Quatro notas sobre o IDH 2018

Por: André Freire, colunista do Esquerda Online

Na véspera das eleições, relatório da ONU sobre o índice de Desenvolvimento Humano (IDH) aponta que o Brasil vive queda da renda da população; profunda desigualdade social; e crescimento do desemprego, principalmente entre os mais jovens

Na última sexta-feira, 14 de setembro, as Organizações das Nações Unidas (ONU) divulgou o índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do ano de 2018. O IDH produz um ranking de países, através do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), construído a partir de três variantes fundamentais: a saúde, a educação e a renda.

Embora o IDH não seja um critério unânime para discutir a qualidade de vida da população, ele não deixa de ser uma referência importante para esta discussão.

Depois de melhorar seis posições neste ranking, entre os anos de 2012 e 2014, nos últimos três anos, o Brasil segue estagnado na 79ª colocação. Na última pesquisa, os dados sobre Brasil são relativos ao ano de 2017.

Entre tantas questões que se pode discutir a partir do anuncio do IDH 2018, é importante destacar:

1 – O Brasil é o país mais desigual do mundo, fora do continente africano

Caso o nível de desigualdade social fosse incluído como critério de definição do IDH, o Brasil perderia nada mais nada menos que 17 posições no ranking.

Esse resultado vergonhoso se deve ao fato lastimável do Brasil ser o nono país mais desigual do mundo, segundo o coeficiente Gini.

Nosso país só fica atrás de oito países africanos: África do Sul, Namíbia, Botsuana, Zâmbia, República Centro-Africana, Lesoto, Moçambique e Suatini.

Ou seja, olhando de forma mais atenta, a situação é ainda pior. Pois, fora do continente africano, o Brasil ocupa a primeira posição em matéria de desigualdade social. Uma vergonha.

A desigualdade atinge, em cheio, as mulheres brasileiras. Segundo os dados, elas ganham salários equivalentes a apenas 43% dos salários dos homens.

2 – A juventude brasileira sofre com o maior desemprego entre os países latino-americanos

Chama atenção também o forte crescimento do desemprego no Brasil. Os dados oficiais do IBGE já apontam para mais de 13 milhões de desempregados.

Soma-se a este drama, segundo o PNUD, o Brasil possui o maior índice de desemprego entre a população mais jovem: 30,5%. No Brasil, na faixa de jovens de até 24 anos, 24,8% destes não trabalham e não estudam. No Uruguai, esse índice é de 18,7% e na Argentina, 19,7%.

3 – Nosso país fica atrás da Venezuela

Apesar de sofrer um boicote econômico de países como os EUA e conviver com uma grave crise social, devido ao fracasso da politica econômica dos sucessivos governos chavistas, esse importante país latino-americano ainda fica uma colocação na frente do Brasil no IDH.

Esse fato chama ainda mais atenção, devido aos recentes acontecimentos na Região Norte do Brasil, que vem recebendo um grande número de refugiados venezuelanos.

Apesar de toda essa situação difícil, a Venezuela ainda consegue ganhar do Brasil. Isso acontece, principalmente, devido a terrível situação nos serviços públicos brasileiros, especialmente na saúde e educação, e na queda da renda dos brasileiros. A renda per capita no Brasil caiu 4% nos últimos dois anos.

4 – É urgente um programa que enfrente os privilégios

Toda esta situação reforça uma questão: enfrentar a brutal desigualdade social brasileira precisa ser um dos eixos prioritários de qualquer programa de transformação de nosso país.

As políticas sociais compensatórias aplicadas pelos governos do PT tiveram sua importância, mas se revelaram insuficientes e efêmeras. A mudança precisa ser mais estrutural. Não podemos repetir os limites programáticos dos governos petistas de conciliação com as grandes empresas e bancos.

Por isso, precisamos mudar radicalmente a política econômica. Encarar o desafio é de realizar uma profunda reforma tributária, que sobretaxe as grandes fortunas e os lucros exorbitantes das grandes empresas e bancos.

Além de realizar uma auditoria da dívida pública, para interromper a verdadeira sangria de recursos públicos, através da cobrança de juros e amortizações, que chega consumir todo ano quase metade do Orçamento da União. Essas medidas são necessárias para que o Estado brasileiro tenha recursos para ampliar qualitativamente os investimentos sociais e combater na prática a desigualdade social.

Estas propostas estão inseridas na plataforma programática da candidatura presidencial de Guilherme Boulos e Sônia Guajajara. Mais um bom motivo para votar 50 para presidente da República, no dia 7 de outubro. Seu voto vai fortalecer a luta por um país mais justo. Vamos, sem medo de mudar o Brasil.

FOTO: Fernando Frazão / Agência Brasil / Arquivo

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