalismo é a cara metade da prioridade ao rentismo e às forças de mercado, até porque Guedes, Levy e Neto são todos executivos de bancos.

    Uma tentativa de definição

    Todo processo histórico deve ser submetido à análise, a um esforço explicativo, em suma, a uma tentativa de definição, sem temer ou subestimar as armadilhas.

    Nessa perspectiva, não seria o modelo econômico do bolsonarismo apenas um ajambrado, evidentemente confuso como todo ajambrado, de intenções e propostas que não fogem ao modelo do ultraliberalismo antissocial e, nesse sentido, uma espécie de neodarwinismo social, no qual a agenda feroz contra os trabalhadores é a sua expressão mais contundente e inequívoca?

    De fato, o futuro governo Bolsonaro busca criar uma “nova economia” à volta dos velhos temas tão banais e tão caros ao receituário neoliberal. E aqui cabe uma digressão. Os Bolsonaros são os continuadores de uma extensa corrente ideológica de extrema-direita que, ao longo da história brasileira, registra presença no livro branco da reação e da intolerância anticomunista, no interior do qual vicejaram o Integralismo, os golpistas de 1964 e os que gritaram vozes de comando contra as bandeiras vermelhas da esquerda em período mais recente da nossa história. Essa corrente de pensamento nunca adotou um programa coerente e nunca se postulou como congruentemente hostil aos interesses econômicos das potências mundiais. No caso de Jair Bolsonaro, essa atitude é ainda mais pró-imperialista. A sua sujeição simbólica à bandeira dos EUA, procedimento que nenhum integralista jamais adotou, equivale a um gesto de sujeição ao “Grande Irmão” do Norte.

    A eleição havia descoberto esse rosto do bolsonarismo. Agora, a sua equipe econômica e o seu programa econômico mal-ajambrado descobrem a alma de sua errática economia política e, à primeira vista, as suas bases de princípio se corporificam na sujeição ao mercado e à ordem internacional, bem como aos seus donos. A isso, exatamente, corresponde uma parte importante da “ciência econômica” do capitão. Nessa lógica, o bolsonarismo imita toscamente o castellismo e o neto reprisa o avô.

    Da análise resulta um retrato de corpo inteiro, em que faltam as minúcias, o detalhamento, as precisões finais, mas das revelações que todos os dias nos fazem Bolsonaro e seus áulicos, familiares ou não, os jogos de engenho dessa vertente política não vão além da lógica cujo sentido este texto oferece. Ao passo que propõe um caminho de redenção messiânica, para o qual arrastou milhões de pessoas durante a campanha eleitoral, o bolsonarismo aprofunda justamente o que nos trouxe até aqui: um itinerário de dependência externa e desigualdades internas, perpassado por rígidas fronteiras sociais, em que aos mais pobres é prometida uma ordem em que a retirada dos direitos básicos convive com a espada de Dâmocles do poder policial. Nunca esta espada esteve a serviço dos mais pobres.

    A economia política do bolsonarismo e a classe trabalhadora

    Lastreados nos elementos há pouco elencados, de nossa parte esperamos que este artigo ajude não só a mostrar como a economia política do bolsonarismo vibra as suas cordas e se define alheia aos discursos pretensamente patriotas de seu líder e, desse modo, se revela como provida de um ultraliberalismo pró-imperialista estreito e sovina; mas, da mesma forma, aspiramos estimular outros estudos nos quais o programa econômico do bolsonarismo possa ser devassado em suas minudências, tendo em conta que, aqui, apenas trazemos a lume os seus aspectos mais evidentes e notórios, e por que não dizer, preliminares.

    O fato é que esse programa econômico de terra arrasada não é o fruto de uma simples coincidência histórico-familiar, mas, antes de tudo, é a sequela mais feroz do crescimento do neoconservadorismo no último período, fato que ensejou o fortalecimento de ideologias ultraliberais e, ao mesmo tempo, provocou uma derrota da classe trabalhadora que, felizmente, não é nem histórica nem irrevogável. É uma derrota porque não podemos considerar como triunfo da classe trabalhadora o ascenso da ultradireita, e no seu interior, o ascenso de uma vertente neofascista, que vencendo uma eleição cavilosa ameaça aos trabalhadores com condições ainda mais severas e difíceis.

    Se a Reforma Trabalhista derrubou a casa e empurrou o trabalhador para um puxadinho erguido no fundo do quintal, a economia política do bolsonarismo traz consigo a ideia de por abaixo até o puxadinho. Sem casa, sem puxadinho – este é o destino da classe dos trabalhadores assalariados no Brasil?

    Os tempos sombrios em curso, no entanto, não se traduziram ainda na destruição das organizações da classe que vive da venda de sua força de trabalho. O delírio coletivo se mostrou capaz de produzir uma força que pode servir de base a esse propósito, mas o propósito não é o mesmo que o já realizado. Nesse sentido, nem é preciso observar minuciosamente que alguns sinais de resistência, ainda que tímidos e reticentes, inserem-se no mundo dos trabalhadores e de suas organizações. A classe trabalhadora saberá defender as liberdades democráticas, mas, também, a sua integridade física perante as ameaças continuamente anunciadas pelo bolsonarismo, para que salte da miserável circunstância na qual se encontra em direção a um novo momento da luta política. Mas, para que salte da miserável circunstância na qual ela se encontra, é preciso mover milhões de seus integrantes e confrontar a economia política do bolsonarismo – vestida com os velhos trajes do prisco entreguismo -, e, para tanto, a frente única das organizações da classe trabalhadora, hoje mais do que antes, é essencial e decisiva.

    Foto: EBC

     

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    A chave do Bolsonarismo

     

  • Temos todos 13 anos

    Te convido agora para um mergulho de apneia. Sem medo de sentir uma pontinha de constrangimento e alguma falta de ar, diga aí: quantas vezes ao dia você vai nas redes sociais contabilizar as visualizações e curtidas de seus posts?
    Vibrar com os compartilhamentos ou com o aumento de seguidores? Ou ainda, ativar a adrenalina no embate sangrento com quem te xinga ou contraria suas visões de mundo?

    Neste fabuloso reino virtual, nos travestimos de celebridades, guerreiros espartanos, filósofos pós-graduados e especialistas em maquiagem 3D e cozinha tailandesa.
    Vivemos alegremente o período da sobra cognitiva, sendo bombardeados com muito mais informações do que conseguimos metabolizar.

    E no consumo frenético de sons e imagens, vamos sendo sugados por uma espiral vertiginosa que nos infantiliza. O acesso a tanto conteúdo cria uma sensação de estarmos mais rápidos, mais inteligentes, mais conectados, mais ativos.
    Em parte… As pesquisas científicas mostram que nosso QI vem diminuindo. No mundo todo. Dê uma olhada na Superinteressante do mês de outubro.

    No mais recente Encontro Internacional de Comunicação Política, realizado em Buenos Aires, profissionais de marketing – estudiosos por dever de ofício do comportamento dos usuários das redes sociais – revelaram que nossas atitudes no Instagram e no Facebook se assemelham às de adolescentes de 13 anos.

    No Twitter, somos mais maduros: nos comportamos como se tivéssemos 15.
    Queremos adesão, aplausos, amigos e uma certa dose de glamour – especialmente quem mora nos trópicos e escolhe como foto de perfil aquela em que o rosto está camuflado por uma densa camada de cachecol e gorro. Ou quem faz uso abusivo do photoshop.
    Vivemos compartilhando concordâncias e conteúdos nas nossas tribos cibernéticas e já não sabemos falar pra fora. Como tudo anda azedo e doloroso demais, nos isolamos e bloqueamos os ataques da tribo rival.

    O fato é que precisamos, com sentido de urgência, entender o que leva um ser humano a entrar nas redes sociais de outro ser humano para elogiar um politico que arrota violência, ao afirmar que não vê problemas em mandar prender 100 mil opositores sem nenhuma motivação real.
    Que acha bacana chamar uma pessoa de puta, só porque não concorda com ela. Ou de comunista. Ou de esquerdista. Ou de vermelha. Como se essa fosse uma coleção de xingamentos, e não a revelação mais entristecedora da ignorância política, social, antropológica e histórica de um cidadão ou uma cidadã.

    Boa parte do mundo está embarcando, sorridentemente, no vagão que nos leva à estação do Caos. A dialética histórica já mapeou o caminho. Mas ainda é assustador perceber como o roteiro se repete, aqui e alhures, com personagens e dinâmicas quase iguais, que redundam em governos autoritários, ávidos por inaugurar uma nova ditadura.

    E uma das mais impressionantes similitudes é a Doutrina do Choque, investigada pela jornalista Naomi Klein, num livro publicado 10 anos atrás. Crises econômicas, atentados ou desastres naturais facilitam a disseminação do medo e o apoio popular à movimentos políticos que dão superpoderes aos governos.

    O plano padrão inclui a criação de grupos voluntários de caça aos opositores do governo em instituições públicas; ataques à imprensa; ameaças aos ativistas e militantes sociais; além da difusão de uma tese paranóica de que escolas e universidades são núcleos de formação de guerrilheiros Tupamaros.

    No caso do Brasil, o surto coletivo é fermentado pela tal “ideologia de gênero”, em que crianças serão estimuladas à desenvolver uma orientação sexual diferente da heteronormatividade.
    Nada disso tem a ver com progresso econômico ou justiça social. Em todas, todas as guinadas à direita, a política neo-liberal operou os interesses do mercado financeiro, levando ao empobrecimento da classe média. E ao esmagamento da camada mais pobre da população.

    A capitalização da Previdência no Chile de Pinochet deixou os aposentados numa situação de penúria: por lá eles recebem 1/3 do salário mínimo. A maioria dos britânicos quer hoje a reestatização dos serviços públicos essenciais de tratamento e abastecimento água, eletricidade e gás, privatizados na era Thatcher. Perceberam tardiamente que o “Estado Mínimo” se transformou numa bomba relógio social.

    Na Argentina, o super empresário Macri, charmosa superaposta do mercado, reendividou o país com o FMI em mais de 57 bilhões de dólares, topando pagar com juros altos e apertando o torniquete dos investimentos internos – a tal austeridade que só castiga a classe trabalhadora.
    Até os especialistas liberais estão achando que o acordo foi draconiano demais. Numa crise de desemprego que já atinge 20% da população, meninas de 15 anos e mulheres de 70 se prostituem para levar comida pra casa.

    Na Turquia, os pobres estão muito mais pobres, os ricos muitos mais ricos e as prisões entupidas de opositores do regime autoritário e violento de Recep Erdogan, que controla 90% dos veículos de comunicação do país.

    Mais de 33 mil professores perderam seus empregos; 50 mil pessoas estão detidas, à espera de julgamento, entre elas, 150 jornalistas.
    Nada de tão novo no ar… Só o capitalismo, em sua versão pós-verdade, que, de tão autofágico, quer levar o parasita a matar o hospedeiro. Assim não vai sobrar sangue em nossas veias para o mercado sugar.

     

    *Ursula Vidal é jornalista, cineasta e ativista política e ex-candidata ao Senado pelo PSOL-PA. Artigo publicado em seu blog.

  • Ciro Gomes: o voto útil que alimenta a regressão política

    Nas eleições presidenciais, muitas pessoas que se identificam com o amplo campo político da esquerda optaram pelo voto em Ciro Gomes, julgando que se tratava do candidato com mais chances de derrotar Jair Bolsonaro no segundo turno. Sem dúvidas, essa opção era motivada tanto por uma importante percepção do perigo representado pelo candidato do PSL, quanto por um saudável instinto de autopreservação da própria esquerda. Não há dúvidas de que derrotar Bolsonaro deveria ser uma prioridade de toda a esquerda e das forças democráticas nessas eleições. Em um eventual segundo turno, o voto útil era um imperativo.

    Entretanto, a antecipação dessa movimentação para o primeiro turno foi guiada por um raciocínio que absolutizava um dado limitado (os índices em pesquisas que simulavam o segundo turno) e operava nos marcos temporais do calendário eleitoral. Tal raciocínio esquece que, na política, as situações não são imutáveis e o tempo não é estanque. O que hoje se apresenta de uma forma, amanhã pode já ser diferente, e cada ação é parte de um encadeamento cujo fim não pode ser previsto de antemão. Por isso, escolhas feitas em determinados momentos com objetivos limitados e imediatos possuem consequências que podem superar em muito as intenções que as motivaram.

    Nesse sentido, é importante perceber como Ciro Gomes tem se servido da força conferida por sua expressiva votação (pouco mais de 12% dos votos válidos) para impulsionar um projeto político burguês extremamente limitado.

    O oportunismo nas eleições

    Já no primeiro turno da disputa eleitoral, Ciro deu mostras de que o combate a Bolsonaro não era uma prioridade de sua estratégia. Sua postura inicial foi a de não confrontar diretamente Bolsonaro, tratando-o como um candidato equivalente aos demais. Esse comportamento contribuiu para normalizar o candidato neofascista aos olhos do eleitorado desde os primeiros momentos da disputa.

    Com a evolução da campanha, entretanto, se relocalizou e passou a reproduzir em declarações públicas o argumento de que Bolsonaro e PT constituiriam ameaças similares ao regime democrático brasileiro. Com essa movimentação, buscou se aproveitar de forma oportunista do sentimento antipetista de teor reacionário que possui força em parcela importante da população.

    No segundo turno, sendo coerente com sua trajetória oportunista (já foi filiado a sete partidos e participou de governos com distintas orientações ideológicas), seu posicionamento foi inteiramente guiado pela lógica da autopreservação em detrimento do compromisso com a derrota da extrema-direita. Assim, não apenas deixou o país poucos dias após o primeiro turno, como evitou qualquer declaração enfática de voto em favor de Haddad. Dessa forma, fortaleceu a tendência de parte de seu eleitorado no sentido do voto nulo ou, até mesmo, da migração para Bolsonaro.

    O projeto cirista no pós-eleições

    Uma vez terminado o pleito, Ciro tem desfrutado de grande espaço nos principais veículos da mídia empresarial (impressa e televisiva) para batalhar por seu projeto pessoal de se tornar a principal figura da oposição a Bolsonaro. Em termos da sustentação política, esse projeto aposta em uma ampla composição de forças no Congresso que poderia abarcar parlamentares de PDT, PSB, PCdoB, Rede, PSDB e DEM. Ou seja, para alcançar o objetivo declarado de evitar que o PT desfrute de algum protagonismo na futura oposição, Ciro aposta na articulação com forças organicamente vinculadas a algumas das mais poderosas frações burguesas atuantes no Brasil.

    Além de desprovido de qualquer vinculação direta com a classe trabalhadora, o projeto cirista caracteriza-se por um esforço deliberado de confinamento das suas principais ações políticas ao espaço institucional do parlamento, reduzindo a importância dos movimentos sociais. Não à toa, em entrevista recente ao jornalista Roberto D’Ávila, ele criticou diretamente as ocupações promovidas pelo MST, indicando que as mesmas seriam ilegais. Mais uma vez, trata-se de uma tentativa de pegar carona em uma posição conservadora que ganha espaço a partir das ações de Bolsonaro e da extrema-direita, para fortalecer o seu próprio projeto político.

    Do ponto de vista programático, o oportunismo e o institucionalismo de Ciro estão a serviço de um projeto marcadamente burguês, confinado aos limites do capitalismo dependente brasileiro. Com efeito, economicamente, não vai além das críticas ao setor financeiro, defendendo uma variante do neodesenvolvimentismo. E, em termos políticos, o que oferece é uma oposição propositiva, que se recusa a encarar o governo neofascista de Bolsonaro como uma ameaça imediata aos direitos e liberdades democráticas.

    Por uma oposição radicalmente contrária a Bolsonaro

    Diferentemente do proposto por Ciro, defendemos um projeto de construção de uma oposição radicalmente contrária ao governo Bolsonaro, que seja constituída a partir da frente única das organizações e movimentos dos explorados e oprimidos. Longe de apostarmos em arrivistas eleitoreiros, entendemos que apenas um forte ciclo de mobilizações pode segurar a ofensiva burguesa e conservadora e derrotar a extrema-direita organizada em torno de Bolsonaro. É, também, no bojo de tais mobilizações – e não pela tentativa de aproximação em relação a posições reacionárias – que será possível fortalecer um polo que aponte para a constituição de um novo ciclo político, superando os limites da estratégia petista de conciliação de classes.

    Esses pressupostos da intransigência frente a extrema-direita, da independência política dos subalternos e da ênfase na mobilização e na ação direta estiveram na base da candidatura presidencial de Guilherme Boulos e Sônia Guajajara, fruto da aliança PSOL/PCB/MTST/APIB. Como entendemos que luta eleitoral e luta social são parte de um mesmo processo, estivemos envolvidos na construção dessa aliança e defendemos a sua manutenção para dinamizar as mobilizações do próximo período.

    Foto: EBC.

  • Quem perde com a saída dos médicos cubanos do programa Mais Médicos?

    O programa Mais Médicos foi instituído em 2013, na gestão de Dilma, com o intuito de fazer chegar saúde pública e alcançar o princípio de Universalidade do SUS (garantia de acesso a todos os cidadãos, ainda distante).

    Em tempo, o Mais Médicos se somou a um conjunto de ações e iniciativas do governo para o fortalecimento da Atenção Básica do país. A Atenção Básica é a porta de entrada preferencial do Sistema Único de Saúde (SUS), que está presente em todos os municípios e próxima de todas as comunidades. É neste atendimento que 80% dos problemas de saúde são resolvidos, evitando agravos à saúde e também sendo uma fonte de economia ao sistema de saúde, já que contem em si um conceito de ”elevada complexidade e baixa densidade tecnológica“, ou seja, é capaz de resolver grande parte dos problemas de saúde, inclusive de evitar o aparecimento de alguns (já que também atua na promoção e prevenção da saúde), e são necessários muito menos recursos tecnológicos se comparado a um hospital de média e alta complexidade.

    Atualmente o programa conta com cerca de 18 mil profissionais, sendo 8500 médicos cubanos e 8459 médicos brasileiros formados no Brasil ou no exterior e 483 estrangeiros de outros países. Os médicos cubanos estão em 2885 municípios do país, sendo a maioria nas áreas mais vulneráveis: norte do país, semiárido nordestino, cidades com baixo IDH, saúde indígena e periferias dos grandes centros urbanos. 1575 desses municípios só possuem médicos cubanos, 700 deles tiveram um médico no próprio município pela primeira vez. Existem 300 médicos cubanos atuando nas aldeias indígenas (DSEIs), isso representa 75% dos médicos que atuam na saúde indígena de nosso país. Os locais onde os cubanos atuam foram oferecidos antes a médicos brasileiros, que não aceitaram trabalhar lá. Em 5 anos de Mais Médicos nenhum edital de contratação de médicos brasileiros conseguiu contratar essa quantidade de profissionais, o maior edital contratou 3 mil.

    É óbvio o impacto dessa retirada para a população brasileira. Para a população dos principais bolsões de miséria e vulnerabilidade. Saúde publica é sim sujar o pé de lama, diferente do que disse Lincoln Lopes, o tal indicado a ministro por algumas entidades médicas que apoiam o presidente eleito.. esse senhor disse que “nenhum médico é obrigado a sujar o pé na lama”.

    Obrigado ninguém é a nada, inclusive os médicos cubanos que aqui estavam prestando uma ajuda humanitária ao Brasil, estavam por terem outro entendimento de saúde publica, um entendimento de cooperação internacional humanitária, como os que os moveram a prestar ações no Haiti, Venezuela, África e atualmente em 67 países. Como disse em nota o ministério da saúde cubana em 55 anos se cumpriram 600 mil missões internacionais, disponibilizando cerca de 400 mil profissionais de saúde e destacando ações e impactos como a luta contra o ébola na África, a cólera no Haiti, entre diversas ações do contingente internacional de médicos especializados em grandes desastres e epidemias.

    As condições impostas por Jair Bolsonaro e a campanha elitista, racista e xenófoba que vêm sendo travada muitas vezes por médicos e entidades médicas brasileiras contra esses colegas que prestam todo esse serviço ao nosso país é vergonhosa.

    É vergonhosa porque não é verdade que a preocupação desses colegas se baseiam na qualidade de assistência ou na preocupação caridosa com essa população. Se fosse verdade se baseariam nas pesquisas que já existem sobre o impacto EPIDEMIOLÓGICO dos médicos cubanos não só no PMM, mas também em suas outras ações expedicionárias, se fosse ainda um gesto de solidariedade e preocupação com o aumento salarial desses profissionais teríamos visto nos últimos anos campanhas de solidariedade e de reivindicação nesse sentido a esses companheiros, e o que vimos foi uma extensa campanha de boicote e medo de “perder valor de mercado”, a revelia da opinião da população inclusive.

    Nao é verdade que é plausível a ditas “exigências“ de Bolsonaro, sabe por que? Por que significa deslegitimar a formação desses companheiros, em conjunto com uma campanha de ódio a Cuba e ao que ela representa que já existe e que contaminou a população brasileira, e retirar a parte do acordo que dá a Cuba a possibilidade de financiar outras ações expedicionárias a outros países. Vocês sabiam por exemplo que grande parte dos 50% que ficam em cuba do salário desses médicos é devolvido a eles quando eles retornam ao país? E tem sim o intuito de fazê-los retornar e movimentar a economia local. Assim como existem milhares de bolsas da CAPES onde depois que você faz um doutorado fora do país você tem que retornar ao país e ficar pelo menos 3 anos aqui, é parte de um retorno científico do investimento público feito em você.

    Não há milhares de cubanos ”escravizados” e obrigados a trabalharem no PMM, é o racismo de grande parte dos médicos brasileiros que não admitem enxerga-los como colegas de trabalho. Eles são e sabem muito de saúde pública, porque não vêm na saúde uma simples relação de trabalho e sim uma relação humana.

    Deixo minha singela homenagem ao querido colega Jean Philipe, que é brasileiro e se formou em Cuba e com quem tive a oportunidade de trabalhar numa dessas periferias do grande centro. Amigo que me ensinou muito e muito com o pé na lama.

    Quem perde é sem dúvida os cerca de 63 milhões de pessoas atendidas por esse programa. Essas pessoas precisam se mover.

     

    FOTO: Livro Mais Médicos. Foto de Araquém Alcântara. O doutor cubano Jean-Gardy Merceus, do “Programa Mais Médicos”. Manacapuru (AM). Brasil, 2015.

  • A chave do Bolsonarismo

    Sem cair num mecanicismo estreito, a chave da situação política e do futuro governo Bolsonaro, em larga escala, aparece com certa nitidez nos depoimentos e nas manifestações do presidente eleito, dos seus filhos e dos seus associados políticos e, não raro, o discurso bolsonarista se põe em harmonia político-estratégica com declarações como as do general Villas Bôas, que anunciou que o país esteve às portas de um levante militar em nome da continuidade da prisão de Lula. Mas, essa chave desponta também, particularmente, nas iniciativas em curso de constituição do póstero governo, como revelam as escolhas do general Fernando Azevedo e Silva para o Ministério da Defesa, do general Augusto Heleno para o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e do tenente-coronel da reserva da Força Aérea Brasileira (FAB) Marcos Pontes para a pasta da Ciência e Tecnologia.

    Evidentemente, o segmento militar não está sozinho. O empresariado e a alta burocracia civil do Estado, que desempenharam papel decisivo no golpe institucional que derrubou Dilma e pavimentou o caminho no sentido de ascensão da extrema-direita, estarão representados no futuro governo. Paulo Guedes e Sérgio Moro já estão confirmados como ministros da economia e da justiça, respectivamente. Não estamos diante de movimentos aleatórios, mas de movimentos conscientes que afinam o caminho do governo Bolsonaro com o militarismo, o ultraliberalismo antissocial e a plutocracia reacionária.

    Os que lutam por terra e por um meio ambiente saudável não poderiam encontrar maior antítese aos seus propósitos sociais e democráticos do que a nomeação da deputada federal do DEM Tereza Cristina para o Ministério da Agricultura. Aliás, o DEM ocupa espaço privilegiado no desenho do governo que se prepara para ser instalado no Planalto. A indicação do deputado federal Onyx Lorenzoni para Casa Civil não deixa dúvidas a esse respeito. A fisionomia de um governo retrógrado se esboça sem hesitar ou recuar.

    Essas iniciativas, contudo, seguem dividindo espaço com a inalteração da retórica agressiva do bolsonarismo. Não por acaso veio ao mundo a frase-síntese de Eduardo Bolsonaro, deputado federal e filho do presidente recém-eleito: “Se for necessário prender 100 mil, qual o problema?” Como se fosse pouco, na ocasião o deputado afirmou que quer tornar o comunismo crime e tipificar o MST como terrorista. Os que imaginavam que os sujeitos dos enunciados eram meras personagens ansiosas em agradar o eleitorado cativo da retórica antipetista e antissocial, e que, portanto, tudo se equilibraria no pós-eleição, precisam – isso, sim, – restituir em si o estado de equilíbrio.

    Quem buscar com uma lupa aspectos progressivos no futuro governo que é o subproduto de um golpe institucional que redundou em uma eleição viciada, uma vez que o líder das pesquisas estava (e está) preso a mando do agora designado ministro da justiça, cairá no velho conto do vigário. Estará arquitetando uma história de burla e autoburla.

    É verdade que o condomínio dos Bolsonaros é constituído de distintas camadas, mas cada uma delas é um recuo na história, pois estamos falando de certo neoliberalismo com 40 graus de febre, pauta feroz contra a classe trabalhadora, militarismo, autocratismo, brutalização da política, intolerância, misoginia, racismo, homofobia e fundamentalismo religioso. Os que esperam desse edifício de camadas sobrepostas que ele possa abrigar algum elemento progressivo, com efeito, fiam-se em ilusões que, em lugar de servir as lutas de resistência que se esboçam, as podem conduzir a uma sinuca histórica, uma vez que a arquitetura desse edifício é a da reação em toda linha.

    Eis a chave do bolsonarismo. Entendê-la é fundamental para organizar as lutas de resistência, para que não se hesite quando o quadro político não contém em si a permissão à ambiguidade ou o deferimento à hesitação.

    Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
  • Dia caótico na Linha 5 – Lilás do metrô SP reflete problemas da privatização

    Por que a gestão privada falha no Metrô do Capão?

    Vagão da linha 5 lotado | página Capão Atento.

    O ano de 2018 representou dois marcos para a Linha 5 – Lilás do Metrô. Em agosto, se tornou a primeira linha da Cia do Metropolitano de São Paulo a ter sua operação repassada à iniciativa privada e em outubro, finalmente, teve seu traçado completo entregue com as aguardadas integrações com as Linha 1- Azul e 2 – verde nas estações Santa Cruz e Chácara Klabin respectivamente, após 20 anos de idas e vindas de intermináveis obras (A estação Campo Belo continua em obras com previsão de entrega apenas em dezembro de 2019).

    A operação e manutenção da Linha 5 – Lilás são realizadas pela ViaMobilidade, concessionária formada majoritariamente pela empresa CCR e com participação do grupo Ruas, proprietário de 16 empresas de ônibus no Estado de São Paulo. O conglomerado CCR possui a concessão de dezenas de rodovias pelo país, administra alguns aeroportos, opera o Metrô de Salvador e repete a parceria com o grupo Ruas na gestão da Linha 4 – Amarela do Metrô de São Paulo, através da subsidiária ViaQuatro.

    Na Linha 5 Lilás, que liga o periférico e densamente povoado bairro do Capão Redondo à estação Chácara Klabin, região mais centralizada da cidade na rota da Avenida Paulista, a operação privada vem apresentando constantes falhas de operação, provocando transtornos para centenas de milhares de trabalhadores que utilizam a linha diariamente. Foi o caso, mais uma vez, na última terça-feira, 13, quando no período da tarde usuários relataram grandes filas nas entradas de estações, viagens que normalmente duram 15 minutos passarem de uma hora, falhas no ar-condicionado dos trens em um dia que os termômetros marcaram mais de 30° na capital paulista e falta de comunicação e organização da concessionária ViaMobilidade perante os problemas operacionais.

    A página do facebook “Capão Atento” noticiou em tempo real o dia caótico na Linha 5 – Lilás com 4 posts de alerta aos usuários. Essas postagens registraram mais de 150 comentários de seguidores da página, em sua grande maioria relatando a demora para entrar nas estações e nos deslocamentos dos trens. Outros comentários atentavam para a reincidência dessas falhas nas últimas semanas.

    As redes sociais, aliás, se tornaram um importante canal de informação para os usuários da Linha 5 – Lilás, já que se nota uma curiosa ausência de notícias sobre panes e falhas das linhas de operação privada na grande mídia. Apenas sites especializados em transportes urbanos noticiaram a terça-feira de transtornos

    na ViaMobilidade. Os maiores portais de notícias raramente abordam os problemas de operação das linhas concedidas à CCR e quando relatam, apresentam de forma genérica “mais um dia de falhas no Metrô” omitindo ou relevando a concessão privada e buscando esclarecimentos apenas dos órgãos públicos, como a Secretaria de Transportes Metropolitanos.

    “Problemas operacionais”

    Segundo o portal ViaTrolebus, os avisos sonoros nos trens se resumiram a informar “problemas operacionais” como motivo das paralizações e viagens mais longas de terça. O site Rede Noticiando procurou a assessoria de imprensa da concessionária não obtendo respostas até o fechamento da matéria.

    CBTC: calcanhar de Aquiles da Linha 5 – Lilás.

    A concessionária ViaMobilidade omite aos usuários o principal motivador das constantes falhas da linha: o novo sistema de comando e controle dos trens, o CBTC, sigla em inglês para sistema de Controle de Trens Baseado em Comunicação. Esse sistema que, resumidamente é responsável por permitir maior aproximação entre os trens, está servindo de requisito para privatização das linhas de Metrô em São Paulo.

    A linha 4 – Amarela foi a primeira a utilizar essa tecnologia no Brasil tem menor incidência de falhas porque foi construída já com o CBTC e não passou por uma alteração de sistemas, além disso, a diferença do número de

    passageiros transportados vem demonstrando que a iniciativa privada está despreparada para assumir uma linha de alta demanda.

    A demanda de usuários ajuda a explicar a vitória da CCR no leilão de concessão da Linha 5 – Lilás. A Folha de S. Paulo publicou matéria em setembro apresentando estimativas do Metrô para reorientação de fluxos. A estação

    Pinheiros da Linha 4- Amarela/CCR teve seu público por hora reduzido em 37% no pico da manhã. Por outro lado, a Linha 5 – Lilás passará dos 320 mil para 850 mil usuários por dia.

    O Sindicato dos Metroviários de SP, inclusive, havia alertado para o direcionamento do leilão em benefício à CCR meses antes do leilão, já que um dos requisitos para participar do leilão era o de possuir experiência em operação de metrô para mais de 400 mil usuários por dia. Característica que além, do Metrô do Rio, apenas uma empresa privada atende no Brasil: a CCR.

    Precarização do trabalho e aumento das tarifas como indutores de lucro para empresas privadas.

    Como forma de maximizar seus lucros, a CCR tem um quadro de funcionários extremamente reduzido nas linhas de metrô que administra. Além disso, o acúmulo de serviços é o padrão para os funcionários. Reflexo dessa condição são os comentários de usuários lamentando a falta de funcionários nas estações para orientações em momentos de transtornos.

    Os baixos valores pelos quais a CCR arrematou as concessões das Linhas 5 e 17 e as condições do edital de licitação que a favoreceu são fortes motivos para questionarmos essa privatização. A indignação dos usuários com as falhas rotineiras é justa e deve servir como propulsão de uma campanha forte e unitária entre a população e os metroviários contra mais privatizações no sistema metroferroviário de São Paulo. Transporte não é mercadoria!

  • Parlamentar faz gesto ameaçando dirigente do ANDES-SN

    O deputado federal Eder Mauro (PSD/PA) fez com a mão gesto como quem iria dar tiros em um dirigente do ANDES-SN (Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior – Sindicato Nacional). A ameaça aconteceu na tarde de terça-feira (13), durante a sessão da Comissão Especial de Educação da Câmara Federal. A comissão aprecia o PL 7180/14, que impõe censura à atividade docente. Além dos gestos que remetem a uma arma, o deputado chamou o dirigente do ANDES-SN de “bandido”.

    Cláudio Mendonça é dirigente do ANDES-SN e participava da sessão representando, além da entidade, a frente nacional Escola Sem Mordaça. Esta frente congrega entidades ligadas à educação e contrárias ao que o “Escola Sem Partido” defende.

    O PL foi estava pautado na Comissão durante a manhã desta terça (13), mas a sessão foi suspensa, em razão do início dos trabalhos no plenário da casa. Por volta das 14h30, a Comissão retomou os trabalhos. A atuação dos parlamentares da oposição, dos sindicatos e movimentos sociais contrários ao PL, entretanto, conseguiu adiar a apreciação do parecer do relator, deputado Flavinho (PSC-SP). O tema deve ser pautado na próxima semana.

    Para o ANDES-SN, o gesto do parlamentar foi um ato de violência, na tentativa de intimidar e ameaçar quem se opor a seus projetos. “Trata-se de uma ameaça à democracia, à cidadania e à liberdade de expressão”, pontua a direção do Sindicato Nacional.

    O ANDES-SN repudia todo e qualquer tipo de ameaça e adotará as medidas cabíveis que protejam seus dirigentes e a sua base. “O enfrentamento ao discurso de ódio contra professores, escolas e universidades deve ser feito de forma incisiva e unificada”, sustenta a direção do ANDES-SN.

    Votação do PL Escola sem Partido na Câmara dos Deputados é adiada

    A votação do Projeto Escola sem Partido foi adiada nesta terça-feira (13). O PL esteve na pauta da Comissão Especial da Câmara de Deputados na parte da manhã e da tarde.

    Ao longo da manhã, os deputados da oposição questionaram a condução dos trabalhos da mesa. Já os deputados que apoiam o projeto, interrompiam constantemente as falas, o que gerou um clima de confusão entre os parlamentares.

    Na parte da tarde, a atuação dos parlamentares da oposição, dos sindicatos e movimentos sociais contrários ao PL conseguiu adiar a apreciação do parecer do relator, deputado Flavinho (PSC-SP). O tema deve ser pautado na próxima semana.

    A sessão foi suspensa no início da tarde, sem ter sido feita a leitura do parecer. Os trabalhos tiveram de ser interrompidos porque foi aberta a sessão no plenário principal da Câmara.

    Muitas pessoas foram impedidas de entrar na Câmara, devido à lotação do plenário. O corredor de acesso à sala foi bloqueado por cordas e duas policiais legislativas barravam a passagem de visitantes.

    Representantes de sindicatos ligados à educação estiveram presentes no plenário da comissão para acompanhar a votação. Cláudio Mendonça, 2º tesoureiro do ANDES-SN e da coordenação do Grupo de Trabalho de Política Educacional (GTPE), representou o Sindicato Nacional.

    “As entidades, que estavam presentes, cumpriram um papel importante. Primeiro, ao tentar mostrar mais uma vez, o caráter antidemocrático, fascista deste projeto que tenta cercear as liberdades dos docentes e colocar nas costas dos docentes a responsabilidade, que cabe ao Estado, dos problemas graves que a educação brasileira possui”, disse. O diretor do ANDES-SN afirmou que as entidades irão aguardar o retorno dos trabalhos na Comissão e que continuarão a manifestação contra o projeto.

    Mudanças no PL
    A sessão discutiria o substitutivo do relator, deputado Flavinho (PSC-SP). O texto impede o Poder Público de tomar parte “no processo de amadurecimento sexual aos alunos”. Especialistas apontam que o PL vedaria, por exemplo, aulas de educação sexual.

    No parecer do relator, além das proibições aos professores de escolas públicas e privadas da educação básica, proíbe-se, no ensino no Brasil, o uso dos termos “gênero” ou “orientação sexual”.

     

    Textos publicados no portal do ANDES-SN
    Foto principal: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

     

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