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  • PSOL lança nota oficial: “Em defesa da democracia e do direito de Lula disputar as eleições”

    Toma posse neste sábado (13), em São Paulo, a nova direção nacional do PSOL, formada por 61 membros, sendo 18 da Executiva do partido. A primeira iniciativa pública foi a divulgação de uma nota intitulada “Em defesa da democracia e do direito de Lula disputar as eleições”. No documento, o partido também anuncia que disputará o pleito lançando candidatura própria. Confira na íntegra:

    Nota do PSOL: Em defesa da democracia e do direito de Lula disputar as eleições 

    O golpe institucional de abril de 2016 abriu um período de novos e profundos ataques à democracia, à soberania e aos direitos sociais. Parte desses ataques se expressa nas tentativas de restringir ainda mais os direitos civis, como demonstram a tentativa de limitação do direito ao habeas corpus ou da aceitação de provas ilegais, proposto pelo Ministério Público, ou as inúmeras condenações baseadas exclusivamente em delações de executivos envolvidos em atos de corrupção promovidos em parceria com agentes públicos, muitas delas sem quaisquer provas.

    Parte considerável do Poder Judiciário, dessa forma, expressa também o avanço da agenda que restringe direitos e sufoca a democracia, legitimando o golpe e seu conteúdo reacionário. Enquanto milhares de jovens negros e pobres estão presos sem quaisquer prova, Aécio Neves e Michel Temer, flagrados em áudios que evidenciam diferentes crimes, beneficiam-se da impunidade que protege os ricos.

    O inesperado julgamento do recurso do ex-presidente Lula no Tribunal Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, para o mês de janeiro é, no entender do PSOL, parte das tentativas de consolidar o golpe institucional de 2016. A condenação de Lula, em sentença proferida sem quaisquer provas na primeira instância pelo juiz Sérgio Moro, já seria um absurdo jurídico. Mas antecipar o julgamento do recurso para o mês de janeiro, logo após o fim do recesso do Judiciário, representa uma evidente tentativa de influenciar o quadro eleitoral deste ano e impedir o direito de Lula de se candidatar.

    O PSOL terá candidatura própria à Presidência da República. Uma candidatura radical, popular e que aponte a necessidade de uma alternativa independente dos trabalhadores e trabalhadoras, sem-teto, sem-terra, da juventude e dos estudantes, das mulheres, negros e negras, da população LGBT e todos os oprimidos, sem se furtar ao debate sobre as diferenças de projeto que existem no campo das esquerdas. Mas acreditamos que Lula tem todo o direito de participar das eleições de 2018, apresentando suas propostas para o Brasil. Por isso, denunciaremos a tentativa de restrição desse direito em todos os espaços.

    É preciso derrotar o golpe em todas as suas manifestações e a ofensiva reacionária de parte do Judiciário é uma delas. Nestas circunstâncias, defenderemos os direitos democráticos e o Estado de Direito, com suas imperfeições e limites, jamais aceitando o linchamento político, midiático ou judicial de quem quer que seja. A sociedade não pode aceitar a criminalização sem provas, nem contra Lula, nem contra qualquer cidadão ou cidadã.

    Executiva Nacional do PSOL
    13 de janeiro de 2018

     

  • Neste dia 11, ir às ruas de São Paulo protestar contra o aumento da tarifa

    Por Camila Lisboa, de São Paulo

    Na próxima quinta feira, os movimentos sociais de São Paulo vão realizar uma manifestação contra o absurdo aumento da tarifa de ônibus, trens e metrôs. Este aumento é abusivo e este valor configura umas das tarifas mais caras do Brasil e do mundo. Ainda que neste ano este reajuste tenha sido abaixo da inflação, há muitos anos os aumentos tem sido abusivos, acima da inflação. Se ao longo de todos os anos o aumento respeitasse pelo menos a taxa de inflação, a tarifa de hoje não seria nem 2 reais.

    O prefeito João Dória e o governador Geraldo Alckmin, ambos do PSDB, estão aliados neste ataque. Justificam o aumento pelo aumento de custos, o que não é verdade. Dória trabalha na redução de linhas de ônibus disponíveis e Alckmin trabalha com afinco sobre a entrega do metrô para a iniciativa privada, com leilão de concessão marcado para o próximo dia 19.

    O aumento da tarifa tem um forte impacto sobre a renda das família trabalhadoras. O salário mínimo aumentou 17 reais. Com este aumento, esse reajuste perde sentido. Porque também aumentam os preços dos alimentos e itens da cesta básica.

    Os governos cumprem seus compromissos com a máfia dos transportes e deixam o povo pobre paulistano em piores condições. A luta contra o aumento da tarifa significa questionar todo esse projeto privatista e também significa defender que o transporte seja responsabilidade do Estado.

    Dia 11, as 17h, no Teatro Municipal, no centro de São Paulo, estaremos todos lá!

    Confirme presença no evento:
    https://www.facebook.com/events/222505838292601/

     

  • Em ano eleitoral, Alckmin anuncia reposição para os servidores estaduais muito aquém das reivindicações da categoria

    O governo Alckmin (PSDB) anunciou que enviará para à ALESP projeto de lei em que propõe 3,5% de reposição para os servidores e 7% para as professoras e professores da Secretaria da Educação e do Centro Paula Souza; e 4% para a Polícia Militar a partir de 1 de fevereiro. Também informou o aumento do vale-alimentação de R$ 8,00 para R$12,00, apenas para quem recebe abaixo de R$3.770,90, os demais não recebem.

    Por Sirlene Maciel, de São Paulo

    Com esse anúncio seria plausível que os servidores achassem boa essa proposta, no entanto, sabemos que a maior parte das categorias do estado amargam entre 3 e 6 anos sem reajuste, se calcularmos a inflação nos últimos 4 anos (até março de 2017) o índice é de 32,62% e nesse último ano, apesar dos índices oficiais falarem em inflação entre 3% e 5% , o custo de vida aumentou muito mais, o gás de cozinha aumentou 29,5%, a energia elétrica em outubro teve aumento de 24,3%, conta de água 7,88%, e além disso querem aumentar as passagens de ônibus e metrô em São Paulo.Como vimos, Alckmin não faz nenhum favor e sequer está pagando o que nos deve.

    É preciso reajustar os salários e repor as perdas de todos os servidores públicos estaduais, o que não foi feito nos anos anteriores, por isso não dá para ignorar que o governo ficou seu mandato inteiro sem receber as entidades sindicais, sem negociar e agora em ano eleitoral apresenta uma proposta sem conversar com as categorias.

    Vimos, por exemplo, que no final do ano a APEOESP ganhou na justiça que os professores da Secretaria da Educação teriam direito a 10,15% e o governo recorreu para não pagar. Ou seja, Alckmin não cumpre sequer a lei.

    A valorização dos servidores públicos estaduais não pode ser usada como moeda de troca nas eleições presidenciais, exigimos respeito! Temos que unir força com o conjunto do funcionalismo público estadual, organizar campanhas salariais conjuntas e lutar, pois, é preciso uma política salarial para todos os anos e não apenas as migalhas em ano eleitoral, inclusive o governo Alckmin não cumpre sequer a data base contemplada na legislação vigente.

    É importante lembrar que já no início do ano Temer pretende votar a proposta de reforma da previdência que acaba com a aposentadoria e que o grande alvo são os servidores públicos e Alckmin é grande defensor da reforma e aliado de Temer e pretende ser presidente do Brasil com a mesma política de retirada de direitos. Vamos à luta, unificar o funcionalismo público estadual, organizar a greve geral contra as reformas.

    * Sirlene Maciel é professora do Centro Paula Souza e da Executiva Nacional da CSP-Conlutas

    Imagem: Folha de S Paulo

     

  • Sobre o aumento das passagens em São Paulo: 4 reais é um assalto!

    No final de um ano difícil para o povo trabalhador, o prefeito de São Paulo João Dória, e seu padrinho político, governador do estado, Geraldo Alckmin, anunciam o aumento da tarifa de ônibus, trens e metrô para 4 reais.
    Por Camila Lisboa, de São Paulo
    Alckmin, assim como seu secretário de transportes Clodoaldo Pessilioni, alegam que este aumento é necessário em função dos custos do serviço. Será mesmo? O atual reajuste está abaixo da inflação do último período. Mas não foi isso que ocorreu dos últimos anos para cá. Desde meados da década de 90, se a tarifa tivesse aumentado apenas o valor correspondente à inflação, este valor hoje não passaria de 2 reais.
    O que ocorreu ao longo de todos esses anos foi a garantia de lucros exorbitantes para a máfia dos transportes de ônibus, que financiaram diversas campanhas de candidatos ao governo e à prefeitura. A base disso foram anos e anos de reajustes acima da inflação. Além disso, as autoridades faltam com a verdade quando dizem que os custos dos serviços aumentaram. O metrô de São Paulo vê crescer a quantidade de usuários transportados e diminuir a quantidade de funcionários. Além disso, as condições de trabalho estão piores. Neste ano de 2017, chegou-se a não ter mais copos descartáveis nas áreas de trabalho sob a alegação de falta de verbas.
    Novamente, o governador coloca esse reajuste na conta dos trabalhadores do transporte e dos usuários que utilizam o direito a gratuidade. Alckmin alegou que a quantidade de passageiros que utilizam o direito aumentou e que isso acarreta custos. Com essa declaração, o governo do estado não apenas responsabiliza quem tem direito de andar de graça, porque trabalhou a vida inteira e agora é mais do que justo gozar desse direito, como também mente. Em 2015, foi pública a notícia de que o governo do estado não repassa o valor da gratuidade para o metrô.
    Não vamos pagar a conta da crise!
    Acreditamos que há outros caminhos para enfrentar a crise econômica que não seja pela via de responsabilizar a população e o povo pobre da cidade, que são quem mais utiliza o serviço de transporte. Um dos caminhos é prosseguir a investigação sobre as denúncias de cartel que envolvem empresas e o metrô de São Paulo. Se as denúncias são verdadeiras, não apenas os culpados devem ser punidos, como devem devolver o dinheiro aos cofres públicos. Este dinheiro poderia ser muito bem utilizado para melhoria e ampliação do transporte na cidade, que está cada vez mais caótico.
    Também não acreditamos que privatizar seja o caminho para desafogar as contas públicas. O modelo de concessão da Linha 4, que é o mesmo modelo através do qual Alckmin quer entregar a linha 5, gera mais gastos ao estado, pois o contrato garante os lucros do consórcio vencedor por até 30 anos!
    Assistimos a uma verdadeira inversão de prioridades. Enquanto os governos resolvem a crise dos empresários, piora a já difícil situação do povo trabalhador. Isso só vai ser revertido se o povo for para a rua. Unir os trabalhadores do transporte com os usuários do serviço porque este aumento não beneficia ninguém, a não ser os comparsas de Dória e Alckmin.
    Imagem: Mídia Nija
  • Presente de Natal: Governo Temer vai aumentar conta de luz acima da inflação

    Neste 25 de dezembro, os principais jornais do país anunciam mais um reajuste que afetará a vida do povo, desta vez a tarifa de energia elétrica deve fechar o ano com alta de 14% e subir 9,4% em 2018.

    Por Gisele Peres, da Redação

    No tradicional discurso de Natal, o presidente Temer declarou que “está mais barato” viver no Brasil. No entanto, faltou mencionar que a conta de luz estará ainda mais cara em 2018.

    Os trabalhadores mais pobres foram os mais afetados pela alta das tarifas de energia elétrica e do preço do gás do botijão em novembro, segundo o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda.

    Sob a justificativa de que as chuvas foram insuficientes para compensar períodos de seca e de que os cofres públicos não suportam o “aumento dos encargos sociais”, o Governo Temer vai penalizar ainda mais a população.

    Na média, a maior alta deve ser registrada na região Sul (+10,7%), seguida pelo Sudeste (+9,3%). Em São Paulo, por exemplo, a conta de luz deve fechar este ano 7% mais cara e subir outros 9,1% em 2018.

    A conta que inclui todas as políticas públicas ligadas ao setor, como o programa Luz para Todos e a tarifa social de energia -chamada de CDE-, deve passar de R$ 9,3 bilhões neste ano para R$ 12,6 bilhões em 2018.

    Quem paga a conta?

    O setor de produção de energia é essencial para o país e hoje, ou estão diretamente entregues nas mãos da iniciativa privada, ou as beneficiam explicitamente às custas do prejuízo da população.

    A petroleira Natália Russo, da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), indica que a solução para os problemas no sistema elétrico nacional estão no investimento em infraestrutura do sistema de geração e distribuição atual, ampliação e pesquisa de energias alternativas, estatização completa do sistema entregando as companhias ao controle dos trabalhadores. “Isso tudo só é possível rompendo com o modelo que existe no país hoje, que privilegia os grandes empresários que lucram com o sucateamento do sistema e entrega o setor energético do país para o controle de multinacionais”, afirmou.

  • No Alvorecer de um novo ano

    “O correr da vida embrulha tudo.
    A vida é assim: esquenta e esfria, 
    aperta e daí afrouxa,
    sossega e depois desinquieta.
    O que ela quer da gente é coragem”

    Guimarães Rosa

    Por André Freire, do MAIS/PSOL, Xandão, da NOS e Miranda, do M-LPS

    Uma situação que não está decidida

    Há poucos dias da entrada de um novo ano, muitos ativistas, militantes e muitos trabalhadores e trabalhadoras, nutrem uma vontade de esquecer o ano de 2017.

    Realmente foi o ano dos piores ataques aos direitos e conquistas da classe trabalhadora. Não pretendemos fazer um grande balanço do ano com este pequeno artigo, mas contribuir para uma reflexão que nos ajude a compreender a situação, as possibilidades e as principais tarefas para a Esquerda Socialista no próximo ano.

    Para além de “extrair vitória nas derrotas” queremos olhar este ano como um ano inteiro e não só os recentes acontecimentos ou mesmo a atual situação. Se nos permitem, vamos lembrar um pouco mais que a continuidade do governo de 6% de popularidade e seus brutais ataques as conquistas e direitos do povo trabalhador brasileiro.

    O ano inicia com a posse de Donald Trump e junto com ela massivas passeatas e protestos contra ele nas principais cidades dos EUA, movimento protagonizado principalmente pelas mulheres. No Brasil consolida-se o governo de Temer e seus corruptos e iniciam-se mobilizações de massa, tendo como ápice a greve geral de 28 de Abril e a Marcha a Brasília que reuniu mais de 200 mil pessoas em 24 de maio.

    Uma nova Greve Geral foi marcada para 30 de junho e parecia que iriamos botar abaixo o governo Temer e suas reformas. Mas aí, as maiores centrais sindicais iniciaram o recuo nas mobilizações, em especial da CUT, situação que preconiza as derrotas do segundo semestre. De Greve Geral para dia nacional de luta e nada de mobilização. E o Congresso de corruptos aprova as reformas trabalhistas, a direita se assanha e inicia campanhas contra exibições de arte, impulsiona a aprovação do projeto chamado “escola sem partido” em várias cidades, aumento da criminalização de ativistas e movimentos.

    E assim começou o segundo semestre, se estivéssemos em uma luta de box poderíamos dizer que ganhamos alguns “rounds” no primeiro semestre, mas sofremos duros golpes este segundo semestre, não fomos nocauteados, não perdemos a luta, mas estamos em desvantagem.

    Os protestos realizados no dia 10/11, importantes greves, a ocupação Povo Sem Medo em São Bernardo do Campo de mais de 7 mil famílias na luta por moradia, as várias campanhas salariais do segundo semestre que em sua maioria mantiveram cláusulas detendo momentaneamente muitos dos itens da reforma trabalhista. Outro fato importante foi o “fogo amigo” das centrais sindicais marcando e desmarcando uma Greve Geral contra a reforma da previdência fato que desmobiliza e desmoraliza os trabalhadores e as direções sindicais. Por fim a falta de votos na Câmara dos Deputados que em nossa opinião tem mais a ver com a divisão da burguesia e o temor de uma explosão de mobilizações após os acontecimentos na Argentina que propriamente a mobilização das maiores centrais sindicais.  

    O que fazer?

    Está claro para nós que a unidade da classe para enfrentar essas batalhas é fundamental, portanto uma política ativa de Frente Única para enfrentar Temer e suas reformas é imperioso. A constituição de comitês, blocos, fóruns, frentes etc. para construir mobilizações e atividades contra as reformas e o governo Temer desde a base desde devem ser impulsionadas.

    Devemos estar presentes, ombro a ombro com a classe em todas as frentes de luta e mobilização e no desenvolvimento destes, apresentamos as propostas mais consequentes para reunir, organizar e de forma adequada a cada situação explicarmos que somente uma plataforma de independência de classe, de auto-organização da classe trabalhadora dos explorados e oprimidos e de ruptura com a conciliação de classes pode levar a vitória. Este é o combate necessário para superação da conciliação de classes, base da política do lulismo.

    A candidatura do PSOL pode jogar nesse processo, um papel importante para que o movimento avance, uma candidatura expressiva baseada em um programa de ruptura com o sistema e impulsionando a unidade para derrotar Temer e seus lacaios.

    O ano vindouro promete grandes combates e desafios que colocarão em teste as direções do amplo movimento dos trabalhadores, de nossa parte estamos animados com as grandes possibilidades de contribuir com a reorganização da Esquerda Socialista auxiliando a classe a se reencontrar com uma política genuinamente socialista e revolucionária.

    Coragem para ter a paciência e firmeza necessária para construímos um 2018 de vitórias e um novo patamar de organização da Esquerda Socialista. Não temos nada a temer.

    Abraço de carinho e luta a todos e todas militantes e ativistas!

    Um 2018 de lutas e vitórias!

  • Star Wars VIII: Sempre haverá esperança

    Por Henrique Canary, de São Paulo, SP

    ( NÃO CONTÉM SPOILERS )

    Passada já uma semana da estreia mundial nos cinemas, os fãs de Star Wars continuam debatendo ardentemente sobre o esperado Episódio VIII: Os últimos Jedi. É um fato inegável que a quase unanimidade construída em torno do Episódio VII (O despertar da força) foi desfeita. Alguns se decepcionaram, alegando problemas no roteiro e na construção dos arcos das personagens. Outros, ao contrário, afirmam que o novo filme dirigido por Rian Johnson superou em muito o anterior e já é o melhor da nova leva (que inclui Rogue One, um spin off que se passa entre os episódios III e IV e que estreou em 2016).

    Os últimos Jedi era ansiosamente aguardado por alguns motivos. Em primeiro lugar, porque marcaria o retorno de Luke Skywalker à história (ele aparece apenas nos últimos segundos do Episódio VII). Em segundo, por que seria a última aparição de Leia Organa (princesa nos episódios IV, V e VI e general no Episódio VII). A trágica morte Carrie Fisher, em dezembro de 2016, deu a este episódio um tom mais triste porque sabemos que não a veremos mais, ao mesmo tempo em que obrigou os produtores a fazer algumas adaptações no roteiro, inclusive a recriar o rosto da atriz por computação gráfica em algumas cenas. Em terceiro, porque o Episódio VII levantou muitas questões que se esperava fossem respondidas neste episódio: quem são os pais de Rey? Finn tem alguma relação com a Força? Quem é o Líder Supremo Snoke e qual sua história? Alguém passará de um lado para outro da Força? E tantas outras perguntas…

    Apesar das muitas polêmicas entre os fãs, há quase um consenso de que o retorno de Luke à história foi espetacular. Mark Hamill entrega uma atuação madura, por vezes sombria, como era de se esperar pela sinopse. Mas ao mesmo tempo deixa transparecer em vários momentos o “jovem Skywalker” que aprendemos a amar tanto. Ele está lá, e seus traços podem ser encontrados nas rugas e na voz envelhecida do ator.

    As alterações de roteiro provocadas pela morte de Carrie Fisher foram muito bem feitas e passam, de fato, desapercebidas. Quanto às inúmeras perguntas levantadas pelo episódio anterior, muitas delas permanecem sem resposta, o que não é de todo ruim. Nesse sentido, o filme tem o mérito de fugir um pouco da atual tendência hollywoodiana de entregar tudo pronto e explicado para o espectador. Será preciso especular e imaginar até o último filme (e que bom!).


    A resistência e as novas gerações

    Alguém disse certa vez que uma obra cultural, uma vez terminada e entregue ao público, pertence a este último, que pode ver nela o que bem entender, muitas vezes independentemente da vontade original do autor. Talvez Star Wars seja um pouco isso. Em tempos de Temer, Bolsonaro, reforma trabalhista, confusão e divisão da esquerda, Os últimos Jedi é uma filme extremamente otimista e um chamado à confiança no futuro. Ele nos conta a história de uma Aliança Rebelde que sofre uma derrota atrás da outra. Mas como diz Poe Dameron (personagem de Oscar Isaac) no próprio trailer, “Somos a faísca que acenderá a chama que destruirá a Primeira Ordem”. Apesar das derrotas, os rebeldes têm plena confiança no futuro, pois sabem que seus aliados são os explorados e oprimidos pela Primeira Ordem de todos os cantos da galáxia. Sabem que a frase “Sou membro da Resistência” pode em alguns casos significar a morte, mas em outros lhes garantirá abrigo, cuidado e talvez até uma nave emprestada. Basta saber a quem dizê-la. Aliás, a frase sobre a faísca colocada na boca de Dameron é uma clara referência ao famoso verso do poeta russo Alexander Odoevski, em seu poema de 1828: “Da faísca nascerá a chama”. Este verso foi adotado mais tarde por Lenin como lema do jornal revolucionário Iskra [a faísca]). Também na Rússia do início do século 20, os revolucionários sofreram muitas derrotas, mas souberam perseverar. E por isso venceram. Os últimos Jedi é também um filme sobre pessoas simples e sobre como é impossível vencer sem a coragem delas; sobre como não é preciso ser alguém especial para fazer coisas especiais. A Resistência não é formada apenas por generais, almirantes e exímios pilotos. Ela inclui gente que faz a manutenção das naves e limpa os esgotos das estações espaciais. Não há Resistência sem essas pessoas. O mesmo vale para a Primeira Ordem. E como dizia Bertolt Brecht “O vosso tanque, general, é um carro forte / Derruba uma floresta, esmaga cem homens / Mas tem um defeito / Precisa de um motorista”.

    Os últimos Jedi nos explica que a condição mais importante para a vitória da Resistência é a sua capacidade de ganhar o coração e as mentes das novas gerações; que líderes e comandantes experientes têm um enorme valor e que se pode aprender muito com eles, mas que também eles podem e devem ser substituídos em algum momento. E é sempre melhor se os velhos comandantes saírem de cena de maneira voluntária, prestando seu apoio aos jovens líderes. Os jovens às vezes erram, rompem a disciplina, se precipitam, avaliam mal as condições da luta. Mas eles são o futuro.

    Star Wars VIII – Os últimos Jedi nos ensina que a vida é finita e que só há um lugar em que podemos viver para sempre: na memória dos que virão depois de nós, que contarão sobre nós histórias e que se apoiarão em nossos feitos e em nosso exemplo para seguir a luta. Pois é ela que dá sentido à nossa existência. É ela que destrói e constrói todas as coisas. Que une e separa homens e mulheres, classes sociais, nações. A luta é o fio explicativo de toda a história humana. Ela é a Força da vida real.

    Assista o trailer (legendado) de Star Wars VIII

  • Sem Lenin e as teses de abril teria o bolchevismo vencido em Outubro?

    A história esclarece duas grandes “crises internas” do bolchevismo no ano da revolução. Na primeira, Lênin, que acabara de voltar da Suiça, apresenta suas “Teses de Abril” e “rearma” po­Iíticamente o seu partido para a guerra contra o regime de fe­vereiro; na segunda, no penúltimo estágio da revolução, os de­fensores e adversários da insurreição se enfrentam mutuamente no Comitê Central bolchevique (…) Em ambas as crises-, somos levados a sentir que é dos poucos membros do Comitê Central que a sorte da revolução depende: seus votos decidem se as energias das massas devem ser dissipadas e derrotadas, ou dirigidas para a vitória. O problema das massas e lideres é apresentado com toda a sua agudeza e quase que imediatamente as luzes focalizam de forma ainda mais  limitada e intensiva, um único líder, Lênin­. Tanto em abril como em outubro Lenin fica quase que sozinho, incompreendido e renegado pelos seus discípulos. Membros do Comitê Central quase queimam a carta na qual ele insiste em que se preparem para a insurreição, e Lênin resolve “travar a guerra” contra eles e, se necessário fôr, recorrer às fileiras, de­sobedecendo a disciplina partidária. “Lenin não confiava no Co­mite Central – sem Lenin.”, comenta Trotski, e “Lênin não estava muito errado nessa desconfiança”(…) Trotski enfrenta aqui o problema clássico da personalidade na história e, talvez, tenha menos êxito. [1](grifo nosso)

                                                                                                                       Isaac Deutscher

    Por Valério Arcary, Colunista do Esquerda Online. Publicado originalmente na Revista Socialismo e Liberdade da Fundação Lauro Campos  

    A pergunta no título deste artigo é retórica. Não é possível respondê-la. Contrafactuais são exercícios legítimos, porém, hipotéticos, que só podem ter o mérito de sugerir um problema. Neste caso, o problema não é simples: e se Lênin não tivesse atravessado a Alemanha no trem blindado, não tivesse ganho o partido bolchevique para as teses de Abril, e depois, para a iminência da insurreição, Outubro teria ocorrido? [2] A resposta não é simples, e nunca poderá ser irrefutável.

    A questão é pertubadora porque, nos primeiros meses depois de fevereiro, a direção bolchevique, no interior da Rússia, cedendo às pressões de sua própria base social, embriagada, como o conjunto da classe, pela vitória fulminante de fevereiro, defendia uma linha de apoio crítico ao governo provisório. Especulava-se na direção do bolchevismo até com uma unificação com o menchevismo, já que o horizonte de uma República Democrática ainda parecia um limite programático comum. [3]

    Não foram poucas as dificuldades de Lênin para conseguir a aprovação das Teses de Abril, um giro estratégico. Também foi muito complexo conseguir aprovar, por maioria, a linha de preparação da insurreição. Por isso o papel de Lênin, só pode ser compreendido, apropriadamente, na condição de líder dos milhares de líderes, que compunham a organização bolchevique. Ou, em outras palavras, pelo lugar que ocupava na direção do sujeito político coletivo. Sua autoridade teria sido, de fato, insubstituível, como sugere Trotsky? Trotsky se coloca a questão e responde que não. A sugestão de Deutscher é que Trotsky, talvez porque só, tardiamente, tenha defendido a união da organização interdistritos com o partido bolchevique, tenha se inclinado por uma hípervalorização do lugar individual de Lenin no desenlace vitorioso de Outubro [4].

    Por outro lado, é bem conhecido que o giro tardio de Trotsky para a unificação com Lenin, fez dele, até ao final de sua vida, um defensor entusiasmado do bolchevismo como modelo de partido. Deixou como herança uma posição “superleninista”. Acontece que uma supervalorização da autoridade de Lenin, necessariamente, diminui a ideia da eficácia do papel do partido como organização coletiva, portanto, uma contradição lógica. O que não impediu Trotsky, surpreendentemente, de escrever variadas vezes nos seguintes termos:                          

    A ditadura do proletariado se deduzida a partir de toda a situação. Além disso, era necessário instaurá-la, e isso não teria sido possível sem o partido. E ele só poderia cumprir sua missão se a compreendesse. Para isso era necessário Lenin. Antes de sua chegada a Petrogrado, nenhum dos líderes bolcheviques se atreveu a fazer o diagnóstico da revolução. Pelo curso dos acontecimentos a direção Kamenev-Stalin foi empurrada para a direita, para a posição dos social-patriotas: a revolução não deixou espaço para uma posição intermediária entre Lenin e os mencheviques. A luta intestina dentro do partido bolchevique era inevitável. A chegada de Lenin só acelerou o processo. Sua ascendência pessoal reduziu as proporções da crise. No entanto, alguém pode afirmar com segurança que, sem ele o partido teria encontrado o seu caminho? Nós não ousaríamos dizê-lo. O fator decisivo nesses casos é o tempo, e quando a hora passou é muito difícil ter uma visão retrospectiva do relógio da história. De qualquer forma, o materialismo dialético não tem nada em comum com o fatalismo. Sem Lenin, a crise que inevitavelmente tinha que causar esta liderança oportunista, tinha tomado um caráter excepcionalmente acentuado e prolongado. Claro, as condições da guerra e da revolução não deixavam para o partido muita margem de tempo para cumprir sua missão. Portanto, poderia muito bem acontecer que o partido, desorientado e dividido, perdesse por muitos anos a ocasião revolucionária. O papel da personalidade alcança aqui, diante de nós, proporções verdadeiramente gigantescas. [5]

    O papel do indivíduo na História, é um tema particularmente espinhoso para os marxistas. Por muitas razões. A mais importante é que uma das monstruosidades ideológicas do século XX foi o culto abjeto à personalidade dos líderes. Em nome do marxismo se praticou uma liturgia sinistra da política monolítica, um método de exercício do poder próprio de déspotas asiáticos, elevado a política de Estado pelo estalinismo, e feita em nome do socialismo. Depois dessa tragédia haveria que guardar mil reservas contra estes excessos. Inclusive no Brasil, como se sabe, primeiro com o varguismo e, mais recentemente, com o lulismo

    O argumento polêmico mais forte de Trotsky é que a oportunidade poderia ter sido perdida, porque os prazos seriam irreversíveis e, sem Lênin, a crise política do bolchevismo, em sua opinião inexorável, teria se prolongado muito mais e exaurido o partido em uma luta fracional da qual não poderia sair intacto.

    Deutscher argumenta contra o Trotsky que a personalidade “excepcional”, elevada a uma grande autoridade pelos sua capacidade ou pelas circunstâncias, bloqueia o caminho para que outros, que poderiam ocupar o seu lugar pudessem cumprir a mesma tarefa, ainda que imprimissem aos acontecimentos as marcas próprias do seu estilo. É o “eclipse” dos outros que criaria a “ilusão de óptica” da personalidade insubstituível. Deutscher acrescenta que mesmo que a crise revolucionária aberta entre Fevereiro e Outubro se perdesse, outras voltariam a se abrir:

    Trotski afirma que somente o gênio de Lênin po­dia enfrentar as tarefas da Revolução Russa e insinua frequentemente que, em outros países, também, a revolução deve ter um partido como o bolchevique e um líder como Lênin, para vencer. Não há nada de novo em falar-se da extraordinária capacidade de Lenin ou da boa sorte que teve o bolchevismo encontrando um líder corno ele. Mas em nossa época, as revoluções chinesa e iugoslava não triunfaram sob partidos muito diferentes do boI­chevique de  1917, e sob líderes de menor estatura, em certos casos de muito menor estatura? Em cada caso, a tendência revolucio­nária encontrou ou criou seu órgão com o material humano de que dispunha. E se parece improvável supormos que a Revolu­ção de Outubro teria ocorrido sem Lenin, tal suposição não será tão pouco plausível quanto a inversa, de que um tijolo caindo de um telhado em Zurique em princípios de 1917, poderia ter modificado a sorte da humanidade neste século.[6](grifo nosso)

    Deutscher leva o raciocínio até ao fim, e conclui que a hipótese de Trotsky seria “espantosa em um marxista”. No entanto, não nos enganemos, não estamos diante de uma discussão “bizantina”, mas diante do lugar do último elo de uma complexa cadeia de causalidades. A questão remete tanto à personalidade política notável de Lênin, quanto sobre o lugar do sujeito político coletivo na crise revolucionária.

    Se até o partido bolchevique, talvez, o mais revolucionários da história contemporânea, teve uma fração hostil à luta pelo poder em sua máxima direção, em plena crise revolucionária, que dificuldades esperar no futuro? A pressão das classes socialmente hostis a um projeto socialista seria tão grande que esse processo tenderia a se repetir?

    A premissa de que os fatores subjetivos se neutralizam, mutuamente, e, portanto, se anulam, não tem sustentação: são justamente as diferentes margens de erro, ou seja, a qualidade do sujeito político que pode fazer a diferença, e inclinar a balança em uma ou noutra direção. Se as oportunidades históricas colocadas pela luta de classes se perderem, sempre existe a possibilidade de um impasse histórico prolongado cujos desenlaces são, a priori, indefinidos e imprevisíveis. George Novack acrescentou um argumento:

    A discrepância observada por Deutscher entre as observações de Trotsky sobre que Lênin era essencial para a vitória de outubro, e as que dizem que as leis objetivas da história são mais fortes do que as características peculiares dos protagonistas, deve ser explicada pela diferença entre o curto prazo, e a história a longo prazo (…) A qualidade da direção pode decidir qual das alternativas válidas que emergem das condições prevalecentes irão realizar-se. O fator consciente tem uma importância qualitativa distinta, ao longo de uma época histórica inteira, que a que tem em uma fase ou situação específica dentro dela (…) O tempo é um fator importante no conflito entre as classes sociais enfrentadas. A fase indeterminada em que os acontecimentos podem ser desviados em qualquer direção não dura muito tempo. A crise das relações sociais deve ser, rapidamente, resolvida de uma forma ou de outra. Nesse ponto, a atividade ou passividade de personalidades dominantes, os grupos e  partidos, pode fazer pender a balança de um lado ou do outro. O indivíduo pode intervir como um fator decisivo no processo de determinação histórica somente quando todas as outras forças em jogo estão, temporariamente, empatadas. Então, o peso extra pode servir para inclinar a balança(grifo nosso)[7]

    Não parece haver escapatória para essas perguntas. Elas oferecem uma dimensão dramática  para a importância dos fatores subjetivos. Os graus de incerteza histórica aparecem, assim, na sua dimensão mais nua e crua. Eis o problema teórico: em que medida a ação recíproca dos fatores objetivos e subjetivos, incidindo uns sobre os outros, não poderia provocar uma inversão das hierarquias de causalidades, tal como estabelecidas pelo marxismo clássico?

    Os critérios de Deutscher são estritamente deterministas. E os de Trotsky, talvez, mais flexíveis: os fatores objetivos e subjetivos são, também, mutuamente, relativos, e guardam uma sutil interação entre si. Em relação às massas operárias e camponesas, o partido bolchevique era um fator subjetivo. Mas em relação aos seus membros ele era um elemento objetivo. Em relação ao partido, a presença de Lênin era um elemento subjetivo, mas nas suas relações com os outros membros da direção, sua presença era um fator objetivo.

           

                                        

     


    [1] DEUTSCHER, Isaac, Trotsky, O Profeta Banido, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1984, p.250)

    [2] Publicadas no jornal Pravda (A Verdade) no dia 7 de abril de 1917, as “Teses de Abril” eram sucintas e impactantes, inclusive, inicialmente, para a própria direção do partido bolchevique. Eis as conclusões fundamentais: Nenhum apoio ao governo provisório! Paz, Pão, Terra! Todo Poder aos Soviets!

    [3] Três concepções programáticas estiveram em disputa entre os marxistas russos antes de 1917. Os mencheviques acreditavam que existiria coincidência social entre as tarefas da revolução e as classes. Como as tarefas da revolução eram democráticas defendiam a luta por uma revolução burguesa e por uma república liberal, sob uma direção burguesa. Pensavam que a Rússia deveria passar por uma etapa de urbanização e industrialização, antes que estivesse madura a luta pela revolução socialista. A posição de Trotsky era oposta: acreditava que a burguesia russa seria impotente diante do Czarismo. Reconhecia as tarefas democráticas da revolução, mas defendia um processo ininterrupto, em permanência, para levar a luta até ao fim pelo poder proletário. A posição de Lênin era intermediária: revolução burguesa por uma ditadura democrática dos operários e dos camponeses. As Teses de Abril aproximaram Lenin da concepção de Trotsky.

    [4] FREIRE, André. A entrada de Leon Trotsky no Partido Bolchevique: https://esquerdaonline.com.br/2017/07/17/100-anos-da-revolucao-russa-a-entrada-de-leon-trotsky-no-partido-bolchevique/ Consulta em 16/08/2017.

    [5] TROTSKY, Leon, Historia de la Revolución Rusa, Bogotá, Pluma, Tomo I, p.300

    [6] DEUTSCHER, Isaac, Trotsky, O Profeta Banido, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1984, p.255

    [7] NOVACK, George, Para comprender la Historia, Mexico, Fontamara, 1989, p.80.

  • Alckmin desponta como o candidato dos ricos

    Por Ademar Lourenço, de Brasília, DF

    Empresários apostam em um nome que traga segurança a seus negócios e estabilidade para continuar as reformas

    Os donos do dinheiro não têm do que reclamar. Os banqueiros vão lucrar horrores com o congelamento de gastos na saúde e na educação. Com a reforma trabalhista, os empresários já podem pagar menos que um salário mínimo . Vai sobrar mais dinheiro para pagar a dívida pública, que nunca passou por uma auditoria. Também vai dar para sonegar mais e receber mais isenções, como está sendo liberado para as petroleiras. Mas querem mais. Por isso se preocupam em eleger um candidato 100% alinhado com seus interesses.

    Depois de muito procurar, parece que os banqueiros e grandes empresários encontraram seu candidato principal para disputar a Presidência em 2018. Geraldo Alckmin foi eleito presidente do PSDB, em uma convenção marcada pelo repúdio a Aécio, e é o candidato favorito de 46% dos grandes investidores. 

    Apesar de o PSDB desembarcar do governo Temer, Alckmin seria eleito para aplicar o mesmo programa. Recentemente, o PSDB publicou um documento que fala em “choque de capitalismo”. Isso quer dizer mais perda de direitos, novas privatizações e menos verbas ainda para a saúde e educação. Se a reforma da Previdência não conseguir ser aprovada no governo Temer, com certeza seria retomada por Alckmin em 2019.

    A falência das novidades
    A população está em um nível de desencanto e decepção tão grandes com a política, que a burguesia ensaiou candidaturas que representassem a “novidade”, a imagem do anti-político, explorando o fenômeno que elegeu Doria em São Paulo e que também esteve presente na eleição de Trump.

    Mas parece que essas candidaturas não decolaram. O apresentador Luciano Huck desistiu e parece concentrar esforços em financiar uma bancada parlamentar com esse perfil anti-político. Já o showman João Dória, depois de percorrer o Brasil divulgando sua candidatura, acabou que se atrapalhou na Prefeitura de São Paulo e viu sua densidade desaparecer.

    Foi complicado para a classe dominante escolher um candidato prioritário. A escolha ainda não está 100% sacramentada, ainda temos um ano para as eleições. O próprio governo Temer e o PMDB procuram manter viva a candidatura de Henrique Meirelles, apoiada nos trabalhos prestados pelo ministro na aplicação da política econômica com Temer e com Lula. Outros nomes estão colocados à mesa, como o do empresário João Amoedo e de Marina Silva. Mas Alckmin já está com os dois pés no posto de candidato prioritário do “mercado”.

    Por que ele?
    Geraldo Alckmin não está tão bem avaliado como governador de São Paulo, como em outros momentos. Hoje tem aprovação de apenas 34%. Pode ter problemas com a operação Lava-Jato e está seriamente envolvido no escândalo de corrupção do metrô paulista  Além disso, ele não tem quase nenhum carisma (é comparado a um xuxu) e representa a velha política. Perdeu uma disputa presidencial e não conseguiu tornar-se um nome realmente nacional, apesar de décadas no governo de São Paulo. Por isso tudo, ele ainda tem apenas 6% de intenção de voto nas pesquisas .

    Mas não podemos subestimá-lo. Ele já está sendo paparicado pela mídia e com certeza terá uma candidatura com muito dinheiro, boas alianças e apoios nos estados e municípios. Terá muito tempo de TV, será assessorado pelas melhores agências de publicidade e terá uma multidão de prefeitos, deputados e militantes pagos para o apoiar. Apesar de escândalos como o do metrô, Alckmin não tem ainda o nome associado à corrupção. Também tem um perfil extremamente conservador, inclusive tendo sido muitas vezes denunciadas suas relações com a Opus Dei, corrente religiosa católica, o que o coloca em posição privilegiada em meio ao crescimento de posições conservadoras, principalmente entre o eleitorado religioso. Por isso, tende a crescer e pode até conquistar eleitores de Bolsonaro.

    Uma alternativa de “centro”, contra a polarização 
    A burguesia brasileira quer um dos seus na cadeira de presidente. E prefere um candidato que tenha experiência e represente estabilidade. Apesar de o eleitorado exigir nomes que representem uma renovação, a classe dominante olha com desconfiança e quer ter segurança para os seus negócios. Também não se vê representada pelos dois nomes que lideram as pesquisas: Lula e Bolsonaro.

    Os 12 anos de governos petistas foram marcados por uma grande estabilidade, apoiada em crescimento econômico de dois dígitos, que permitiu reduzir o desemprego, criar políticas sociais mínimas, ao mesmo tempo em que os grandes empresários lucravam como nunca. A estratégia foi a de “governar para todos”, com o governo apresentando-se como intermediário entre patrão e trabalhador. Lula e o PT  cumpriram o seu papel até que a crise econômica mundial exigiu um novo patamar de exploração sobre os trabalhadores, motivando o golpe parlamentar do impeachment. Ou seja, Lula e o PT não metem medo na burguesia como se imagina, mas com certeza os donos do poder não querem Lula e o PT de volta na Presidência. A ponto de nesse momento acelerarem o julgamento da Lava Jato, para impedir a sua candidatura, em um golpe contra o direito dele se candidatar e às liberdades democráticas.

    Bolsonaro tem a cara do pior da burguesia brasileira e de sua herança escravocrata: odeia negros, pobres, mulheres e LGBTs, é autoritário, defende uma polícia que mata sem critério e representa o retrocesso. Mas isso não quer dizer que ele seja o preferido da classe dominante. Ele é um “fanfarrão”, que não demonstra equilíbrio nem para um simples debate com o Congresso Nacional. Além disso, a repulsa popular por Bolsonaro poderia desencadear muitas mobilizações, como acontece com o presidente Trump nos Estados Unidos. Por isso o “mercado” tem muitas desconfianças e a maior parte o enxerga como um “outsider”.

    Nem Lula nem Jair Bolsonaro trariam a estabilidade necessária para os ricos e as multinacionais. Essa é a razão para a escolha de Alckmin. A mídia já coloca o candidato do PSDB como o candidato de “centro”, que pode colocar “o Brasil nos trilhos” com segurança.

    Ainda que também expresse a ideologia da direita brasileira, Alckmin transmite a imagem de gestor, de quem prefere arregaçar as mangas e trabalhar, a discutir. E esse perfil tem potencial de atingir uma parcela da população cansada de crise, de agitação política e que, objetivamente, deseja apenas ver a economia crescer e ter seus problemas resolvidos.

    Devemos ter nossa alternativa
    O grande capital, os banqueiros e grandes empresários que formam os 1% mais ricos do País, já está definindo sua principal candidatura. Nas ruas, a polarização permanece entre uma candidatura da extrema-direita militarista, com Bolsonaro, e a candidatura petista, que busca se aproximar dos movimentos sociais, mas preserva a estratégia da conciliação de classe.

    A esquerda socialista precisa construir sua alternativa. É fundamental a construção de uma candidatura dos trabalhadores e do povo pobre, com um programa que defenda a revogação das reformas, a taxação das grandes fortunas, a auditoria e suspensão do pagamento da dívida, a reforma agrária e urbana e a defesa dos direitos de mulheres, negros e LGBTs. Uma candidatura que seja uma alternativa ao candidato da burguesia (Alckmin), ao neofascismo (Bolsonaro) e que supere a experiência dos governos petistas, expressa hoje com Lula. Essa tarefa é urgente.

  • O momento decisivo na luta contra a Reforma da Previdência

    Editorial 07 de dezembro,

    A próxima semana será decisiva na luta contra a Reforma da Previdência. Michel Temer (PMDB) pretende aprovar a proposta ainda em dezembro. Para isso, o governo está exercendo enorme pressão sobre os partidos e deputados. Nesta quarta-feira (6), Temer deu aval para que o Congresso aprovasse medidas com impacto de R$ 30 bi em troca de apoio à reforma. O fato é que o governo vem despejando gigantesca quantia de dinheiro para comprar o voto dos parlamentares.

    Com o entusiasmado suporte do empresariado, a grande mídia e o governo têm feito uma campanha de terrorismo. Afirmam que sem a reforma o Brasil irá quebrar. Mentira deslavada. Na verdade, o que ricos e poderosos querem é que o governo repasse menos dinheiro para a Previdência pública e mais para os bolsos de banqueiros e grandes empresários. Por exemplo, na semana passada, a Câmara do Deputados aprovou uma lei que isenta as petroleiras estrangeiras de pagar impostos no valor de R$ 1 trilhão.

    Entretanto, apesar da ofensiva do governo, a maioria da população segue contrária à Reforma Previdência. O povo entendeu que essa proposta prejudica justamente os menos favorecidos. Por conta disso, muitos deputados temem votar a favor da medida e perder votos nas próximas eleições. Até este momento, o governo ainda não tem os 308 votos necessários para aprovar a reforma na Câmara.

    A hora da luta
    A pressão dos trabalhadores pode ser fundamental para barrar a aprovação da reforma na próxima semana. Nesse sentido, é fundamental que ocorram fortes mobilizações nos dias 12 e 13 de dezembro, data prevista para a votação da proposta. As centrais sindicais têm a obrigação de convocar um dia de greve nacional. Qualquer vacilo nesse momento representará uma traição à classe trabalhadora.

    Acreditamos que o conjunto do movimento sindical e social precisa incorporar o calendário aprovado pelo Fonase (Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais), que prevê paralisações, manifestações e atos públicos para quarta (12) e quinta (13).

    Neste momento crítico, é fundamental também que os partidos e as lideranças políticas da esquerda se posicionem. O PSOL e seus parlamentares vêm atuando com firmeza contra a reforma da Previdência, assim como o MTST e Guilherme Boulos. Lula e o PT, por sua vez, apesar dos discursos contrários, não estão convocando a luta. Por que Lula não aproveita sua caravana pelos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo para chamar as mobilizações populares contra a reforma?

    Dia 05 de dezembro: um balanço necessário
    Os trabalhadores poderiam estar mais fortalecidos para a luta da próxima semana, caso as maiores centrais sindicais não tivessem desmarcado a greve nacional prevista para a última terça-feira (5). Neste dia, apesar do recuo das cúpulas sindicais, ocorreram atos importantes em quase todas as capitais brasileiras, com destaque para Aracaju (SE).

    No entanto, as mobilizações ficaram muito aquém do seu potencial. Diversas categorias que tinham se preparado para parar, como metroviários, metalúrgicos, petroleiros, rodoviários, entre outras, cancelaram a greve devido ao recuo das cúpulas da CUT, Força, UGT, Nova Central e CSB. O cancelamento da greve nacional causou grande descontentamento na base dessas centrais. Mas mesmo assim algumas dessas direções seguiram fazendo o jogo dos inimigos dos trabalhadores. No próprio dia 05, a Força, UGT, Nova Central e CSB tiveram o descaramento de se reunirem com Temer no Palácio do Planalto.

    Mas pode ser ainda pior. O jornal Folha de S. Paulo noticiou, nesta quinta (7), que o governo providenciou o pagamento de R$ 500 milhões às centrais em imposto sindical supostamente atrasado. Se esta notícia for confirmada, estaremos diante de um escândalo: parte da cúpula das centrais estaria ajudando a vender o direito dos trabalhadores em troca de dinheiro.

    A CSP-CONLUTAS, Intersindical e MTST tomaram a decisão correta de manter a convocação dos atos do dia 05, o que forçou as centrais a manterem a convocação dessas atividades. Agora é hora de redobrar a pressão e fortalecer as mobilizações unitárias da próxima semana.

    Foto: Julia Gabriela | Esquerda Online