Movimento

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  • Operárias de São Paulo iniciam greve, com o adesivo do #EleNão

    Na sexta-feira, 28 de setembro, véspera dos atos nacionais organizados pelas Mulheres, pelo #EleNão, teve início uma greve na fábrica de embalagens de vidro Vitrale, na Zona Leste de São Paulo, onde as mulheres operárias somam 90% da força de trabalho.

    Às 06h30, na porta da fábrica, o sindicato distribuía um boletim específico, com reivindicações apresentadas há meses aos patrões.

    Ao mesmo tempo, militantes do PSOL e da corrente Resistência, como a diretora do Sindicato Cacilda de Paula, apresentavam às operárias Silvia Ferraro, candidata ao Senado e João Zafalão, candidato a deputado estadual, que estavam presentes.

    As 07 horas, a sirene do início da jornada tocou mas, como é tradição daquela fábrica, as operárias entraram, vestiram o uniforme de trabalho e praticamente todas retornaram para o lado de fora, para a assembleia. Em conversas miúdas, aguardavam o início da reunião, quando uma operária tomou a palavra e disse: “não aguentamos mais vamos ficar aqui fora até “eles” nos atenderem, não aguentamos mais enrolação”.  E assim se seguiram várias companheiras, muito revoltadas e indignadas com a situação, e exigindo a presença do Sindicato.

    E assim, por unanimidade, votaram aprovando uma paralisação, enquanto não houvesse negociação.

    Foi incrível a disposição e coragem das operárias. Começaram a cantar, a conversar com a Silvia, fizeram “live” e praticamente todas e todos pegaram os adesivos do PSOL com os Slogans #EleNão #EleNunca e botaram no peito.

    Vale ressaltar que há muito tempo esta fábrica não faz greve, ao menos nos últimos 15 anos, com certeza. Ficou clara e evidente a força e disposição das mulheres.

    A força da assembleia e a coragem das mulheres foi um aviso do grande ato contra o reacionário Bolsonaro no dia 29, com milhares nas ruas.

    Foto: José C. Miranda. A foto recebeu um filtro, para proteger a identidade das trabalhadoras, evitando perseguições.

  • Sindicalistas lançam manifesto de apoio a Boulos e Sonia

    Dirigentes sindicais e lutadores sociais de todo o País se uniram em um manifesto de apoio à candidatura de Guilherme Boulos e Sonia Guajarara (PSOL-PCB-MTST-APIB). O manifesto do movimento, que já conta com 450 importantes assinaturas, será divulgado nesta segunda-feira (24), às 18h, em São Paulo (SP), em um ato político com a presença do candidato. O manifesto, que segue abaixo, está aberto a novas adesões pela internet.

    MANIFESTO SEM MEDO DE MUDAR O BRASIL!

    “A classe trabalhadora e o Brasil sofrem as consequências do golpe e da agenda de destruição dos direitos trabalhistas, de desmonte do serviço público e de entrega das riquezas e do patrimônio do país ao capital financeiro e grandes empresários.

    Mais de 27 milhões de pessoas amargam o drama do desemprego e do subemprego. A inconstitucional Emenda 95 está desmontando o serviço público e precarizando o atendimento à população e as condições de vida e trabalho do funcionalismo. A carestia e o alto custo de vida, como aluguel, gás de cozinha, combustíveis e alimentos levam aflição à maioria do povo brasileiro. As mulheres, a população negra, indígena e a comunidade LGBT são as mais atingidas pelos ataques à classe trabalhadora.

    Aprofunda a mercantilização da saúde, da educação, da previdência. Temer espalha miséria para todas as regiões do país. Na região mais rica do país, a grande São Paulo, a pobreza extrema cresceu 35% no último ano. A regressão é gravíssima.

    Na lista de privatizações, Petrobrás, Eletrobrás, Banco do Brasil, Caixa, Correios e diversas outras empresas públicas fundamentais para o desenvolvimento do país, além do pré-sal e outros bens e recursos naturais, estão na mira do capital financeiro internacional. Querem ainda acabar com o direito de milhões de pessoas à aposentadoria para entregar a previdência pública para os bancos.

    O capital financeiro conta com os cinquenta tons de Temer que se apresentam nas eleições presidenciais e para o parlamento para dar continuidade a essa agenda. As candidaturas de Alckmin, de Bolsonaro e dos partidos que apoiaram o golpe são as principais expressões dos retrocessos sociais que estão sendo implantados para garantir os interesses do capital financeiro, que visa reduzir o valor da força de trabalho e abocanhar as riquezas produzidas pela classe trabalhadora.

    Diante da gravidade da situação, nós dirigentes sindicais abaixo assinados manifestamos apoio e engajamento na candidatura de Guilherme Boulos e Sônia Guajajara, cuja chapa é produto de uma aliança entre combativos movimentos sociais com o PSOL, PCB e outras organizações políticas e populares.

    O compromisso Boulos e Sonia de revogar todas as medidas de retrocessos adotadas depois do golpe de 2016, como a reforma trabalhista, a Emenda 95 e as privatizações, e adotar um programa de enfrentamentos políticos ao capital financeiro, ao monopólio da mídia, ao agronegócio, ao sistema perverso da dívida pública e ao conservadorismo justificam nosso apoio a fim de mudar a agenda do país e fazer com que a conta da crise seja paga pelo capital financeiro e o 1% mais rico.

    Não é possível mudar a realidade do povo sem enfrentar o poder econômico, suas representações políticas e fazendo alianças com a direita e setores golpistas, é preciso dizer não a conciliação de classes.

    Além de manifestar nosso voto e apoio à chapa Boulos e Sonia, alertamos a população trabalhadora a não votar nas candidaturas dos deputados, senadores e partidos que votaram favoráveis aos projetos do Temer. Quem votou não volta, seja para o executivo ou o legislativo.

    Vamos sem medo de lutar!”

     

     

    Assine o manifesto

     

  • Municipá[email protected] em Greve! Porto Alegre e a luta contra Marchezan

    [email protected] municipais de Porto Alegre (RS) estão há mais de 30 dias em greve. A política neoliberal do prefeito Nelson Marchezan Júnior (PSDB) de retirada de direitos do/a trabalhador/a e de intensificação do desmonte do serviço público a partir da lógica do “precarizar para privatizar” são, em resumo, as razões da greve.

    Marchezan (PSDB) expressa essa política desde o início de seu mandato quando reestruturou as secretarias, ampliou o número de Cargos Comissionados (CCs), impôs o parcelamento salarial e identificou os/as trabalhadores/as do município como seus inimigos. Neste ano, Marchezan apresentou um conjunto de projetos de lei que reduz os serviços públicos e amplia a participação privada na gestão.

    Entre os 11 Projetos de Lei (PLs) enviados à Câmara de Vereadores, podemos destacar alguns que sintetizam a lógica deste governo:
    1) O POAPREV – previdência complementar, à exemplo da tentativa de implantação em São Paulo pelos governos Haddad/PT e Dória/PSDB, foi aprovado com o mínimo de votos necessários (19 votos/36 vereadores). Com a mobilização da categoria *há* a possibilidade de rediscussão esta semana na Câmara de Vereadores.
    2) A aprovação do aumento de recursos destinado a Parcerias Público-Privada combinado com a possibilidade de privatização de setores e serviços como o DMAE (Departamento Municipal de Água e Esgoto), o Mercado Público, a Orla do Guaíba, a PROCEMPA (Companhia de Processamento de Dados de Porto Alegre), etc., abre as portas para a privatização irrestrita dos patrimônios da cidade.
    3) Os municipários estão há dois anos sem reposição da inflação e somado a perdas históricas *os* salários estão defasados em 16%, além de parcelamento salarial e do décimo terceiro.

    Uma questão que se coloca centralmente nesta greve é a do método de luta. Tendo a compreensão de que em um período de retirada de direitos em que os trabalhadores estão na defensiva, é preciso reagir, ousar, tomar a luta *para* si com força, não se curvar, acreditando também que a experiência de luta, educa. Mesmo em situações de dificuldade, há disposição na base e essa energia precisa contagiar e ser a mola propulsora do movimento.

    Nesse sentido, a defesa de um comando de greve aberto à toda a categoria foi essencial frente a uma diretoria sindical (CUT/CTB) que ao invés de apostar na construção de uma greve forte e combativa, no debate com a população, na disputa política da cidade e no movimento nas ruas, fica à mercê das movimentações na Câmara, da via jurídica e gira sua força e preocupações para a campanha eleitoral de seus candidatos, período que a categoria deve utilizar para explorar e desgastar ao máximo a imagem daqueles que nos retiram direitos.

    A tática utilizada pela diretoria do SIMPA (CUT/CTB) levou os municipários a algumas derrotas nesse governo: o aumento da alíquota do PREVIMPA, a derrota do regime de urgência dos PLs e a nova rotina escolar são alguns exemplos.

    Já a vitória da categoria na votação do “PL dos Regimes” (forma de cálculo salarial e que o governo propunha corte parcial), se deu após o enfrentamento dos municipários à Guarda Municipal/ROMU (Ronda Ostensiva Municipal – Guarda militarizada), que fechou os portões da Câmara para os trabalhadores à mando do governo, mesmo com o plenário vazio. Além disso foi mobilizado o Batalhão de Choque da BM que covardemente reprimiu os municipários após a abertura das portas da Câmara. A imagem escancarada da repressão criou uma crise política que forçou os vereadores reverem a votação desse PL, suspendeu a sessão e, no outro dia, o projeto foi rejeitado.

    Mesmo com a diretoria se opondo a esta tática @s [email protected] sabiam que só restava essa alternativa. Dias após a vitória parcial da defesa de nossos salários, outro projeto central entra em votação: o POAPrev (previdência complementar). Com muitas dúvidas, desinformação sobre o impacto dessa proposta e dirigida para passivamente aguardar o resultado de uma votação em que os diretores sindicais contavam votos, o projeto foi aprovado. Foi um forte golpe na categoria. Muitos não acreditavam no que e na forma como aconteceu. Mesmo a indignação parecia contida.

    O marco para a tomada de protagonismo da categoria nesta greve, foi mais uma ação construída pela base, aprovada em comando de greve: a ocupação da Prefeitura, no dia 07 de agosto, quando milhares de trabalhadores entraram no prédio do Paço Municipal, exigindo que o prefeito Marchezan cessasse os ataques sobre a cidade e abrisse uma mesa de negociação com os trabalhadores municipais em greve. Foi uma importante resposta e colocou nossa greve em outro patamar.

    Nos últimos dias, a partir da construção da base da categoria em comando de greve, se estabeleceu um novo diálogo com a cidade, abandonando a pauta meramente corporativa: com fantasias de morte e faixas em locais públicos de grande fluxo expondo os problemas da cidade; com ações em praças mostrando o trabalho [email protected] municipá[email protected] e denunciando o desmonte dos serviços; com buracos nas ruas sendo pixados e identificados como “buracos do Marchezan”; com as músicas e paródias da Charanga; trabalhadores e trabalhadoras expuseram concretamente os ataques da prefeitura à cidade como um todo.

    O desgaste do prefeito frente à população de Porto Alegre ficou ainda mais evidente, quando em um ato realizado em frente à residência dele, até os próprios vizinhos e moradores do bairro uniram-se aos trabalhadores e suas reivindicações.

    Os ataques por parte do governo seguem mesmo com a categoria em greve: Corte no vale alimentação, aprovação do PL da Previdência (POAPREV) e parcelamento salarial são apenas alguns colocados. Por outro lado, os rachas na base do governo começam a aparecer, Marchezan perde secretários e apoiadores e a mídia burguesa não consegue esconder a greve dos trabalhadores. O adesivo “Fora Marchezan” é utilizado pela população, há um pedido de impeachment colocado na Câmara e a possibilidade de que o PL da Previdência passe por uma nova votação.

    No momento em que o governo recrudesce os ataques aos servidores, em uma política de assédio e retaliação, a categoria fortalece seu protagonismo e sua disposição de luta ao mesmo tempo em que constrói o fortalecimento do debate e da pauta política na cidade.

    Com o movimento grevista em andamento, é possível dizer que uma de suas consequências é um saldo organizativo significativo. A experiência de protagonismo de parte significativa da categoria, da ação direta, da construção dos materiais nos mostra mais uma vez que lutar vale a pena e que nossas vitórias virão única e exclusivamente das mãos dos trabalhadores.

    Na terça-feira, dia 04 de setembro, pela manhã, haverá a discussão na CCJ sobre a revotação do POAPREV e às 14h, os municipários de Porto Alegre têm uma nova assembleia.

    Na mesma terça, 17h, no paço municipal, os municipários junto aos movimentos sociais, sindicais e populares de Porto Alegre estão chamando o ato “Porto Alegre para os trabalhadores”, em apoio à luta da categoria e em defesa da cidade.

  • Servidora do Hospital de Bonsucesso, no Rio de Janeiro, denuncia agressão

    Representante dos trabalhadores acusa assessor da Direção de tê-la agredido, com um tapa e um empurrão

    Nesta quarta, 29 de agosto, Tatiana Martins, servidora do Hospital Federal de Bonsucesso (HFB) e representante eleita do Comando de Mobilização dos Técnicos Administrativos, registrou na Delegacia da Mulher uma queixa de agressão sofrida pelo Sr. Caio Ferreira Pereira, assessor da Direção da Unidade.

    Segundo a servidora, ela teria abordado Caio sobre os problemas no hospital, em especial a falta de insumos e medicamentos, que vem sendo denunciada pelos médicos e servidores desde julho. Caio disse que o documento dos médicos não retratava a verdade e se recusou a falar com Tatiana. Para deixar a sala, teria agredido-a, empurrando-a para o canto. “O tapa e o empurrão doeram fisicamente, mas passou. A alma ainda dói”, conta a servidora.

    Depois da denúncia, a servidora vem recebendo solidariedade de entidades e colegas, que, em manifesto, consideram “inaceitável qualquer tipo de agressão, seja ela qual for, em especial, se esta, tem um viés machista e racista”.

    O texto pede ainda a exoneração de toda a direção do hospital, conforme decisão de assembleia. O pedido já teria sido encaminhado inclusive ao Ministério da Saúde. O alvo principal é a diretora-geral Luana Camargo da Silva, 28 anos, que teria tomado posse no cargo três meses após ter chegado ao hospital, por indicação de um político da Baixada Fluminense e Caio, nomeado da mesma forma.

    “A atual diretora, Luana, foi nomeada por indicação política partidária, prática do Ministério da Saúde. Salientamos que entidades sindicais e populares da saúde não compactuam com essa prática de gestão por indicações políticas, colocando a saúde como moeda de troca.”

    As entidades acusam ainda a gestão de “prática de assédio moral e intimidações físicas”, culminando na agressão do dia 29 de agosto. Membros da direção estariam acompanhados de seguranças armados, o que teria motivado um ato público, em julho, com repercussão na imprensa.

    O manifesto é assinado pelo Comando de Mobilização da Saúde Federal, INTO mobiliza, ASHI (Associação dos servidores do hospital de Ipanema), ASSINCA (Associação dos servidores do INCA), MITHA (Movimento independente Hospital do Andaraí), CSP Conlutas, NSSM (Movimento Nenhum Serviço de Saúde a Menos), Fórum Popular de Saúde do RJ e Frente Nacional contra a Privatização da Saúde.

  • Jornalistas demitidos pela Editora Abril cobram pagamento

    Leia o manifesto com a posição oficial dos jornalistas dispensados pela Editora Abril, que cobram seus direitos. Centenas de trabalhadores foram demitidos.

     

    ABRIL DEMITE E NÃO PAGA

    Na manhã de 6 de agosto, os funcionários da Editora Abril foram surpreendidos pelo fechamento de revistas do grupo e pela dispensa em massa de jornalistas, gráficos e administrativos. Nos dias seguintes, os números estavam em torno de 800 profissionais. Ao todo, 11 títulos foram encerrados. Na vida particular dos empregados da Abril, as medidas têm sido devastadoras. A empresa desligou de forma injusta, sem negociação com as entidades de representação trabalhista e sem prestar esclarecimentos oficiais. Em 15 de agosto, nove dias após o início das demissões, a Abril entrou com pedido de recuperação judicial (acatado pela Justiça) incluindo nesse processo todas as verbas rescisórias dos dispensados e também a multa de 40% sobre o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. Ou seja, um dia antes do prazo final para indenizar integralmente os ex- funcionários, a empresa realizou a manobra, fazendo crer que as duas ações (demissão em massa e pedido de recuperação judicial) foram arquitetadas em conjunto, tendo como um dos seus objetivos não pagar os empregados.

    Além disso, suspendeu a prestação de contas (antiga homologação), não liberou a chave para o saque do FGTS e as guias do seguro-desemprego, deixando os demitidos sem nenhuma cobertura financeira. Quando tentam contatar o RH, recebem informações contraditórias – portanto, os demitidos permanecem no escuro.

    A Editora Abril há muito vem descumprindo outros compromissos com as mulheres e os homens que se doaram e participaram bravamente de um esforço cotidiano para que a empresa se recuperasse da crise pela qual enveredou. Um exemplo: os profissionais desligados em 2017 e no começo deste ano viram suas indenizações sendo pagas em parcelas, algo considerado ilegal. Com a recuperação judicial, eles tiveram as parcelas finais congeladas. Assim, pessoas que não mantêm vínculo com a empresa há pelo menos sete meses se encontram listadas como credoras e impedidas de receber o que resta. Foram também atingidos fotógrafos, colaboradores de texto, revisão e arte, que, igualmente, não verão o seu dinheiro.

    Deixemos clara nossa profunda indignação com o fato de a família proprietária da Editora Abril – que durante décadas acumulou com a empresa, e com o nosso trabalho, uma fortuna na casa dos bilhões de reais – tentar agora preservar seu patrimônio e não querer usar uma pequena parte dele para cumprir a obrigação legal de nos pagar o que é devido.

    Por fim, é preciso considerar o prejuízo cultural da medida. Com o encerramento dos títulos Cosmopolitan, Elle, Boa Forma, Viagem e Turismo, Mundo Estranho, Guia do Estudante, Casa Claudia, Arquitetura&Construção, Minha Casa, Veja Rio e Bebe.com, milhares de leitoras e leitores ficaram abandonados. Para a democracia brasileira e para a cultura nacional, a drástica medida representa um enorme empobrecimento. Morrem títulos que, ao longo de décadas, promoveram a educação, a saúde, a ciência e o entretenimento; colaboraram para a tomada de consciência sobre problemas da sociedade; formaram cidadãos e contribuíram para a autonomia e o desenvolvimento pessoal de todos os que liam e compartilhavam a caudalosa quantidade de conteúdos produzidos pelas revistas impressas, suas versões digitais ou redes sociais. Nada foi colocado no lugar desses veículos, abrindo enorme lacuna na história da comunicação no nosso país.

    Parte da crise, sabe-se, é global e impactou a imprensa do mundo inteiro. Outra parte deve-se ao fato de a Abril ter perdido o contato com a pluralidade de opiniões e se afastado da diversidade que caracteriza a população brasileira. Uma gestão sem interesse no editorial sucateou as redações, não soube investir em produtos digitais e comprometeu a qualidade de suas publicações sob o pretexto de “cortar custos”. Além disso, deu ouvidos apenas a executivos e consultorias, sem levar em consideração os profissionais da reportagem e o público.

    Neste momento difícil para toda a nação, com o desemprego se alargando, nós, jornalistas demitidos, estamos organizados e contando com o apoio do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo. Também estamos unidos às demais categorias – gráficos e funcionários administrativos. É uma demonstração de tenacidade na defesa da integralidade dos nossos direitos e um sinal de prontidão para enfrentar as necessárias lutas que virão. Não pedimos nada além do que o nosso trabalho, por lei, garantiu.

    São Paulo, 20 de agosto de 2018

  • Bloco de oposição da CSP-Conlutas divulga nota sobre chapa em sindicato com vereador de Bolsonaro

    Nota sobre a política da CSP-Conlutas para as eleições do Sindicato Metabase de Itabira

    Nos dias 08 e 09 de agosto ocorreram as eleições do Sindicato Metabase de Itabira (MG), que representa os trabalhadores da Vale e de toda a mineração da região. A CSP-Conlutas, por orientação da sua direção majoritária, ajudou a organizar e apoiou política e materialmente a chapa 2 (Oposição Unificada – Grupos “A Voz das Minas” e “Um Novo Começo”). A chapa, como o próprio nome indica, representa uma frente unificada entre dois grupos políticos: “A Voz das Minas” – mais ligada à direção majoritária da central – e “Um Novo Começo” – dirigida pelo ex-mecânico da Vale e vereador André Viana (PR).

    Poderia ser uma situação normal no movimento sindical, se a composição entre os dois grupos não fosse um acordo sem princípios e em total desacordo com a política da central, uma vez que André Viana, eleito presidente do sindicato pela chapa 2, não fosse um vereador de extrema direita, pertencente ao grupo político de Jair Bolsonaro e defensor de muitas dos principais ataques à classe trabalhadora e aos direitos democráticos no país.

    O vereador, em seu curto mandato, tem já em seu currículo a defesa da aplicação do projeto Escola Sem Partido em sua cidade, a realização da Marcha da Inocência (que visava “defender” as crianças da influência LGBT), a defesa do aumento da repressão sobre o povo pobre e toda a pauta de extrema direita da cidade (inclusive com a tragicômica “inauguração” do outdoor de Jair Bolsonaro em Itabira).

    Acreditamos que foi um erro grave da direção majoritária da CSP-Conlutas, que alertada com antecedência da gravidade política da composição, decidiu ainda assim manter o apoio político e material à chapa 2.

    Bloco Somos [email protected] CspConlutas

     

    Foto: Outdoor em apoio à Jair Bolsonaro em Itabira (MG)

  • Nota de repúdio a ataques e provocações de grupos conservadores da UFAL

    No dia 9 de agosto ocorreu na UFAL a mesa “Amanhecer pela vida das mulheres: pela descriminalização do aborto”. Organizada pelo AFRONTE, a mesa contou com a presença da médica Mariana Pércia, a mestranda em Direito Elita Morais e com a professora Belmira Magalhães, importante referência marxista e feminista da UFAL. A mesa foi convocada pelo Afronte!

    Era uma atividade com uma plateia majoritariamente feminina que no auge da discussão política sobre a legalização do aborto na Argentina veio debater os rumos político do direito democrático das mulheres sobre o próprio corpo. Durante a atividade um grupo de estudantes que se intitulam conservadores e tem entre seus membros apoiadores da Monarquia e eleitores do Bolsonaro, foram de forma organizada, não para discutir ideias, mas para fazer provocações, e, como não conseguiram vencer com argumentos, partiram para implosão estigmatizar mulheres e LGBTs. Destilavam ódio, fazendo pouco caso das mortes de mulheres em decorrência do feminicídio, e, na tentativa de intimidar, filmaram as mulheres que estavam na mesa.

    As pessoas que destilam o ódio fascista pró-Bolsonaro não sabem que mulheres unidas na luta contra a violência são muito fortes. Eles esquecem que as mulheres são sementes como Marielle Franco e que vão precisar de muito para intimidar dentro da universidade. Tentaram destruir o espaço, mas nós fomos até o fim. Resisitimos.

    Nós, da resistência, queremos repudiar totalmente o fato ocorrido e afirmar que estaremos juntos das mulheres nessa luta, que não nos deixaremos intimidar. A UFAL como universidade pública e socialmente referenciada não combina com o ódio destilado por grupos como esse e acreditamos que a Reitoria, as entidades estudantil e dos trabalhadores, além dos grupos de combate opressões e todos os lutadores pela democracia devem cerrar fileiras contra o avanço do conservadorismo e do fascismo, dentro e fora da Universidade.

    O Brasil é o quinto país no mundo onde mais se matam mulheres. Alagoas está entre os estados onde mais se matam mulheres, negros/as e LGBTs, é com essa violência diária que os setores oprimidos em nosso Estado convivem cotidianamente, não iremos permitir que nos espaços onde mulheres se reúnem para falar sobre o combate à violência, elas tenham que sofrer intimidação e agressão.

    A criminalização do aborto é o responsável pela morte de milhares de mulheres no Brasil, mulheres em sua maioria negras e pobres, mulheres como Ingriane Barbosa, mãe de três filhos, completamente desassistida pelo Estado, completamente sozinha e que, sem nenhuma condição para ter outro filho, acabou morrendo com um talo de mamona no útero em uma tentativa desesperada de abortar. O aborto é um problema de saúde pública não uma questão penal. Nenhum grupo conservador, fascista ou pró-Bolsonaro vai nos impedir de falar isso, não vão conseguir nos calar com violência.

    Convidamos todos para o ato debate convocado pelo AFRONTE! e várias organizações e lutadores. A manifestação ocorrerá no ICHCA as 16h, na próxima quinta feira, 16/08. Queremos nele repudiar as atitudes violentas e dar uma resposta a altura. Não aceitaremos que calem quem luta pelas liberdades democráticas, muitos morreram defendendo o direito democrático da livre expressão e contra os discursos de ódio. – Convocamos em especial as mulheres, esse espaço é nosso e ninguém vai nos tirar!

    NENHUMA LIBERDADE AOS INIMIGOS DA LIBERDADE!

    NEM PRESAS NEM MORTAS!

    É PELA VIDA DAS MULHERES!

    NENHUMA A MENOS!

  • Apuração da eleição do Sindicato dos Vidreiros de São Paulo será neste sábado

    Neste sábado, 11, ocorrerá a apuração dos votos da eleição para o Sindicato dos Vidreiros do Estado de São Paulo. A eleição começou na quarta-feira, 08, e foi até a sexta-feira, dia 10. Trata-se de um importante sindicato operário, tradicional de São Paulo, que representa trabalhadores de um segmento da indústria tem uma grande importância nas cadeias produtivas de praticamente todos os setores da indústria: construção civil; automobilística; embalagens para as indústrias farmacêuticas, alimentação, perfumaria e uso doméstico. E, justamente por isso, a maioria das fábricas estão localizadas nos principais polos industriais.

    O estado de São Paulo concentra cerca de 80% da produção de vidro do país e este é também o percentual de trabalhadores deste segmento no estado. O Sindicato estima hoje em 22 mil empregados no setor concentrados na Grande São Paulo, Vale do Paraíba, ABC, região de Sorocaba e região de Campinas. Destaca-se um importante segmento da categoria: os vidreiros manuais na cidade de Ferraz de Vasconcelos, região leste da Grande São Paulo, setor muito mobilizado e participativo das lutas operárias.

    O sindicato tem uma grande tradição de lutas e conquistas desde sua retomada por uma direção combativa desde 1981. A direção do sindicato teve participação ativa na fundação da CUT em 1983, nas greves gerais da década de 1980 e nas principais lutas do povo brasileiro como nas Diretas Já, Fora Collor, contra as privatizações de FHC, contra as medidas de ataque aos trabalhadores do governo Lula e Dilma. E no último período contra o impeachment de Dilma, na greve geral de abril de 2017, na Marcha em Brasília em 24 de maio de 2017, nos protestos e mobilizações contra as reacionárias medidas do golpista Temer.

    Isso sem dizer em inúmeras mobilizações, paralisações, protestos e greves em defesa dos direitos e conquistas dos trabalhadores no chão de fábrica. Se posicionando e organizando os trabalhadores e trabalhadoras no chão de fábrica contra o banco de horas, a coparticipação (pagamento de parte do valor dos planos de saúde pelos trabalhadores), em defesa das CIPAs combativas etc.

    Apesar da conjuntura defensiva de brutais ataques aos direitos trabalhistas e a organização sindical, os companheiros e companheiras tem se mantido firmes aos princípios da independência política e financeira dos patrões. A eleição teve chapa única, a Chapa 1 Nenhum Direito a Menos. A chapa é composta por companheiros e companheiras da Resistência/PSOL, da Artsind e da CTB, e o sindicato é filiado a CUT. Nesta chapa existe uma renovação de 30% dos membros da atual diretoria, com uma importante participação de mulheres, inclusive na Comissão Executiva.

    A eleição da Chapa 1, obtendo o quórum em primeiro turno, será uma importante vitória para os vidreiros e vidreiras seguirem com uma direção combativa e fiel aos interesses imediatos e históricos da classe trabalhadora.

    Todo apoio à Chapa 1 – Nenhum direito a menos!
    Viva a luta dos vidreiros e vidreiras!
    Viva o Sindicato dos Vidreiros!

    Artigo atualizado em 11 de agosto de 2o18

  • Marchezan governa Porto Alegre?

    O que mais me chamou atenção ontem, durante as 10 horas de ocupação da Prefeitura, foi que a responsabilidade de “dialogar” com o movimento foi delegada exclusivamente ao comando da Brigada Militar (BM). O prefeito Marchezan preferiu dar poderes políticos à BM do que atender a uma exigência simples: a abertura de uma mesa de negociação. Além de já ter se demonstrado um péssimo articulador, é incapaz de sentar com o movimento para dizer não. A sua linguagem é a da porrada e só.
    Um detalhe tragicômico: o comandante era o mesmo que admitiu que a Tropa de Choque depredou a Câmara dos Vereadores.
    A BM se prestou a entrar no jogo político. Muita gente brincou que estavam à esquerda do prefeito, já que ele queria a desocupação forçada desde o início da tarde, mas não, Schirmer (Secretário de Segurança) e Sartori faziam o cálculo do que poderia significar uma ação que derramaria sangue de trabalhadoras no Paço Municipal, uma semana antes das eleições, e assim preferiram deixar o prefeito sangrar o dia todo, até por que ele é o rosto de Eduardo Leite (candidato do PSDB ao governo estadual) aos milhões de eleitores da Região Metropolitana.
    O apoio da população ao movimento foi grande, pois a vida piora a cada dia em Porto Alegre. Marchezan pode até coesionar a classe média verde-amarela, mas não se governa a cidade a partir do Parcão. Aquela ilha de privilégios é o oposto da vida do povo que batalha. As dissidências constantes no governo provam que Marchezan é um governo frágil e isso tem que nos fazer acreditar mais na nossa mobilização, a lição central de ontem é essa.
    Uma hora é o MBL, outra o Sindilojas, outra a BM, quem dirige o Paço Municipal?
    Foto: Guilherme Santos, SUL21.
  • 10 de agosto é Dia do Basta: todos às ruas!

    Aproxima-se o 10 de agosto, o Dia do Basta, uma data de mobilizações e paralisações da classe trabalhadora, convocada pelas centrais sindicais, contra o desemprego, a alta nos preços do gás de cozinha e dos combustíveis, a retirada de direitos, as privatizações e os ataques às liberdades democráticas colocados em prática pelo governo golpista de Michel Temer e seus aliados no Congresso Nacional.

    O dia de luta está sendo convocado de forma unitária pelas centrais sindicais – CUT, CSP-Conlutas, Intersindical, Força Sindical, CTB, NCST, CGTB, UGT e CSB. Somaram-se à convocação as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

    Será um dia para os trabalhadores demonstrarem indignação, força e disposição de luta diante dos ataques que temos sofrido. As medidas aprovadas por Temer e o Congresso, como o corte de investimentos em áreas sociais, a reforma trabalhista, a lei das terceirizações, começam a ser sentidas na pele.

    O desemprego atinge patamares históricos: a última taxa registrada é de 12,4%, mas a chamada taxa de subutilização da força de trabalho, que soma os desocupados, os subocupados e os que estão no desalento, ou seja, que deixaram de buscar emprego, chega a assustadores 24,7%, o que representa 27,7 milhões de pessoas. É a maior taxa já registrada. Entre os trabalhadores ocupados, 40% estão no mercado informal, sem nenhum direito assegurado.

    A população sofre também com os altos preços de combustíveis e gás de cozinha, que têm sido reajustados muito acima da inflação, como resultado da política de preços da Petrobrás. Empresas públicas, como a Eletrobrás, estão sendo privatizadas, e outras estão sendo preparadas para a privatização.

    O ajuste fiscal acompanha um aprofundamento dos ataques às liberdades democráticas. A intervenção militar aumentou a violência no Rio de Janeiro; Marielle Franco, vereadora socialista, que lutava contra o genocídio da população negra, foi executada e até o momento as investigações não apontaram os assassinos; Lula, primeiro colocado nas pesquisas eleitorais, está preso, sem qualquer prova.

    Neste cenário, é preciso reagir antes que seja tarde demais. Professores, metalúrgicos, bancários, trabalhadores dos correios, funcionários públicos, trabalhadores dos transportes, comerciários, são algumas das categorias que estão se organizando em todo o País para construir um grande dia de mobilização. Nas principais capitais do Brasil, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Fortaleza e Recife, manifestações unitárias serão realizadas ao longo do dia.

    O Dia do Basta acontecerá em um momento em que importantes setores estão em luta. As mulheres saem às ruas pela legalização do aborto, contra a prisão, as sequelas e as mortes que vitimam principalmente as mulheres pobres e negras. Seguem o exemplo das nossas irmãs argentinas, que tomarão as ruas de Buenos Aires novamente nesta quarta-feira, 08, para a votação da Lei sobre o Aborto Legal.

    Categorias de trabalhadores estão em luta por salários e por direitos, contra a aplicação da reforma trabalhista. Trabalhadores dos Correios devem deflagrar greve por tempo indeterminado a partir de hoje, 07/08. Também podem entrar em greve nos próximos dias os bancários, que realizarão assembleias em todo o país no dia 08/08. Metalúrgicos também estão em campanha salarial. É preciso unificar as lutas de todas as categorias contra Temer e em defesa de direitos e das liberdades democráticas.

    A unidade das centrais sindicais e das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo mostra um caminho a ser seguido. Assim como fizemos em abril de 2016, precisamos organizar a nossa classe para parar o país e dar um basta nos retrocessos. Queremos a revogação das contrarreformas, justiça para Marielle e Anderson, liberdade para Lula, o fim do genocídio da população negra, a descriminalização do aborto. Uma ampla unidade também precisa ser posta em ação contra o crescimento da extrema direita e do neofascismo, que se expressa em manifestações de ódio, ações bárbaras e na candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência, o segundo colocado nas pesquisas.

    Para reverter o atual curso dos acontecimentos, será necessária uma mobilização poderosa, permanente, unificada. Acreditamos que, além de necessário, é possível construí-la, e que o Dia do Basta pode ser um importante passo. Dia 10 de agosto, todos às ruas!