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  • Reforma da Previdência: “Se colocar para votar, o Brasil vai parar”, aponta reunião das Centrais Sindicais

    Dirigentes orientam que os trabalhadores permaneçam mobilizados em assembleias, panfletagens e pressionando os deputados contra a proposta do governo Temer

    Por Gisele Peres, da Redação

    A continuidade da luta contra a Reforma da Previdência e a possibilidade de um calendário unificado foi a pauta da reunião entre todas as centrais sindicais do país que aconteceu na manhã desta sexta-feira (8), na sede da CUT, em São Paulo.

    Os dirigentes optaram por não definir uma data de paralisação, e indicaram que os trabalhadores fiquem em “estado de greve”, preparados para paralisar o país, caso a proposta entre em votação no Congresso.

    Entre as principais iniciativas está uma plenária do setor dos transportes na sede do Sindicato dos Condutores de São Paulo na próxima segunda-feira (11). Foi consensual entre os presentes, que a mobilização desse setor é determinante para que uma futura Greve Nacional seja vitoriosa.

    Os dirigentes agendaram uma nova reunião para o dia 14, às 10h, também na sede da CUT.

    CENTRAIS SINDICAIS | Reforma da Previdência: "Se botar pra votar, o Brasil vai parar!"Confira o informe do companheiro Gibran Jordão, da Coordenação Nacional da Fasubra Sindical, sobre os encaminhamentos da reunião que aconteceu na manhã desta sexta-feira (8), na sede da CUT, em São Paulo.

    Publicado por Gibran Jordão em Sexta, 8 de dezembro de 2017

    Centrais Sindicais: Se colocar para votar, o Brasil vai parar

    As centrais sindicais repudiam e denunciam como mentirosa e contrária aos interesses do povo brasileiro a campanha que o governo Michel Temer vem promovendo para aprovar a contrarreforma da Previdência.

    A Proposta enviada pelo Palácio do Planalto ao Congresso Nacional não tem o objetivo de combater privilégios, como sugere a propaganda oficial. Vai retirar direitos, dificultar o acesso e achatar o valor das aposentadorias e pensões dos trabalhadores e trabalhadoras de todo o Brasil, bem como abrir caminho para a privatização do sistema previdenciário, o que contempla interesses alheios aos do nosso povo e atende sobretudo aos banqueiros.

    Quem de fato goza de privilégios neste País são os banqueiros e os grandes capitalistas, que devem mais de 1 trilhão de reais ao INSS, não pagam e, pior, não são punidos.

    Os atuais ocupantes do Palácio do Planalto servem a essas classes dominantes. Tanto isto é verdade que o governo já havia desistido de aprovar a sua contrarreforma neste ano. Voltou atrás por pressão do chamado “mercado”, ou seja, do empresariado e seus porta-vozes na mídia.

    A fixação da idade mínima para aposentadoria aos 65 anos para homens e 62 anos para mulheres, assim como outras alterações nas regras da Previdência pública, vai prejudicar milhões de trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade.

    A contrarreforma do governo é inaceitável para a classe trabalhadora e as centrais sindicais e tem custado caro aos cofres públicos. Por isto é rejeitada pela maioria dos brasileiros e brasileiras.

    É falsa a ideia de que existe déficit da Previdência. Para melhorar as contas públicas é preciso cobrar mais impostos dos ricos, fazer com que os empresários paguem o que devem à Previdência, taxar as grandes fortunas, os dividendos e as remessas de lucros ao exterior.

    A centrais reafirmam a posição unitária da classe trabalhadora e de todo movimento sindical contra a proposta do governo e convocam os sindicatos e o povo à mobilização total para derrotá-la.

    Calendário de Luta e Mobilização

    JORNADA DE LUTAS CONTRA O DESMONTE DA PREVIDÊNCIA SOCIAL E EM DEFESA DOS DIREITOS

    ● Plenária do setor dos transportes segunda feira 11/12 às 15h na sede do sindicato dos condutores de São Paulo para organizar a paralisação quando/se for votada a reforma;

    ● Pressão sobre os deputados em atividades públicas, aeroportos e no congresso nacional;

    ● Realização de plenárias, assembléia e reuniões com sindicatos para construir o calendário de luta;

    ● Dia Nacional de Luta 13/12 contra a reforma da previdência;

    ● Próxima reunião das centrais dia 14/12;

    ● Elaborar panfleto e organizar panfletagem esclarecer sobre os riscos da reforma da previdência e disputar a narrativa com a grande imprensa;

    ● Fazer campanha nas redes sociais contra a reforma da previdência;

    ● Contruir mobilizações e atos com o movimento social em conjunto com as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

    Adilson Araujo, presidente da CTB – Central dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Brasil

    Antonio Neto, presidente da CSB – Central dos Sindicatos Brasileiros

    Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical

    José Calixto Ramos, presidente da NCST – Nova Central Sindical de Trabalhadores

    Ricardo Patah, presidente da UGT – União Geral dos Trabalhadores

    Vagner Freitas, presidente da CUT – Central Única dos Trabalhares

    Carlos Prates, CSP Conlutas – Central Sindical e Popular

    Edson Carneiro Indio, Intersindical – Central da Classe Trabalhadora

    Ubiraci Dantas de Oliveira, presidente da CGTB – Central Geral dos Trabalhadores do Br

    Nilton Paixão, presidente da Pública Central dos Servidores

    SE COLOCAR PRA VOTAR, O BRASIL VAI PARAR!

  • Centrais sindicais voltam a se reunir nesta sexta para discutir ações para barrar Reforma da Previdência

    Por: Carolina Burgos, da Redação

    Centrais sindicais se reúnem novamente, nesta sexta-feira (8), para discutir ações comuns para barrar a Reforma da Previdência. A reunião será na sede da CUT, em São Paulo, às 10h, e foi convocada com o nome “Se botar para votar, o Brasil vai parar!”. Apesar de ainda não haver data definida, governo e aliados no Congresso Nacional trabalham para colocar o projeto em votação ainda este ano.

    A convocação do encontro entre as centrais acontece no momento em que o governo aproveita para se reorganizar sobre a pauta. A data para o tema ir ao Plenário da Câmara ainda não está definida. De acordo com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o dia da votação só será anunciado quando ele estiver certo dos 308 votos favoráveis. Para isso, corre contra o tempo. Nesta quarta-feira (6), o PMDB anunciou fechar a questão. Com isso, os parlamentares são centralizados a serem favoráveis ao tema. O partido divulgou que os que não votarem de acordo com a orientação serão punidos. Outro partido a fechar a questão foi o PTB.

    Já o PSDB afirma que nem todos os deputados estão convencidos do voto favorável. O receio dos políticos é sobre como a votação da Reforma da Previdência, amplamente rechaçada pelos brasileiros, não poderia impactar nas eleições de 2018. E é com essa contradição e a pressão das ruas que contam os movimentos sociais.
    Entidades como a Fasubra, que reúne trabalhadores técnico-administrativos em Educação em greve há 26 dias, lançaram uma carta aberta às centrais para que convoquem uma nova data de greve nacional. “Fazemos um chamado a todas as entidades sindicais do país, a também exigirem que as centrais convoquem um novo dia de greve nacional. Acreditamos que somente a frente única entre as centrais e movimentos sociais nesse momento pode derrotar de vez os planos de Temer e desse congresso cheio de corruptos, de aprovar a reforma da Previdência ainda esse ano”, diz a nota.

    A reunião das centrais acontecerá três dias após o dia 5 de dezembro, inicialmente convocado como dia de greve nacional contra a Reforma da Previdência. Diversas categorias do país, como metalúrgicos, metroviários de São Paulo, construção civil em alguns estados, funcionalismo público federal, entre outras, realizaram assembleias e aprovaram manifestações contra o projeto. Na última sexta-feira, no entanto, seis centrais sindicais lançaram uma nota afirmando o cancelamento da greve devido à retirada do projeto da pauta de terça-feira da Câmara dos Deputados. O anúncio não foi bem recebido em diversas bases. As centrais sindicais CSP-Conlutas e Intersindical, a Federação Nacional dos Petroleiros, a Fasubra, Andes, MTST, entre outras entidades e movimentos, mantiveram as mobilizações anteriormente organizadas. E apesar da desmobilização às vésperas do dia 5, o que causou impacto no número de presentes nos atos unitários, estes aconteceram na maior parte das cidades brasileiras.

    Foto: Carol Burgos | Esquerda Online

  • 5 de dezembro: saiba onde ocorrerão protestos contra Reforma da Previdência

    Por: Carolina Burgos, da Redação

    Nesta terça-feira (5), irão acontecer atos em várias cidades do País em protesto contra a Reforma da Previdência do Governo Federal. A votação da pauta na Câmara dos Deputados estava prevista para ocorrer na mesma data, mas foi retirada da pauta por falta de apoio suficiente. O objetivo de Michel Temer e do presidente da casa Rodrigo Maia é recompor forças para conseguir aprovar o projeto ainda nesse ano. Neste domingo, se reuniram com líderes dos partidos apostando num emblocamento. O receio do governo é que o amplo rechaço por parte da população possa influenciar os parlamentares a enterrar a reforma. Se aprovado, o projeto significará retrocesso histórico contra direitos dos trabalhadores. 

    Na última sexta-feira (1), foi divulgada uma carta assinada por seis centrais sindicais afirmando que, diante do fato de ter sido retirado o projeto da pauta desta terça, não seria mais necessária a greve nacional com mobilizações e paralisações discutidas e aprovadas por categorias  importantes, como metroviários de São Paulo, petroleiros, metalúrgicos, professores universitários, educadores de vários estados e municípios, servidores federais, entre outras. A notícia não foi bem recebida em diversas bases. Entidades, movimentos sociais como o MTST, a Frente Povo Sem Medo, a CSP-Conlutas, a Federação Nacional dos Petroleiros, O Andes-SN, a Fasubra, entre outras, reafirmaram as mobilizações. Centrais que compuseram a nota que desmarcava o movimento, como a CSB e a CTB, afirmaram que manterão os protestos já previstos. O mesmo fizeram regionais da CUT em alguns estados, como Minas Gerais, Piauí, Pernambuco, São Paulo, entre outros.

    Diante disso, grande parte dos protestos estão mantidos. Outras duas pautas que retiram direitos dos brasileiros serão colocadas para votação nesta terça-feira (4). Na Comissão Especial da Câmara dos Deputados ocorrerá sessão final sobre a PEC 181/15, que pode significar a proibição de qualquer tipo de aborto, até em casos de estupro, risco à mãe ou em casos de anencefalia fetal e no Plenário da Câmara a Medida Provisória (MP 795/17) que dá isenção a petrolíferas e ataca diretamente a soberania nacional.

    Confira os locais onde ocorrerão os protestos:

    Acre

    Alagoas
    Maceió – IFPE, às 7h e Praça Sinimbú, às 9h

    Amazonas
    Manaus – Praça da Polícia, às 9h – Evento

    Amapá

    Bahia
    Salvador – Manifestação em frente ao Iguatemi, às 6h e Passeata em Campo Grande até a Praça Castro Alves, às 15h – Evento; atraso na abertura das agências bancárias e de parte do comércio do Centro. Paralisação: Universidades estaduais, escolas rede estadual e municipal.

    Brasília
    Anexo 2 da Câmara dos Deputados, às 13h

    Ceará
    Fortaleza – Cruzamento da Avenida da Universidade com 13 de maio, às 8h – Evento

    Espírito Santo
    Vitória – Praça de Jucutuquara, às 10h

    Goiás
    Formosa – Praça Anísio Lobo, às 10h

    Minas Gerais
    Belo Horizonte – Praça Sete de Setembro, às 9h – Evento
    Juiz de Fora – Praça da Estação, das 9h30 às 13h – Evento
    Uberlândia – Praça Ismene Mendes, às 16h – Evento

    Maranhão
    São Luiz – BR 135/Km 5/IFMA-Maracanã, na entrada da cidade, às 5h e Barragem do Bacanga/UFMA, às 5h

    Mato Grosso do Sul

    Mato Grosso

    Pará
    Belém – Praça da República, às 9h
    Marabá- Avenida Antônio Maia, velha Marabá, às 8h

    Paraná
    Londrina – Calçadão, às 9h – Evento

    Paraíba
    Ato em frente ao INSS (Av. Dom Pedro, 1.215 – Centro), às 8h

    Pernambuco
    Recife – Praçado Derby, às 15h

    Piauí
    Ato Público na Praça Rio Branco, às 8h

    Rio Grande do Norte
    Natal – Caminhada saindo da Praça Tamandaré até a Assembleia Legislativa, que está ocupada, às 9h e Ato no INSS da Rua Apodi (Tirol), às 15h
    Caicó – Praça Felipe Guerra, às 8h

    Roraima

    Rio Grande do Sul
    Porto Alegre –  Sindisaúde e Aserghc farão ato no GHC
    Caxias do Sul – Concentração na agência do INSS, às 10h e Ato na Praça Dante Alighieri, às 17h – Evento

    Rio de Janeiro
    Rio de Janeiro – Hospital de Bonsucesso (10h), Prefeitura (13h) e ato unificado da Candelária até a Cinelândia, às 16h – Evento 
    Niterói – Rua Dr. Celestino, Centro , das 6h às 20h – Evento

    Santa Catarina
    Florianópolis – Terminal de Integração do Centro (Ticen), às 16h – Evento

    São Paulo
    São Paulo – Avenida Paulista, às 16h – Evento
    Santos – Praça da Independência, Gonzaga, às 18h – Evento
    C
    ampinas – Largo do Rosário, às 17h – Evento
    São Carlos – Mercado Municipal, às 10h – Evento
    Araraquara – Praça Santa Cruz, às 16h – Evento
    Bauru – Câmara Municipal de Bauru, às 17h – Evento
    São José dos Campos – Praça Afonso Pena, às 10h

    Sergipe
    Aracaju – Ato na Praça General Valadão, às 7h; atos nas agências bancárias e em frente a garagens de ônibus e  rodovias; ato no Palácio dos Despachos, às 14h

    Tocantins
    Ato público na Avenida Tocantins, Taquaralto (ao lado da passarela), às 17h

    Foto: Carol Burgos | Esquerda Online

  • Greve Nacional: entidades e movimentos questionam posição das centrais e manterão mobilização no dia 5

    Por: Carolina Burgos, da Redação

    Nesta sexta-feira (1), quatro dias antes do dia 5 de dezembro, data para a qual estava sendo organizada uma greve nacional com adesão de diversas categorias de trabalhadores e movimentos sociais, as centrais sindicais CUT, Força Sindical, CTB, UGT, NTSC e CSB lançaram uma nota onde afirmam “desmarcar as mobilizações”, com a justificativa de que a votação da Reforma da Previdência foi adiada. As centrais CSP-Conlutas e Intersindical, a Frente Povo Sem Medo e entidades como a Federação Nacional dos Petroleiros, a Fasubra, o Andes, Sepe, entre outras, se posicionaram contrárias à tentativa de desmobilização, reafirmando protestos e atos para a terça-feira (5).

    A posição das centrais pegou de surpresa os trabalhadores que realizaram assembleias nos seus locais de trabalho, reuniões e planejavam parar as atividades como parte da luta contra este projeto do Governo Federal. Categorias como metalúrgicos, metroviários de São Paulo, petroleiros, professores, servidores públicos federais, entre outras, aprovaram aderir ao movimento.

    Há questionamento inclusive em bases dirigidas pelas centrais que assinam a carta. Contraditoriamente, a CTB e a CSB, que assinam a nota unitária de cancelamento do dia 5, também lançaram comunicados afirmando que manterão as mobilizações, o que gerou confusão sobre a real posição destas entidades. A Força Sindical e a CUT, ao contrário, divulgaram em seus sites a não realização da greve nacional. Nos estados, no entanto, a decisão foi questionada. A CUT Piauí, CUT Pará e a CUT Pernambuco, por exemplo, afirmaram que manterão os atos já previstos. A CUT São Paulo orientou os trabalhadores a se somarem ao ato que acontecerá na Avenida Paulista, às 16h e nas demais cidades. A CUT Minas, por sua vez, divulgou que “mobilizações e pressão contra a pauta golpista estão mantidas”, onde reafirmam a mobilização já convocada para o dia 05 de dezembro em Belo Horizonte com concentração às 17 horas, na Praça Afonso Arinos e todos os demais marcados na região.

    A tentativa das seis centrais aconteceu num momento de defensiva no Governo Federal em relação ao projeto. Com dificuldade de aprovar a Reforma da Previdência devido ao amplo questionamento da população, Temer articulou o adiamento da votação na tentativa de somar forças e ganhar os aliados necessários para aprovação. Os movimentos contrários ao adiamento da greve nacional argumentam que a mobilização poderia ser elemento forte de pressão para impossibilitar o retorno da reforma à pauta e impedir ainda mais retirada de direitos. O recuo dos protestos, ao contrário, serviriam para reorganização do governo.

    Notas

    Veja, abaixo, trecho das notas de alguns movimentos que questionaram a posição das seis centrais:

    CSP-Conlutas – “Este recuo significa abrir mão de uma ferramenta fundamental, que é a Greve Nacional, uma grande oportunidade de, pela ação direta, enterrarmos de vez essa reforma que acaba com a nossa aposentadoria e vem sendo articulada a base da compra de votos por um governo e um Congresso Nacional corruptos a serviço da burguesia desse país. A CSP-Conlutas chama a todos os sindicatos e organizações de base a se manterem mobilizados e realizarem assembleias, protestos e manifestações, a manterem a pressão sobre os deputados nas casas e aeroportos. Não vamos baixar a guarda”!

    Intersindical – “A Intersindical Central da Classe Trabalhadora informa que não participou da decisão de cancelamento da greve geral do dia 05 de dezembro. Ainda que a votação da reforma da previdência não aconteça nessa semana, o projeto continua sendo prioridade do governo e constitui um enorme ataque aos direitos da classe trabalhadora no Brasil. As razões para a mobilização da classe no dia 05 continuam. Buscaremos interlocução com todos os setores combativos do movimento sindical e social para a manutenção da luta contra a reforma da previdência e a retirada de direitos”.

    Povo Sem Medo – “Tomar as ruas no dia 5 em defesa da aposentadoria! No próximo dia 5 havia sido convocada uma greve nacional pelas centrais sindicais contra a reforma da previdência. Diante do adiamento da votação no Congresso, algumas centrais se posicionaram suspendendo a greve. A Frente Povo Sem Medo compreende que a ameaça permanece, exigindo mobilização permanente dos setores populares contra este grave ataque do governo Temer. Por isso, de nossa parte, manteremos as manifestações de rua marcadas para o dia 5 em várias cidades brasileiras e apoiaremos todas as paralisações dos trabalhadores. Seguiremos com a orientação de unidade com a Frente Brasil Popular na construção destas atividades”.

    Federação Nacional dos Petroleiros – “A direção da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) indica a manutenção da data, como dia nacional de mobilizações, para pressionar a Petrobrás a apresentar uma proposta de acordo que não retire direitos, antes do período de 11 a 15 de dezembro”.

    Andes – “Para o ANDES-SN não há acordo possível quando se trata de retirada de direitos. Não aceitamos os ataques contra o(a)s trabalhadore(a)s e, em particular, contra o funcionalismo público e as instituições de ensino superior públicas. Não aceitamos cortes de verbas e a imposição de mais retrocessos nos direitos sociais. Basta de desrespeito para com o(a)s trabalhadore(a)s por parte dos governos e dessas centrais sindicais. Repudiamos mais essa traição das centrais e convocamos nossa categoria a manter o dia 5 de dezembro como um dia nacional de luta com mobilização e paralisação, em articulação com nossa central sindical, a CSP-Conlutas, outras categorias e movimentos sociais, populares e estudantil, realizando atividades dentro das nossas universidades, institutos federais e CEFET e organizando atos nos estados em ampla unidade”.

    Comando nacional de greve da Fasubra – Após a notícia de que as direções da maioria das grandes centrais sindicais suspenderam a greve geral marcada para o dia 05 de dezembro, o Comando Nacional de Greve (CNG) da FASUBRA Sindical vem a público expressar a sua indignação e discordância com essa decisão. O correto é que as cúpulas das centrais revejam essa decisão e mantenham a greve nacional. Num momento em que a proposta de greve nacional estava ganhando adesão de amplas categorias de trabalhadoras e trabalhadores, ao mesmo tempo em que o governo demonstra fragilidade em votar a reforma da Previdência, é um erro catastrófico da cúpula das centrais suspender o movimento marcado para o dia 05 de dezembro”.

    Mulheres do PSOL – “Manifestamos nosso apoio a manutenção da greve geral e estaremos nas ruas com os sindicatos e movimentos sociais contra a Reforma da Previdência e pelo #ForaTemer! Fazemos um chamado a todas as mulheres que protagonizam diversas lutas contra todas as tentativas de retirar nossos direitos. Seguimos: Pela Vida das Mulheres”!

  • 5 de Dezembro: Metroviários de São Paulo votam greve contra a Reforma da Previdência

    Se formos todos juntos, ninguém cai

    Por Camila Lisboa, de São Paulo, SP

    Em assembléia realizada no dia 28 de novembro,  os metroviários definiram por ampla maioria a participação na greve nacional do dia 5 de dezembro.

    A compreensão da Assembléia é de que diante da nova tentativa do governo Temer de aprovar a Reforma da Previdência, os trabalhadores precisam demonstrar força, resistência e unidade.

    Metrô intimida e subestima a categoria

    No próprio dia 28, antes mesmo da deliberação da Assembléia, a empresa divulgou uma carta aos trabalhadores praticando assédio moral e ameaçando os trabalhadores.

    Além disso, a empresa acusou o sindicato e todo o movimento de resistência de fazer a categoria ser massa de manobra. Isso não é verdade. Na verdade, é uma subestimação da categoria, porque a maior parte da população brasileira já compreendeu os efeitos negativos da Reforma e já se posicionou contrária a ela.

    A categoria compreende que se trata de uma greve política no sentido de se enfrentar com a ação dos políticos que querem votar neste projeto absurdo e injusto.

    Se formos todos juntos, ninguém cai

    A maior preocupação da categoria é a garantia de que haverá envolvimento de outras categorias na greve do dia 5 de dezembro. Uma preocupação correta. As Centrais que dirigem outros sindicatos ligados ao transporte, como a CTB, CUT e UGT precisam se engajar para que o conjunto do transporte paralise suas atividades no dia 5.

    Com isso, podemos promover uma retomada da resistência e dar passos para reverter a correlação de forças desfavorável estabelecida neste segundo semestre.

    Nas paralisações do dia 15/03 e 28/04, a participação de nossa categoria deu uma força incrível ao movimento. No dia 28, o conjunto dos transportes parou em São Paulo e contribuiu de forma decisiva para que o governo recuasse da aprovação da reforma da previdência no primeiro semestre.

    Precisamos repetir essa demonstração de força. No dia 4 de Dezembro, vamos encher a quadra dos metroviários e fazer uma grande greve no dia 5.

  • 5 de Dezembro: É preciso fortalecer a greve nacional no setor de transportes

    Por Camila Lisboa, de São Paulo, SP

    No dia 28 de Novembro, representantes das categorias do setor de transportes se reuniram na sede da Federação dos Trabalhadores de transportes rodoviários do estado de São Paulo para articular a participação desses setores na greve no dia 5 de Dezembro.

    Participaram representantes da CUT, Força Sindical, CTB, CSP Conlutas, CGTB e Nova Central. Infelizmente, a UGT, Central à qual o Sindicato dos Rodoviários de São Paulo é filiado, não esteve presente.

    Uma parte dos representantes dessas Centrais e de alguns sindicatos estavam bastante dispostos a construir a greve nas suas categorias. A motivação disso é o impacto negativo que tem a Reforma da Previdência sobre a vida da classe trabalhadora e o apelo que existe em toda a população contra a reforma. Outra parte dos representantes expressa preocupações com a realização da greve e demonstrou pouco engajamento na construção da greve em suas bases.

    O encaminhamento concreto da Plenária foi a elaboração de uma material conjunto para ser distribuído para toda a população que utiliza os serviços de ônibus, metrôs e trens, pelo menos na capital paulistana.

    Dessa forma, acreditamos ser possível desenvolver ao longo da semana a construção dessa resistência. Há um acúmulo das bases dessas categorias em relação a essa luta, pois no primeiro semestre deste ano, houve duas paralisações e a participação de alguns setores de transporte foi decisiva, como os metroviários de São Paulo.

    As ameaças e perseguições aos sindicatos, orquestradas pelas patronais e governos são os motivos de preocupação de alguns dirigentes. A preocupação é justa porque há um processo de criminalização das greves e entidades sindicais. Isso se expressa em demissão de ativistas, multas absurdas aos sindicatos e judicialização imediata dos conflitos, com exigências que o transporte funcione em 100%.

    No entanto, a greve que estamos construindo para o dia 5 de dezembro é um direito totalmente legítimo dos trabalhadores. O Congresso não apenas quer aprovar uma reforma que acaba com os direitos previdenciários do povo brasileiro, como também quer passar por cima da vontade de povo brasileiro, que já demonstrou que não concorda com essa reforma.

    Dessa forma, acreditamos ser muito importante que a construção do dia 5 se fortaleça em todas as bases do transporte e que as motivações que fizeram algumas Centrais traírem a resistência no dia 30 de junho sejam deixadas de lado em nome dos direitos do povo trabalhador de nosso país.

  • Centrais Sindicais convocam Greve Nacional para o dia 5 de dezembro contra a Reforma da Previdência

    A mobilização nacional também vai denunciar as medidas do governo que desmontam o serviço público e a Reforma Trabalhista, em vigor desde 11 de novembro

    Por: Gisele Peres, da Redação

    Reunidas na manhã desta sexta-feira (24), em São Paulo, as centrais sindicais CSP-Conlutas, Intersindical, CUT, Força Sindical, UGT, CTB, Nova Central, CSB e CGTB, decidiram convocar uma Greve Geral para o dia 5 de dezembro. A Greve Geral é uma resposta do movimento sindical contra a nova proposta de desmonte da Previdência Social apresentada pelo governo de Michel Temer na última quarta-feira (22) e que deve ser votada no dia 6 de dezembro.

    O governo tenta, dessa vez, se concentrar em três aspectos fundamentais: idade mínima, regras de transição e fim do regime próprio dos servidores públicos.

    Mobilizar pela base
    A partir do anúncio da data, dirigentes sindicais já iniciaram a movimentação necessária para realizar amplas mobilizações nas bases – assembleias, atos, debates e outras atividades – com a finalidade de dialogar não apenas com as próprias categorias, mas com toda a sociedade.

    A metroviária Camila Lisboa e o coordenador nacional da Fasubra Gibran Jordão gravaram um vídeo exclusivo para o portal Esquerda Online logo após a saída da reunião que definiu a Greve Geral. Confira:

    Vamos à luta
    Para aprovar a reforma, o governo vai usar de todas as ferramentas possíveis: liberação de verbas parlamentares, cargos e nomeações. Somente em campanhas publicitárias para tentar manipular a opinião pública, Temer vai gastar R$ 20 milhões.

    Para Gibran Jordão, os trabalhadores também possuem as suas ferramentas, a organização e a luta. A Greve Geral no dia 5 de dezembro fortalece o calendário das mobilizações, como a caravana do funcionalismo marcada para o dia 28 de novembro.

    Destacando a importância da unidade, o dirigente afirma que é preciso repetir a greve geral de 28 de abril deste ano, que suspendeu o andamento da reforma naquele momento. “A ampla maioria da população brasileira é contra esta reforma. E os trabalhadores já demonstraram disposição de luta para garantir o direito à aposentadoria. Vamos à luta”, disse.

    Resoluções

    Veja, abaixo, alguma iniciativas encaminhadas na reunião:

    ● Greve Nacional no dia 5/12 com paralisações em todas as capitais;
    ● Campanha nas redes sociais; desmascarando as mentiras do governo acerca da reforma da previdência;
    ● Pressão nos deputados federais nos aeroportos e agendas públicas dos deputados;
    ● Realizar Assembleia e debate com as categorias;
    ● Panfletagem de 27 a 01/12.

    Foto: Carol Burgos | Esquerda Online

  • Por uma nova greve geral contra a Reforma da Previdência

    Editorial de 23 de novembro,

    Michel Temer apresentou, nesta quarta-feita (22), a nova proposta da Reforma da Previdência. Em jantar oferecido a deputados da base aliada no Palácio da Alvorada, em Brasília, o presidente buscou costurar o apoio à nova versão da medida. Como se trata de uma mudança na Constituição, o governo precisará receber o voto favorável de pelo menos 308 deputados e 49 senadores, em dois turnos de votação na Câmara e no Senado.

    De acordo com a proposta, a idade mínima de aposentadoria será de 62 anos para mulheres e de 65 anos para homens, com exceção dos professores (60 anos) e policiais (55 anos). O tempo mínimo de contribuição será de 15 anos no setor privado e 25 anos no setor público. Para obter o direito à aposentadoria integral, será preciso contribuir por 40 anos. As regras de transição estabelecem a idade mínima progressiva, começando com mulheres a partir de 53 anos e homens a partir de 55 anos.

    A nova versão da reforma apresenta alguns recuos em relação à proposta anterior, mas segue representando um brutal ataque ao direito à aposentadoria do povo brasileiro. O governo tenta, dessa vez, se concentrar em três aspectos fundamentais: idade mínima, regras de transição e fim do regime próprio dos servidores públicos.

    Ofensiva para aprovar a reforma
    Depois de rasgar os direitos trabalhistas e barrar a denúncia de Janot, Temer iniciou nas últimas semanas uma ofensiva para aprovar a mudança da Previdência. A intenção é votar a proposta na Câmara até 15 de dezembro e concluir a aprovação, no Senado, no início de 2018. O  Palácio do Planalto está ciente das dificuldades. Às vésperas das eleições, muitos deputados estão preocupados em votar uma mudança tão impopular.

    Para reverter esse quadro, o governo está disposto a encher o bolso de parlamentares com verbas, cargos e nomeações. Temer pretende também liberar recursos financeiros para prefeitos e governadores. Somente em campanhas publicitárias, para tentar convencer – ou melhor, enganar – a opinião pública, Temer vai gastar R$ 20 milhões.

    A verdade é que os corruptos, grandes empresários e banqueiros estão unidos na tentativa de acabar com a aposentadoria do povo. O “ajuste” do governo prejudica justamente os menos favorecidos, a classe trabalhadora. Caso o objetivo fosse equilibrar as contas e tornar a Previdência mais sustentável, seria fácil, bastaria cobrar das empresas os valores bilionários devidos ao INSS, taxar as grandes fortunas e cobrar mais impostos dos mais ricos. Mas a intenção é outra: tirar dos “de baixo” para engordar ainda mais os lucros “dos de cima”.

    O descaramento do governo é total. Temer se aposentou aos 55 anos como procurador e recebe R$ 45 mil por mês. Henrique Meirelles, o ministro da economia, se aposentou aos 57 anos e ganha R$ 250 mil mensais do Bank Boston. O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, se aposentou aos 53 anos com salário de R$ 20 mil. Ou seja, aqueles que pouco trabalham, roubam muito e ganham fortunas são os que querem impedir que  milhões de trabalhadores se aposentem.

    Centrais sindicais precisam convocar paralisação nacional
    Perante a nova tentativa de Reforma da Previdência, é preciso que as centrais e os sindicatos, de modo unificado, convoquem uma paralisação nacional com grandes manifestações de rua no início de dezembro. É preciso repetir a greve geral de 28 de abril deste ano, que suspendeu o andamento da reforma naquele momento. A ampla maioria da população brasileira é contra esta reforma. E os trabalhadores já demonstraram disposição de luta para garantir o direito à aposentadoria.

    As centrais sindicais (CUT, Força Sindical, UGT, entre outras) não podem ficar caladas neste momento crítico. E não bastam declarações retóricas. É necessário, desde já, iniciar as mobilizações na base e os preparativos para um novo dia nacional de greve geral. O MTST, a CSP-Conlutas e as Intersindicais precisam pressionar o conjunto dos movimento sindical e social nesse sentido. Não temos tempo para esperar. A luta é agora!

    Lula e o PT precisam chamar a luta
    Nos palanques Brasil afora, Lula sempre fala contra a Reforma da Previdência de Temer. O PT também se coloca contra a proposta. Pois bem, chegou a hora de transformar palavras em ação. Não podemos esperar as eleições de 2018, até lá a mudanças reacionárias da Previdência poderão estar valendo. Com a força que têm entre os trabalhadores, Lula e o PT podem chamar a luta contra a reforma. Se tivermos uma greve geral como a de 28 de abril, podemos barrar a aprovação na Câmara. Portanto, não basta discurso eleitoral. Se Lula, o PT e a CUT estão realmente comprometidos com a defesa dos direitos sociais, precisam imediatamente convocar a mobilização popular.

    Foto: 30/06/2017- SP, Brasil- Ato contra as reformas da previdencia e trabalhista na av Paulista .
    Foto: Paulo Pinto /AGPT/FotosPúblicas

     

  • Em vigor há dez dias, ações trabalhistas caem até 90% após reforma

    Risco de pagar perícia é apontado como um dos principais motivos de desistência por parte dos trabalhadores

    Por: Gisele Peres, da Redação

    A nova legislação trabalhista, que entrou em vigor no último dia 11, já produz efeitos imediatos, com redução drástica da quantidade de processos movidos pelos trabalhadores contra irregularidades por parte da patronal.

    Entre as mudanças, as novas regras prevêem que quem ingressar com uma ação reclamando de danos que a empresa lhe causou pode ter de pagar por isso. Se tomarmos o exemplo de um trabalhador que alegue uma doença contraída em ambiente de trabalho, o mesmo pode ser responsabilizado pelo pagamento dos honorários dos peritos caso perca o processo.

    Segundo o advogado trabalhista Tales Machado, o governo Temer aplicou um dos mais duros golpes contra os direitos dos trabalhadores. “A reforma afeta diretamente a estrutura da Justiça do Trabalho, o sistema de administração e fiscalização, além de desarticular o movimento sindical. A postulação de ações por parte dos trabalhadores sem que estes fossem onerados financeiramente era uma das garantias de que estes poderiam ter reparados danos à saúde. Sem mencionar os casos de assédio moral e sexual que também estão na esfera da Justiça do Trabalho. Agora, os patrões sentem-se mais confortáveis para burlar normas e leis”, declarou.

    Primeiras estatísticas
    Segundo levantamento realizado pelo jornal O Estado de S. Paulo, publicado no último domingo (19), os dados de cinco tribunais regionais consultados – Rio Grande do Sul, Bahia, Paraíba, Distrito Federal, Tocantins e Pernambuco – apontam uma queda de cerca de 60% no número de processos ajuizados em relação à média do primeiro semestre. Se for levada em consideração apenas a semana anterior à entrada em vigor da nova lei, essa queda é ainda mais drástica, chega a mais de 90%.

    O Rio Grande do Sul apresentou a maior queda. O TRT gaúcho registrou média diária de 173 novos processos trabalhistas entre 11 e 17 de novembro. O volume é 93% menor do que o registrado na última semana de vigência da antiga versão da CLT, quando a média ficou em 2.613 ações por dia.

    Nos outros estados, o movimento também despencou. Na Bahia, o volume de novas ações caiu 91% nos primeiros dias da reforma ante a semana anterior. A queda chegou a 88% na Paraíba e a 74% no Distrito Federal e Tocantins.

    O fenômeno se repete em outros Estados, com queda de 64% na Bahia, 63% na Paraíba e 56% em Pernambuco. Entre os maiores tribunais regionais do País, São Paulo e Rio de Janeiro informaram que os dados só são tabulados em prazos que variam de quatro a oito semanas. Em Minas Gerais, um problema no sistema eletrônico impediu o levantamento.

  • Novembro negro: combater o racismo e a extrema-direita

    Editorial 13 de novembro

    O ano de 2017 está próximo de acabar e foi marcado por uma conjuntura de ataques à classe trabalhadora, e em especial aos setores oprimidos, em um nível que há muito não era observado. No aspecto da luta contra o racismo, o mundo observou, no meio do ano, o enfrentamento físico dos supremacistas brancos, em Charlotsville (EUA), com militantes dos movimentos sociais, principalmente com os do movimento Black Lives Matter.

    No Brasil, por sua vez, estão sendo implementadas reformas que pretendem retirar os direitos anteriormente conquistados pela classe trabalhadora: Reforma Trabalhista, Reforma da Previdência e Lei Geral das Terceirizações.

    Além disso, algumas tentativas de alterações legislativas podem impactar a essência da vida da população negra, como a possibilidade de alteração do artigo do Código Penal que prevê o crime de condição análoga à de escravo, e a previsão de julgamento de membros das Forças Armadas que praticarem homicídios pela Justiça Militar, não pela Justiça Comum e a recente votação da PEC 181, que busca criminalizar o aborto inclusive nos casos de violência sexual, risco de morte da mulher ou de feto anencéfalo.

    Não é novidade que o nosso país carrega uma história de mais de 300 anos de escravidão e pouco menos de 130 anos de trabalho livre. Desde a abolição, a vida dos negros e negras sempre foi mais difícil do que a dos brancos, mas com as recentes mudanças, essa realidade tem tudo para piorar ainda mais.

    A população brasileira conta, desde o último CENSO do IBGE, com 53,6% de negros. Só no estado de São Paulo, mais de 30% da população é negra. Enquanto o salário médio dos brancos é de R$ 1.097,00, o dos negros é R$ 508,90; a taxa de escolarização entre a população adulta branca é de 62% com ensino fundamental completo, enquanto dos negros é 47%. Nas penitenciárias, mais de 60% dos presos são negros. E o que mais choca: um negro tem 2,6 mais chances de morrer do que um branco.

    As mulheres negras, que sempre foram a base da pirâmide social brasileira juntamente com as mulheres transexuais, já são 46,7% dos postos de trabalho informal nas regiões metropolitanas, frente à crise econômica. No que tange à violência contra a mulher, enquanto na última década o número de assassinatos de mulheres brancas diminuiu 9,3%, entre as mulheres negras esse número aumentou 54%.

    Somado a esses ataques, não se pode desconsiderar o avanço que as ideias conservadoras e da extrema-direita têm adquirido na nossa sociedade. Bolsonaro avança nas pesquisas eleitorais e carrega com ele ideias de ódio às mulheres, negros e negras e LGBTs.

    É importante dizer que o combate às ideias conservadoras e às reformas para os oprimidos é uma questão de sobrevivência e, justamente por isso, nós devemos ser os seus primeiros e mais ferrenhos combatentes.

    Em meio a tantos ataques, também percebemos o desenvolvimento de importantes lutas do movimento negro que trouxeram resultados, como a luta pela liberdade de Rafael Braga, a que conquistou cotas na USP e o desenvolvimento de uma grande quantidade de saraus e slams que demonstram a resistência do povo negro em todo o país.

    Justamente por isso, é fundamental a construção de um mês da consciência negra que unifique as organizações políticas no combate ao racismo, ao genocídio e ao avanço da direita. É muito importante, nesse momento, construir um espaço unificado de luta da classe trabalhadora negra contra os ataques ao nosso povo.

    IMAGEM: Marcello Casal / Agência Brasil