André Freire

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  • Alianças eleitorais e a luta contra o golpe

    Nas próximas semanas, acontecerão as convenções partidárias. Estarão no centro das atenções as convenções nacionais dos partidos, que definirão as chapas presidenciais e as composições políticas para as eleições de presidente da República.
    Novamente, vamos assistir à conformação de alianças políticas espúrias, onde os interesses da maioria da população, mais uma vez, ficarão de lado. Na maioria dos casos prevalecem os interesses dos 1% mais ricos e poderosos, ou seja, dos grupos econômicos hegemônicos e da elite política podre e privilegiada.
    Este verdadeiro “balcão de negócios” é um dos elementos que explicam o esgotamento e a crise do regime político brasileiro atual, chamado de “presidencialismo de coalisão”.
    Infelizmente, partidos que se reivindicam de esquerda não se diferenciam muito no quesito das alianças políticas, muitas vezes firmando acordos com partidos e políticos da velha direita, que representam diretamente os interesses das grandes empresas e bancos.
    No dia 7 de outubro, teremos as primeiras eleições nacionais depois da manobra reacionária do Impeachment da ex-Presidenta Dilma (PT).
    A questão do golpe parlamentar deveria ser um “divisor de águas” na conformação de bloco políticos para as próximas eleições. Mas, lamentavelmente, não é a isso que estamos assistindo.
    Golpistas não merecem perdão
    A direção do PT vem demonstrando que não tirou nenhuma lição dos erros de suas alianças de governo e do golpe do Impeachment. Nunca podemos esquecer que Temer era o vice de Dilma. 
    Em estados importantes como Minas Gerais, Bahia, Ceará, onde o PT mantém os governadores – Fernado Pimentel, Rui Costa e Camilo Santana, respectivamente – e outros como Alagoas, entre outros, a direção do PT negocia alianças estaduais com partidos da velha direita e que foram patrocinadores do golpe. Até o MDB de Temer é parte do arco alianças proposto pela direção do PT. 
    Infelizmente, neste mesmo sentido, no Maranhão, onde o governador é Flávio Dino, do PCdoB, a direção deste partido vai tentar manter uma aliança eleitoral com partidos da velha direita.
    Nas discussões sobre as eleições presidenciais o critério é o mesmo. Mesmo com a manutenção da condenação sem provas, a prisão e o impedimento da candidatura presidencial de Lula, a direção do PT não rompe seu projeto de conciliação de classes.
    O PT podia romper suas alianças com os partidos golpistas e da velha direita, apostando na unidade para lutar, chamando mobilizações contra os ataques aos direitos sociais e as liberdades democráticas. Mas, a opção dos petistas vai em outro sentido.
    Por exemplo, setores do PT, assim como PCdoB, discutem a possibilidade de um acordo eleitoral com Ciro Gomes (PDT-CE), político de longa trajetória, historicamente filiados a partidos da velha direita (Arena, PMDB, PSDB, entre outros).
    Ciro já vem se comprometendo com uma política econômica que mantenha intactos os interesses do mercado e já está discutindo uma aliança com partidos do chamado “centrão”, como DEM, PR, Solidariedade, PRB, entre outros. 
    Tanto o PT, como o PDT disputam também o apoio do PSB, partido aliado histórico do PSDB de Alckmin no Estado de SP. Seus parlamentares, inclusive, majoritariamente votaram a favor do Impeachment de Dilma. 
    A direção do PT cogita até reeditar a aliança eleitoral com o PR (ex-PL), agora com o filho do empresário José de Alencar como candidato a vice-Presidente. 
    Coerência na luta contra o golpe
    Na contramão de acordos políticos com a velha direita e as grandes empresas, vem se fortalecendo, a cada dia, uma nova alternativa política do povo trabalhador.
    Ao contrário de alianças eleitorais espúrias, surge uma frente política e social inédita, formada apenas por partidos de esquerda e movimentos sociais combativos, com ampla participação dos ativistas na discussão  do programa da campanha.
    Apostamos prioritariamente na luta e organização do nosso povo, para enfrentar o golpe e as medidas recionárias do governo ilegitimo de Temer. E, nas eleições, a nossa aliança será com o povo trabalhador, a juventude e o conjunto dos explorados e oprimidos.
    As pré-candidaturas de Guilherme Boulos e Sônia Guajajara, para Presidência da República, será lançada conjuntamente pelo MTST, PSOL, PCB, APIB e varios outros movimentos sociais e organizações de esquerda.
    O compromisso da campanha de Boulos e Guajajara é colocar o MDB e todos os golpistas na oposição, defendendo um programa que coloque realmente o “dedo na ferida”, enfrentando os privilégios dos ricos e poderosos de sempre.
    Vamos, sem medo de mudar o Brasil!
    Foto: EBC
  • Mudar sem medo: Boulos presidente

    4 argumentos para fortalecermos as pré-candidaturas de Guilherme Boulos e Sônia Guajajara

    Após a precoce eliminação da seleção brasileira na Copa do Mundo da Rússia, vimos se intensificar os debates sobre as eleições de 7 de outubro. Nas próximas semanas, vamos ter a definição dos partidos sobre suas candidaturas e alianças, o prazo para as Convenções partidárias se encerra no início de agosto.

    Num quadro marcado ainda por uma grande indefinição política, especialmente pela condenação sem provas, prisão e impedimento absurdo da candidatura do ex-presidente Lula; e pela brutal crise de representação dos partidos da direita tradicional – especialmente PSDB, DEM e MDB; enfim, saberemos quem serão realmente os candidatos.

    O PSOL vai realizar a sua Convenção Nacional no final do mês, para ratificar as atuais pré-candidaturas de Guilherme Boulos e Sonia Guajajara – para Presidente e Vice-Presidenta – lançadas por uma Frente Política e Social inédita em nosso país, formada por partidos de esquerda e movimentos sociais combativos, principalmente: MTST – PSOL – PCB – APIB.

    Muitos são os motivos para construirmos e fortalecermos esta nova alternativa política de esquerda e socialista. Aqui estão em destaque alguns deles, para abrir o debate com os ativistas que estão construindo as lutas contra o governo ilegítimo de Temer e suas reformas reacionárias:

    Coerência na luta contra o golpe
    O PSOL foi o principal partido de esquerda que esteve na oposição de esquerda aos governos do PT em aliança com partidos da velha direita. Mas, essa posição correta, pelos limites políticos e programáticos destes governos de conciliação de classes, não impediram que a bancada do PSOL na Câmara dos Deputados votasse contra a manobra reacionária do Impeachment de Dilma e o partido tenha participado nas lutas contra esse golpe parlamentar.

    O MTST foi o movimento social combativo que mais se destacou no processo de mobilização contra o golpe. O papel de mobilização do MTST, especialmente do povo trabalhador das periferias das grandes cidades na luta pela moradia, foi decisivo para o crescimento daqueles importantes mobilizações.

    Nas lutas contra as reformas reacionárias e pelo Fora Temer, mais uma vez assistimos o papel importante do MTST e da militância do PSOL. Nossa proposta é construirmos a máxima unidade para ampliar as mobilizações em defesa dos direitos sociais e das liberdades democráticas, como realizamos na greve geral de abril do ano passado.

    Neste sentido, tanto o PSOL, como o MTST estiveram na linha de frente das manifestações contra a condenação sem provas, prisão e o impedimento da candidatura de Lula, mesmo sem apoiar seu projeto político de conciliação de classes.

    Para enfrentar de verdade o golpe, temos que apostar, em primeiro lugar, na mobilização direta do povo trabalhador, da juventude e do conjunto dos explorados e oprimidos. E, nas eleições, devemos fortalecer uma nova alternativa política de esquerda, que não tenha nenhum compromisso com os setores políticos e sociais que patrocinaram o golpe.

    Nenhuma aliança com a velha direita e os golpistas
    Infelizmente, as direções do PT e do PCdoB não aprenderam nada com o golpe. Estiveram 13 anos no governo federal aliados com partidos como MDB, PR, PTB, PSD e cia, não realizaram nenhuma das mudanças mais estruturais que o nosso país necessita, seja do ponto de vista da nossa economia seja do ponto de vista do sistema político.

    As alianças de governo com partidos e políticos da velha direita, frustraram as esperanças de mudanças significativas que se esperava destes governos. E, no momento de crise econômica e política, não impediu que as grandes empresas e bancos patrocinasse o golpe.

    Mesmo depois do Impeachment de Dilma, tanto o PT como PCdoB vem construindo as mesmas alianças espúrias de sempre, inclusive com os mesmos partidos e políticos da velha direita que dirigiram o golpe, principalmente em Estados como: Minas Gerais, Bahia, Cerará, Maranhão, Alagoas, entre outros.

    Para nós, golpistas não merecem perdão!

    Um programa que enfrente os ricos e poderosos
    Uma alternativa contra o golpe não pode apresentar um programa que não coloque de verdade o “dedo na ferida”. Não existe possibilidade de atender as justas reivindicações da maioria da população sem combater os privilégios dos menos de 1% dos ricos e poderosos que se apropriam da maior parte da riqueza produzida em nosso país.

    Portanto, para ganhar o povo, precisam perder os banqueiros, latifundiários e grandes empresários. Por isso, a campanha Boulos e Guajajara vai defender a anulação todas as reformas reacionárias do governo ilegítimo de Temer e o aumento dos impostos sobre os lucros exorbitantes das grandes empresas e bancos, para que a maioria da população pague menos impostos.

    Em nossa opinião, é preciso reestatizar as empresas privatizadas, acabar com as privatizações da Petrobrás, Eletrobrás e dos Bancos Públicos, retomar o monopólio estatal sobre todo o Petróleo e o Pré-sal e realizar a auditoria da dívida pública – acabando com a transferência de dinheiro público para os banqueiros, através de juros astronômicos.

    Não é possível defender esse programa de mudanças radicais, que enfrente a terrível desigualdade social, novamente aliado a grandes empresários e a elite política burguesa. Por isso, só uma candidatura que defenda realmente um governo dos trabalhadores e do povo pode firmar esse compromisso de mudança.

    Uma campanha construída pelos ativistas
    A frente conformada a partir do MTST e do PSOL é uma alternativa que busca dialogar de forma efetiva com a pauta de reivindicações que esteve presente nas gigantescas manifestações de junho de 2013: por mais e melhores serviços públicos (“padrão Fifa”) e por um novo regime político a partir de da valorização da participação popular.

    Por isso, estamos construindo o nosso programa e a nossa campanha totalmente aberta a participação militante dos ativistas, em todo o país. Milhares de trabalhadores e jovens já participaram das nossas atividades e debates, seja com a presença de Boulos seja com a presença de Guajajara.

    A forma que estamos construindo a campanha demonstra efetivamente que nosso objetivo vai muito além de uma campanha eleitoral, mesmo com toda a importância que ela tenha. Queremos afirmar e fortalecer uma nova alternativa política de independência de classe, de esquerda e socialista, que supere os graves erros e limites do projeto de conciliação de classes da direção petista.

    Vamos, sem medo de mudar o Brasil!

  • México: Lopez Obrador à beira de vencer as eleições neste domingo

    No próximo domingo, dia 1º de julho, véspera do confronto entre as seleções do Brasil e do México na Copa do Mundo de futebol, os mais de 89 milhões de eleitores mexicanos irão comparecer às urnas para escolher o futuro presidente da República, 128 senadores e 500 deputados federais.

    O atual governo, de Enrique Peña Nieto, do PRI (Partido da Revolucionário Institucional), é amplamente rejeitado pela população mexicana, tanto pela crise econômica dos últimos anos – a dívida pública equivale a 46,4% do seu PIB -, com o também pela presença de grandes escândalos de corrupção, envolvendo o atual presidente e a cúpula do PRI.

    Andrés Manuel Lopez Obrador (AMLO), candidato oposicionista pela aliança “Juntos Haremos História” – formada pelo seu partido, o Movimento de Regeneração Nacional (MORENA), o Partido Trabalhista (PT) e o Partido Encontro Nacional (PEN) -, vem liderando todas as pesquisas de opinião. Visto como uma candidatura de esquerda, AMLO chega a abrir uma diferença de 10% a até 26% para o segundo colocado, o candidato do Partido da Ação Nacional (PAN), apoiado pelo PRD, Ricardo Anaya.

    Em terceiro lugar, aparece o candidato governista, José Meade (PRI). Existe ainda outros dois candidatos que se apresentam como independentes, Jaime Heliódoro e Margarita Zavala (esposa do ex-presidente Felipe Calderón), mas que não possuem chances de vitória.

    As eleições presidenciais no México possuem uma grande particularidade, afinal não existe segundo turno. Ou seja, o mais votado, mesmo não obtendo mais da metade dos votos, é declarado como eleito. Os mandatos presidenciais são de seis anos, sem direito a reeleição.

    Pesquisa do jornal Reforma

    Pesquisa do jornal Reforma


    A importância das eleições: assassinatos e fraudes

    O México é um dos mais importantes países da América Latina. Com mais de 124 milhões de habitantes, é a segunda maior economia latino-americana, com uma atividade econômica muito diversificada, e possui um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 1,14 trilhão, atrás apenas do Brasil na região.

    Diante da ofensiva de Trump contra o país, muitas questões relacionadas à soberania do México estão cruzando os debates das eleições atuais, especialmente a questão da imigração e a construção do muro, as consequências econômicas do NAFTA [1], as privatizações, a questão da dívida pública e a questão indígena.

    Por outro lado, a candidatura de AMLO pode derrotar o PRI, um partido cuja história se confunde com a própria história do regime político mexicano, marcado pela corrupção, violência e autoritarismo. Embora busque ter como referência a grande Revolução Mexicana de 1910, foi pelas mãos do PRI que o México viu sua soberania ser totalmente entregue, principalmente ao imperialismo dos EUA. Com o tempo, o PRI se tornou o partido de importantes oligarquias. Controlou o poder no México por mais de 70 anos -, maior tempo que um partido governou um país latino-americano. Assim, muita coisa está em jogo nessas eleições.

    Não é à toa que a atual campanha eleitoral está marcada fortemente pela violência. Segundo dados oficiais, 122 candidatos e pré-candidatos foram assassinados, de setembro de 2017 até agora, configurando-se nas eleições mais sangrentas da história mexicana.

    Outra questão relevante são as fraudes. Nas últimas duas eleições para presidente da República AMLO perdeu, sob fortes indícios de fraudes. Em 2006, ele perdeu para o ex-presidente Felipe Calderón (PAN), por apenas 0,5% de votos. Em um escândalo político que gerou fortes protestos, logo em seguida do anúncio do resultado. Novamente, em 2012, AMLO perdeu as eleições para o atual presidente, Enrique Peña Nieto (PRI), com uma diferença de menos de 7% dos votos. E, novamente, existiram muitos indícios de fraudes no pleito.

    As denúncias de fraudes se dirigem principalmente contra o PRI. Nas últimas décadas, os priristas perderam a Presidência da República apenas por dois mandatos. Nas eleições de 2000, perde para Vicente Fox (PAN), primeira derrota desde 1910. Em 2006 perdeu para Felipe Calderón (PAN). O candidato do PRI, Roberto Madrazo, ficou em terceiro lugar, atrás de López Obrador (PRD).

    Houve expectativas de mudanças políticas com a saída do PRI do poder, mas foram totalmente frustradas pelos governos neoliberais do PAN. Nas últimas eleições, em 2012, o PRI retoma a Presidência da República, com a eleição do atual presidente, Enrique Peña Nieto, um processo mais uma vez envolto novamente a acusações de fraudes eleitorais.

    Quem é AMLO?
    López Obrador não é um candidato da esquerda tradicional. Nunca militou num partido de esquerda a exemplo do Partido Comunista, ou mesmo num partido classista como foi o PT no Brasil. Ele tem suas raízes no chamado nacionalismo revolucionário mexicano, representado pelo PRI, partido fundado pelo ex-presidente Lázaro Cárdenas, que governou o México entre 1934 e 1940, e promoveu reformas importantes no Estado, a exemplo de Getúlio Vargas no Brasil e Perón na Argentina.

    AMLO adere ao PRI em 1976. Em 1989, ele entra para o PRD – Partido da Revolução Democrática, fundado neste ano, juntando dissidentes do PRI com setores da esquerda reformista mexicana, como comunistas e socialistas. Assim como o PRI, a nova agremiação filia-se à Internacional Socialista.  

    Líder do PRD entre 1996 a 1999, foi eleito governador do Distrito Federal – Cidade do México, ocupando o cargo entre os anos de 2000 a 2005. Em julho de 2005 ele renuncia ao governo da capital para disputar as eleições presidenciais de 2006.

    Nas duas vezes em que disputou as eleições presidenciais, AMLO concorreu pelo Partido da Revolução Democrática (PRD). Em setembro de 2012, logo depois de sua segunda derrota eleitoral para a Presidência da República, AMLO deixou o PRD e se somou à fundação do MORENA.

     

    A possibilidade de um governo AMLO

    Obrador tem sido um crítico do modelo neoliberal. Tem um discurso nacionalista, principalmente no terreno econômico. Defende que as riquezas naturais do país, como o petróleo e a água, continuem sob o controle do Estado. Em seus discursos anuncia frear as privatizações e recuperar a PEMEX, companhia de petróleo do México. Propõe fazer ajustes, reformas econômicas e políticas que permitam redistribuir a riqueza. É um forte defensor das causas indígenas.  

    AMLO é apresentado por parte da imprensa internacional como uma ameaça esquerdista, uma espécie de “Chávez” mexicano. Mas, longe de um programa anticapitalista, tanto sua gestão frente da Cidade do México como seus compromissos programáticos na atual campanha, demonstram que ele não tem a pretensão de realizar um governo que rompa até o final com os interesses da elite política e econômica mexicana, que sempre teve fortes laços com o imperialismo dos EUA.

    Recentemente, ele foi chamado de “Lula mexicano”, pelo jornalista brasileiro Clóvis Rossi, do jornal Folha de S. Paulo. De fato, assim como ex-presidente Lula, que na campanha eleitoral de 2002 firmou a chamada “Carta ao Povo Brasileiro” – na verdade um compromisso de manter intactos os interesses da elite econômica, em especial do capital financeiro – AMLO acaba de fazer o seu compromisso com mercado.

    No mês de abril AMLO publicou no Jornal El Financiero uma “Carta aos Investidores”, se comprometendo com uma política econômica de rigor fiscal, autonomia do Banco Central e respeito à propriedade privada. Ele busca acalmar os ânimos dos grandes empresários e banqueiros mexicanos, além dos norte-americanos e europeus, ao demonstrar que seu governo não vai representar uma ameaça ao status quo.

    De toda forma, um governo AMLO (MORENA), apesar de seus limites políticos e programáticos evidentes, sem dúvida nenhuma aumentaria as contradições entre o México e os EUA. Esse é o caso, por exemplo, da questão da validade de alguns termos do NAFTA, uma crise que se intensificou com a chegada de Trump na Presidência dos EUA. O mesmo para as privatizações, a imigração e o novo “muro da vergonha”.

    Mobilizar contra as fraudes eleitorais
    A importância de sua vitória nas eleições do próximo domingo reside na forte expectativa de mudança que esse fato histórico vai gerar no povo trabalhador e na juventude mexicana, que em outros momentos já protagonizaram importantes processos de mobilização popular. Além da luta dos zapatistas, houve especialmente fortes lutas dos movimentos ligados à defesa da educação pública.

    A maioria dos trabalhadores e da juventude mexicanas já definiu seu voto em AMLO. A esquerda socialista mexicana deve se apoiar neste enorme sentimento de mudança, apostando “suas fichas” na ampliação das lutas dos trabalhadores no próximo período.

    Isso começa por exigir que AMLO e o MORENA impulsionem um processo de mobilização que barre as fraudes organizadas pelo PRI e seus aliados, um fato que pode comprometer sua própria vitória. Pelas experiências anteriores, está provado que só a mobilização popular pode garantir que a vontade do povo expressa nas urnas seja respeitada. A mesma força que poderá impor para um futuro governo AMLO as mudanças que tanto necessitam e anseiam a maioria da população mexicana. Um México justo, soberano e voltado para os interesses dos trabalhadores e do povo.

    NOTAS

    [1] Sigla em inglês de North American Free Trade Agreement (Tratado Norte-Americano de Livre Comércio), um bloco econômico formado pelos EUA, Canadá e México.

  • Quatro motivos que demonstram o fracasso da intervenção no Rio de Janeiro

    Intervenção militar na segurança pública do Rio de Janeiro completa quatro meses e os índices de violência pioraram

    Nesta semana, o Estado do Rio de Janeiro completa quatro meses sob intervenção federal e militar na área de segurança pública. A medida foi anunciada por Temer (MDB) no dia 16 de fevereiro; e no dia 20 de fevereiro, de forma apressada, foi referendada no Congresso Nacional. Apesar dos gastos elevados das operações sob a responsabilidade da intervenção, os principais índices da violência e da segurança pública do Estado pioraram. Mesmo com todo o apoio da grande mídia, a cada dia fica mais difícil esconder o fracasso desta medida autoritária.
    Não faltam motivos para demonstrar que a intervenção militar não é a solução para a violência. Veja quatro deles:

    1 – Os índices de criminalidade só pioraram
    Os quatro meses de intervenção militar, longe de trazer uma melhora significativa na segurança pública do Estado, na verdade foi acompanhada de uma piora em vários índices de violência e criminalidade.

    Por exemplo, os roubos registrados chegaram a 60.709, um crescimento de cerca de 5% em relação ao mesmo período no ano anterior.
    Os tiroteios deram um salto. Nos quatro meses de intervenção militar foram registrados 3.210 tiroteios. No ano passado, no mesmo período (fevereiro-junho) foram contabilizados 2.355. Um crescimento de mais de 800 tiroteios.

    Nos últimos quatro meses aconteceram 23 chacinas, com 96 mortes. No total, os homicídios dolosos chegaram a 1.794, no período que vigora a intervenção militar.

    As principais vítimas são o povo pobre e negro das comunidades carentes do Estado. Cresce o verdadeiro extermínio da juventude negra das periferias.

    2 – Disparou o número de mortes pela polícia e em confronto
    No período de fevereiro a junho, 444 pessoas foram mortas pela polícia. Este número absurdo representa um aumento, nada mais nada menos, de 34% das mortes geradas pelos agentes de repressão do Estado, se comparadas ao mesmo período do ano anterior. As mortes atingem também os policiais – 39 morreram no mesmo período.

    No dia 07 de junho, moradores da Cidade de Deus denunciaram que um helicóptero da PM sobrevoou a comunidade atirando para baixo. No dia 11 de junho, o mesmo foi denunciado na comunidade da Maré.

    As operações só vieram aumentar a criminalização da pobreza. Para os governantes e chefes militares, basta morar numa comunidade para ficar exposto a este tratamento criminoso.

    3 – Execução de Marielle Franco continua sem respostas
    Nesta semana, vai completar 100 dias da execução da companheira Marielle Franco, vereadora do PSOL Carioca, e do motorista Anderson Gomes.
    Esse assassinato bárbaro tem um forte componente de um crime político e carrega as marcas do racismo, do machismo e da homofobia. Afinal, se dirigiu contra uma parlamentar, a quinta vereadora mais votada do Rio de Janeiro, uma mulher, negra, lésbica e “cria” do Complexo de favelas da Maré, que fazia da luta contra a opressão e a exploração uma das marcas do seu mandato.

    A execução sumária de Marielle e Anderson aconteceu durante a intervenção militar na segurança do RJ. E, nunca poderemos esquecer, Marielle acabara de ser eleita relatora da Comissão Especial da Câmara Municipal que acompanha os trabalhos desta intervenção.

    4 – Mega-operações milionárias tiveram resultados pífios e nenhuma transparência
    A “vitrine” da intervenção militar na segurança do RJ são as chamadas operações espaciais nas comunidades carentes. Foram realizadas três destas operações em fevereiro; nove em março; 34 em abril e 55 em maio. Numa escalada, que longe de amenizar a violência, só vem gerando mais insegurança para a maioria da população.

    No início de junho, na maior operação realizada até o momento, na região de Jacarepaguá, foram utilizados 5.370 militares e policiais (civis e militares). Esse enorme contingente foi disponibilizado para apreender, ao final da operação, apenas três pistolas e uma granada. Uma pessoa foi morta, um policial foi ferido e 13 suspeitos detidos.

    Os custos de cada operação não são divulgados com precisão. Mas, segundo dados obtidos pelo UOL, entre fevereiro e março, o custo dessas operações variavam entre R$ 472 mil e R$ 1,7 milhão por operação.

    E, ainda por cima, não existe transparência no fornecimento de informações sobre as operações. Dos 77 requerimentos enviados pelo Observatório da Intervenção, 37 foram indeferidos pela chefia das polícias e os demais sequer foram respondidos até o momento. Um verdadeiro absurdo.


    Intervenção militar não é solução

    Para enfrentar de verdade o grave problema da segurança pública, não só no Rio de Janeiro, como em todo o país, a saída está longe de ser uma intervenção militar. A utilização das Forças Armadas já foi tentada anteriormente, especialmente durante a Copa do Mundo e as Olimpíadas, sem significar uma solução significativa. Precisamos de medidas mais estruturais, que encarem realmente os graves problemas sociais que vivemos nas grandes cidades brasileiras.

    Qualquer saída para o problema passa pela ampliação qualitativa dos investimentos públicos nas áreas sociais: como educação, saúde, geração de empregos, saneamento e moradia; pela proposta, ao nível nacional, da desmilitarização da polícia militar, defendendo a criação de uma polícia civil e única, controlada pela sociedade e os movimentos que lutam pelos direitos humanos; e pela abertura imediata da discussão sobre a necessidade da descriminalização das drogas, com o objetivo de acabar com o tráfico e toda a violência gerada por ele.

    *Todos os dados do artigo tiveram como fonte o relatório do Observatório da Intervenção.

    Foto: O interventor federal na segurança pública do Rio de Janeiro, general Walter Braga Netto, concede entrevista coletiva à imprensa e apresenta o chefe do Gabinete de Intervenção Federal, o general Mauro Sinott. Tânia Rêgo/Agência Brasil

     

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    Três meses sem Marielle e Anderson

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  • Seis motivos para não confiar em Marina Silva

    Pré-candidata da Rede disputa novamente a possibilidade de ir ao segundo turno das eleições presidenciais

    Na última pesquisa do Datafolha, a pré-candidata da Rede, Marina Silva, aparece em segundo lugar, quando não é incluído o nome do ex-presidente Lula (PT), condenado sem provas e preso há mais de dois meses em Curitiba (PR).

    Neste cenário, ela aparece com 15% das intenções de voto, ficando atrás apenas do famigerado Jair Bolsonaro (PSL-RJ), que tem 19%. Os dados revelam que, pelo menos até o momento, Marina vem se beneficiando quando o nome de Lula não é incluído nas sondagens.

    A ex-senadora foi candidata nas últimas duas eleições presidenciais, em 2010 pelo PV e em 2014 pelo PSB (filiou-se a este partido porque a Rede não se legalizou a tempo). Nas duas oportunidades, chegou perto do segundo turno, ficando em terceiro lugar, com cerca de 20% dos votos válidos.

    Em seus discursos, Marina sempre se propõe a construir uma nova forma de fazer política, mas diferentemente de outros momentos, suas promessas já não tem o mesmo apelo popular. Este fato se explica porque, longe de representar de fato uma nova alternativa de mudança, a pré-candidata da Rede, infelizmente, representa a continuidade de governos que não enfrentam realmente os privilégios dos ricos e poderosos.

    Vejam seis argumentos que comprovam a completa incoerência entre o discurso e a prática de Marina Silva:

    1- Marina apoiou o golpe do impeachment
    O discurso da defesa de uma nova política “cai por terra” quando lembramos que Marina Silva apoiou abertamente a manobra reacionária do Impeachment. Na votação do impeachment não se comprovou crime de responsabilidade, revelando-se um verdadeiro um golpe parlamentar, encabeçado pelo o que tem mais podre na política brasileira, chefiado por nada mais nada menos o ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ), atualmente preso.

    Marina não só apoiou como cobrou dos parlamentares ligados a Rede que votassem a favor. Lembrando que foi o impeachment que possibilitou a posse do presidente ilegítimo Michel Temer (MDB-SP), o mais impopular da história recente brasileira.

    2 – Ex-senadora apoia a reforma da Previdência
    Em entrevista recente, a ex-senadora e pré-candidata a presidente pela Rede defende a necessidade de uma nova reforma da Previdência. Embora, atualmente, diga que Temer não tem legitimidade para realizar essa reforma, admite a necessidade da reforma, pois, segundo ela, existe um grande déficit da Previdência Social.

    Nenhuma palavra sobre as grandes empresas que devem bilhões à Previdência Social. Mas, ela rapidamente apressa-se a defender o aumento da idade mínima para que o povo trabalhador consiga se aposentar.

    3 – Alianças com a velha política
    Quem poderia esquecer do vídeo de Marina apoiando Aécio Neves (PSDB-MG), no segundo turno das eleições presidenciais passadas. Onde ela chama os brasileiros a engrossar o movimento de mudança representado pela candidatura tucana.

    Agora, que Aécio virou um símbolo da corrupção na política brasileira, embora siga exercendo seu mandato livremente, Marina tenta se afastar de seu aliado nas eleições passadas. Mas, nada que faça a ex-senadora mudar a sua política de alianças espúrias. Na mesma entrevista na Folha de S. Paulo e ao UOL, ela afirma que pode governar com políticos do MDB, PSDB e PT.

    4 – Seus projetos políticos são financiados por grandes empresas e bancos
    Nas duas campanhas presidenciais que participou, Marina contou com o financiamento milionário da herdeira do Banco Itaú, Maria Alice Setubal (“Neca”), e do dono da Natura, Guilherme Leal (que foi seu vice nas eleições de 2010), um dos homens mais ricos do Brasil.

    Mas, não é só nas eleições, que grandes empresários financiam os projetos políticos de Marina. Por exemplo, em 2013 a herdeira do Itaú, “doou” cerca de um milhão de reais para o instituto de Marina, arcando com mais de 80% das despesas da entidade que foi criada pela ex-senadora.

    5 – Incoerência na defesa do meio ambiente
    Embora Marina Silva tenha na sua história política a defesa do meio ambiente e dos povos da floresta, a sua prática política nos últimos anos vem demonstrando que também neste terreno ela vem praticando o velho discurso “esqueça o que eu disse”.

    Marina, nas últimas eleições defendeu a utilização dos transgênicos que, segundo ela, é uma necessidade do desenvolvimento. Abandonando uma das causas mais sentidas dos movimentos sociais que defendem o meio ambiente.

    Essa defesa não deveria chegar a surpreender, pois nas eleições passadas, em 2014, o vice de Marina era Beto Albuquerque (PSB-RS). Ele, como deputado, atuou ativamente na Câmara para regulamentar a utilização da soja transgênica na legislação brasileira, quando ainda Marina Silva era ministra de Meio Ambiente, no governo de Lula (PT).

    6 – Falta de compromisso com a pauta dos oprimidos
    Marina tenta sempre disputar o voto dos evangélicos, religião que se considera uma praticante. Esta localização a faz se afastar de forma contundente com bandeiras historicamente defendidas pelos movimentos de luta dos oprimidos, tais como a legalização do aborto, entre outras discussões.

    Na campanha presidencial passada, inclusive, envolveu-se em uma polêmica quando recuou da defesa de projetos que garantiam o direito pleno do casamento entre homossexuais e a discussão contra discriminação de LGBTs e a homofobia nas escolas, depois que o ultrarreacionário Pastor Malafaia criticou seu programa de governo.

    Construir uma nova alternativa política, de esquerda e socialista
    Para mudar de verdade, enfrentar a velha direita, derrotar o golpe, acabar com as alianças espúrias, nós precisamos apostar em uma alternativa que realmente defenda os interesses do povo trabalhador, da juventude e do conjunto dos explorados e oprimidos.

    Uma pré-candidatura que não tenha medo de enfrentar os enormes privilégios das grandes empresas e dos bancos. Enfim, que faça os ricos e poderosos começarem a perder, para que a maioria da população tenha atendida as suas reivindicações e direitos.

    Por isso, devemos construir de forma coletiva a chapa presidencial de Guilherme Boulos e Sonia Guajajara, lançada por uma frente política e social inédita, formada por partidos de esquerda e movimentos sociais combativos. Ela já tem o apoio do MTST, do PSOL, do PCB e da APIB, entre outros movimentos e organizações. Vamos, sem medo de mudar o Brasil!

    FOTO: Elza Fiuza / Agência Brasil

  • Intervenção militar nunca irá garantir democracia e fim da corrupção

    Defensores do regime militar repetem o mesmo discurso mentiroso usado no golpe de 1964

    Vários vídeos inundam as redes sociais defendendo uma intervenção militar em nosso país. Infelizmente, eles estão ganhando ainda mais audiência. Os setores mais arrivistas da extrema-direita se aproveitam do verdadeiro ódio popular em relação ao governo ilegítimo de Temer, para defender sua derrubada pela via de um novo regime militar. Ou seja, defendem uma alternativa ainda mais reacionária para o país.

    Mas, o que chama a atenção, é que mais uma vez os defensores da ditadura repetem o mesmo discurso farsante de que a intervenção militar seria a única saída possível para acabar com a corrupção e, incrivelmente, garantir a democracia.

    Nada novo. Este foi exatamente o mesmo discurso usado pela elite militar e seus apoiadores em 1964, para justificar e tentar legitimar o golpe e o início do regime da ditadura militar. “Ressurge a democracia” – essa era a manchete estampada na primeira página do jornal O Globo, no dia 1º. de abril de 1964.

    O discurso do momento apresenta sua requentada proposta de ditadura militar, tentando camuflar o que é impossível esconder. Falam que os militares ficariam no poder pouco tempo, fechariam o Congresso, mas só para impedir que os políticos corruptos continuem nos seus mandatos e não possam mais concorrer. E, depois deste período, segundo eles de transição, organizariam novas eleições apenas com os políticos “fichas limpas”.

    Evidentemente, ninguém vai defender uma intervenção militar dizendo o que de fato ela representa. Ou seja, que os militares irão cassar, perseguir, torturar e assassinar todos e todas que se levantem contra esse regime opressor e ditatorial. Nem vão anunciar que os militares ficarão no poder por mais de 20 anos, sem eleições presidenciais.

    Pois é, esse mesmo discurso mentiroso foi utilizado para ganhar a opinião pública para apoiar o golpe. Também em 1964 se falou que os militares ficariam apenas um ano no poder, e organizariam uma eleição presidencial democrática em 1965. Ficaram no poder até 1985.

    A única consequência política real de uma intervenção militar é uma ditadura: que significa, na prática, o fechamento do regime político, o fim das liberdades democráticas, a perseguição aos sindicatos, ao movimento estudantil, aos movimentos sociais e aos partidos políticos; enfim, silenciar toda crítica e oposição.

    O atual regime democrático carrega um forte componente autoritário. É evidente que não devemos defender o regime político como está. O máximo que temos hoje é uma democracia para os ricos e poderosos, alijando, na prática, a maioria da população de plenos direitos sociais e políticos. Mas, a saída não é acabar com os já mínimos espaços democráticos existentes. Ao contrário, avançar cada vez mais para um regime político que garanta espaços democráticos cada vez maiores e significativos para a maioria da população.

    Corrupção é uma marca da ditadura militar
    Junto com a farsa de que a intervenção militar seria uma transição para uma verdadeira democracia, logo aparece o discurso de que ela seria também a única forma efetiva de acabar com a corrupção na política brasileira.

    As duas décadas de ditadura no Brasil são uma confirmação mais inequívoca de que não existe nenhuma relação entre militares no poder e fim da corrupção. Justo o oposto, nos anos da ditadura militar brasileira se acumularam os escândalos de corrupção.

    Além de inúmeras falcatruas e negociatas que envolviam militares de altas patentes e que ocupavam postos chaves no regime, o que é comum em todo o período é que nenhum destes escândalos foi seriamente investigado, com seus principais responsáveis, corruptos e corruptores, realmente punidos. Mesmo atualmente, não é surpresa pra ninguém que existam denúncias de corrupção no interior das Forças Armadas brasileiras.

    No início desta semana, veio a público mais uma confirmação “insuspeita” sobre a presença constante da corrupção quando os militares ocuparam o poder. Um telegrama da Embaixada dos EUA no Brasil, direcionado ao seu governo, datado de março de 1984, afirma que justamente a forte presença de corrupção nos governos militares minou a popularidade do regime e do último presidente militar, General Figueiredo.

    A Embaixada dos EUA afirma, ainda, como sempre, preocupada com a defesa do regime militar, que a oposição da época iria utilizar cada vez mais as denúncias de corrupção para defender o final deste regime.

    Que o povo decida
    Cada vez mais, a bandeira do Fora Temer deve estar nas mãos do povo trabalhador e da esquerda socialista. Não temos nenhum motivo para defender que este presidente ilegítimo permaneça no cargo. A direita mais tradicional, com Alckmin e Rodrigo Maia, e a extrema-direita, com Bolsonaro, não têm moral para levantar essa bandeira, pois apoiaram o golpe parlamentar do Impeachment, a posse de Temer e seu programa contra o povo.

    Ao defender a saída de Temer, devemos repudiar qualquer outra manobra reacionária, como uma eleição indireta via Congresso Nacional – para substituir Temer por Rodrigo Maia ou, pior, a famigerada defesa da intervenção militar.

    Nossa proposta é que o povo decida, em uma eleição realmente livre, democrática e com novas regras, tanto para Presidente da República, como para todo o Congresso Nacional. Defendemos a libertação de Lula e o direito dele concorrer, pois foi condenado sem provas, em uma operação política que é parte do golpe parlamentar.

    A nossa defesa dos direitos democráticos de Lula não se confunde com o apoio ao seu projeto político. Somos contra a reedição das alianças com a velha direita e aplicação de um programa que não rompa com os interesses dos ricos e poderosos, aplicados pela direção do PT nos 13 anos que administraram o país.

    O povo trabalhador, a juventude e o conjunto dos explorados e oprimidos têm alternativa: Guilherme Boulos e Sônia Guajajara, para Presidência da República, pela aliança inédita entre partidos de esquerda e movimentos sociais combativos, formada pelo MTST, PSOL, PCB, APIB, entre outros movimentos e organizações.

    Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

  • Defensor da intervenção militar assume a Presidência do Clube Militar

    Hoje, no dia 30 de maio, vai ser realizada uma Assembleia Geral Ordinária do Clube Militar, na sua sede, no Centro do Rio de Janeiro. A pauta única é a eleição da nova diretoria da entidade militar, para o biênio 2018-2020.

    Na verdade, não haverá uma eleição de fato, pois existe uma chapa única. O que chama a atenção desta eleição, em particular, é que será aclamado como novo presidente do Clube Militar o general Antônio Hamilton Martins Mourão, hoje um militar da reserva.

    No ano passado, o general Mourão, como é conhecido, ainda como um militar da ativa, chamou a atenção da opinião pública por defender, num vídeo na internet, uma nova intervenção militar em nosso país.

    No início do ano, Mourão voltou a aparecer na grande mídia, como coordenador nacional de um grupo de cerca de 70 militares que devem concorrer como candidatos nas próximas eleições, a esmagadora maioria apoiando a pré-candidatura de Jair Bolsonaro (PSL-RJ) para a Presidência da República. O Clube Militar seria o centro de organização destas candidaturas militares, agora mais ainda tendo Mourão como presidente. O objetivo é eleger e organizar uma bancada militar no Congresso Nacional.

    O Clube Militar sempre foi uma entidade sinistra, conhecida por sua defesa do golpe militar de 1964 e o “período de chumbo” da ditadura militar brasileira. Inclusive, promovendo eventos de comemoração deste triste momento de nossa história.

    Nos seus dois últimos mandatos, o Clube Militar parecia estar mais afastado das discussões dos temas políticos nacionais. A eleição de Mourão marcaria, então, o retorno do Clube Militar para a arena política, evidentemente buscando fortalecer a defesa do legado perverso da ditadura militar e, principalmente, a propaganda reacionária de uma nova intervenção militar em nosso país.

    A eleição de Mourão para o Clube Militar acontece num momento onde a proposta de intervenção militar volta a entrar em evidência. Setores organizados da extrema-direita buscam usar a justa greve dos caminhoneiros para alavancar sua proposta reacionária para a saída da crise política brasileira.

    A utilização equivocada do movimento dos caminhoneiros para defender a ditadura foi tão absurda que entidades representativas que conduziram a greve foram a público repudiar a proposta de intervenção militar.

     

    Não à intervenção militar. Ditadura nunca mais!

    A nossa saída é pela esquerda! Como nas Diretas Já, defendemos que o povo decida. Repudiaremos nas ruas qualquer saída autoritária, principalmente as que defendam uma intervenção militar e a volta da ditadura em nosso País. Não vão conseguir transformar uma proposta de uma minoria retrógrada na vontade da maioria do povo trabalhador brasileiro.

    Assim como derrotamos a ditadura militar, há mais de três décadas, vamos derrotar agora a extrema-direita, Bolsonaro, Mourão, MBL e cia. Novamente nas ruas, com mobilizações e discutindo as nossas propostas com os trabalhadores e a juventude.

    Também a partir deste dia 30 de maio, começa a greve dos petroleiros em todo o País. Essa greve vai colocar em xeque, mais uma vez, a política de preços exorbitantes dos combustíveis, praticada pela atual direção da Petrobrás, além de denunciar a política de privatização da empresa. No mesmo dia, a Frente Povo Sem Medo e a Frente Brasil Popular estão chamando manifestações em várias cidades brasileiras. A CSP-Conlutas também estará presente nestes protestos.

    O momento exige unidade e ousadia. Colocar o time do povo trabalhador em campo. Unir a greve dos petroleiros com os caminhoneiros que seguem em luta, os metroviários de Belo Horizonte, os operários da construção civil de Fortaleza, os movimentos populares combativos, entre outras categorias e setores em luta.

    A maioria das Centrais Sindicais deve chamar a unificação das lutas. Precisamos convocar coletivamente, e pela base, um Dia Nacional de Lutas e Paralisações, já na semana que vem, construindo as condições para uma nova Greve Geral, ainda mais forte do que fizemos em 28 de abril do ano passado.

    Só com os trabalhadores, a juventude e o conjunto dos explorados e oprimidos organizados e mobilizados, vamos derrotar os ataques do governo ilegítimo de Temer e das grandes empresas. Jogando, mais uma vez, na “lata de lixo da História” os defensores da ditadura.

    FOTO: General Antônio Hamilton Martins Mourão (Pedro Ribas/ANPr/Divulgação)

  • Rever a Lei de Anistia

    No último dia 10 de maio, veio à tona na imprensa brasileira documentos liberados pela CIA, a Agência de Inteligência dos EUA, que confirmam que execuções sumárias de líderes da resistência contra a ditadura militar foram autorizadas pelo alto-escalão militar, inclusive pelo ex-ditador Ernesto Geisel, que ocupou a Presidência da República.

    Nos documentos liberados pela CIA, constava um Relatório de número 99, do ano de 1974, que narrava que Geisel teria avalizado as execuções sumárias durante o governo o presidente militar anterior, Emilio Médici. O texto do Relatório fala em 104 execuções sumárias e que Geisel concordou também em seguir com a essa política de assassinatos durante seu governo.

    O referido relatório foi elaborado pelo então diretor da CIA, William Egan Colby, e foi endereçado ao secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger. Embora sua liberação data do início do ano, ele foi divulgado mais amplamente agora, pelo jornalista e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Matias Spektor.

    A importância deste relatório é oferecer uma comprovação cabal de que as execuções partiram do centro do poder dos militares brasileiros. Uma prova muito relevante, vinda de uma fonte insuspeita. Afinal, a CIA e o governo dos EUA apoiaram abertamente o golpe de 1964 e a ditadura no Brasil e na maior parte da América Latina.

    Diante da forte repercussão negativa e da pressão da opinião pública, em especial das entidades democráticas que lutam pelos direitos humanos e pela punição dos crimes da ditadura, quatro dias depois o governo brasileiro, através de sua Embaixada em Washington, solicitou oficialmente ao Departamento de Estado dos EUA o acesso a estes documentos.

    Nesta quinta-feira, dia 24 de maio, a Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal vai realizar uma Audiência Pública para discutir os crimes e assassinatos praticados pelos agentes do Estado Brasileiro durante a ditadura militar. Esta atividade vai abordar também o relatório da CIA e sua implicância na discussão sobre a memória e a punição destes assassinatos, de seus executores e mandantes.

    Mas, como já era de se esperar, a postura do governo ilegítimo de Temer está longe de ser positiva. O ministro da Defesa, General Joaquim Silva e Luna, fez essa afirmação absurda: “Para o Ministério da Defesa esse tema aí, ele se esgota na Lei da Anistia. A partir daí é uma atividade de historiadores e, se houver demanda, para Justiça”.

    Apesar de revoltante, a declaração do ministro de Temer (o primeiro militar na Defesa após muitos anos) nos coloca de frente da grande discussão envolvida na divulgação deste Relatório da CIA: é necessário e urgente rever a Lei de Anistia, que data do ano de 1979, quando ainda perdurava a ditadura militar em nosso país. Essa Lei tem um grande mérito: anistiou os presos, perseguidos e exilados políticos. Mas, ao mesmo tempo, carrega em si uma grande contradição, extremamente reacionária: essa mesma Lei anistiou também os militares que praticaram crimes, perseguições, torturas e assassinatos durante o “período de chumbo” da ditadura militar.

    Não é só a esquerda socialista e os ativistas dos direitos humanos que levantam a discussão sobre a revisão da Lei de Anistia. Recentemente, em fevereiro desse ano, a própria Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, nomeada por Temer, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que desarquive o caso do assassinato do ex-deputado Rubens Paiva, na prática questionando a abrangência da aplicação da Lei da Anistia, de 1979. De forma imediata, a cúpula das Forças Armadas reagiu violentamente contra a iniciativa, defendendo que nada seja revisto e a impunidade  mantida.

    No dia 15 de maio, já depois da divulgação do Relatório da CIA, a Procuradora Geral da República, enviou um recurso ao STF para que seja aceita a denúncia contra o coronel reformado Audir Santos Maciel, por assassinato e ocultação de cadáver, durante o período da ditadura militar.  No seu Parecer, Raquel Dodge pede que o STF analise a ação movida pelo PSOL, que discute a revisão de elementos da Lei de Anistia.

    Por isso, devemos aproveitar toda a discussão aberta pela divulgação dos documentos da CIA, para retomar e fortalecer o importante debate sobre a revisão da Lei de Anistia de 1979. Para que o Brasil deixe de constar, de forma vergonhosa, na lista de países que não puniram nenhum dos torturadores e assassinos do período tenebroso da ditadura militar. Muito diferente de outros países do Cone Sul, como Argentina e Uruguai, que vem de forma paulatina, mais ou menos rápida, realizando punições a estes criminosos de Estado.

     

    Bolsonaro apoia novamente os crimes da ditadura

    Jair Bolsonaro, deputado federal e pré-candidato do PSL a Presidência da República, aproveitou toda a discussão referente ao relatório da CIA para mais uma vez destilar seu ódio e demonstrar  total comprometimento e apoio a ditadura militar brasileira.

    O líder atual da extrema-direita chegou a insinuar de que o relatório teve a motivação de atingir a sua candidatura ao Palácio do Planalto. E, dando novamente demonstrações inequívocas de suas inclinações fascistas, comparou as graves informações de execuções contidas no relatório a tapas numa criança: “Quem nunca deu um tapa no bumbum de um filho, e depois se arrependeu?”

    As declarações de Bolsonaro, além de criminosas, são mais uma demonstração de que a sua candidatura é uma ameaça às já parcas liberdades democráticas que o povo trabalhador tem direito. Portanto, enfrentar seu projeto político, de forma combativa, mobilizada e unitária, é uma das grandes tarefas da esquerda socialista na conjuntura atual brasileira.

  • O que venceu nas eleições do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Fortaleza (CE)

    Na madrugada deste sábado, 19, foi realizada a apuração das eleições do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Fortaleza (CE), depois de três dias de um pleito muito disputado. A essa altura, muitos já devem saber que a Chapa 1 – UNião e Luta (PCB e Resistência/PSOL) saiu vitoriosa, com 740 votos (36% dos votos válidos); Em segundo lugar, chegou a Chapa 2 (CUT/CSD), com 705 votos (34%); e, por último, ficou a Chapa 3 (PSTU), com 640 votos (30%).

    O normal, no interior da esquerda, diante de um resultado disputado deste, é que os comentários sobre o processo busquem valorizar as qualidades da chapa vencedora, especialmente se quem escreve era um apoiador dela. De fato, temos muito orgulho, como sempre diz Nestor Bezerra, de nossos “guerreiros e guerreiras” que são responsáveis pela vitória da Chapa 1. Mas, o que considero ainda mais importante destacar são os outros motivos que explicam o resultado e também suas consequências políticas.

    Foi a vitória de uma política, e a derrota de outra, no interior da esquerda socialista.

    Foi a afirmação e o fortalecimento de uma política de unidade para lutar contra os ataques dos patrões e governos; de uma frente única da esquerda socialista, para construir uma nova alternativa de independência de classe, democrática e socialista e da luta sem tréguas contra a extrema-direita e em defesa das liberdades democráticas da nossa classe.

    Por isso, com todas as nossas diferenças com a política de conciliação de classes da direção do PT, levamos para a campanha a defesa política e democrática da liberdade de Lula, preso e condenado sem provas.

    Construímos também, em meio a campanha, uma grande atividade na categoria com a presença de Guilherme Boulos, nosso pré-candidato a presidente da República, pela frente política e social construída a partir do MTST, PSOL, PCB, APIB, entre outros movimentos sociais e organizações políticas.

     

    A unidade para lutar foi a marca da Chapa 1
    Cabe ressaltar ainda que a Chapa 1, antes da inscrição das chapas, defendeu a unidade da CSP-Conlutas (Resistência/PSOL e PSTU) e da Unidade Classista (PCB), mas essa possibilidade de unificar toda a esquerda socialista no processo eleitoral deste importante sindicato foi rompida pela direção do PSTU.

    A luta da Chapa 1 pela unidade da categoria, seguiu durante a campanha, defendendo a unificação de todos os trabalhadores e as organizações que atuam na categoria na luta da campanha salarial, que está em aberto nesse momento. O compromisso da Chapa 1 foi construir a campanha salarial e a nova gestão do sindicato buscando permanentemente a unidade de toda categoria. O objetivo é dirigir o sindicato conjuntamente com todos os ativistas, militantes e cipeiros, independentemente de qual chapa participaram ou apoiaram.

    Essa busca permanente pela unidade para lutar e da frente única da esquerda socialista foi a marca principal da Chapa 1, e se saiu vitoriosa nas eleições dos operários da construção civil de Fortaleza.

    A campanha da Chapa 1 já foi a maior expressão dessa unidade, pois foi garantida não só pelos operários da chapa e pela militância do PCB e da Resistência, mas teve o apoio decisivo de outros movimentos e organizações: MTST, as duas Intersindicais e de outras correntes do PSOL (Comuna, Insurgência), entre outros grupos.

    A política do isolamento e da autoproclamação, expressa principalmente na campanha da Chapa 3 (PSTU) foi a grande derrotada destas eleições, ficando ainda em último lugar no voto democrático dos trabalhadores.

    De negativo, fica a campanha de calúnia e difamação feita contra o camarada Nestor Bezerra, atualmente deputado estadual, e contra também outros integrantes da Chapa 1, promovida pelas duas outras chapas. Essa campanha suja, de baixarias e mentiras, nós já esperávamos de setores mais degenerados da CUT. Mas, infelizmente, foi feita também pela direção majoritária da CSP-Conlutas, fato que deve ser repudiado pela base, entidades e movimentos da central. Acreditamos que deve ser discutido, de forma aberta, nos seus fóruns. Para que, quem acusou, seja obrigado a provar ou se retratar com o companheiro.

    Para além deste grave problema, o momento é de virar a página. Chega de ataques, brigas e baixaria. O compromisso da Chapa 1 é com a unidade de toda a categoria e da classe trabalhadora. E, essa tarefa fundamental, já começa agora, com a construção da campanha salarial, com a luta contra os impactos da reforma trabalhista e contra o desemprego, que assume índices alarmantes no Nordeste e na categoria. É hora de unidade pra lutar.

    Vamos! Sem Medo de Mudar o Brasil.

     

    Foto: Operários da construção civil em passeata pelas ruas de Fortaleza, durante greve da categoria. Arquivo.

  • Dois anos de profundos ataques aos direitos e à nossa soberania

    Na manhã do dia 12 de maio de 2016, o Senado aprovou a abertura do processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma Roussef (PT). O afastamento de Dilma da Presidência, sem comprovação de crime de responsabilidade, portanto, sem cumprir as obrigações mínimas da lei que rege os processos de afastamento de um (a) presidente, representou um verdadeiro golpe parlamentar.

    Michel Temer (MDB) assumiu no mesmo dia, provisoriamente, o cargo de presidente. Ou seja, há exatos dois anos. A posse definitiva deste presidente ilegítimo veio a acontecer no dia 31 de agosto do mesmo ano, após o mesmo Senado afastar definitivamente Dilma do cargo.

    Temer foi um dos grandes articuladores deste golpe parlamentar, junto com a verdadeira quadrilha do MDB, especialmente com o então presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha (MDB-RJ), hoje preso por corrupção. Mas, Eduardo Cunha só foi afastado e preso depois de ter cumprido o objetivo de aprovar o impeachment.

    A esmagadora maioria dos parlamentares e partidos políticos, ao fim e ao cabo, votou a favor do golpe. Alguns deles inclusive haviam feito parte da base parlamentar dos governos petistas, indicando ministros e cargos importantes nas administrações de Lula e Dilma – tais como: MDB, PTB, PP, PR, entre tantos partidos da velha direita brasileira. Infelizmente, o PT resolveu se aliar a estes partidos para chegar e permanecer no Planalto.

    Contra o golpe, estiveram os partidos que se reivindicam de esquerda e que apoiavam os governos petistas, especialmente o próprio PT e o PCdoB. Outros partidos também votaram por maioria contra o impeachment de Dilma, como o PDT.

    Mas, um partido merece um destaque especial, o PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), com a sua destacada e combativa bancada de seis deputados federais. O PSOL votou contra o golpe, mesmo sendo um partido que fez oposição de esquerda aos governos petistas e tendo se enfrentado contra todas as medidas destes governos de conciliação de classes que retiravam direitos do povo trabalhador ou entregavam o patrimônio e riquezas do País.

    Essa posição foi extremamente coerente. Afinal, a oposição de esquerda aos governos petistas, felizmente, não fez o PSOL e seus parlamentares apoiarem uma manobra reacionária que , longe de “moralizar o país”, tinha como real objetivo levar ao poder um presidente ilegítimo, para intensificar ainda mais os ataques aos direitos do povo trabalhador, jogando todo o peso da crise econômica sobre os ombros da maioria do povo.

    O desfecho dos governos petistas foi desfavorável para o povo trabalhador, à juventude e ao conjunto dos oprimidos. Evidentemente, os ataques não começaram com o golpe parlamentar e a posse do presidente ilegítimo Temer.

    Sempre é bom lembrar que Temer era o vice de Dilma, e que nos governos do PT, em aliança com vários partidos da velha direita, vimos ataques aos direitos dos trabalhadores e a soberania nacional – como, por exemplo, na reforma da Previdência e nos leilões das reservas de petróleo e do pré-sal, para ficar apenas em dois exemplos marcantes.

    Mas, passados dois anos, é inegável que os ataques aos direitos e a soberania foram brutalmente intensificados. Nenhum outro governo, mesmo os da velha direita, como a chamada Era dos Tucanos de FHC, conseguiu atacar tanto nossos direitos e os interesses quanto o de Temer.

    No Congresso Nacional, Temer impôs vários pontos de sua agenda perversa, aprovando mudanças radicalmente contra os interesses do povo trabalhador e da maioria da população, como a reforma trabalhista, a ampliação da terceirização para as atividades-fim e o congelamento dos investimentos sociais por duas décadas. Feitos reacionários, que praticamente destruíram alicerces da Constituição de 1988.

    Praticou um ajuste econômico que, em apenas dois anos, já significou um salto absurdo no desemprego, um brutal arrocho salarial e redução do valor do salário mínimo, intensificação das privatizações, aprofundamento dos cortes de verbas para os serviços públicos, entre outras medidas draconianas.

    Outra face deste governo foi a corrupção. O nome de Temer está envolvido diretamente em escândalos, como no episódio da sua conversa gravada com o dono da JBS, Joesley Batista, nos porões do palácio, onde ele pede para manter a compra do silêncio de Eduardo Cunha; ou também no favorecimento de empresas ligadas aos negócios portuários, no Porto de Santos. Apesar de todas as fortes evidências, a Câmara dos Deputados “livrou a cara” de Temer, que sequer foi seriamente investigado.

    Ao mesmo tempo em que aprofunda a crise social, Temer lança mão de mais repressão contra os movimentos sociais organizados e contra a população negra e pobre das periferias, com mais encarceramento. Nestes dois anos, aumentou o número de assassinatos de lideranças quilombolas, sem-terras e indígenas, que viraram alvo do agronegócio. Nas cidades, a polícia e as milícias tem aumentado as chacinas e execuções, em especial contra a juventude negra. O assassinato de Marielle Franco e de Anderson Gomes mostram a ousadia destes setores, que não pouparam sequer uma vereadora na segunda cidade do País.

    A intervenção militar no Rio de Janeiro é outra marca desse governo, que, de modo inédito, entregou o controle da segurança do estado aos militares, os mesmos que se arvoram, nesse cenário, a dar ultimatos sobre a política e elogiar o período da ditadura.

    Neste dia, que lamentamos esses dois anos de governo ilegítimo e golpista, o único caminho a ser apontado é investirmos cada vez mais na resistência unificada contra seus ataques. Buscar fazer novamente, e ainda mais forte, como fizemos no dia 28 de abril do ano passado, parar o País em defesa dos direitos do povo trabalhador e para acabar com esse governo ilegítimo. Ou como fizeram os sem-teto do Largo do Paissandu, em São Paulo, que expulsaram o presidente demagogo aos gritos de “golpista”.

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