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A suposta ajuda humanitária de Trump, Duque e Bolsonaro é uma farsa

Por: Gabriel Santos, de Maceió, AL
TV NBR / Divulgação

Neste sábado, 23, o clima amanheceu angustiante. Tanto na fronteira da Venezuela com o Brasil, quanto com a Colômbia, caminhões aguardavam para levar para o lado venezuelano uma suposta ajuda humanitária enviada pelos governos norte-americano e seus capachos, como o presidente colombiano Ivan Duque e o governo brasileiro de Jair Bolsonaro.

O impasse se os caminhões sairiam ou não, gerou apreensão. As televisões e os jornais da mídia internacional acompanhavam toda movimentação no estacionamento. E cada ronco do motor dos caminhões era vendido falsamente como se fosse um grito de liberdade. A cada hora que se passava para a saída dos caminhões gerava mais apreensão e mais pessoas chegavam no local e se amontoavam, gerando diante das câmeras imagens de centenas de pessoas que corriam lado a lado dos caminhões e de Guaidó enquanto estes davam partida para atravessar a fronteira.

É no mínimo estranho que justamente estes três países estejam preocupados com uma suposta ajuda humanitária. O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, passou anos e anos atacando os direitos humanos. A Colômbia é o país do mundo que mais se matam ativistas de movimentos sociais, as forças de esquerda sofrem forte repressão e suas lideranças são constantemente assassinadas. Os Estados Unidos tem em seu histórico invasões em diversos países ao longo do mundo, fomentação de golpes de estado, financiamento de oposição para desestabilizar a democracia. Hoje mesmo, Trump apoia a guerra no Iêmen, descrito pela ONU como a maior crise humanitária do século XXI. O governo americano mantém ótimas relações com o regime saudita, um dos regimes que mais desrespeita direitos humanos e de minorias em todo o mundo e que está envolvido no planejamento e assassinato de um jornalista.

O governo Trump além de implementar diversas sanções à Venezuela, limitando a venda do petróleo para o mercado internacional, bloqueou diversas contas do governo. Os bancos estatais venezuelanos, tiveram valores de 30 bilhões bloqueados e no início do mês o governo norte-americano, por meio de seu secretário de estado, anunciou novas sanções a PDVSA, a petroleira estatal venezuelana e segunda maior petroleira do mundo. As sanções geram bloqueio imediato de cerca de 7 bilhões de dólares.

É no mínimo irônico que um governo que bloqueou contas e anuncie sanções com o objetivo de desestabilizar economicamente um outro governo, gerando assim protestos contra ele, logo depois anuncie medidas de ajuda humanitária.

Dessa forma fica nítido que nenhum deses três governos está realmente interessado na melhoria do povo venezuelano. Essa ajuda humanitária é uma farsa e seu interesse com é outro. Ela busca desestabilizar e preparar a derrubada do governo de Nícolas Maduro
Trump, Duque, Bolsonaro e o golpista Guaidó , colocam que hoje seria um dia “D”, para enfraquecer Maduro, justamente um mês após Juan Guaidó se auto-declarar presidente do país, mesmo sem ter concorrido ao cargo,

O cálculo do imperialismo e seus capachos é simples. Caso os alimentos enviados por estes países não entrem na Venezuela, centenas de fotos dos caminhões parados na fronteira irão rodar o mundo e estampar as capas dos principais jornais. Maduro será chamado de ditador que impede a entrada de ajuda para a própria população.

O fato de não permitir a entrada da “ajuda”, será um fato político usado pelos golpistas. A frase “Maduro impede a entrada de alimentos e medicamentos no país” irá entrar na casa de centenas de milhões de pessoas por todo o mundo. Minando uma solidariedade internacional com a Venezuela, e legitima perante a classe trabalhadora mundial uma provável intervenção estrangeira. O fato da “ajuda” não ter entrado, também será um dos motivos apontados pelo Grupo de Lima para fazer uma invasão.

Por outro lado, caso permita a entrada dos caminhões, Maduro mostrará que cedeu diante dos golpistas e do imperialismo. Mostrará menos força, perderá autoridade e os adversários do povo irão sair fortalecidos. Guaidó terá peitado Maduro e terá vencido. O golpista sairia moralizado diante do presidente.

Dessa forma, não resta nenhuma dúvida. A ajuda humanitária é uma chantagem política que o imperialismo e os golpistas tentam fazer com o governo bolivariano e uma tentativa de desmoralização do mesmo. Busca desgastar Maduro e somente isso. As próximas horas e o destino final dessa suposta “ajuda” serão, além de intensas, decisivas para a Venezuela e toda América Latina.

Deserções nas Forças Bolivarianas?

Desde que se iniciou a nova tentativa de golpe, a um mês atrás, Juan Guaidó declara parte considerável de seus discursos para os militares. Ele hora sim outra também convoca o exército a se unir a sua aventura golpista. O presidente norte-americano, é outro, que
sempre brada para os membros das Forças Armadas venezuelanas abandonarem o povo e seguirem os passos do golpismo.

Tanto Trump quanto Guaidó sabem da força e do papel que as Forças Armadas Bolivarianas tem hoje na Venezuela. O Comandante Chávez iniciou o processo de construção do bolivarianismo dentro dos quartéis. Em, 1992, três anos depois do processo revolucionário ter se iniciado no país com o Caracazo, Chávez e outros militares tentaram chegar o poder por meio da força, mas acabaram presos. O golpe de Estado fracassado que Chávez liderou teve apoio de 90% da população e colocou Chávez como uma celebridade no país, abrindo o caminho para que anos depois, em 1999 ele fosse eleito presidente da Venezuela.

As Forças Armadas sofreram um processo de trabalho ideológico forte. Sendo associadas diretamente ao povo, e ao processo revolucionário bolivariano. Hoje, a ligação desta com o governo Maduro é um pouco diferente da era do presidente Chávez. Pois, muitos militares estão ocupando cargos fundamentais do Estado.

Hoje as Forças Armadas Bolivarianas contam com 213 mil membros, e, caso somarmos os membros da Guarda Nacional, e das milícias bolivarianas e suas Unidades Populares de Defesa, a quantidade de pessoas armadas para defender a pátria, o povo e as vitórias do
processo revolucionário, chegam a mais de 500 mil.

Dessa forma é no mínimo ridículo que a mídia brasileira e a internacional deem tanta atenção ao fato de dois soldados de baixa patente terem desertado na noite de sexta. Felizmente na Venezuela houve uma democratização da mídia, que impede que notícias anti-povo e tão forçadamente manipuladas cheguem as casas da população.

Em toda guerra e em todo processo revolucionário irá haver desertores e traidores. E estes não virão somente do baixo escalão, mas é possível e provável que membros de alta patente das FAB acabem abandonando a pátria e o povo. Mas, não resta dúvidas que a maioria das Forças Armadas Bolivarianas irá permanecer na luta contra a intervenção imperialista.

Os golpistas sabem disto, e buscam por meio das declarações e da agitação a cada novo membro da FAB desertor criar um clima de ruptura e divisão dentro do país, para assim apontar que a situação está insustentável, forçando Maduro a recuar ou uma intervenção
estrangeira no país.

Um exemplo de solidariedade internacional. A ajuda humanitária e entre os povos que liga o Haiti e a Venezuela

A Venezuela é um exemplo quando se trata de auxiliar economicamente outros países e solidariedade internacional. Em 2005 foi criado a aliança PetroCaribe, que venderia a preço muito abaixo do mercado o petróleo venezuelano para países caribenhos e da América Central, em especial para o Haiti. O Governo Bolivariano estendia o prazo de pagamento de dívidas desses países para serem pagas até 2025.

Em 2010, o Haiti, um dos países mais pobres da região, e que historicamente foi transformado em uma colônia norte-americana, sofre um terremoto seguido por uma série de tornados que destrói o país e gera centenas de mortes. O presidente Hugo Chávez perdooou a dívida haitiana de 295 milhões de dólares, disponibilizou outros milhares para a construção de escolas e hospitais. Anos depois, se descobre que o governo haitiano, um mero fantoche dos Estados Unidos e da ONU, desviou mais de 80% desse dinheiro. Chávez sempre dizia que ele, a Venezuela, e o povo de seu país, tinham uma dívida histórica com os haitianos, por terem mostrado a todo o continente como se combate e faz revoltas populares.

Hoje, o Haiti se encontra em mais de dez dias seguidos de revoltas populares contra o governo. O aumento do preço de gasolina no Haiti, um dos estopins para os gigantescos protestos, tem a ver com o fim do PetroCaribe e a proibição que a Venezuela tem de vender ao país o petróleo, por conta das sanções.

O povo haitiano não se esqueceu da solidariedade da Revolução Bolivariana e de Chávez, e tem entre os três principais eixos dos protestos atuais o fim da interferência imperialista na Venezuelana, que é apoiada pelo presidente haitiano Jovenal Moise.

Os setores mais avançados do povo haitiano assim como do povo venezuelano sabem que tem um inimigo em comum: o imperialismo. E sabem que contra as garras do Império a solidariedade internacional entre povos e países irmãos é uma arma poderosa. A Revolução Bolivariana se encontra diante de um beco sem saída. Maduro precisa ser firme. Na segunda-feira o Grupo de Lima irá se reunir. Até lá serão poucas horas que marcam o destino de nosso continente.

É preciso avançar

O revolucionário jacobino Saint Just, afirmava ainda no século XVIII que “não existe meia revolução, aqueles que ficam no meio do caminho acabam se atolando em um mar de lama”. Ele está certo, a máxima do trotskismo vai no mesmo sentido “tudo que não avança,
retrocede”. Maduro precisa tomar medidas radicais. Ele e a direção do PSUV não abandonam o discurso pacificador e de chamar a oposição, a mesma que está tentando um golpe de estado, para negociar em uma mesa. Como se isso fosse possível agora, aos 43
minutos do segundo tempo.

O governo Maduro precisa fazer aquilo que não fez até agora, tomar medidas radicais de enfrentamento ao capital. Somente assim vai ser possível superar a crise econômica. A única forma de combater a forte crise econômica e de escassez de alimentos, e fazer com
que os trabalhadores tenham novamente confiança no governo, vai ser enfrentando as sanções que o imperialismo impõe ao povo venezuelano.

Dessa forma, todo monopólio imperialista no país, assim como as empresas que boicotam o governo e apoiam o golpe, devem ser estatizadas e colocadas sob o controle da classe trabalhadora por meio de suas associações populares. Os bancos também devem ser nacionalizados e um monopólio sobre o comércio exterior por meio do Estado deve ser implementado. Somente assim o governo terá recursos para financiar um plano econômico de emergência, tão necessário para superar a crise.

É possível superar a crise e vencer o golpe. O povo venezuelano sabe disso e tem capacidade para tal. Mas para isso vai ser preciso que sua direção, Maduro e o PSUV, radicalizam o processo da revolução bolivariana. Ou é isso, ou ela fica pela metade. E uma revolução pela metade, infelizmente, logo começa a andar para trás.

A esquerda internacionalista e radical, deve seguir a denúncia do golpe imperialista, de Trump, Guaidó e seus capachos. É preciso cobrir de solidariedade o povo venezuelano e defender as vitórias do processo bolivariano.

 

FOTO: Avião saiu de Brasília com destino a Boa Vista, Roraima, com leite em pó e medicamentos. TV NBR / Divulgação