Home – 0

q1111233
  • Centrais farão campanha em defesa da Previdência e atos nos dias 22 e 26

    Nesta segunda-feira, 12, as centrais sindicais realizaram uma plenária unificada, na sede do Dieese, em São Paulo, para debater os ataques contra a Previdência Pública e a aposentadoria. Mais de 250 pessoas estiveram presentes. Diante das declarações do presidente eleito Jair Bolsonaro e de seu ministro Paulo Guedes, que exigem uma reforma ainda pior do que a que vem sendo debatida no Congresso e a aprovação de medidas ainda neste ano, as centrais aprovaram uma campanha unificada, com atos públicos e panfletagens.

    O calendário apresentado conta com duas datas neste mês de novembro: a primeira no dia 22, com panfletagens e atos em locais de trabalho e de grande concentração de pessoas, e a outra no dia 26, com atos e manifestações em frente às sedes e Superintendências Regionais do Trabalho, em protesto à proposta do futuro governo de extinguir essa pasta. Nesta data, comemora-se o aniversário do Ministério do Trabalho, criado em 1930.

    VÍDEO – Gibran Jordão, da CSP-Conlutas e do Bloco de Oposição, acompanha a plenária:

    CUT, Força Sindical, CTB, CSP-Conlutas, Intersindical, CSB, NCST, UGT e CGTB divulgaram ainda um documento com princípios gerais que garantem a universalidade e o futuro da Previdência e da Seguridade Social.

    Novamente, em um sinal de quanto o movimento sindical ainda precisa refletir a luta das mulheres, todas as centrais indicaram homens para representá-las no evento.

    O exemplo do Chile

    A plenária foi iniciada com uma apresentação de Mário Reinaldo Villanueva Olmedo, dirigente da Confederación Fenpruss (Confederación de Profesionales de la Salud), integrante da Coordinadora Nacional dos Trabajadoras e Trabajadores No+AFP, do Chile. Ele fez uma palestra sobre as consequências da criação do modelo de capitalização em seu país, mesma proposta que Bolsonaro estuda para o Brasil. “No Chile, as AFPs [fundos de pensão privados] fracassaram. Não cumpriram o objetivo, pois não dão pensões dignas”, disse.

    Segundo ele, do salário de 700 dólares, homens só recebem 231 dólares de pensão e mulheres 175 dólares. Hoje, cerca de 2,5 milhões de pessoas recebem aposentadorias inferiores a um salário mínimo. O país tem visto também o crescimento de casos de suicídios entre os idosos.

    Indicado para responder pela área econômica do futuro governo e também de uma secretaria especial que substituiria o Ministério do Trabalho, o economista Paulo Guedes concluiu seu doutorado na Universidade de Chicago, onde tornou-se próximo ao grupo de alunos conhecido como Chicago Boys, que conduziria a política econômica da ditadura militar chilena no início dos anos 1980, aplicando o ultraliberalismo de Milton Friedman. O próprio Guedes chegou a viver no país de Pinochet por um período, conhecendo as políticas econômicas do grupo.

    Outro integrante do governo Bolsonaro que admira a receita do Chile de Pinochet é Onyx Lorenzoni, indicado para a Casa Civil. Em depoimento reproduzido pelo site El Pais, Lorenzoni elogia: “O Chile para nós é um exemplo de país que estabeleceu elementos macroeconômicos muito sólidos, que lhe permitiram ser um país completamente diferente de toda a América Latina”.

     

    LEIA MAIS – EDITORIAL

    Bolsonaro e Paulo Guedes querem acabar de vez com os direitos trabalhistas

     

    *Com informações dos sites das centrais sindicais CSP-Conlutas e CUT. Foto: site CUT Nacional.

  • Sérgio Moro aceita ser ministro da Justiça no governo Bolsonaro

    Na manhã de hoje, 1° de novembro, após visita à casa de Jair Bolsonaro, no Rio de Janeiro, o juiz federal Sérgio Moro divulgou a notícia que aceitou o convite para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública no novo governo federal. A notícia já foi confirmada por Bolsonaro pelas redes sociais.

    Este fato é muito relevante. Moro foi o principal responsável pela Operação Lava Jato na esfera do Poder Judiciário. A partir dessa posição, agiu continuadamente para interferir no processo político nacional. Em meio à mobilização pelo impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, vazou ilegalmente um áudio em que a então presidenta conversava com Lula. Em julho de 2017, condenou em primeira instância o ex-presidente Lula em um processo marcado por arbitrariedades. Essa condenação pavimentou o caminho para a prisão e depois a impugnação da candidatura de Lula nesse ano. Por fim, em outra manobra ilegal, Moro vazou depoimento sigiloso do ex-ministro Antônio Palocci a seis dias do primeiro turno das eleições.

    Esse conjunto de ações fortaleceu indiretamente a candidatura de Bolsonaro, ao insuflar o antipetismo no qual o candidato do PSL surfou, e diretamente, ao impedir o líder das pesquisas, Lula, de ser candidato. Trata-se de uma intervenção direta do Poder Judiciário nas eleições presidenciais deste ano. O mesmo Judiciário foi inteiramente conivente com todas as irregularidades cometidas por Bolsonaro e permitiu uma série de medidas intimidatórias contra a campanha de Haddad, especialmente no segundo turno.

    Agora, após os grandes serviços prestados ao golpe e sua agenda reacionária, Moro se afasta da Magistratura e recebe sua recompensa: assumirá um super Ministério da Justiça, acumulando poderes também sobre a área de Segurança Pública. Este fato demonstra cabalmente o caráter seletivo e reacionário da Lava Jato, que sempre esteve a serviço do golpe parlamentar e de uma saída ainda mais conservadora para a crise política brasileira.

    Assim vai se conformando o governo Bolsonaro. Uma aliança sinistra com forte presença da elite das forças armadas, do agronegócio, dos elementos mais reacionários do Poder Judiciário e ainda de parte da cúpula de igrejas evangélicas.

    Mais do que nunca, vai ser muito importante fortalecer uma Frente Única que unifique as centrais sindicais, sindicatos, partidos de esquerda identificados com os trabalhadores, movimentos populares, o movimento estudantil, os movimentos de luta contra as opressões, a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo.

    Uma Frente Única do povo trabalhador que promova uma ampla unidade de ação em resistência aos ataques contra os direitos sociais e as liberdades democráticas que serão realizados pelo governo Bolsonaro e seus aliados.

     

     

    FOTO: Marcelo Camargo / Agência Brasil / Arquivo Fotos Públicas

  • Bolsonaro vence, mas a resistência continua

    Por uma margem menor que a esperada inicialmente, Jair Bolsonaro (PSL) venceu com 55% dos votos válidos. A onda pela democracia e direitos, que contagiou milhões de pessoas Brasil afora, diminuiu a diferença. Fernando Haddad (PT), que havia obtido 29% dos votos válidos no primeiro turno, chegou a 44% no segundo. A resistência aguerrida que brotou espontânea nas ruas de centenas de cidades, envolvendo estudantes, trabalhadores, artistas, intelectuais e feministas, fez história e lançou a esperança para o amanhã, para enfrentar e derrotar o fascismo.

    Não presenciamos uma disputa democrática. O candidato a ditador venceu uma eleição manchada pela impugnação política de Lula (que liderava com folga todas as pesquisas), uso criminoso de caixa 2 empresarial para o financiamento em massa de fake news nas redes sociais, atuação antidemocrática e partidária dos tribunais eleitorais e ação da maior parte da grande mídia, grandes empresários e igrejas evangélicas em favor do candidato do PSL.

    ENGLISH VERSION

    Bolsonaro ganhou uma importante batalha nas urnas, mas a luta não chegou ao fim. A resistência democrática e social seguirá nas ruas, nos locais de trabalho, estudo e moradia. Vamos construir uma muralha contra o fascismo em cada canto do país.

    Que fique avisado: não aceitaremos o fim das garantias democráticas e dos direitos sociais e trabalhistas, a começar pela reforma da Previdência anunciada pelo general Mourão. Não toleraremos qualquer violência e discriminação contra mulheres, negros, LGBTS, indígenas e imigrantes. Nos levantaremos contra o extermínio da população negra e pobre das periferias. Nos insurgiremos contra o estabelecimento de um regime autoritário e repressor. Defenderemos nosso patrimônio natural e cultural, estaremos ao lado dos povos indígenas e quilombolas incondicionalmente. Não será aceita a criminalização dos movimentos sociais: os trabalhadores sem-terra e sem-teto não estão sós. Cerraremos trincheiras contra a perseguição à esquerda e a suas lideranças. Estaremos atentos a qualquer tentativa de censura na imprensa, nas artes, escolas e universidades. Avisem Bolsonaro e sua turma: resistiremos e, cedo ou tarde, os derrotaremos.

    Somos muitos, somos milhões. Ele ganhou no conjunto da população, mas perdeu entre os trabalhadores de menor renda, em todo nordeste, entre as mulheres, os negros, os mais jovens e as LGBTs. Ou seja, nas camadas mais exploradas e oprimidas prevaleceu a esquerda e a democracia.

    Daqui para frente, impõe-se como tarefa central a Frente Única (que deve reunir o conjunto da esquerda – PT, PSOL, PCdoB, PCB, PSTU etc. -, dos movimentos sociais, sindicais e estudantis) pra resistir e derrotar o governo de extrema direita de Jair Bolsonaro, assim como a construção da unidade democrática com todos setores dispostos à luta unitária contra o autoritarismo e o fascismo. A construção da Frente Única deve se referenciar no movimento de mulheres unidas contra Bolsonaro, que levou mais de 1 milhão às ruas no dia 29 de setembro, e no movimento espontâneo de rua protagonizado por dezenas de milhares de ativistas no segundo turno. Esse acúmulo valioso deve ser preservado e potencializado.

    Na resistência democrática, vamos batalhar também pela construção de um novo projeto de esquerda, que busque superar os graves equívocos e limites do PT, junto com o PSOL, PCB, MTST, APIB e todos setores dispostos a construir uma nova perspectiva socialista em nosso país.

    Certamente enfrentaremos dias difíceis com a eleição de Jair Bolsonaro. Mas devemos manter a cabeça erguida e a moral elevada. A verdade está ao nosso lado. A ascensão do neofascismo deve ser respondida com a mais ampla unidade da esquerda e dos setores democráticos, com coragem. Vamos unir todos os “ativismos”, todos movimentos, coletivos e organizações, vamos de mãos dadas junto ao povo trabalhador e oprimido. Unidos estaremos fortes para resistir e vencer!

    Bolsonaro wins, but resistance continues

  • É hora de ɹɐɹıʌ voto

    Diminui a diferença em pesquisas e campanha #Haddadpresidente13 está na ofensiva

    No final de semana, alguns fatos políticos mexeram no cenário da última semana da campanha do segundo turno das eleições presidenciais.

    Após a manifestação nacional por direitos, democracia e pela vida das mulheres, que levou, no último sábado 20, milhares às ruas de cerca de 50 cidades brasileiras, Bolsonaro e sua “falange” resolveram endurecer ainda mais o seu discurso de ódio.

    No domingo, 21, Bolsonaro gravou um vídeo para ser exibido na manifestação de apoio a sua candidatura que aconteceu na Avenida Paulista. Manifestações reacionárias como esta aconteceram em pelo menos outras 18 cidades.

    Neste vídeo, ele voltou a ameaçar a esquerda de perseguição, prisão e até expulsão do país. Falou diretamente em prender o Senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e até o próprio adversário, Fernando Haddad; em tornar o MST e o MTST organizações terroristas e criminosas; e banir o jornal Folha de SP; entre outros graves absurdos.

    Este vídeo veio a se tornar mais uma comprovação cabal que Bolsonaro não admite qualquer oposição e pensamento crítico e diferente. Fala já como um futuro ditador.

    É verdade que o discurso em vídeo de Bolsonaro, no último domingo, não difere qualitativamente do que ele já vinha afirmando na sua campanha sórdida. Mas, ao que parece, a nitidez com que falou e a forma extremamente agressiva alertou setores sobre os riscos que sua vitória representa ao próprio regime democrático.

    A esta fato, se soma a divulgação de outro vídeo, agora do deputado federal do PSL Eduardo Bolsonaro, filho do candidato a presidente da extrema-direita neofascista, defendendo o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF), caso seu pai fosse punido por algum crime eleitoral. Segundo o deputado, bastava um soldado e um cabo para fechar o mais importante Tribunal do país.

    Todos estes absurdos geraram reação. Setores que antes estavam evitando se posicionar no segundo turno, saíram da sua zona de conforto.

    Marina Silva (Rede) declarou voto crítico em Haddad; Alberto Goldman, ex-presidente do PSDB e Jarbas Vasconcelos (MDB-PE) foram no mesmo caminho, entre outros políticos que apoiaram o golpe parlamentar de 2016 e a agenda de ataques ao povo trabalhador.

    Contra-ofensiva do “vira-voto”
    Entretanto, a maior e mais importante consequência do final de semana foi a consolidação de uma dinâmica que já vinha se apresentando na semana anterior: a campanha #Haddadpresidente13 está na ofensiva. E isso tem enorme importância, independentemente do resultado final das eleições.

    Somos oposição de esquerda ao projeto de conciliação de classes da direção do PT, defendemos a candidatura de Guilherme Boulos e Sônia Guajajara (MTST-PSOL-PCB-APIB-MÍDIA NINJA) no primeiro turno. Acreditamos na necessidade fundamental de uma nova alternativa de esquerda e socialista em nosso país. Entretanto, acreditamos também que o momento é de plena e total unidade de ação, sem abrir mão de nossas convicções, com o objetivo comum de derrotar Bolsonaro e seu projeto de extrema-direita neofascista.

    Neste sentido, os últimos dias foram muito positivos para consolidação desta frente única contra o neofascismo, em defesa dos direitos sociais e das liberdades democráticas.

    Na segunda-feira, 22, o ato político no Tuca (PUC-SP), já demonstrou a força e a representatividade da campanha da Frente Democrática, que se conformou em torno da candidatura de Haddad neste segundo turno. A presença de professores, intelectuais, artistas, estudantes, líderes religiosos, entre outros setores, mostram a diversidade da unidade democrática contra Bolsonaro.

    No dia seguinte, dezenas de milhares tomaram os Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro, no comício com Haddad, Manuela, Boulos e grandes artistas da MPB (como Chico Buarque, Caetano Veloso, Mano Brown, entre tantos outros).

    E, no dia seguinte, quarta-feira, novamente a campanha realizou um grande comício, no já tradicional palco de grandes manifestações, o Largo da Batata, na cidade de São Paulo.

    Na terça-feira também foi divulgada a última pesquisa do Ibope, diminuindo significativamente a diferença entre os dois candidatos, apontando um crescimento da rejeição a Bolsonaro e uma queda na rejeição de Haddad e, informando também, que Haddad passou Bolsonaro na cidade de São Paulo, a maior do país.

    Todos estes fatos animaram a campanha. Todos sabemos que uma virada segue muito difícil, mas não é impossível. Por isso, vamos nos jogar com toda força e energia nos últimos dias da campanha, até o fim das eleições, porque queremos derrotar Bolsonaro nas eleições e organizar ainda mais as nossas forças para as lutas de resistência que estarão colocadas em um futuro bem próximo.

    A importância dos últimos dias
    Ainda é possível. Muitas pessoas definem realmente seu voto nos últimos dias, inclusive na véspera das eleições. As próprias pesquisas demonstram que ainda existem indecisos e pessoas que podem ainda mudar sua opção de voto na última hora. A combinação destes elementos pode ser decisiva.

    Por isso, o momento exige intensificamos a campanha e o diálogo com amigos, familiares, vizinhos, colegas de trabalho e estudo. Sim, ainda é possível, ganhar e virar votos nessa reta final.

    Mais um vez, o voto no 13, neste segundo turno, é uma opção para derrotar Bolsonaro e fortalece a nossa resistência contra o fascismo, em defesa dos direitos, das liberdades democráticas e contra toda e qualquer forma de opressão. Vamos à luta!

    FOTO: Comício no Largo da Batata, em São Paulo. Mídia Ninja

  • Esquema criminoso de Bolsonaro não pode ficar impune

    De acordo com reportagem do jornal Folha de S. Paulo, publicada nesta quinta-feira (18), empresas compraram pacotes de envio de milhões de mensagens contra o PT e de apoio a Jair Bolsonaro no WhatsApp. Segundo apurou o jornal, cada contrato chega a R$ 12 milhões de reais. Entre as empresas envolvidas, está a Havan, do empresário Luciano Hang.

    A prática viola a lei eleitoral flagrantemente, configurando crime de Caixa 2 duplamente qualificado. Em primeiro lugar, por representar doação não declarada, segundo, por se tratar de gastos de campanha pagos por empresas, o que está proibido pela legislação. Além disso, configura divulgação de notícias sabidamente falsas (imagens montadas, acusações sem fontes) e compra de lista de contatos das empresas, de usuários que não forneceram seus contatos voluntariamente para ajudar na campanha.

    O disparo em massa das chamadas fake news coincidiu com a ascensão meteórica das intenções de voto em Jair Bolsonaro e aliados na reta final do 1o turno. Não há dúvidas: a veiculação de notícias falsas em larga escala interferiu no resultado eleitoral.

    Diante desse fato de tamanha gravidade, ficam as perguntas: quem são os financiadores da rede de fake news do capitão? A indústria de armas que quer lucrar com a violência das balas? Petrolíferas estrangeiras de olho no nosso pré sal? Latifundiários e madeireiros interessados nas terras indígenas e florestas? Banqueiros ávidos por comprar estatais a preço de banana? Em resumo: quem financia o jogo sujo de Bolsonaro?

    Exigimos apuração célere, rigorosa e transparente da denúncia feita pela Folha de S. Paulo. Se comprovada, é necessário que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) faça valer a lei vigente, impugnando a chapa de Jair Bolsonaro (PSL) ou convocando novas eleições presidenciais para este ano. Além disso, é preciso que a Justiça tome medidas imediatas contra os empresários envolvidos no esquema criminoso.

    Contudo, embora sejam válidas e necessárias as iniciativas jurídicas, como as definidas pelo PSOL e PT, temos plena consciência que o Judiciário está comprometido com o processo golpista em curso. A condenação, prisão e o impedimento eleitoral de Lula, por motivação política, não deixam margem a dúvidas. Não reverteremos esse processo reacionário nos tribunais. Nossos esforços devem estar concentrados no diálogo com o povo trabalhador e na construção da luta antifascista. Neste sábado, dia 20, vamos às ruas em todo país pelos nossos direitos e liberdades democráticas, contra Bolsonaro e seu projeto ditatorial.

    As pesquisas indicam vantagem de Bolsonaro. É difícil reverter esse quadro, mas não é impossível. Cerca de 30% da população define seu voto nos três últimos dias. Vamos batalhar pela virada, até o fim. E, para além do resultado eleitoral, importa ainda mais a construção coletiva da resistência contra o neofascismo, para preparar o amanhã. Reunir as pessoas, organizar a luta conjunta, em frente única! Vamos juntos, de mãos dadas!

    Ditadura nunca mais!

    Direitos sim, #EleNão!

    Contra Bolsonaro, votar em Haddad 13!

    Todas às ruas sábado, dia 20!

  • Bolsonaro e os direitos: a face mais selvagem do capital

    Terminada a apuração do primeiro turno, Bolsonaro alcançou a expressiva marca de 46% dos votos válidos, obtendo seus maiores percentuais em meio às camadas mais abastadas da sociedade. Entretanto, para chegar a esse número, sua campanha também encontrou eco entre as maiores parcelas da classe trabalhadora, localizadas nas faixas de menor renda.

    Esse crescimento entre os trabalhadores resultou de uma estratégia de campanha que deixa em segundo plano as suas posições acerca dos direitos sociais e trabalhistas. Priorizando temas como uma suposta “ameaça comunista ao Brasil” ou o combate à inexistente “sexualização das crianças nas escolas”, Bolsonaro esconde que, na verdade, o seu programa significa um brutal aprofundamento dos ataques àqueles direitos.

    Um parlamentar inimigo dos trabalhadores

    Ao longo de seus mandatos como parlamentar, Bolsonaro foi sempre consistente em se tratando direitos sociais e trabalhistas: votou sempre contra os trabalhadores e os mais pobres. Em 2013, ainda no governo Dilma (PT), foi o único deputado a se posicionar contra a PEC das Domésticas, que garantiu a essa categoria profissional a totalidade dos direitos previstos na CLT.

    Já durante o governo Temer (MDB), o atual partido de Bolsonaro, PSL, foi o mais fiel nas votações das propostas do Executivo. O próprio deputado votou favoravelmente à PEC do Teto de Gastos, que congelou os investimentos sociais (saúde, educação, etc) por 20 anos. Da mesma forma, ajudou a aprovar a reforma trabalhista que permitiu que mulheres grávidas trabalhem em ambientes insalubres, instituiu a jornada intermitente, em que o trabalhador fica à disposição do patrão sem ser pago, e dificultou o acesso dos trabalhadores à Justiça Trabalhista.

    Programa de governo: Temer 2.0

    Esse histórico de votos contra os trabalhadores constitui apenas uma pequena amostra do que Bolsonaro pretende fazer caso seja eleito. Seu programa de governo parte da preservação de toda a devastação de direitos promovida pelo governo Temer e propõe ataques ainda mais duros às condições de vida da classe trabalhadora. Não há, portanto, qualquer previsão de aumentar os recursos destinados à educação e à saúde.

    Para o mercado de trabalho, sua principal proposta é a criação de uma carteira de trabalho verde e amarela. O trabalhador que optar por tal carteira terá seu vínculo empregatício regulado por um contrato individual, e não pela CLT. Em um contexto de elevado desemprego, isso significa dar carta branca aos empresários para que ignorem a imensa maioria dos direitos e coloquem os trabalhadores em situação extremamente precária.

    Já na previdência, seu objetivo é fazer uma reforma que institua um modelo de “capitalização”. Com isso, cada trabalhador ficará vinculado a uma conta individual. Fica extinto o princípio da solidariedade que rege todo sistema de previdência verdadeiro e se instala a lógica do cada um por si.

    O não escrito também conta

    Por mais esclarecedor que seja, o programa não é nunca capaz de dar conta de todas as iniciativas que um eventual governo levará a frente. Para muitos, inclusive, não escrever tudo que se pretende fazer é parte do próprio cálculo eleitoral. Por isso, é fundamental, também, estar atento às declarações dos candidatos e seus principais assessores.

    Nesse sentido Bolsonaro não apenas tem reafirmado tudo o que seu programa prevê (“É melhor ter menos direitos e emprego do que ter todos os direitos e desemprego”), como defende ataques ainda mais drásticos. Há declarações suas, por exemplo em que sustenta que os trabalhadores rurais não devem desfrutar do mesmo tempo de descanso que os demais. Outro ponto defendido por ele é o abrandamento das punições impostas aos empregadores que utilizam trabalho análogo à escravidão. Também na previdência, suas declarações avançam em relação ao programa apresentado: sua perspectiva é a da contínua elevação da idade mínima para a aposentadoria.

    Seus colaboradores mais próximos caminham na mesma direção. Paulo Guedes, já indicado para um eventual Ministério da Economia, propôs a adoção de uma alíquota única de Imposto de Renda, que taxe na mesma proporção os grandes milionários e os trabalhadores comuns. Já o candidato à vice-presidência, Hamilton Mourão, faz campanha aberta pela revogação do 13o salário, considerado por ele uma “mochila nas costas dos empresários”.

    Derrotar a face mais selvagem do capital

    Considerando esses elementos, não há dúvida que a candidatura de Bolsonaro oferece uma alternativa para a burguesia que, no primeiro turno, apostou majoritariamente em Alckmin (PSDB). Seu histórico, seu programa e suas declarações indicam um claro comprometimento com brutais ataques aos direitos sociais e trabalhistas. Sua perspectiva é a da superação da crise econômica por meio da absoluta precarização das condições de vida da classe trabalhadora. Trata-se da face mais selvagem do capitalismo.

    É importante destacar que essa selvageria tende a atingir com mais força os setores oprimidos da sociedade, como mulheres, negras/os e LGBTTs. São esses que recebem os menores salários, enfrentam maior precariedade e formam o maior contingente de desempregados. Essa situação se torna ainda mais dramática uma vez que Bolsonaro também difunde o ódio especificamente voltado contra esses grupos e ataca os direitos já duramente conquistados pelas suas lutas.

    Essa perspectiva que deve ser derrotada nas urnas e nas ruas. Por isso, defendemos que o segundo turno deve ser marcado por uma forte campanha militante, capaz de colocar em movimento todos os oprimidos e explorados. Mesmo tendo diferenças profundas com o PT, sabemos que é a candidatura de Haddad que pode, nesse momento, catalisar essa mobilização e levar Bolsonaro à derrota.

    Foto: Paulo Guedes, indicado a ministro de Bolsonaro. Reprodução TV

     

    Leia outros artigos:

    Cinco observações rápidas sobre o atentado contra Jair Bolsonaro por Valério Arcary

    Entrevista no JN: Bolsonaro sendo Bolsonaro por André Freire

    Bolsonaro, neoliberalismo e Ojeriza à política por Rejane Hoeveler

    Quatro motivos para não votar em Bolsonaro: Suas propostas para a classe trabalhadora Por Carlos Henrique de Oliveira

    Cinco argumentos para desmascarar Bolsonaro Por Juliana Bimbi

    Bolsonaro admite Petrobrás totalmente privatizada caso seja eleito Por Pedro Augusto

    Conheça quem está por trás das ideias de Bolsonaro Por Gibran Jordão

    Bolsonaro: Nem honesto, nem aliado dos trabalhadores Por Edgar Fogaça

    Bolsonaro não é um espantalho por Valério Arcary

    Em visita ao Pará, Bolsonaro defende a chachina de trabalhadores sem-terra Por Gizelle Freitas

    Não se deve tercerizar para Ciro Gomes a luta contra Bolsonaro por Valério Arcary 

    Bolsonaro em contradição: três patacoadas do “mito”em apenas dez dias de 2018 por Matheus Gomes

    5 fatos mostram que Bolsonaro é contra os trabalhadores e aliado de Temer por Lucas Fogaça

    Bolsonaro ataca negros, pessoas gordas, quilombolas, indígenas e refugiados no clube Hebraica por Jéssica Milare 

     

  • Leia a nota do PSOL, pelo voto em Haddad e Manuela no 2º turno

    #EleNão: para derrotar Bolsonaro e defender direitos, no 2º turno o PSOL defende o voto em Haddad e Manuela

    As eleições no primeiro turno terminaram mantendo o mesmo cenário de instabilidade e polarização provocados pelo golpe de 2016 e que aprofundou uma crise econômica e social que já se desenvolvia. Também aprofundou uma crise de representação política de tal monta que gerou as condições para o surgimento de uma candidatura de extrema-direita e que chegou ao segundo turno com apoio de parte considerável das classes dominantes. A eleição golpeou diferentes caciques políticos, fazendo com que a extrema-direita capitalizasse a raiva social contra o “sistema”.

    O 2º turno é a continuidade da luta contra o fascismo e o golpe. A tarefa central nesse momento é, portanto, derrotar Bolsonaro. Sua derrota abre a possibilidade de bloquear a agenda iniciada por Temer, garantir a soberania nacional e reunir condições para seguir defendendo as conquistas democráticas frente ao autoritarismo. Para isso o PSOL apoiará a partir de agora a candidatura de Haddad e Manuela, mesmo mantendo diferenças políticas e preservando nossa independência. Convocamos toda a nossa militância a tomar as ruas para continuar dizendo em alto e bom som: ele não!

    O PSOL e a aliança que conformamos no primeiro turno em torno de Boulos e Sônia, com os movimentos sociais e o PCB, intelectuais e artistas continuará a defender a dignidade do povo brasileiro contra a desigualdade e os privilégios. Essa candidatura marca o início de um novo ciclo na esquerda brasileira e o PSOL tem orgulho de ter acolhido e estimulado essa construção. Por isso, continuaremos a defender as causas que nenhuma outra candidatura teve a coragem de sustentar.

    Estaremos na campanha para derrotar Bolsonaro e eleger Haddad e Manuela defendendo a soberania nacional e os direitos da maioria de nossa gente. Estaremos nas ruas e nas urnas exigindo a revogação de todas as medidas do governo Temer, contra a reforma da previdência, a reforma trabalhista, o fim do genocídio contra a população negra, o fim da violência contra a comunidade LGBT, a desmilitarização da polícia, a legalização das drogas, a demarcação das terras indígenas e quilombolas, o desmatamento zero e na defesa dos direitos das mulheres e todas as suas pautas – a igualdade salarial, a lista suja do machismo e a legalização do aborto. E para tanto, não abriremos mão da luta por nossa soberania energética com a defesa do Pré-sal, da Petrobrás e da Eletrobrás, na perspectiva de uma transição da matriz energética e do modal de transportes.

    O PSOL compreende que a luta para derrotar Bolsonaro no 2º turno é para defender e ampliar direitos e não para negociá-los. Seguiremos enfrentando privilégios e lutando para que o povo ocupe o centro das decisões. Só assim será possível garantir um ciclo de esperança, justiça, igualdade e soberania no Brasil.

    Orientamos nossa militância a constituir comitês amplos pelo #EleNão. O exemplo das mulheres, que tomaram as ruas no último dia 29 de setembro, nos inspira e fortalece para que novas manifestações massivas ocorram para derrotar a extrema-direita. Estaremos na campanha para levar Haddad e Manuela a vitória e para que a vontade do povo seja respeitada. Onde houver segundo turno para os governos estaduais, orientamos nossa militância a apoiar nomes que se oponham publicamente ao projeto de Bolsonaro. Em cada estado as instâncias locais definirão as formas de contribuir ativamente na mobilização popular para derrotar o atraso, priorizando a construção de espaços plurais e que incorporem todos e todas que defendem a democracia, mantendo nossos princípios e a coerência que marcam o PSOL.

    Continuaremos nas ruas, juntos, sem medo de mudar o Brasil. Ele não!

    Executiva Nacional do PSOL
    São Paulo, 8 de outubro de 2018

     

    LEIA MAIS – EDITORIAL

    Segundo turno: Votar 13 para derrotar Bolsonaro. Ditadura nunca mais!

  • O que ela [a vida] quer da gente é coragem

    “O que ela quer da gente é coragem.
    (Guimarães Rosa. Grande Sertão Veredas)

    Estamos a apenas três dias das eleições. Nunca houve um cenário tão incerto, as peças vão se mover até o último minuto. O jogo está sendo jogado e não termina dia 7, independentemente do resultado.

    As últimas pesquisas são, indiscutivelmente, duras e preocupantes. A mais recente, do Ibope, aponta Jair Bolsonaro com 38% dos votos válidos (32% dos votos totais). É bem possível que exista algum grau de distorção, mas a verdade é que elas refletem a realidade brasileira.

    Bolsonaro não é um fenômeno eleitoral, as ideias que ele representa vêm ganhando terreno há alguns anos. O país passou por um GOLPE parlamentar, apoiado por manifestações reacionárias enormes, de centenas de milhares nas ruas. A classe dominante brasileira fez uma grande aliança contra os trabalhadores e seus setores mais oprimidos, usando o discurso de combate à corrupção e ao PT. Colocou todas as suas instituições para trabalharem em prol do golpe: as câmaras legislativas, o judiciário, a mídia, as igrejas e também o exército. Foi realmente um “grande pacto nacional”, como nomeou Jucá.

    Foram três anos operando o golpe, sustentando uma narrativa, votando quiilos de ataques contra o povo, alterando textos constitucionais, aprofundando qualitativamente retrocessos estruturais no pais. O candidato que até então ocupava o primeiro lugar nas pesquisas, Lula, está preso para que não possa concorrer.

    Obviamente, isso tem grande impacto sobre a consciência de setores médios da sociedade e sobre a própria classe trabalhadora. Tudo guinou à direita. A histórica base social do PSDB migrou para Bolsonaro, agora parece que o próprio PSDB, ou parte dele, começa a seguir sua base. O sentimento anti-petista cultivado com afinco nestes três anos, agora resulta no discurso de ódio, preconceituoso, que enxerga nas mulheres, negros, lgbts, militantes de direitos humanos, pessoas de esquerda, inimigos internos.

    O grande fato qualitativo na realidade brasileira é que a extrema-direita está consolidando uma base social muito significativa, e as ideias neofascistas avançando posições muito rapidamente. Neste sentido, embora seja assustador, o crescimento de Bolsonaro nas eleições não é algo surpreendente.

    E é exatamente por tudo isso que o dia 29 foi tão corajoso e grandioso. Levantamos a cabeça e mostramos força. O recado foi: entramos na briga, vamos lutar. Não é uma luta imediatista, muito menos fácil, é uma caminhada de médio, longo prazo e demos um grande passo, mas foi apenas o primeiro.

    Vamos lutar muito nas ruas e nas urnas para impedir que um fascista se torne presidente do país. O jogo está sendo jogado, podemos vencer. Mas há também a possibilidade de Bolsonaro ganhar as eleições, é parte da realidade. E então? O que faremos? Não temos escolha senão lutar. As mulheres estão construindo uma Frente Única Anti-fascista, entre diversas correntes de pensamentos da classe trabalhadora, estão preparando um novo grande dia nacional de atos contra Bolsonaro, o 20 de outubro. Não sairemos das ruas. Sabemos que o presente e o futuro depende do que faremos agora e nos próximos meses.

    Se formos vitoriosos em derrotar Bolsonaro nas urnas, ainda nos restará a tarefa de derrotar suas ideias que tomaram conta, no mínimo, de um terço da população. Para isso precisamos de um programa oposto ao dele. Como diz Guilherme Boulos, candidato à presidência pelo PSOL, é hora de enfrentar o programa de conciliação de classe, de enfrentar os golpistas, nenhum perdão à eles.

    O Manifesto Nacional das Mulheres Unidas contra Bolsonaro, que solda esta Frente Única, é um bom parâmetro do que não fazer em um próximo governo. Não queremos Bolsonaro, pois além do retrocesso nas liberdades democráticas e nos costumes, não queremos seu programa de governo ultra neoliberal, não queremos a reforma da previdência, o fim do 13° salário, o projeto “escola sem partido, a continuidade da reforma trabalhista, da lei das terceirizações, da Emenda Constitucional 95, dentre outros tantos retrocessos. Ao candidato que enfrentar Bolsonaro no segundo turno, possivelmente Haddad (PT), seria um bom começo assinar o Manifesto como uma “carta-compromisso” com as mulheres que abriram caminho para a derrota do neofascismo.

    Em todas as hipóteses, esta é uma luta que nos exigirá fôlego, frieza, unidade, tempo, e principalmente, coragem. Não sairemos das ruas, não abaixaremos a cabeça. Vamos derrotar Bolsonaro e suas ideias. Pelos que tombaram na Ditadura Militar, por Marielle Franco, por todos nós e nossos filhos. É possível.

    #EleNao  #EleNunca

     

    FOTO: Mulheres contra Bolsonaro. Ato no Rio de Janeiro. Cobertura colaborativa Esquerda Online

  • Cinco ideias sobre a importância dos atos das mulheres contra Bolsonaro

    No dia em que Jair Bolsonaro (PSL-RJ) deixou o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde se recuperava do atentado que sofreu, multidões tomaram as ruas, atendendo ao chamado do movimento “Mulheres Unidas contra Bolsonaro”, para um protesto contra a sua candidatura reacionária e a extrema-direita neofascista.

    Foi uma das maiores manifestações nacionais de nossa história recente. Os dados são imprecisos, mas já se pode afirmar, com certeza, que a soma da presença nos atos nas capitais se aproxima de 1 milhão de manifestantes. Ainda será preciso contabilizar as centenas de outras cidades brasileiras que sediaram protestos. E ainda os mais de 60 atos no exterior. Sem dúvida, um “mar de gente” foi às ruas contra o neofascismo.

    Ontem, realmente foi um dia histórico. Muito ainda será escrito sobre sua importância e impacto na realidade brasileira. Mas cinco ideias merecem destaque.

    1. O protagonismo das mulheres
    Não é mero acaso que foram as mulheres que encabeçaram o lindo movimento de ontem. O protagonismo das mulheres se fez sentir em várias lutas do mundo nos últimos anos, como na Argentina e Espanha. Em especial, chama a atenção a relação entre a luta das brasileiras contra Bolsonaro e as gigantescas manifestações de mulheres contra Trump nos Estados Unidos.

    No Brasil já se podia sentir este destaque das mulheres, seja no crescimento das manifestações do 8 de Março e na primavera feminista pelo Fora Cunha e contra o PL 5069.

    Suas lutas mostram o caminho. Em 2017, as mobilizações das mulheres foram a ante sala das grandes mobilizações da classe trabalhadora, cujo ápice foi a Greve Geral de abril, contra os planos de ajuste e as reformas reacionárias do governo ilegítimo de Temer.

    É o que é mais importante. As mulheres na vanguarda não tem significado isolamento e exclusividade, pois junto com elas, ao seu lado, estiveram ontem amplas parcelas do povo trabalhador, da juventude e do conjunto dos oprimidos. Os atos de ontem foram também marcados pela luta contra a homofobia e o racismo, pelas bandeiras trans, pela luta de todos os que somos alvos da ameaça neofascista. Como estava escrito em vários cartazes: “Se fere a nossa existência, seremos resistência”.

    2. Uma manifestação de caráter inédito
    Foi um dia para ficar por muitos anos em nossa memória e consciência. Difícil encontrar na história do Brasil registros de um movimento como o de ontem, por sua dimensão gigantesca, às vésperas de uma eleição nacional. Geralmente nos momentos de eleições a atenção fica concentrada na escolha dos candidatos e, no máximo, ocorrem grandes comícios de campanha.

    As manifestações deste sábado chamam a atenção por buscar interferir positivamente e diretamente na disputa das eleições presidenciais, para tentar mudar o signo negativo do crescimento de Bolsonaro e de sua pauta. E isso sem estar sob controle de apenas um partido ou candidatura. O exemplo dessa unidade deve sempre nos acompanhar, para as nossas lutas no futuro.

    3. A hegemonia da pauta da esquerda
    Nos dias que antecederam os protestos, alguns setores da esquerda, equivocadamente, falavam dos riscos de que as manifestações fossem usadas pela direita tradicional, especialmente pelo PSDB de Alckmin, para se fortalecer eleitoralmente.

    Ledo engano. É importante destacar que elas foram unitárias, convocadas e construídas por amplos setores. Mas quem esteve nas ruas ontem, em todo o país, viu uma ampla hegemonia das pautas e causas da esquerda.

    A esmagadora maioria dos presentes não tinha opção partidária, mas não passava despercebido a grande presença da militância da esquerda e das suas principais propostas.

    A defesa das liberdades democráticas, o repúdio a todo e qualquer tipo de opressão, a defesa dos direitos sociais e trabalhistas, do investimento em serviços públicos de qualidade, o repúdio às maldades de Temer e a frase “ditadura nunca mais” deram a tônica.

    É impossível imaginar que seja a velha direita a se beneficiar politicamente de um movimento tão pela esquerda. Senão, como explicar a pouca cobertura e até mesmo a manipulação das imagens pela grande mídia, muito diferente da cobertura dada para as manifestações dos “amarelinhos”.

    É com grande felicidade que devemos comemorar que a esquerda ganhou novamente a hegemonia das manifestações de rua, que sempre deve ser nosso palco principal.

    E também a enorme simpatia e receptividade aos candidatos e propostas do PSOL, fruto de uma aplicação correta da frente única nesta espetacular mobilização.

    4. Os impactos sobre a realidade brasileira
    Ainda é cedo para tirarmos todas as conclusões e lições do dia de ontem. Mas, com certeza, será uma dia para comemorarmos por muitos anos.

    Não temos dúvida da grande importância de derrotarmos Bolsonaro nas urnas, se possível não deixando nem que chegue ao segundo turno. Estaremos empenhados ao máximo nessa tarefa nessa última semana de campanha.

    Uma coisa é certa: podemos ter a convicção que a luta contra a extrema-direita neofascista no Brasil não será apenas eleitoral.

    Depois desta nova “primavera das mulheres”, sabemos que essa luta será travada principalmente nas ruas, com manifestações que impeçam a escalada reacionária e conservadora representada por Bolsonaro e seus aliados. Nenhuma liberdade para os inimigos da liberdade.

    O movimento “Mulheres Unidas contra Bolsonaro” já discute a convocação de uma nova data de manifestações nacionais. É muito importante que essa luta siga, para derrotarmos Bolsonaro nas ruas e nas urnas.

    5. A importância de votar em mulheres do nosso povo
    Estamos a apenas uma semana das eleições. E isso não pode ser ignorado. O impulso dos atos deve ser aproveitado ao máximo para avançar em outra luta muito importante – superar a nefasta subrepresentação das mulheres na política brasileira.

    Só para dar exemplos desse absurdo: de 513 deputados federais, apenas 54 são mulheres (cerca de 10%). O mesmo se repete em relação a representação negra, indígena e LGBT. Dos 513 deputados federais, temos hoje apenas um LGBT.

    Em um ranking internacional de representação política das mulheres, com 192 países, o Brasil ocupa o vergonhoso 152º lugar. Na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, dos 70 parlamentares, temos apenas oito mulheres. Logo onde a quinta vereadora mais votada da capital, Marielle Franco (PSOL), foi executada sumariamente há seis meses, num crime evidentemente político, ainda sem resposta. Uma vergonha.

    Não se trata apenas de defender o voto em mulheres. Mas de afirmar a importância de elegermos mulheres que se identificam com as causas e pautas levadas nos protestos de ontem.

    Por isso, nessa última semana de campanha, vamos para as ruas, praças, locais de trabalho, estudo e moradia afirmar em alto e bom som: “ajude a eleger uma mulher do nosso povo”, “eleja mulheres da esquerda”, “mantenha viva a semente plantada por Marielle”, entre tantas outras ideias a favor do fim do horrendo preconceito e da intolerável violência contra as mulheres, negros e negras e lgbts.

    E tendo a certeza que esse movimento pode ser um importante ponto de apoio para seguir na luta em defesa dos direitos e conquistas de toda a classe trabalhadora e do povo brasileiro, atacados brutalmente pelo golpista Temer. Mais uma vez, com as mulheres à frente, até a vitória!

    FOTO: Ato em São Paulo (SP). Bruna Piazzi / Cobertura colaborativa Esquerda Online

     

    LEIA MAIS

    Manifesto das mulheres unidas contra Bolsonaro; por igualdade, liberdade, direito e uma vida sem violência

  • O mapa das eleições estaduais

    Com o Brasil mergulhado em uma aguda crise econômica, política e social, a corrida presidencial adquiriu grande centralidade no processo eleitoral. Entretanto, ainda que a presidência seja o posto principal da estrutura política brasileira, as eleições para os executivos estaduais também possuem grande relevância. Os governadores não apenas são responsáveis por questões do cotidiano da população (como segurança pública, saúde e educação, entre outros), como, também, participam da dinâmica política nacional, exercendo pressões sobre o governo federal e articulando iniciativas com as bancadas federais de seus estados.

    A despeito dessa importância, rascunhar um quadro preciso da disputa nos 26 estados e no Distrito Federal é tarefa inglória, principalmente, em função da desigualdade dos dados disponíveis. Diante dessas dificuldades, o objetivo desse texto é apenas tentar delinear algumas tendências que se insinuam nas eleições estaduais, sem, entretanto, tomá-las como verdades absolutas.

    Para isso, tomo como referência as últimas pesquisas publicadas pelo Ibope em cada ente federativo. Essas enquetes foram produzidas em três momentos: entre 16 a 18 de setembro (AM, PA, RR, RO, AP, MA, PB, PE, BA, DF, MG, SP, RJ); em diferentes dias da primeira quinzena de setembro (RS, PR, ES); e em variados períodos da segunda quinzena de agosto (AC, TO, CE, PI, RN, SE, AL, MT, MS, GO e SC). Na observação desses dados, deve-se considerar que as pesquisas realizadas há mais tempo tendem a apresentar cenários mais distantes do existente hoje, em função da evolução posterior das disputas ainda não captada por novas pesquisas.

    O quadro geral: força da velha direita

    Um primeiro dado evidenciado pelas pesquisas mencionadas é o de que há relativa dispersão partidária dos votos para os governos estaduais, na medida em que 11 agremiações diferentes ocupam o primeiro lugar em, pelo menos, um estado.

    Em meio a essa dispersão, é importante salientar que os três partidos que constituem a coluna vertebral da Nova República (PT, PSDB e MDB) permanecem se destacando do conjunto. No caso específico do PSDB, é importante indicar que, além de liderar em quatro estados, o partido possui, ainda, três outros candidatos que estão em segundo lugar, mas tecnicamente empatados com os líderes de seus estados (SP, SC e RS). Fechando o grupo dos partidos que lideram em mais de um estado, aparecem o DEM e o PSB, partidos que tiveram papeis significativos nas coalizões dos governos federais, respectivamente, do PSDB e do PT.

    Essas constatações, entretanto, não deve conduzir à ideia de que haja um equilíbrio de forças entre os espectros amplos da direita e da esquerda. Se tomarmos como referência o impeachment de Dilma Rousseff – fato que marcou a principal encruzilhada política do último período –, os partidos que votaram contra a destituição da presidenta lideram em apenas 8 estados (6 do PT + 1 do PDT + 1 do PCdoB), ao passo que os favoráveis acumulam 20 lideranças.

    Mapa estadps partidos e o voto no impeachmentA depender da evolução do quadro eleitoral, essa correlação de forças pode ficar ainda mais desequilibrada, uma vez que o PT possui duas das lideranças mais frágeis: no Acre, há empate absoluto com o candidato do PP e, em Santa Catarina, empate técnico.

    Outro elemento significativo no cenário atual diz respeito ao grau de renovação nos governos estaduais. Dos 20 governadores que buscam a reeleição, dez ocupam a primeira posição, ao passo que outros cinco têm boas chances de alcançarem o segundo turno. Mesmo entre aqueles que não concorrem à reeleição, há inúmeros casos de políticos tradicionais com longas carreiras públicas que lideram as disputas em seus respectivos estados, como Eduardo Paes (DEM) no Rio de Janeiro, Antonio Anastasia (PSDB) em Minas Gerais e Helder Barbalho (MDB) no Pará. Esses dados sugerem que, a nível estadual, tem havido um relativo bloqueio à expressão mais contundente do sentimento de saturação com os políticos tradicionais que atualmente caracteriza boa parte do eleitorado.

    Dois elementos que podem ser inicialmente mobilizados como hipóteses para uma explicação dessa situação. De um lado, o peso das máquinas administrativas e dos currais eleitorais parece continuar sendo um fator preponderante na definição do voto estadual. De outro lado, é inegável que alguns políticos com longa experiência adotaram medidas de renovação formal de suas imagens, seja se afastando de partidos mais desgastados em determinadas regiões, seja adotando nomes públicos mais simpáticos.

    O reduto petista no Nordeste

    Em termos eleitorais, o principal contraponto a esse fortalecimento da direita tradicional está localizado no Nordeste. Naquela região, PCdoB e PT, lideram, respectivamente, em um e quatro estados. Em três deles, são muito elevadas as probabilidades de vitória ainda no primeiro turno (BA, PI e CE), uma hipótese que também não é inteiramente descartada nos outros dois (MA e RN). Configura-se, dessa forma, um importante reduto do bloco político que aposta na estratégia da conciliação de classes.

    Esse cenário é coerente com o realinhamento eleitoral do petismo e, mais especificamente, do lulismo, a partir do pleito de 2006. Desde então, Lula e Dilma obtiveram sólidas maiorias no Nordeste, que também tem se apresentado como carro-chefe das intenções de voto em Fernando Haddad.

    Como ala esquerda da ordem capitalista, ainda que não tenham rompido os padrões históricos de subordinação regional do Nordeste ao Sul-Sudeste, os governos petistas se caracterizaram por algumas políticas públicas que tiveram profundo impacto na região que concentra os maiores índices de pobreza do país. Dentre elas, é possível citar o avanço na infraestrutura (em especial, no que se refere ao fornecimento de energia elétrica), a abertura de universidades e institutos federais, as políticas sociais e as iniciativas de incentivo ao consumo.

    Apesar da força atualmente demonstrada, o médio prazo já anuncia um desafio importante para o bloco PT/PCdoB. Dos seus cinco candidatos que lideram as pesquisas, quatro são governadores em busca da reeleição, o que faz com que a extensão da força do bloco na região para além de 2022 dependa de uma necessária transição de quadros. Além disso, caso Haddad e Manuela saiam derrotados das eleições presidenciais, o mais provável é que os estados governados por seus partidos sejam colocados no final da lista de prioridades de qualquer presidente oposicionista, aumentando as dificuldades dos governadores.

    O PSOL como alternativa à esquerda

    Dentre as forças políticas que se localizam à esquerda do bloco PT/PCdoB, o PSOL é, inegavelmente, o que atinge os melhores resultados eleitorais. À exceção do Acre e do Amapá, onde não lançou candidaturas, o partido oscila entre 0 e 3% das intenções de voto em 24 estados. Ainda que tímidos, tais percentuais colocam o partido em empate técnico com os candidatos do PT em, pelo menos, cinco desses estados (MS, GO, DF, ES e PR).

    O quadro é completado pelo Rio de Janeiro, onde o Ibope atribui 4% das intenções de voto a Tarcísio Motta, ainda que haja um notório potencial para um desempenho ainda melhor. Em 2014, o mesmo candidato se aproximou dos 9% na apuração final, tendo como concorrente pelo voto de esquerda um quadro petista (Lindbergh Farias) muito mais experiente e conhecido do que Márcia Tiburi.

    Essa limitada influência eleitoral pode ser explicada por uma série de fatores. Em primeiro lugar, a conjuntura adversa, marcada por uma ofensiva burguesa e conservadora não apenas aproxima das posições de direita amplos segmentos da população, como, também, apresenta uma pressão pelo coesionamento da esquerda em torno do PT. Em segundo lugar, a opção política da maioria das coligações do PSOL de não aceitar os partidos da ordem – tanto de direita, quanto de esquerda –, reduz substancialmente o acesso de suas candidaturas ao tempo de televisão. Em terceiro lugar, a disparidade financeira entre o partido e seus concorrentes dificulta a obtenção de uma forte infraestrutura de campanha.

    A importância das candidaturas do PSOL, entretanto, não deve ser medida prioritariamente por fatores quantitativos, mas por sua distinção qualitativa em relação aos principais partidos do país, aí incluídos PT e PCdoB. Nesse terreno, o elemento fundamental é a sua capacidade de servir como ponto de apoio político e programático para os movimentos sociais mais combativos do país, estabelecendo pontes entre eles, rejeitando a conciliação de classes e preservando a estratégia de uma política independente da classe trabalhadora e dos setores oprimidos.

     

    LEIA MAIS

    Boulos Presidente, “voto útil” e as tarefas da esquerda socialista

    Save

    Save