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  • Manifestações na França: uma Jacquerie contra Macron?

    Jacquerie é o nome atribuído às revoltas camponesas que lutavam, desde a Idade Média, contra a nobreza francesa. Nesses últimos dias, uma França profunda, não mais camponesa, porém com forte componente rural, levantou-se contra o governo do presidente Emmanuel Macron e do primeiro ministro Edouard Philippe. Segundo alguns institutos, participaram mais de 300 mil pessoas em 2000 manifestações por todo o país, resultando em confrontos com a polícia que levaram a uma morte e centenas de feridos. As manifestações continuaram no domingo (18) com mais de 160 bloqueios e também nesta segunda-feira (19)[¹].

    Os manifestantes tem como reivindicação a redução dos aumentos sobre os combustíveis. De acordo com Renaud Honoré, as taxas sobre o diesel vão subir € 0,30/litro enquanto a da gasolina subirá € 0,16 durante o quinquenato de Macron (até 2022) – em 2018, subiram € 0,06 e € 0,04 e em 2019 subirá € 0,065 e €0,029 respectivamente [²].

    Este aumento é justificado, segundo Macron ou Philipp, pela necessidade de uma transição ecológica para energias renováveis. O grande problema é que querem jogar os custos dessa transição nos setores populares que dependem diretamente dos combustíveis, principalmente nas áreas rurais, enquanto aumentam e garantem o lucro das grandes empresas do setor.

    Três características desta jacquerie moderna são importantes. A manifestação foi convocada principalmente pela internet, assumindo uma característica que é própria dos movimentos sociais contemporâneos: a ausência de lideranças claras e a espontaneidade da revolta. Nem os grandes partidos, nem os sindicatos participaram como atores importantes no primeiro momento do levante. Apenas posteriormente que lideranças políticas e sindicais passaram a estar presente na revolta, tanto no espectro da direita (incluindo a extrema direita), quanto no da esquerda (incluindo a extrema esquerda).

    Uma segunda característica é a identificação “gilets jaunes” ou coletes amarelos. Os manifestantes se identificam com os coletes usados por autoridades para atuarem de forma segura sobre avenidas e rodovias do país.

    A terceira característica é justamente o método de ação: bloqueios de estrada, de pedágios e de grandes vias para impedir a circulação, incluindo o bloqueio das entradas de refinarias. Um método radicalizado e que tenta garantir a paralisação do país para atender as suas reivindicações que, dado o caráter espontâneo e não centralizado, são variadas, mas que tem como centro a revogação dos aumentos dos combustíveis.

    Um governo fraco e para os ricos

    Macron foi eleito com uma expectativa da burguesia nacional e internacional maior do que dos franceses. Sua eleição, apesar da novidade que representava, aconteceu principalmente por ser a única opção frente a extrema direita de Marine Le Pen. Do ponto de vista da burguesia, Macron está cumprindo fielmente sua agenda de austeridade neoliberal: baixa de impostos para os ricos, aumento das aposentadorias abaixo da inflação, congelamento de programas sociais, reforma trabalhista, etc. Todas essas medidas, por consequência, geraram um problema de fundo que afeta a maior parte dos trabalhadores e pequenos produtores franceses: a queda na renda e no poder aquisitivo.

    Por conta disso, os sindicatos e movimentos sociais realizaram diversas mobilizações na França durante os dezoito meses de governo Macron. Apesar de nenhuma delas ter sido capaz de derrotar a política neoliberal do presidente francês, é fato que estas manifestações foram a base para o novo levante que ocorre agora. Atualmente, somente 25% da população apoia o governo – um índice consideravelmente baixo[³]. É essa baixa popularidade, somada às medidas neoliberais, que são o fermento da nova Jacquerie.

    O problema da transição ecológica

    A justificativa de Macron para o aumento dos combustíveis parece plausível: financiar a transição ecológica para uma energia renovável. Contudo, o problema é: quem deve financiar? Para se ter uma ideia, 60% do preço do combustível comprado na bomba na França é composto por impostos e pago pelo consumidor, enquanto apenas 10% é cobrado diretamente da empresa. Nesse sentido, quem paga a transição ecológica são os consumidores e não as grandes empresas.

    Outro ponto necessário de discussão é sobre a questão dos transportes públicos. Para reduzir o consumo de combustíveis fósseis é necessário avançar no desenvolvimento de transporte coletivo. Porém, a última reforma ferroviária de Macron, aprovada em junho de 2018, prevê o fechamento de quase 9 mil km ferroviários por todo o país, principalmente para as áreas rurais. Uma medida que vai na contramão de qualquer transição ecológica.

    Por isso, as principais organizações de esquerda na França, como o Novo Partido Anticapitalista, o Partido Comunista Francês e o Partido de Esquerda, entre outras, assinaram um manifesto no dia 15 de novembro apresentando uma alternativa para a transição ecológica que ataque os lucros das grandes empresas e dos ricos. São eles que devem pagar pelos estragos que seus próprios interesses causam ao meio ambiente.

    É necessário que os partidos de esquerda, junto aos movimentos sociais como os sindicatos (que continuam sem ação) tomem mais iniciativas frente a revolta popular. No próximo sábado, 24/11, os coletes amarelos convocaram uma nova onda de manifestações, principalmente em Paris. É preciso se somar a mesma, exigindo a revogação dos aumentos do combustível, a recomposição da renda salarial e também uma alternativa política e ecológica para o país que priorize as energias renováveis com o transporte público amplo e de qualidade.

    NOTAS

    ¹ https://www.lesechos.fr/politique-societe/societe/0600171099762-gilets-jaunes-des-blocages-maintenus-ce-lundi-2222851.php

    ² https://www.lesechos.fr/economie-france/budget-fiscalite/0600151829637-les-taxes-sur-le-diesel-vont-grimper-de-30-centimes-sur-le-quinquennat-2222882.php#formulaire_enrichi::bouton_google_inscription_article

    ³ https://renovamidia.com.br/popularidade-de-macron-em-queda-livre-na-franca/

  • Crimes de ódio aumentam 17% sob o governo Trump

    Na terça-feira (13), o FBI divulgou dados que apontam o aumento de 17% sobre crimes racistas, antissemitas e homofóbicos denunciados em 2017, primeiro ano do mandato do presidente Donald Trump.

    De acordo com os números divulgados, os crimes classificados como “de ódio” subiram de 6.121 em 2016 para 7.175 no ano seguinte. São considerados para o FBI como crimes de ódio “ofensa criminal contra uma pessoa ou propriedade motivada, no todo ou em parte, por um preconceito contra uma raça, religião, deficiência, orientação sexual, etnia, gênero ou identidade de gênero”

    É o terceiro ano consecutivo em que esses números crescem, atingindo o maior patamar desde o ano de 2008. A maioria dos ataques foi motivada por questões raciais, um total de 4.131, principalmente contra a população negra, com 2.013 casos.

    Outro número preocupante foi o de crimes motivados por preconceitos religiosos, com 1.564 casos, tendo como maiores vítima os judeus (938) denúncias, seguidos de muçulmanos (273). Ainda tiveram 1.130 denúncias relacionadas com a orientação sexual das vítimas.

    Os números foram apresentados uma semana após um atentado contra uma sinagoga por um neonazista em Pittsburgh, nos Estados Unidos.

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    Eleição americana: vitória democrata na Câmara aprofunda divisão política nos EUA

     

  • Declarações de Bolsonaro sobre política externa provocam instabilidade e crise em setores da economia

    O capitão da reserva Jair Bolsonaro, em discurso após ser eleito presidente, reafirmou o que vinha sendo dito durante toda a campanha: que iria libertar o Brasil de relações internacionais “com viés ideológico”.

    A frase de Bolsonaro é referente às políticas internacionais e relações que o Brasil assumiu durante os anos de governo do PT, tendo um peso de liderança na América Latina e um importante papel nas relações “Sul-Sul”, com outras economias emergentes da África, Oriente Médio e Ásia.

    Com um discurso para o cenário internacional baseado em uma retórica simples e infantil, assim como por uma paranóia que alimenta um doentio anticomunismo, Bolsonaro e sua equipe geram crises e repúdio de diversos governos do mundo com suas afirmações.

    Da vizinha Argentina, governada pelo neoliberal Macri, passando pelo Egito, governado pelo cruel e autoritário regime de al-Sisi, chegando ao governo chinês, principal parceiro comercial brasileiro, diversos países se mostraram preocupados com os anúncios.

    MERCOSUL

    Paulo Guedes, o futuro ministro da Fazenda e homem de confiança de Bolsonaro, em resposta a uma jornalista argentina, afirmou que o “MERCOSUL não era prioridade”, e que as relações do bloco são “totalmente ideológicas”. Guedes parece acreditar que o bloco é uma criação do bolivarianismo, mostrando assim total desconhecimento da realidade.

    O MERCOSUL, criado durante o governo Collor, é formado por Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e a Venezuela (que se encontra suspensa do mesmo). Apesar do bloco ter perdido relativa importância nos últimos anos, tem um PIB de US$ 2,78 trilhões, o que o colocaria como a quinta maior economia do mundo.

    A relação do Brasil com o MERCOSUL é bastante vantajosa. No último ano exportou para os países do bloco US$ 22 bilhões, com um superávit comercial de significativos US$ 10,7 bilhões, o que representa mais de 15% de todo superávit comercial brasileiro.

    O MERCOSUL é um importante cliente das fábricas brasileiras. A Argentina, por exemplo, comprou o valor de US$ 4,7 bilhões em automóveis para passageiros, e outros US$ 1,8 bilhões em veículos de fábrica. O mercado argentino é de extrema importância para a indústria nacional. O país vizinho foi o terceiro colocado no ranking de destinos das nossas exportações em 2017.

    Negar a importância que o MERCOSUL ganhou para a economia brasileira é uma enorme infantilidade que terá graves consequências para o bolso da burguesia nacional, e também das multinacionais que produzem no Brasil e utilizam o país como plataforma de exportação. Para se ter uma ideia, em 2017 o Brasil exportou US$ 26,8 bilhões para os Estados Unidos, importando US$ 24,8 bilhões, o que torna nosso comércio bilateral superavitário em US$ 2 bilhões. Porém, nesta década a realidade foi o oposto, sendo deficitário na maioria dos anos.

    Transferência da embaixada brasileira para Tel Aviv

    Uma das medidas anunciadas por Bolsonaro que gerou mais polêmica foi a de transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém. Esse anúncio feito para agradar sua base evangélica fundamentalista, geraria um grande terremoto nas relações brasileiras com os países árabes.

    Sobre este tema é valido lembrar que a cidade de Jerusalém no plano de partilha inicial da Palestina, em 1947, estava caracterizada com um status especial, por conta de sua importância histórica para judeus, muçulmanos e cristãos. Porém, no ano seguinte o Estado sionista de Israel se apoderou de uma parte da cidade. Em 1967 passou a ocupar militarmente toda Jerusalém e passou a declarar a cidade como sua capital. A comunidade internacional não reconhece esta declaração, e a imensa maioria dos países mantém suas embaixadas na cidade de Tel Aviv.

    Das 88 embaixadas em Israel, só 2 ficam em Jerusalém: a dos Estados Unidos e da Guatemala. Agora, Bolsonaro na tentativa de imitar Trump e parecer como bom moço aos olhos do presidente norte-americano, cria um problema político com a região do Oriente Médio que é altamente importante para os negócios do país.

    O Brasil é hoje o maior exportador de carne halal do mundo, cuja produção atende normas específicas do islamismo. A Liga Árabe, após declaração do capitão, enviou nota à embaixada brasileira no Cairo condenando as posições do futuro presidente.

    Após o anuncio de Bolsonaro, o governo do Egito adiou uma visita ao Brasil e cancelou a visita que o chanceler brasileiro faria ao país. O Egito foi responsável pela compra de US$ 2,42 bilhões em produtos brasileiros em 2017, sendo nosso maior comprador de carne de toda a Liga Árabe.

    O Irã é outro importante aliado brasileiro que se mostra incomodado com a posição de Bolsonaro. O país persa comprou US$ 2,5 bilhões do Brasil em 2017, com negócios voltados ao agronegócio.

    A importância do mercado nos países árabes é inegável, enquanto por outro lado, as exportações para Israel em 2017 foram de míseros US$ 466 milhões. Caso mantenha a posição da mudança da embaixada para Jerusalém, muitos negócios brasileiros serão prejudicados e o PIB brasileiro será afetado negativamente.

    Bolsonaro até agora tem demonstrado ao mundo um Brasil subjugado as vontades internacionais dos Estados Unidos. Caso as movimentações do capitão do exército se confirmem, elas trarão instabilidade e prejuízos importantes para setores exportadores, além de sérios conflitos diplomáticos para o futuro governo.

     

  • Direita nacionalista reúne milhares na festa da independência da Polônia

    No domingo, dia 11, se comemorou o centenário da independência da Polônia. A data da independência tem tido nos últimos anos marchas de caráter ultranacionalista e com forte participação da direita populista.

    A marcha desse final de semana organizada por grupos de extrema-direita ocorreu após uma longa disputa judicial. Desde 2009 grupos ultranacionalistas como o Acampamento Radical organizam seus próprios atos, que a cada ano que passava se tornava mais popular. Porém, este ano a prefeitura da cidade da capital Varsóvia, governada pela Plataforma Cívica, partido de oposição da prefeita Hanna Gronkiewicz-Waltz, entrou na Justiça para proibir a marcha dos ultranacionalistas sob a alegação do discurso xenófobo e a violência de seus participantes.

    Diante disto, o governo do presidente Andrzej Duda e seu partido Lei e Justiça (PiS) resolveram unificar a marcha oficial que seria feito pelo governo com as dos grupos de extrema-direita. Governo e grupos ultranacionalistas, racistas e xenófobos marcharam lado a lado, o que gerou preocupação em grupos de oposição e forças democráticas na Europa.

    Duda e o primeiro ministro Mateusz Morawiecki encabeçaram a marcha que teve bandeiras da União Europeia queimadas e mensagens contra imigrantes. No ano passado o ato realizado pelos grupos de extrema-direita desencadeou uma resolução do Parlamento Europeu pedindo aos Estados membros da EU a atuarem contra a extrema-direita organizada e racista.

    A unidade do PiS com os grupos racistas e de extrema-direita representa uma importante guinada a direita do governo polonês com reflexos tanto na política de imigração, quanto na política de alianças regionais, com a possibilidade de aproximação maior do governo Duda com países governados pela direita populista, como a Hungria, de Viktor Orban. Fato que geraria abalos no projeto de integração europeia representado pela União Europeia.

    A marcha deste ano foi organizada sob o lema “Deus, honra e pátria”, slogan nitidamente de caráter ultranacionalista. O último discurso da manifestação foi feito por Roberto Fiori, líder do movimento neofascista italiano, Forza Nuova. Na marcha símbolos, como a cruz celta, e faixas neofascistas exaltando o supremacismo branco eram visíveis.

    Após o termino da marcha, a promotoria pública do país abriu um inquérito para investigação da manifestação por “disseminação de ideologias proibidas” e “linguajar racista e xenófobo”. No país a exaltação do nazismo e seus símbolos são proibidos por lei. O presidente Andrzej Duda criticou a presença de símbolos racistas e de extrema-direita, mas afirmou que estes são minoritários. Duda parece fazer vista grossa ao crescimento da extrema-direita no país, tolerando e, de certa forma, até mesmo protegendo e incentivando o movimento.

    O governo PiS que chegou ao poder da Polônia em dezembro de 2015 tem em seu programa um forte discurso contra a imigração e contra os políticos tradicionais poloneses e da União Europeia que Duda define como “elite sociais”. Um detalhe é que a Polônia é um país praticamente sem imigrantes.

    Depois de quase três anos no poder do país, sexta maior economia da EU, o PiS tem girado cada vez mais a direita e reforçado seu discurso ultraconservador, xenófobo e nacionalista. O PiS tem efetuado diversas reformas na legislação e, em especial, na Justiça do país que teve 30 juízes do Supremo contrários ao conservadorismo do PiS aposentados compulsoriamente.

    O governo polonês em sua guinada conservadora também retirou do currículo escolar qualquer discussão que era tratada sobre gênero e educação sexual, assim como pôs fim ao financiamento de reprodução assistida para casais que não eram casados, e para mulheres solteiras, da mesma forma que implementou medidas para dificultar o acesso a pílulas do dia seguinte. O conselho estatal que era responsável por combater o racismo foi extinto durante o governo PiS.

    A ideologia de extrema-direita cada vez se torna mais fortalecida na Polônia, deixando de ser um aspecto marginal da política, para se tornar uma das principais correntes atuantes no país, tendo respaldo e apoio do governo. Essa guinada cada vez mais a direita do já conservador e xenófobo PiS merece ser visto com atenção e cuidado.

     

  • Israel realiza maior escalada bélica contra a Faixa de Gaza desde 2014

    Uma nova ação militar iniciada no domingo passado (11) pelo Estado de Israel na Faixa de Gaza havia deixado um saldo de 15 palestinos assassinados, dezenas de feridos e destruição de prédios e ruas. A nova escalada de violência começou quando uma “força especial” do Estado sionista entrou no território de Gaza para realizar uma “operação”, e acabou interceptada por uma brigada armada do Hamas. O confronto acabou com 11 militares palestinos mortos e uma vítima do lado israelense. Caças F-16 entraram no conflito bombardeando Gaza para garantir a retirada das forças especiais do território palestino.

    O Estado de Israel teve que admitir que realizava uma operação secreta em território palestino. Em resposta a agressão militar israelense foram disparados pelo Hamas cerca de 400 projéteis, entre granadas e foguetes Qasam da Faixa rumo ao território vizinho. O governo de Israel começou, então, com novas represálias contra o povo palestino, naquela que já é considerada a maior escalada bélica do conflito desde 2014. No mínimo 150 locais do território palestinos foram bombardeados por helicópteros Apache e pelos caças F-16.

    Esta nova ação militar israelense sobre o território palestino tem o sentido de avançar na ocupação e controle que o Estado Sionista exerce sobre Gaza. O primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que se encontrava em Paris no início do novo conflito, declarou na capital francesa que: “não há uma solução política para Gaza, assim como não há para quem quer destruir Israel, como o Irã e o Estado Islâmico”.

    Guinada à direita e escalada bélica

    Tanto as ações quanto as declarações de Netanyahu expressam a guinada cada vez mais à direita do governo israelense marcada pela aprovação da recente lei que define Israel como um “Estado exclusivamente judeu”[1].

    As ações militares israelenses tem sido e serão cada vez mais constantes, assim como a represália à manifestações, ações e grupos de resistências palestinos.  O governo israelense busca por meio da força e de bombardeios pôr fim a 70 anos de heroica resistência palestina contra a ocupação militar sionista. Somente este ano mais de 200 palestinos foram assassinados por forças repressoras israelenses, ao mesmo tempo em que Israel avança cada vez mais no roubo de terras palestinas e na construção de novos assentamentos.

    Solidariedade à luta do povo palestino

    É preciso repudiar os bombardeios israelenses, assim como as ações militares e os novos crimes cometidos pelo Estado de Israel. É preciso a mais ampla solidariedade internacional aos palestinos e intensificação de campanhas como a do BDS.

    Todo apoio a luta e resistência do povo palestino! Por uma Palestina Livre, soberana, laica, independente e não racista!

    Leia mais:

    [1] https://esquerdaonline.com.br/2018/07/24/israel-aprova-lei-que-define-o-pais-como-estado-exclusivamente-judeu-e-aumenta-repressao-sobre-palestinos/

  • As consequências da mudança da embaixada brasileira para Jerusalém

    Desde o período eleitoral o presidente eleito, Jair Bolsonaro, acena com a possibilidade de mudar a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. Essa mudança tem um viés estritamente ideológico, pois não visa avanços práticos no comércio ou nas relações exteriores e se baseia na aliança com um setor evangélico que foi parcela importante na eleição do presidente, assim como pelo alinhamento que se procura ter com o presidente dos Estados Unidos Donald Trump.

    Primeiramente vale ressaltar que a cidade de Jerusalém é sagrada para as três maiores religiões monoteístas do mundo (Cristianismo, Judaísmo e Islamismo) sendo também um espaço de disputa entre israelenses e palestinos, desde a criação do Estado de Israel em 1948 que a cidade passa por uma disputa. A Assembleia da ONU de 1947 definiu que Jerusalém permaneceria como cidade de status internacional e que não pertenceria a nenhum dos dois países, no entanto hoje toda a cidade está sob o domínio israelense. Essa disputa permanece e a maioria dos países da comunidade internacional busca manter a neutralidade, optando por manter suas embaixadas em Tel Aviv, e com o reconhecimento da Palestina como um estado livre e soberano. O Brasil também reconhece a Palestina.

    Além do significado político, de se aliar ao estado de Israel, que massacra o povo palestino, mudar a embaixada para Jerusalém significa uma provável ruptura das relações com os países da Liga Árabe, organização composta por 22 países e que tem uma relação de comércio relevante para a economia nacional. A Liga é a segunda maior compradora de proteína animal do Brasil com exportações que geraram em 2017 13,5 bilhões de dólares para o Brasil e um superávit nesse mesmo ano de 7 bilhões de dólares. Como medida de comparação as exportações para Israel foram 400 milhões de dólares.

    Perder esse mercado é fechar uma porta do agronegócio brasileiro, essencialmente para a carne halal que é produzida especificamente para os países árabes e passam por um rigoroso processo perante as autoridades islâmicas para cumprir os requisitos religiosos. Hoje o Brasil é o maior produtor de carne halal do mundo, que conta com um mercado consumidor de 1,8 bilhão de pessoas.

    Apenas Estados Unidos e Guatemala tem suas embaixadas em Jerusalém. No caso norte-americano, a decisão de Donald Trump de transferir a embaixada visa atender os desejos de uma parcela do seu eleitorado que vê em Jerusalém o fim dos tempos. O dispensacionalismo é uma interpretação teológica que coloca a cidade de Jerusalém na posse dos Israelitas como sendo uma condição para a segunda vinda do Messias. Essa ala do protestantismo nos EUA tem uma enorme força entre os republicanos e os grandes empresários que garantiram a eleição do atual presidente. Já a Guatemala seguiu os passos dos EUA com quem tem a maioria do seu comércio e não possui uma relevância no comércio internacional.

    Essa decisão ainda não está efetivada assim como não foi anunciado o nome do ministro de Relações Exteriores. Uma medida dessa magnitude já tem reflexos, o mais recente foi o cancelamento da visita do Chanceler brasileiro ao Egito, que aconteceria no dia 08/11 e já mostra que os países enxergam com maus olhos a decisão.

    A política internacional do próximo governo é ainda nebulosa, mas pelas declarações do futuro ministro da Economia que falou que “O MERCOSUL não é uma prioridade” fica nítido uma tentativa de realinhar o Brasil com os EUA, no entanto desde os anos 90 o comércio internacional passou por profundas modificações e hoje a China é o maior parceiro do Brasil e aumenta sua influência significativamente na América do Sul.

    O último ano foi marcado por uma guerra comercial forte entre EUA e China que nesse contexto o Brasil goza de uma posição confortável por conta da sua neutralidade que permite a manutenção das relações com os dois lados e o recebimento de investimento das duas potências. Abrir mão dessa posição vantajosa num momento de crise econômica pode custar muito caro para o próximo governo.

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  • Eleição americana: vitória democrata na Câmara aprofunda divisão política nos EUA

     

    No dia 6, os americanos foram às urnas para eleger 435 deputados (as), 35 senadores (as) e novos governadores (as) em 36 estados. Enquanto escrevíamos esta matéria, a apuração ainda estava em andamento, mas os principais resultados já estão consolidados: os democratas retomaram a maioria na Câmara, depois de oito anos como minoria, e os republicanos mantiveram a sua maioria no Senado.

    O Partido Democrata garantiu até agora, 222 vagas na Câmara (aumentou 27 cadeiras), enquanto o Partido Republicano elegeu 196 deputados (as). Ainda há 17 cadeiras indefinidas, em estados onde a apuração não terminou. No Senado, os republicanos mantiveram 51 senadores (as), e os democratas 46. Três vagas ainda estão sendo apuradas. Para os governos estaduais, os republicanos terão 25 governadores e os democratas 23. Três estados ainda não divulgaram os resultados.

    Logo após conhecer os resultados, Trump twitou: “Foi um tremendo sucesso esta noite. Obrigado a todos!

    Mas qual foi o tamanho deste sucesso? Na verdade, tanto democratas como republicanos tiveram vitórias relativas nestas eleições. Os democratas, ao conseguirem maioria na Câmara, podem trazer grandes problemas ao governo Trump, como barrar a liberação de fundos para a construção do muro na fronteira com o México, rejeitar os cortes fiscais e impedir a aplicação de mudanças nas políticas comerciais, como desejava Trump. A maioria democrata pode investigar as declarações fiscais de Trump (que ele se recusa a apresentar), possíveis conflitos de interesse empresariais e alegações envolvendo a campanha do presidente em 2016 e a Rússia. Além disso, o Partido Democrata venceu em sete estados onde Trump ganhou em 2016, e que eram governados pelos republicanos: Novo México, Illinois, Kansas, Nevada, Maine, Michigan e Wisconsin. O Partido Republicano, por sua vez, não venceu em nenhum estado governado por um democrata.

    O controle do Senado garante a Trump a possibilidade de continuar confirmando juízes e outros nomeados. O Senado pode garantir ao governo Trump, o bloqueio de qualquer lei que os democratas possam propor e aprovar na Câmara, e que não agrade a Presidência, evitando que Trump tenha que impor seu poder de veto. Mas, a principal vantagem da maioria dos republicanos no Senado é política. Em sua campanha pela reeleição em 2020, que certamente se dará e que já começou, Trump terá o trunfo político de culpar os democratas pelos problemas que venha a ter no governo, acusando-os de que não pode fazer mais por conta da maioria democrata na Câmara, que não lhe permitiu governar.

    A “onda rosa” se confirmou: um voto contra a misoginia e o racismo de Trump

    A mídia americana vem chamando o avanço da representação feminina nestas eleições de “onda rosa”. No entanto, este aumento da participação das mulheres vem crescendo há pelo menos seis anos. Em 2012, havia 298 mulheres candidatas a Câmara e ao Senado. Em 2016, foram 312 candidatas. Este ano, chegou ao recorde de 529 candidatas. Isto representa um aumento de 77% no número de candidatas em relação a 2012. Depois das primárias, as convenções partidárias que indicam os candidatos (as) de cada Partido, 271 mulheres se tornaram candidatas: 24 como senadoras e 247 como deputadas, segundo dados do Centro Americano para Mulheres e Política da Universidade Rutgers.

    Além do Legislativo, 61 mulheres se candidataram nas primárias ao cargo de governador. Destas, 18 foram indicadas por seus partidos: 13 democratas e 5 republicanas.

    A maior parte das mulheres que se candidatou é democrata: 210 daquelas que seguem na corrida para serem eleitas: 194 para a Câmara e 16 para o Senado. O Partido Republicano tem apenas 61 do total de 271 candidatas concorrendo: 53 para a Câmara e 8 para o Senado.

    Para alguns analistas, o aumento da participação feminina nestas eleições está relacionada com uma reação ao presidente Donald Trump. Não esqueçamos que foram as mulheres que protagonizaram a primeira e a maior manifestação contra Trump, no dia seguinte a sua posse. Desde então a insatisfação das mulheres contra Trump só aumentou. No entanto, outros fatores também influenciaram o aumento das mulheres na política. O movimento #MeToo é um destes fatores, ao denunciar a violência sexual cotidiana que as mulheres americanas sofrem no trabalho, na escola ou em casa. Na verdade, as mulheres americanas, como em todo mundo, estão se organizando e lutando contra as condições de trabalho e salários inferiores aos dos homens, a violência e o assédio sexual, entre tantas outras formas de opressão que sofremos cotidianamente.

    É provável que mais de 100 mulheres sejam eleitas. Elas irão representar a diversidade e a luta contra o racismo, o machismo e a lgbtfobia. Há 84 mulheres negras concorrendo ao Congresso este ano – um aumento de 42% em relação a dois anos atrás. Uma pesquisa do Times revelou que 58% dos candidatos ao Congresso eram homens brancos, a porcentagem mais baixa das últimas quatro eleições.

    A maioria das eleitas pertence ao Partido Democrata. Em Massachusetts, Ayanna Pressley se tornou a primeira mulher negra eleita para o Congresso, de seu estado. Rashida Tlaib em Michigan e Ilhan Omar em Minnesota serão as primeiras mulheres muçulmanas no Congresso. Sharice Davids no Kansas e Deb Haaland no Novo México são as primeiras mulheres indígenas eleitas para o Congresso. No Tennessee, Marsha Blackburn, uma republicana, tornou-se a primeira mulher do estado eleita para o Senado. A democrata e socialista Alexandria Ocasio-Cortez, de Nova York, se tornou a mulher mais jovem a ser eleita para a Câmara, aos 29 anos. Além das mulheres, Jared Polis, do Partido Democrata, se tornou o primeiro governador abertamente gay dos EUA a vencer a disputa no Colorado.

    Mas, se houve avanços importantes nestas eleições, muito ainda precisa ser feito. Hoje, as mulheres representam 20% do Congresso: há 23 mulheres no Senado (23%) e 84 na Câmara (19,3%). De um total de 535 membros, apenas 107 são mulheres (78 democratas e 29 republicanas).

    Segundo a UIP, a União Interparlamentar, os EUA, que se autoproclamam a maior democracia do mundo, estão em 102º lugar entre 193 países, no que diz respeito à representação das mulheres na política nacional. A sub-representação das mulheres não está só no Legislativo. Cinco dos 50 estados americanos não têm qualquer representante feminina em suas assembleias. Há ainda muito que fazer. Mas, cada avanço no terreno da luta contra as opressões é importante e tem que se garantido nas urnas e nas lutas para que não retrocedam.

    O interesse pelo socialismo e o crescimento do DSA

    Tratados como fenômeno político nos EUA, desde que Trump chegou ao governo, o Democrat Socialist of America – DSA – entre 2015 e 2018 passou de 5 mil membros para 52 mil! E isto foi conseguido se apresentando como socialistas, talvez a ideia mais temida pelo cidadão médio americano, depois do diabo.

    O DSA foi criado na década de 1980 a partir da fusão de dois grupos de esquerda: o Comitê Organizador do Socialismo Democrático (que era o herdeiro do extinto Partido Socialista dos Estados Unidos) e o Novo Movimento Americano (uma aliança de intelectuais progressistas com ligações com os partidos de esquerda). Em seu interior convivem aqueles que defendem um estado liberal de bem estar social e os que querem grandes transformações na sociedade americana e o fim do capitalismo.

    Mesmo se reivindicando como socialistas democráticos, a maioria do DSA não defende um Estado socialista ou o fim da propriedade privada. Eles representam a ala mais a esquerda do Partido Democrata e propõem medidas que regulem a economia americana de maneira democrática (um capitalismo com rosto humano), onde as grandes empresas deveriam defender os interesses da população. Lutam pelo aumento real do salário mínimo e pela melhoria da igualdade social, onde a saúde e a educação seriam públicas e gratuitas. Estas inclusive foram as principais bandeiras defendidas pelos candidatos (as) do DSA nas eleições americanas deste ano.

    Nas eleições do dia 6, o DSA concorreu usando a legenda do Partido Democrata com 64 candidatos (as): 5 tentaram uma vaga no Congresso Nacional, 1 disputou uma vaga de governador e 25 concorreram a vagas nas assembleias estaduais. Ainda não temos um balanço dos números de votos conseguidos pelos candidatos do DSA ou quantos foram eleitos, mas Alexandria Ocasio-Cortez, foi eleita para a Câmara, por Nova York, depois de derrotar Joe Crowly, nas primárias democratas, que era parlamentar desde 1999. Alexandria não aceitou contribuições de empresas, e sua campanha foi feita a partir de sua militância social junto aos imigrantes.

    O crescimento do DSA se explica pela mudança que vem ocorrendo na opinião pública americana a respeito do socialismo, e que teve como expressão máxima a candidatura de Bernie Sanders, que sempre se apresentou como um socialista democrático, nas primárias do Partido Democrata, concorrendo com Hilary Clinton à indicação dos democratas para a presidência. Aliás, Sanders se reelegeu para seu terceiro mandato como senador com folga.

    Segundo uma pesquisa do Instituto Gallup, 37% dos americanos têm uma imagem positiva do socialismo, enquanto 56% preferem o capitalismo. Quando se avalia a opinião sobre o socialismo e o capitalismo nas diversas faixas etárias, as opiniões mudam. 51% dos mais jovens tem uma visão favorável ao socialismo, enquanto entre os que têm mais de 65 anos, apenas 28% reivindicam o socialismo.

    A pesquisa não qualifica o que os entrevistados entendem por socialismo, isto é, se fazem de fato uma distinção entre reforma e revolução. Mas, é muito progressivo que uma parcela da população americana, e particularmente sua juventude, veja no socialismo uma saída para a crise causada pelo capitalismo.

    Imagem positiva das ideologias nos Estados Unidos (em porcentagem de acordo com grupos etários)
    Visão positiva do capitalismoVisão positiva do socialismo
    Dos 18 aos 29 anos45%51%
    Dos 30 aos 49 anos58%41%
    Dos 50 aos 64 anos60%30%
    Mais de 65 anos60%28%
    Dados de 2018 (Fonte: Gallup/BBC)

    Em entrevista a BBC, Daniel Schlozman, professor de ciência política da Universidade John Hopkins, afirmou que: “Esta geração [os jovens] teve que passar por uma recessão muito severa causada por especulação, empréstimos bancários arriscados e falta de regulamentação, o que causou um enorme crescimento das dívidas com educação universitária; e que a fez ver que seu padrão de vida não será automaticamente melhor do que o de seus pais; Portanto, havia uma abertura para algo que não é o capitalismo, já que este, em muitos casos, não os ajudou.

    Podemos dizer que há um desencanto com o capitalismo e tudo que “que está aí”, em grande parte da juventude americana. Este sentimento fez com que fenômenos como Sanders e o DSA capitalizassem esta insatisfação, levando mais jovens e mulheres a participarem da política e do processo eleitoral (houve um aumento de 36% no número de votantes nestas eleições).

    O resultado eleitoral não chegou ser um “referendo” contra o governo Trump, como desejava a oposição democrata. Mas, a divisão do Congresso entre democratas e republicanos com certeza trará muito mais dificuldades para os projetos de Trump e sua jornada até as eleições presidenciais de 2020.

  • Trump anuncia nova medida contra os direitos dos imigrantes

    O presidente norte-americano Donald Trump, em entrevista ao site Axios, fez declarações prometendo novas medidas em sua luta contra os imigrantes. “Somos o único país do mundo onde uma pessoa vem e tem um bebê, e esse bebê é essencialmente um cidadão dos Estados Unidos durante 85 anos, com todos os benefícios. É ridículo. É ridículo. E tem que acabar”, disse o presidente.

    Vale ressaltar que a afirmação de que os Estados Unidos são o único país a conceder este direito aos imigrantes é mais uma declaração falsa do governante norte-americano. Ao longo do globo mais de 30 países reconhecem cidadania para filhos de imigrantes, entre eles o Brasil.

    Trump pretende eliminar por meio de ordem executiva o direito das crianças nascidas nos Estados Unidos e filhas de pais estrangeiros adquirirem a cidadania norte-americana. A Constituição dos Estados Unidos reconhece há 150 anos o direito de cidadania que Trump quer suprimir por meio de uma canetada.

    O anúncio de Trump gerou um grande debate constitucional acerca da legitimidade do ato. Muitos especialistas opinam que a ordem executiva que Trump quer utilizar para acabar com o direito dos imigrantes é inconstitucional. Para ter legitimidade a proposta de Trump teria que ser aprovada no Congresso, um caminho mais duro e difícil que possivelmente levaria a derrota da medida.

    Militares para reprimir imigrantes: a Operação Patriota Fiel

    A entrevista de Trump acontece um dia depois de o presidente informar que enviará mais de 5.000 soldados para a fronteira com o México para impedir a entrada da caravana de migrantes centro-americanos que atravessa o país vizinho em direção a fronteira para pedir asilo. O Pentágono anunciou na segunda-feira (29) que 5.200 soldados se somarão aos 2.092 membros da Guarda Nacional que já estavam mobilizados desde abril.

    A caravana que começou em Honduras conta com cerca de 7.000 migrantes de países da América Central e tem a meta de chegar nos Estados Unidos. Milhares de pessoas, mulheres, crianças e idosos caminham em velocidade assombrosa durante dias inteiros sob o calor do sol mexicano, às vezes durante a noite, para alcançar a fronteira. A fome, o medo e a repressão fazem parte do dia-a-dia destes imigrantes, que carregam seus poucos pertences, muitas vezes somente a roupa do corpo, e contam com o apoio da população solidária. Agora estes também têm que lidar com as ameaças do presidente norte-americano.

    Trump ameaçou cortar a ajuda externa aos países da América Central por não impedirem por meio da força a jornada dos imigrantes. O presidente afirmou que os migrantes eram invasores, fazendo ameaças bélicas para estes: “Há muitos membros de gangues e pessoas muito más misturadas na caravana que se dirige à nossa fronteira sul. Por favor, voltem, não serão admitidos nos Estados Unidos, a menos que sigam o processo legal”, escreveu ele no Twitter, que ainda completou: “Esta é uma invasão de nosso país e nosso Exército está esperando vocês!”.

    A atividade militar, batizada como Operação Patriota Fiel, tem como nítido propósito intimidar os imigrantes, que ainda estão longe das fronteiras, fazendo com que estes optem por se estabelecer no México. O governo deste país diz ter recebido cerca de 2.700 pedidos de refúgio.

    Os presidentes antecessores de Trump, o democrata Barack Obama e o republicano George W. Bush, chegaram a autorizar o deslocamento da Guarda Nacional para a fronteira. Em 2006, Bush, mandou cerca de 6.000 soldados após um pico de imigração. Obama, por sua vez, em 2010 enviou 1.200 para conter imigrantes que entravam ilegalmente.

    Porém, a ação de Trump surpreende pelo fato de que soldados convencionais do exército sejam colocados para supervisionar as fronteiras. O número indicado por Trump é tão alto que é o dobro dos dois mil militares norte-americanos que atuam na Síria no combate ao Estado Islâmico, e se assemelha ao contingente de militares que ainda atuam no Iraque.

    Nenhum ser humano é ilegal, migrar é um direito!

    Em todo mundo existem cerca de 60 milhões de pessoas obrigadas a imigrar para fugir de guerras, das fomes, catástrofes ambientais e perseguição política. O drama da crise de imigração global é um dos temas mais importantes do século XXI.

    Estes que nada tem precisam ser cobertos de solidariedade e apoio. É preciso demonstrar solidariedade internacional aos imigrantes. Toda e qualquer saída repressiva deve ser repudiada, assim como discursos xenófobos ou de ódio baseados em retórica eleitoral.

    Leia mais:
    https://esquerdaonline.com.br/2018/10/28/trump-declara-emergencia-nacional-e-prepara-exercito-contra-a-caravana-centro-americana-de-migrantes/

  • A extrema direita mundial parabeniza Jair Bolsonaro

    A vitória de Jair Bolsonaro foi celebrada com festa por políticos e líderes de partidos de extrema direita em todo o mundo. Pelo que há de pior na política mundial.

    Logo após as eleições, o ex-capitão do Exército recebeu um telefonema do presidente norte-americano Donald Trump. Em seguida, no Twitter, Trump anunciou que na conversa, os dois se comprometeram a trabalhar próximos em todos os setores, destacando o comércio e a área militar.

    Na Alemanha, também pelo twitter, a bancada do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD), reproduziu a mensagem de seu deputado Petr Bystron, na qual felicitava Bolsonaro pela vitória: “Como ocorre com a AfD, ele foi atacado de todos os lados, por ser um outsider que desafiou o sistema.” O deputado da AfD disse ainda que “A revolução conservadora chegou à América do Sul”.

    A AfD é o principal partido de oposição ao governo Merkel na Alemanha. O partido ficou conhecido por seu discurso xenófobo, anti-imigrantes e por destilar ódio contra a população muçulmana que vive no país. O deputado Bystron se envolveu em recentes confusões na Alemanha pela acusação de empregar em seu gabinete pessoas ligadas a movimentos neonazistas.

    Na França, Marine Le Pen, líder da Rassemblement National (Agrupamento ou Comício Nacional, a antiga Frente Nacional), disse em sua conta no twitter logo após o resultado: “os brasileiros acabaram de punir a corrupção generalizada e a criminalidade aterrorizante que prosperaram sob os governos de extrema esquerda”. Outro membro do partido, o tesoureiro Wallerand de Saint-Just criticou a cobertura da imprensa francesa as eleições brasileiras, afirmando que Bolsonaro é “atacado e tachado com adjetivos injustos”.

    Na Itália, o líder do Liga, partido de extrema direita, e também vice-premiê e ministro do Interior, Matteo Salvini, disse em sua conta no twitter que:  “os cidadãos mandaram para casa a esquerda”. “Bom trabalho ao presidente #Bolsonaro, a amizade entre nossos povos e nossos governos será ainda mais forte.” O deputado estadual por São Paulo, Eduardo Bolsonaro, filho do capitão, agradeceu o apoio de Salvini e também disse que “o presente está chegando”, em referência a extradição de Césare Battisti, ex-guerrilheiro condenado político na Itália que atuava durante o período conhecido no país como Anos de Chumbo.

    Bolsonaro já havia recebido apoio de membros da extrema direita mundial, como o de Steve Bannon, ex assessor de Donald Trump, líder e guru do movimento de extrema direita mundial, e conhecido por criação de imensas fake news. Bannon inclusive o convidou para participar de um encontro do seu Movimento, em janeiro, na Europa, com as demais lideranças da extrema direita.


    Declarações parecidas foram feitas pelo ex-líder da Ku Klux Klan, David Duke, em um programa de rádio. O rosto mais conhecido do grupo racista disse ao se referir a Bolsonaro: “Ele soa como nós. É um nacionalista”.

    A Klu Klux Klan (KKK) é um grupo terrorista de supremacistas brancos que atua nos Estados Unidos desde 1895, durante a Guerra Civil do país. O Klan que chegou a ter 4 milhões de membros da década de 1920, ficou conhecido por torturar, assassinar, enforcar e queimar ativistas do movimento negro e pessoas negras, assim como suas casas.

    O fato de Bolsonaro ter recebido apoios de figuras tão nefastas da extrema direita mundial deve ser visto com atenção. A vitória eleitoral do candidato do PSL não é um fato isolado. Em todo o mundo, candidatos de extrema-direita estão alcançando vitórias eleitorais ou resultados históricos. É preciso ver com atenção a atuação destes governos para assim nos prepararmos melhor para combater o novo governo. Na América Latina, a maioria dos chamados governos progressistas que se iniciaram no início do século XXI chegou ao fim.

    Se Bolsonaro anda ao lado de racistas declarados, neonazistas, racistas, terroristas de extrema-direita e de neofascistas, nós andaremos ao lado dos sem-teto, sem-terra, dos trabalhadores em luta por seus direitos. Estaremos, sem dúvida, em melhor companhia.

  • Trump declara emergência nacional e prepara exército contra a caravana Centro-Americana de migrantes

    A ONU estima que sete mil pessoas viajem na caravana rumo aos EUA. Os organizadores calculam que são dez mil pessoas. São milhares de mulheres, homens e crianças fugindo da fome, do desemprego e da violência da “maras”, das gangues que assombram a população na América Central.

    A marcha saiu de Honduras, no dia 13 de outubro, formada inicialmente por cerca de mil hondurenhos e terá que percorrer mais de 3 mil quilômetros até alcançar a fronteira do México com os EUA. Serão mais de 45 dias de caminhada.

    A violência é a regra geral da região que tem uma das maiores taxas de homicídio do mundo, segundo dados da ONU. Honduras lidera o ranking global, com 55,5 mortes para cada 100 mil habitantes em 2016 – o Brasil ocupa a sétima posição, com 31,3 para cada 100 mil.

    Cerca de 10% da população da Guatemala, El Salvador e Honduras já deixou seus países para fugir da criminalidade, o recrutamento forçado por gangues e as poucas oportunidades de trabalho.

    Embora as caravanas de imigrantes sejam um fenômeno recente, esta não foi à primeira marcha a sair de Honduras. Em abril deste ano, cerca de 200 pessoas conseguiram chegar na fronteira americana. Esta caravana foi organizada pelo grupo chamado Pueblo Sin Fronteiras (Povo Sem Fronteiras).

    Para os imigrantes – especialmente os idosos e mulheres com crianças pequenas – a caravana oferece mais segurança do que a migração solitária. Isto porque os migrantes são frequentemente sequestrados por traficantes de pessoas e drogas que os obrigam a trabalhar para eles. Atacar um grupo grande é mais difícil, e, portanto, a caravana oferece mais proteção.

    Trump ameaça com corte da ajuda econômica e uso das Forças Armadas

    As eleições de meio de mandato nos EUA serão em 6 de novembro e os republicanos correm o risco de perder sua maioria no Congresso. As ameaças de Trump contra os imigrantes centro-americanos é um recado a sua base de apoio a seu projeto anti-imigração: 15% dos americanos consideram a imigração o problema mais importante que o país precisa enfrentar. Até agora, as medidas de Trump nesta área ainda não tiveram os resultados que ele deseja, vide a desastrosa política de separar famílias na fronteira.

    Trump classificou a caravana de “emergência nacional” e sua primeira iniciativa foi ameaçar cortar a ajuda que os EUA dão aos governos de Honduras, El Salvador e Guatemala, caso não impeçam a passagem dos imigrantes por seus territórios. Estes três países são os mais pobres da América Central. Os EUA enviaram em 2017, mais de US$ 248 milhões para a Guatemala, US$ 175 milhões para Honduras e El Salvador, recebeu US$ 115 milhões, segundo a Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional. Um corte na ajuda que os EUA dão a esses países vai significar um aumento brutal da miséria e o agravamento das condições de vida das populações.

    Os governos dos três países não conseguem impedir suas populações de imigrar, mesmo usando a polícia ou guardas das fronteiras para tentar impedir a passagem da caravana. Mesmo porque, a alternativa de ficar nos seus países de origem, significa enfrentar os problemas diários de fome, desemprego e violência que essas pessoas querem abandonar, mesmo que tenham que se arriscar numa travessia incerta de milhares de quilômetros para “viver o sonho americano”.

    Na medida em que as ameaças de corte da ajuda econômica não estão impedindo a marcha dos imigrantes, Trump já afirmou que usará as Forças Armadas para impedir a entrada das pessoas quando chegarem a fronteira do México com os EUA. Hoje, a fronteira já é protegida por 2.100 membros da Guarda Nacional e segundo o Pentágono o contingente de militares que podem ser enviados à fronteira com o México pode ser de 800 a mil soldados.

    Rota da caravana rumo aos EUA. Fonte GettyImage

    Imigrar não é crime

    Em todo o mundo há cerca de 60 milhões de pessoas vivendo fora de seus países de origem, obrigados a imigrar para fugir das guerras, da fome, das catástrofes naturais ou de perseguições políticas.

    Na caravana de imigrantes centro-americanos, muitos já estão bastante cansados, e já retornaram aos seus países de origem. Outros pediram asilo ao México. O governo mexicano diz ter recebido cerca de 2.700 pedidos de refúgio. Mas, a grande maioria está enfrentando o cansaço, o calor, a fome e o medo para chegar a fronteira dos EUA.

    Pelo caminho de 800 quilômetros já percorridos desde Honduras, os caravaneiros encontram a solidariedade da população que oferece água, comida, remédios, carona. Mas a maioria segue a pé com os poucos pertences trazidos de seus países de origem. Em geral a roupa do corpo e o sonho de encontrar melhores condições de vida. Nas palavras de José Aníbal Mejía, de 27 anos e que viaja com a filha: “A nossa missão é chegar bem. Todos nós hondurenhos viemos para cá para viver o sonho americano.” (O Globo, 26/10/18).