André Freire

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  • Quatro notas sobre o IDH 2018

    Na véspera das eleições, relatório da ONU sobre o índice de Desenvolvimento Humano (IDH) aponta que o Brasil vive queda da renda da população; profunda desigualdade social; e crescimento do desemprego, principalmente entre os mais jovens

    Na última sexta-feira, 14 de setembro, as Organizações das Nações Unidas (ONU) divulgou o índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do ano de 2018. O IDH produz um ranking de países, através do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), construído a partir de três variantes fundamentais: a saúde, a educação e a renda.

    Embora o IDH não seja um critério unânime para discutir a qualidade de vida da população, ele não deixa de ser uma referência importante para esta discussão.

    Depois de melhorar seis posições neste ranking, entre os anos de 2012 e 2014, nos últimos três anos, o Brasil segue estagnado na 79ª colocação. Na última pesquisa, os dados sobre Brasil são relativos ao ano de 2017.

    Entre tantas questões que se pode discutir a partir do anuncio do IDH 2018, é importante destacar:

    1 – O Brasil é o país mais desigual do mundo, fora do continente africano

    Caso o nível de desigualdade social fosse incluído como critério de definição do IDH, o Brasil perderia nada mais nada menos que 17 posições no ranking.

    Esse resultado vergonhoso se deve ao fato lastimável do Brasil ser o nono país mais desigual do mundo, segundo o coeficiente Gini.

    Nosso país só fica atrás de oito países africanos: África do Sul, Namíbia, Botsuana, Zâmbia, República Centro-Africana, Lesoto, Moçambique e Suatini.

    Ou seja, olhando de forma mais atenta, a situação é ainda pior. Pois, fora do continente africano, o Brasil ocupa a primeira posição em matéria de desigualdade social. Uma vergonha.

    A desigualdade atinge, em cheio, as mulheres brasileiras. Segundo os dados, elas ganham salários equivalentes a apenas 43% dos salários dos homens.

    2 – A juventude brasileira sofre com o maior desemprego entre os países latino-americanos

    Chama atenção também o forte crescimento do desemprego no Brasil. Os dados oficiais do IBGE já apontam para mais de 13 milhões de desempregados.

    Soma-se a este drama, segundo o PNUD, o Brasil possui o maior índice de desemprego entre a população mais jovem: 30,5%. No Brasil, na faixa de jovens de até 24 anos, 24,8% destes não trabalham e não estudam. No Uruguai, esse índice é de 18,7% e na Argentina, 19,7%.

    3 – Nosso país fica atrás da Venezuela

    Apesar de sofrer um boicote econômico de países como os EUA e conviver com uma grave crise social, devido ao fracasso da politica econômica dos sucessivos governos chavistas, esse importante país latino-americano ainda fica uma colocação na frente do Brasil no IDH.

    Esse fato chama ainda mais atenção, devido aos recentes acontecimentos na Região Norte do Brasil, que vem recebendo um grande número de refugiados venezuelanos.

    Apesar de toda essa situação difícil, a Venezuela ainda consegue ganhar do Brasil. Isso acontece, principalmente, devido a terrível situação nos serviços públicos brasileiros, especialmente na saúde e educação, e na queda da renda dos brasileiros. A renda per capita no Brasil caiu 4% nos últimos dois anos.

    4 – É urgente um programa que enfrente os privilégios

    Toda esta situação reforça uma questão: enfrentar a brutal desigualdade social brasileira precisa ser um dos eixos prioritários de qualquer programa de transformação de nosso país.

    As políticas sociais compensatórias aplicadas pelos governos do PT tiveram sua importância, mas se revelaram insuficientes e efêmeras. A mudança precisa ser mais estrutural. Não podemos repetir os limites programáticos dos governos petistas de conciliação com as grandes empresas e bancos.

    Por isso, precisamos mudar radicalmente a política econômica. Encarar o desafio é de realizar uma profunda reforma tributária, que sobretaxe as grandes fortunas e os lucros exorbitantes das grandes empresas e bancos.

    Além de realizar uma auditoria da dívida pública, para interromper a verdadeira sangria de recursos públicos, através da cobrança de juros e amortizações, que chega consumir todo ano quase metade do Orçamento da União. Essas medidas são necessárias para que o Estado brasileiro tenha recursos para ampliar qualitativamente os investimentos sociais e combater na prática a desigualdade social.

    Estas propostas estão inseridas na plataforma programática da candidatura presidencial de Guilherme Boulos e Sônia Guajajara. Mais um bom motivo para votar 50 para presidente da República, no dia 7 de outubro. Seu voto vai fortalecer a luta por um país mais justo. Vamos, sem medo de mudar o Brasil.

    FOTO: Fernando Frazão / Agência Brasil / Arquivo

    LEIA MAIS – EDITORIAL PROGRAMÁTICO

    Taxar os mais ricos e auditar a dívida: Orçamento público para a maioria

  • O Brasil vive uma “normalidade democrática”?

    Na edição desta sexta-feira, 14 de setembro, a Folha de S. Paulo publicou uma matéria que merece nossa reflexão. No Uruguai, o presidente da República mandou prender o Chefe do Exército por 30 dias, porque ele criticou publicamente um projeto de lei do governo, que tramita no Congresso Nacional do nosso país vizinho da América do Sul. O projeto discute uma reforma do sistema de pensões militares e uma nova lei orgânica para as Forças Armadas.

    Não apoio politicamente o governo uruguaio, mas esse fato demonstra que o presidente Tabaré Vasquez não está subordinado a alta cúpula dos militares do seu país. Todos sabem que as forças armadas latino-americanas já produziram regimes ditatoriais e sanguinários, na história recente desta região.

    No Brasil, principalmente após o golpe parlamentar de 2016, assistimos impunemente generais da ativa e da reserva, como Vilas Boas (atual comandante do exército) e Mourão (vice de Bolsonaro, que entrou na reserva no final do ano passado) intervirem diretamente na vida política do nosso país. E cresce a presença de militares a frente de postos chaves, como Ministérios, no governo ilegítimo Temer.

    Vilas Boas já levantou a possibilidade do questionamento do resultado das eleições de 2018, fez postagens nas redes sociais na véspera do julgamento de um habeas corpus de Lula no STF defendendo sua rejeição e se arvora no direito de realizar sabatinas com os candidatos a Presidente.

    E, o que é ainda pior, o general da reserva Hamilton Mourão, que atualmente é o presidente do Clube Militar do Rio de Janeiro, se elegeu para presidir esta “sinistra” instituição defensora da ditadura, desferindo discursos de ampliar a intervenção política dos militares. E, por isso, vem coordenando uma iniciativa de mais de 70 candidatos militares nestas eleições, com o objetivo de eleger uma forte bancada no Congresso.

    Mourão, agora como candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro (PSL-RJ), defende a legitimidade da ditadura militar, a prática da tortura, que o assassino e torturador Coronel Ustra é um herói nacional, o direito de um presidente da República promover um auto-golpe e fechar o Congresso e, mais grave, ano passado ele ganhou publicidade por defender – em um vídeo nas redes sociais – a nefasta ideia de uma nova intervenção militar no Brasil (coisa que agora ele renega, formalmente).

    Todos estes fatos ocorrem impunemente. Num contexto brasileiro onde assistimos uma intervenção militar e federal na área da segurança pública do Estado do Rio de Janeiro, que vem aumentando significativamente as mortes promovidas por agentes de segurança do estado nas favelas cariocas; a condenação sem provas de Lula, sua prisão política e o impedimento absurdo de sua candidatura presidencial, mesmo ele liderando todas as pesquisas de intenção de votos; e a execução sumária da camarada Marielle Franco (PSOL), depois de seis meses continuamos sem uma perspectiva real da conclusão sobre este crime político, sem sabermos quem matou e quem mandou matar a quinta vereadora mais votada do Rio de Janeiro e o seu motorista, Anderson.

    Não vivemos de fato uma real democracia em nosso país, e isso já vem de antes. Esse regime político apodrecido é no máximo um sistema que apenas garante privilégios para os ricos e poderosos. Entretanto, o que acontece no Brasil de hoje rasga até as mínimas regras do chamado Estado Democrático de Direito. E, a depender do resultado das eleições de 2018, este cenário sombrio pode ainda piorar.

    Derrotar Bolsonaro nas ruas e nas urnas
    Uma das grandes tarefas políticas do povo trabalhador, da juventude, dos oprimidos e da esquerda brasileira é derrotar Bolsonaro, candidato a presidente da extrema-direita neofascista. Sua vitória nas eleições vai aprofundar ainda mais esta escalada autoritária sobre as liberdades democráticas da maioria da população e os direitos sociais do povo trabalhador.

    Felizmente, cresce a cada dia o movimento “mulheres unidas contra Bolsonaro”, que impulsiona um grupo no Facebook que já se aproxima de 2 milhões de participantes e prepara protestos em todo o país para o dia 29 de setembro, ainda antes da votação do primeiro turno das eleições.

    Temos que apoiar, participar e defender com todas as nossas forças este legítimo e progressivo movimento das mulheres. Inclusive, neste momento, começam ocorrer várias outras iniciativas: “LGBT´s contra Bolsonaro”, “Negros e Negras contra Bolsonaro”, “Educação contra Bolsonaro”, entre outros. Todos confluindo para os protestos do dia 29 de setembro. Todo apoio!

    Mais uma vez, a campanha presidencial de Guilherme Boulos e Sonia Guajajara darão um exemplo muito importante. Neste sábado, dia 15 de setembro, vamos colocar a militância da Frente Política e Social formada pelo MTST, PSOL, PCB, APIB, Fora do Eixo / Mídia Ninja, entre outros movimentos e organizações de esquerda, para apoiar nas ruas a iniciativa “mulheres unidas contra Bolsonaro” e ampliar a convocação para as manifestações do próximo dia 29.

    Na nossa aliança não existe perdão aos golpistas e nem alianças políticas espúrias com a velha direita. Vamos, sem medo de mudar o Brasil!

  • Um mês para as eleições

    O momento é de polarização e enfrentamento ao golpe, e não de repetir o erro da conciliação

    O primeiro turno das eleições acontece no dia 7 de outubro. O horário eleitoral no rádio e na TV começou semana passada, ampliando a polarização política e a disputa pelo voto. O cenário eleitoral para Presidente da República segue indefinido, mesmo faltando um mês para a eleição, e cresce a campanha eleitoral nas ruas de todo o país.

    Definitivamente, esta eleição não é qualquer uma. Ela acontece depois do golpe parlamentar do Impeachment de 2016; da condenação sem provas de Lula, sua prisão política e o impedimento absurdo da sua candidatura; e, com Jair Bolsonaro, candidato da extrema-direita neofascista, assumindo a dianteira as pesquisas, no cenário sem o nome de Lula.

    As grandes empresas, a mídia burguesa e os bancos têm seu candidato: apostam suas fichas num possível crescimento do tucano Alckmin. O PSDB tem o maior tempo no horário eleitoral, estrutura de campanha, forjada na aliança com os partidos do chamado “centrão”. Mas, até o momento não decolou.

    Neste cenário, cresce percepção de que Bolsonaro pode realmente ir ao segundo turno. Setores importantes da burguesia brasileira já começam a admitir essa possibilidade, e já acenam com um possível apoio.

    No início da semana que vem, o PT deve substituir a candidatura de Lula por Haddad, cumprindo o prazo definido pela decisão antidemocrática do TSE. A direção do PT aposta “suas fichas” na possibilidade de transferência de votos do ex-presidente para seu representante nestas eleições.

    Ciro e Marina querem se colocar também como potenciais herdeiros de pelo menos parte do eleitorado identificado com Lula. Nas próximas semanas, o cenário ainda indefinido deve começar a ficar mais nítido: quais tendências vão prevalecer? Veremos.

    Enfrentar o golpe e sua agenda
    Nossa primeira tarefa começa por derrotar todas essas candidaturas que representam o golpe e o ajuste. Golpistas não merecem perdão!

    O povo trabalhador, a juventude e os oprimidos devem, em todos os dias que faltam para a votação, combater os candidatos representantes da retirada de direitos e dos ataques às liberdades democráticas. O resultado das eleições, a depender da evolução dos acontecimentos, pode fortalecer ainda mais esta agenda, colocando a iminência de novos ataques num futuro muito próximo, como a retomada da tramitação da reforma da Previdência, proposta pelo governo ilegítimo de Temer.

    Nossa campanha começa por enfrentar “os 50 tons de Temer”: combater Bolsonaro, Alckmin, Meirelles e Alvaro Dias, que apoiaram o impeachment e todos os ataques do governo Temer. E também Marina – que sempre gosta de aparecer como uma defensora de uma nova política – mas apoiou o Impeachment e, mesmo que de forma envergonhada, defende reformas reacionárias muito parecidas com as de Temer.

    Agora todos querem se desvencilhar da imagem do presidente mais impopular de nossa história. O oportunismo de Alckmin foi tanto, que o próprio Temer gravou dois vídeos lembrando ao candidato tucano que tanto o PSDB como todos os partidos da sua coligação são parte, ainda hoje, deste governo.

    Tudo pode ser ainda pior, se Bolsonaro se fortalecer. Pois, ele combina o que tem de pior na política brasileira, defendendo um programa econômico de ainda maior retirada de direitos, privatizações e entrega da nossa soberania, como a defesa da repressão e da criminalização contra os oprimidos, a classe trabalhadora e a esquerda. Portanto, vamos lutar para tirar Bolsonaro do segundo turno.

    PT repete o erro da conciliação
    Nesta semana, assistimos Fernando Haddad, vice de Lula e seu eventual substituto, visitando vários Estados do Nordeste. Nesta peregrinação, chamou a atenção mais uma vez as alianças do PT com partidos da velha direita, muitos inclusive que apoiaram o golpe.

    Como disse Guilherme Boulos: “relação PT e MDB é caso de divã”. Haddad posou para fotos e esteve em vídeos com Eunicio Oliveira (MDB-CE) – presidente do Senado que votou todas as reformas reacionárias de Temer; com Renan Calheiros (MDB-AL), presidente do Senado no Impeachment de Dilma; e com o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), que apoiou o golpe e a posse de Temer.

    Em 15 estados, o PT mantém a mesma política de alianças com setores da velha direita que apoiaram o golpe, como Minas Gerais, Piauí e Bahia. Também o PCdoB segue a mesma política, repetindo uma aliança muito semelhante no Maranhão, onde governa.

    A aliança do PT com os golpistas demonstra que a direção deste partido não tirou as lições do golpe, e segue defendendo governar junto com os partidos da velha direita, que tramaram o Impeachment e defenderam toda a agenda de ataques ao povo trabalhador que veio depois dele. Por isso, Haddad já defendeu inclusive a realização de uma nova reforma da Previdência, em sabatina no Banco Pactual.

    Ciro Gomes não fica atrás. Ele tentou até o último momento se aliar aos partidos do “centrão”, colocou a ruralista Kátia Abreu como vice e, seu principal assessor econômico, Mauro Benevides, já se comprometeu com a manutenção da política de privatizações e com uma nova reforma da previdência que segue a mesma lógica de privatização da Previdência social.

    Em última instância, o que explica o golpe foram os erros de governar junto com a velha direita. O PT no governo conviveu com “cobras venenosas como se fossem bichos de estimação”. Inclusive, nunca podemos esquecer que temer era o Vice de Dilma.

    Um novo governo que repita esses mesmos erros só vai gerar mais um fracasso político, provocando mais desmoralização aos trabalhadores e a esquerda, fortalecendo ainda mais setores da extrema direita e neofascista, como os representados hoje por Bolsonaro.

    Fortalecer uma nova alternativa de esquerda
    Para enfrentar de verdade o golpe e todos os seus ataques, nas eleições de 7 de outubro, o caminho segue sendo fortalecer uma nova alternativa de esquerda, socialista, do povo trabalhador, da juventude e de todos os explorados e oprimidos.

    Votar 50 pra presidente. Apoiar Guilherme Boulos e Sonia Guajajara, candidaturas lançadas por uma frente política e social inédita em nosso país, formada por partidos de esquerda como o PSOL e o PCB e movimentos sociais combativos como o MTST e a APIB. Esse voto não representa só uma opção correta numa eleição, mas também significa afirmar uma alternativa para o futuro das nossas lutas.

    Na nossa campanha é 100% contra os golpistas, nela não existem alianças com a velha direita. Defendemos um programa que realmente coloque “o dedo na ferida”, enfrentando os privilégios dos ricos e poderosos e propondo um governo que seja de fato dos trabalhadores e do povo.

    É por isso, que por onde passa Boulos e Sônia estamos reunindo milhares de trabalhadores e jovens, construindo uma nova esperança de esquerda em nosso país. Vamos, sem medo de mudar o Brasil!

  • Entrevista no JN: Bolsonaro sendo Bolsonaro

    Na noite desta terça-feira, 28 de agosto, o Jornal Nacional (JN), da TV Globo, entrevistou o candidato a presidente da República da extrema-direita, Jair Bolsonaro (PSL-RJ).

    A série de entrevistas, na bancada do JN, é absurdamente excludente e antidemocrática. Pois utiliza o critério de uma pesquisa de opinião para não convidar todos os candidatos, além de retirar mais uma vez a candidatura de Lula, mesmo ele liderando todas essas mesmas pesquisas.

    Na entrevista, Bolsonaro não surpreendeu. Para quem se deu ao trabalho de assistir, viu apenas a confirmação de suas ideias ultra-reacionárias. Uma mistura de tudo que há de pior na política brasileira, aliando um discurso extremamente conservador e autoritário, como um plano econômico radicalmente neoliberal.

    Durante os 27 minutos de entrevista, pode-se destacar algumas ideias defendidas por Bolsonaro:

    . Não há nenhum problema que ele tenha recebido auxílio-moradia como deputado, mesmo possuindo apartamento próprio em Brasília;
    . Defendeu, mais uma vez, que não é condenável que um patrão pague um salário menor para uma mulher do que para um homem, mesmo exercendo funções idênticas;
    . Afirmou, novamente, que não se deve educar sobre a necessidade de se combater a homofobia e toda e qualquer forma de preconceito nas escolas. Repetindo também suas mentiras absurdas sobre as propostas que defendem uma educação contra os preconceitos;
    . Associou-se a ideia defendida, segundo ele próprio, por um ator de empresários, de que o trabalhador tem que optar entre ter direitos trabalhistas ou ter emprego. Inclusive, fez questão de lembrar o seu voto contrário a Lei que regulamentou os direitos trabalhistas das empregadas domésticas;
    . Fez apologia da política de intervenção violenta nas favelas, realizadas pelos agentes de segurança, mesmo que isso signifique chegar atirando indiscriminadamente, gerando vítimas inocentes;
    . E, não podia faltar, defendeu a legitimidade da ditadura militar e que está correta a defesa de seu vice, o general Mourão, de que as Forças Armadas podem impor uma saída política ao país, se as instituições não atuarem corretamente, sempre segundo suas opiniões.

    O radicalismo de direita de Bolsonaro foi tamanho que fez os “âncoras” do JN, que não são nenhum exemplo de defesa das liberdades democráticas, terem que protestarem em vários momentos da entrevista.

    Lutar para tirar Bolsonaro do segundo turno
    A nitidez com que desenvolve seu discurso de extrema-direita e fascista é mais uma vez a demonstração que uma das tarefas mais importantes e atuais da esquerda socialista, das entidades e movimentos dos trabalhadores, da juventude e dos oprimidos é travar um duro combate às ideias e ao projeto político de Bolsonaro.

    Mais do que nunca, é necessário caracterizar muito bem o perigo representado por ele, disputar a consciência do povo trabalhador e a juventude contra a sua candidatura, suas ideias e seu projeto político, e saber realizar uma ampla unidade de ação para derrotá-lo politicamente.

    Relativizar a importância deste combate, diário e prioritário, é um grave erro. E, o que é pior, se apoiar no fato de que uma parcela dos trabalhadores, infelizmente, simpatiza com esse discurso de extrema-direita, para realizar acordos políticos e sindicais com aliados de Bolsonaro, aí já é um verdadeiro crime político.

    Como parte da campanha de Guilherme Boulos e Sonia Guajajara para a Presidência da República (MTST / PSOL / PCB / APIB) seremos parte ativa da campanha política que tem como objetivo tirar Bolsonaro do segundo turno das eleições presidenciais.

    Inclusive, Boulos vem acertando nos debates e entrevistas que vem participando, quando busca se confrontar diretamente com Bolsonaro, com o objetivo de desmascará-lo perante a maioria do povo. Como no episódio da “Val”, a funcionária fantasma que Bolsonaro mantinha para cuidar de seus cães na sua casa de praia em Angra dos Reis.

    Exigir que o STF condene Bolsonaro por racismo
    Na tarde de ontem, a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) começou a julgar se acolhe a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra Bolsonaro por crime de racismo. Esta denúncia crime é relativa a sua fala absurda num evento na Hebraica, do Rio de Janeiro, onde usou argumentos racistas contra quilombolas e indígenas. Na sua fala extremamente preconceituosa, chegou a dizer que os quilombolas deveriam ser pesados em arrobas, comparando-os a gado ou a animal equivalente.

    Infelizmente, quando o julgamento do acolhimento da denúncia estava empatado, o ministro do STF Alexandre de Moraes pediu vistas no processo, adiando sua decisão, provavelmente, para a próxima sessão da referida turma deste tribunal. Alexandre de Moraes é o mais novo ministro do STF, nomeado por Temer, e foi secretário de Segurança Pública do governo tucano de Alckmin, em São Paulo.

    Exigimos do STF que não só transforme Bolsonaro em réu pelo crime de racismo, mas que seja rápido para condená-lo por este crime hediondo, que ele vem reiteradas vezes praticando impunemente.

    Como disse Valério Arcary, em recente discurso numa manifestação no Circo Voador (RJ): “Nenhuma liberdade aos inimigos da liberdade!”

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  • Para enfrentar o golpe pra valer, Boulos e Guajajara para a Presidência

    Uma polêmica com a candidatura do PT e do PCdoB

    O MTST é um dos principais movimentos sociais brasileiros e esteve na linha de frente da luta contra o golpe parlamentar do impeachment da ex-presidente Dilma e nas lutas contra o governo ilegítimo de Temer e seus ataques aos direitos.

    O PSOL foi um dos partidos de esquerda que não apoiou as administrações petistas aliadas com partidos da velha direita, por entender que estes governos de conciliação de classes não enfrentaram de verdade os privilégios dos ricos e poderosos. Entretanto, o PSOL não vacilou na luta contra o golpe – seus parlamentares votaram contra a manobra reacionária do impeachment e a maioria de sua militância esteve nas ruas contra ele.

    Tanto o MTST como o PSOL são contra a condenação sem provas do ex-presidente Lula, sua prisão política e o impedimento absurdo de sua candidatura presidencial. Mesmo não apoiando o projeto político da direção do PT, souberam enfrentar a ofensiva da velha direita golpista, contra os direitos sociais e as liberdades democráticas.

    A firme defesa da unidade de ação nas lutas contra o golpe e o governo Temer nunca significou a defesa do mesmo projeto político defendido pela direção do PT.

    Poderia ter sido diferente? A nossa unidade nas lutas poderia se repetir na defesa da mesma candidatura presidencial no primeiro turno das eleições deste ano?

    Sim, poderia. Mas, para que esta possibilidade se tornasse realidade, era necessário que as direções do PT e do PCdoB tirassem as lições mais importantes do golpe parlamentar de 2016 e do desfecho extremamente negativo de seus governos. Não só entendessem os graves erros dos governos de conciliação de classes, mas, principalmente, mudasse sua política para a realidade atual.

    Mas, infelizmente, não é isso que observamos de fato. Seja na política de alianças, seja na no programa apresentado, se repetem os mesmos erros praticados nos 13 anos de seus governos.

    Golpistas não merecem perdão
    Mesmo depois do golpe e de todo o significado reacionário do governo Temer, a direção do PT buscou construir alianças políticas com partidos e políticos da velha direita, que inclusive apoiaram o Impeachment de 2016.

    Foi assim, que buscaram uma aliança nacional com o PR, um dos partidos fisiológicos do chamado “Centrão”, oferecendo a vice-presidência para o mega empresário Josué de Alencar – filho e herdeiro de José Alencar, que foi o Vice de Lula.

    Da mesma forma, tentaram uma aliança nacional com o PSB, partido cuja bancada federal apoiou majoritariamente o Impeachment e que há anos mantém em SP uma aliança estreita com o governo controlado pelo PSDB. Márcio França, do PSB, foi o vice-governador de Alckmin.

    Inclusive, para conseguir a neutralidade do PSB nas eleições presidenciais, a direção nacional do PT sacrificou a candidatura de Marília Arraes ao governo de Pernambuco, passando por cima da vontade de sua militância.

    Se ao nível nacional essas alianças tiveram dificuldade de se concretizar – só vingou o acordo nacional com um partido da velha direita, o PROS – em Estados importantes, principalmente onde o PT detém os governos estaduais, a política de alianças espúrias com a velha direita e os golpistas foi aplicada amplamente.

    Por exemplo, no Ceará se aliaram a Eunício de Oliveira (MDB), atual presidente do Senado, um dos articuladores do golpe, apoiador de Temer e um dos responsáveis diretos pela aprovação dos maiores ataques ao povo trabalhador, como a reforma trabalhista, a ampliação da terceirização da mão-de-obra e o congelamento de investimentos sociais por 20 anos. Para apoiar a reeleição de Eunício para o Senado, o PT abriu mão inclusive de buscar a reeleição de seu atual senador, José Pimentel.

    No Estado de Alagoas, vão apoiar a reeleição de Renan Calheiros, também do MDB e apoiador do impeachment, para o Senado e de seu filho para o governo do estado.

    Alianças como estas se repetem ainda na Bahia, Minas Gerais e Piauí (três Estados onde o PT está no governo do estado), além de outros estados.

    O PCdoB não fica pra trás nessa política. No Maranhão, onde controla o Governo do Estado, formou, mais uma vez, uma aliança com vários partidos da velha direita, entre eles o DEM.

    “A história se repete como farsa”. Não podemos esquecer que Temer era o vice-presidente na chapa de Dilma. A política de alianças atual, de fato, repete os mesmo erros do passado.

    Governar para quem?
    Junto com essa política de alianças com a velha direita golpista, e em muito sentidos por decorrência dela, vem o outro grave problema: o rebaixamento programático. Por de trás da máxima de “governar para todos”, se esconde a defesa de um programa que não tem como objetivo enfrentar de verdade os privilégios dos ricos e poderosos.

    Nos 13 anos em que esteve no governo federal, o PT não aplicou uma reforma tributária que sobretaxasse as grandes fortunas e os lucros exorbitantes das grandes empresas e bancos. Neste período, os bancos lucraram como nunca, enquanto os trabalhadores já começavam a pagar a conta da crise.

    Não mexeram no mecanismo perecerão da dívida pública, que todo ano durante todo o período dos governos petistas, consumiu quase a metade de todo o Orçamento da União, com juros e amortizações.

    Não interromperam o processo de privatização da Petrobrás, realizando vários leilões de reservas de petróleo e do Pré-Sal, já abrindo as nossas riquezas para exploração das gigantes transnacionais petroleiras. Ao invés de retomar o monopólio estatal sobre o petróleo, foi no governo de Dilma que se flexibilizou ainda mais o controle da Petrobrás sobre a exploração desta que é uma das nossas principais riquezas.

    Os exemplos são muitos. Mas, a verdade é que fruto de governos de conciliação de classes, o PT acabou governando no essencial sem mexer nos privilégios da elite econômica, reservando apenas os programas sociais para a maioria do povo apenas, as chamadas políticas sociais, que tiveram sua importância, mas não foram suficientes para garantir uma melhora permanente na vida da maioria da população.

    Muitos ativistas acreditam que num novo governo do PT as coisas seriam diferentes, que eles agora enfrentariam os privilégios do 1% mais ricos, das grandes empresas e bancos, para atender as justas reivindicações da maioria da população por emprego, melhores salários e serviços públicos de qualidade.

    Infelizmente, mais uma vez não será assim. A recente entrevista de Fernando Haddad, coordenador de programa da candidatura do PT, vice de Lula e seu eventual substituto se confirmado seu impedimento, ao Banco Pactual é bastante elucidativa. Haddad chega a se comprometer com uma nova reforma da Previdência e novamente com o respeito aos contratos e interesses dos banqueiros. Por exemplo, a proposta de rever a reforma trabalhista ou sobretaxar as grandes fortunas sequer foi mencionada.

    Sem uma mudança radical nestes rumos, num eventual novo governo petista, vamos ver se repetir os mesmos erros que assistimos nos seus governos, tanto com Lula como com Dilma. As direções do PT e do PCdoB estão dispostas a rever a política de conciliações de classes? Lamentavelmente, os fatos demonstraram que não.

    Lula Livre e Boulos Presidente
    Vamos seguir firmes na denúncia do golpe e todos seus efeitos nocivos aos direitos sociais e democráticos. Seguiremos também denunciando o absurdo impedimento de Lula concorrer nas eleições.

    Mas, com a mesma ênfase que estamos pelo Lula Livre, teremos também na construção e afirmação da candidatura de Boulos e Guajajara para a Presidência, nas próximas eleições de 7 de outubro.

    Mais do que nunca, precisamos ter a ousadia de romper com os erros do passado e construir uma nova esperança de esquerda em nosso país. Como explicou muito bem o próprio Guilherme Boulos, em recente entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.

    A candidatura de Boulos e Guajajara é lançada por uma frente política e social inédita em nosso país, formada por partidos de esquerda, como o PSOL e o PCB, e movimentos sociais combativos, como o MTST e a APIB.

    Sua campanha será 100% contra os golpistas, sem nenhuma aliança com a velha direita. Nosso programa é de enfrentamento aos privilégios dos super ricos e poderosos. Defendemos a revisão das reformas de Temer, sobretaxar as grandes fortunas e o lucro exorbitante dos bancos e grandes empresas, acabar com as privatizações, garantindo que todo o petróleo será nosso com uma Petrobrás 100% estatal, entre outras propostas que realmente coloquem o “dedo na ferida” dos graves problemas que passamos em nosso país.

    No dia 7 de outubro, voto útil é apoiar e construir uma nova alternativa de esquerda, que não se alie mais uma vez ao “andar de cima” e tenha compromisso realmente com o povo trabalhador, a juventude e o conjunto dos explorados e oprimidos.

    Vamos, sem medo de mudar o Brasil.

  • Seis comentários sobre o debate entre os presidenciáveis na Rede TV

    Na noite desta sexta-feira, 17, ocorreu o segundo debate entre candidatos a presidente da República, na TV aberta, agora promovido conjuntamente pela Rede TV e a revista Isto é. O encontro acontece oito dias após o primeiro debate, na Bandeirantes.

    Novamente oito candidatos estiveram presentes: Álvaro Dias (Podemos), Cabo Daciolo (Patriota), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), Henrique Meirelles (MDB), Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (Rede). E, mais uma vez, gerou uma grande repercussão nas redes sociais e na grande imprensa.

    Algumas questões chamaram atenção, e destaco algumas:

    1- Ausência de Lula
    Mais uma vez, a justiça impediu a presença de Lula no debate, mesmo sendo o líder de todas as pesquisas de opinião. No mesmo dia em que o Comitê de Direitos Humanos da ONU definiu que o Brasil deveria libertar Lula, deixá-lo responder em liberdade aos processos judiciais nos quais é acusado e permitir sua candidatura presidencial, novamente vemos o impedimento de sua presença num debate sobre eleições.

    Entretanto, mesmo ausente, Lula foi um dos temas de discussão. Já no início do debate foi informado que, depois da decisão judicial que Lula não poderia participar, foi retirado o púlpito com o nome do ex-presidente. Todos os candidatos concordaram em tirar o púlpito com nome de Lula, menos Guilherme Boulos, que protestou. Essa informação foi lembrada mais uma vez durante a transmissão do debate.

    Uma vez mais, não se trata de defender o projeto político de aliança com a velha direita e de governar sem mexer de verdade nos privilégios dos ricos e poderosos da direção petista, mas entender que a condenação sem provas de Lula, sua prisão política e o impedimento de sua candidatura presidencial são grandes absurdos do momento político brasileiro, partes inerentes do golpe parlamentar de 2016 e do caráter reacionário e seletivo da Operação Lava Jato.

    2- Todos deveriam participar
    Além da ausência de Lula, novamente outros quatro candidaturas estiveram impedidos de participar, entre elas a da companheira Vera Lúcia (PSTU).

    A legislação eleitoral vigente não obriga a participação dos candidatos que não possuem, em seus partidos e ou coligações, pelo menos cinco parlamentares nacionais. Lembrando que a última reforma eleitoral foi chefiada pelo famigerado Eduardo Cunha, do PMDB, atualmente preso.

    Independentemente do tamanho dos partidos, é minimamente democrático que todas as candidaturas presidenciais participem dos debates e tenham o mesmo direito e tempo nas coberturas da imprensa e no horário eleitoral gratuito.

    3 – Cinquenta tons de Temer
    Essa feliz expressão, lançada por Boulos no debate da Band para lembrar que a maioria dos candidatos presentes apoiou o golpe do impeachment e sustentou o governo ilegítimo de Temer e suas medidas reacionárias, voltou a ser discutida no encontro de ontem.

    Guilherme Boulos, mais uma vez, denunciou os candidatos do ajuste e do golpe, o que vem incomodando, principalmente Alckmin, Bolsonaro, Meirelles e Álvaro Dias.

    Já no bloco das considerações finais, Alckmin “acusou o golpe”, dizendo que o tom de Temer é vermelho, pois ele foi duas vezes vice de Dilma do PT. Na verdade, todos os amigos de Temer, agora querem se desvencilhar do presidente mais impopular da história brasileira.

    Logo em seguida, Boulos teve a oportunidade de responder, lembrando que os tucanos estão intimamente ligados ao governo Temer, afinal apoiaram a sua posse, integrando seu governo até hoje e votando no Congresso a favor das medidas anti-povo trabalhador propostas por ele. O próprio Temer, essa semana, fez questão de elogiar a candidatura de Alckmin.

    4 – Fator Bolsonaro
    De novo assistimos ao confronto entre Boulos e Bolsonaro. No primeiro encontro, o candidato do PSOL denunciou que o candidato da extrema-direita tinha uma funcionária fantasma (a já famosa Val). O assunto ganhou tanta repercussão que o deputado do PSL teve que demiti-la.

    Ontem, Bolsonaro tentou um direito de resposta contra Boulos, que incluiu seu nome entre os candidatos milionários. Felizmente, ele perdeu novamente o conflito com Boulos.

    Enquanto Ciro Gomes segue tratando de forma cordial o candidato da extrema direita brasileira – inimigo do povo, dos oprimidos e da juventude – Marina Silva produziu um dos grandes momentos do debate, passando um verdadeiro “sermão” em Bolsonaro, onde lembrou o episódio em que ele ensina a uma criança fazer com a sua mão o símbolo de atirar com arma de fogo, chamando a atenção também para o caráter laico do Estado brasileiro, preceito tão desrespeitado tanto por Bolsonaro como pela figura caricata do Cabo Daciolo.

    5 – Medidas do governo ilegítimo e golpista
    Um dos grandes temas do debate foi o terrível desemprego que assola os trabalhadores brasileiros e o verdadeiro caos dos serviços públicos que vem se intensificando ainda mais nos últimos anos.

    Medidas do governo ilegítimo de Temer, as alterações reacionárias da Constituição, tais como a reforma trabalhista e o congelamento dos investimentos sociais por 20 anos, estiveram no centro do debate. Os candidatos do golpe e do ajuste, como Alckmin, Bolsonaro, Meirelles e Álvaro Dias, defenderam as reformas reacionárias, mesmo querendo disfarçar sua relação inseparável com Temer.

    Boulos denunciou o desemprego e a crise dos serviços públicos, defendendo como primeira medida de governo a convocação de um plebiscito para reverter todas as medidas reacionárias de Temer, que tanto atacaram os direitos do povo trabalhador.

    A proposta do plebiscito é correta, pois se apoia no sentimento popular contra os ataques de Temer, tira do Congresso Nacional o poder de votar essa questão e quer que seja o povo mobilizado que decida sobre o fim da “herança maldita” deste governo ilegítimo e golpista.

    6 – Uma nova esperança de esquerda
    Por último, chama a atenção a enorme diferença entre Boulos e todos os candidatos presentes nos debates de TV aberta. Nos enche de alegria ter um candidato que fala abertamente que se orgulha de ter lutado ao lado dos trabalhadores sem teto por moradia. Nos dois primeiros debates, ficou evidente que a nossa diferença com os candidatos dos ricos e poderosos é, antes de tudo, de classe.

    A candidatura presidencial do PSOL, de Boulos e Guajajara, propõe um governo para a maioria do povo, que enfrente para valer os privilégios do 1% super ricos e poderosos.

    Por isso, defende um programa de reforma tributária que taxe as grandes fortunas e os lucros exorbitantes das grandes empresas e bancos, além da auditoria da dívida, que consome todo ano praticamente a metade do Orçamento da União com seus juros e amortizações.

    Diferentemente da direção do PT e do PCdoB, não perdoa os golpistas e não defende alianças políticas espúrias com os responsáveis diretos pela desgraça em que vive a maioria do nosso povo.

    Não é refém do atual sistema político podre e decadente, defendendo elementos de democracia direta e maior participação popular nas decisões do futuro do Brasil.

    Uma campanha construída de forma democrática e participativa, lançada por uma frente política e social inédita em nossa.pais, que une partidos de esquerda, como o PSOL e o PCB, a movimentos sociais combativos como o MTST e a APIB.

    Essa diferença fica evidente não só nos debates, mas principalmente na campanha de rua. Hoje, mais uma vez, essa diferença ficará evidente, com a realização do primeiro grande comício da campanha de Boulos e Guajajara, as 15h, no Largo da Batata, na cidade de São Paulo, que contará com a presença de milhares de ativistas, trabalhadores e jovens, dando definitivamente a “cara” dessa campanha que tem a coragem para mudar o Brasil e representa uma nova esperança de esquerda em nosso país.

  • Secretário de Defesa dos EUA visita o Brasil e outros países da América do Sul

    Soberania em questão – EUA tenta controlar novamente Base de Alcântara

    James Mattis, Secretário de Defesa dos EUA, um dos nomes mais fortes do governo Trump, no cargo desde o início de sua administração, chegou ao Brasil nesta segunda-feira, dia 13 de agosto, para uma visita inédita.

    Mattis é um militar de larga experiência, General da Reserva do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, e vem ao nosso país, como uma primeira escala de uma visita mais ampla a América do Sul. Ele passará ainda por Argentina, Chile e Colômbia.

    Oficialmente, a visita vai tratar da colaboração militar entre os EUA e estes importantes países da América do Sul, diante do crescimento da influência econômica e comercial da China em toda a região.

    Outro assunto que com certeza será tratado é a questão da Venezuela, logo após o atentado contra Nicolás Maduro, presidente venezuelano. Afinal, os países visitados fazem parte do chamado Grupo de Lima, que vem tomando posições sempre em desrespeito a soberania da Venezuela.

    No Brasil, já está confirmada, em Brasília, uma reunião dele com os Ministros da Defesa, o General da Reserva Joaquim Silva e Luna, e das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP). Ele vai visitar também o Rio de Janeiro, para uma palestra na Escola Superior de Guerra.

    Sem dúvida nenhuma, a visita de James Mattis vem sendo tratada com grande importância pelo governo Temer. Diante deste fato, no último domingo, Janio de Freitas, Colunista da Folha de SP, assinalou que temas estratégicos poderiam estar envolvidos na agenda de discussão entre os dois governos, como a questão da cessão da Base de Alcântara, a venda da Embraer a Boeing e a diminuição das barreiras para exploração estrangeira do Pré-sal brasileiro.

    Negociações perigosas
    A visita de Mattis ao Brasil ocorre exatamente no momento em que o governo ilegítimo de Temer (MDB-SP) está em avançadas negociações com o governo Trump, sobre a cessão da Base de Alcântara (Centro de Lançamento de Alcântara – CLA) para os EUA.

    A Base de Alcântara, que fica localizada no Litoral do Maranhão, é considerada uma das melhores bases de lançamento de foguetes do mundo, por ser muito próxima a Linha do Equador, chegando a economizar 30% de combustível nessas operações. Ela pertence ao Estado brasileiro, e é administrada pela Aeronáutica.

    Embora toda a negociação ocorra em sigilo absoluto, já se sabe oficialmente que o governo brasileiro fez uma proposta de cessão da Base de Alcântara para os EUA ainda no ano passado, e em maio deste ano o governo Trump fez uma contraproposta.

    Fontes envolvidas nas negociações, afirmam que existem problemas que poderiam envolver elementos de soberania do nosso país. A Aeronáutica está trabalhando numa nova proposta de acordo, a expectativa que toda a negociação seja concluída ainda este ano, para que o acordo seja submetido ao Congresso Nacional brasileiro. Exigência obrigatória, de acordo com a nossa Constituição.

    No ano de 2000, o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP) tentou um acordo de cessão da Base de Alcântara para os EUA. Na proposta de acordo, negociada pelo governo tucano, estava prevista a possibilidade que os EUA enviar materiais para a Base de Alcântara em total sigilo, inclusive sem dar conhecimento de seu conteúdo ao governo brasileiro e da própria Aeronáutica.        Quem poderia garantir que os EUA não estabeleceriam, na prática, uma base militar região?  Uma área estratégica, colada a Região da Amazônia legal e bem próxima da Venezuela. Além desta total quebra de soberania, ainda estaria vedada qualquer colaboração de tecnologia entre os dois países e a simples presença de brasileiros na Base só poderia acontecer com autorização dos militares dos EUA. Um verdadeiro absurdo, uma subordinação completa de nossa soberania nacional.

    Mais uma vez, defender nossa soberania
    Por isso, no início dos anos 2000, houve uma grande campanha política contra a entrega da Base de Alcântara aos EUA, junto com a campanha contra a assinatura do Brasil a ALCA (a chamada Área de Livre Comércio das Américas). Felizmente, a forte campanha, com a realização inclusive de um plebiscito popular com mais de 10 milhões de votos, conseguiu impedir a assinatura da ALCA (proposta que acabou sendo abandonada) e a cessão da Base de Alcântara para os EUA.

    Novamente os tucanos estão envolvidos diretamente nas negociações da entrega da Base de Alcântara para o governo estadunidense, agora através do Ministro das Relações Exteriores do governo Temer, Aloysio Nunes Ferreira.

    Portanto, mais uma vez os movimentos sociais brasileiros estão chamados a mobilização popular contra a entrega da Base de Alcântara aos EUA. Este tema deve voltar a ser discutido pelos sindicatos, pelo movimento estudantil, partidos de esquerda, entre outras entidades e movimentos, para alertar o povo brasileiro sobre mais este risco a sua soberania.

    Um primeiro passo é repudiar a visita do James Mattis e o caráter sombrio e secreto das negociações que o governo Temer vem mantendo com o governo dos EUA.

    Devemos aproveitar também o momento das eleições para a Presidência da República, para cobrar de todos os candidatos que se posicionem de forma categórica sobre o acordo de cessão da Base de Alcântara, que afeta diretamente a nossa soberania nacional.

  • Cinco questões sobre o debate dos presidenciáveis na Band

    Mais uma vez, a Band realiza o primeiro debate, em TV aberta, entre os candidatos a Presidente da República. Ele acontece hoje, quinta-feira, dia 09 de agosto, às 22h. Oito candidatos estarão presentes: Alvaro Dias (Podemos), Cabo Daciolo (Patriota), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), Henrique Meirelles (MDB), Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (Rede).

    Pelo menos cinco questões merecem destaque neste debate:

    1 – Ausência de Lula e do PT
    Uma das grandes questões que antecedem este primeiro debate em TV aberta é o impedimento de Lula participar das eleições. O TRF-4 não aceitou o recurso do PT para que Lula pudesse participar, afinal será inscrito como o candidato do PT no dia 15 de agosto, junto ao TSE.

    Chegou-se a pedir que ele pudesse participar por teleconferência, afinal ele está preso a mais de quatro meses em Curitiba, mas mesmo assim o pedido não foi aceito pelos desembargadores de uma das turmas deste Tribunal.

    Diante da negativa da Justiça, o PT tentou um último recurso junto a Band, solicitando que Fernando Haddad (PT-SP) pudesse representar Lula no Debate. Haddad foi anunciado como uma espécie de vice-provisório de Lula – e um provável substituto dele, caso sua candidatura seja de fato impugnada. Mas, a direção da emissora negou a possibilidade de substituição.

    Não apoiamos os governos do PT e nem estamos de acordo com o projeto político da direção petista de manter suas alianças com partidos e políticos da velha direita, inclusive muitos que apoiaram o golpe parlamentar de 2016, comprometendo-se em aplicar um programa que não mexa de verdade nos interesses das grandes empresas e bancos.

    Mas, não podemos nos calar diante da condenação sem provas, a prisão política e o impedimento absurdo de sua candidatura a Presidente. O veto a presença de Lula e do PT no Debate da Band é mais um capítulo desse processo jurídico e policial reacionário, fortemente marcado pela seletividade.

    2 – Todas as candidaturas deveriam participar
    Além do veto a Lula e ao PT, outros quatro candidatos não poderão participar, são eles: João Amoedo (Novo), João Goulart Filho (PPL), José Maria Eymael (DC) e Vera Lúcia (PSTU). O argumento utilizado é que seus partidos e coligações não possuem um mínimo de cinco parlamentares no Congresso Nacional. O que desobriga as emissoras de TV de convidá-los.

    Mais um critério antidemocrático. Acreditamos que todos os (as) candidatos (as) deveriam ter o mesmo direito e espaço para apresentar suas ideias, concordando ou não com elas. Essa norma é mais uma herança maldita da famigerada reforma eleitoral, chefiada por Eduardo Cunha, quando ele ainda era presidente da Câmara dos Deputados e antes de ser preso.

    Protestamos contra essa atitude arbitrária e lamentamos, principalmente, a ausência da companheira Vera Lúcia, do PSTU, no debate de hoje à noite.

    3 – O bloco do golpe e do ajuste
    Grande parte dos candidatos presentes no Debate pode ser classificada facilmente numa mesma etiqueta: é o bloco dos candidatos do golpe e do ajuste. Este grupo está por trás da manobra reacionária do impeachment de Dilma, apoiou a posse do presidente ilegítimo – Michel Temer (MDB-SP) e sustenta esse governo, seu ajuste e as contrarreformas que retiram direitos do povo trabalhador.

    O grupo do golpe e do ajuste é formado principalmente pelos candidatos: Alckmin (PSDB), Bolsonaro (PSL), Meirelles (MDB) e Alvaro Dias (Podemos). Todos eles são amigos de Temer e inimigos dos trabalhadores, dos oprimidos e da juventude.

    Deverão explicar porque eles e seus partidos apoiaram a reforma trabalhista e a ampliação da terceirização da mão de obra – que gera um grande desemprego e subemprego; o congelamento dos investimentos nas áreas sociais – o que vem ampliando ainda mais o caos nos serviços públicos, como na saúde, por exemplo; e a reforma do ensino médio, que visa submeter de forma definitiva os currículos e a educação de nossos filhos aos interesses do mercado.

    Entre estes, chama a atenção dois: Bolsonaro – o candidato da extrema-direita, com posições fascistas, que consegue combinar o que tem de pior na política brasileira, como a defesa do “período de chumbo” da ditadura militar e um programa econômico que quer privatizar o que sobrou de patrimônio nacional (inclusive, a Petrobrás) e retirar mais direitos da maioria do povo; E Alckmin – que montou uma aliança com nove partidos, todos que apoiaram Temer, especialmente o chamado “Centrão”, que representa de forma inequívoca o verdadeiro “balcão de negócios” que virou o Congresso Nacional e a política em nosso país.

    A vitória de qualquer um destes candidatos é a certeza que uma de suas primeiras medidas é aprovar a reforma da previdência, que quer aumentar ainda mais a idade mínima para se aposentar.

    4 – Cuidado com as falsas alternativas de mudança
    Existe um perigo adicional: a ausência de Lula e a crise de representação dos partidos da velha (direita que apoiaram o governo ilegítimo de Temer) podem abrir espaço para falsas alternativas de mudança.

    Não é verdade que Ciro Gomes (PDT) – com sua vice “moto-serra” ligada ao agronegócio – represente de fato alguma alternativa de esquerda. Seu histórico político ligado aos partidos da velha direita, sua tentativa de fechar com o “Centrão”, seu compromisso com o Mercado, entre outros elementos, transforma seu discurso, muitas vezes de oposição, apenas em promessas mentirosas.

    Outra opção perigosa é Marina Silva. Ela busca construir um discurso contra a velha política, mas é parte do jogo da elite política, basta lembrar que ela apoiou Aécio Neves (PSDB), um dos símbolos da corrupção política, no segundo turno das últimas eleições. Marina apóia a idéia de uma reforma da previdência, que na prática seria muito pouco diferente da proposta de Temer.

    Estas duas candidaturas no governo vão representar, mais uma vez, a frustração do sentimento de mudança da maioria da população.

    5 – A estreia de Guilherme Boulos
    Acreditamos que a grande novidade da noite será, sem dúvida nenhuma, a estreia de Guilherme Boulos em debates dos presidenciáveis em TV aberta. Sua candidatura foi lançada por uma frente política e social inédita em nosso país, formada por partidos de esquerda como o PSOL e o PCB e por movimentos sociais combativos como o MTST e a APIB.

    Com certeza, a sua presença no Debate da Band fará a diferença. Pois, ele vai poder confrontar diretamente os candidatos do golpe e do ajuste, denunciar a prisão política e o impedimento absurdo da candidatura de Lula, desmascarar as falsas promessas de mudança e apresentar um programa que enfrente de verdade os privilégios dos ricos e poderosos, colocando pela primeira vez o MDB e os golpistas na oposição.

    Entre as suas propostas, podemos destacar: a anulação das reformas reacionárias de Temer, o aumento significativo de investimentos sociais, o fim das privatizações e a garantia de uma Petrobras 100% estatal e que todo o petróleo e o pré-sal serão nossos, o aumento de impostos sobre as grandes fortunas e heranças, a auditoria da dívida pública, entre outras propostas que demonstram a idéia inicial de sua campanha: Vamos, sem medo de mudar o Brasil!

    Hoje, será uma noite muito importante, porque milhões de pessoas poderão conhecer melhor a candidatura que representa uma nova esperança de esquerda em nosso país. Não deixe de conferir!

  • Um pouco de História: Sobre eleições na Argentina, mas também no Brasil

    Na Argentina, no ano de 1973, aconteceram duas eleições presidenciais seguidas, no mesmo ano. Até a primeira eleição daquele ano, havia uma ditadura no país, depois de sucessivos golpes militares (1955 / 1962 / 1966). Depois de uma forte onda de greves e protestos – uma verdadeira insurreição popular, iniciada na Cidade de Córdoba, em 1969, que ficou conhecida com o nome de Cordobazzo – foram chamadas, finalmente, eleições. A luta do povo desestabilizou essa ditadura sangrenta.

    Juan Domingo Perón, ex-presidente deposto em 1955, que estava no exílio no Estado Espanhol, foi impedido de voltar ao país e concorrer nas eleições presidenciais de março de 1973. Apesar de todas as enormes diferenças com Perón e o peronismo, o fato de Perón ter sido impedido de ser candidato foi um verdadeiro absurdo e um ataque as liberdades democráticas mínimas. Felizmente, essa foi a análise e posição de pelo menos parte dos marxistas revolucionários argentinos da época.

    Diante do impedimento de Perón, o Partido / Frente Justicialista (os peronistas) resolveram lançar outro candidato por sua legenda – Hector Cámpora – que acabou sendo um representante direto de Perón na campanha. Cámpora concorre às eleições e sai vitorioso, com 49% dos votos válidos. Um resultado realmente impressionante. Mas, a história não acaba aí.

    Logo depois de tomar posse – 49 dias depois – Cámpora renúncia e, de acordo com a legislação vigente, são convocadas novas eleições presidenciais, que aconteceram em setembro do mesmo ano. Nesta segunda eleição, Perón pode retornar ao país e ser candidato. Ele foi eleito de forma acachapante, com 61% dos votos.

    Em ambas as eleições presidenciais de 1973, diferentemente de alguns grupos socialistas que definiram boicotar as eleições, os mesmos marxistas revolucionários que apoiaram o direito de Perón ser candidato, mesmo com grandes diferenças políticas e programáticas com ele, tiveram candidaturas próprias para Presidente, separadas do Peronismo.

    Essa foi a primeira eleição na qual concorreu pela legenda legal o Partido Socialista dos Trabalhadores – o saudoso PST argentino – tendo como candidato à presidente da República Juan Carlos Coral – um ex-deputado nacional cassado, com origem no velho Partido Socialista argentino. Na segunda eleição, Coral obteve 1,5% dos votos.

    Nahuel Moreno, um dos dirigentes do trotskismo argentino e mundial, que ainda hoje influencia muito a minha militância, viu no acordo com Coral a possibilidade de lançar um novo partido, com presença nacional, com mais capacidade de se postular como uma nova alternativa política para os lutadores do Cordobazo, o povo trabalhador e a juventude da Argentina.

    Um alerta sobre as analogias históricas
    Construir opiniões sobre a realidade política atual a partir de analogias históricas é sempre muito perigoso, pode levar a erros importantes. Ainda mais em relação a fatos que ocorreram 45 anos atrás, em países diferentes. Entretanto, algumas analogias são realmente interessantes, e isso não é “mania” de historiador.

    Guardadas as enormes proporções entre as eleições presidenciais da Argentina em 1973 e as eleições do Brasil em 2018, depois da decisão da direção do PT do último domingo (05 de agosto), é impossível não pensar no seguinte: “Haddad está para Lula assim como Cámpora esteve para Perón”.

    Evidentemente, é impossível prever se os resultados práticos das eleições serão os mesmos. Inclusive, é bem possível que o resultado seja distinto daquele do país vizinho nosso. Mas, o que é seguro dizer, com toda a convicção, que o impedimento de Lula concorrer nas eleições brasileiras atuais é um ataque às liberdades democráticas, como também foi impedir Perón de concorrer nas primeiras eleições presidenciais argentinas de 1973.

    No Brasil atual, a condenação sem provas, a prisão política e o eventual impedimento da candidatura presidencial de Lula é parte inseparável do golpe parlamentar do impeachment e do caráter reacionário e seletivo da operação jurídico–policial da Lava Jato.

    Há outras analogias possíveis de serem feitas sobre a relação entre estas eleições. Por exemplo, sobre a política dos marxistas revolucionários para a Argentina de 1973 e para as atuais eleições brasileiras. Mas, sobre este tema, deixo para a imaginação de cada um (a), para evitar polêmicas desnecessárias.

    Uma nova esperança de esquerda
    Assim como os marxistas revolucionários argentinos do velho PST investiram todo o seu esforço militante na afirmação de uma nova alternativa política de independência de classe nas eleições argentinas de 1973, no Brasil atual acredito que o caminho deve ser no mesmo sentido.

    Devemos jogar todas nossas fichas no fortalecimento de uma nova alternativa política, de esquerda e socialista, que nas eleições atuais passa principalmente pela construção das pré-candidaturas presidenciais de Guilherme Boulos e Sônia Guajajara, lançadas por uma frente política e social inédita em nosso país, formada principalmente pelos partidos de esquerda PSOL e PCB e movimentos sociais combativos como MTST e a APIB.

    Uma nova alternativa política que não mantém alianças políticas com a velha direita e os golpistas. Como, infelizmente, vem fazendo as direções do PT e do PCdoB em vários Estados importantes brasileiros.

    Uma campanha que propõe um programa que enfrente de verdade os privilégios das grandes empresas e bancos para atender as reivindicações e as demandas mais sentidas do povo trabalhador, dos oprimidos e da juventude. Construída de forma democrática e com participação popular e dos ativistas. Vamos, sem medo de mudar o Brasil!

     

    Referência Bibliográfica: MORENO, Nahuel. “Depois do Cordobazo”

  • O PT na encruzilhada, 20 anos depois

    No ano de 1998, o Diretório Nacional do PT interveio no seu diretório do Rio de Janeiro, para impedir a candidatura do ex-deputado federal Vladimir Palmeira ao Governo do Estado, nome que foi aprovado numa convenção partidária, com delegados de base. Essa atitude antidemocrática teve como objetivo fechar uma aliança com o então candidato do PDT ao Governo do Estado, Anthony Garotinho.

    A atual deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) foi a vice de Garotinho, na chapa que acabou sendo eleita. A aliança não durou nem um mandato, no meio houve uma ruptura política e Garotinho cunhou a terrível frase, apelidando o PT de “partido da boquinha”.

    É possível que o PT do Rio de Janeiro nunca tenha se recuperado totalmente desta grave crise, que só veio piorar ainda mais com as alianças com o ex-governador Sérgio Cabral (atualmente preso) e com o ex-prefeito Eduardo Paes, ambos na época do PMDB.

    Agora, 20 anos depois, o PT se vê metido em uma crise política muito similar àquela da intervenção do diretório do Rio de Janeiro.

    A Executiva Nacional do PT fechou um acordo com o PSB, que prevê a retirada da pré-candidata petista ao Governo do Estado de Pernambuco, a vereadora de Recife Marília Arraes, para apoiar a reeleição do atual governador Paulo Câmara, um dos principais chefes nacionais do PSB.

    E, o que é pior, segundo o acordo, o PSB precisaria apenas ficar neutro na disputa presidencial, não fechando com a candidatura de Ciro Gomes (PDT-CE). Abrindo, assim, um espaço maior para alianças regionais entre PT e PSB, atraindo também o PCdoB para esse acordo, a partir da retirada da candidatura presidencial de Manuela D’ávila (PCdoB-RS).

    Também como um reflexo deste acordo inusitado, eclodiu uma forte crise no PSB mineiro, que pode parar na Justiça. O PSB nacional já interveio no seu diretório mineiro, mudando sua composição, para retirar o seu então candidato ao governo, o ex-prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda (PSB-MG), e apoiar a reeleição do atual governador Fernando Pimentel, do PT.

    A prática de desrespeitar as decisões das instâncias de base dos partidos é muito comum no Brasil, sempre para que prevaleçam os interesses das cúpulas partidárias e de seus negócios políticos. Na esmagadora maioria das vezes, são negociatas espúrias. E o PSB não foge a essa regra.

    A questão que fica é: a direção nacional do PT vai repetir o grave erro de 20 anos atrás quando retirou na marra a candidatura de Vladimir Palmeira? A executiva nacional do PT atual vai desrespeitar o encontro estadual do seu partido em Pernambuco, que aprovou o nome de Marília Arraes ao Governo do Estado?

    Nos próximos dias veremos o desfecho desta nova crise política em que se meteu a direção nacional petista.

    Golpistas não merecem perdão
    O que chama ainda mais atenção na postura da direção do PT é a sua política de alianças com partidos e setores que apoiaram abertamente o golpe parlamentar no impeachment da ex-presidente Dilma.

    Durante o final de semana passado, já tinha vindo à tona as decisões de encontros regionais petistas, que chegaram a abrir mão da reeleição de dois de seus atuais Senadores, no Ceará e no Piauí, para apoiar candidatos do MDB de Temer e Meirelles, entre estes o atual presidente do Senado, um dos grandes articuladores do golpe, Eunício Oliveira (MDB-CE).

    Também em Alagoas, o PT local, com apoio irrestrito da sua direção nacional, fechou apoio à reeleição de Renan Calheiros para o Senado e de seu filho ao Governo do Estado. Renan, outro velho chefe do MDB, também foi um dos grandes apoiadores do golpe.

    Agora, vem a notícia deste acordo com o PSB, que entre outras coisas, desrespeita a decisão de seu próprio partido em Pernambuco. E, é sempre bom lembrar, o PSB apoiou também o golpe, com a esmagadora maioria de seus parlamentares votando a favor do impeachment. E, no Estado de São Paulo, o PSB há anos mantém uma aliança com os tucanos, com Márcio França (PSB-SP) compondo a chapa de vice de Geraldo Alckmin (PSDB-SP).

    Uma nova esperança de esquerda
    Na contramão da construção destas alianças com golpistas e a velha direita, caminho que infelizmente mais uma vez as direções do PT e do PCdoB resolveram trilhar, vemos surgir uma nova alternativa política.

    Cresce a cada dia, a campanha presidencial de Guilherme Boulos e Sônia Guajajara, pré-candidaturas lançadas por uma frente política e social inédita em nosso país, formada por partidos de esquerda, como o.PSOL e o PCB, e movimentos sociais como o MTST e a APIB.

    Nossa aliança é com o povo trabalhador, com a juventude e o conjunto dos explorados e oprimidos. Nossa campanha é 100% contra os golpistas, a velha direta e a extrema direita.

    Nas eleições, vamos defender um programa que bote de verdade o “dedo ferida”, atacando os privilégios dos ricos e poderosos, para atendermos os anseios de mudança do nosso povo.

    O momento é de ousadia e coragem. De romper com as velhas práticas políticas de sempre, como as alianças espúrias, e apostar na construção de uma nova alternativa política de esquerda e socialista.

    Vamos, sem medo de mudar o Brasil!