Editorial

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  • Temer será afastado pela Câmara?

    Editorial de 18 de outubro,

    O cinismo de Michel Temer parece não conhecer limites. Às vésperas da votação da segunda denúncia de Janot na Câmara, o presidente enviou aos deputados uma carta em que afirma existir uma “conspiração” para tirá-lo do cargo. Logo ele, o responsável por tramar com Eduardo Cunha o golpe parlamentar que derrubou Dilma Rousseff.

    Com medo de um revés, Michel Temer foi às compras para se livrar do perigo de afastamento. Nesta segunda (16), numa barganha junto à bancada ruralista, o governo editou uma portaria que facilita o trabalho escravo no Brasil. Os empresários flagrados neste crime não aparecerão mais na “lista suja”, a menos que o ministro do trabalho permita. O texto também modifica o modelo de fiscalização e punição. Numa frase: Temer decretou uma “licença” para o trabalho escravo no país.

    Mas não é só. Com o intuito de preservar o suporte da bancada patronal, o governou aproveitou a ocasião para tentar ressuscitar a reforma da previdência. Os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Henrique Meirelles (Fazenda) apresentaram a proposta de uma reforma “desidratada” baseada em três pilares: idade mínima (65 anos para homens e 62 para mulheres), o tempo de contribuição de pelo menos 25 anos e uma regra de transição.

    Embora encontre um cenário político mais adverso nesta segunda denúncia, Michel Temer provavelmente conseguirá os votos necessários para se manter no cargo. O apoio dos grandes empresários ao governo, em razão do ávido interesse que estes têm na retirada de direitos sociais, e o suporte de políticos e partidos comprometidos com esquemas de corrupção seguram Temer no poder, apesar da quase unânime rejeição popular e das provas irrefutáveis de crimes praticados pelo peemedebista.

    A delação de Funaro e o fator Maia

    Para esquentar o clima da denúncia, a delação de Lúcio Funaro, ex-operador do PMDB na Câmara, vazou para a imprensa. O doleiro afirmou  que Michel Temer ficava com um percentual das propinas repassadas a Eduardo Cunha. “Tenho certeza que parte do dinheiro que era repassado, capitaneado em todos esses esquemas que ele tinha, dava um percentual também para o Michel Temer. Eu nunca cheguei a entregar, mas o Altair deve ter entregado algumas vezes”, disse.

    Os vídeos da delação foram divulgados no site oficial da Câmara na sexta (13), fato que detonou uma crise na relação entre o governo e Rodrigo Maia (DEM), presidente da Câmara. O deputado carioca, de olho nas eleições de 2018, busca-se se afastar da imagem “tóxica” de Temer. As rusgas entre eles, contudo, dificilmente evoluirão a ponto de ameaçar a vitória governista na votação da denúncia.

    A bem da verdade, prevalece no Congresso ações descaradas de acobertamento de corruptos, particularmente quando se trata de membros da coalização governista do PMDB, PSDB e DEM. A decisão do Senado que, por 44 votos a 26, revogou as medidas cautelares impostas pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a Aécio Neves (PSDB), mesmo este tendo sido flagrado pedindo  R$ 2 milhões a Joesley Batista, é mais uma prova da desfaçatez que reina no parlamento brasileiro.

    Sem o povo nas ruas, o golpe continuará de pé

    A burguesia quer manter o governo para dar andamento às contra-reformas sociais e à política econômica entreguista, e também para evitar maior instabilidade política até as eleições. Temer não precisa de legitimidade popular para seguir na presidência, afinal alcançou esta posição por meio de um golpe parlamentar que foi patrocinado pelo grande empresariado e a maioria do Congresso.

    A única possibilidade de derrotar Temer é por meio da retomada da luta unificada. Sem a força das ruas e das greves, os golpistas seguirão no controle da situação.

    Por isso, é necessário apostar na resistência social. Cada greve de trabalhadores deve ser abraçada por todo movimento sindical. Cada ocupação de terra precisa receber a solidariedade ativa do conjunto dos movimento sociais. A unificação das lutas e a retomada das manifestações de rua unitárias são fundamentais neste momento. Como corretamente definiu o Congresso da CSP-Conlutas, o dia nacional de greve e manifestações, marcado pelos metalúrgicos para 10 de novembro, pode ser o primeiro passo nesse sentido.

    Esperar as eleições de 2018 é um grave erro. Até lá, nossos direitos sociais e trabalhistas estarão acabados. Lula, o PT e a CUT, que ainda tem muita influência entre os trabalhadores e o povo pobre, deveriam chamar a mobilização social, para repetirmos a greve geral de 28 de abril. Se fizessem isso, a resistência social ganharia enorme força. Porém, a direção petista parece mais interessada em costurar alianças eleitorais com os velhos aliados da direita.

  • Rio de Janeiro: a crise é a nova normalidade

    Editorial de 13 de outubro,

    O Rio de Janeiro é a imagem concentrada do cenário nacional. É talvez a mais aguda combinação da crise econômica, política e social. A decadência que se vê por todos os lados é o verdadeiro “legado olímpico”. O esgotamento do modelo baseado na indústria do petróleo e nos estímulos fiscais quase ilimitados é patente.

    Do ponto de vista político, a situação do governo Pezão (PMDB), apadrinhado de Sergio Cabral, é análoga, em muitos sentidos, a de Temer. O governo estadual tem índices de rejeição abaixo do volume morto, está inteiramente comprometido pelos escândalos de corrupção e há meses não demonstra a mínima capacidade de iniciativa. Ainda assim, não parece lhe incomodar a missão de seguir semi-vivo até as eleições de 2018. A crise no Rio é assumida pela casta política como a nova normalidade.

    É nesse contexto que os atrasos nos vencimentos do funcionalismo, por exemplo, deixaram de ser uma condição de exceção para se tornarem o novo padrão. A asfixia da UERJ, principal universidade do estado, igualmente deixa de ser efeito indesejado do caos econômico e administrativo e ganha contornos de projeto. Até mesmo deixar de oferecer ensino de graduação é posto em pauta como “saída”.

    Por sua vez, os efeitos sociais da crise são devastadores. O desemprego atingiu 15,7% da população economicamente ativa em setembro, segundo o Ipea, e vem em viés de alta constante há vários trimestres. Em seu conjunto, os serviços públicos fluminenses operam em um novo patamar de degradação, quer na saúde, na educação ou nos transportes. A percepção de que a vida está mais difícil beira a unanimidade.

    Com todas as contradições sociais piorando, a violência urbana não poderia deixar de se agravar. A recente ocupação militar da Rocinha demonstrou, uma vez mais, o ciclo vicioso da chamada “guerra às drogas”. Há um processo de reorganização de grupos do crime organizado, ao passo que a desastrosa intervenção do estado, agora com o padrão de ocupação de comunidades pelas Forças Armadas, atinge ainda mais a população trabalhadora e negra das favelas.

    Enquanto concorriam na Rocinha a tirania do crime organizado e o terror de estado via polícia ou Exército, chamou atenção a paralisia da prefeitura. Marcelo Crivella permaneceu ausente durante todo o dia de horror na maior favela carioca, só vindo a se pronunciar, da forma mais genérica possível, durante a noite. Seu sumiço desgastou sua imagem, que começa a se desbotar ainda em seu primeiro ano de mandato.

    O prefeito-bispo vem buscando reorientar sua localização em direção a uma posição mais abertamente alinhada com a nova direita. Seja provocando dificuldades à preparação do Carnaval ou aos eventos culturais de rua, Crivella toma parte na ofensiva conservadora nos costumes e não perdeu a oportunidade colocar obstáculos à mostra Queermuseu no Museo de Arte do Rio, que foi censurada em Porto Alegre.

    Não há perspectiva de melhora na situação de crise do Rio que não passe pelas lutas de resistência na capital e no estado. São muitas as mobilizações, embora ocorram atomizadas. Processos como a luta em defesa da Uerj, as greves e lutas dos trabalhadores da saúde pública e as lutas do setor de cultura precisam ser coordenadas e ganhar a forma de um enfrentamento unificado contra Pezão e Crivella. A resistência existe e é heróica, mas é ainda insuficiente diante da tragédia que se tornou o Rio. A jornada em defesa da educação pública, que está convocando manifestação unificada na Uerj, para o dia 19 de outubro, pode ser uma iniciativa de importância no sentido de retomar as ruas.

  • A extrema-direita quer chegar ao poder

    Editorial 10 de outubro,

    Jair Bolsonaro desembarcou nos Estados Unidos no domingo (07). No mesmo dia, João Dória apareceu sorridente na festa popular de Círio de Nazaré, em Belém (PA). A um ano das eleições, a corrida presidencial ganha intensidade e a disputa entre nomes da direita mostra-se acirrada.

    Enquanto Bolsonaro rasgava a máscara do nacionalismo em solo ianque, ao defender um programa de entrega do patrimônio brasileiro às multinacionais norte-americanas, a revista Veja disparava contra o militar. A capa do semanário estampou em foto aterrorizante “A ameaça Bolsonaro”.

    Melhor sorte não teve o prefeito fantasma de São Paulo, que recebeu um duro golpe de Alberto Goldman, vice-presidente do PSDB, que num vídeo publicado nas redes sociais acusou Dória de não ser um “prefeito” e sim um “candidato a presidente”. O prefeito turista, visivelmente alterado, respondeu com grosserias e insultos.

    O episódio revela que subiu muito a temperatura no ninho tucano, com Geraldo Alckmin passando à ofensiva na disputa com seu ex-pupilo. E para selar o mal momento do prefeito-empresário, a pesquisa Datafolha mostrou que a rejeição a Dória cresceu consideravelmente na capital paulista.

    A crise da direita tradicional e o espaço da extrema-direita

    A evolução regressiva do cenário político brasileiro abriu um espaço inédito à extrema-direita. Cresceu numa parcela significativa da população, sobretudo nas camadas médias e mais ricas, o apelo a uma saída autoritária e conservadora, abertamente reacionária.

    O raivoso anti-lulismo não se plasmou nos partidos e figuras tradicionais da direita. Ao contrário, o PSDB, PMDB e seus caciques foram fortemente atingidos pela crise, tanto que ostentam níveis de rejeição popular altíssimos, superiores ao do PT e de Lula.

    A principal figura que capitaliza o espaço político da extrema-direita é Jair Bolsonaro, que aparece em segundo lugar nas pesquisas presidenciais. O líder neo-fascista tem milhões de seguidores, mobiliza multidões nas cidades por onde passa e segue em dinâmica ascendente.

    Bolsonaro, entretanto, não tem a confiança da classe dominante e tampouco é tido como opção pelos principais partidos da ordem. Por isso, a direita tradicional, preocupada com seu desempenho eleitoral, começa a atacá-lo com mais virulência, como fez a última edição da Veja.

    João Dória, por sua vez, ocupa um espaço político situado entre Alckmin e Bolsonaro. Isto é, aparece mais à direita que seu padrinho, mas faz questão de não se mostrar tão extremista quanto o defensor da Ditadura. Nisso reside sua força, mas também parte de seus problemas. Pois não é tão radical como o líder fascista, o que não satisfaz os mais extremistas; e também não se mostra um conservador “moderado”, de centro-direita, como figura o governador de São Paulo aos olhos de parte do eleitorado.

    A burguesia está preocupada. E não apenas em razão da dificuldade em encontrar um nome viável e confiável para as eleições de 2018. A resiliência político-eleitoral do lulismo a assusta também. Contrariando todas as expectativas, a rejeição de Lula vem diminuindo e sua popularidade aumentando. Se a eleição fosse hoje, o petista venceria no primeiro e no segundo turno. Mesmo a provável condenação de Lula em segunda instância, que o tornaria inelegível, não é mais motivo de segurança para a direita. Teme-se, agora, que Lula, mesmo condenado, possa alavancar a candidatura de outro candidato petista.

    O desafio da esquerda socialista

    A evolução da conjuntura política não vem favorecendo a esquerda socialista, é verdade. O avanço da extrema-direita, o refluxo das ruas e a relativa recomposição do petismo no espectro à esquerda da sociedade são obstáculos reais.

    Mas o atraso no lançamento de uma candidatura alternativa, com um programa à esquerda do petismo, para enfrentar a ofensiva reacionária e defender os interesses dos trabalhadores e oprimidos, vem contribuindo para o atual quadro de dificuldades.

    Ainda há tempo. É fundamental que o PSOL lance, o quanto antes, uma candidatura presidencial, articulando uma frente de esquerda com movimentos sociais (Povo Sem Medo, MTST, entre outros.) sindicais (CSP-Conlutas, Intersindical), culturais e outras organizações políticas combativas (PSTU, PCB). Seria muito importante, também, que Guilherme Boulos e o MTST assumissem, junto com o PSOL e demais organizações, a construção dessa candidatura da esquerda socialista. O ciclo de debates da plataforma Vamos! pode apontar nesse caminho.

    Fortalecer e ampliar as lutas de resistência, combater a reação em todos os âmbitos e apresentar uma nova alternativa de esquerda, essas são as tarefas que consideramos imprescindíveis na atual conjuntura.

  • Guevara: Héroe y mártir de la revolución permanente

     

    8 de octubre de 2017

    El 9 de octubre de 1967 fue asesinado, a mando de la CIA, en la selva boliviana, el revolucionario argentino Che Guevara. En homenaje al legado del Che Guevara, en el  50 aniversario de su muerte, republicamos el artículo escrito por el trotskista argentino Nahuel Moreno poco después de la divulgación de su asesinato.

    Editores de la Izquierda Online

    Por Nahuel Moreno. Publicado originalmente en el diario del PRT de Argentina, “La Verdad” el 23/10/67.

    Con el asesinato del Che, los revolucionarios latinoamericanos no sólo perdimos nuestro líder indiscutible, así como Fidel, sino también el más apasionado luchador de la revolución permanente de nuestra época.

    Su propia vida obedece a una profunda lógica, que es la de la revolución permanente. De revolucionario pequeñoburgués en nuestro país que no comprende el peronismo, a dirigente del movimiento pequeñoburgués más revolucionario de América Latina, encabezado por Fidel. De activista estudiantil argentino a guerrillero cubano. De jefe guerrillero a constructor de la economía socialista. Como tal, reivindica la importancia del propio proceso revolucionario interno, de la elevación de la conciencia de las masas.

    No se duda de su carácter revolucionario latinoamericano, y no deja por un minuto de indicar que Cuba es parte de la revolución continental. En sus visitas a China, URSS y África lo ven como representante del internacionalismo proletario, de la revolución mundial. De regreso a Cuba, pasa de las declaraciones y enunciados a la preparación de la guerrilla en el eslabón más débil de la corriente capitalista sudamericana: Bolivia. Si lo entierran podemos decir: “No enterrar un cadáver, sino semillas revolucionarias”.

    Guevara, que arriesgó la vida cuantas veces fue necesario, hasta perderla para la revolución cubana y latinoamericana, no tuvo miedo de enfrentarse y dar respuesta a los problemas más graves planteados por la revolución. Desde la defensa de Cuba hasta la construcción del socialismo en la etapa de transición, pasando por las relaciones económicas entre los países socialistas, no hubo problema de importancia decisiva en la lucha de los trabajadores que Guevara no abordara desde el punto de vista de la revolución permanente.

    La revolución permanente en América Latina como única defensa segura de Cuba

    Los trabajos más conocidos de Guevara sobre la guerra de guerrillas son categóricos: la defensa de la revolución cubana pasa por la extensión de la revolución latinoamericana. “Es el deber de los revolucionarios, sobre todo en este momento, conocer, percibir y captar cambios en la correlación de fuerzas que se han dado, en el trabajo de la guerra de guerrillas: un método” en el mundo, y comprender que estos cambios facilitan la lucha de los pueblos. El deber de los revolucionarios latinoamericanos, no es esperar que un cambio en la correlación de fuerzas produzca el milagro de una revolución social en América Latina, sino hacer pleno uso de todo lo que favorezca el movimiento revolucionario en esta correlación de fuerzas variable y hacer la revolución”.

    Para que no haya dudas de que se preconizaba la revolución permanente, en el mismo trabajo citaba a Marx: “Marx siempre recomendó que una vez que se haya comenzado el proceso revolucionario, el proletariado revolucionario debe golpear y golpear sin descanso. La revolución que no se profundiza constantemente es una revolución que retrocede.

    Con toda claridad, insistía que había una estrategia contrarrevolucionaria de conjunto en toda América, de los exploradores nacionales y del imperialismo yanqui y que la única respuesta es una lucha continental de conjunto. “Dado este panorama americano, es difícil que haya victoria y se consolida en un solo país. La unión de las fuerzas represivas debe ser respondida por la unión de las fuerzas populares. En todos los países en los que la opresión de las masas llega a límites intolerables, la bandera de la rebelión debe ser levantada, y esta bandera debe tener, por necesidad histórica, características continentales. La cordillera de los Andes está destinada a ser la Sierra Maestra de las Américas, como Fidel ha dicho, y todos los inmensos territorios que este continente encierra están destinados a ser escenarios de una lucha a muerte contra el poder imperialista”. “No podemos decir qué características adquirirá esta lucha continental, ni tampoco cuánto tiempo durará, pero podemos predecir su inicio y su triunfo, porque es el resultado de circunstancias históricas, económicas y políticas inevitables y su curso no puede ser detenido. Iniciarla cuando las circunstancias están dadas, independientemente de la situación en otros países, es la tarea de las fuerzas revolucionarias, en cada país. El desarrollo de la lucha determinará la estrategia general, la predicción sobre el carácter continental de ella surge del análisis de las fuerzas opuestas, pero esto no excluye -lejos de ello- un comienzo independiente. Así como la iniciación de la lucha en un punto de un país está destinada a extenderse a todo un país, la iniciación de la guerra revolucionaria contribuye a desarrollar nuevas condiciones en los países vecinos”.

    El Che, junto con Fidel, fueron los mejores voceros de la estrategia y la teoría revolucionaria de la dirección cubana: hay un solo proceso revolucionario a escala continental, del cual Cuba es un eslabón muy importante, pero solo un eslabón. La revolución es de conjunto, continental, el triunfo se obtendrá en una batalla total.

    La etapa de transición como un proceso revolucionario

    En octubre de 1963 la revista cubana Nuestra Industria publicó una apasionante polémica entre el Che y Alberto Mora, ministro de Comercio Exterior, sobre las leyes económicas dominantes en la época de transición al socialismo en un país atrasado como Cuba.

    Mora sostenía que había que dejar que la economía cubana en su conjunto y cada empresa se manejaran automáticamente de acuerdo a las leyes de la oferta y la demanda. Por ejemplo, que cada empresa o cooperativa produjera los productos que mejor precio pudieran obtener. Dicho de otra forma, que cada empresa controlada por los obreros siguiera actuando como si fuera una empresa capitalista cuyo único objetivo es la mayor lucro posible. Mora insistió en que la ganancia de cada empresa y de cada obrero es el único motor de la economía de transición. La conclusión del Ministerio de Comercio Exterior surgía por sí sola: la centralización y planificación de la economía cubana son secundarias, las ganancias de las empresas y los obreros es lo más importante. Había que darle autonomía a las empresas y pagarle a los obreros por producción, como era en el capitalismo.

    Guevara insistió en que la economía en marcha al socialismo no es una economía capitalista en manos de los obreros, sino una economía que tiene objetivos diametralmente opuestos a la capitalista. El objetivo de una economía socialista es el desarrollo económico de conjunto en beneficio del país y los trabajadores y no el lucro de tales empresas o trabajadores, a pesar de ser un país atrasado. Por eso era esencial la centralización y planificación de la economía nacional en su conjunto. Si la producción de materiales para construir miles de casas es una necesidad de los trabajadores cubanos, aunque esta producción sea deficitaria, hay que hacerla, sostenía Guevara, porque es beneficiosa para el conjunto de los trabajadores del país. De acuerdo con el criterio de Mora si no daba ganancias no había que hacerlo.

    Guevara sacaba de su análisis teórico conclusiones opuestas a las de Mora: había que centralizar y planificar cada vez más la economía cubana y, en lugar de alentar el pago de premios a los obreros para levantar la producción, esto había que lograrlo por medio de la elevación de la moral socialista de ellos. Para el Che la transición de la economía cubana debía ir acompañada de un proceso revolucionario, que era la elevación de esa conciencia en los trabajadores cubanos.

    Como en todos sus análisis teóricos y políticos el Che acostumbraba a pasar por alto los detalles, algunos aspectos de la realidad, el atraso de Cuba, de sus trabajadores, que exigen que se le dé gran importancia a los incentivos materiales. De cualquier forma, su insistencia en la importancia de la planificación y centralización como motor del desarrollo socialista, como del progreso permanente de la conciencia revolucionaria de los incentivos morales de los trabajadores, era esencialmente correcto. Con todos los errores teóricos y de detalles que se quisieran, la posición del Che era la revolucionaria, la que apostaba al desarrollo de la conciencia revolucionaria de las masas cubanas, y la de Mora la oportunista, estalinista, que quería apelar a métodos burgueses para lograr el desarrollo socialista.

    Esta polémica se inscribe en la que vienen llevando a cabo los estalinistas de la línea de Jrushchov y los maoístas. Toda la vanguardia revolucionaria mundial sabe que el estalinismo ha levantado la teoría de que el socialismo se lo irá  construyendo apelando al afán de lucro o de salario de los obreros. Los maoístas, por el contrario, creen que el socialismo se lo construirá apelando a la conciencia política de las masas.

    La dirección cubana cerró esta polémica con una posición correcta, de síntesis de ambas posiciones, pero destacando el aporte esencial hecho por el Che. El 8 de mayo de 1965 el presidente Dorticós dio la posición oficial de la dirección cubana sobre la polémica llevada a cabo: “Estamos muy contentos de que el factor moral haya sido empujado por los esfuerzos del ministerio de Industria (Guevara) al máximo. Sabemos que esta posición ha sido adoptada por el ministro y aplaudimos su doctrina. Nuestro presente y nuestro futuro dependen fundamentalmente de nuestra ideología y nuestra moral. Esta no niega el principio cardinal que debe regular el pago del trabajo en una sociedad socialista; concretamente a cada cual según su trabajo. En nuestra opinión este principio es total y consistentemente compatible con el principio que subraya la importancia de los estimulantes morales. Para armonizar y sintetizar estos dos factores, mientras mantenemos su ajuste, debemos reforzar cada día la importancia y la extensión de estímulos morales como uno de los objetivos de nuestro trabajo económico”.

    Se opone a la política comercial de la URSS, en defensa de los países atrasados

    No se ha destacado lo suficiente la batalla política y teórica llevada a cabo por Guevara contra este aspecto de la política económica de la URSS. El gobierno soviético negoció con los otros países socialistas como si fueran países capitalistas. Intercambia las mercaderías por su valor en el mercado mundial y a veces paga menos los productos de los países socialistas atrasados. Estos, al igual que bajo el régimen imperialista, tienen que venderle a la URSS materias primas por productos industriales. En ese cambio a iguales valores hay ya una explotación comercial, la misma que llevan a cabo los países imperialistas con las naciones atrasadas en el mercado mundial. Todo estudiante de economía sabe que las materias primas bajan año a año su valor en relación a los productos industriales. Esta misma relación se da entre los países atrasados socialistas y la URSS.

    Guevara, revolucionario de una sola pieza, denunció sin pausa esta injusticia “burguesa”, cometida por la URSS. En el seminario de solidaridad afro-asiático llevado a cabo en Argel a principios de 1965 afirmó categóricamente: “El desarrollo de los países que van tomando el camino de la libertad debe ser apoyado por los países socialistas; ésta es mi profunda convicción”.

    “¿Cómo puede ser considerado de beneficio mutuo vender a los precios del mercado mundial las materias primas que han costado sudor y sufrimiento a las masas de los países atrasados y comprar a los precios del mercado mundial las máquinas producidas por las grandes plantas automatizadas de hoy en día? Es obligación de los países socialistas terminar esta tácita complicidad con los países explotadores del Oeste”.

    Su lucha por la unidad económica de los países socialistas y atrasados

    No conforme con denunciar indirectamente la concepción falsa, burocrática, del comercio exterior de los gobernantes soviéticos, Guevara da todo un programa revolucionario esencialmente correcto.

    “Un profundo cambio conceptual debe ser hecho en relación a las relaciones internacionales. No debe ser el comercio internacional quien determina la política, sino, por el contrario, el comercio internacional debe estar subordinado a una política fraternal hacia los otros pueblos.”

    Internacionalista convencido, se opone al intento de que cada gobierno socialista cuide sus piezas, su país, e insiste en la necesidad de una unificación y planificación de conjunto de las economías de los distintos países socialistas y atrasados. “El desarrollo no puede ser abandonado a una completa improvisación; la construcción de la nueva sociedad debe ser planificada. Planificación es una de las leyes del socialismo y sin socialismo no puede existir. Sin una correcta planificación es imposible garantizar adecuadamente una relación armoniosa entre los varios sectores económicos de un país que tiene que producir rápidamente los avances que requiere la época en que vivimos. La planificación no es un problema individual para cada uno de nuestros países pequeños, con un desarrollo desigual, propietarios de algunas materias primas o productores de ciertos productos, manufacturados o semiterminados, pero sin producir otros productos en forma aislada. Por esta razón la planificación debe ser orientada, en la actualidad, desde el primer momento, hacia una cierta especialización regional, de manera que las economías de varios países pueden complementarse y de esta manera la integración se haría sobre la base de un genuino beneficio mutuo”.

    ¡Cómo contrasta esta posición con la batalla de los gobiernos ruso y chino por defender su autarquía o independencia en lugar de tender a planificar sus economías en forma mancomunada!

    Y, para que no queden dudas del rol que le hace jugar a la economía en el proceso de la revolución mundial, nuestro Che, suponemos que a gritos, dice: “Las armas no deben ser consideradas mercaderías en nuestro mundo; uno debe entregarlas sin ningún pago en las cantidades requeridas por los pueblos que necesitan de ellas”. Uno piensa en Stalin, el teórico del socialismo en un solo país, vendiendo a precio de oro y a cuentagotas las armas al proletariado español durante la Guerra Civil y no puede menos que admirar más y más a este héroe de la revolución permanente.

    Su testamento: el internacionalismo revolucionario

    Los revolucionarios del mundo entero consideramos a los guerrilleros vietnamitas la vanguardia de la revolución. La falta de apoyo total por parte de la URSS y China la consideramos una traición.

    No hay otro internacionalismo militante en este momento que no sea luchar para que se apoye con todo a Vietnam del Norte y a los guerrilleros vietnamitas, y hacer la revolución en los propios países. Esa es la posición de Fidel. En su carta «testamento» el Che insiste apasionadamente en lo mismo. Escuchémoslo:

    “Cuando analizamos la soledad vietnamita nos asalta la angustia de este momento ilógico de la humanidad. El imperialismo norteamericano es culpable de agresión. Sus crímenes son inmensos y repartidos por todo el globo. ¡Ya lo sabemos, señores! Pero también son culpables los que en el momento de definición vacilaron en hacer de Vietnam parte inviolable del territorio socialista, corriendo, sí, los riesgos de una guerra de alcance mundial, pero también obligando a una decisión a los imperialistas norteamericanos. Y son culpables los que mantienen una guerra de insultos y zancadillas comenzada hace ya buen tiempo por los representantes de las dos más grandes potencias del campo socialista. Preguntemos, para lograr una respuesta honrada: ¿Está o no aislado el Vietnam, haciendo equilibrios peligrosos entre las dos potencias en conflicto?

    “”Y: ¡qué grandeza la de ese pueblo! ¡Qué estoicismo y valor, el de ese pueblo! Y qué lección para el mundo entraña esa lucha.

    “Hasta dentro de mucho tiempo no sabremos si el presidente Johnson pensaba en serio iniciar algunas de las reformas necesarias a un pueblo, para limar aristas de las contradicciones de clase que asoman con fuerza explosiva y cada vez más frecuentemente. Lo cierto es que las mejoras anunciadas bajo el pomposo título de ‘lucha por una gran sociedad’ han caído en el desagüe de Vietnam.

    “El más grande de los poderes imperialistas siente en sus entrañas el desangramiento provocado por un país pobre y atrasado, y su fabulosa economía se resiente del esfuerzo de la guerra. Matar deja de ser el más cómodo negocio de los monopolios. Armas de contención, y no en número suficiente, es todo lo que tienen estos soldados maravillosos, además del amor a su patria, a su sociedad y un valor a toda prueba. Pero el imperialismo se empantana en Vietnam, no halla camino de salida y busca desesperadamente alguno que le permita sortear con dignidad este peligroso trance en que se encuentra. Pero los ‘cuatro puntos’ del Norte y los ‘cinco’ del Sur lo atenazan, haciendo aún más decidida la confrontación.

    “Todo parece indicar que la paz, esa paz precaria a la que se ha dado tal nombre solo porque no se ha producido ninguna conflagración de carácter mundial, está otra vez en peligro de romperse ante cualquier paso irreversible e inaceptable, dado por los norteamericanos.

    “Y a nosotros, explotados del mundo, ¿cuál es el papel que nos corresponde? Los pueblos de tres continentes observan y aprenden su lección en Vietnam. Ya que, con la amenaza de guerra, los imperialistas ejercen su chantaje sobre la humanidad. No temer la guerra es la respuesta justa. Atacar dura e ininterrumpidamente en cada punto de confrontación, debe ser la táctica general de los pueblos”.

    Si Trotsky fue el profeta y teórico de la revolución permanente, Guevara es su héroe, su mártir. Que cometió errores, que no era un teórico del calibre de Marx, Lenin o Trotsky, que magnificó la técnica guerrillera del foco y las tres etapas, ¡vamos chicos!, como dirían los camaradas cubanos a los pedantes unidos de las cofradías izquierdistas de América y Europa, todos nosotros lo sabemos. Rosa Luxemburgo no le va a la zaga en errar en algunos problemas teóricos y Liebknecht no sabía muy bien lo que era la dialéctica, y son, sin embargo, grandes del proletariado y la revolución mundial.

    Nuestro Guevara ya lo es también, por derecho propio, por su vida, por sus enseñanzas, por su muerte. Pero por si eso no bastara, lo sería por haber acuñado en su último documento público, su carta testamento, la consigna y el programa de los explotados del mundo en este momento: “Hacer dos, tres, muchos Vietnam”. “Con cantos trágicos, con tableteos de ametralladoras y nuevos gritos de guerra y de victoria”, juramos hacerlo así, Comandante Guevara. Descansa en paz.

  • La extrema derecha abre las alas: la izquierda tiene que cerrar los puños

     

    Editorial 6 de octubre

    La extrema derecha está elevando el tono. Defiende la judicialización de la política y una “intervención” (golpe) militar, en caso de que la crisis política y social se agrave más. En el terreno de la cultura, avanza en la censura de las artes, en particular del arte LGBT. Defiende la enseñanza religiosa en las escuelas y el retorno de la infame “cura gay”.

    El movimiento LGBT ya se levantó contra los golpistas. Ahora, todos los movimientos sociales del pueblo explotado y oprimido necesitan unirse y contraatacar a la derecha.

    ¿La judicialización de la política resolvería el problema?

    Es visible la desmoralización del Congreso Nacional y de la Presidencia de la República ante la opinión pública. Las reformas de Temer y los ataques del Congreso a los trabajadores y a las personas oprimidas son ampliamente rechazados por la población.

    La corrupción, que siempre ha sido intensa en este país, deslegitima a los políticos tradicionales. Como consecuencia, el Poder Judicial gana fuerza política. Gran parte de los empresarios y de los poderosos, en particular los de los grandes medios y los fundamentalistas, apoyan esta ofensiva judicial. El discurso hipócrita es el de la necesidad de la “renovación” para “limpiar” la política.

    Sin embargo, en el actual sistema político y económico, es imposible una renovación verdadera. A pesar de la prohibición formal de que las empresas financien las candidaturas electorales, los grandes empresarios continúan arrojando dinero en los partidos y en los políticos del orden, por medios lícitos e ilícitos. João Dória, del PSDB, una de las nuevas apuestas de la burguesía, es el fiel retrato de eso. El Partido Nuevo, creado y mantenido por millonarios, también explica con claridad ese cuadro.

    Como si eso no bastara, la reaccionaria reforma político-electoral llevada a cabo por el Congreso creó un fondo, que será mantenido por el Estado, para financiar las campañas electorales de forma desigual, privilegiando a los partidos más grandes (PMDB, PSDB, PT, etc.). La cifra es escandalosa: 1.700 millones de reales del dinero público irá a parar en manos de las cúpulas partidarias.

    La judicialización de la política tiene también el objetivo de bloquear la candidatura de Lula, para que un candidato de la derecha tradicional pueda vencer en las próximas elecciones. Los extremistas de derecha también tienen interés en dar espacio a la candidatura de Bolsonaro, que ya fue condenado jurídicamente por machismo y racismo.

    ¿Existe “intervención militar” sin golpe?

    Los defensores de la “intervención” militar afirman que la forma de resolver la crisis política sería la acción de las Fuerzas Armadas en la política, destituyendo a la actual presidencia para, supuestamente, restaurar la democracia y apartar a los corruptos. Eso es una trampa. La historia demostró que, cada vez que los militares asumen el poder, el país se convierte en una dictadura, sin libertades para el pueblo. Ese discurso de “restaurar la democracia” es muy similar al discurso hecho para defender el golpe en 1964, que llevó al país a 25 años de dictadura.

    Durante el siglo veinte, varios golpes militares se realizaron en América Latina bajo la orden del gobierno de Estados Unidos. El objetivo era, en un contexto de guerra fría, eliminar cualquier posibilidad de avance de la lucha de los trabajadores y del pueblo pobre. La dictadura militar en Brasil fue uno de los regímenes más corruptos de nuestra historia.

    No creemos que exista el peligro inmediato de un golpe militar. Las amenazas, hoy, son otra forma de disputa ideológica y política de la derecha y, por eso, tenemos que combatirlas vigorosamente, sin vacilación y subestimación.

    Unir a los trabajadores y oprimidos contra el gobierno y la extrema derecha

    La izquierda necesita inmediatamente confrontarse política e ideológicamente con la extrema derecha, en particular contra Jair Bolsonaro, el MBL, los generales progolpe y otros fundamentalistas.

    Tenemos que comprender que las discusiones sobre la desnudez, la supuesta pedofilia y zoofilia en el arte son un discurso hipócrita. La desnudez y la semidesnudez están presentes desde hace mucho tiempo en las artes, los medios de comunicación, la prensa y la publicidad, en particular de las cervezas. Esta discusión comenzó justamente en un museo de arte LGBT y tiene el objetivo de retornar la discusión, tan presente en las dictaduras, de la defensa de la “moral y de las buenas costumbres”. No es sobre pedofilia, es sobre moralismo.

    La precandidatura de Bolsonaro, que utiliza dinero de la Cámara de Diputados para campañas político-electorales, necesita ser combatida desde ahora. Para ello, es necesaria una precandidatura de izquierda que sea alternativa al PT y denuncie a ese candidato reaccionario, racista, machista y LGBTfóbico.

    Es necesario, por un lado, convocar a los movimientos sociales y a los sindicatos a que se movilicen contra todos los ataques del gobierno, de los fundamentalistas y de la extrema derecha. Por otro lado, la izquierda necesita entrar con fuerza y ​​con voluntad en la disputa ideológica en defensa de los explotados y oprimidos. Cerremos los puños y  preparémonos para la lucha.

    Foto: Carol Burgos | Izquierda Online

  • Ampliar la resistencia contra Temer y las reformas

     

    Editorial del 5 de octubre

    El gobierno Temer está marcado por la corrupción y los ataques a los derechos de los trabajadores. Se trata del presidente más impopular desde el final de la Dictadura, según las encuestas de opinión.

    Es preciso reconocer que la situación política es desfavorable para el pueblo trabajador. Después de la aprobación de la PEC del congelamiento de los gastos sociales, de la reforma laboral, de la ampliación de la tercerización y de la reciente reforma reaccionaria del sistema electoral, se confirma, desgraciadamente, la caracterización de que vivimos una coyuntura de ofensiva de los ricos y poderosos contra el pueblo y sus derechos.

    No entender la gravedad del momento es un gran error. Al final, esto desarma la lucha de los trabajadores, de la juventud y del conjunto de los oprimidos.

    La exacta noción del momento difícil en que vivimos es que nos hace valorar la política de frente única para luchar. Es decir, la búsqueda de la unidad en la acción con todos los sectores, movimientos y entidades que quieren derrotar a Temer, las reformas y los ataques de la patronal.

    Así como desconocer la realidad adversa, también es un error no ver las posibilidades de resistencia de los trabajadores. En la actual coyuntura, es posible apostar a la ampliación de la resistencia.

    Asistimos, por ejemplo, a esos procesos de resistencia en la heroica huelga nacional de los trabajadores de Correos; en la emocionante Ocupación Pueblo Sin Miedo del MTST, en São Bernardo do Campo (SP); en la huelga de los metalúrgicos de la automotriz china Chery, en Jacareí (SP); en la lucha de los obreros químicos de Unilever, en Vinhedo (SP); en la huelga de los profesores y funcionarios de la UERJ contra el desmonte de la Universidad; en la movilización indígena en defensa de sus tierras, entre otras tantas luchas en curso.

    10 de noviembre: una nueva oportunidad

    El pasado viernes (29), una representativa plenaria, convocada por sindicatos de metalúrgicos vinculados a varias centrales sindicales, marcó un día nacional de luchas para el 10 de noviembre. La principal bandera es impedir la liquidación de los derechos.

    La definición de esta nueva fecha nacional se revela como una excelente oportunidad para ampliar y unificar las luchas de resistencia.

    Las centrales sindicales no pueden repetir el mismo error de la última huelga general, que fue abandonada pocos días antes de su realización. Se debe aprovechar esta fecha para realizar un gran esfuerzo de transformar el 10 de noviembre en un importante día de huelgas, paralizaciones y manifestaciones callejeras.

    Es hora de apostar a la movilización, para impedir los ataques, fortalecer las campañas salariales en curso e intentar impedir la aprobación de la descarada reforma de la seguridad social, que se sigue tramitando en el Congreso Nacional.

    Los funcionarios públicos deben ser parte fundamental de esta lucha. Al final, entre otros ataques, la bancada gubernamental ya amenaza con una iniciativa de acabar con la estabilidad en el empleo de estos trabajadores.

    La construcción del 10 de noviembre debe ser la prioridad de todos los movimientos que luchan contra los ataques de Temer y de los patrones. Nuestro objetivo debe ser confluir para esta fecha todas las movilizaciones en curso, realizando una preparación democrática y por la base.

    Un debate con Lula, el PT y la CUT

    Para derrotar estos ataques brutales, necesitamos una amplia unidad de toda izquierda.

    Desgraciadamente, la dirección del PT juega todas sus fichas a la disputa electoral de 2018, en lugar de priorizar la lucha directa de los trabajadores. Esperar las elecciones es un gran error, pues la lucha por mantener los derechos y derrotar los ataques es ahora.

    Por eso, es fundamental que la CUT y sus sindicatos, el PT y el propio Lula se comprometan, desde ahora, con la convocatoria y la construcción del 10 de noviembre.

    Sería positivo que la dirección petista estuviera realmente dispuesta a revisar los errores de sus gobiernos y de sus alianzas con la derecha, pero su política actual es el mantenimiento de los mismos acuerdos de antes, con las grandes empresas y los políticos reaccionarios y corruptos, como Renan Calheiros del PMDB.

    Por eso, no apoyamos el proyecto de la dirección del PT, que quiere reeditar, en torno a la candidatura de Lula, una nueva alianza con las grandes empresas, bancos y sectores de la vieja derecha golpista. Estamos por una nueva alternativa política, que pasa por la construcción del Frente de Izquierda Socialista. Por eso, estamos construyendo el PSOL y participando del debate programático en torno a la plataforma Vamos, impulsado por el Frente Pueblo Sin Miedo.

    A pesar de estas importantes diferencias con el PT, defendemos que la unidad para luchar no debe estar amenazada por las diferencias políticas y programáticas.

    Se equivoca el PT que quiere transformar las movilizaciones de los trabajadores en el palco electoral de Lula. Se equivocan también los sectores que rompen las manifestaciones por la presencia de los líderes petistas.

    El momento es de unidad para luchar, de que apostemos por la ampliación de la resistencia, debatiendo en las calles una nueva alternativa política de izquierda y socialista para el país.

  • A extrema-direita abre as asas: a esquerda tem que fechar os punhos

    Editorial 6 de outubro,

    A extrema-direita está elevando o tom. Defendem a judicialização da política. E uma “intervenção” (golpe) militar, caso a crise política e social se agrave mais. No terreno da cultura, avançam na censura das artes, em particular da arte LGBT. Defendem o ensino religioso nas escolas e o retorno da infame “cura gay”.

    O movimento LGBT já se levantou contra os golpistas. Agora, todos os movimentos sociais do povo explorado e oprimido precisam se unir e contra-atacar a direita.

    A judicialização da política resolveria o problema?
    É visível a desmoralização do Congresso Nacional e da Presidência da República perante a opinião pública. As reformas de Temer e os ataques do Congresso aos trabalhadores e às pessoas oprimidas são amplamente rejeitas pela população.

    A corrupção, que sempre foi intensa neste país, deslegitima os políticos tradicionais. Como consequência, o judiciário ganha força política. Grande parte dos empresários e dos poderosos, em particular os da grande mídia e os fundamentalistas, apoiam esta ofensiva judicial. O discurso, hipócrita, é o da necessidade da “renovação”, para “limpar” a política.

    Entretanto, no atual sistema político e econômico, é impossível uma renovação verdadeira. Apesar da proibição formal de que as empresas financiem as candidaturas eleitorais, os grandes empresários continuam despejando dinheiro nos partidos e nos políticos da ordem, por meios lícitos e ilícitos. João Dória, do PSDB, uma das novas apostas da burguesia, é o retrato fiel disso. O Partido Novo, criado e mantido por milionários, também explicita esse quadro.

    Não bastasse isso, a  reacionária reforma político-eleitoral levada a cabo pelo Congresso criou um fundo, que será mantido  pelo Estado, para financiar as campanhas eleitorais de forma desigual, privilegiando os maiores partidos (PMDB, PSDB, PT, etc.). A cifra é escandalosa: 1,7 bilhão do dinheiro público vai parar nas mãos das cúpulas partidárias.

    A judicialização da política tem, também, o objetivo de barrar a candidatura de Lula, para que um candidato da direita tradicional consiga vencer as próximas eleições. Os extremistas de direita também têm o interesse em dar espaço para a candidatura do Bolsonaro, que já foi condenado juridicamente por machismo e por racismo.

    Existe “intervenção militar” sem golpe?
    Os defensores da “intervenção” militar afirmam que a forma de resolver a crise política seria a ação das Forças Armadas na política, destituindo a atual presidência para supostamente restaurar a democracia e afastar os corruptos. Isso é uma armadilha. A História demonstrou que, vez após vez, quando os militares assumem o poder, o país se torna uma ditadura, sem liberdades quaisquer para o povo. Esse discurso de “restaurar a democracia” é bem semelhante ao discurso feito para defender o golpe em 1964, que levou o país a 25 anos de ditadura.

    Durante o século vinte, vários golpes militares foram feitos na América Latina sob a ordem do governo dos Estados Unidos. O objetivo era, num contexto de guerra fria, barrar qualquer possibilidade de avanço da luta dos trabalhadores e do povo pobre. A ditadura militar no Brasil foi um dos regimes mais corruptos da  nossa história.

    Não acreditamos que exista o perigo imediato de um golpe militar. As ameaças, hoje, são mais uma forma de disputa ideológica e política da direita e, por isso, temos que combatê-las vigorosamente, sem hesitação e subestimação.

    Unir os trabalhadores e oprimidos contra o governo e a extrema-direita
    A esquerda precisa imediatamente se confrontar política e ideologicamente com a extrema-direita, em particular contra Jair Bolsonaro,  o MBL, os generais pró-golpe e outros fundamentalistas.

    Temos que compreender que as discussões sobre a nudez, a suposta pedofilia e zoofilia na arte são um discurso hipócrita. A nudez e a seminudez estão presentes há muito tempo nas artes, na mídia, na imprensa e na publicidade, em particular das cervejas. Essa discussão começou justamente num museu de arte LGBT e tem o objetivo de retornar a discussão, tão presente nas ditaduras, da defesa da “moral e dos bons costumes”. Não é sobre pedofilia, é sobre moralismo.

    A pré-candidatura de Bolsonaro, que utiliza dinheiro da Câmara dos Deputados para campanhas político-eleitorais, precisa ser combatida desde já. Para isso, é necessária uma pré-candidatura de esquerda que seja alternativa ao PT e denuncie esse candidato reacionário, racista, machista e LGBTfóbico.

    É preciso, por um lado, convocar os movimentos sociais e os sindicatos a se mobilizarem contra todos os ataques do governo, dos fundamentalistas e da extrema-direita. Por outro, a esquerda precisa entrar com força e com vontade na disputa ideológica em defesa dos explorados e oprimidos. Fechemos os punhos e nos preparemos para a luta.

    Foto: Carol Burgos | Esquerda Online

  • Ampliar a resistência contra Temer e as Reformas

    Editorial de 05 de outubro,

    O governo Temer é marcado pela corrupção e pelos ataques aos direitos dos trabalhadores. Trata-se do presidente mais impopular desde o fim da Ditadura, segundo as pesquisas de opinião.

    É preciso reconhecer que a situação política é desfavorável ao povo trabalhador. Depois da aprovação da PEC do congelamento dos gastos sociais, da reforma trabalhista, da ampliação da terceirização e da recente reforma reacionária do sistema eleitoral, confirma-se, infelizmente, a caracterização de que vivemos uma conjuntura de ofensiva dos ricos e poderosos contra o povo e seus direitos.

    Não entender a gravidade do momento é um grande erro. Afinal, isso desarma a luta dos trabalhadores, da juventude e do conjunto dos oprimidos.

    A exata noção do momento difícil em que vivemos é que nos faz valorizar a política de frente única para lutar. Ou seja, a busca da unidade na ação com todos os setores, movimentos e entidades que querem derrotar Temer, as reformas e os ataques da patronal.

    Assim como desconhecer a realidade adversa, também é um erro não ver as possibilidades de resistência dos trabalhadores. Na atual conjuntura, é possível apostar na ampliação da resistência.

    Assistimos, por exemplo, a esses processos de resistência na heróica greve nacional dos trabalhadores dos Correios; na emocionante Ocupação Povo Sem Medo do MTST, em São Bernardo do Campo (SP); na greve dos metalúrgicos da montadora chinesa Chery, em Jacareí (SP); na luta dos operários químicos da Unilever, em Vinhedo (SP); na greve dos professores e funcionários da UERJ contra o desmonte da Universidade; na mobilização indígena em defesa de suas terras, entre outras tantas lutas em curso.

    10 de novembro: uma nova oportunidade
    Na última sexta-feira (29), uma representativa plenária, convocada por sindicatos de metalúrgicos ligados a várias centrais sindicais, marcou um dia nacional de lutas para 10 de novembro. A principal bandeira é impedir a retirada de direitos.

    A definição desta nova data nacional se revela como uma excelente oportunidade para ampliarmos e unificarmos as lutas de resistência.

    As centrais sindicais não podem repetir o mesmo erro da última greve geral, que foi abandonada poucos dias antes de sua realização. Deve-se aproveitar esta data para realizar um grande esforço de transformar o dia 10 de novembro num importante dia de greves, paralisações e manifestações de rua.

    É hora de apostar na mobilização, para impedir os ataques, fortalecer as campanhas salariais em curso e tentar impedir a aprovação da famigerada reforma da previdência, que segue tramitando no Congresso Nacional.

    Os funcionários públicos devem ser parte fundamental desta luta. Afinal, entre outros ataques, a bancada governista já ameaça com uma iniciativa de acabar com a estabilidade no emprego destes trabalhadores.

    A construção do dia 10 de novembro deve ser a prioridade de todos os movimentos que lutam contra os ataques de Temer e dos patrões. Nosso objetivo deve ser confluir para esta data todas as mobilizações em curso, realizando uma preparação democrática e pela base.

    Um debate com Lula, o PT e a CUT
    Para derrotar estes ataques brutais, precisamos de uma ampla unidade de toda esquerda.

    Infelizmente, a direção do PT joga todas as suas fichas na disputa eleitoral em 2018, ao invés de priorizar a luta direta dos trabalhadores. Esperar as eleições é um grande erro, pois a luta por manter os direitos e derrotar os ataques é agora.

    Por isso, é fundamental que a CUT e seus sindicatos, o PT e o próprio Lula se comprometam, desde já, com a convocação e a construção do dia 10 de novembro.

    Seria positivo que a direção petista estivesse realmente disposta a rever os erros de seus governos e de suas alianças com a direita, mas a sua política atual é a manutenção dos mesmos acordos de antes, com as grandes empresas e os políticos reacionários e corruptos, como Renan Calheiros do PMDB.

    Por isso, não apoiamos o projeto da direção do PT, que quer reeditar, em torno da candidatura de Lula, uma nova aliança com as grandes empresas, bancos e setores da velha direita golpista. Estamos por uma nova alternativa política, que passa pela construção da Frente de Esquerda Socialista. Por isso, estamos construindo o PSOL e participando do debate programático em torno da plataforma Vamos, impulsionado pela Frente Povo Sem Medo.

    Apesar dessas importantes diferenças com o PT, defendemos que a unidade para lutar não deve estar ameaçada pelas diferenças políticas e programáticas.

    Erra o PT que quer transformar as mobilizações dos trabalhadores em palanque eleitoral de Lula. Se equivocam também os setores que rompem as manifestações pela presença das lideranças petistas.

    O momento é de unidade para lutar, de apostarmos na ampliação da resistência, debatendo nas ruas uma nova alternativa política de esquerda e socialista para o país.

  • Rebelión en Cataluña

     

    Editorial del 2 de octubre

    A pesar de la represión brutal, millones acudieron a las urnas en un referéndum sobre la independencia de Cataluña el domingo (1). Desafiando las barreras, las balas de goma y cachiporras policiales, el pueblo catalán luchó valientemente por el derecho a la libertad.

    De los 2.262.424 votos emitidos, 2.020.144 (90,09%) fueron a favor del “sí”, 176.565 (7,87%) del “no”; y blancos y nulos sumaron el 2,92%.

    Con la aplastante victoria del “sí”, el presidente del gobierno catalán, Carles Puigdemont, afirmó que la independencia será proclamada en los próximos días. “Nosotros, los ciudadanos de Cataluña, ganamos el derecho a tener un Estado independiente que se constituya en la forma de una República”, declaró. Puigdemont llevará al parlamento local los resultados de la consulta, para que este actúe “como prevé la ley del referéndum”.

    En Madrid, el conservador Mariano Rajoy, primer ministro del Estado monárquico español, afirmó que el referéndum fue ilegal y que no reconocerá el resultado. El presidente intentó justificar el uso de la violencia policial, que hirió a más de 800 personas. “Hicimos lo que había que hacer”, “no hubo referéndum, asistimos a una mera puesta en escena”, declaró. Rajoy anunció que convocará a todos los partidos con representación parlamentaria para debatir las consecuencias de la rebelión catalana.

    Los medios de comunicación, partidarios de la monarquía española, dispararon ataques furiosos. El diario El País publicó un editorial en el que afirma que hay que detener la “insurrección”. La Razón pidió “firmeza frente al golpe”. Los medios de comunicación expresan de este modo la posición de la burguesía española, que a pesar de hacer algunas críticas a la inhabilidad política de Rajoy, exige “pulso firme” para derrotar al movimiento por la independencia.

    En contrapartida, en defensa del referéndum los sindicatos de trabajadores de Cataluña y entidades civiles prometen una paralización general este martes (3). Los movimientos sociales, estudiantiles y democráticos también irán a las calles. La lucha del pueblo catalán despertó enorme solidaridad internacional.

    La represión es derrotada

    El gobierno español intentó impedir por la fuerza la realización de la consulta democrática. El primer ataque vino del Tribunal Constitucional español, que declaró ilegal el referéndum. Amparándose en esta ofensiva judicial, Rajoy desencadenó una brutal represión policial.

    Días antes de la consulta, varias autoridades catalanas fueron detenidas y las manifestaciones fueron reprimidas en nombre de la “legalidad”. El domingo, la escala represiva subió a niveles chocantes, recordando los tiempos de la dictadura de Franco. La guardia regional catalana -los Mossos d’Esquadra-, se negó a reprimir a las personas que dirigían la votación, el gobierno central envió a la Policía Nacional y a la Guardia Civil.

    Las escenas que se vieron revelaron un régimen dispuesto a pisotear la democracia. Los policías cerraron 319 centros de votación, golpearon a las personas en las filas, incluso ancianos, dispararon balas de goma y lanzaron gases a la población. Un hombre de 70 años infartó durante una acción represiva y fue llevado en estado crítico al hospital. Las imágenes de personas ensangrentadas se extendieron por las redes sociales, causando conmoción e indignación. El velo democrático se deshizo y la cara autoritaria del Estado español asustó al mundo.

    Sin embargo, la brutal represión no logró detener al pueblo catalán y su movilización por la libertad de elección. Miles de manifestantes se enfrentaron a las fuerzas policiales para garantizar el acceso a las urnas. Los bomberos formaron cordones para dar seguridad a los ciudadanos. Fueron incontables los ejemplos de valor y determinación democrática. Al final, la fuerza de un pueblo en lucha derrotó a la sangrienta represión.

    Rodear de solidaridad a Cataluña

    La lucha del pueblo catalán por el derecho a la independencia debe ser apoyada por los trabajadores y los pueblos en todo el mundo. Es hora de la máxima solidaridad. Deben realizarse actos en las embajadas, declaraciones de las organizaciones políticas y sindicales y el apoyo político en las redes sociales. Es necesario abrazar a Cataluña y denunciar la abominable represión del Estado español.

    La victoria de los catalanes será una victoria de todos los que luchan por el derecho democrático de la autodeterminación de los pueblos. El triunfo de Cataluña fortalecerá la lucha de los pueblos oprimidos en todo el mundo.

    Los trabajadores y la juventud de Cataluña deben confiar en sus propias fuerzas. Solo la lucha organizada podrá garantizar que el resultado del referéndum sea respetado.

    Los próximos días serán decisivos. El gobierno de Rajoy, probablemente con el apoyo de las potencias centrales de Europa, aumentará los ataques y la represión. Existe la posibilidad real de intervención militar.

    La lucha por la libertad de los pueblos tiene hoy en Barcelona su principal escenario de batalla. ¡Estemos todos con los catalanes!

     

  • Rebelião na Catalunha

    Editorial de 02 de outubro,

    Apesar da brutal repressão, milhões foram às urnas no referendo sobre a independência da Catalunha neste domingo (1). Desafiando as barreiras, as balas de borracha e os porretes policiais, o povo catalão lutou bravamente pelo direito à liberdade.

    Dos 2.262.424 votos emitidos, 2,020,144 (90,09%) foram a favor do “sim”, 176.565 (7,87%) do “não”; e brancos e nulos somaram 2,92%.

    Com a esmagadora vitória do “sim”, o presidente do governo catalão, Carles Puigdemont, afirmou que a independência será proclamada nos próximos dias. “Nós, os cidadãos da Catalunha, ganhamos o direito a ter um Estado independente que se constitua na forma de uma República”, declarou. Puigdemont levará ao parlamento local os resultados da consulta, para que este atue “como prevê a lei do referendo”.

    Em Madrid, o conservador Mariano Rajoy, premiê do Estado monárquico Espanhol, afirmou que o referendo foi ilegal e que não reconhecerá o resultado. O presidente tentou justificar o uso da violência policial, que feriu mais de 800 pessoas. “Fizemos o que havia que ser feito”, “não houve referendo, assistimos a uma mera encenação”, declarou. Rajoy anunciou que convocará todos os partidos com representação parlamentar para debater as consequências da rebelião catalã.

    A grande imprensa, partidária da monarquia espanhola, disparou ataques furiosos. O jornal El País publicou um editorial em que afirma que é preciso deter a “insurreição”. O La Razón pediu “firmeza frente ao golpe”. A mídia expressa, desse modo, a posição da burguesia espanhola, que apesar de tecer algumas críticas à inabilidade política de Rajoy, exige “pulso firme” para derrotar o movimento pela independência.

    Do outro lado, em defesa do referendo, os sindicatos de trabalhadores da Catalunha e entidades civis prometem uma paralisação geral nesta terça (3). Movimentos sociais, estudantis e democráticos também irão às ruas. A luta do povo catalão despertou enorme solidariedade internacional.

    Repressão é derrotada

    O governo espanhol tentou impedir pela força a realização da consulta democrática. O primeiro ataque veio do Tribunal Constitucional espanhol, que declarou o referendo ilegal. Amparando-se nesta ofensiva judicial, Rajoy desencadeou uma brutal repressão policial.

    Dias antes da consulta, diversas autoridades catalãs foram detidas e manifestações foram reprimidas em nome da “legalidade”. Neste domingo, a escala repressiva subiu a níveis chocantes, relembrando os tempos da ditadura de Franco. Como a guarda regional catalã, Los Mossos, se recusou a reprimir as pessoas que dirigiam à votação, o governo central enviou a Polícia Nacional e a Guarda Civil.

    As cenas vistas revelaram um regime disposto a pisotear a democracia. Policiais fecharam 319 centros de votação, espancaram pessoas nas filas, inclusive idosos, disparam balas de borracha e lançaram gás na população. Um homem de 70 anos infartou durante uma ação repressiva e foi levado em estado crítico ao hospital. Imagens de pessoas ensangüentadas se espalharam pelas redes sociais, causando comoção e indignação. O véu democrático se desfez e a face autoritária do Estado Espanhol assustou o mundo.

    Porém, a brutal repressão não conseguiu deter o povo catalão e sua mobilização pela liberdade de escolha. Manifestantes, aos milhares, enfrentaram as forças policiais para garantir o acesso às urnas. Bombeiros formaram cordões para dar segurança aos cidadãos. Foram incontáveis os exemplos de coragem e determinação democrática. Ao final, a força de um povo em luta derrotou a sangrenta repressão.

    Cercar a Catalunha de solidariedade 

    A luta do povo catalão pelo direito à independência deve ser apoiada pelos trabalhadores e os povos em todo mundo. É hora de máxima solidariedade. Atos nas embaixadas, apoio político nas redes sociais e declaração das organizações políticas e sindicais devem ser feitos. É preciso abraçar a Catalunha e denunciar a abominável repressão do Estado espanhol.

    A vitória dos catalães será uma vitória de todos que lutam pelo direito democrático de autodeterminação dos povos. O triunfo da Catalunha fortalecerá a luta dos povos oprimidos em todo mundo.

    Os trabalhadores e a juventude da Catalunha devem confiar em suas próprias forças. Apenas a luta organizada poderá garantir que o resultado do referendo seja respeitado.

    Os próximos dias serão decisivos. O governo de Rajoy, provavelmente com apoio das potências centrais da Europa, aumentará os ataques e a repressão. Existe a real possibilidade de intervenção militar.

    A luta pela liberdade dos povos tem hoje em Barcelona o seu principal palco de batalha. Estejamos todos com os catalães!