André Freire

q1111233
  • Notas sobre a importância e a atualidade da “Frente Única”

    Não apenas os comunistas não devem se opor a essas ações comuns, mas, ao contrário, devem tomar a iniciativa, justamente porque quanto maiores são as massas atraídas ao movimento, mais alta se torna a consciência de sua força, mais segura se torna de si mesma, e mais se tornam capazes de marchar adiante, por mais modestas que tenham sido as consignas iniciais da luta.
    (LEON TROTSKY, Considerações Gerais sobre a Frente Única, 1922)

    O marxismo revolucionário conheceu a chamada “tática da Frente Única” ainda nos debates dos primeiros congressos da III Internacional (Internacional Comunista). Sua provável origem é a política da chamada “Carta Aberta”, iniciativa proposta por Paul Levy, dirigente do Partido Comunista alemão, para que sua organização chamasse publicamente o Partido Social-Democrata alemão para a luta comum.

    No IV Congresso da III Internacional, realizado no ano de 1922, foi aprovada as “Teses para a unidade da frente proletária”, elevando a Frente Única como uma orientação política geral da organização. Ainda que essa definição tenha sido objeto de muita polêmica entre os revolucionários deste tempo.

    Neste Congresso, com os bolcheviques russos à frente, foi reconhecido abertamente que a onda revolucionária aberta sob o impulso da vitória da Revolução Russa de 1917 tinha sido no mínimo desviada. Àquela altura, a força da reação capitalista derrotara vários processos revolucionários e os seus aliados reformistas no movimento operário ainda eram a maioria entre a classe trabalhadora.

    Diante deste cenário internacional, a III Internacional propõe que seus partidos, muitos deles já grandes organizações políticas, defendessem a unidade na ação prática entre comunistas e social-democratas (partidos ligados a II Internacional), para que lutassem juntos contra o capitalismo e em defesa dos trabalhadores.

    Essa unidade para ação prática incluiria também, evidentemente, os sindicatos. A proposta consistia em unificar o conjunto do movimento dos trabalhadores para lutar contra o capitalismo e seus ataques, mantendo a total independência entre os partidos que integrassem a Frente Única, reconhecendo as grandes diferenças políticas e programáticas entre as duas principais correntes do movimento operário na época, a comunista e a social-democrata.

    O objetivo era protagonizar novamente grandes mobilizações dos trabalhadores, evitando maiores retrocessos do movimento operário. Mas, esta tática teria também um grande valor pedagógico, pois colocaria as diferenças políticas e programáticas entre comunistas e social-democratas de forma aberta, pública e na frente dos trabalhadores – quando estes estavam em ação, melhor momento para discutir os distintos projetos políticos de cada organização que atuavam em nome da classe trabalhadora.

    Muitos marxistas, na época, foram críticos a tática da “Frente Única”, afirmando que ela era uma capitulação e reforçava ilusões na social-democracia, que já tinha feito parte de traições de importantes revoluções, como na Alemanha, por exemplo. Entretanto, a sua adoção se demonstrou correta não só para ampliar a capacidade de mobilização do movimento operário, como também para fortalecer os partidos comunistas em vários países, que cresceram muito a sua autoridade política defendendo a unidade da classe trabalhadora contra a burguesia.

    Infelizmente, uma década depois, quando a tática da “Frente Única” era ainda mais decisiva para o fortalecimento do movimento operário e para derrota da reação, a III Internacional, neste momento já degenerada pela burocratização da ex-URSS sob o comando de Josef Stálin, foi contra a sua aplicação contra o fascismo, que crescia no início dos anos 1930 do século passado.

    Essa política terrivelmente equivocada foi ainda mais dramática na Alemanha, quando o Partido Comunista alemão se negou a aplicar a Frente Única com o Partido Social-Democrata, diante do avanço do nazismo. O marxista revolucionário russo Leon Trotsky se insurgiu contra essa orientação absurda, que acabou contribuindo para a vitória de Hitler. Muito deste importante debate se encontra bem desenvolvido em seu livro “Revolução e Contra-Revolução na Alemanha”.

    Recuperar esse pequeno histórico se revela importante para o humilde objetivo deste artigo: sustentar que os principais pressupostos da tática da Frente Única seguem atuais e válidos, se revelando como uma orientação fundamental para o movimento dos trabalhadores, da juventude e dos setores oprimidos no Brasil de hoje. Se já era central antes, especialmente diante do golpe parlamentar de 2016 e do governo ilegítimo de Temer, se torna ainda mais importante frente ao governo Bolsonaro, um representante de uma extrema-direita neofascista.

    Evidentemente, como toda referência histórica, precisamos entendê-la dentro do contexto atual e com as devidas atualizações necessárias. Acredito que a aplicação da tática da Frente Única segue fundamental, devemos nos colocar de forma humilde e ativa a serviço de sua construção, especialmente por três elementos que destaco em seguida:

    1 – A unidade na ação é o primeiro passo

    Toda a discussão deve começar pela necessidade da mais ampla unidade de ação entre todos os movimentos, organizações e entidades da classe trabalhadora, da juventude e dos oprimidos contra o governo Bolsonaro, seus aliados e todos os riscos reacionários que ele representa, não só sobre os direitos sociais, mas também às liberdades democráticas.

    Ameaçar a nossa unidade na ação prática do nosso movimento de resistência por diferenças políticas, por mais importantes que sejam, é um grave erro político. Um caminho que deve ser evitado por todos os lutadores contra Bolsonaro.

    Esta Frente Única deve unificar as centrais sindicais, os sindicatos, os movimentos sociais e populares, o movimento estudantil, a Frente Brasil Popular, a Frente Povo Sem Medo, os movimentos de lutas contra as opressões (Mulheres, Negros / Negras e LGBT´s) e os partidos de esquerda identificados com os trabalhadores. A Frente Única não deve excluir nenhum setor que defende os interesses do povo trabalhador.

    Deve haver uma coordenação unificada de todos estes movimentos, nacionalmente e em cada Estado. Sem disputa de protagonismos, perseguindo de forma consciente a unidade entre todos estes movimentos e organizações. Nossas ações e calendários devem ser de fato unificados e construídos coletivamente. O que menos precisamos agora são datas desconexas de mobilizações, que dispersem as nossas forças organizadas.

    Esta unidade deve se construída a partir da direção das entidades, movimentos e organizações, mas precisa ser solidificada pela base, por espaços que reúnam os milhares de ativistas que estiveram em ação na campanha eleitoral, especialmente no segundo turno. Portanto, é ainda mais importante a realização de plenárias de base da Frente Única nas principais cidades, por regiões, categorias, universidades, entre tantos outros espaços.

    2 – Frente Única e unidade democrática

    A Frente Única deve ser composta por entidades, movimentos e organizações ligados à classe trabalhadora, a juventude e os setores oprimidos. Estes movimentos sindicais, estudantis e sociais, em conjunto com as organizações da esquerda identificadas com os trabalhadores, devem dar a direção política do nosso movimento de resistência.

    Entretanto, vamos enfrentar um governo dirigido por um projeto político de extrema-direita neofascista, que quer governar de forma extremamente autoritária; apoiado principalmente nas forças armadas, no poder judiciário e numa maioria reacionária no Congresso Nacional; inclusive, perseguindo lideranças da esquerda e movimentos sociais combativos.

    Portanto, precisamos ampliar ainda mais a nossa unidade de ação. Erram completamente os setores políticos da esquerda que se opõem que a Frente Única estimule uma unidade de ação democrática mais ampla.

    A Frente Única das organizações do movimento e da esquerda deve chamar atividades, mobilizações e comitês que incluem amplamente todos os setores democráticos, que não necessariamente tenham acordo global com o nosso programa, mas se oponham ao projeto reacionário representado por Bolsonaro e seus aliados.

    A política que se revela mais ajustada neste período é a combinação entre a construção da Frente Única dos movimentos da classe trabalhadora e a construção de uma unidade de ação mais ampla, envolvendo todos os setores democráticos.

    3 – Independência entre os partidos e os distintos projetos políticos

    A ampla unidade de ação e de organização da Frente Única não pode ser confundida com a exigência equivocada que se escondam os projetos distintos e as diferenças políticas e programáticas entre as organizações e partidos de esquerda.

    Na nossa Frente Única deve estar o PT, partido de oposição a Bolsonaro com mais peso eleitoral e também nos movimentos da classe trabalhadora. Mas, a presença do PT não pode significar que ele tenha o monopólio do nosso movimento de resistência.

    A direção do PT segue defendendo um projeto de conciliação de classes, o praticou na campanha eleitoral que acaba de se encerrar, especialmente com as alianças políticas com setores ligados à velha direita, que inclusive apoiaram o golpe parlamentar do impeachment.

    Cometeu graves erros políticos e programáticos nos seus 13 anos de governo federal, seja com Lula ou com Dilma. Erros que ajudaram, em última instância, que as forças golpistas e até de extrema-direita ganhassem terreno. Por exemplo, não podemos esquecer que a direção do PT aceitou Temer como vice de Dilma.

    Seria um erro gigantesco propor, por exemplo, que o PT fosse excluído da Frente Única, pelas grandes diferenças que temos com a direção deste partido. Entretanto, temos que garantir também espaços democráticos para que se discutam abertamente os rumos do nosso movimento de resistência.

    Sempre levando em consideração o necessário senso de proporções nas discussões políticas que devemos realizar e sem ameaçar a nossa unidade de ação prática, não podemos esconder as nossas diferenças. Portanto, seguiremos defendendo a necessidade urgente de um novo projeto de esquerda, socialista e de independência de classe no Brasil.

    Neste sentido, seguimos divergindo da estratégia de conciliação classes da direção do PT e nos opomos frontalmente a uma estratégia meramente eleitoral, de apostar tudo na perspectiva de uma vitória somente numa nova eleição em 2022.

    Por isso, apostamos na construção do PSOL e das candidaturas presidenciais de Guilherme Boulos e Sônia Guajajara – expressão da aliança política e eleitoral entre MTST, PSOL, PCB, APIB, Mídia Ninja, entre outras organizações e movimentos. Consideramos esta aposta como a mais correta e seguimos comprometidos com a sua construção e fortalecimento.

    Afirmamos que tanto o PSOL – como a aliança política e social que construímos em torno da chapa Boulos e Sonia – deve ser parte da Frente Única, com personalidades e propostas próprias, e de forma ativa construindo as ações unificadas dos movimentos de resistência.

    Se a vitória de Bolsonaro impõe a necessidade de uma ampla unidade de ação e a construção da Frente Única, ela não interrompe ou encerra entre nós a importância das discussões dos projetos políticos distintos na esquerda brasileira.

    Devemos estar na linha de frente das lutas de resistência contra Bolsonaro, mas sem abrir mão de realizar as discussões fundamentais sobre os rumos da esquerda em nosso país.

    FOTO: Detalhe de cartaz do Partido Comunista Alemão KPD, em 1921

    Referências Bibliográficas:

    . BROUÉ, Pierre, A História da Internacional Comunista, São Paulo, Editora Sundermann, 2007.

    . TROTSKY, Leon, Revolução e Contrarrevolução na Alemanha, São Paulo, Livraria Editora Ciências Humanas, 1979.

    . III Internacional – Comunista: Manifestos e Resoluções do 3º. Congresso, São Paulo, Brasil Debates Editora, 1989.

    . Resoluções e Documentos do Quarto Congresso da III Internacional, (http://combateclassista.blogspot.com/2012/06/quarto-congresso-da-iii-internacional.html?m=1)

     

  • Por que votar Haddad no segundo turno: um debate com a esquerda socialista

    Faltam menos de duas semanas para o segundo turno das eleições presidenciais.  No dia 28 de outubro, será escolhido o próximo Presidente da República. A vitória de Bolsonaro no primeiro turno e as pesquisas de opinião, anunciadas até o momento, colocam a real possibilidade de eleição do candidato da extrema-direita neofascista.

    A eleição de Bolsonaro representa o fortalecimento do que existe de pior na política brasileira, a mistura sinistra entre a redução dos direitos sociais do povo trabalhador e os ataques cada vez maiores às liberdades democráticas. Enfim, um risco real ao próprio regime democrático.

    Diante deste perigo evidente, a maioria da esquerda socialista, como o PSOL, o PCB e o PSTU, com distintos enfoques e mesmo não apoiando politicamente o PT e seus governos de conciliação de classes, optaram pelo voto 13 neste segundo turno, contra Bolsonaro, indicando Haddad para presidente.  Infelizmente, outros grupos menores da esquerda socialista indicam voto nulo, ou ainda a possibilidade de votar em branco.

    A gravidade do momento exige uma posição firme da esquerda socialista de conjunto. Jogar toda a nossa energia na construção de uma ampla unidade de ação e frente única contra a extrema-direita neofascista, em defesa dos direitos e da democracia.

    Esta unidade passa, neste momento, por duas tarefas concretas: realizar uma grande campanha neste segundo turno contra Bolsonaro, chamando nítida e explicitamente o voto em Haddad Presidente 13 e construir e convocar pela base a manifestação unificada, mais uma vez puxada pelo movimento Mulheres contra Bolsonaro,  no dia 20 de outubro, próximo sábado.

    Qualquer posição que signifique não se envolver direta e ativamente na campanha eleitoral do segundo turno ou, ainda pior, defender que possamos votar nulo ou branco no dia 28 de outubro, é um gravíssimo erro.

    Pois, além de ajudar numa eventual vitória de Bolsonaro, nos enfraquece na tarefa de preparar a resistência contra a extrema-direita neofascista desde já, objetivo prioritário no momento, inclusive, independente do resultado eleitoral do segundo turno.

    Haddad e Bolsonaro não são iguais

    Apesar de toda a crítica que temos ao projeto político da direção do PT, de termos sido oposição de esquerda aos seus governos de conciliação com as grandes empresas, bancos e e partidos da velha direita, não podemos cair na visão sectária de afirmar que tanto faz a vitória de Bolsonaro ou Haddad. Ou seja, cair na ideia equivocada que o PT é igual a essa extrema-direita neofascista.

    Seguimos afirmando que os 13 anos de governos petistas não romperam no fundamental – na política econômica, por exemplo – com os interesses dos ricos e poderosos. Entretanto, por sua origem e relação com os movimentos sociais até hoje, um governo do PT, embora não rompa com o grande pacto com a elite brasileira e transnacional, não será um governo como qualquer outro da direita burguesa.

    Inclusive, o golpe parlamentar do Impeachment se explica pelo fato de que a grande burguesia, diante do cenário de crise econômica,  precisava e precisa aplicar sem contradições os planos de austeridade e as reformas constitucionais reacionárias, até o seu final. Por isso, optou pela retirada do PT do governo, pois este partido já não estava cumprindo o papel de trava absoluta das lutas sociais. Para isso, se utilizou muito da Operação Lava Jato e todo estardalhaço em torno dela, protagonizado pela grande mídia, especialmente a TV Globo.

    O governo ilegítimo de Temer já foi expressão direta deste golpe. Por isso, fomos contra o Impeachment de Dilma, pois ele era feito não só para tirar o PT do governo, mas fundamentalmente para intensificar qualitativamente os ataques aos direitos sociais e trabalhistas do povo trabalhador.

    Os últimos dois anos comprovam essa afirmação anterior, especialmente se levarmos em consideração a aprovação da reforma trabalhista, a ampliação da terceirização da mão-de-obra, o congelamento de investimentos sociais por 20 anos, entre outros duríssimos ataques.

    O povo trabalhador, a juventude e os oprimidos resistiram bravamente, tendo como ponto alto de suas mobilizações a greve geral de abril de 2017. Mas, nossas lutas, por mais importante  que  tenham sido, não conseguiram frear o ajuste. O governo de Temer já não foi igual a um governo petista. Agora, tudo será ainda pior, se Bolsonaro assumir a Presidência da República.

    Afinal, um candidato da extrema-direita neofascista chegaria ao Governo Federal pelo voto popular, prometendo aplicar um plano ultra liberal, de retirada de direitos do povo trabalhador, de privatizações, de forte cunho autoritário e de perseguição aos movimentos sociais e à esquerda em geral.

    Evitar um governo Bolsonaro deve ser nosso objetivo imediato mais importante, neste momento.

    O antipetismo atual é regressivo

    Por que Bolsonaro pode ganhar a eleição? Muitos setores da esquerda construíram uma visão distorcida da realidade, como se o fortalecimento de Bolsonaro se deve a um erro da própria esquerda, que não quis se desvencilhar do PT e não conseguiu se beneficiar de um sentimento de rejeição aos petistas.  Crêem que existe um amplo sentimento antipetista progressivo, que poderia ser capitalizado pela esquerda.  Mas, que pelo erro de ter lutado junto com o PT contra Temer, esse espaço não teria sido aproveitado por organizações da esquerda que não apoiam politicamente  o PT.

    Essa visão abdica de analisar a profunda mudança negativa da correlação de forças entre as classes sociais, representada pelo golpe parlamentar de 2016, antecedido das manifestações reacionárias de 2015, hegemonizadas por setores das classes médias e dirigidas politicamente pela direita.

    Confundem o processo de experiência com o PT que vinha se desenvolvendo, e que teve seu auge nas manifestações de junho de 2013, com um sentimento reacionário e de direita que ganhou corpo a partir de 2015 e se consolidou com o Impeachment de Dilma.

    Quem dirigiu o golpe foi a velha direita mais tradicional, como o MDB, o DEM e o PSDB. Mas, os principais representantes da grande burguesia perderam o controle do processo de crise. Viram seu governo ilegítimo se tornar o mais impopular da nossa história, Temer ser odiado por quase toda a população e, ao lado desse processo, o crescimento e fortalecimento de uma extrema-direita neofascista, representada pela candidatura Bolsonaro, que já tinha colocado a “cabeca pra fora” nas manifestações em defesa do Impeachment de Dilma, defendendo uma intervenção militar,  e não foram combatidos.

    Portanto, Bolsonaro não capitaliza um sentimento progressivo das massas. Ele é expressão de um giro à direita das classes médias, que arrastou parcelas significativa dos trabalhadores, sobretudo nos grandes centros urbanos, e chegou em condições de disputar o poder, se impondo neste segundo turno como a opção privilegiada da burguesia. As grandes empresas e bancos preferiram apoiar Alckmin na primeira volta, mas assistiram o fracasso rotundo da candidatura presidencial tucana e, agora, na sua maioria, perfila “atrás do Capitão”.

    A luta por uma nova alternativa

    Se a política de tratar os petistas da mesma forma que os golpistas e a negativa de estar nas ruas ao lado do PT para lutar contra Temer fosse garantia de êxito, como explicar os péssimos resultados políticos e eleitorais dos setores da esquerda que apostaram nessa via, como o PSTU e até setores do próprio PSOL, como a CST?

    Apenas para ficar no exemplo dos resultados eleitorais: infelizmente, o PSTU viu cair ainda mais seu desempenho eleitoral, perdendo 36% dos votos para Presidente da República e 77% dos seus votos para a Câmara dos Deputados (sendo ultrapassado pela primeira vez pelo PCB nesta eleição legislativa) em comparação as eleições de 2014.

    Da mesma forma, a CST amargou um péssimo resultado eleitoral com a candidatura do camarada Babá para deputado federal no Rio de Janeiro, chegando apenas a pouco mais de 2800 votos, mesmo estando à frente de um mandato de vereador na capital carioca.

    A necessária e urgente construção de uma nova alternativa de independência de classe, que supere pela esquerda o projeto da direção do PT e do lulismo, não será atingida através de atalhos. E, muito menos, terceirizando para setores burgueses o justo combate que deve ser feito ao projeto de conciliação de classes da direção do PT.

    Só estaremos à altura desta tarefa, caso tenhamos a disposição de lutarmos juntos e ao lado de todos e todas,  contra os terríveis ataques que virão.

    Foto: Reprodução Youtube

  • Bolsonaro visita Bope, passando por cima da legislação eleitoral

    Nesta segunda-feira,  15 de outubro, o candidato do PSL a presidente da República, Jair Bolsonaro, visitou e fez campanha eleitoral dentro da sede do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar (PM), no Rio de Janeiro.

    A legislação eleitoral vigente proíbe expressamente atividades de campanha eleitoral dentro de espaços públicos, administrados pelo Estado, seja na esfera federal, estadual ou municipal. Por isso mesmo, muitos ativistas dos movimentos sociais, sindicais e estudantis ficaram impedidos de manifestar minimamente sua preferência partidária e eleitoral no interior de universidades e escolas públicas, dentro de repartições públicas e empresas estatais.

    As atividades de campanha, especialmente dos partidos de esquerda, quando muito, aconteceram do lado de fora destes espaços.

    Inclusive, alguns ativistas foram repreendidos apenas por manifestar suas preferências eleitorais, até de forma individual. Um absurdo, parte da escalada autoritária que vivemos nos dias de hoje.

    Em total desrespeito a Lei Eleitoral, Bolsonaro não só visitou o Quartel do Bope, no bairro das Laranjeiras, na cidade do Rio de Janeiro, como entrou neste espaço com assessores, discursou para os policiais, ao lado de Comandantes do Batalhão, agradecendo votos e fez campanha aberta, pedindo o voto e a confiança dos militares presentes neste segundo turno.

    E o que é pior, grande parte da imprensa foi impedida de cobrir a atividade de campanha de Bolsonaro dentro do Bope. O vídeo que veio a público na imprensa foi divulgado por próprios apoiadores de Bolsonaro. Este fato gerou registros de protesto de órgãos de imprensa, como o Jornal Folha de S. Paulo.

     

    Afirmações absurdas

    No seu discurso aos militares do Bope, na parte que foi gravada e divulgada na grande imprensa, Bolsonaro demonstra mais uma vez todo o conteúdo autoritário e de extrema-direita de sua candidatura.

    Chega a afirmar que, caso seja realmente eleito, quem vai mandar no país são os “capitães”, em tom chocoso, se referindo as patentes militares.

    Ao agradecer os possíveis votos que os militares do Bope teriam dado a sua candidatura no primeiro turno das eleições, chega a repetir a saudação sinistra usada pelos policiais do Bope nas operações violentas que realizam nas favelas cariocas : “Caveira”, gritou Bolsonaro, mais uma vez ironicamente.

    A coordenação de campanha de Fernando Haddad e entidades democráticas devem entrar com uma representação na Justiça Eleitoral contra esta atividade de campanha totalmente ilegal. Ela representa apenas mais uma comprovação do conteúdo extremamente autoritário que possuiria um eventual governo chefiado por Bolsonaro.

    É hora de reagir
    Os movimentos sociais, entidades civis, de direitos humanos e a esquerda de conjunto devem construir imediatamente uma unidade de ação democrática, para combater Bolsonaro neste segundo turno, defendendo o voto em Haddad Presidente 13.

    Não se trata prioritariamente de apoiar o candidato do PT, mas sim de derrotar a ameaça às liberdades democráticas e o risco ao próprio regime democrático, representados por Bolsonaro e seu projeto de extrema-direita neo-fascista.

    No próximo sábado, dia 20 de outubro, todos devemos estar nas ruas do país, ao lado do movimento “Mulheres contra Bolsonaro”, lutando em defesa dos direitos e da democracia. A nossa prioridade absoluta, nesta semana, deve ser convocar esta importante e decisiva manifestação nacional e intensificar a nossa campanha no segundo turno. Às ruas!

     

    COLUNA CARLOS ZACARIAS

    O guarda da esquina e a escalada fascista

     

  • Quatro notas sobre o IDH 2018

    Na véspera das eleições, relatório da ONU sobre o índice de Desenvolvimento Humano (IDH) aponta que o Brasil vive queda da renda da população; profunda desigualdade social; e crescimento do desemprego, principalmente entre os mais jovens

    Na última sexta-feira, 14 de setembro, as Organizações das Nações Unidas (ONU) divulgou o índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do ano de 2018. O IDH produz um ranking de países, através do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), construído a partir de três variantes fundamentais: a saúde, a educação e a renda.

    Embora o IDH não seja um critério unânime para discutir a qualidade de vida da população, ele não deixa de ser uma referência importante para esta discussão.

    Depois de melhorar seis posições neste ranking, entre os anos de 2012 e 2014, nos últimos três anos, o Brasil segue estagnado na 79ª colocação. Na última pesquisa, os dados sobre Brasil são relativos ao ano de 2017.

    Entre tantas questões que se pode discutir a partir do anuncio do IDH 2018, é importante destacar:

    1 – O Brasil é o país mais desigual do mundo, fora do continente africano

    Caso o nível de desigualdade social fosse incluído como critério de definição do IDH, o Brasil perderia nada mais nada menos que 17 posições no ranking.

    Esse resultado vergonhoso se deve ao fato lastimável do Brasil ser o nono país mais desigual do mundo, segundo o coeficiente Gini.

    Nosso país só fica atrás de oito países africanos: África do Sul, Namíbia, Botsuana, Zâmbia, República Centro-Africana, Lesoto, Moçambique e Suatini.

    Ou seja, olhando de forma mais atenta, a situação é ainda pior. Pois, fora do continente africano, o Brasil ocupa a primeira posição em matéria de desigualdade social. Uma vergonha.

    A desigualdade atinge, em cheio, as mulheres brasileiras. Segundo os dados, elas ganham salários equivalentes a apenas 43% dos salários dos homens.

    2 – A juventude brasileira sofre com o maior desemprego entre os países latino-americanos

    Chama atenção também o forte crescimento do desemprego no Brasil. Os dados oficiais do IBGE já apontam para mais de 13 milhões de desempregados.

    Soma-se a este drama, segundo o PNUD, o Brasil possui o maior índice de desemprego entre a população mais jovem: 30,5%. No Brasil, na faixa de jovens de até 24 anos, 24,8% destes não trabalham e não estudam. No Uruguai, esse índice é de 18,7% e na Argentina, 19,7%.

    3 – Nosso país fica atrás da Venezuela

    Apesar de sofrer um boicote econômico de países como os EUA e conviver com uma grave crise social, devido ao fracasso da politica econômica dos sucessivos governos chavistas, esse importante país latino-americano ainda fica uma colocação na frente do Brasil no IDH.

    Esse fato chama ainda mais atenção, devido aos recentes acontecimentos na Região Norte do Brasil, que vem recebendo um grande número de refugiados venezuelanos.

    Apesar de toda essa situação difícil, a Venezuela ainda consegue ganhar do Brasil. Isso acontece, principalmente, devido a terrível situação nos serviços públicos brasileiros, especialmente na saúde e educação, e na queda da renda dos brasileiros. A renda per capita no Brasil caiu 4% nos últimos dois anos.

    4 – É urgente um programa que enfrente os privilégios

    Toda esta situação reforça uma questão: enfrentar a brutal desigualdade social brasileira precisa ser um dos eixos prioritários de qualquer programa de transformação de nosso país.

    As políticas sociais compensatórias aplicadas pelos governos do PT tiveram sua importância, mas se revelaram insuficientes e efêmeras. A mudança precisa ser mais estrutural. Não podemos repetir os limites programáticos dos governos petistas de conciliação com as grandes empresas e bancos.

    Por isso, precisamos mudar radicalmente a política econômica. Encarar o desafio é de realizar uma profunda reforma tributária, que sobretaxe as grandes fortunas e os lucros exorbitantes das grandes empresas e bancos.

    Além de realizar uma auditoria da dívida pública, para interromper a verdadeira sangria de recursos públicos, através da cobrança de juros e amortizações, que chega consumir todo ano quase metade do Orçamento da União. Essas medidas são necessárias para que o Estado brasileiro tenha recursos para ampliar qualitativamente os investimentos sociais e combater na prática a desigualdade social.

    Estas propostas estão inseridas na plataforma programática da candidatura presidencial de Guilherme Boulos e Sônia Guajajara. Mais um bom motivo para votar 50 para presidente da República, no dia 7 de outubro. Seu voto vai fortalecer a luta por um país mais justo. Vamos, sem medo de mudar o Brasil.

    FOTO: Fernando Frazão / Agência Brasil / Arquivo

    LEIA MAIS – EDITORIAL PROGRAMÁTICO

    Taxar os mais ricos e auditar a dívida: Orçamento público para a maioria

  • O Brasil vive uma “normalidade democrática”?

    Na edição desta sexta-feira, 14 de setembro, a Folha de S. Paulo publicou uma matéria que merece nossa reflexão. No Uruguai, o presidente da República mandou prender o Chefe do Exército por 30 dias, porque ele criticou publicamente um projeto de lei do governo, que tramita no Congresso Nacional do nosso país vizinho da América do Sul. O projeto discute uma reforma do sistema de pensões militares e uma nova lei orgânica para as Forças Armadas.

    Não apoio politicamente o governo uruguaio, mas esse fato demonstra que o presidente Tabaré Vasquez não está subordinado a alta cúpula dos militares do seu país. Todos sabem que as forças armadas latino-americanas já produziram regimes ditatoriais e sanguinários, na história recente desta região.

    No Brasil, principalmente após o golpe parlamentar de 2016, assistimos impunemente generais da ativa e da reserva, como Vilas Boas (atual comandante do exército) e Mourão (vice de Bolsonaro, que entrou na reserva no final do ano passado) intervirem diretamente na vida política do nosso país. E cresce a presença de militares a frente de postos chaves, como Ministérios, no governo ilegítimo Temer.

    Vilas Boas já levantou a possibilidade do questionamento do resultado das eleições de 2018, fez postagens nas redes sociais na véspera do julgamento de um habeas corpus de Lula no STF defendendo sua rejeição e se arvora no direito de realizar sabatinas com os candidatos a Presidente.

    E, o que é ainda pior, o general da reserva Hamilton Mourão, que atualmente é o presidente do Clube Militar do Rio de Janeiro, se elegeu para presidir esta “sinistra” instituição defensora da ditadura, desferindo discursos de ampliar a intervenção política dos militares. E, por isso, vem coordenando uma iniciativa de mais de 70 candidatos militares nestas eleições, com o objetivo de eleger uma forte bancada no Congresso.

    Mourão, agora como candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro (PSL-RJ), defende a legitimidade da ditadura militar, a prática da tortura, que o assassino e torturador Coronel Ustra é um herói nacional, o direito de um presidente da República promover um auto-golpe e fechar o Congresso e, mais grave, ano passado ele ganhou publicidade por defender – em um vídeo nas redes sociais – a nefasta ideia de uma nova intervenção militar no Brasil (coisa que agora ele renega, formalmente).

    Todos estes fatos ocorrem impunemente. Num contexto brasileiro onde assistimos uma intervenção militar e federal na área da segurança pública do Estado do Rio de Janeiro, que vem aumentando significativamente as mortes promovidas por agentes de segurança do estado nas favelas cariocas; a condenação sem provas de Lula, sua prisão política e o impedimento absurdo de sua candidatura presidencial, mesmo ele liderando todas as pesquisas de intenção de votos; e a execução sumária da camarada Marielle Franco (PSOL), depois de seis meses continuamos sem uma perspectiva real da conclusão sobre este crime político, sem sabermos quem matou e quem mandou matar a quinta vereadora mais votada do Rio de Janeiro e o seu motorista, Anderson.

    Não vivemos de fato uma real democracia em nosso país, e isso já vem de antes. Esse regime político apodrecido é no máximo um sistema que apenas garante privilégios para os ricos e poderosos. Entretanto, o que acontece no Brasil de hoje rasga até as mínimas regras do chamado Estado Democrático de Direito. E, a depender do resultado das eleições de 2018, este cenário sombrio pode ainda piorar.

    Derrotar Bolsonaro nas ruas e nas urnas
    Uma das grandes tarefas políticas do povo trabalhador, da juventude, dos oprimidos e da esquerda brasileira é derrotar Bolsonaro, candidato a presidente da extrema-direita neofascista. Sua vitória nas eleições vai aprofundar ainda mais esta escalada autoritária sobre as liberdades democráticas da maioria da população e os direitos sociais do povo trabalhador.

    Felizmente, cresce a cada dia o movimento “mulheres unidas contra Bolsonaro”, que impulsiona um grupo no Facebook que já se aproxima de 2 milhões de participantes e prepara protestos em todo o país para o dia 29 de setembro, ainda antes da votação do primeiro turno das eleições.

    Temos que apoiar, participar e defender com todas as nossas forças este legítimo e progressivo movimento das mulheres. Inclusive, neste momento, começam ocorrer várias outras iniciativas: “LGBT´s contra Bolsonaro”, “Negros e Negras contra Bolsonaro”, “Educação contra Bolsonaro”, entre outros. Todos confluindo para os protestos do dia 29 de setembro. Todo apoio!

    Mais uma vez, a campanha presidencial de Guilherme Boulos e Sonia Guajajara darão um exemplo muito importante. Neste sábado, dia 15 de setembro, vamos colocar a militância da Frente Política e Social formada pelo MTST, PSOL, PCB, APIB, Fora do Eixo / Mídia Ninja, entre outros movimentos e organizações de esquerda, para apoiar nas ruas a iniciativa “mulheres unidas contra Bolsonaro” e ampliar a convocação para as manifestações do próximo dia 29.

    Na nossa aliança não existe perdão aos golpistas e nem alianças políticas espúrias com a velha direita. Vamos, sem medo de mudar o Brasil!

  • Um mês para as eleições

    O momento é de polarização e enfrentamento ao golpe, e não de repetir o erro da conciliação

    O primeiro turno das eleições acontece no dia 7 de outubro. O horário eleitoral no rádio e na TV começou semana passada, ampliando a polarização política e a disputa pelo voto. O cenário eleitoral para Presidente da República segue indefinido, mesmo faltando um mês para a eleição, e cresce a campanha eleitoral nas ruas de todo o país.

    Definitivamente, esta eleição não é qualquer uma. Ela acontece depois do golpe parlamentar do Impeachment de 2016; da condenação sem provas de Lula, sua prisão política e o impedimento absurdo da sua candidatura; e, com Jair Bolsonaro, candidato da extrema-direita neofascista, assumindo a dianteira as pesquisas, no cenário sem o nome de Lula.

    As grandes empresas, a mídia burguesa e os bancos têm seu candidato: apostam suas fichas num possível crescimento do tucano Alckmin. O PSDB tem o maior tempo no horário eleitoral, estrutura de campanha, forjada na aliança com os partidos do chamado “centrão”. Mas, até o momento não decolou.

    Neste cenário, cresce percepção de que Bolsonaro pode realmente ir ao segundo turno. Setores importantes da burguesia brasileira já começam a admitir essa possibilidade, e já acenam com um possível apoio.

    No início da semana que vem, o PT deve substituir a candidatura de Lula por Haddad, cumprindo o prazo definido pela decisão antidemocrática do TSE. A direção do PT aposta “suas fichas” na possibilidade de transferência de votos do ex-presidente para seu representante nestas eleições.

    Ciro e Marina querem se colocar também como potenciais herdeiros de pelo menos parte do eleitorado identificado com Lula. Nas próximas semanas, o cenário ainda indefinido deve começar a ficar mais nítido: quais tendências vão prevalecer? Veremos.

    Enfrentar o golpe e sua agenda
    Nossa primeira tarefa começa por derrotar todas essas candidaturas que representam o golpe e o ajuste. Golpistas não merecem perdão!

    O povo trabalhador, a juventude e os oprimidos devem, em todos os dias que faltam para a votação, combater os candidatos representantes da retirada de direitos e dos ataques às liberdades democráticas. O resultado das eleições, a depender da evolução dos acontecimentos, pode fortalecer ainda mais esta agenda, colocando a iminência de novos ataques num futuro muito próximo, como a retomada da tramitação da reforma da Previdência, proposta pelo governo ilegítimo de Temer.

    Nossa campanha começa por enfrentar “os 50 tons de Temer”: combater Bolsonaro, Alckmin, Meirelles e Alvaro Dias, que apoiaram o impeachment e todos os ataques do governo Temer. E também Marina – que sempre gosta de aparecer como uma defensora de uma nova política – mas apoiou o Impeachment e, mesmo que de forma envergonhada, defende reformas reacionárias muito parecidas com as de Temer.

    Agora todos querem se desvencilhar da imagem do presidente mais impopular de nossa história. O oportunismo de Alckmin foi tanto, que o próprio Temer gravou dois vídeos lembrando ao candidato tucano que tanto o PSDB como todos os partidos da sua coligação são parte, ainda hoje, deste governo.

    Tudo pode ser ainda pior, se Bolsonaro se fortalecer. Pois, ele combina o que tem de pior na política brasileira, defendendo um programa econômico de ainda maior retirada de direitos, privatizações e entrega da nossa soberania, como a defesa da repressão e da criminalização contra os oprimidos, a classe trabalhadora e a esquerda. Portanto, vamos lutar para tirar Bolsonaro do segundo turno.

    PT repete o erro da conciliação
    Nesta semana, assistimos Fernando Haddad, vice de Lula e seu eventual substituto, visitando vários Estados do Nordeste. Nesta peregrinação, chamou a atenção mais uma vez as alianças do PT com partidos da velha direita, muitos inclusive que apoiaram o golpe.

    Como disse Guilherme Boulos: “relação PT e MDB é caso de divã”. Haddad posou para fotos e esteve em vídeos com Eunicio Oliveira (MDB-CE) – presidente do Senado que votou todas as reformas reacionárias de Temer; com Renan Calheiros (MDB-AL), presidente do Senado no Impeachment de Dilma; e com o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), que apoiou o golpe e a posse de Temer.

    Em 15 estados, o PT mantém a mesma política de alianças com setores da velha direita que apoiaram o golpe, como Minas Gerais, Piauí e Bahia. Também o PCdoB segue a mesma política, repetindo uma aliança muito semelhante no Maranhão, onde governa.

    A aliança do PT com os golpistas demonstra que a direção deste partido não tirou as lições do golpe, e segue defendendo governar junto com os partidos da velha direita, que tramaram o Impeachment e defenderam toda a agenda de ataques ao povo trabalhador que veio depois dele. Por isso, Haddad já defendeu inclusive a realização de uma nova reforma da Previdência, em sabatina no Banco Pactual.

    Ciro Gomes não fica atrás. Ele tentou até o último momento se aliar aos partidos do “centrão”, colocou a ruralista Kátia Abreu como vice e, seu principal assessor econômico, Mauro Benevides, já se comprometeu com a manutenção da política de privatizações e com uma nova reforma da previdência que segue a mesma lógica de privatização da Previdência social.

    Em última instância, o que explica o golpe foram os erros de governar junto com a velha direita. O PT no governo conviveu com “cobras venenosas como se fossem bichos de estimação”. Inclusive, nunca podemos esquecer que temer era o Vice de Dilma.

    Um novo governo que repita esses mesmos erros só vai gerar mais um fracasso político, provocando mais desmoralização aos trabalhadores e a esquerda, fortalecendo ainda mais setores da extrema direita e neofascista, como os representados hoje por Bolsonaro.

    Fortalecer uma nova alternativa de esquerda
    Para enfrentar de verdade o golpe e todos os seus ataques, nas eleições de 7 de outubro, o caminho segue sendo fortalecer uma nova alternativa de esquerda, socialista, do povo trabalhador, da juventude e de todos os explorados e oprimidos.

    Votar 50 pra presidente. Apoiar Guilherme Boulos e Sonia Guajajara, candidaturas lançadas por uma frente política e social inédita em nosso país, formada por partidos de esquerda como o PSOL e o PCB e movimentos sociais combativos como o MTST e a APIB. Esse voto não representa só uma opção correta numa eleição, mas também significa afirmar uma alternativa para o futuro das nossas lutas.

    Na nossa campanha é 100% contra os golpistas, nela não existem alianças com a velha direita. Defendemos um programa que realmente coloque “o dedo na ferida”, enfrentando os privilégios dos ricos e poderosos e propondo um governo que seja de fato dos trabalhadores e do povo.

    É por isso, que por onde passa Boulos e Sônia estamos reunindo milhares de trabalhadores e jovens, construindo uma nova esperança de esquerda em nosso país. Vamos, sem medo de mudar o Brasil!

  • Entrevista no JN: Bolsonaro sendo Bolsonaro

    Na noite desta terça-feira, 28 de agosto, o Jornal Nacional (JN), da TV Globo, entrevistou o candidato a presidente da República da extrema-direita, Jair Bolsonaro (PSL-RJ).

    A série de entrevistas, na bancada do JN, é absurdamente excludente e antidemocrática. Pois utiliza o critério de uma pesquisa de opinião para não convidar todos os candidatos, além de retirar mais uma vez a candidatura de Lula, mesmo ele liderando todas essas mesmas pesquisas.

    Na entrevista, Bolsonaro não surpreendeu. Para quem se deu ao trabalho de assistir, viu apenas a confirmação de suas ideias ultra-reacionárias. Uma mistura de tudo que há de pior na política brasileira, aliando um discurso extremamente conservador e autoritário, como um plano econômico radicalmente neoliberal.

    Durante os 27 minutos de entrevista, pode-se destacar algumas ideias defendidas por Bolsonaro:

    . Não há nenhum problema que ele tenha recebido auxílio-moradia como deputado, mesmo possuindo apartamento próprio em Brasília;
    . Defendeu, mais uma vez, que não é condenável que um patrão pague um salário menor para uma mulher do que para um homem, mesmo exercendo funções idênticas;
    . Afirmou, novamente, que não se deve educar sobre a necessidade de se combater a homofobia e toda e qualquer forma de preconceito nas escolas. Repetindo também suas mentiras absurdas sobre as propostas que defendem uma educação contra os preconceitos;
    . Associou-se a ideia defendida, segundo ele próprio, por um ator de empresários, de que o trabalhador tem que optar entre ter direitos trabalhistas ou ter emprego. Inclusive, fez questão de lembrar o seu voto contrário a Lei que regulamentou os direitos trabalhistas das empregadas domésticas;
    . Fez apologia da política de intervenção violenta nas favelas, realizadas pelos agentes de segurança, mesmo que isso signifique chegar atirando indiscriminadamente, gerando vítimas inocentes;
    . E, não podia faltar, defendeu a legitimidade da ditadura militar e que está correta a defesa de seu vice, o general Mourão, de que as Forças Armadas podem impor uma saída política ao país, se as instituições não atuarem corretamente, sempre segundo suas opiniões.

    O radicalismo de direita de Bolsonaro foi tamanho que fez os “âncoras” do JN, que não são nenhum exemplo de defesa das liberdades democráticas, terem que protestarem em vários momentos da entrevista.

    Lutar para tirar Bolsonaro do segundo turno
    A nitidez com que desenvolve seu discurso de extrema-direita e fascista é mais uma vez a demonstração que uma das tarefas mais importantes e atuais da esquerda socialista, das entidades e movimentos dos trabalhadores, da juventude e dos oprimidos é travar um duro combate às ideias e ao projeto político de Bolsonaro.

    Mais do que nunca, é necessário caracterizar muito bem o perigo representado por ele, disputar a consciência do povo trabalhador e a juventude contra a sua candidatura, suas ideias e seu projeto político, e saber realizar uma ampla unidade de ação para derrotá-lo politicamente.

    Relativizar a importância deste combate, diário e prioritário, é um grave erro. E, o que é pior, se apoiar no fato de que uma parcela dos trabalhadores, infelizmente, simpatiza com esse discurso de extrema-direita, para realizar acordos políticos e sindicais com aliados de Bolsonaro, aí já é um verdadeiro crime político.

    Como parte da campanha de Guilherme Boulos e Sonia Guajajara para a Presidência da República (MTST / PSOL / PCB / APIB) seremos parte ativa da campanha política que tem como objetivo tirar Bolsonaro do segundo turno das eleições presidenciais.

    Inclusive, Boulos vem acertando nos debates e entrevistas que vem participando, quando busca se confrontar diretamente com Bolsonaro, com o objetivo de desmascará-lo perante a maioria do povo. Como no episódio da “Val”, a funcionária fantasma que Bolsonaro mantinha para cuidar de seus cães na sua casa de praia em Angra dos Reis.

    Exigir que o STF condene Bolsonaro por racismo
    Na tarde de ontem, a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) começou a julgar se acolhe a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra Bolsonaro por crime de racismo. Esta denúncia crime é relativa a sua fala absurda num evento na Hebraica, do Rio de Janeiro, onde usou argumentos racistas contra quilombolas e indígenas. Na sua fala extremamente preconceituosa, chegou a dizer que os quilombolas deveriam ser pesados em arrobas, comparando-os a gado ou a animal equivalente.

    Infelizmente, quando o julgamento do acolhimento da denúncia estava empatado, o ministro do STF Alexandre de Moraes pediu vistas no processo, adiando sua decisão, provavelmente, para a próxima sessão da referida turma deste tribunal. Alexandre de Moraes é o mais novo ministro do STF, nomeado por Temer, e foi secretário de Segurança Pública do governo tucano de Alckmin, em São Paulo.

    Exigimos do STF que não só transforme Bolsonaro em réu pelo crime de racismo, mas que seja rápido para condená-lo por este crime hediondo, que ele vem reiteradas vezes praticando impunemente.

    Como disse Valério Arcary, em recente discurso numa manifestação no Circo Voador (RJ): “Nenhuma liberdade aos inimigos da liberdade!”

    Leia outros artigos:

    Cinco observações rápidas sobre o atentado contra Jair Bolsonaro por Valério Arcary

    Bolsonaro, neoliberalismo e Ojeriza à política por Rejane Hoeveler

    A família Bolsonaro, a nova direita brasileira e seu discurso LGBTfóbico por Gabriel Santos 

    Quatro motivos para não votar em Bolsonaro: Suas propostas para a classe trabalhadora Por Carlos Henrique de Oliveira

    Cinco argumentos para desmascarar Bolsonaro Por Juliana Bimbi

    Bolsonaro admite Petrobrás totalmente privatizada caso seja eleito Por Pedro Augusto

    Conheça quem está por trás das ideias de Bolsonaro Por Gibran Jordão

    Bolsonaro: Nem honesto, nem aliado dos trabalhadores Por Edgar Fogaça

    Bolsonaro não é um espantalho por Valério Arcary

    Em visita ao Pará, Bolsonaro defende a chachina de trabalhadores sem-terra Por Gizelle Freitas

    Não se deve tercerizar para Ciro Gomes a luta contra Bolsonaro por Valério Arcary 

    Bolsonaro em contradição: três patacoadas do “mito”em apenas dez dias de 2018 por Matheus Gomes

    5 fatos mostram que Bolsonaro é contra os trabalhadores e aliado de Temer por Lucas Fogaça

    Bolsonaro ataca negros, pessoas gordas, quilombolas, indígenas e refugiados no clube Hebraica por Jéssica Milare 

     

  • Para enfrentar o golpe pra valer, Boulos e Guajajara para a Presidência

    Uma polêmica com a candidatura do PT e do PCdoB

    O MTST é um dos principais movimentos sociais brasileiros e esteve na linha de frente da luta contra o golpe parlamentar do impeachment da ex-presidente Dilma e nas lutas contra o governo ilegítimo de Temer e seus ataques aos direitos.

    O PSOL foi um dos partidos de esquerda que não apoiou as administrações petistas aliadas com partidos da velha direita, por entender que estes governos de conciliação de classes não enfrentaram de verdade os privilégios dos ricos e poderosos. Entretanto, o PSOL não vacilou na luta contra o golpe – seus parlamentares votaram contra a manobra reacionária do impeachment e a maioria de sua militância esteve nas ruas contra ele.

    Tanto o MTST como o PSOL são contra a condenação sem provas do ex-presidente Lula, sua prisão política e o impedimento absurdo de sua candidatura presidencial. Mesmo não apoiando o projeto político da direção do PT, souberam enfrentar a ofensiva da velha direita golpista, contra os direitos sociais e as liberdades democráticas.

    A firme defesa da unidade de ação nas lutas contra o golpe e o governo Temer nunca significou a defesa do mesmo projeto político defendido pela direção do PT.

    Poderia ter sido diferente? A nossa unidade nas lutas poderia se repetir na defesa da mesma candidatura presidencial no primeiro turno das eleições deste ano?

    Sim, poderia. Mas, para que esta possibilidade se tornasse realidade, era necessário que as direções do PT e do PCdoB tirassem as lições mais importantes do golpe parlamentar de 2016 e do desfecho extremamente negativo de seus governos. Não só entendessem os graves erros dos governos de conciliação de classes, mas, principalmente, mudasse sua política para a realidade atual.

    Mas, infelizmente, não é isso que observamos de fato. Seja na política de alianças, seja na no programa apresentado, se repetem os mesmos erros praticados nos 13 anos de seus governos.

    Golpistas não merecem perdão
    Mesmo depois do golpe e de todo o significado reacionário do governo Temer, a direção do PT buscou construir alianças políticas com partidos e políticos da velha direita, que inclusive apoiaram o Impeachment de 2016.

    Foi assim, que buscaram uma aliança nacional com o PR, um dos partidos fisiológicos do chamado “Centrão”, oferecendo a vice-presidência para o mega empresário Josué de Alencar – filho e herdeiro de José Alencar, que foi o Vice de Lula.

    Da mesma forma, tentaram uma aliança nacional com o PSB, partido cuja bancada federal apoiou majoritariamente o Impeachment e que há anos mantém em SP uma aliança estreita com o governo controlado pelo PSDB. Márcio França, do PSB, foi o vice-governador de Alckmin.

    Inclusive, para conseguir a neutralidade do PSB nas eleições presidenciais, a direção nacional do PT sacrificou a candidatura de Marília Arraes ao governo de Pernambuco, passando por cima da vontade de sua militância.

    Se ao nível nacional essas alianças tiveram dificuldade de se concretizar – só vingou o acordo nacional com um partido da velha direita, o PROS – em Estados importantes, principalmente onde o PT detém os governos estaduais, a política de alianças espúrias com a velha direita e os golpistas foi aplicada amplamente.

    Por exemplo, no Ceará se aliaram a Eunício de Oliveira (MDB), atual presidente do Senado, um dos articuladores do golpe, apoiador de Temer e um dos responsáveis diretos pela aprovação dos maiores ataques ao povo trabalhador, como a reforma trabalhista, a ampliação da terceirização da mão-de-obra e o congelamento de investimentos sociais por 20 anos. Para apoiar a reeleição de Eunício para o Senado, o PT abriu mão inclusive de buscar a reeleição de seu atual senador, José Pimentel.

    No Estado de Alagoas, vão apoiar a reeleição de Renan Calheiros, também do MDB e apoiador do impeachment, para o Senado e de seu filho para o governo do estado.

    Alianças como estas se repetem ainda na Bahia, Minas Gerais e Piauí (três Estados onde o PT está no governo do estado), além de outros estados.

    O PCdoB não fica pra trás nessa política. No Maranhão, onde controla o Governo do Estado, formou, mais uma vez, uma aliança com vários partidos da velha direita, entre eles o DEM.

    “A história se repete como farsa”. Não podemos esquecer que Temer era o vice-presidente na chapa de Dilma. A política de alianças atual, de fato, repete os mesmo erros do passado.

    Governar para quem?
    Junto com essa política de alianças com a velha direita golpista, e em muito sentidos por decorrência dela, vem o outro grave problema: o rebaixamento programático. Por de trás da máxima de “governar para todos”, se esconde a defesa de um programa que não tem como objetivo enfrentar de verdade os privilégios dos ricos e poderosos.

    Nos 13 anos em que esteve no governo federal, o PT não aplicou uma reforma tributária que sobretaxasse as grandes fortunas e os lucros exorbitantes das grandes empresas e bancos. Neste período, os bancos lucraram como nunca, enquanto os trabalhadores já começavam a pagar a conta da crise.

    Não mexeram no mecanismo perecerão da dívida pública, que todo ano durante todo o período dos governos petistas, consumiu quase a metade de todo o Orçamento da União, com juros e amortizações.

    Não interromperam o processo de privatização da Petrobrás, realizando vários leilões de reservas de petróleo e do Pré-Sal, já abrindo as nossas riquezas para exploração das gigantes transnacionais petroleiras. Ao invés de retomar o monopólio estatal sobre o petróleo, foi no governo de Dilma que se flexibilizou ainda mais o controle da Petrobrás sobre a exploração desta que é uma das nossas principais riquezas.

    Os exemplos são muitos. Mas, a verdade é que fruto de governos de conciliação de classes, o PT acabou governando no essencial sem mexer nos privilégios da elite econômica, reservando apenas os programas sociais para a maioria do povo apenas, as chamadas políticas sociais, que tiveram sua importância, mas não foram suficientes para garantir uma melhora permanente na vida da maioria da população.

    Muitos ativistas acreditam que num novo governo do PT as coisas seriam diferentes, que eles agora enfrentariam os privilégios do 1% mais ricos, das grandes empresas e bancos, para atender as justas reivindicações da maioria da população por emprego, melhores salários e serviços públicos de qualidade.

    Infelizmente, mais uma vez não será assim. A recente entrevista de Fernando Haddad, coordenador de programa da candidatura do PT, vice de Lula e seu eventual substituto se confirmado seu impedimento, ao Banco Pactual é bastante elucidativa. Haddad chega a se comprometer com uma nova reforma da Previdência e novamente com o respeito aos contratos e interesses dos banqueiros. Por exemplo, a proposta de rever a reforma trabalhista ou sobretaxar as grandes fortunas sequer foi mencionada.

    Sem uma mudança radical nestes rumos, num eventual novo governo petista, vamos ver se repetir os mesmos erros que assistimos nos seus governos, tanto com Lula como com Dilma. As direções do PT e do PCdoB estão dispostas a rever a política de conciliações de classes? Lamentavelmente, os fatos demonstraram que não.

    Lula Livre e Boulos Presidente
    Vamos seguir firmes na denúncia do golpe e todos seus efeitos nocivos aos direitos sociais e democráticos. Seguiremos também denunciando o absurdo impedimento de Lula concorrer nas eleições.

    Mas, com a mesma ênfase que estamos pelo Lula Livre, teremos também na construção e afirmação da candidatura de Boulos e Guajajara para a Presidência, nas próximas eleições de 7 de outubro.

    Mais do que nunca, precisamos ter a ousadia de romper com os erros do passado e construir uma nova esperança de esquerda em nosso país. Como explicou muito bem o próprio Guilherme Boulos, em recente entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.

    A candidatura de Boulos e Guajajara é lançada por uma frente política e social inédita em nosso país, formada por partidos de esquerda, como o PSOL e o PCB, e movimentos sociais combativos, como o MTST e a APIB.

    Sua campanha será 100% contra os golpistas, sem nenhuma aliança com a velha direita. Nosso programa é de enfrentamento aos privilégios dos super ricos e poderosos. Defendemos a revisão das reformas de Temer, sobretaxar as grandes fortunas e o lucro exorbitante dos bancos e grandes empresas, acabar com as privatizações, garantindo que todo o petróleo será nosso com uma Petrobrás 100% estatal, entre outras propostas que realmente coloquem o “dedo na ferida” dos graves problemas que passamos em nosso país.

    No dia 7 de outubro, voto útil é apoiar e construir uma nova alternativa de esquerda, que não se alie mais uma vez ao “andar de cima” e tenha compromisso realmente com o povo trabalhador, a juventude e o conjunto dos explorados e oprimidos.

    Vamos, sem medo de mudar o Brasil.

  • Seis comentários sobre o debate entre os presidenciáveis na Rede TV

    Na noite desta sexta-feira, 17, ocorreu o segundo debate entre candidatos a presidente da República, na TV aberta, agora promovido conjuntamente pela Rede TV e a revista Isto é. O encontro acontece oito dias após o primeiro debate, na Bandeirantes.

    Novamente oito candidatos estiveram presentes: Álvaro Dias (Podemos), Cabo Daciolo (Patriota), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), Henrique Meirelles (MDB), Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (Rede). E, mais uma vez, gerou uma grande repercussão nas redes sociais e na grande imprensa.

    Algumas questões chamaram atenção, e destaco algumas:

    1- Ausência de Lula
    Mais uma vez, a justiça impediu a presença de Lula no debate, mesmo sendo o líder de todas as pesquisas de opinião. No mesmo dia em que o Comitê de Direitos Humanos da ONU definiu que o Brasil deveria libertar Lula, deixá-lo responder em liberdade aos processos judiciais nos quais é acusado e permitir sua candidatura presidencial, novamente vemos o impedimento de sua presença num debate sobre eleições.

    Entretanto, mesmo ausente, Lula foi um dos temas de discussão. Já no início do debate foi informado que, depois da decisão judicial que Lula não poderia participar, foi retirado o púlpito com o nome do ex-presidente. Todos os candidatos concordaram em tirar o púlpito com nome de Lula, menos Guilherme Boulos, que protestou. Essa informação foi lembrada mais uma vez durante a transmissão do debate.

    Uma vez mais, não se trata de defender o projeto político de aliança com a velha direita e de governar sem mexer de verdade nos privilégios dos ricos e poderosos da direção petista, mas entender que a condenação sem provas de Lula, sua prisão política e o impedimento de sua candidatura presidencial são grandes absurdos do momento político brasileiro, partes inerentes do golpe parlamentar de 2016 e do caráter reacionário e seletivo da Operação Lava Jato.

    2- Todos deveriam participar
    Além da ausência de Lula, novamente outros quatro candidaturas estiveram impedidos de participar, entre elas a da companheira Vera Lúcia (PSTU).

    A legislação eleitoral vigente não obriga a participação dos candidatos que não possuem, em seus partidos e ou coligações, pelo menos cinco parlamentares nacionais. Lembrando que a última reforma eleitoral foi chefiada pelo famigerado Eduardo Cunha, do PMDB, atualmente preso.

    Independentemente do tamanho dos partidos, é minimamente democrático que todas as candidaturas presidenciais participem dos debates e tenham o mesmo direito e tempo nas coberturas da imprensa e no horário eleitoral gratuito.

    3 – Cinquenta tons de Temer
    Essa feliz expressão, lançada por Boulos no debate da Band para lembrar que a maioria dos candidatos presentes apoiou o golpe do impeachment e sustentou o governo ilegítimo de Temer e suas medidas reacionárias, voltou a ser discutida no encontro de ontem.

    Guilherme Boulos, mais uma vez, denunciou os candidatos do ajuste e do golpe, o que vem incomodando, principalmente Alckmin, Bolsonaro, Meirelles e Álvaro Dias.

    Já no bloco das considerações finais, Alckmin “acusou o golpe”, dizendo que o tom de Temer é vermelho, pois ele foi duas vezes vice de Dilma do PT. Na verdade, todos os amigos de Temer, agora querem se desvencilhar do presidente mais impopular da história brasileira.

    Logo em seguida, Boulos teve a oportunidade de responder, lembrando que os tucanos estão intimamente ligados ao governo Temer, afinal apoiaram a sua posse, integrando seu governo até hoje e votando no Congresso a favor das medidas anti-povo trabalhador propostas por ele. O próprio Temer, essa semana, fez questão de elogiar a candidatura de Alckmin.

    4 – Fator Bolsonaro
    De novo assistimos ao confronto entre Boulos e Bolsonaro. No primeiro encontro, o candidato do PSOL denunciou que o candidato da extrema-direita tinha uma funcionária fantasma (a já famosa Val). O assunto ganhou tanta repercussão que o deputado do PSL teve que demiti-la.

    Ontem, Bolsonaro tentou um direito de resposta contra Boulos, que incluiu seu nome entre os candidatos milionários. Felizmente, ele perdeu novamente o conflito com Boulos.

    Enquanto Ciro Gomes segue tratando de forma cordial o candidato da extrema direita brasileira – inimigo do povo, dos oprimidos e da juventude – Marina Silva produziu um dos grandes momentos do debate, passando um verdadeiro “sermão” em Bolsonaro, onde lembrou o episódio em que ele ensina a uma criança fazer com a sua mão o símbolo de atirar com arma de fogo, chamando a atenção também para o caráter laico do Estado brasileiro, preceito tão desrespeitado tanto por Bolsonaro como pela figura caricata do Cabo Daciolo.

    5 – Medidas do governo ilegítimo e golpista
    Um dos grandes temas do debate foi o terrível desemprego que assola os trabalhadores brasileiros e o verdadeiro caos dos serviços públicos que vem se intensificando ainda mais nos últimos anos.

    Medidas do governo ilegítimo de Temer, as alterações reacionárias da Constituição, tais como a reforma trabalhista e o congelamento dos investimentos sociais por 20 anos, estiveram no centro do debate. Os candidatos do golpe e do ajuste, como Alckmin, Bolsonaro, Meirelles e Álvaro Dias, defenderam as reformas reacionárias, mesmo querendo disfarçar sua relação inseparável com Temer.

    Boulos denunciou o desemprego e a crise dos serviços públicos, defendendo como primeira medida de governo a convocação de um plebiscito para reverter todas as medidas reacionárias de Temer, que tanto atacaram os direitos do povo trabalhador.

    A proposta do plebiscito é correta, pois se apoia no sentimento popular contra os ataques de Temer, tira do Congresso Nacional o poder de votar essa questão e quer que seja o povo mobilizado que decida sobre o fim da “herança maldita” deste governo ilegítimo e golpista.

    6 – Uma nova esperança de esquerda
    Por último, chama a atenção a enorme diferença entre Boulos e todos os candidatos presentes nos debates de TV aberta. Nos enche de alegria ter um candidato que fala abertamente que se orgulha de ter lutado ao lado dos trabalhadores sem teto por moradia. Nos dois primeiros debates, ficou evidente que a nossa diferença com os candidatos dos ricos e poderosos é, antes de tudo, de classe.

    A candidatura presidencial do PSOL, de Boulos e Guajajara, propõe um governo para a maioria do povo, que enfrente para valer os privilégios do 1% super ricos e poderosos.

    Por isso, defende um programa de reforma tributária que taxe as grandes fortunas e os lucros exorbitantes das grandes empresas e bancos, além da auditoria da dívida, que consome todo ano praticamente a metade do Orçamento da União com seus juros e amortizações.

    Diferentemente da direção do PT e do PCdoB, não perdoa os golpistas e não defende alianças políticas espúrias com os responsáveis diretos pela desgraça em que vive a maioria do nosso povo.

    Não é refém do atual sistema político podre e decadente, defendendo elementos de democracia direta e maior participação popular nas decisões do futuro do Brasil.

    Uma campanha construída de forma democrática e participativa, lançada por uma frente política e social inédita em nossa.pais, que une partidos de esquerda, como o PSOL e o PCB, a movimentos sociais combativos como o MTST e a APIB.

    Essa diferença fica evidente não só nos debates, mas principalmente na campanha de rua. Hoje, mais uma vez, essa diferença ficará evidente, com a realização do primeiro grande comício da campanha de Boulos e Guajajara, as 15h, no Largo da Batata, na cidade de São Paulo, que contará com a presença de milhares de ativistas, trabalhadores e jovens, dando definitivamente a “cara” dessa campanha que tem a coragem para mudar o Brasil e representa uma nova esperança de esquerda em nosso país.

  • Secretário de Defesa dos EUA visita o Brasil e outros países da América do Sul

    Soberania em questão – EUA tenta controlar novamente Base de Alcântara

    James Mattis, Secretário de Defesa dos EUA, um dos nomes mais fortes do governo Trump, no cargo desde o início de sua administração, chegou ao Brasil nesta segunda-feira, dia 13 de agosto, para uma visita inédita.

    Mattis é um militar de larga experiência, General da Reserva do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, e vem ao nosso país, como uma primeira escala de uma visita mais ampla a América do Sul. Ele passará ainda por Argentina, Chile e Colômbia.

    Oficialmente, a visita vai tratar da colaboração militar entre os EUA e estes importantes países da América do Sul, diante do crescimento da influência econômica e comercial da China em toda a região.

    Outro assunto que com certeza será tratado é a questão da Venezuela, logo após o atentado contra Nicolás Maduro, presidente venezuelano. Afinal, os países visitados fazem parte do chamado Grupo de Lima, que vem tomando posições sempre em desrespeito a soberania da Venezuela.

    No Brasil, já está confirmada, em Brasília, uma reunião dele com os Ministros da Defesa, o General da Reserva Joaquim Silva e Luna, e das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP). Ele vai visitar também o Rio de Janeiro, para uma palestra na Escola Superior de Guerra.

    Sem dúvida nenhuma, a visita de James Mattis vem sendo tratada com grande importância pelo governo Temer. Diante deste fato, no último domingo, Janio de Freitas, Colunista da Folha de SP, assinalou que temas estratégicos poderiam estar envolvidos na agenda de discussão entre os dois governos, como a questão da cessão da Base de Alcântara, a venda da Embraer a Boeing e a diminuição das barreiras para exploração estrangeira do Pré-sal brasileiro.

    Negociações perigosas
    A visita de Mattis ao Brasil ocorre exatamente no momento em que o governo ilegítimo de Temer (MDB-SP) está em avançadas negociações com o governo Trump, sobre a cessão da Base de Alcântara (Centro de Lançamento de Alcântara – CLA) para os EUA.

    A Base de Alcântara, que fica localizada no Litoral do Maranhão, é considerada uma das melhores bases de lançamento de foguetes do mundo, por ser muito próxima a Linha do Equador, chegando a economizar 30% de combustível nessas operações. Ela pertence ao Estado brasileiro, e é administrada pela Aeronáutica.

    Embora toda a negociação ocorra em sigilo absoluto, já se sabe oficialmente que o governo brasileiro fez uma proposta de cessão da Base de Alcântara para os EUA ainda no ano passado, e em maio deste ano o governo Trump fez uma contraproposta.

    Fontes envolvidas nas negociações, afirmam que existem problemas que poderiam envolver elementos de soberania do nosso país. A Aeronáutica está trabalhando numa nova proposta de acordo, a expectativa que toda a negociação seja concluída ainda este ano, para que o acordo seja submetido ao Congresso Nacional brasileiro. Exigência obrigatória, de acordo com a nossa Constituição.

    No ano de 2000, o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP) tentou um acordo de cessão da Base de Alcântara para os EUA. Na proposta de acordo, negociada pelo governo tucano, estava prevista a possibilidade que os EUA enviar materiais para a Base de Alcântara em total sigilo, inclusive sem dar conhecimento de seu conteúdo ao governo brasileiro e da própria Aeronáutica.        Quem poderia garantir que os EUA não estabeleceriam, na prática, uma base militar região?  Uma área estratégica, colada a Região da Amazônia legal e bem próxima da Venezuela. Além desta total quebra de soberania, ainda estaria vedada qualquer colaboração de tecnologia entre os dois países e a simples presença de brasileiros na Base só poderia acontecer com autorização dos militares dos EUA. Um verdadeiro absurdo, uma subordinação completa de nossa soberania nacional.

    Mais uma vez, defender nossa soberania
    Por isso, no início dos anos 2000, houve uma grande campanha política contra a entrega da Base de Alcântara aos EUA, junto com a campanha contra a assinatura do Brasil a ALCA (a chamada Área de Livre Comércio das Américas). Felizmente, a forte campanha, com a realização inclusive de um plebiscito popular com mais de 10 milhões de votos, conseguiu impedir a assinatura da ALCA (proposta que acabou sendo abandonada) e a cessão da Base de Alcântara para os EUA.

    Novamente os tucanos estão envolvidos diretamente nas negociações da entrega da Base de Alcântara para o governo estadunidense, agora através do Ministro das Relações Exteriores do governo Temer, Aloysio Nunes Ferreira.

    Portanto, mais uma vez os movimentos sociais brasileiros estão chamados a mobilização popular contra a entrega da Base de Alcântara aos EUA. Este tema deve voltar a ser discutido pelos sindicatos, pelo movimento estudantil, partidos de esquerda, entre outras entidades e movimentos, para alertar o povo brasileiro sobre mais este risco a sua soberania.

    Um primeiro passo é repudiar a visita do James Mattis e o caráter sombrio e secreto das negociações que o governo Temer vem mantendo com o governo dos EUA.

    Devemos aproveitar também o momento das eleições para a Presidência da República, para cobrar de todos os candidatos que se posicionem de forma categórica sobre o acordo de cessão da Base de Alcântara, que afeta diretamente a nossa soberania nacional.