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  • Visita de Bolsonaro a Trump põe em risco a soberania e ameaça Petrobrás

    Os próximos dias serão marcados pela primeira visita de Jair Bolsonaro aos Estados Unidos da América. A comitiva viaja no dia 17 (domingo), e no dia 19 (terça-feira) ocorrerá o esperado encontro entre Trump e Bolsonaro. Para os brasileiros, muito interessa o resultado desse encontro, pois pode significar mais um passo rumo à subordinação total da política externa e da economia do país aos interesses dos empresários e banqueiros estadunidenses.

    Petrobrás e empregos no país têm muito a perder com parceria Trump-Bolsonaro

    A Petrobrás tem sido vítima de uma verdadeira auto-sabotagem em relação à sua participação no mercado de combustíveis no Brasil, ao menos desde o início da gestão Pedro Parente, em 2016, logo no início do governo Temer. Através de uma política de preços alinhada ao mercado internacional que fez explodir o preço do diesel, gasolina e gás de cozinha no país, o que resultou nas greves dos caminheiros e petroleiros em 2018, também permitiu que a partir de 2017 o país batesse recorde na importação de derivados de petróleo e a Petrobrás perdesse substancial participação de mercado.

    Não por coincidência, em 2017 os produtores estadunidenses eram responsáveis por vender ao Brasil 80% do que o país importou de diesel e 60% do que importou de gasolina.

    Essa trajetória é coerente com os objetivos anunciados por Roberto Castello Branco, presidente da Petrobrás indicado por Bolsonaro, que pretende entregar mais de 50% da atual capacidade de refino da Petrobrás para as mãos da iniciativa privada, onde certamente as grandes multinacionais petrolíferas dos Estados Unidos terão interesse em abocanhar mais espaço naquele que é o sétimo maior mercado de derivados de petróleo no mundo.

    Nesse mesmo período, a Petrobrás bateu recorde na exportação de óleo cru, um produto primário, ao mesmo tempo em que as refinarias da Petrobrás, que transformam o petróleo em produto acabado para o uso como combustível, retrocederam a sua produção aos níveis de 2010, quando havia uma refinaria a menos no sistema, mantendo ociosos em torno de 28% de sua capacidade, no primeiro semestre de 2018.

    No entanto, se é verdade que a Petrobrás aumentou a exportação de petróleo, está nítido que a atual gestão da empresa apoia a entrega de campos do pré-sal através de leilões e da cessão do seu direito de produzir as reservas contidas na cessão onerosa a suas concorrentes. Essas políticas enfraquecem a empresa no cenário da indústria do petróleo, porque fortalece a concorrência, além de submeter uma riqueza nacional aos interesses de acionistas das multinacionais estrangeiras sem qualquer preocupação com a geração de emprego no Brasil, ou com a preservação do nosso meio-ambiente, assim como das nossas reservas energéticas.

    O impacto das medidas no emprego são gritantes: a Petrobrás que já chegou a contar, em 2013, com mais de 380 mil funcionários diretos e indiretos, hoje conta com aproximadamente 100 mil. Além dos programas de demissões voluntárias para os empregados diretos, a paralisação de obras e projetos a partir da Lava Jato exterminou mais de duzentos mil postos de trabalho entre os empregados indiretos.

    Por isso, algumas bases petroleiras no país devem realizar atos e atividades no dia 19/03, mesmo dia do encontro entre Bolsonaro e Trump, denunciando a ameaça que significa essa parceria para o futuro da Petrobrás e de toda a população brasileira, em especial os mais pobres.

    Indústria bélica quer lucrar com possíveis acordos

    O primeiro projeto de lei do senador pelo Rio de Janeiro Flávio Bolsonaro pretende permitir a instalação de fábricas de armas privadas, inclusive multinacionais, alterando legislação promulgada em 1934, por Getúlio Vargas.

    Sendo assim, não é coincidência que a principal marca da campanha a presidente de Bolsonaro tenha sido a famosa arminha com a mão, utilizando inclusive crianças nesse ritual de exaltação da violência, e que uma de suas primeiras medidas como presidente tenha sido a flexibilização das regras para posse de armas.

    Tampouco é coincidência a promessa de campanha de Bolsonaro que prometia a mudança da embaixada brasileira em Israel para Jerusalém, em nítida afronta à luta do povo palestino em defesa dos seus direitos como nação, mas sinalizando a Israel, um Estado policial que sobrevive de exportar tecnologia militar e armas sob a proteção dos Estados Unidos, que este teria mais um aliado também do ponto de vista comercial.

    Aliança fortalece crescimento da extrema-direita no mundo

    Desde a campanha eleitoral, ficou nítido o alinhamento ideológico e na política externa da família Bolsonaro com o atual governo estadunidense. Steve Bannon, que é um dos principais aliados de Trump, e responsável pela estratégia da campanha do republicano baseada em fake news e forte uso das redes sociais, prestou assessoria e realizou um encontro com Eduardo Bolsonaro ainda no ano passado.

    Do ponto de vista ideológico, os principais laços entre Trump e a família Bolsonaro são o empenho na construção de uma internacional de extrema-direita, fortemente baseada em ideias racistas, contra as mulheres, LGBTs e imigrantes, que recicla o anti-comunismo para o século XXI, elegendo Cuba e Venezuela como alvos a serem combatidos.

    Já na política externa, Ernesto Araújo foi escolhido por ser discípulo de Olavo de Carvalho, um filósofo brasileiro que mora há anos nos Estados Unidos da América e é admirador confesso de Trump e de seu grupo político. Em suas primeiras declarações como ministro disse que Trump teria como missão salvar o Ocidente do “globalismo”, que supostamente seria uma corrente de pensamento hegemônica no mundo, e que resultaria na destruição dos valores cristãos e da família tradicional, além de favorecer o expansionismo econômico e geopolítico da China.

    Na prática, no entanto, esse discurso serviu de base para que o Brasil estivesse entre os mais de 50 países que reconheceram Juan Guaidó como presidente auto-proclamado da Venezuela, mesmo que este nunca tenha participado de eleições para o cargo, ao passo que Maduro foi eleito em meados de 2018.

    Além de apoiar o aumento do isolamento político e econômico que tem destruído a já frágil economia da Venezuela e levado o seu povo a uma situação de miséria, o governo Bolsonaro também patrocinou a aventura da entrega dos dois caminhões das supostas ajudas humanitárias, que resultou em mortes de venezuelanos e nada mais, numa vergonhosa posição de bucha de canhão da política externa de Trump.

    Ainda no campo militar, o acordo para que a Base de Alcântara, no Maranhão, seja utilizada pelas Forças Armadas dos Estados Unidos para lançamento de foguetes significa, na prática, que o país militarmente mais poderoso do mundo, e conhecido por desrespeitar a soberania dos países por onde passa, terão livre acesso a uma instalação militar brasileira.

    Soma-se a isso a possibilidade de que Bolsonaro sele acordos comerciais desvantajosos para o Brasil, em detrimento de acordos com a China, tudo em nome de aparecer para Trump como um cão de guarda fiel, como no caso da liberação de vistos para cidadãos estadunidenses entrarem no Brasil sem exigir qualquer contrapartida, enquanto muitos brasileiros são deportados ou vivem de forma ilegal há anos nos Estados Unidos.

    Trump e Bolsonaro representam um fenômeno mundial, que é o fortalecimento de alternativas políticas de extrema-direita e neofascistas, que tem como característica o rechaço aos mecanismos tradicionais da relação entre os Estados nacionais, como acordos comerciais, militares e até mesmo acordos sobre o meio ambiente.

    Na América Latina, houve uma verdadeira onda que, seja através de eleições ou através de golpes, substituiu governos ligados a organizações de esquerda e frutos de processos de ascenso popular, por governos populista de direita, neoliberais, alguns com elementos neofascistas, como Bolsonaro. Na Europa, esse fenômeno também pode ser notado de forma mais emblemática na Hungria, Polônia, Ucrânia, mas também em países centrais, como a França. Na Ásia, podemos citar o exemplo mais brutal nas Filipinas, com Rodrigo Duterte, mas podemos ver na Índia que a onda conservadora atingiu um dos países mais populosos do mundo.

    Essa aproximação ocorre no mesmo momento no qual a corrida pela reforma da Previdência já foi iniciada pelo governo e, caso aprovada, significará mais recursos públicos transferidos para o pagamento dos juros da dívida pública, que só aumenta, e que tem como credores fundos e especuladores dos Estados Unidos.

    Enfrentar as reformas econômicas e defender a vida das mulheres e dos jovens negros

    Os brasileiros já sentem na pele os efeitos dos primeiros meses do governo Bolsonaro, através do aumento da violência contra as mulheres e a escalada de violência policial que extermina jovens negros das periferias das grandes cidades. Além disso, está cada dia mais escancarada as relações entre a família Bolsonaro e as milícias, estando alguns desses milicianos diretamente ligados ao assassinato de Marielle Franco.

    Por isso, é fundamental que os objetivos da visita de Bolsonaro a Trump sejam denunciados, como parte de uma campanha em defesa dos nossos direitos, da vida dos setores mais explorados no nosso país, contra as privatizações e em defesa da soberania do Brasil, assim como a soberania do povo venezuelano.

    No dia 22/03, está marcado um dia nacional de mobilizações, que deve unir as centrais sindicais e diversos sindicatos, além da Frente do Povo Sem Medo e Frente Brasil Popular, cujo foco é enfrentar a Reforma da Previdência, como primeiro passo para derrotar o governo Bolsonaro e os seus objetivos contra a maioria da população e contra os interesses soberanos do Brasil.

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  • Rapinagem financeira e a “Desvinculação orçamentária” de Paulo Guedes: é o fim do SUS?

    A sociedade brasileira foi, mais uma vez, fortemente atacada com o anúncio da proposta de uma emenda constitucional do ministro Paulo Guedes que busca desvincular R$ 1,5 trilhão do Orçamento federal, dando prosseguimento à avalanche de perda de direitos sociais que vem sendo, exaustivamente, adotada pelo atual governo. A proposta é totalmente alinhada com o golpe institucional em curso no Brasil, desde 2016, sendo intensificado pelo governo Bolsonaro, à medida que acirra a expropriação dos direitos sociais. Isto porque, tal proposta destrói a luta histórica pela vinculação constitucional dos recursos orçamentários para a educação e saúde no país nas três esferas de governo, já conquistada há muito tempo para assegurar recursos financeiros para as áreas sociais, tão prejudicados historicamente pela adoção de políticas econômicas (neo) liberais.

    Recentemente, os brasileiros e as brasileiras foram comunicados com a perda de R$ 9,7 bilhões de reais no financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS), acumulado nos últimos dois anos, em plena vigência da Emenda Constitucional n. 95/2016 que congelou o gasto público em saúde por 20 anos, tendo como regra a vinculação de 15% da Receita Corrente Líquida (RCL) de base fixa de 2017. Fica a indagação: se com essa vinculação insuficiente o SUS já vem perdendo recursos e como seria sem ela? Para deixar evidente nosso alerta, é fundamental uma brevíssima história da perda de recursos orçamentários em que o SUS vem sofrendo.

    Diferentemente da educação, que ficou estabelecida sua vinculação de recursos com a criação da Constituição de 1988, a saúde foi marcada por intensos conflitos que se arrastam desde os anos 1990, sendo somente conquistada a vinculação de recursos com a Emenda Constitucional n. 29/2000. Essa emenda estabeleceu que estados e municípios deveriam alocar, no mínimo, 12% e 15%, respectivamente, do total das receitas de impostos, compreendidas as transferências constitucionais. No tocante à União, a EC-29 determinou que fosse aplicado o valor apurado no ano anterior, corrigido pelo PIB nominal.

    Mesmo com essa vinculação, os estados somente foram respeitar esse percentual de 12% em 2006, alcançando um patamar um pouco mais elevado em 2016, com a aplicação, em média, de 14,4%. Essa postura dos Estados vem evidenciando sua pouca responsabilidade no cofinanciamento do SUS. Os municípios foram os únicos que já no ano inaugural da EC-29 quase aplicavam, em média nacional 15%, atingindo em 2016, 24%.

    Já no caso do governo federal, não faltaram intensas polêmicas no período posterior à EC-29 sobre a sua base de cálculo, levando a que esse ente não aplicasse o montante correto e necessário para manter o SUS. Mesmo com esse problema constatado em nível do governo federal, contrário à EC-29, a avaliação é que a sua aprovação permitiu que o gasto SUS (incluindo as três esferas) aumentasse de 2,9% do PIB, em 2000, para 3,9% do PIB, em 2010, sobretudo com o esforço dos municípios e dos estados. Mas, sabe-se que ainda se trata de um patamar de aplicação insuficiente para ser universal e para garantir o atendimento integral, haja vista que dados de sistemas universais de saúde no mundo são sustentados razoavelmente quando seus governos centrais investem, minimamente, 8% do PIB no gasto público em saúde.

    Como se questionava o compromisso do governo federal na aplicação devida em saúde, por meio de sua base de cálculo, lutou-se muitos anos por sua regulamentação com modificações dessa base. É preciso que se lembre dos embates contra a vinculação de recursos da EC-29 que houve na equipe econômica do governo Lula, desde os seus primeiros anos. Não faltaram documentos encaminhados ao Fundo Monetário Internacional, comunicando sua intenção em preparar estudos sobre as problemáticas implicações das vinculações constitucionais das despesas sociais sobre as receitas dos orçamentos da União. A justificativa era quase a mesma do atual governo de Bolsonaro, à medida que alegavam que a flexibilização da alocação de recursos públicos relacionados ao financiamento dos direitos sociais poderia assegurar um crescimento ao país. Foi com muita luta social que não se permitiu eliminar a vinculação, mantendo-se a EC-29.

    Na realidade, a regulamentação da EC-29, que tentava mudar a base de cálculo com o mesmo conteúdo definido para estados e municípios, isto é, um percentual que incidisse sobre o total dos impostos, ficou pendente por quase oito anos no Congresso, entre 2003 e 2011, causando perda de recursos para o SUS e enfraquecimento do consenso político obtido, quando de sua aprovação. Somente em 2012 foi aprovada a regulamentação por meio da Lei n. 141. Contudo, nada foi modificado em relação à frágil base de vinculação dos recursos da União. Entre 1995 a 2016, o gasto do MS não foi alterado, mantendo-se 1,7% do PIB, enquanto que o gasto com juros da dívida representou, em média, 6,6%. Neste sentido, é possível perceber o que o compromisso dos governos federais foi muito mais com o capital financeiro do que com a saúde pública. O importante é assinalar que foram diversas situações em que os constrangimentos econômicos, especialmente os derivados do esforço da lógica da política econômica restritiva aliada ao capital rentista dos governos Fernando Henrique e, na sequência, Lula e Dilma Rousseff, refletiram-se em ações que resultariam em menor disponibilidade de recursos para a saúde pública.

    Passou-se a ser voz corrente, entre todos que se indignavam com a situação problemática da saúde pública no país, se referir ao SUS como um sistema subfinanciado. Esse subfinanciamento foi intensificado mais ainda com a aprovação da EC 86/2015. Ficou alterada a base de vinculação de aplicação do governo federal para 13,2% da Receita Corrente Líquida (RCL), em 2016, elevando-se de forma escalonada, até alcançar 15% da RCL, em 2020. O problema é que em 2015 o percentual executado de aplicação tinha sido de 15%. Daí diversos estudos apontarem que, com essa mudança, ficou evidenciada uma perda de recursos em cerca de R$ 9,2 bilhões para o orçamento da saúde já em 2016.

    Apesar do avanço que significou a criação do SUS, em 2016, seu gasto foi de 3,9% do PIB (União – 1,7%, estados – 1,0% e municípios – 1,2%), enquanto o gasto público em saúde na média dos países europeus com sistemas universais correspondeu a 8,0%.

    Com o Golpe de Estado de novo tipo, em 2016, que levou ao impeachment de Dilma, agudizou-se o processo de destruição dos direitos sociais e, na área da saúde o esmagamento do financiamento do SUS parece ter ganho um ritmo considerável com a introdução da EC-95, congelando as despesas primárias, e não as financeiras, por 20 anos. Trata-se da introdução de uma das maiores medidas de austeridade defendida pelos arautos do capital financeiro, correspondendo ao “tacão de ferro” no histórico subfinanciamento do SUS.

    Com a EC-95, a vinculação do piso federal fica congelada ao parâmetro de aplicação mínima no valor monetário correspondente a 15% da receita corrente líquida (RCL) de 2017 – base fixa -, atualizado anualmente tão somente pela variação do IPCA/IBGE, até 2036.

    O subfinanciamento do SUS que já vinha determinado por um patamar insuficiente, passa a um processo de desfinanciamento, descendo gradativamente seu valor em relação à arrecadação. Os dados dos últimos anos são contundentes para sustentar essa assertiva. Vejamos.

    Os pisos federais de 2018 e 2019, calculados em acordo à regra dessa Emenda, representam, na realidade, uma redução de recursos para a saúde pública no Brasil. Isto porque, reafirmamos que a base fixa é de 2017, sendo 15,0% da RCL (R$ 727,3 bilhões) desse ano, o que corresponde a uma aplicação de ações e serviços públicos de saúde de R$ 109,1 bilhões. A variação para os anos posteriores ocorre apenas por meio da variação do IPCA/IBGE. Então, observa-se uma queda dos percentuais utilizados, sendo 13,95% em 2018 (R$ 112, 3 bilhões), reduzindo em R$ 4,2 bilhões seu valor real em relação aos 15% da RCL (R$ 116, 6 bilhões). Se somarmos a perda de 2018 com a de 2019 – (estimada), com base nos parâmetros apresentados na Lei Orçamentária de 2019, apura-se 13,85% da RCL (R$ 117,2 bilhões), atingindo o patamar de R$ 9,7 bilhões que são retirados da saúde em dois anos, já que nesse ano a relação aos 15% da RCL deveria corresponder a R$ 127,0 bilhões.

    Assim, o SUS passa a enfrentar, ao lado de seu subfinanciamento de 30 anos, um processo crescente e contínuo de desfinanciamento, a partir de 2017, em decorrência de uma Emenda Constitucional que asfixia o direito social à saúde. Essa situação configura um quadro de aniquilamento, “a conta gotas”, das tentativas de construção de nosso sistema de saúde universal.

    Entretanto, esse cenário de horror parece que tenderá a se agravar ainda mais com a proposta de “desvinculação orçamentária” apresentada pelo ministro Paulo Guedes. Não é difícil de imaginar que, se com a frágil vinculação de 15% da RCL já assistimos ao processo de desfinanciamento do SUS, uma possível aprovação da “desvinculação” será a barbárie e a morte da saúde pública é iminente.

    Não podemos assistir a esse assalto ao fundo público social! Esta proposta escancara o poder do capital da rapinagem financeira na relação orgânica com o Estado, no sentido do esmagamento dos trabalhadores. Reforcemos a nossa luta de resistência, não podemos deixar que o SUS morra: Fora a proposta de Paulo Guedes de desvincular o orçamento!

    *Áquilas Mendes é professor Dr. Livre-Docente de Economia Política da Saúde da Faculdade de Saúde Pública da USP e do Programa de Pós-Graduação em Economia Política da PUCSP.
    **Leonardo Carnut é p
    rofessor adjunto do Centro de Desenvolvimento de Ensino Superior em Saúde (Cedess) da Unifesp.
    Foto Protesto pede a aprovação do SUS na Constituição de 1988. Arquivo Senado Federal

    _____________________
    Obs: Para os dados gerais aqui citados, ver MENDES, Aquilas; CARNUT, Leonardo. Capitalismo contemporâneo em crise e sua forma política: o subfinanciamento e o gerencialismo na saúde pública brasileira. Saúde e Sociedade, v. 27, p. 1105-1119, 2018. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/sausoc/v27n4/1984-0470-sausoc-27-04-1105.pdf

  • A lumpemburguesia no poder: a irracionalidade da razão burguesa e o governo Bolsonaro

    “Não vos ponhais a imaginar que eu vim trazer a paz à terra; eu não vim trazer a paz, e sim a espada”
    (Mateus 10:34)

    Conforme afirmei há certo tempo, a classe dominante brasileira, promovendo nas massas uma irascível revolta contra um triplex chinfrim e dois pedalinhos foscos, entregou o comando do país aos protagonistas da série Narcos. A sentença, que quando escrita tinha um conteúdo mais retórico do que propriamente analítico, hoje parece ir ao encontro da realidade brasileira. Os acontecimentos dos últimos dias, expondo a intimidade palaciana de milicianos assassinos, evidenciam o quão irresponsável foi a nossa burguesia quando se viu diante da responsabilidade de, em tempos de crise, garantir a lucratividade dos seus negócios, o quão irracionais foram os homens da Casa Grande quando, diante da prova do sufrágio universal, tiveram que preservar a racionalidade da austeridade neoliberal no país.

    Poucos meses antes do último pleito, alguns de nós, analistas do processo político, acreditávamos que, no caso de fracasso de seu insípido candidato tucano, a burguesia brasileira optaria, ainda que resignada, por devolver o comando dos seus negócios aos seus representantes bastardos, os quais, não obstante todos os inconvenientes simbólicos, haviam se mostrado aptos para a função, ao menos em tempos de bonança. Erramos feio, erramos rude, segundo o recente adágio humorístico. Racionalmente, tentamos imputar uma racionalidade ideal à burguesia, uma espécie de racionalidade adjudicada, no sentido lukacsiano da expressão, ignorando que a razão burguesa é, em última análise, a razão automática do capital, ou seja, uma razão eminentemente ideológica cuja lógica última é socialmente irracional. Mistificadora por excelência, a racionalidade burguesa, ao obedecer aos imperativos imediatos, de curto prazo, da lucratividade do capital, se mostra não só responsável pela irracionalidade da vida social cotidiana, isto é, pela barbárie da sociabilidade burguesa, como também pode provocar resultados irracionais a médio e longo prazo para a própria burguesia, para quem a totalidade social nunca é capaz de ser fundamentalmente compreendida.

    Ao longo de 2015, convencida de que o petismo não seria capaz de realizar as contrarreformas, a austeridade fiscal e os ataques aos direitos sociais na velocidade e com a intensidade exigidas pelo capital em tempos de crise, a burguesia, impudentemente, optou pelo golpe. Livre dos inconvenientes que a popularidade acarreta, Temer pôde efetivar agressivas medidas impopulares. Parafraseando Goethe, a praga foi transformada em benção: a impopularidade do presidente golpista foi vista como virtude pelos ideólogos neoliberais, já que os desígnios tecnocráticos podiam, desse modo, operar livres da vontade popular. Assim seria, e foi, até quando a vontade popular foi convocada novamente à cena política na qualidade de fator decisivo, isto é, na sucessão eleitoral. Segundo a razão burguesa, a saber, a razão golpista, por meio das eleições poder-se-ia novamente alçar ao comando do país um representante tradicional da Casa Grande e, assim, continuar e aprofundar o trabalho do presidente ilegítimo, agora, porém, de forma legítima. O Golpe de 2016 seria, assim, lavado pelas urnas, tal qual um dinheiro sujo, uma vez limpo, pode voltar a circular tranquilamente no mercado. Assim, o Deus-mercado, por meio do dilúvio eleitoral, poderia seguir no comando, mas agora em terras límpidas nas quais suas ovelhas, tendo reconhecido a sua voz e sufragado o nome de seu candidato tucano nas urnas, se esqueceriam do pecado original que seu próprio Deus havia cometido. A burguesia anelava, portanto, à maneira de Baudelaire, retornar alegremente “à lodosa estrada” da espoliação de direitos, mas agora como se esta fosse uma bem asfaltada highway. Este, até que se prove o contrário, parecia ser o plano do capital.

    Como sabemos, as coisas não se deram bem assim, e o estratagema burguês, em parte, malogrou. Nem o uso de todos os mecanismos de blindagem da democracia liberal (poder econômico, coalizões partidárias, tempo de propaganda eleitoral, cobertura midiática etc.) se mostrou capaz de construir um cenário no qual o candidato preferencial da burguesia pudesse sair vitorioso. Os expedientes autoritários que haviam se desenvolvido pelo seu vasto uso durante o governo Temer foram, então, requisitados. Não bastava proibir a candidatura de Lula, ele tinha que ser encarcerado para que não subisse em palanques de outro candidato petista. Não bastava apenas encarcerá-lo, ele tinha que ser também impedido de dar entrevistas, falar ao telefone e gravar vídeos. Tudo o que parecia necessário para evitar um retorno do petismo ao poder foi feito, e a burguesia brasileira mostrou que ela não se constitui em uma classe geneticamente hostil apenas às reformas democráticas, tal qual apontara Florestan Fernandes sob inspiração trotskista, como também é um sujeito social que, em tempos de crise, não tolera sequer o mais tímido e esquálido reformismo, mesmo que este se manifeste apenas por meio de um conjunto de políticas sociais compensatórias, focalizadas e afirmativas. A justiça eleitoral permitiu todo o tipo de crime eleitoral – e ela mesma praticou alguns, como as invasões de universidades –, desde que eles tivessem como alvo a candidatura petista. Com o livre uso das fake news, patrocinadas com doações não declaradas de campanha, as eleições se converteram, finalmente, em eleições fake. As eleições do golpe foram, portanto, o golpe das eleições. Contudo, nada, absolutamente nada disso, foi suficiente para que a candidatura orgânica da burguesia obtivesse êxito.

    A Casa Grande se viu, assim, subitamente refém dos demônios que ela mesmo conjurara, dos cães raivosos que ela mesma soltara, em suma, da pequena-burguesia reacionária que ela mesma utilizara como base de massas para o golpe gestado em 2015 e assestado em 2016. A racionalidade burguesa se viu, portanto, diante das irracionalidades produzidas pela sua própria “ação racional”. A ofensiva midiática “contra a corrupção”, dotada de uma ideologia antipolítica de cariz fascista, atingiu não só o Partido dos Trabalhadores, como também os próprios partidos orgânicos da burguesia e seus representantes políticos tradicionais.

    Um tanto surpreendida, a burguesia se deparou com uma classe média reacionária que, historicamente caudatária do andar de cima, adquirira, desde as massivas mobilizações de 2015, uma espécie de “autonomia política relativa”, e, triunfante, apresentava agora o “seu” próprio projeto político-apolítico para o país. Arruinados economicamente, temerosos de sua proletarização, hostis ao assistencialismo social, incultos, iletrados e ignorantes, esses setores médios, arregimentados pela burguesia para o golpe, haviam, quando das mobilizações para aquele, desenvolvido a crença de que eles próprios poderiam governar e resolver, a seu modo, os problemas do país. Visceralmente antipetistas e descrentes da “política”, foram buscar seus lídimos representantes tanto em corporações elitistas não eleitas, como o Judiciário e as Forças Armadas, quanto em expoentes da marginalidade política, expressões no submundo político de uma burguesia parvenus, uma espécie de lumpemburguesia composta por milicianos, contrabandistas, arrivistas, aventureiros, fazendeiros caipiras, fabricantes emergentes, empresários arruinados, especuladores obscuros, estelionatários, donos de termas, de empresas de segurança, de transporte, de postos de gasolina, habitués de churrascaria rodízio e camarotes de micaretas, pastores descrentes, ex-jogadores de futebol, artistas pornô e leitores de um guru astrólogo delirante. Adepta fervorosa da família brasileira, a classe média reacionária resolveu se afeiçoar a uma delas em particular, e encontrou no seu patriarca o Messias que tanto precisava para “mudar tudo isso que está aí”. Como pôde ser constatado, diante da alternativa petismo ou neofascismo, a alta burguesia dos grandes salões não se conteve apenas em lavar as mãos, e preferiu sujá-las mesmo, fazendo de um tudo para que o führer tropical, mitificado por toda essa fauna e flora do rebotalho do capital, fosse vitorioso nas urnas no segundo turno do ano passado.

    Tal foi a contraditória dinâmica que nos levou até a presente situação, na qual parece ter lugar a construção de um regime semibonapartista ultra neoliberal, apoiado em superministérios compostos por quadros forenses e castrenses de extrema direita, para os quais os direitos democráticos não podem continuar a obstar a retirada dos direitos sociais, o que lhes parece ser suficiente para que todo e qualquer direito, salvo o da propriedade privada, seja enviado o mais rápido possível para o museu da história do capitalismo. Enquanto a democracia blindada parece dar lugar a uma democracia dos blindados, a alta burguesia brasileira, ao mesmo tempo em que espera e cobra do lumpesinato político à frente do seu Estado a aprovação das contrarreformas e a aplicação de uma austeridade inclemente para com os trabalhadores, se vê impingida a tentar domá-lo, procurando evitar que o seu jeito tosco e plebeu provoque crises desnecessárias e até mesmo perigosas em um país economicamente estagnado, socialmente fraturado e politicamente dividido. A banca e seus finórios jornalistas instam o governo a acelerar os ataques econômicos à maioria da população, pois temem que seus feitos circenses, suas diatribes despropositadas contra a razão, a arte e a ciência, seus ministros histriônicos e suas ministras psicóticas ponham tudo a perder.

    Tementes a Deus, porém cínicos, os donos do capital, na contramão das escrituras, rezam para que os encobertos crimes pretéritos dos momentâneos donos do poder não sejam agora descobertos, que seus cruentos atos secretos não sejam justo agora revelados. A Casa Grande agora tenta evitar que seus capitães do mato, mais livres, com mais chicotes e menos pudores, tornem inviável o ramerrão da plantation. A burguesia agora cobra racionalidade dos seus prepostos irracionais, cujo poder só foi obtido graças à irracionalidade que vertebra a razão da própria burguesia. Possivelmente, torce para que homens aparentemente mais sóbrios do governo, como Moro, ouçam a sua consciência, se esquecendo de que, tal como se dava com Ievguiêni, personagem de Tolstói, sua consciência não tem nada a lhes dizer. Assustada com a loucura dos marginais que alçou ao poder, a Casa Grande parece solenemente ignorar o alerta feito pelo mesmo autor russo, quando escreveu que os mais loucos são justamente aqueles que enxergam nos outros os sintomas de loucura que não enxergam em si mesmos.

    Imagem Ilustração de Gustave Doré para o livro A Divina Comédia

  • Esquerda Online lança novo site no dia 20 de março

    Reformulação prepara o EOL para a nova realidade política no país e para a disputa nas redes

    O Esquerda Online inaugura uma nova fase no próximo dia 20, com o lançamento de seu novo site. O objetivo é produzir conteúdo de qualidade em uma nova plataforma, que sirva para o novo momento politico em que vivemos no Brasil e no mundo, de extrema polarização política, de crise social, crescimento de ideias e alternativas reacionárias e neofascistas.

    São muitos os ataques do governo Bolsonaro, dos Olavos de Carvalho, dos Paulo Guedes e dos militares. Os absurdos são diários, e se sucedem com uma velocidade tamanha que muitas vezes torna díficil acompanhar o Festival de Besteiras que Assola o País. Ao mesmo tempo, as redes tornaram-se palco de uma intensa batalha de ideias, nas quais a informação disputa espaço com fake news e por dezenas de youtubers, disseminando pós-verdades e discursos de ódio.

    Criado em 2016, durante o movimento pelo Fora Temer e seus ataques, o Esquerda Online agora tem o desafio de ser uma ferramenta fundamental para milhares de ativistas que resistem aos retrocessos e ataques do governo Bolsonaro e ao avanço da extrema direita. Queremos produzir conteúdo jornalístico, de análise política, editoriais, colunas e textos teóricos que possam ser distribuído, compartilhados nos grupos de família e de trabalho, permitindo a disputa de ideias com os defensores do ódio e do atraso.

    Queremos que o portal seja útil para todas as lutas. Para a campanha contra a reforma da Previdência, para os professores e jovens que resistem ao Escola Sem Partido, para os negros e negras que assistem ao aumento da violência policial, para as mulheres, a todos que exigem justiça para Marielle, para os milhares que exigem Lula Livre e liberdades, para as mulheres e LGBTs, que são vítimas de ataques nas ruas e nas redes.

    Confirme a sua participação no evento de lançamento

    Tecnologia

    A nova plataforma agregará velocidade e agilidade, permitindo que o conteúdo do site seja visto em até dez vezes menos tempo do que é hoje. Também apresentará o conteúdo de forma mais amigável em celulares e tablets, que hoje já respondem por mais de 70% dos acessos.

    O compartilhamento de conteúdo nas redes sociais será incentivado, com botões e links em destaque em cada matéria. Na capa do site, a opção de compartilhamento será identificada por um ícone, no alto das imagens. Parte dos videos, além da possibilidade de visualização, terá a opção de download, para que possa ser diretamente compartilhado pelo celular, em tamanho reduzido, em grupos de whatszap e telegram.

    A produção de vídeos será intensificada, com destaque para a produção de conteúdo de até um minuto, voltados ao instagram, que já conta com mais de 60 mil seguidores. As transmissões ao vivo ganharão destaque na capa do site, com um alerta no topo, assim que se iniciar, com integração a vídeos do youtube e do facebook.

    As coberturas de eventos e de lutas continuarão tendo destaque, como a cobertura colaborativa do dia 22 de março, Dia Nacional de Luta contra a reforma da Previdência.

    Luta ideológica

    Além do conteúdo cotidiano, de análise dos fatos e mobilizações, o Esquerda Online avança com uma produção de cursos téoricos em vídeo, produzidos pela Equipe de Formação da Resistência, corrente interna do PSOL. O primeiro curso foi feito no final do ano, em cinco vídeo-aulas, sobre o fascismo. Ainda em março, na última semana, o EOL lancará um curso sobre as lutas das mulheres. O objetivo é realizar um curso por mês.

    Desta forma, queremos fazer também a luta ideológica, o que inclusive já vem sendo feito pela extrema direita, que tem formado uma geração de jovens com ideias reacionárias. Queremos, através de nossos textos e dos cursos, contribuir para formar uma nova geração de socialistas, contribuindo para o enfrentamento com a extrema direita, ao mesmo tempo em que buscamos superar a estratégia de colaboração de classes, ainda defendida da direção petista.

    Campanha de financiamento

    Junto com o lançamento, vamos iniciar uma campanha financeira permanente, com contribuições mensais, a partir de 20 reais. O objetivo é fortalecer uma mídia de esquerda, independente, comprometida com as lutas de resistência. Para manter e avançar com esse projeto, é preciso recorrer a rede de leitores e apoiadores do EOL. Os apoiadores terão recompensas, como cartazes e adesivos, e também poderão participar de reuniões com o site e colunistas.

    A iniciativa buscar repetir a experiência da campanha financeira que permitiu o desenvolvimento do novo site, encerrada em 2018. O valor arrecadado por mais de cem doadores foi utilizado no desenvolvimento do novo site.

     

  • O que há de comum entre o massacre de Suzano e o discurso de ódio de Bolsonaro?

    O massacre na escola de Suzano (SP) foi uma tragédia que chocou todo o país. O momento é de solidariedade com as famílias dos estudantes e funcionários da escola, que perderam a vida neste ataque covarde, e dos feridos. E de buscar entender explicações para tamanho absurdo.

    O ataque foi feito por dois jovens. Ambos frequentavam o Dogolachan, um fórum que só é acessível na darkweb, uma espécie de internet ilegal, que garante o anonimato e de difícil acesso. O fórum é conhecido como um local onde são discutidos abertamente a prática de crimes, violação de direitos humanos, além de racismo e misoginia. Segundo reportagens, os jovens de Suzano recorreram ao fórum para pedir dicas de como executar o atentado na escola.

    Esse fórum virtual das trevas da internet (Dogolachan) foi fundado por Marcelo Valle Silveira Mello, que é conhecido por crimes de ódio e foi a primeira pessoa condenada pela justiça no Brasil por crime de racismo na internet, em 2009. Além desse massacre de Suzano, o fórum está ligado também ao massacre de Realengo, onde Wellington Menezes de Oliveira – considerado um herói no Dogolachan – matou 12 crianças, antes de se matar.

    Após a notícia do tiroteio e assassinatos na escola de Suzano, muitas mensagens nas redes sociais passaram a condenar a política armamentista do atual governo, e criticaram também o próprio discurso de ódio propagado pelo bolsonarismo, presente em postagem e declarações do presidente, família e seguidores. As pessoas que estão condenando o discurso de ódio do atual presidente estão certas, quanto mais gente que influencia a opinião publica propagar discurso de ódio, mais tragédias de ódio teremos em nossa sociedade.

    O mais grave em toda essa situação é que o fundador desse fórum virtual (Dogolachan), e que se encontra preso, é seguidor e admirador de Bolsonaro. Para além da imensa tristeza desse crime que aconteceu em Suzano, o fato de o organizador desse fórum ter o presidente do país como referência política é gravíssimo, e precisa acender um alerta a toda população principalmente após tantas revelações das proximidades da família Bolsonaro com milicianos, assassinos frios e calculistas, com farto acesso a armas de guerra com altíssimo poder de destruição, como vimos essa semana no caso Marielle.

    O fundador do Dogolachan, Marcelo Valle Silveira Mello, chegou a criar uma criptmoeda (uma espécie de moeda virtual) em homenagem a Bolsonaro para ser usada em crimes de ódio virtuais. Chamou-a de bolsocoin.

    Já está comprovado que tanto no massacre de Realengo como agora no de Suzano o Dogolachan serviu de assessoria para esses crimes. Inclusive, lá já se comemora o massacre. O mais assustador é que o presidente da República e o seu discurso são referências política para essas pessoas. Inclusive muitas que se assumem de extrema direita e neonazistas, o que acaba de vez com a fakenews propagada nas redes que o nazismo seria um fenômeno político de esquerda.

    Para você que não votou em Bolsonaro e já compreendeu o quão é importante combater a sua política, tenha certeza de que ninguém solta a mão de ninguém. Para você que votou em Bolsonaro com a esperança de dias melhores, mas não tem acordo com as consequências do ódio na política, é hora de refletir. E para você que simpatiza com essas ideias e votou em Bolsonaro porque concorda com tudo isso que está acontecendo no país, saiba que a resistência está crescendo.

  • Não é democracia, não é humanismo. É o Capital, estúpido!

    A expressão “É a economia, estúpido!”, foi utilizada na eleição de Bill Clinton, candidato democrata, que disputou em 1992 a Presidência dos EUA. O objetivo era criticar a condução da política econômica para derrotar George H. Bush, na corrida presidencial. (1)

    Não utilizei a expressão, na íntegra, com a intenção de destacar a importância da reprodução e acumulação de capitais, cada vez maior, na sociedade capitalista. O objetivo é denunciar o quanto esta sede pela acumulação de capitais é cada vez mais nociva para a emancipação e o desenvolvimento pleno da humanidade. É apontar que o sistema capitalista é o grande responsável pelas desigualdades no mundo e pela ausência de democracia plena em diversos países. O sistema capitalista, além de ter demonstrado, ao longo de sua trajetória, sua total incapacidade para encaminhar e resolver os principais problemas e conflitos no mundo; é ele próprio, o verdadeiro e maior causador desses problemas. Uma das maiores deficiências do capitalismo é a brutal desigualdade, econômica e social, imposta a bilhões de pessoas na terra. Milhões de seres humanos sobrevivem com menos dinheiro do que os recursos destinados para subsidiar a criação de animais. Uma total inversão de valores.

    “Há cerca de dois anos, uma reportagem da CNN sobre o Mali descreveu a realidade do “livre mercado” internacional. Os dois pilares da economia malinesa são o algodão, no Sul, e a criação de gado, no Norte, e ambos enfrentam problemas devidos ao modo como as potências ocidentais violam as próprias regras que tentam impor aos países pobres do Terceiro Mundo.  O Mali produz algodão de excelente qualidade, mas o problema é que o subsídio que o governo norte-americano dá a seus próprios produtores de algodão equivale a mais do que todo o orçamento do Estado malinês, portanto não surpreende que não seja competitivo. No Norte, a culpada é a União Europeia: a carne malinesa não consegue concorrer com a carne e o leite altamente subsidiado da Europa. A União Europeia subsidia cada vaca com cerca de 500 euros por ano, mais do que o PIB per capita do Mali. Como explicou o ministro da economia: nós não precisamos de ajuda, conselhos ou palestras sobre os efeitos benéficos do fim da regulamentação excessiva do Estado; basta que vocês cumpram suas próprias regras de livre mercado e nossos problemas acabarão … Onde estão os defensores republicanos do livre mercado?” (2)

    A grande injustiça social e a maior falha do modelo econômico capitalista, é concentrar renda nas mãos de uma parcela cada vez menor da população mais rica. A gênese desse mal está em sua própria dinâmica de funcionamento. A base do sistema capitalista é a apropriação do mais-valor criado pelo trabalho. A afirmação, de seus ideólogos e defensores, de que o trabalhador é livre para fazê-lo, é uma tremenda hipocrisia.

    A movimentação orquestrada pelo governo americano para intervenção na Venezuela não tem nada a ver com crise humanitária. Tem a ver com crise energética, com geopolítica, tem a ver em garantir petróleo para o país mais industrializado do mundo não parar de produzir. Os EUA são o país que mais consomem petróleo no mundo e também o maior importador de petróleo da Venezuela, que detém as maiores reservas provadas de petróleo do mundo, com 298 bilhões de barris de petróleo. Dependendo da cotação do preço do barril, a despesa dos EUA com importação de petróleo da Venezuela pode ultrapassar US$ 25 bilhões de dólares por ano. Embora o barril tenha cotação internacional, o custo de comprar da Venezuela é bem mais baixo do que importar do Oriente Médio. O custo do frete, bem mais elevado, devido à distância muito maior, acaba deixando a despesa com importação de petróleo muito maior. Por isso, o grande interesse dos Estados Unidos no petróleo venezuelano. A intervenção não tem nada a ver com democracia e humanismo. Seu interesse é comercial e geopolítico; envolve acima de tudo a questão de recursos naturais e a localização estratégica no mapa do petróleo. O que está em jogo é o interesse e controle das jazidas de petróleo por parte do capital privado. O que importa é garantir reprodução e acumulação de capitais em escala alargada.  Não tem nada de humanitário.

    Se a questão fosse realmente humanitária, o governo americano e a ONU já teriam tomado alguma providência para evitar que milhões de africanos morram de fome todos os anos na África subsaariana. O que realmente interessa aos países desenvolvidos e mais industrializados, que são os maiores produtores de mercadorias, é garantir mercado consumidor. Isto a África não pode oferecer. Aqui não existe interesse comercial. Por isso o desprezo com a vida de milhões de crianças africanas que não têm o que comer todos os dias. Levantar a “bandeira humanitária” para intervir e invadir a Venezuela com tropas militares é hipocrisia, é leviano!

    “Mais de 40% da população da África Subsaariana vive na extrema pobreza”. (3)

    O mesmo acontece com sua política exterior em relação a Cuba. Se a preocupação fosse mesmo com o povo cubano – que inclusive apresenta diversos indicadores sociais melhores do que os dos EUA -, o governo americano não manteria um bloqueio econômico e comercial contra a ilha caribenha por mais de cinquenta anos. Isso é imoral e desumano. Não tem nada de humanitário! Aqui também, trata-se de interesse comercial e estratégia geopolítica. Antes da revolução, Cuba desempenhava importante papel de entreposto comercial e rota de localização estratégica na entrada do Golfo do México e com acesso privilegiado para o Oceano Atlântico. À noite, o país se transformava em cassino flutuante para prazer e diversão da elite americana. 95% da população vivia na pobreza, prestando trabalho em condições análogas ao trabalho escravo nas plantações de fumo e cana-de-açúcar destinadas à exportação. Foi preciso uma revolução popular para mudar o destino de seu povo. Cuba, é hoje, referência mundial em diversas áreas da saúde, na educação, pesquisa científica e esporte. O país caribenho possui a expectativa de vida mais alta do continente americano, com uma média de setenta e cinco anos.

    Se realmente os EUA se preocupassem com “ditaduras”, que por interesses estratégicos continua a construir, por que não intervém na Arábia Saudita, uma ditadura monárquica absolutista e uma de suas maiores parceiras comercial, econômica e geopolítica no Oriente médio. O interesse dos EUA na Arábia Saudita é também comercial e geopolítico. Estes fatores são determinantes para que a Arábia Saudita continue sendo um dos maiores aliados dos EUA no mundo árabe. No campo comercial, é de total interesse para o governo americano manter uma aliança comercial e política com potencial de garantir fornecimento de petróleo por muitas décadas. Não podemos desconsiderar que a Arábia Saudita possui a segunda maior reserva provada de petróleo do mundo, com 266 bilhões de barris de petróleo, sendo também a maior produtora de petróleo do Oriente médio. Não é razoável imaginar que o interesse político de manter a Venezuela e a Arábia Saudita, as duas maiores potências petrolíferas do mundo, sob seu comando e “supervisão”, seja apenas mera coincidência.

    É importante perceber também que o interesse dos Estados Unidos no petróleo da Venezuela e da Arábia Saudita, não é apenas comercial, como já foi há cinquenta anos atrás, quando os EUA ainda possuíam reservas gigantescas. Hoje, a questão é estratégica, tem a ver com a manutenção do país enquanto potência hegemônica pós 2ª Guerra Mundial.(4) Principalmente se considerarmos a ascensão econômica da China nos últimos trinta anos e a ameaça real de desbancar os EUA nos próximos quinze anos.

    No campo político e estratégico-militar, não podemos ignorar a importância da “parceria militar” com o governo saudita. A base militar americana em território saudita foi fator determinante para a vitória dos Estados Unidos na Guerra do Golfo em 1991. Foi a partir da Arábia Saudita que os EUA desenvolveram sua estratégia militar para derrotar o Iraque, de Saddam Hussein, que havia invadido o Kuwait. Não podemos esquecer que a Operação “Tempestade no Deserto” para derrotar as tropas iraquianas dentro do Kuwait, foi toda ela articulada a partir da Arábia Saudita. Os mais velhos lembram, que esta foi a primeira guerra a ter transmissão direta pela TV.

    A questão militar em relação ao Reino saudita passou a ser uma das prioridades da política externa dos Estados Unidos. Uma base militar na Arábia Saudita não significa apenas prover a segurança para o centro administrativo petroleiro do país, mas também assegurar uma importante posição estratégica no Oriente Médio.” (5)

    O Haiti é o país mais pobre do hemisfério ocidental, com mais de 60% de sua população vivendo na pobreza e 25% na extrema pobreza; com migração em massa e capitalismo. Porém, sem petróleo e mercado consumidor, o país não desperta qualquer interesse econômico, comercial ou de ajuda humanitária, para as potências imperialistas do primeiro mundo.

    Não há dúvida que o problema não é humanitário; o que está em jogo são interesses do capital; o problema é garantir e ampliar acumulação de capitais num momento em que o capitalismo passa ainda pela sua pior crise econômica desde 1929! A tentativa de intervir na Venezuela é a expressão da luta de classes a nível internacional. De um lado, um percentual absurdo de 46% da população mundial vive abaixo da linha de pobreza e sofre para satisfazer suas necessidades básicas. Enquanto isso, uma parcela da população consome de maneira desequilibrada e não sustentável, tendo a posse de apartamentos, casa de veraneio, helicóptero, lancha, diversos carros na garagem e fazendo três ou mais viagens por ano.

    “Segundo relatório divulgado, em 2017, pelo Banco Mundial, 3,46 bilhões de pessoas, ou 46% da população mundial, vivem com menos de 5,50 dólares por dia – a quantia limite para uma situação de pobreza em países de renda média-alta, como o Brasil.” (6)

    Outros 20% da população mundial vivem em situação de pobreza extrema, com menos de U$ 1,90 dólar por dia. Isto significa mais de um bilhão e quinhentos milhões de pessoas vivendo na miséria, se considerarmos a população mundial atual de cerca de sete bilhões e seiscentos milhões de pessoas.

    “Já a África subsaariana é a região com o maior número de pessoas vivendo na pobreza. Sua população quase duplicou entre 1990 e 2015, sendo que um dos maiores aumentos se deu entre as pessoas que vivem com menos de 3,20 dólares por dia.” (6)

    Os EUA deveriam exercer de fato a democracia em seu país antes de criticar a democracia em outros países. Na última eleição presidencial, Trump assumiu a presidência sem obter a maioria dos votos, ferindo de morte o princípio básico de regimes democráticos, para definir o vencedor da eleição: “Para cada cidadão um voto”. Este princípio tem o papel de garantir que o vencedor seja o candidato que obtenha a maior soma de votos recebidos de cada eleitor. O candidato que receber mais votos, ganha a eleição! Simples e correto! Nos EUA, o país que se autoproclamou como o guardião da democracia no mundo, este princípio maior não prevalece. Na última eleição a candidata do Partido Democrata, Hillary Clinton, obteve 65. 853.516 votos (48,2%), enquanto o candidato do Partido Republicano, Donald Trump, obteve 62.984.825 votos (46,1%), ou seja, Hillary Clinton obteve quase 3 milhões de votos a mais que Trump e não levou a eleição! Resumindo: o país que se julga tão democrático, deu uma aula de como se deve fazer uma eleição não democrática. (7)

    A Esquerda não é contra a intervenção na Venezuela somente por motivos ideológicos. Não concordamos que outros países, e muito menos ainda, um país imperialista, possa ter o direito de desrespeitar a soberania de outros povos se autoproclamando guardião do mundo. Defendemos a autodeterminação dos povos. Somente o povo venezuelano tem o direito de definir o seu futuro e determinar o que é melhor para seu país. Temos convicção que a intervenção, de caráter político para garantir interesses energéticos e com remédios econômicos neoliberais, só trarão mais prejuízos, desgraça e miséria para o povo venezuelano; além de reduzir a riqueza gerada com o petróleo, em melhorias para a população e transferir esta riqueza para as mãos de grandes grupos econômicos que atuam na produção de óleo e gás.

    “A defesa da Venezuela contra o cerco imperialista é hoje o centro da luta de classes internacional. Aqueles na esquerda que não compreendem este desafio perderam a bússola antimperialista. A luta pelo poder em Caracas não é entre democracia e ditadura, mas entre independência ou colônia.” (8)

    A posição contrária da Rússia e da China em uma eventual intervenção na Venezuela, não é por simpatia ou camaradagem a Nicolás Maduro. O interesse é também político, econômico, comercial e principalmente estratégico para seus projetos de longo prazo. Não é nada interessante para a China perder mercado consumidor para seus produtos. Afinal, a China é uma potência econômica, principalmente comercial, dependente de viabilizar grandes volumes de exportação para dezenas de países. Não é bom para a economia chinesa e consequente estabilidade política do governo chinês, a China, com uma população de 1 bilhão e 375 milhões de habitantes e com uma população economicamente ativa de mais de 1 bilhão de pessoas, começar a perder importantes mercados consumidores para exportar seus produtos.

    Porém, para quem defende a hipótese socialista como opção ao capitalismo e a grande desigualdade no mundo, não pode esperar muita coisa vindo do atual governo venezuelano. O máximo que a boliburguesia – a burguesia bolivariana formada por oficiais militares, políticos que apoiam o governo, funcionários públicos do alto escalão e empresários ligados ao governo -, pode entregar é um capitalismo de Estado; cujos principais benefícios a serem alcançados são bem semelhantes ao estado de bem-estar social proposto pelos novos keynesianos, através do novo-desenvolvimentismo a partir da maior presença do Estado na economia, como forma de neutralizar parcialmente os estragos produzidos pelo livre mercado e sua total desregulamentação.

    “O governo de Maduro é um governo burguês, apoiado em uma fração burguesa minoritária em formação, a “boliburguesia”. Não me parece muito polêmico, a não ser para alguém que tenha excessivas ilusões na retórica sobre o “socialismo do século XXI” que, depois de quase vinte anos no poder, os herdeiros do chavismo no poder já demonstraram que não têm qualquer pretensão de ir além do capitalismo, ainda que com forte regulação estatal. Mas a Venezuela tem um governo independente e é por isso, e não porque seja uma ditadura, que está sendo atacada.” (9)

    Esta intervenção, caso aconteça, é puro oportunismo e estratégia comercial para atender interesses do grande capital. Mesmo se fosse preocupação com a população, ainda assim não justificaria a intervenção de outras nações.

    Na verdade, esta “Operação Militar” travestida de “Ajuda Humanitária” articulada pelas forças reacionárias de diversos países liderada pelos EUA, faz parte do mesmo enredo do plano de desestabilização para tomada do poder na Venezuela. A primeira tentativa foi em 2002, através do golpe de Estado liderado pelo empresário Pedro Carmona. Logo após a implementação do golpe de Estado, uma revolta popular tomou conta das ruas de Caracas em apoio a Hugo Chávez. Ao mesmo tempo, centenas de oficiais leais ao governo, organizaram um contragolpe e reconduziu o presidente Hugo Chavez ao poder. O que está acontecendo hoje, é a utilização do plano “B”, da estratégia maior montada pelo plano de desestabilização do governo venezuelano iniciada em 2002. A intervenção atual não se dá, inicialmente, de forma direta. É uma intervenção executada de forma suave. Primeiro impõem a velha tática da desestabilização social por meio do desabastecimento de dezenas de produtos básicos vitais para a vida diária da população. Prossegue com a guerra midiática nos principais canais de televisão controlados por grandes grupos econômicos com objetivo de causar situação de pânico e jogar parte da população contra o governo. Outra vertente do plano se dá com tentativas de golpe através do parlamento venezuelano. Todas as ações têm claro objetivo de causar convulsão social para justificar a intervenção externa com a liderança dos EUA, o maior interessado em reconquistar a aliança com o governo venezuelano junto com seus aliados políticos. O principal intuito é reduzir a dependência de petróleo do Canada e do Oriente médio; e viabilizar a retomada de projetos industriais e de prestação de serviços públicos privatizados e desenvolvidos por grandes grupos econômicos com a garantia de mercado consumidor para seus produtos.

    Não é de bom senso, em pleno século XXI, com todos os meios de comunicação alternativos disponíveis, imaginar que a versão da grande mídia capitalista, que é no mínimo suspeita para se posicionar sobre assuntos relacionados à produção e acumulação de capitais, seja a detentora da verdade definitiva. É preciso fazer uma análise a partir dos interesses geopolíticos, estratégicos, comerciais e principalmente dos principais fatores críticos para sustentar o capitalismo: assegurar a exploração da força de trabalho com a expropriação do trabalho excedente, manter e ampliar fontes de energia para a produção de milhões de mercadorias e mercado consumidor para garantir a circulação e aquisição dessas mercadorias que se transformam em produtos quando chegam ao mercado. Sem esses elementos essenciais, não existe capitalismo. Numa análise crítica marxista onde não se pode ignorar as contradições dos princípios que sustentam o sistema capitalista, não é possível abrir mão da categoria central da Totalidade. Não é razoável fazer esta análise considerando apenas a disputa política entre governos de esquerda e de direita. É essencial fazer uma leitura a partir da luta de classes, dos interesses que realmente estão em disputa. É óbvio que existem outros elementos, mas é preciso localizar o foco central de disputa para não nos deixarmos levar apenas pelas aparências; é preciso focar na essência dessa disputa. O que está em jogo é viabilizar acumulação de capitais da ordem de R$ trilhões de dólares; o que está em jogo é disputa ideológica para garantir a continuidade do sistema capitalista, que nunca esteve tão frágil como nestes últimos dez anos. O capitalismo já demonstrou, inclusive nos países mais ricos, industrializados e desenvolvidos do mundo, através de diversas crises econômicas nos últimos quarenta anos, sua total incapacidade para resolver os principais desafios em relação aos maiores problemas sociais e as maiores desigualdades no mundo.

    Diante de todas estas fragilidades, diversas pesquisas de opinião (Gallup em 2018, YouGov, em 2017 e Pew Research Center em 2011), com jovens, homens e mulheres de 15 a 30 anos, revelam que aumentou de forma considerável o número de pessoas que têm uma visão positiva do socialismo. Qualquer um, que acompanha o noticiário internacional, percebe que o socialismo avança nos Estados Unidos.

    Segundo uma pesquisa do Gallup divulgada neste mês, mais norte-americanos que apoiam os democratas nos EUA veem o socialismo mais positivamente (57%) que o capitalismo (47%).” (10)

    “Uma pesquisa da organização YouGov mostrou que a maioria dos norte-americanos da geração Y, também chamada geração do milênio, isto é, jovens entre 15 e 30 anos de idade, preferiria viver no socialismo e não no capitalismo.” (11)

    “De acordo com uma pesquisa realizada pelo Pew Research Center nos Estados Unidos, aumentou o número de jovens entre 18 e 29 anos que têm uma visão positiva do socialismo. Quarenta e nove por cento dos entrevistados nessa faixa etária aprovam a corrente política, enquanto 43% têm uma visão negativa dela.” (12)

    Com certeza, esta visão, das novas gerações, é uma preocupação para os órgãos de defesa americanos, como o Pentágono e o Departamento de Defesa, interessados em preservar o capitalismo. Não é por menos que diversos políticos conservadores veem fazendo discursos atacando o socialismo com objetivo de descontruir o avanço das ideias socialistas em vários segmentos da população americana. No resto do mundo não é diferente. No Brasil, o discurso central da Direita, durante a eleição presidencial do ano passado, foi todo pautado pelos ataques ao socialismo e às conquistas sociais e trabalhistas conquistadas nos últimos 30 anos. O foco da luta de classes, hoje, no Brasil, é a contrarreforma da Previdência social, que retira direitos e posterga aposentadorias da população mais pobre.

    É isto que está em jogo hoje na Venezuela. O resto é teoria da conspiração para defender interesses de grandes empresas transnacionais dos países mais industrializados e que detêm grandes volumes de capitais acumulados.

    Por que o governo americano não começa fazendo o dever de casa em vez de se preocupar com o governo de outros países. A pobreza nos EUA atinge atualmente quase 13% de sua população; isso representa 41 milhões de americanos vivendo na linha de pobreza. Quase 19 milhões de americanos vivem na miséria!

    “Quase 41 milhões de pessoas, ou 12,7% da população, vivem em situação de pobreza, enquanto 18,5 milhões estão em situação de extrema pobreza, sendo que crianças representam um em cada três membros dessas populações vulneráveis, segundo o especialista da ONU. Os Estados Unidos têm a maior taxa de pobreza entre jovens entre todos os países industrializados, acrescentou.” (13)

    Se o problema para a intervenção da Venezuela é mesmo humanitário, qual país irá liderar a invasão, de caráter humanitário aos EUA, para acabar com a miséria e a pobreza do país “mais rico” do mundo? São mais de 60 milhões de pessoas, em situação de pobreza ou extrema pobreza, sobrevivendo nos EUA. Isto representa quase duas vezes a população da Venezuela de 32 milhões de habitantes. O grande problema dos Estados Unidos é que o país é rico, porém, devido a injusta distribuição do produto gerado pelo trabalho, existe uma enorme concentração de renda, desemprego e trabalho precarizado. Por isso, uma grande parcela de sua população é muito pobre!

    A única intervenção que a Venezuela precisa neste momento é de caráter político. O que precisa acabar na Venezuela é o embargo econômico, imposto pelos EUA e seus aliados políticos. O fim do boicote comercial permitiria a normalização das importações de milhares de produtos feitos pelo governo da Venezuela e diversas empresas privadas venezuelanas. A ajuda humanitária através de organizações internacionais como a Cruz Vermelha, Caritas Internacional, MSF – Médicos sem Fronteiras, ONU/UNICEF e outras, deve ter caráter provisório; até que se regularize a situação imposta pelo embargo econômico e a tentativa de Golpe. O problema da Venezuela não é de democracia, não é de crise humanitária. O problema da Venezuela é político. O que está acontecendo na Venezuela é a tentativa de mais um Golpe de Estado implementado pelas principais potências imperialistas, sob comando dos EUA, para assumir o governo venezuelano e garantir acumulação de capitais para grandes grupos econômicos e salvar mais uma vez uma grave crise estrutural do capitalismo agonizante.

    Referências bibliográficas e citações:

    (1) É o Capitalismo, Estúpido!  Fernando Alcoforado.

    (2) Zizek, Slavoj. Primeiro como tragédia, depois como farsa. Pg. 26. Boitempo Editorial.

    (3) https://nacoesunidas.org/banco-mundial-quase-metade-da-populacao-global-vive-abaixo-da-linha-da-pobreza/

    (4) Fuser, Igor. Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP). O petróleo e a política dos EUA no Golfo Pérsico: a atualidade da Doutrina Carter. Artigo apresentado no 5º Encontro da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP), realizado em Belo Horizonte, de 26 a 29 de julho de 2006.

    (5) Devlin Tavares Biezus. Mestranda em Ciência Política e graduada em Relações Internacionais. Integrante do grupo de pesquisa Conflitos no Oriente Médio pelo Centro Universitário Curitiba. [https://medium.com/@devlinbiezus/eua-arábia-saudita-o-que-explica-essa-aliança-e70fd6476ffc]

    (6) https://nacoesunidas.org/banco-mundial-quase-metade-da-populacao-global-vive-abaixo-da-linha-da-pobreza/

    (7) https://www.dn.pt/mundo/interior/resultado-final-hillary-teve-mais-quase-29-milhoes-de-votos-que-trump-5567750.html

    (8) Artigo “Nenhuma vacilação da esquerda diante da ofensiva imperialista na Venezuela. Valério Arcary. Professor titular aposentado do IFSP. Doutor em História pela USP). Fonte: https://esquerdaonline.com.br/2019/02/13/nenhuma-vacilacao-da-esquerda-diante-da-ofensiva-imperialista-na-venezuela/

    (9) ibid.

    (10) https://www.vice.com/pt_br/article/7xqmea/capitalismo-fez-jovens-preferirem-socialismo-eua

    (11) https://www.brasil247.com/pt/247/mundo/325698/Enquete-revela-que-jovens-americanos-sonham-com-socialismo.htm

    (12) https://operamundi.uol.com.br/noticia/18843/apoio-ao-socialismo-cresceu-entre-jovens-nos-eua-mostra-pesquisa

    (13)  02/06/2018. https://g1.globo.com/mundo/noticia/pobreza-se-aprofunda-nos-eua-sob-governo-trump-diz-especialista-da-onu.ghtm.

     

    FOTO NASA | Ivan Alvarado

  • Argélia: 800 mil nas ruas contra um quinto mandato para o presidente Bouteflika

    No dia 1º de março, a Argélia viu o povo sair às ruas, com centenas de milhares em todo o país, para protestar contra um quinto mandato do presidente Abdelaziz Bouteflika, há 20 anos no poder.  Com 82 anos, Bouteflika está numa clínica na Suíça para exames médicos. Ele está muito doente, ainda consequência de um acidente vascular cerebral em 2013. O regime, no entanto, confirmou sua candidatura para as próximas eleições presidenciais marcadas para 18 de abril, com outros 19 nomes.

    A magnitude do movimento

    Apesar de proibidas desde 2001 e do grande aparato de segurança, o país viu as maiores mobilizações em décadas. O movimento começou em 22 de fevereiro na capital, Argel e, a partir daí, as mobilizações não pararam. Na terça-feira, 26, os estudantes saíram às ruas apesar dos dispositivos policiais que bloquearam as universidades e faculdades, e ignorando os sindicatos controlados pela burocracia que permaneceu leal àqueles que estão no poder. Na quarta-feira, mais de mil jornalistas protestaram contra a censura do regime, sofrendo severa repressão e muitos detentos. Os professores lançaram uma greve nacional de educação nos dias 26 e 27 de fevereiro.

    A mobilização de 1º de março foi ainda mais impressionante, com 800 mil pessoas em Argel. Ela se espalhou como um maremoto nas ruas e nas redes sociais, no país inteiro.  O site Tudo Sobre a Argélia (TSA) insiste na presença de todas as gerações, todas as corporações, todas as camadas populares, homens, mulheres, crianças, mujahideen, desempregados e empresários saíram para dizer não à presidência e pedir uma mudança pacífica.”

    A polícia tentou gás lacrimogêneo e bastões, mas foi ultrapassada pela multidão.  Os incidentes, provocadores no final da manifestação e a morte de uma pessoa, não conseguiram dividir a marcha. Nas redes sociais, os manifestantes disseram que ficaram surpresos pela vitalidade do movimento empurrado por uma juventude alegre que não quer mais esse poder, mesmo que nunca tenha conhecido outro. Cabe enfatizar também uma forte participação das mulheres. Não se tinha visto um movimento tão espontâneo desde a independência em 1962, uma multidão pacífica e bem-humorada que defendeu e protegeu a sua mobilização.

    A escala das mobilizações mostra que esta é uma onda de fundo alimentada pelo descontentamento popular e pela raiva de todo um povo diante de um regime autoritário e antissocial. Isso foi expresso em palavras de ordem como “Fora Bouteflika!”, “Fora FLN!”, “Abaixo o sistema!”, “O povo quer a queda do regime”, “Poder assassino” e em gritos também dirigidos contra o primeiro-ministro, Ahmed Ouyahia: “Ouyahia, a Argélia não é Síria!”.

    O fator juventude, a onda de quebra

    A Argélia é um país jovem: de uma população de 42 milhões, 45% tem menos de 25 anos. É a juventude, bem formada mas desempregada e sem futuro, quem virou tudo no avesso; ela não acredita nem em Bouteflika nem em islamistas; requer mais transparência e democracia. “Você pode imaginar a miséria em que vivemos”, disse um deles a jornalistas que cobriam o evento. Querem conversar para explicar o impasse em que se encontram, para expressar esse sentimento de não ter futuro apesar dos diplomas … [1]

    No facebook, o blogueiro e ativista Sidali Kouidri Filali testemunha: “Eu chorei hoje duas vezes. A primeira quando recebi gás lacrimogêneo na boca (…) A segunda quando parei depois de me manifestar por uma boa hora (…) Porque vi um povo que pensei que estava perdido, porque vi que não estamos mortos, e que nesta terra, os dignos serão para sempre. Porque pela primeira vez vi uma Argel livre de seus medos e que sorria. Porque cheirava a liberdade, e eu era como uma criança, feliz com essa novidade”.[2]

    Neste início de março, os protestos estudantis continuam e pedem uma greve geral. O poder está prestes a reprimir. Em Argel, a polícia atacou os manifestantes com bombas de gás lacrimogêneo, mas o chamado dos jovens é ouvido: advogados congelam suas atividades e denunciam ataques à Constituição. Os médicos convocam comícios em hospitais. Seções da União Geral dos Trabalhadores Argelinos (UGTA), dos trabalhadores fiscais, do registro de terras e trabalhadores do orçamento rebelam-se contra o presidente da UGTA, Abdelmajid Sidi Said, que apoia o quinto mandato, e apoiam os manifestantes.  A candidatura para o quinto mandato foi, portanto, a faísca que desencadeou o incêndio.

    O regime sem fôlego

    O personagem de Bouteflika está na vida política argelina desde a independência. Em 1962, após oito anos de luta, a Frente Nacional de Libertação (FLN) chegou ao poder e lá permaneceu até 1989. Aos 26 anos, Bouteflika tornou-se o mais jovem ministro das Relações Exteriores do primeiro governo independente do país. De 1965 a 1978, estava no cargo na ONU. Na década de 1990, a Argélia foi dilacerada por uma sangrenta guerra civil (1991-1999) entre os militares no poder e vários grupos islâmicos, com um saldo de mais de 200 mil mortos. Em 1999, Bouteflika ganha as eleições e se torna presidente do país, mas manteve um regime autocrático. Em 2009, ele alterou a Constituição para ser reeleito para um terceiro mandato.

    Bouteflika sempre pôde contar com o apoio internacional, particularmente da França, que continua a ter fortes interesses econômicos. A Argélia é um de seus principais fornecedores de gás e petróleo, mas tem que importar quase 80% do que consome.

    Este poderoso regime de segurança é apoiado por três polos de poder: a Presidência, que conta com grandes investidores e multinacionais; os generais, que controlam o Estado-Maior, com diferentes sensibilidades dentro dele e Serviços argelinos de Segurança. Uma cúpula opaca, aliada a uma nova casta de empresários muito ricos que formam alianças e grupos de interesses. Nos últimos anos, com a doença do Presidente, o regime presidencial fortaleceu e reduziu fortemente o poder do exército, tomou posse do Parlamento e da FLN. Um profundo mal-estar existe dentro dos partidos da Aliança Presidencial, que se expressa através de políticos rejeitando a escolha de apoiar o presidente cessante.

    Hoje, o regime está em plena decomposição; é um clã que detém o país: Saïd, o irmão do Presidente, dirige em seu nome e assume as decisões; o exército – principalmente mobilizado nas fronteiras do Saara – apoia o poder forte, na ausência de uma oposição, bastante silenciosa e não unificada. Em 2014, para a quarta reeleição, houve uma unificação da oposição secular e islamista em uma plataforma comum, mas não deu em nada.

    Por 20 anos, o regime bloqueou tudo e atomizou qualquer alternativa política. Muitos problemas sociais invadiram o cenário político nacional: o desemprego não para de aumentar e os padrões de vida, de cair como resultado da crise econômica. O sistema, estropiado pela corrupção, sua lógica autoritária e a fuga de capitais para o exterior, não têm mais apoio popular.  Agora cai o muro do medo, as mobilizações abrem um momento de transição.

    Para tentar moderar as mobilizações em andamento, em uma carta endereçada ao povo argelino nesta segunda-feira 4 de março, o Presidente anunciou que, se eleito, ele organizará uma grande Conferência Nacional inclusiva e independente, que iria discutir um novo plano de medidas econômicas, políticas e sociais que formariam a base de um novo regime. Ele concordou em convocar novas eleições antecipadas para as quais ele não seria mais candidato. De fato, o poder quer economizar tempo criando as condições de sua sucessão.

    Na beira de uma nova primavera …

    Mas o povo não deixa-se enganar. Ao continuar as manifestações, ele demonstra que essas promessas não estão à altura de suas aspirações. A Argélia está, portanto, no início de um processo de libertação que diz respeito a toda a sociedade que quer remover a opressão que pesa sobre ela desde 1991. A rua exige mudanças institucionais.

    O poder foi surpreendido pela escala da crescente mobilização e é apanhado em curto, sem alternativa, mas não vai deixar o lugar de boa graça. Por enquanto, todas as instituições do regime permaneceram em silêncio. O partido do Presidente emitiu uma declaração apoiando sua carta à nação. Os partidos de oposição se reuniram em conclave para tentar chegar a acordo sobre candidato único para eleições de 18 de abril. Por seu turno, o exército – que não quer estar na situação dos anos 90 – não se pronunciou e, portanto, permanece alinhado com o Presidente. Três cenários parecem estar emergindo para o poder: 1) sustentar, seja qual for o custo, a candidatura de Bouteflika, por falta de outra alternativa; 2) uma mudança de governo para tentar acalmar o jogo 3) uma parada do processo eleitoral para enfrentar os protestos.

    Continuar as mobilizações e fortalecer a unidade

    Para manter a pressão por uma abertura democrática, será necessária a maior unidade de todos os setores da sociedade e a manutenção das mobilizações de rua. Em seu comunicado de 3 de março, o Partido Socialista dos Trabalhadores (PST) – Quarta Internacional, coloca: “É imperativo manter nossa mobilização, iniciar o estabelecimento da auto-organização democrática das massas nos bairros da classe trabalhadora, locais de trabalho, universidades e, sempre que possível, envolver a comunidade. Sempre que possível, promover um debate sobre como eleger uma Assembleia Constituinte soberana, representante das aspirações de liberdade e justiça social da maioria do nosso povo. Ao mesmo tempo, o uso de uma greve geral para impor as mudanças pelas quais aspiramos permanece uma possível opção a não ser excluída. ” [3]

    NOTAS

    1 – https://alencontre.org/moyenorient/algerie/algerie-la-deferlante-du-1er-mars-2019.html

    2 – https://www.mediapart.fr/journal/international/010319/le-pouvoir-algerien-accule-par-un-raz-de-maree-de-manifestants?utm

    3 – [email protected] – https://www.facebook.com/PSTDZ/

  • SP: Metroviários farão protesto hoje na Bovespa contra a privatização da Linha 15, do Monotrilho

    Está programado para a tarde desta segunda-feira, 11 de março, o leilão de concessão da Linha 15 – Prata do metrô de São Paulo, o Monotrilho. Esta entrega já está nos planos dos governos do PSDB desde 2015, e é coerente com o discurso e ação do ex-governador Geraldo Alckmin e do atual governador, João Dória, ambos do PSDB. A linha 15 funciona em um trecho de 7,8 quilômetros de extensão, que tem seis estações e vai da Vila Prudente até a Vila União, na zona leste de São Paulo.

    Leilão de cartas marcadas

    Assim como ocorreu com a entrega da Linha 5 – lilás, o edital de concessão é totalmente direcionado para que a CCR vença o leilão. Um verdadeiro absurdo.

    Segundo o Sindicato dos Metroviários de São Paulo, o lance mínimo de entrega é de R$ 153 milhões, ao passo que só para implantação do sistema CBTC, foram gastos mais de 170 milhões. Isso sem falar dos custos da construção do Monotrilho, que já são altíssimos. Ou seja, o estado investe na construção do Monotrilho com dinheiro público, mas a operação e lucros ficam na mão da iniciativa privada.

    Mais um negócio da China

    A concessão só favorece a CCR. Além de ser uma entrega a preço de banana, também neste edital está prevista a garantia do lucro da operadora que “vencerá” o leilão: o estado vai assegurar o lucro da CCR caso a utilização do sistema seja menor do que o previsto, entregando dinheiro público para a empresa privada.

    Mais insegurança no sistema

    No final de janeiro, houve uma colisão de trens do monotrilho e nem a direção do Metrô, nem o governo, fizeram uma apuração decente deste acidente.

    Em lugar de fazer uma apuração transparente, o Metrô preferiu culpar um funcionário pelo ocorrido. Esta forma de conduzir o problema coloca em risco os funcionários do metrô, usuários do sistema e moradores na região do monotrilho, que ficaram muito preocupados com o acidente.

    Com a iniciativa privada na operação, a tendência é que mais acidentes como esse ocorram, porque a lógica de menos gastos para lucrar mais vai afetar a qualidade e a segurança do sistema.

    Monotrilho não é a solução

    É muito justo que a região atendida pelo Monotrilho receba a implantação de sistemas de transporte de massa, pois se trata uma região populosa e carente de um transporte público decente. Entretanto, a utilização deste modal foi uma escolha muito arriscada, pois está ficando muito mais cara do que o sistema de metrô tradicional e a entrega da obra completa já adiou muitas vezes.

    Além disso, está seriamente colocado um problema de segurança. Este modal é previsto para curtas distâncias e não pode ser superlotado como as outras linhas do metrô. Qualquer acidente, falha, problema pode ter consequências mais drásticas.

    Ato em frente à Bovespa

    O Sindicato dos Metroviários está convocando uma manifestação em frente à Bovespa no próprio dia 11, as 12h, para denunciar mais este ataque ao transporte público. A privatização vai agravar os problemas que já existem no sistema Monotrilho. E quem vai pagar por isso é a população que precisa de transporte público e de qualidade para se locomover pela cidade.

     

    Foto Divulgação Governo de S. Paulo

  • Para Bolsonaro, democracia só existe se as forças armadas quiserem

    Nem bem a “poeira estava baixando” da publicação absurda, numa rede social, de um vídeo de conteúdo pornográfico, generalizando e atacando o Carnaval, Bolsonaro se envolveu em outra polêmica. Durante evento que comemorava o aniversário do Corpo de Fuzileiros Navais, no Rio de Janeiro, no dia 07, Bolsonaro afirmou que a democracia só existe porque é permitida pelas forças armadas.

    A afirmação é coerente com a defesa que Bolsonaro sempre fez da ditadura militar brasileira, de que não houve golpe militar em 1964 e sim uma “revolução democrática” contra o “perigo comunista”. O atual presidente é um conhecido defensor de figuras sinistras do período dos governos militares, como o torturador coronel Carlos Alberto Ustra.

    Outras membros da alta cúpula militar que possuem posição chave no atual governo, como os generais da reserva Augusto Heleno, ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), e o vice-presidente, Hamilton Mourão, também já defenderam publicamente a legitimidade da ditadura militar.

    Entretanto, o que chama a atenção é que desde a eleição de Bolsonaro, não só ele, mas toda a cúpula militar vinha “jurando” respeito à democracia brasileira.

    O discurso de Bolsonaro aos fuzileiros navais vem apenas confirmar, mais uma vez, o viés profundamente autoritário de seu projeto de poder. No mesmo dia, Augusto Heleno, Mourão e cia se apressaram a buscar consertar mais uma “trapalhada” de Bolsonaro, afirmando que ele teria sido mal interpretado.

    Mas, não há como ter dúvidas. A fala de Bolsonaro demonstrou que ele continua sendo o que sempre foi, um adorador da ditadura militar e de seus torturadores.

    Inclusive, figuras que hoje integram esse governo cívico-militar de extrema-direita nunca esconderam seu desconforto com o processo de redemocratização do nosso país. A queda da ditadura militar, tardiamente, na década de 1980, não foi uma concessão da alta cúpula das forças armadas para o povo brasileiro,  mas sim uma conquista de todas e todos que lutaram contra a ditadura e pela redemocratizacão de nosso país.

    Ampla unidade de ação para defender as liberdades democráticas

    Não se trata, evidentemente, de não reconhecer os profundos limites do regime democrático em nosso país, que nunca atingiu, nem de perto, uma democracia efetiva para a maioria da população, sobretudo para os trabalhadores, a juventude, os negros e negras, a mulheres e os LGBT’s.

    Porém, nossa justa crítica aos limites da democracia brasileira não pode nos paralisar diante de riscos de retrocessos ainda maiores, principalmente representados por este governo.

    Portanto, a defesa das liberdades democráticas, conquistadas às duras penas com o fim da ditadura militar brasileira, devem ser defendidas pelos movimentos sociais, da esquerda e democráticos.

    Não devemos ter nenhuma confiança nas falsas convicções democráticas desse governo ultra reacionário, dirigido na prática por uma maioria de militares de alta patente que sempre defendeu a ditadura.

    Campanhas como a exigência de justiça para Marielle e Anderson – assassinato sem solução que completa um ano no próximo dia 14; contra a prisão política do ex-presidente Lula; e de cobrança de uma investigação profunda e transparente sobre o envolvimento do clã dos Bolsonaros com a milícias do Rio de Janeiro,  contra o projeto “escola sem partido”, entre outras tantas, devem ter centralidade nas nossas mobilizações no próximo período, ao lado da luta contra a reforma reacionária da Previdência.

    Para isso, devemos unir em ações concretas e mobilizações todos aqueles que se opõem a escalada autoritária representada pelo governo Bolsonaro e os ricos que ele representa para as liberdades democráticas em nosso país.

    FOTO Jair Bolsonaro visita o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), acompanhado do ministro general Augusto Heleno. Antonio Cruz/Agência Brasil

  • Confira a programação do 8 de Março em Florianópolis

    Programação 8MARIELLE

    As atividades do 8 de Março em Florianópolis (SC) ocorrerão em frente ao Ticen. Serão rodas de conversa sobre diversos temas, a partir das 08h da manhã, além de apresentações, atividades, oficinas e intervenções!  Ao final, às 19h, terá início a marcha. Participe!

    08h – 09h Roda de Conversa: “Via campesina: Resistência do campo à cidade” – Mulheres da vila campesina
    09h – 18h Confecção de camisetas (stencil) e Brechó anticapitalista – Tathiana Zimmermann e Luana Amaral
    09h – 10h Roda de conversa: Branquitude e negritude – Lia Vainer, Vanda Pinedo, Maria Aparecida Conceição
    10h – 11h Roda de conversa: Mulheres e diversidade – Lirous K’yo Fonseca, Jeruse Romão e Guilhermina Cunha
    11h – 11h30 Roda de conversa: Violência Obstetrícia – Ivone Borges e Ariela Rodrigues
    12h – 12h30 Roda de conversa: Maternidade e descentralidade do cuidado – Ana Bezerra, Gabriela Balster e Juliana Dreher
    13h30 – 14h Roda de conversa: “Violência: Formas e recursos” – Paula Lopes, Fernanda Malty
    14h – 14h30 Roda de conversa: “Precisamos falar sobre aborto” – Ingrid Maria e Morgani Guzzo
    14h30 Juliana D’Passos – Pocket show de samba
    15h – 16h Roda de conversa: Direitos trabalhistas e previdenciários – Angela Conrad, Anna Julia Rodrigues e Edileuza Fortuna
    15h – 18h Oficina de Grafitte + Canetão – Kio Zaz e Oli
    16h Pocket Show Mc K47
    16h30 Pocket Show Mc Moda
    17h Pocket Show Mc Clandestina
    17h30 Samab das Yabás
    18h Yabás
    18h20 Baque Mulher
    A partir das 19h Cores de Aidê

    19h – MARCHA 8MARIELLE

     

    Foto: Ato do Ele Não, em 2018. Luiz Felipe Zimmermann

     

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