Rádio Peão

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  • Trabalhadores da Mercedes Benz entram em greve por tempo indeterminado

    Nesta segunda feira, 14, os trabalhadores da Mercedes Benz, de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, decidiram cruzar os braços por tempo indeterminado, até que a fábrica apresente outra proposta.

    Os trabalhadores da Mercedes há muitos anos vêm resistindo aos ataques da multinacional alemã. Ela se utilizou da queda da produção para demitir, congelar salários, transferir a produção para outras plantas, entre outros ataques. Os trabalhadores já fizeram greves, passeatas e já acamparam na frente da fábrica contra demissões, a ganância e os desmandos da empresa.

    No último período, a produção aumentou consideravelmente na planta de São Bernardo. A ponto de a empresa voltar a contratar pessoal, alguns meses atrás, no entanto, mantém a lógica de retirada de direitos.

    Em nota no site do sindicato dos Metalúrgicos do ABC, secretário geral do sindicato e trabalhador na Mercedes-Benz, Aroaldo Oliveira explica que há impasse em relação ao valor da PLR (Participação nos Lucros e Resultados) e na reposição salarial. “A empresa não aceita incorporar o reajuste aos salários e este é um dos pontos principais que estão emperrando as negociações. Queremos a reposição incorporada aos salários dos trabalhadores. Também reivindicamos que o cálculo da PLR leve em conta a exportação dos itens agregados [ motor, câmbio, eixos ]”. Ele destaca, ainda, que a empresa pretende demitir trabalhadores mensalistas (setor administrativo): “Não podemos aceitar demissões num momento de retomada da produção”.

    A empresa está se apoiando na famigerada reforma trabalhista para pressionar os trabalhadores, está se negando a renovar as cláusulas sociais, e tentando revogar a estabilidade por doença do trabalho, conquista histórica dos metalúrgicos. Ou seja, a própria fábrica não quer se responsabilizar pelo dano que ela própria causou na saúde e vida dos trabalhadores. Contra os ataques dos patrões e do governo, RESISTIR é preciso.

  • CSN anuncia lucro de 1,5 bi e oferece PPR menor que salário dos trabalhadores

    Proposta da empresa é de 0.9 no Programa de Participação de Resultados (PPR) e empregados podem deflagrar greve a qualquer momento

    Coluna Rádio Peão

    Nesta segunda feira, dia 14 de maio, a CSN anunciou mais um recorde de lucros, saltando para R$ 1,486 bilhões. A divisão de siderurgia respondeu por 67,5 % da receita líquida do período, com alta de 20 % ante um ano antes devido, principalmente, ao aumento de volume comercializado no mercado interno e ao maior preço médio do aço comercializado no Brasil e no exterior. Pouco antes de anunciar estas cifras, a CSN divulgou a venda de sua participação na subsidiária nos Estados Unidos por cerca de 400 milhões de dólares.

    Trabalhadores: participação nos lucros ou nos prejuízos?
    Em contrapartida, a empresa oferece aos seus trabalhadores um Programa de Participação no Lucros e Resultados de apenas 0.92, ou seja, se um trabalhador ganha R$ 1 mil, este receberia uma PPR de R$ 920.

    As vacilações do sindicato
    O Sindicato Metalúrgico de Volta Redonda é ligado à Força Sindical, que é a mesma federação sindical apoiada por Benjamim Steibruch no período da privatização da empresa. Sim, a turma ligada a Silvio Campos, atual presidente do sindicato, apoiou a privatização. A ideia de “Parceria com os Patrões” se transformou em total serventia aos donos do capital privado. Acabaram as greves, as mobilizações, o trabalho de base no chão da fábrica, a luta como um princípio mobilizador e libertador. As assembleias deram lugar a votações dos trabalhadores em urnas. Claro, essa é a melhor forma de controlar o trabalhador e impedir que eles se unifiquem, todos, na porta da empresa, pressionando o sindicato. No chão da Usina cresce a revolta. Todos falam em parar. Apesar das dúvidas se o operário e operária CSN topariam uma greve, vários grupos se formaram dentro da usina com um único objetivo: exigir que paguem a PLR.

    Assembleia na quinta-feira (18)
    Caso a nova proposta da empresa, que será anunciada nesta terça-feira (15), seja inferior a 2.4, que foi o valor do ano passado, o trabalhador deve se preparar para essa assembleia:

    Não aceitar proposta abaixo de 2.4;
    Votar “Estado de Greve”, mas só deflagrar a greve com o pagamento do mês de maio na conta. Não podemos ir à greve sem dinheiro;
    Exigir anulação das comissões de negociação da PPR. Construir junto com o Sindicato um Comando de Negociação composto por trabalhadores eleitos na assembleia, que irão participar junto com o sindicato das negociações e darão transparência a todo o processo. Os trabalhadores desta nova Comissão devem ter estabilidade de um ano sem que sejam demitidos;
    Convocar a máxima união e solidariedade dos trabalhadores da CSN junto com a sociedade civil organizada de Volta Redonda. Movimentos Sociais, Estudantil, MST e MTST, partidos, OAB, Direitos Humanos, parlamentares, e todos que queiram ajudar barrando as entradas, e apoiando nossa luta.

    *Miguel é metalúrgico e militante da Resistência-PSOL

    Foto: Gabriel Borges

  • Após cinco dias de greve, metalúrgicos da Renault conquistam PLR de R$ 25.500 em 2018

    A primeira parcela da PLR será depositada ainda esse mês, no valor de R$ 19.300,00. Ao todo, serão injetados cerca de R$ 153 milhões na economia paranaense só este ano.

    Após rejeitar a primeira proposta da empresa e manter firme a mobilização durante cinco dias, os trabalhadores da Renault conquistaram um acordo de Participação de Lucros e Resultados (PLR) de R$ 25.500 por trabalhador em 2018. O acordo foi aprovado por cerca de 90% dos trabalhadores em assembleia durante a chuvosa tarde desta segunda-feira (7) em porta de fábrica.

    Acordo aprovado pelos trabalhadores
    Além da PLR de 2018, o acordo aprovado também garantiu a PLR do ano que vem para os trabalhadores da Renault, aumento no vale-mercado e reajuste salarial. Confira os detalhes:

    PLR
    2018 – R$ 25.500,00 (R$ 19.300,00 já neste mês)
    2019 – R$ 26.500,00

    Data-Base
    2018 – INPC (setembro de 2017 a agosto de 2018)
    2019 – INPC (setembro de 2018 a agosto de 2019)

    Com informações da publicação do Site do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba

  • Latam é condenada por assédio moral contra funcionário

    Trabalhador e militante sindical aeroviário de Porto Alegre deve receber mais de 20 mil reais em indenização

    Por: Paulo Sérgio, de Canoas, RS*

    No último dia 26 de julho, o juíz da 28º Vara do Trabalho de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, condenou a empresa aérea Latam a indenizar um trabalhador vítima de assédio moral. O magistrado Átila Roesler determinou, também, a anulação da demissão por justa causa e de todas as suspensões e descontos aplicados contra o funcionário. No entendimento do juiz, foi uma estratégia da empresa para intensificar o assédio após o trabalhador ter ido à justiça.

    O trabalhador, que atuava no setor de almoxarifado da empresa, Henrique Ramos, de 53 anos, comemorou a decisão da justiça. Militante sindical, concorreu na última eleição à entidade de sua categoria pela chapa de oposição à atual gestão. Também foi eleito por duas vezes representante dos trabalhadores na Comissão de Prevenção de Acidentes (CIPA), o que deveria lhe garantir um período de estabilidade. Mesmo gozando da estabilidade, Ramos foi demitido há mais de um ano e meio e tem conseguido o seu sustento dirigindo para um aplicativo de transporte.

    Apesar do alívio com a decisão, Ramos ressalta que os mais de R$ 20 mil da indenização por assédio moral não compensa os transtornos que sofreu. Relata que precisou buscar a justiça, pois mesmo após comunicar insistentemente a empresa, enviando e-mails até para diretores nacionais da companhia, não teve uma solução para o caso, vindo inclusive a sofrer de depressão em decorrência do seu dia a dia de trabalho.

    Conta que era motivo de brincadeira por parte de colegas, seja em função das avaliações sempre negativas da sua chefia afixadas no mural do setor, ou pelas agressões verbais que sofria, já que era tratado de forma diferente dos demais colegas. A situação se agravou quando, sem justificativa aparente, foi impedido de comparecer à formatura no ensino médio de sua única filha, hoje com 17 anos. Após o episódio, recorreu a tratamento médico, sendo afastado temporariamente do trabalho pelo INSS por motivo de saúde.

    Sindicato defende o assédio?
    Para Ramos, a falta de apoio do Sindicato dos Aeroviários de Porto Alegre é uma carta branca ao assédio. Mesmo filiado à entidade, não sentiu nenhum apoio de seus colegas sindicalistas. Acredita que isso ocorreu em função de sua participação na eleição anterior da entidade, quando era da chapa de oposição à atual gestão. Pleito que ainda aguarda julgamento sobre a sua validade.

    Conta que até mesmo para conseguir o Comunicado de Acidente de Trabalho (CAT), solicitado pelo INSS, teve grande dificuldade no Sindicato. Ramos destaca ainda que mesmo todos sabendo que enfrentava esse problema desde 2014, teve que constituir um advogado particular, e a única coisa que viu o Sindicato fazer foi publicar uma pequena nota no informativo da entidade no ano de 2015.

    Latam não comenta o caso
    A reportagem questionou a empresa aérea: se o gestor apontado como responsável pelo assédio contra Ramos ainda trabalha na companhia e, em caso positivo, como foi orientado quanto ao caso. Se a empresa mantém alguma política para evitar essa prática de assédio e se os seus colaboradores dispõem de um canal de solução destes conflitos.

    Mesmo com a decisão judicial apontando que a empresa sabia do ocorrido em função das inúmeras reclamações registradas pelo empregado, a assessoria da Latam preferiu não responder às nossas questões e informou em nota que: “A empresa já se manifestou nos autos do processo” e que, ainda “repudia qualquer tipo de assédio”, além de informar “possuir um código de conduta para prevenir e coibir este tipo de prática”.

    Na nota, a empresa não informou sobre nenhum canal de auxilio ao colaborador, nem quais seriam as “políticas e procedimentos” que visam combater o assédio moral na companhia.

    Periculosidade
    A decisão que condenou a Latam por assédio também garantiu ao empregado o pagamento dos valores retroativos de periculosidade. Apesar de já ter sido reconhecido esse direito em inúmeras decisões para os trabalhadores que circulam, mesmo que esporadicamente, nas áreas de pista dos aeroportos, ou mesmo onde acontece abastecimento de aeronaves, o adicional de 30% por periculosidade só tem sido pago aos funcionários que buscam o judiciário.

    Vitória dos trabalhadores
    De acordo com alguns especialistas consultados, as indenizações por assédio moral ainda são muito raras de se obter. Não que a prática seja incomum, mas como raramente é explícita, torna muito difícil ao empregado obter as provas do assédio. Assim, muito poucos trabalhadores conseguem qualquer indenização, mesmo após serem vítimas desta conduta.

    Em função disso, a avaliação é que o resultado desta ação é uma importante vitória, não só para Ramos que foi a vítima do assédio, mas para todos que acreditam que esta prática não pode mais ser tolerada no País.

    * Paulo Sérgio é Aeroviário, membro do Coletivo Subverta e foi candidato a prefeito em 2016 pelo PSOL na cidade de Canoas/RS.

    Foto: MG Turismo

  • Explosão em usina da Gerdau deixa feridos e pelo menos dois mortos

    Coluna Rádio Peão

    Por: Alexandre Zambelli, de Belo Horizonte, MG

    Nesta terça-feira (15), mais um acidente vitimou trabalhadores na usina da siderúrgica Gerdau, em Ouro Branco, na Região Central de Minas Gerais. É o terceiro acidente em nove meses no mesmo local. No acidente de ontem, ocorreu uma explosão durante a manutenção da parte inferior da coqueria 2 da usina. Duas pessoas morreram, um funcionário da própria empresa e outro terceirizado e dez ficaram feridas, duas em estado grave. Os acidentes ocorridos no ano passado, nos meses de novembro e dezembro, provocaram mais cinco mortes.

    O movimento sindical já havia denunciado os problemas relativos aos processos de manutenção e segurança envolvendo a usina. Por sua vez, a Gerdau informa que “os equipamentos da usina estão em condições adequadas, obedecendo aos padrões de segurança estabelecidos na legislação vigente”.

    Não é novidade que acidentes do tipo ocorram e seguirão acontecendo em empresas do porte. O modelo de gestão por resultados nestes ambientes secundarizam a segurança e saúde do trabalhador. Para as empresas, o funcionário é apenas um a mais, o que importa é o lucro desmedido, mesmo que a custa de vidas de trabalhadores. Sabem que caso sejam acionadas judicialmente têm ao lado um judiciário benevolente com as grandes empresas, como recentemente no caso da Samarco. A justiça de Minas Gerais suspendeu ação da procuradoria contra a empresa.

    O histórico de acidentes de todo o tipo nestes locais denota a necessidade de um sindicato mais combativo e sem atrelamento aos interesses dos patrões. Não são raros os relatos de trabalhadores da região denunciando a falta de combatividade do sindicato local, que aparece somente quando os acidentes já ocorreram, e quando, infelizmente, não se podem mais reverter as consequências.

    Assista ao vídeo

  • Trabalhadores da UTC demitidos, na Bacia de Campos, pedem solidariedade em carta à empresa e aos brasileiros

    Da Redação, para Coluna Rádio Peão

    5.2

    Trabalhadores da empresa UTC Engenharia, terceirizados que prestam serviço nas unidades marítimas da Petrobras, na Bacia de Campos, receberam anúncio da demissão de quase dois mil funcionários. No dia 17 de julho, os que ainda se mantinham no quadro da empresa também completaram 45 dias sem receber salários e benefícios trabalhistas. Os quatro mil trabalhadores escreveram uma carta endereçada à companhia e ao povo brasileiro, onde pedem providências da empresa e respeito aos seus direitos. Ainda, disponibilizaram uma petição para ser assinada por todos que queiram se solidarizar com a causa. 

    “Não estamos aqui hoje pedindo por privilégios, mas sim pelos nossos direitos e pela nossa dignidade que foi cerceada de maneira covarde por duas empresas, que hoje negam o suor do rosto de cada trabalhador que deu uma parte preciosa de seu tempo por essas corporações”, afirma a carta.

    Ainda, citam na nota a empresa, a Justiça do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho, pedindo para que “adotem providências para colocar em dia os salários atrasados e cumprir todos os demais direitos”, concluindo o pedido para que assumam “compromisso público de não realizarem mais demissões, causando mais calamidade ao trabalhador e trazendo instabilidade ao nosso país”, segundo consideram.

    Publicamos a íntegra da carta abaixo:

    Pedido de ajuda dos Ex Funcionários da UTC ao povo Brasileiro

    Carta aberta ao povo brasileiro e seus representantes

    É com muita tristeza que hoje, 17 de julho de 2017, nós, os 4000 trabalhadores da UTC Engenharia de Macaé redigimos essa carta que serve de apelo à população brasileira e seus representantes, viemos desesperadamente, pedir por nossas famílias e por nossos direitos.

    Agora no mês de julho, cerca de 1800 funcionários da UTC engenharia, prestadores de serviço nas unidades marítimas da Petrobras, ficaram sem receber o seu pão de cada dia, completando hoje aproximadamente 45 dias sem os seus salários e benefícios trabalhistas e de maneira informal, como se fôssemos meros “peões” nesse jogo empresarial, de cima de um palanque em frente à sede da Petrobras em Macaé, fomos informados que todos, os 4000 pais e mães de famílias, estávamos sendo dispensados de nossas atividades, de forma descartável e sem previsão de pagamento das nossas verbas rescisórias e direitos trabalhistas.

    Somos pais e mães de família, que durante anos nos dedicamos com afinco às atividades da parceria entre a UTC engenharia e a Petrobras, muitos se deslocando de outros estados, ficando dias longe de suas famílias, arriscando nossas vidas nos ambientes mais inóspitos do planeta, tudo isso para manter a integridade das nossas plataformas de exploração de petróleo e com isso garantir a soberania de uma economia refletida diretamente em nossa dedicação e capacitação.

    Não estamos aqui hoje pedindo por privilégios, mas sim pelos nossos direitos e pela nossa dignidade que foi cerceada de maneira covarde, por duas empresas, que hoje negam o suor do rosto de cada trabalhador que deu uma parte preciosa de seu tempo por essas corporações, como explicar aos nossos filhos que a pouco se orgulhavam de terem pais “petroleiros”, que veem reportagens na teve afirmando que a Petrobras “teve lucro de 4,45 Bilhões”, que a UTC “se comprometeu em pagar uma leniência cujo montante deverá ultrapassar 3 Bilhões”, que essa noite dormiremos no escuro pois a nossa luz foi cortada, que devemos comer menos para que amanhã em nosso prato não falte, que a humilhação de ser chamado ofendido por nossos credores não é nossa culpa e sim dessas empresas que hoje dizem não ter dinheiro para realizar o pagamento do que nos é devido. Como explicar? Nem as crianças conseguiremos enganar.

    Assim como começamos essa carta, vamos encerrá-la, com a mais profunda tristeza, de saber, que vivemos em um país onde a sua mais importante engrenagem, que somos nós, os trabalhadores, não tem valor, cada luz que se acende, cada pão que chega a nossa mesa, cada roupa que vestimos, cada remédio que tomamos, tudo é fruto do suor e do calo nas mãos de algum trabalhador, somos nós que movimentamos e fazemos essa nação crescer, deixo aqui a seguinte questão, de que adianta um legislação trabalhista, num país onde as maiores empresas escolhem de forma impune se devem ou não respeitá-la?

    Hoje somos nós mas amanhã serão outros trabalhadores e por aí vai, esse ciclo precisa de um basta, mas só conseguiremos isso com o união e empatia de todos, muitas famílias dependem desse apoio, contamos com a comoção de toda a nossa população e representantes perante a nossa causa.

    Nós somos a engrenagem que move o mundo, mas nenhuma engrenagem move nada sozinha!

    Estamos sem nossos direitos serem observados, com salários atrasados e que a empresa, a Justiça do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho adotem providências para colocar em dia os salários atrasados e cumprir todos os demais direitos a que vocês fazem jus, assumindo também o compromisso público de não realizarem mais demissões causando mais calamidade ao trablador trazendo instabilidade ao nosso País.

    Que o MPF nos ajude fazendo a Petrobrás pagar suas responsabilidades, pois a falta da fiscalização pela Petrobrás fez chegar a esse ponto.

    Pedimos que o poder público seja representante do Trabalhador e tomem devidas providências a favor do trabalhador.

    Por favor nos ajudem repasse para todos.

    Ex-funcionários UTC, terceirizados da Petrobras”

  • Porto em Macaé é bloqueado em protesto contra demissão de 1200 trabalhadores da UTC

    Coluna Rádio Peão

    Da Redação, de Macaé, RJ

    Na noite de 11 de julho, enquanto se votava a Reforma Trabalhista, cerca de 50 operários da UTC Engenharia, em Macaé, faziam vigília para bloquear a entrada do Porto de Imbetiba, principal porto da região para escoar equipamentos e racho para as plataformas da Petrobras e estrangeiras na Bacia de Campos. No último dia 07 de julho, cerca de 1200 trabalhadores da UTC Engenharia receberam uma carta em sua residência para informar sua demissão a partir do dia 10 de julho, o que gerou, na manhã da segunda-feira, o bloqueio da portaria da base da UTC e, em seguida, do porto de Imbetiba.

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    O próximo passo da empresa será demitir outros 2800 empregados e fechar sua base na cidade. A empresa tenta acordo de leniência com a Petrobras para voltar a ter contratos com a estatal e para garantir o pagamento de sua folha salarial em torno de R$ 19 milhões, além de alegar não ter mais saldo financeiro.

    Diante disso, os operários que realizam serviço terceirizado nas plataformas da Bacia de Campos foram à ação, pois além da demissão, os salários estão atrasados há 45 dias. Outro agravante é que a empresa está há seis meses sem depositar o FGTS na conta dos seus trabalhadores. A insatisfação dos operários é um acúmulo de derrotas e perdas de direitos que se arrastam ao longo dos últimos anos. Demissões em massa, salários rebaixados, péssimas condições de trabalho e insegurança nas plataformas.

    A maior preocupação de todos é que nenhum direito trabalhista seja pago, como o FGTS e a quita, praticado por outras empresas, como a MPE, PCP,PERSONAL, IESA, ODEBRECHT, entre outras. Todas realizaram o mesmo procedimento da UTC e até hoje não pagaram a dívida com os trabalhadores. Vale destacar o envolvimento delas no esquema de propinas de licitação da Petrobras, revelado pela Lava Jato. Esquema que enriqueceu seus donos e deixou à margem seus trabalhadores. A mobilização deve continuar durante essa semana, até que a empresa pague os salários atrasados e deposite na conta dos demitidos o FGTS e libere para saque.

    Macaé é a capital nacional do petróleo e do desemprego. Nas ruas da cidade as placas de aluga-se e vende-se estão por todos os lados, empresas e lojas fechadas e o desemprego no comércio e na indústria é comum. A mão de obra que residia, ou migrava para a cidade foi embora. Restou a Macaé os problemas sociais gerados pela crise econômica. Por consequência, as ocupações de terra urbana cresceram e os moradores de rua também, assim como a criminalidade, realidade de quem paga a conta da crise.

    A cidade de Macaé é o exemplo real do que virá a ser a Reforma Trabalhista votada nesta terça-feira (11) e a nova lei da terceirização já aprovada. Com vínculos empregatícios frouxos, a condição dos trabalhadores terceirizados será de acordos coletivos prejudiciais, onde irá prevalecer a soberania das empresas em prejudicar e ignorar o que foram nossos direitos trabalhistas.

  • Vallourec: metalúrgicos rejeitam banco de horas

    Coluna Rádio Peão

    Por: Bernardo Lima, de Belo Horizonte, MG

    Nos dias 4, 5 e 6 de julho os metalúrgicos da siderúrgica francesa Vallourec (antiga Mannesmann) foram às urnas e rejeitaram uma nova proposta de banco de horas da empresa. A proposta da corporação era renovar, com cláusulas ainda piores, o acordo que permitiu a aplicação do banco de horas nos últimos anos.

    O banco de horas foi aceito pelos trabalhadores no ano retrasado, logo após demissões em massa, e sob clima de terror após o fechamento de um dos alto-fornos. A Vallourec dizia não haver alternativa e, caso a proposta não passasse, o resultado seria mais demissões e fechamento de setores inteiros. A história se repetiu semana passada, mas os trabalhadores já não estavam dispostos a se deixar intimidar.

    A experiência com o banco de horas foi suficiente para que os trabalhadores do chão de fábrica votassem maciçamente contra a proposta dessa vez. O banco de horas, diferente do prometido pela empresa, não impediu novas demissões, fez com que muitos trabalhassem por dois ou três e gerou superexploração com extensão da jornada e trabalho finais de semana.

    O resultado da votação demonstra o grau de revolta dos trabalhadores. 1372 trabalhadores votaram pela rejeição do novo acordo, 898 votaram a favor e 30 votaram em branco, nulo ou foram considerados inválidos. Existiram três pontos de votação. No Recanto, onde vota em sua maioria o setor administrativo, foram contabilizados 274 votos pela rejeição e 424 pela aprovação do acordo; na Portaria II 741 contra e 205 a favor; e na Portaria IV 357 contra e 269 a favor. Ficou demonstrada que a votação pela renovação do acordo ficou bastante concentrada no setor administrativo.

    – Recanto (majoritariamente Setor Administrativo): 424 a favor; 274 contra;
    – Portaria II (majoritariamente setor produtivo): 205 a favor; 741 contra;
    – Portaria IV (majoritariamente setor produtivo): 269 a favor; 357 contra
    – Resultado: Rejeição da proposta por 1372 a 898.

    Agora é utilizar essa grande vitória dos trabalhadores para ampliar a organização no local de trabalho e a capacidade de mobilização dos trabalhadores contra qualquer tipo de retaliação e intimidação, engajar a categoria na luta contra as reformas e pressionar por um acordo coletivo favorável no segundo semestre.

    Foto: divulgação

  • ‘Escola do peão: para ler e escrever política’ retoma atividades, em Fortaleza

    Por: Equipe de Formação da Escola do Peão, de Fortaleza, CE

    No ano de 2015, realizamos, em Fortaleza, a experiência da então chamada Escola do Peão, que está em fase de retomada e reconstrução, nesse ano de 2017, como um espaço de educação permanente. Trata-se de uma atividade de formação contínua que pretende promover, numa perspectiva política socialista, a alfabetização e o letramento dos trabalhadores, militantes, ou não, de diversos setores, especialmente os setores mais precarizados da classe, para os quais a conquista da possibilidade de estudo historicamente é parte da própria luta de classes.

    A dinâmica de reorganização da esquerda, com vistas a fazer frente ante os ataques aos direitos sociais e à construção de saída alternativa para a crise, faz urgente a formação política e a organização de todos os trabalhadores. Ampliar as formas de pensar para qualificar caracterizações e análises, diversificar os modos de agir e de organizar as lutas são capacidades necessárias aos trabalhadores. Isso perpassa diferentes demandas de instrumentalização e modos distintos de se relacionar com os elementos da cultura, inclusive, com a leitura e a escrita.

    A aquisição da língua e a formação em geral, pelo lugar que ocupam na mediação e na articulação das lutas democráticas e revolucionária, interferem diretamente no desenvolvimento dos indivíduos, na capacidade de compreenderem o sistema capitalista e as relações sociais que se dão nele, bem como possibilitam a ampliação das análises e do debate político sendo essencial para a concretização da democracia operária. A linguagem, como produção humana, é uma categoria que preserva um papel substancial na construção da consciência de classes, como para a efetivação das transformações reais com a concretização da revolução social, nossa finalidade histórica.

    Nessa perspectiva, o projeto da Escola do Peão se fundamenta em alguns princípios que nortearão sua atuação:

    • Alfabetizar e letrar os trabalhadores sobre uma esteira política e classista e socialista, a fim de desenvolver suas capacidades de análise e interpretação dos fenômenos políticos;
    • Ampliar os espaços de atuação, qualificando a intervenção e a inserção dos trabalhadores nos seus locais de moradia, trabalho e militância;
    • Possibilitar aos trabalhadores a ampliação do seu repertório cultural e conhecimento político, partindo da teoria marxista.

    Em concordância com esses princípios, a Escola do Peão, em 2015, teve suas atividades divididas em três eixos de trabalho, a saber: a alfabetização, o círculo de leitura e a fábrica de textos. Por meio dessas atividades, sempre associadas aos meios de comunicação e de expressão artística, os trabalhadores foram apresentados às ferramentas necessárias para a sua atuação na vida social e política, recorrendo e valorizando sempre as vivências e experiências, as histórias de vida e as atividades profissionais e militantes de cada participante. Buscou-se a inserção de todos nas discussões sobre os conceitos da língua portuguesa e das temáticas políticas, como classe, partido, revolução, socialismo, capitalismo, com vista à formação em uma perspectiva crítica e revolucionária.

    Assim, estamos retomando as atividades da Escola do Peão. A ideia é que ela seja um espaço vivo, democrático e diverso, que revele a importância da formação política, cultural e intelectual à luz da teoria marxista. Não possuímos e não desejamos um projeto pronto, finalizado, ou engessado. Contamos com a experiência desenvolvida em 2015, mas queremos dialogar e construir com trabalhadores dos mais diversos setores, militantes, ativistas e com todos aqueles que se interessam em pensar juntos e colaborar com essa tarefa. É o que já está acontecendo,

    Vamos todos ler e escrever política para contarmos uma nova história: a história e a luta dos trabalhadores.

    → Quer saber mais e construir conosco a Escola Permanente?

    Participe do grupo de construção acessando pelo link.

  • Assista ao vídeo: Jornada de Trabalho e seus Impactos no Sono

    Este vídeo foi publicado originalmente sob o título: “Conversando sobre Jornadas de Trabalho e Impactos no Sono, Sonolência, Metabolismo, etc.” A gravação foi realizada com o apoio do Sistema de Produção da USP.
    Participam:
    • John Axelsson e  Arne Lowden (Research Stress Institute, Universidade de Estocolmo)
    • Debra Skene (Universidade de Surrey, Guildford, Reino Unido)
    • Claudia Roberta de Castro Moreno e Frida Marina Fischer (Departamento de Saúde Ambiental, Faculdade de Saúde Pública da USP (FSP-USP)
    Transcrição e tradução da entrevista: Dra. Silvia Waisse.
    Apoio FAPESP, UNESP e Fórum de Acidentes do Trabalho (Profs. Rodolfo Vilela e Ildeberto Muniz de Almeida).
    Legendas: Cristino Oliveira (Faculdade de Medicina de Botucatu)