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  • O que venceu nas eleições do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Fortaleza (CE)

    Na madrugada deste sábado, 19, foi realizada a apuração das eleições do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Fortaleza (CE), depois de três dias de um pleito muito disputado. A essa altura, muitos já devem saber que a Chapa 1 – UNião e Luta (PCB e Resistência/PSOL) saiu vitoriosa, com 740 votos (36% dos votos válidos); Em segundo lugar, chegou a Chapa 2 (CUT/CSD), com 705 votos (34%); e, por último, ficou a Chapa 3 (PSTU), com 640 votos (30%).

    O normal, no interior da esquerda, diante de um resultado disputado deste, é que os comentários sobre o processo busquem valorizar as qualidades da chapa vencedora, especialmente se quem escreve era um apoiador dela. De fato, temos muito orgulho, como sempre diz Nestor Bezerra, de nossos “guerreiros e guerreiras” que são responsáveis pela vitória da Chapa 1. Mas, o que considero ainda mais importante destacar são os outros motivos que explicam o resultado e também suas consequências políticas.

    Foi a vitória de uma política, e a derrota de outra, no interior da esquerda socialista.

    Foi a afirmação e o fortalecimento de uma política de unidade para lutar contra os ataques dos patrões e governos; de uma frente única da esquerda socialista, para construir uma nova alternativa de independência de classe, democrática e socialista e da luta sem tréguas contra a extrema-direita e em defesa das liberdades democráticas da nossa classe.

    Por isso, com todas as nossas diferenças com a política de conciliação de classes da direção do PT, levamos para a campanha a defesa política e democrática da liberdade de Lula, preso e condenado sem provas.

    Construímos também, em meio a campanha, uma grande atividade na categoria com a presença de Guilherme Boulos, nosso pré-candidato a presidente da República, pela frente política e social construída a partir do MTST, PSOL, PCB, APIB, entre outros movimentos sociais e organizações políticas.

     

    A unidade para lutar foi a marca da Chapa 1
    Cabe ressaltar ainda que a Chapa 1, antes da inscrição das chapas, defendeu a unidade da CSP-Conlutas (Resistência/PSOL e PSTU) e da Unidade Classista (PCB), mas essa possibilidade de unificar toda a esquerda socialista no processo eleitoral deste importante sindicato foi rompida pela direção do PSTU.

    A luta da Chapa 1 pela unidade da categoria, seguiu durante a campanha, defendendo a unificação de todos os trabalhadores e as organizações que atuam na categoria na luta da campanha salarial, que está em aberto nesse momento. O compromisso da Chapa 1 foi construir a campanha salarial e a nova gestão do sindicato buscando permanentemente a unidade de toda categoria. O objetivo é dirigir o sindicato conjuntamente com todos os ativistas, militantes e cipeiros, independentemente de qual chapa participaram ou apoiaram.

    Essa busca permanente pela unidade para lutar e da frente única da esquerda socialista foi a marca principal da Chapa 1, e se saiu vitoriosa nas eleições dos operários da construção civil de Fortaleza.

    A campanha da Chapa 1 já foi a maior expressão dessa unidade, pois foi garantida não só pelos operários da chapa e pela militância do PCB e da Resistência, mas teve o apoio decisivo de outros movimentos e organizações: MTST, as duas Intersindicais e de outras correntes do PSOL (Comuna, Insurgência), entre outros grupos.

    A política do isolamento e da autoproclamação, expressa principalmente na campanha da Chapa 3 (PSTU) foi a grande derrotada destas eleições, ficando ainda em último lugar no voto democrático dos trabalhadores.

    De negativo, fica a campanha de calúnia e difamação feita contra o camarada Nestor Bezerra, atualmente deputado estadual, e contra também outros integrantes da Chapa 1, promovida pelas duas outras chapas. Essa campanha suja, de baixarias e mentiras, nós já esperávamos de setores mais degenerados da CUT. Mas, infelizmente, foi feita também pela direção majoritária da CSP-Conlutas, fato que deve ser repudiado pela base, entidades e movimentos da central. Acreditamos que deve ser discutido, de forma aberta, nos seus fóruns. Para que, quem acusou, seja obrigado a provar ou se retratar com o companheiro.

    Para além deste grave problema, o momento é de virar a página. Chega de ataques, brigas e baixaria. O compromisso da Chapa 1 é com a unidade de toda a categoria e da classe trabalhadora. E, essa tarefa fundamental, já começa agora, com a construção da campanha salarial, com a luta contra os impactos da reforma trabalhista e contra o desemprego, que assume índices alarmantes no Nordeste e na categoria. É hora de unidade pra lutar.

    Vamos! Sem Medo de Mudar o Brasil.

     

    Foto: Operários da construção civil em passeata pelas ruas de Fortaleza, durante greve da categoria. Arquivo.

  • Ciro não é uma alternativa de esquerda

    Com a aproximação das eleições, o tabuleiro político começa a se mover com mais velocidade. Os candidatos buscam consolidar posições num cenário marcado pela instabilidade e muitas incertezas. O deslocamento de nomes, a negociação de alianças e a formação de perfis programáticos adquirem ritmo e intensidade.

    Enquanto o fascista Bolsonaro se consolida pela extrema-direita, Alckmin trabalha para unificar a candidatura da direita tradicional (PSDB, MDB e DEM) e o centro perde força com desistência de Joaquim Barbosa (PSB), a definição do espaço à esquerda encontra-se ainda em aberto. Com Lula posto autoritariamente para fora da corrida, cerca de um terço do eleitorado, que pretendia votar no petista, encontra-se órfão. É aproveitando-se deste vácuo aberto que Ciro Gomes (PDT) busca se projetar como alternativa à esquerda.

    Nas últimas semanas, sinais emitidos pelo PT e PCdoB evidenciam a possibilidade de uma aliança destes partidos com Ciro. Apesar de haver intensas polêmicas dentro PT sobre a linha para as eleições, Jaques Wagner e Haddad, figuras de proa do partido, acenaram publicamente no sentido de buscar uma composição com Ciro. O mesmo fizeram Flávio Dino e Manuela d’Ávila, ambos do PCdoB. O PSB, agora sem a opção de Joaquim Barbosa, também pode vir a compor com o PDT. Caso esse arco de alianças se efetive, a candidatura do pedetista ganharia bastante força. Mas a pergunta que fica é a seguinte: seria Ciro uma alternativa realmente de esquerda?

    O discurso de oposição a Temer, a posição contrária ao impeachment de Dilma, assim como a defesa de um modelo econômico pintado com cores nacionalistas e desenvolvimentistas, vem atraindo parte dos que querem votar na esquerda. Porém, estes enfeites vermelhos com que se cobre Ciro, para de modo oportunista se alavancar eleitoralmente, especialmente entre o eleitorado lulista, não conseguem esconder o real conteúdo de seu programa contrário aos interesses dos trabalhadores e dos oprimidos.

    Fazendo jus a uma trajetória caracterizada pela incoerência política e ideológica – Ciro passou por sete partidos, tendo nesse caminho de ziguezagues defendido e aplicado o projeto neoliberal quando ministro de Itamar -, o candidato pedetista teve seu projeto econômico, cujo sentido real é o inverso do discurso pretensamente de esquerda, revelado pelo seu principal assessor econômico, Mauro Benevides, em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo. Segundo Benevides, o ajuste fiscal é um pilar do projeto econômico de Ciro, que além disso contém a defesa de privatizações e de uma reforma da previdência. A aposta do plano reside na tentativa de recuperar a capacidade de investimento do Estado, sem mexer, porém, nos fatores que estruturam as desigualdades, a exploração e a pobreza historicamente avassaladoras no Brasil.

    É necessário mais do que boa vontade para acreditar que Ciro Gomes, que avalia a possibilidade de ter Benjamin Steinbruch  (PP), presidente da CSN, como vice na chapa, representa um projeto de esquerda. Trata-se, na verdade, de um engano consciente propagado para tentar capturar o eleitor que rejeita a direita e seus representantes políticos. Nesse sentido, cumpre um desserviço à esquerda a movimentação do PCdoB e de setores do PT que negociam o apoio à candidatura de Ciro. Não que este fato constitua uma surpresa, afinal são os mesmos PT e PCdoB que articulam alianças com partidos da direita (MDB, DEM, PSD etc.) em diversos estados do país, incluindo lideranças que deram suporte ao golpe parlamentar e votaram em projetos que retiram direitos, como a reforma trabalhista.

    Esta triste e repetitiva realidade – a esquerda que quer andar de mãos dadas com a direita para chegar ao governo – demonstra que a construção de uma verdadeira alternativa de esquerda passa por outro caminho. Esse que Guilherme Boulos (PSOL e MTST) apresentou no programa Roda Vida da TV Cultura, na última segunda-feira (7). Os setores descontentes da militância petista deveriam refletir sobre essa opção. Boulos e Sônia Guajajara vêm demonstrando que é possível dialogar com as maiorias – o povo trabalhador, a juventude e os oprimidos – sem ceder à direita, tendo coragem de levantar um programa anticapitalista e democrático conectado com as principais demandas sociais e populares. Num momento em que o PT e o PCdoB conchavam com o outro lado, a candidatura de Boulos e Guajajara vai se afirmando como a única com capacidade de recolocar um projeto ousado de esquerda, sem alianças com o andar de cima, de novo no cenário nacional. É hora de recuperar a esperança de transformação social e política do Brasil, sem ilusões na conciliação de classes.

    Foto: EBC

  • O fogo e o ódio

    Editorial 03 de maio

    O incêndio e o desabamento do prédio Wilton Paes de Almeida, no Centro de São Paulo, onde cerca de 400 trabalhadores viviam, é possivelmente a mais dramática alegoria dos nossos dias. São mais de 40 pessoas ainda não encontradas, que podem estar sob os escombros. Aqueles que não morreram, perderam tudo. Ajudantes, serventes, faxineiras, motoboys, garis, manicures. Brasileiros, angolanos, bolivianos. Negros, quase todos.

    Contra eles, os mais explorados e pauperizados no País, se volta o projeto de supressão das poucas garantias do pacto constitucional de 1988. São famílias que dependem, para sobreviver precariamente, dos Benefícios de Prestação Continuada (BPC), dos salários-mínimos de aposentadoria, das pensões por morte, do bolsa-família. São  famílias submetidas ao regime de terceirização e informalização do trabalho, ainda mais instituído em tempos de contrarreformas. São famílias que enfrentam filas em creches, escolas e hospitais, ainda mais extensas em tempos de corte de investimentos sociais.

    E são aqueles que veem ruir sua dignidade humana também pelo processo nefasto de criminalização da pobreza. O dia 1o de maio de 2018, o Dia do Trabalhador, tornou-se um verdadeiro festival de disseminação de ódio contra os trabalhadores. Ódio que não se ateve às tentativas de viralizar notícias falsas pela extrema-direita, como o MBL e Bolsonaro, que caluniaram o quanto puderam o MTST, alegando que a ocupação era parte da “máfia” de Guilherme Boulos para se aproveitar das famílias, mas percorreu  os discursos dos políticos responsáveis pela cidade e pelo estado.

    João Dória (PSDB) praguejou a situação dramática dos sem-teto dizendo que eram membros de uma “facção criminosa”. A única morte lamentada por Bruno Covas (PSDB), atual prefeito de São Paulo, foi a do prédio, ao qual a prefeitura daria um “uso devido” caso tivesse havido reintegração de posse antes. E Márcio França (PSB), governador substituto de Alckmin, insinuou que os ocupantes “pediram” pelo trágico acontecido. Enquanto isso, as principais emissoras de televisão, em especial a Rede Globo, lançaram incessantemente reportagens com tons de nítida acusação indistinta aos movimentos de moradia.

    Entre o discurso neofascista de ódio aos pobres, aos trabalhadores, às mulheres, aos negros, aos nordestinos, à esquerda, e as declarações das principais instituições do poder do Estado, não houve diferenças significativas. Um toma progressivamente o papel de introdutor do outro, mesmo quando anuncia combater excessos e radicalismos. Também foi assim quando a notícia da execução política e racista de Marielle Franco veio à tona em todo o mundo.

    A grande questão é que, para levar adiante esse projeto anti-povo, o grande capital e seus governantes precisam de prevenções políticas. E a mais violenta das prevenções é criminalizar o alvo dos seus ataques, provocar ódio, desprezo ou, no mínimo, indiferença da sociedade. Cozinhar imobilismo, aquecer intolerância, queimar possíveis revoltas.

    Deste modo, os números da cidade de São Paulo vão sendo esterilizados: um milhão e 200 mil pessoas vivendo em moradias precárias. Dois milhões de metros quadrados sem uso algum. Apenas 1% da população controlando 45% do valor imobiliário. Menos R$ 250 milhões para as políticas habitacionais. E mais de R$ 100 bilhões de dívida ativa de grandes empresas com o município.

    A avalanche de manifestações de ódio e a propagação de notícias falsas a partir do drama da ocupação do Largo do Paissandú não vieram por acaso. Neste período histórico em que o capital financeiro precisa ampliar os seus meios de reprodução, a vida nos grandes centros urbanos vem se tornando insuportável aos trabalhadores. O nível de espoliação urbana afeta qualquer espaço e tempo de vida. Não se trata mais de ela ter qualidade ou não, diz respeito às chances de existir, onde toda e qualquer parte tem como vocação ser mercadoria.

    A reação necessária a esse processo de varrição permanente dos trabalhadores mais pobres das grandes cidades vem ocorrendo, espontaneamente ou de maneira organizada. O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), desde junho de 2013, tem sido uma referência importante no enfrentamento à mercantilização das cidades e à situação econômica do povo pobre herdada pela crise. O que era um projeto de organização popular para a criação de alternativas ao contingente crescente de sem-tetos tornou-se um dos polos mais dinâmicos no combate ao golpe parlamentar de 2016 e a todos os ataques aos direitos da classe trabalhadora. Não é mero acaso o lugar onde a corda estica nesse momento político.

    É por imposição da realidade de ataques sociais e econômicos – mas também antidemocráticos e ideológicos – que a candidatura pelo PSOL de uma liderança sem-teto, Guilherme Boulos, junto a uma liderança indígena, Sônia Guajajara, acontece agora, apresentando um programa radical em defesa da vida em detrimento do lucro.

    A reorganização dos trabalhadores e da esquerda para a luta nas ruas não pode mais ser meramente anunciada. Não escolhemos este momento. Mas só sobreviveremos se transformarmos a indignação que sentimos em ação organizada. É hora de máxima solidariedade com as famílias que perderam seus entes queridos e com aquelas que perderam junto com seus lares o pouco que tinham. É momento de apoio às ocupações ameaçadas de despejo pela prefeitura e o estado. Mas é hora também de redobrar a aposta na resistência, como fazem dezenas de milhares de famílias sem-teto em luta em todo o País.

    Quem ocupa não tem culpa!

  • Primeiro de Maio: A importância e a dificuldade da construção da frente única

    Editorial Primeiro de Maio

    Já existem fatos suficientes da realidade de 2018 para observar o aprofundamento da ofensiva reacionária iniciada com o golpe parlamentar. A intervenção federal no Rio de Janeiro, a execução de Marielle, os tiros à caravana Lula, sua condenação e prisão e agora os recentes tiros ao acampamento de Curitiba. Fatos marcantes em uma realidade de crise social, desemprego, extermínio da juventude negra, direitos destruídos pela reforma trabalhista e a terceirização, ataques e mais ataques. Tempos difíceis.

    Tempos difíceis que exigem coragem. A coragem estampada no rosto das professoras de Belo Horizonte que protagonizaram, nesta semana, uma importante resistência contra os ataques aos seus direitos e enfrentaram a repressão dos governos Kalil e Pimentel. A mesma coragem presente na luta dos servidores municipais de São Paulo, que derrotaram João Dória, nas lutas dos rodoviários de Belém, dos estudantes da UnB, da educação municipal de Fortaleza e de todas as mulheres e homens que encheram as ruas do país lutando por justiça no caso de Marielle. Precisamos da coragem que tivemos há um ano, quando realizamos a greve geral de 28 de abril, que ajudou a impor o recuo do governo Temer em relação à reforma da Previdência, uma vitória muito importante neste contexto de forte ofensiva contra os trabalhadores.

     

    Um dia de luta internacional

    Foi a enorme mobilização dos trabalhadores de Chicago, em 1886, com 500 mil pessoas, que deu origem ao dia internacional de luta dos trabalhadores. Três anos depois, em um congresso operário na França, a data foi adotada como um dia internacional.

    Primeiro de Maio em 1974, em Portugal

    Primeiro de Maio em 1974, em Portugal

    Desde então, embora tenha havido conquistas da nossa classe, como a jornada de oito horas, este dia se tornou expressão das principais bandeiras e mobilizações dos trabalhadores em todo o mundo. Em 1974, por exemplo, oito dias após a Revolução dos Cravos em Portugal, realizou-se uma das mais fortes manifestações de Primeiro de Maio da história daquele país.

    Em alguns países, este dia não é feriado como no Brasil, mas já houve mobilizações e greves suficientes para parar o país, como no histórico Primeiro de Maio norte-americano de 2006, em que mais de dois milhões de trabalhadores, principalmente imigrantes, cruzaram os braços.

     

    O Primeiro de Maio no Brasil

    Por essa história de luta no mundo, o Primeiro de Maio deve ser encarado como um dia em que devemos ir para as ruas com as principais e mais atuais bandeiras das lutas da classe trabalhadora. No Brasil, a força e capacidade deste dia expressar as mobilizações de turno da classe trabalhadora também existiu, como os históricos atos que expressavam as poderosas greves metalúrgicas do ABC paulista, na década de 1980.

    Nesse sentido, a esquerda socialista brasileira trava uma batalha, há muitos anos, contra as principais centrais do País que, desde a década de 1990, transformam esses dias em dias de festa.

    A partir de 2016, as centrais que haviam permanecido totalmente atreladas ao então governo do PT, como a CUT e a CTB, passaram a expressar nos atos do 1º de Maio bandeiras importantes da luta da classe trabalhadora no Brasil, como a luta contra o golpe parlamentar que abriu o caminho para acelerar profundos ataques sobre nossa classe.

    Neste ano de 2018, os desafios que enfrentamos demandam a construção de uma forte unidade. Diante de todos os retrocessos promovidos pela ofensiva de ataques do governo Temer, a unidade expressa nas greves do 1º semestre de 2017 foi determinante para impor a derrota do governo em relação à reforma da Previdência. A construção e fortalecimento da frente única determina a capacidade do movimento organizado de resistir aos ataques sobre nossos direitos sociais e democráticos.

     

    Construir a frente única

    O Primeiro de Maio deve ser mais um capítulo da construção sincera e precisa dos termos da unidade que o movimento social brasileiro necessita. A denúncia das consequências da Reforma Trabalhista, assim como da PEC do Teto de Gastos, da terceirização e das privatizações deve estar combinada com a ofensiva reacionária sobre os direitos democráticos. A prisão sem provas de Lula, assim como todos os retrocessos democráticos promovidos pela politização do judiciário, aprofunda uma realidade de parcos direitos. A intervenção federal e a presença de generais do Exército disputando a saída da crise política indicam graves ameaças a direitos básicos.

    Tudo isso deve ser bandeira da construção da frente única para destravar a resistência no Brasil. E deve ser expresso nas manifestações do Primeiro de Maio. Temos, porém, consciência e nitidez da dificuldade da construção desse processo de unidade. E queremos debater, com toda tranquilidade e respeito, sobre isso.

    Estaremos nas manifestações convocadas pela Frente Povo Sem Medo e pela Frente Brasil Popular, junto com as centrais que travam a batalha contra as consequências do golpe parlamentar e os ataques aos direitos sociais. Em nossa opinião, essa construção demanda a mais sincera disposição de construir a unidade. Não temos as mesmas posições sobre a alternativa política e eleitoral para o nosso país e a classe trabalhadora precisam. Mas estamos dispostos a construir a unidade para impedir os retrocessos. Acreditamos que a expressão da diversidade política dessa construção precisa estar presente na convocação e realização dos atos. Quanto mais unidade e diversidade, mais força para a luta. A transformação desses atos em atos meramente eleitorais não contribui para nosso objetivo maior. E travaremos essa batalha na construção de todas as manifestações do Primeiro de Maio pelo País.

    Também expressamos nas ruas o acúmulo que a esquerda socialista desenvolveu ao criticar o processo de transformação da data em apenas dias de festa. O tradicional Primeiro de Maio da Praça da Sé em São Paulo, encampado pela Pastoral Operária e demais organizações que hoje se localizam no campo político de oposição ao governo Temer e dispostas à construção de uma alternativa pela esquerda, em oposição à experiência de treze anos de conciliação de classes dos governos do PT, também conta com nossa presença e força militante.

    Achamos lamentável que uma parte da esquerda socialista não convoque nenhuma manifestação ou atue de forma isolada. A importância histórica do Primeiro de maio e as necessidades da atual conjuntura não permitem isso. Travamos uma batalha interna à CSP-Conlutas, contra a sua direção majoritária para que a resolução sobre o Primeiro de Maio não deixasse os trabalhadores sem orientação sobre o que fazer. E para impedir que a indisponibilidade de realizar manifestações em unidade tenha como consequência fortalecer saídas políticas que não servem à classe trabalhadora. Infelizmente, a posição oficial da central que construimos, a CSP-Conlutas será falar para os trabalhadores não fazerem nada ou participar de ações isoladas.

    Estamos nas ruas para denunciar todos os ataques aos direitos sociais democráticos, fortalecer a construção da frente única e apresentar uma alternativa de independência de classe à dura realidade que nosso País enfrenta.

    • Viva o Primeiro de Maio!
    • Viva o dia de luta dos trabalhadores e trabalhadoras no Brasil e no mundo!
  • De quem é a culpa pela tragédia sem-teto no primeiro de maio, em São Paulo?

    Por: Igor Baima, de São Paulo, SP

    O primeiro de maio é conhecido por ser um dia de luta, de manifestações, de atos e protestos. Para muitos também é um dia de descanso, de ficar com os filhos e as famílias. Mas hoje, para cerca de 280 pessoas, foi o dia de perder tudo. Foi a tristeza, a tragédia.

    Há, na capital paulista, cerca de 70 prédios ocupados por moradores que simplesmente não têm para onde ir, resultado de uma política e de um sistema onde tudo vira mercadoria.

    O prédio de 26 andares, de propriedade da União, situado no Largo do Paissandu, estava cedido à Prefeitura paulista, com a justificativa de que seria transformado para abrigar o funcionamento de órgãos da Prefeitura. Na verdade, um verdadeiro jogo de empurra entre municipío e União para eximir-se da responsabilidade pela tragédia.

    A visita do presidente Michel Temer ao local do desabamento é emblemática. Em menos de três minutos, foi expulso do local pela população aos gritos de golpista. Michel Temer, como os governos estadual e municipal, é totalmente responsável pelo acontecimento.

    A política social dos governos está por trás da crise social de moradia do país. Essa política tem provocado a expulsão das pessoas do Centro, o aumento do custo de vida, gerando um maior número de pessoas sem teto e morando de favor. Esse cenário leva muitas pessoas, inclusive, a utilizarem lenha para cozinhar em função do alto custo do gas doméstico.

    Toda essa crise social cobra seu preço: a vida de milhares de pessoas em péssimas condições de vida.

    Quem passou no local pode conferir que essas pessoas perderam tudo. A revolta, a dor, a tristeza diante de não saberem exatamente o que fazer e onde ir são expressões expostas no rosto de todos. Trabalhadores nordestinos, imigrantes da Bolívia, Angola e Venezuela, homens, mulheres e crianças sem ter onde morar, em subempregos, barracos formados de madeira, lonas e vidros. Esses moradores, a maioria de negros, são as principais vítimas.

    As informações das péssimas condições de conservação do edifício eram de conhecimento geral, porém nada foi feito.

    Esperou-se o pior acontecer. A ida do presidente ao local do evento materializou um verdadeiro escárnio mórbido de quem não tem nenhum interesse em resolver a questão.

    O país perdeu uma grande oportunidade nos últimos anos de realizar uma verdadeira reforma habitacional e urbana, que garantisse moradia para todos que dela nescessitasse.

    Essa crise social não se resume as medidas do atual governo (congelamento dos gastos, reforma trabalhista e terceirização), mas também é resultado de políticas dos governos petistas que privilegiaram medidas insuficientes como o Minha casa, Minha vida que não resolveram a fundo o problema.

    Foto: Pedro Alexandre | Esquerda Online

  • Lula livre e Boulos Presidente

    A importância de combinar a unidade para a luta com o fortalecimento de uma nova alternativa política de independência de classe

    André Freire, colunista do Esquerda Online

    A condenação sem provas de Lula, a sua prisão mesmo antes do encerramento dos recursos judiciais e o impedimento de sua candidatura nas próximas eleições são partes inerentes do golpe parlamentar iniciado com o impeachment de Dilma, em 2016.

    Não se trata de isentar de culpa Lula e a direção do PT pelo que estamos vivendo hoje. Os 13 anos de governos petistas, em aliança com os partidos da velha direita, aplicando um plano de governo que não rompeu em nada com o pacto com o “andar de cima”, abriu a possibilidade do golpe parlamentar. Nunca se pode esquecer: Temer era vice de Dilma, e a quadrilha do PMDB era parte do governo do PT.

    Infelizmente, parte da esquerda socialista acusa de capitulação ao PT quem defende a unidade de ação e a frente única de todos os setores da classe trabalhadora contra o governo de Temer, contra o golpe, a prisão de Lula e a defesa das liberdades democráticas e dos direitos sociais.

    Estão errados. O momento é de unidade. De unidade pra lutar. Sem disputa de protagonismos, sem deixar as grandes diferenças de lado, mas defendendo uma unificação sincera de todos os setores da classe trabalhadora, dos sindicatos, das centrais sindicais, movimentos sociais combativos, do movimento estudantil, dos que lutam contra as opressões e dos partidos de esquerda para resistir aos ataques que o povo trabalhador está sofrendo.

    Resistir aos ataques sociais e econômicos, como enfrentamos no programa do governo ilegítimo de Temer, com o seu famigerado ajuste fiscal e com as reformas constitucionais de cunho reacionário. Mas, resistir também aos ataques políticos, defendendo as liberdades democráticas.

    É preciso, de uma vez por todas, entender o que está se passando em nosso país. A brutal e revoltante execução da companheira Marielle (passado um mês, ainda sem nenhum responsável identificado), a intervenção federal e militar na segurança pública do Rio de Janeiro, a intensificação do extermínio do povo pobre e negro nas periferias brasileiras, a ampliação das leis de repressão, entre outras medidas, demonstram de forma cabal que existe uma escalada reacionária em curso, que propõe mudanças ainda mais conservadores no regime político brasileiro, sempre no sentido de estreitar as poucas garantias e espaços democráticos.

    A esse cenário preocupante, se soma a cada vez maior politização do poder judiciário, que hoje, através principalmente da Operação jurídico-policial da Lava Jato, visa apresentar uma saída seletiva e ainda mais conservadora para a crise política brasileira. Lula é preso ao mesmo tempo que políticos do PSDB são protegidos pela mesma justiça corrupta e decadente.

    E, se já não era suficiente, assistimos também os militares voltarem à cena política nacional. Não só com a intervenção militar no RJ, como também assumindo cada vez mais cargos importantes no governo Temer e interferindo diretamente na conjuntura, como nas declarações públicas do General Vilas Boas (transmitidas pela TV Globo), apoiada por outros generais, pressionando diretamente o STF para que não concedesse o Habeas Corpus para Lula.

    Todo esse cenário vem abrindo ainda maior espaço para ações de grupos de extrema-direita e até fascistas. Como vimos no ataque a uma atividade da campanha de Lula. A figura de Bolsonaro é a máxima representação tenebrosa deste pensamento ultra-reacionário, conservador e anti-povo trabalhador.

    Diante deste cenário: o que fazer? Ficar em casa?  Romper a possibilidade de unidade de ação dos movimentos da classe trabalhadora? Publicar notas contra a luta unificada, que são até saudadas por setores da direita golpista?

    O caminho é outro: a disputa política se dá nas ruas, mantendo intacta a nossa independência política de crítica, mobilizando e unificando a classe trabalhadora, e o conjunto dos explorados e oprimidos contra os ataques de Temer, da velha direita e da extrema-direita.

    Por isso, seguimos e seguiremos firmes na proposta da construção de uma ampla unidade de ação, uma frente única de luta e democrática para mobilizar os trabalhadores, a juventude e os oprimidos, que tenha como objetivo freiar o golpe, derrotar os ataques políticos, econômicos e sociais contra nosso povo.

     

    Candidato único da esquerda X nova alternativa de independência de classe
    Em um erro de sentido oposto daqueles que se negam a lutar juntos nas ruas contra a velha direita e a extrema direita, setores da antiga base de apoio dos governos do PT querem usar a nossa unidade de ação a serviço da repetição de seu projeto político de aliança com os chamados setores “progressistas” do grande empresariado, a velha direita e até alguns políticos e partidos que apoiaram o golpe parlamentar do impeachment, para aplicar um programa que não rompe de verdade com os interesses dos ricos e poderosos.

    Nossa proposta aponta em outra direção. Não queremos repetir os mesmos erros do passado, “VAMOS” apostar, e já estamos apostando, em uma nova alternativa política, sem alianças com os mesmos poderosos de sempre, que deve propor um programa anticapitalista, que rompa com os privilégios do 1% mais ricos, para atender as demandas e reivindicações mais sentidas da maioria da população brasileira.

    Nosso compromisso é com o fortalecimento da Frente Política e Social construída a partir do MTST, do PSOL, do PCB e de vários outros movimentos sociais combativos e organizações da esquerda socialista. É com essa bandeira e com essas propostas que estamos participando da luta unificada contra o golpe, os ataques aos direitos dos trabalhadores e as liberdades democráticas.

    Não temos medo de estar lutando ao lado daqueles que temos grandes diferenças políticas. Confiamos na nossa política e no nosso programa. E, com grande alegria, afirmamos que temos alternativa para as eleições: Guilherme Boulos e Sonia Guajajara para a Presidência da República – VAMOS, sem medo de mudar o Brasil!

    Um convite à esquerda

    Queremos discutir de forma franca, sem ataques desnecessários, que só atrapalham a nossa unidade. Queremos dialogar tanto com os setores da esquerda socialista que ainda se negam a participar da unidade de ação contra o golpe como também com aqueles setores da esquerda brasileira que ainda querem insistir no mesmo velho e fracassado projeto de conciliação de classes. O momento é grave, exige uma política justa.

    Em primeiro lugar, devemos estar dispostos à luta comum, pelas bandeiras que podem unificar e mobilizar a classe trabalhadora, a juventude e o conjunto dos explorados e oprimidos. O mês de abril nos oferece a oportunidade de voltarmos aos milhares às ruas. Mas, para isso, é necessário unidade de ação.

    Mas, com a mesma convicção que defendemos a luta unitária, queremos dialogar com todos e todas que querem uma nova alternativa política ao golpe, a velha direita e a extrema-direita. O momento é também de ousadia, de confiar no futuro, de apostar em novas alternativas.

    Esse é o convite que queremos fazer e renovar a todos os setores da esquerda socialista: vamos lutar juntos e de forma democrática e participativa construir uma nova alternativa de esquerda, anticapitalista, das mulheres, dos negros e das negras, dos LGBT´s, da juventude, enfim de todo o povo trabalhador.

    Vamos construir esta campanha juntos. VAMOS, sem medo de mudar o Brasil! Com Boulos e Guajajara para a Presidência da República!

  • Processo de Fusão NOS-MAIS entra em sua reta final

    Discussões se iniciaram em fevereiro do ano passado. Congresso Nacional de Fusão vai acontecer nos dias 29 e 30 de abril, na cidade de São Paulo

    Alexandre Oliveira “Xandão” (NOS) e André Freire (MAIS)

    Em fevereiro de 2017, começamos a dar os primeiros passos para o processo que buscava construir a unificação entre a NOS e o MAIS, testando a possibilidade da construção de uma nova organização.

    No primeiro semestre de 2017, foram realizadas importantes discussões de atualização programática entre as duas organizações, com o objetivo de atualizar o programa marxista para a Revolução Brasileira. Este debate, que segue em aberto, foi expresso em várias notas programáticas, publicadas nas páginas na internet das duas organizações.

    No ano passado, avançou também a atuação comum das duas organizações na luta de classes. Especialmente nas lutas de resistência, como na Greve Geral de 28 de abril.

    No segundo semestre, as duas organizações aprovaram a sua unificação em seus Congressos Nacionais – o MAIS em julho e a NOS em dezembro. A partir destas decisões, que foram unânimes entre os delegados das duas organizações, foi convocado o Congresso Nacional de Fusão, para o final de abril de 2018.

    Durante o mês de abril, a militância da NOS e a do MAIS vão viver intensamente as últimas discussões preparatórias para a sua unificação e a construção de uma nova organização, que reivindica o marxismo revolucionário.

    Neste momento, estão sendo realizadas as últimas plenárias conjuntas sobre o regime interno e concepção de uma organização marxista. Estas discussões estão baseadas em um protocolo que foi acertado em um seminário conjunto, realizado ainda em novembro do ano passado.

    Já existem debates acontecendo, em algumas cidades, sobre a centralidade da luta contra as opressões na etapa que vivemos. Para a nova organização, a luta contra o machismo, o racismo e a LGBTfobia é um princípio e deve ser uma prioridade de fato da esquerda socialista, sempre a partir da apresentação de nosso programa socialista.

    O Comitê Nacional de Fusão NOS-MAIS acaba de publicar uma proposta conjunta de Carta de Princípios e de um Estatuto, que serão os temas mais importantes do Congresso, junto com a definição do nome da nova organização e a eleição da nova coordenação nacional.

    Queremos que na nova organização estejam militantes que não eram anteriormente nem da NOS e nem do MAIS. Felizmente, este processo já vem acontecendo em alguns Estados, como Pernambuco. No Acre, um Estado que a NOS e o MAIS não existem organizadamente, já há uma importante discussão sobre a nova organização com camaradas que atuam na luta em defesa educação, dentre outros temas.

    Entendemos a concretização da nossa fusão com um passo importante para unificação dos marxistas revolucionários em torno da mesma bandeira e da mesma organização. Sabemos que a essa construção é apenas um passo, que não encerra esta batalha estratégica, que deve seguir como uma das nossas prioridades.

    Neste sentido, entendemos a nova organização em permanente construção, aberta ao diálogo com outros setores da esquerda socialista que reivindicam o marxismo revolucionário.

    No final deste mês, delegados eleitos de todas as regiões brasileiras se encontrarão em São Paulo para tomar em suas mãos a construção da nossa nova organização. Uma organização que se construirá a partir de uma ampla democracia interna e por uma política comum de intervenção no movimento de massas e no processo de reorganização da esquerda brasileira.

    A nova organização e o processo de reorganização da esquerda brasileira
    A nova organização nascerá como parte do PSOL e na vanguarda da construção da campanha de Guilherme Boulos e Sônia Guajajara para a Presidência da República, e também das campanhas do partido nos Estados que atuamos.

    Vamos combinar a nossa presença firme nas lutas de resistência do povo trabalhador e da juventude, com uma forte campanha eleitoral. Lançaremos candidatos pelo PSOL em praticamente todos os Estados brasileiros, nossos candidatos colocarão sua campanha a serviço dos interesses dos trabalhadores, da juventude e do conjunto dos explorados e oprimidos.

    Nossa batalha principal será pela construção de uma nova alternativa de esquerda e socialista, radicalmente contra a velha direita e a extrema-direita, mas que defenda também, e de forma categórica, a necessidade de superarmos o projeto de conciliação de classes da direção do PT.

  • São Paulo: servidores municipais derrotam reforma da Previdência de Doria

    Da Redação

    O prefeito de São Paulo e pré-candidato ao governo do Estado, João Dória (PSDB), amargou uma grande derrota política nesta terça-feira (27). Ao contrário do que vinha propagando na imprensa, o governo não conseguiu os 28 votos necessários para aprovar o PL 621 (que ficou conhecido como SAMPAPREV), projeto de lei que pretende confiscar parte do salário dos funcionários públicos.

    Diante da mobilização, o prefeito já havia sinalizado com um recuo em relação à proposta original, admitindo abrir mão da alíquota suplementar que levaria servidores a ter descontos de até 19% para a Previdência. Ainda assim, o SAMPAPREV de Dória, aos moldes do projeto do governo federal, propõe elevar a alíquota previdenciária de 11% para 14% e cria um novo fundo de previdência apontado pelos servidores municipais como uma política de destruição do Instituto de Previdência Municipal (IPREM).

    Foram 20 dias de greve, mobilização considerada uma das maiores da cidade de São Paulo, que unificou todo o funcionalismo público municipal. Somente no professorado, a greve contou com a adesão de 93% das 1500 escolas municipais. Neste momento, os servidores seguem mobilizados e exigem o pagamento dos dias parados. Caso o projeto volte à pauta será retomada a paralisação.

    Não tem arrego!

    “Não confiamos nem no Dória, nem no Bruno Covas, que vai assumir o cargo de prefeito, e nem no Milton Leite. Por isso, nesses 120 dias vamos continuar mobilizados e em estado de alerta. Se for colocado novamente na pauta da Câmara Municipal o SAMPAPREV, voltamos a cruzar os braços”, destacou Silvia Ferraro, professora da rede municipal e membro da Direção Nacional do PSOL.

    Sou professora da rede pública municipal, da EMEF Anália Franco, e ativista da frente Povo Sem Medo. Hoje senti muito orgulho dos servidores que estão fazendo essa mobilização histórica, em especial das mulheres que são maioria na categoria e, mesmo enfrentando todas as dificuldades, estão protagonizando nossa greve. Resistimos bravamente até aqui e podemos ser vitoriosos. Faça chuva ou faça sol (e que chuva! ☔), já são 20 dias de greve e a nossa mobilização segue muito forte. Não vamos deixar passar esse projeto absurdo que ataca nossa aposentadoria e confisca nossos salários. Doria sai! Nossa previdência fica! Resistiremos até o arquivamento do Sampaprev! #arquivaja #foradoria#naoaosampaprev

    Publicado por Silvia Ferraro em Terça-feira, 27 de março de 2018

     

    A resistência e mobilização dos servidores de São Paulo é um exemplo para o país na luta em defesa dos direitos, em especial contra a reforma da Previdência que continua na agenda de ataques do governo Temer. É hora de toda a classe trabalhadora fazer ecoar o grito dos mais de cem mil manifestantes paulistas que intimidaram a Câmara de Vereadores e derrotaram o “prefeito-almofadinha” João Doria: “Não tem arrego!”

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    Três conquistas políticas da greve dos servidores públicos municipais de São Paulo

    Foto: Thamys Porto | Mandato Sâmia Bonfim – PSOL

  • Participe dos atos deste dia 28 em memória de Edson Luís e Marielle Franco

    Da Redação

    Nesta quarta-feira (28), jovens e trabalhadores em várias cidades do País estarão nas ruas para lembrar dois acontecimentos que deixam marcas na história de luta do povo brasileiro. Exemplos que unem um passado e um presente de resistência cravados em dois nomes: Edson Luís e Marielle Franco. Entidades dos movimentos estudantis e sociais em geral, além de partidos políticos e personalidades que lutaram contra a Ditadura e estão na linha de frente pela denúncia à morte de Marielle, estão convocando manifestações. A executiva nacional do PSOL lançou uma nota onde orienta a construção de um dia nacional de luta com realização de atos unificados em todos os estados.

    Entenda
    Neste 28 de março, completam-se 50 anos do assassinato do então estudante secundarista Edson Luís por policiais militares, quando participava de uma manifestação contra o aumento do preço do restaurante popular Calabouço. Uma marcha organizada para velar seu corpo reuniu cem mil na Cinelândia, no Rio, um marco na luta contra a Ditadura Militar. Agora, em 2018, em uma conjuntura de ataques aos trabalhadores e retirada de direitos, outros cem mil marcharam pelas ruas da capital carioca e pelo menos 50 mil em várias cidades do Brasil, com solidariedade extrapolando fronteiras e chegando a diversos países. Mais um assassinato político, de uma lutadora, vereadora socialista do PSOL, negra, LGBT, cria da favela da Maré, que lutava contra os desmandos da PM e era porta-voz da resistência à intervenção militar. Esta semana, ainda durante o luto da morte da vereadora, cinco jovens, Sávio, Patrick, Matheus, Mateus e Marcus, integrantes do movimento Hip Hop, alguns deles da União da Juventude Socialista (UJS), foram assassinados em Maricá, também no estado do Rio de Janeiro. A suspeita é que a execução tenha sido realizada por policiais militares.

    Atos
    Um dos principais atos ocorrerá na cidade do Rio de Janeiro, local onde ocorreu esses dois marcos históricos. O protesto está sendo convocado para acontecer às 15h, com saída da Candelária até a Cinelândia, onde o corpo de Edson Luís foi velado pelos estudantes e onde Marielle Franco exercia o cargo de vereadora, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. De acordo com os organizadores, uma das pautas será a luta contra a intervenção militar no Rio de Janeiro e o genocídio de jovens negros. “Vamos pra rua contra a intervenção, pela vida da juventude negra e por todas as vidas”, afirmam no evento de convocação.

    Convocam coletivos e grupos do movimento estudantil, de favela e de memória e verdade, como
    Ocupa Dops; Filhos e Netos por Memória; Verdade e Justiça, Coletivo RJ Memória, Verdade e Justiça; Grêmio CSTJ; RUA – Juventude Anticapitalista; Pré-Vestibular Popular + Nós; UEDC – União dos Estudantes de Duque de Caxias; Voz da Baixada; DCE UFRJ Mário Prata; AERJ – Associação dos Estudantes Secundaristas do Estado do Rio de Janeiro; FENET – Federação Nacional dos Estudantes em Ensino Técnico; UJR Brasil; Juntos RJ; Rede Emancipa RJ; União da Juventude Comunista – UJC Brasil;POVO SEM MEDO; AMES Rio – Associação Municipal dos Estudantes Secundaristas do Rio; DCE UERJ – Diretório Central dos Estudantes UERJ; UBES – União Brasileira dos Estudantes Secundaristas; União Estadual dos Estudantes do Rio de Janeiro (UEE-RJ; UEES RJ – União Estadual dos Estudantes Secundaristas do Rio de Janeiro; UJS Rio de Janeiro; Frente Brasil Popular; Levante Popular da Juventude – RJ; Coletivo Papo Reto; Laboratório de Ativismo e Comunicação da ECO UFRJ.

    CEARÁ
    Debate sobre a execução de Marielle, às 14h, na Assembleia Legislativa do Ceará, em Fortaleza, CE, concovado pelo mandato do deputado estadual Nestor Bezerra – Veja Evento
    Marielle Franco: poder vivo entre nós, às 9h, na Universidade Estadual do Ceará (UECE) – Veja Evento

    MINAS GERAIS
    Semana Edson Luis, às 14h, CAAP UFMG – Veja Evento
    Ato em memória de Marielle Franco, Anderson Gomes e Edson Luís, às 17h, em Caaratinga, Minas Gerais – Veja Evento
    Ato ecumênico Marielle, Anderson e Edson Luís presentes, às 18h, na Praça Zumbi dos Palmares – CONIC – Veja Evento
    Ato 28M! Por Marielle não sairemos das ruas!, às 15h30, na Prefeitura de Uberlândia, MG – Veja Evento

    PARÁ
    Marielle presente em nós e nas ruas, pois não temos nada a perder, às 16h20, no Mercado de São Braz, em Belém, PA – Veja Evento

    PARANÁ
    Marielle, presente, no Centro Acadêmica Sete de Março, na Universidade Estadual de Londrina, PR – Veja Evento
    Marielle, os direitos e os humanos – Debate – CAPUP, às 11h20, na Universidade Positivo, em Curitiba, PR – Veja Evento

    RIO DE JANEIRO
    Ato Por Marielle Franco e Edson Luís. Contra a Intervenção, pela Educação, às 15h, da Candelária à Cinelândia – Veja Evento
    Para que não se esqueçam de Edson Luís, 17h, CE Dr. Thiers Cardoso, Campos dos Goytacazes, RJ – Veja Evento

    SÃO PAULO
    Marielle Franco, sua vida, sua luta, seu legado, às 19h, no Sindicato dos Metalúrgicos em Vicente de Carvalho (Guarujá), Rua Capitão Alberto Mendes Júnior, 515, Guarujá – SP – Veja Evento

    ESTADOS UNIDOS
    Protest the Racist Assassination of Marielle Franco, às 17h, na Wilshire Blvd, Beverly Hills, CA 90211-3211, United States – Veja Evento

    ITÁLIA
    Marielle Presente! Consenza, às 17h30, em Corso Mazzini Consenza, Corso Giuseppe Mazzini, 87100, Cosenza, Itália – Veja Evento

    Foto: Memória pela Democracia

  • É preciso lutar contra a prisão de Lula e construir uma alternativa política

     

    Editorial do dia 07 de março

    Os cinco juízes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) foram unânimes em recusar o pedido de habeas corpus pedido pelos advogados de Lula na tarde desta terça-feira (06). A defesa aguardava um 4×1, com um voto de honra, que não veio. Mas a decisão já era esperada e vista pela defesa do petista como uma etapa a ser cumprida antes do recurso no Supremo Tribunal Federal (STF).

    Mas o fato é que Lula está cada vez mais perto de ser preso. O Ministério Público Federal (MPF) anunciou que pretende prender o petista assim que encerrar completamente a tramitação na segunda instância, ou seja, no TRF-4. Falta apenas o julgamento de um “embargo de declaração”, um recurso que não tem poderes para anular ou alterar a pena. Cumprido isso, tudo indica que o juiz Sérgio Moro peça imediatamente a prisão de Lula.

    Os esforços dos advogados do PT, neste momento, é para ganhar tempo. Tentam que o STF impeça prisões após julgamento de segunda instância, o que daria a Lula um período de… seis meses de liberdade.

    Prisão mostra a nova face do golpe
    O impeachment, em 2016, foi o mecanismo encontrado pelas grandes empresas para alterar a economia brasileira, aumentando o desemprego e o saque do trabalho e das riquezas do País, preservando a taxa de lucros de empresas e dos bancos em meio a crise mundial. Essa foi a explicação para o festival de maldades que temos visto no governo Temer, que despertou a resistência dos trabalhadores, em especial contra a reforma da Previdência.

    Os ataques econômicos vieram acompanhados de mudanças no regime político: a judicialização da política, a reforma política que ataca os partidos de esquerda, a criminalização das lutas e protestos e o aumento da repressão nas periferias. Não basta apenas retirar direitos, é preciso controlar, mudando regras e leis se preciso, para que nada escape do roteiro definido pelo golpe.

    Agora, o governo ilegítimo, que conta com 4,5% de aprovação, avança em um novo capítulo do golpe, com a ocupação militar no Rio de Janeiro. A população do Rio é hoje governada por militares e por um presidente golpista.

    A condenação de Lula em janeiro e a sua prisão iminente fazem parte deste momento atual do golpe e não estão dissociadas de outros ataques às liberdades democráticas. Devemos lutar contra a sua prisão e pelo direito dele ser candidato, com todas as nossas forças, combinando essa luta com a contra as reformas e a intervenção militar no Rio de Janeiro.

    A prisão de Lula, o principal líder dos trabalhadores nos últimos 40 ou 50 anos pelo menos, seria um fato de grandes dimensões e um feito para a burguesia, a mesma que tanto lucrou em seus governos. Com certeza inauguraria um novo momento de perseguições e prisões kafkanianas que atingiriam não apenas aqueles que estiveram 13 anos no poder, mas toda a esquerda socialista, a resistência de sindicalistas, do movimento popular e por moradia, das mulheres que lutam e todos e todas que ousem se levantar em qualquer greve, protesto ou ocupação neste País.

    Sua prisão seria, nitidamente, um exemplo de perseguição política. Começando por todo o processo montado pelo juiz Sergio Moro e amplificado pela cobertura da mídia. Seguindo com o julgamento em tempo recorde em janeiro e a condenação, estranhamente unânime, tanto na decisão quanto na pena, como uma orquestra de uma só melodia. Todo o processo parece montado com o objetivo de evitar que Lula seja candidato, ou seja, para garantir que o próximo governo mantenha e preserve as políticas econômicas adotadas, com o mesmo afinco que o atual, sem escutar a pressão dos movimentos sociais.

    Ao mesmo tempo em que Lula é condenado e pode passar anos preso, Temer foi blindado pelo Congresso, e segue, com seus ministros, incólume. Sua luta é para garantir que, após deixar o governo, não tenha que responder pelas denúncias de corrupção.

    Como lutar contra a prisão?
    O mercado reagiu à decisão do julgamento de terça-feira, assim como havia ocorrido em janeiro. A queda do dólar em um dia foi tamanha – foi à R$ 3,20 – que alterou a previsão para a moeda até o final do ano. O mercado reagiu dizendo aplaudindo a decisão. Não quer Lula candidato e, se pra isso, for preciso que o prendam, que o façam.

    Esse é mais um exemplo de que burguesia rompeu com o PT. Não é mais necessário um governo em comum. Mas o PT não fez o mesmo e segue agindo como um partido da ordem. Segue apostando no caminho da conciliação de classes, apostando que é possível governar para todos, e buscando, dia após dia, alianças com setores de partidos que inclusive deram o golpe, para tentar retornar ao poder.

    Infelizmente, essa estratégia leva a inúmeras ilusões que, no caso do julgamento, estão cobrando o seu preço. O PT, Lula e seus dirigentes apostam no caminho da institucionalidade e também no terreno da Justiça, mesmo após tantas demonstrações de Moro e cia. Desde os atos de janeiro, o PT fez toda a militância e os que estão ao seu lado acreditar que a troca de advogados seria a solução para evitar a prisão. E que o STF anularia os desmandos de Curitiba e Porto Alegre.

    Em todo este período, o silêncio foi a arma adotada, buscando acordos nos andares de cima. Esse caminho vai levar a prisão de Lula. Silêncio só rompido por parte dos dirigentes petistas, que em coletiva, esbravejaram, desafiando a burguesia a atrever-se a prender Lula. “Nós não queremos uma revolução. Queremos um acordo nacional. Mas se prenderem o Lula, a democracia no Brasil, para nós, acabou”, dizia o presidente do PT-RJ, Whashington Qua-Quá. Mesmo subindo o tom, estão presos a uma estratégia, a de buscar acordos e negociar salvo-condutos com os golpistas.

    Esse caminho prepara a derrota. De nada adianta lutar contra a prisão somente após ela ter ocorrido. É preciso unir todos aqueles que estão em defesa das liberdades democráticas, em uma grande unidade de ação, para impedir a prisão de lula e avançar na luta contra Temer e a ocupação. Essa resistência virá das ruas, como mostrou o MTST em Janeiro, na passeata até a Paulista, e não em acordos com quem arranca nosso futuro. É preciso abandonar estas ilusões e que o PT e Lula usem o respeito e a confiança que têm de grande parte dos trabalhadores para convocar uma grande campanha, em defesa das liberdades democráticas e contra as reformas e a intervenção.

    Defender Lula e avançar na alternativa política, com o PSOL e o MTST
    Lutar nas ruas, com todas as forças, pelo direito de Lula ser candidato e por sua liberdade, não tem nada a ver com a defesa do lulismo, com a defesa do seu programa e estratégia e dos seus governos. Defendemos Lula e o PT, mas mantemos nossa independência política, pois temos outra estratégia para o País. Sabemos que o caminho da aliança e da conciliação de classes vai levar a novas derrotas, e não vai mudar de fato a vida dos trabalhadores.

    Precisamos de uma alternativa política com um programa que enfrente o capital e a desigualdade, sem medo de romper com a dívida pública, de revogar as reformas de Temer e enfrentar bancos e grandes empresas. Somente uma alternativa assim pode contagiar e entusiasmar os lutadores e lutadoras do País, e ainda dialogar com a enorme massa de trabalhadores que está sendo disputada e ganha para saídas radicais de direita, diante da crise social e da desilusão com o PT e com a política.

    Achamos que a aliança que está se gestando entre o PSOL, o MTST e outros movimentos sociais, através da pré-candidatura de Boulos e Guajajara, pode representar essa alternativa, que represente nas eleições e nas lutas, o caminho das ruas, e que nos permita resistir e sonhar, superando a armadilha da conciliação de classes.