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  • UFMG: ação da Polícia Federal leva a mobilização em defesa dos direitos democráticos e da universidade pública

    Por: Izabella Lourença, de Belo Horizonte, MG

    A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (6), a operação Esperança Equilibrista para investigar, segundo a PF, o desvio de cerca de R$ 4 milhões por parte de dirigentes da UFMG. O dinheiro é proveniente de verbas destinadas à construção do Memorial da Anistia Política no Brasil. A suspeita é de que o recurso teria sido desviado pela Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep) através da contratação de prestadores de serviço, da produção de livros e do pagamento de bolsas de estudos desvinculadas da finalidade da verba.

    A operação foi conduzida com os métodos autoritários da Lava Jato: ação espetacular e midiática, com 84 policiais no campus e dezenas de carros, cobertura imediata da imprensa e coletiva por parte da PF; condução coercitiva de sete dirigentes da UFMG, entre eles o atual reitor Jaime Arturu e vice-Reitora Sandra Goulart, e ausência de garantia ao contraditório e à ampla defesa, com condução sem advogados e depoimento sem acesso aos autos.

    As acusações mais graves da Polícia Federal são referentes à falsificação de documentos para viabilizar o desvio de verba. Mas, o próprio delegado disse desconhecer quem seria o “beneficiário final” do referido desvio.

    Ao tomar conhecimento do caso, professores, técnicos-administrativos e estudantes se mobilizaram. A agenda desta quarta-feira (6) contou com vigília em frente à Superintendência da Polícia Federal, coletiva de imprensa, reunião aberta com a Reitoria e uma assembleia com mais de 200 estudantes.

    Reunida, a comunidade acadêmica entendeu a operação Esperança Equilibrista como parte da investida do Judiciário contra a UFMG e a educação pública. Seu objetivo é centralmente político e visa desmoralizar a instituição, fortalecendo cada vez mais o poder absoluto do Judiciário e desrespeitando os direitos elementares do limitado Estado Democrático de Direito.

    A comunidade acadêmica, em assembleia ontem (6), não chegou a nenhuma conclusão sobre a existência ou não de desvio de verbas. Também não existiu consenso sobre a relação com esta reitoria, tendo em vista que Jaime e Sandra são responsáveis por processar alunos que compõem o Movimento Estudantil da universidade fazendo coro à criminalização das lutas e dos movimentos sociais.

    A citação da FUNDEP nesse processo nos remontou ao fato de que o Movimento Estudantil sempre denunciou as fundações como parte do processo de privatização da universidade. Elas permitem o descumprimento de leis trabalhistas e servem para “facilitar” o manejo de verba pública, assim como a captação de recursos privados. Já uma gestão plena da universidade e de todos os seus recursos garantiria os direitos trabalhistas dos servidores via concurso público e evitaria o desvio de verbas para manutenção dessas empresas (fundações).

    Nesse cenário, a mídia tenta convencer a população de que as universidades públicas não funcionam. Esse é o primeiro passo para que a Direita siga a investida em sua privatização. Soma-se a isso o caráter simbólico de desmoralizar exatamente a construção de um museu que visa manter viva a memória dos anos de chumbo e da resistência à Ditadura Militar no Brasil.

    Diante da forma e das intenções da operação Esperança Equilibrista, os movimentos sociais que atuam na UFMG se posicionaram para defender a universidade pública e o direito à ampla defesa e ao contraditório, assim como toda e qualquer garantia constitucional. A condução coercitiva foi repudiada por ser entendida como uma violação de direitos.

    A comunidade acadêmica deve discutir agora formas de resistência e defesa da educação, bem como de garantir a transparência das contas da universidade e das fundações que nela atuam.

    Foto: Foca Lisboa / UFMG

  • Servidores da Saúde e professores da UERN ocupam Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte

    Por: Rielda Alves e Lucas Alvergas, de Natal, RN

    Em greve há quase um mês, os servidores da saúde e professores da UERN ocuparam a Assembleia Legislativa na manhã da última segunda-feira (4). A ocupação se deu logo após uma audiência pública que discutiu a Reforma da Previdência. Com essa ação, os servidores buscam uma intermediação do poder legislativo junto aos demais poderes para assim construir uma saída diante do impasse e intransigência do governo em não sentar para dialogar com os grevistas.

    Como se não bastasse essa situação, os servidores ocupantes foram impedidos de usar o banheiro e a cozinha da Assembleia. Ainda, tentaram inviabilizar a entrada de comida e limitaram o acesso de pessoas no local. Dessa vez, o governo mostra novamente o tratamento dado àquelas e àqueles que lutam por direitos elementares, como o pagamento em dia dos seus salários.

    Nesse cenário, a crise da saúde se agrava. Vários leitos estão sendo fechados, há suspensão de comida em alguns hospitais e em outros os telefones estão sendo cortados. Um verdadeiro caos. Na UERN, a realidade não é muito diferente. Não bastasse o atraso dos salários, a universidade convive com ameaça de demissão de 119 professores substitutos. Nesse momento, também está sendo realiza uma ocupação na reitoria da referida universidade.

    Hoje (5), os servidores receberam uma visita do Conselho Estadual de Direitos Humanos e da Associação de Juristas Potiguares pela Democracia e Cidadania. O objetivo foi prestar solidariedade e apoio jurídico aos ocupantes.

    Nesse dia nacional de luta contra a Reforma da Previdência, precisamos impulsionar e incentivar todos os espaços de resistência. É necessário fortalecer a luta da saúde e da UERN.

    #GrevePorDignidade
    #BastaDeAtraso

  • Ex-prefeito de Belém é preso pela Polícia Federal

    Por: José Emílio Almeida, professor e coordenador da Associação dos Concursados do Pará

    O ex-senador e ex-prefeito de Belém Duciomar Costa acaba de ser preso durante a Operação Forte do Castelo, formada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal do Pará. De acordo com a força-tarefa, Duciomar está sendo acusado de comandar uma organização criminosa responsável pelo desvio de cerca de R$ 400 milhões dos cofres públicos, no período de 2005 a 2012, quando esteve à frente da Prefeitura de Belém.

    Desde que se candidatou pela primeira vez, em 1988, Dudu, como é chamado pelos seus eleitores, teve uma carreira política bastante ascendente. Foi vereador de Belém, deputado estadual, senador e prefeito da capital paraense por dois mandatos. No entanto, já no começo da sua carreira foi flagrado e preso praticando o exercício ilegal da profissão de médico, quando se fazia passar por oftalmologista. Usava um falso diploma. Dudu prescrevia receitas de óculos, gerando lucro para as óticas que havia aberto no centro de Belém. Foi condenado, mas recorreu e contou com a prescrição de prazo da Justiça para procrastinar a ação.

    Com a carreira política marcada pela corrupção, Dudu era ligado às igrejas evangélicas do Pará. Foi dirigente do PTB, juntamente com o atual deputado federal Josué Bengtson, pastor da Igreja Quadrangular. Ao todo, Duciomar responde a um total de 33 processos judiciais, dos quais 21 na Justiça do Estado do Pará e os demais 13 na Justiça Federal. Um destes processos pertence à esfera criminal e os demais à esfera cível. Mas, todos por improbidade administrativa. A maioria por uso indevido de verbas destinadas pelo Governo Federal à saúde pública.

    Durante toda a sua carreira política, seja como parlamentar ou prefeito, Duciomar sempre agiu com indiferença aos movimentos sociais e aos servidores públicos. Não recebia os representantes dos movimentos grevistas e os tratava com empáfia. Era considerado inimigos dos trabalhadores.

    Sua prisão, se mantida, significará um grande alívio para todos e a esperança de que outros corruptos em nosso estado, ligados a ele, também caiam e sejam presos.

  • OPINIÃO | Sobre a volta dos que não foram: o PT em terra de Renans

    Por: Gabriel Santos, de Maceió, AL

    No último dia 31 de outubro, a Executiva Estadual do PT Alagoas aprovou a volta do partido à base do governo de Renan Calheiros Filho. A notícia, que já era esperada há algumas semanas, foi matéria nos principais jornais do País e gerou críticas de diversos setores da esquerda e crise dentro do próprio PT. Até mesmo o prefeito da Maceió, Rui Palmeira (PSDB), aproveitou para tirar uma casquinha, ao dizer que PT e os Renans se merecem.

    O namoro do PT Alagoas com os Renans não vem de hoje, é fruto de um flerte muito antigo. Mas antes de entrarmos nos pormenores desta relação, acho que precisamos falar um pouco sobre Alagoas, sua política e o peso até desproporcional que nosso estado tem no cenário político nacional.

    O coronelismo
    Para qualquer pessoa que já se envolveu em disputa política, seja participando de eleições para Centro Acadêmico, DCE, ou para o que seja, deve saber que “política não se faz com o estômago, ou com o coração”. Ou seja, a nossa relação política não se faz com os gostos pessoais que temos com pessoa x ou y. Aqui em Alagoas esse famoso ditado se completa com “política não se faz com estômago, mas também com balas e pistolas”.

    Alagoas é um dos estados mais pobres do País, figurando nas últimas posições quando se trata de educação e de IDH, e entre as primeiras quando vemos o índice de violência contra mulheres e LGBTs, assassinato de jovens e de analfabetos. A população sofre uma imensa influência e pressão das elites do estado. Uma elite que é das mais conservadoras do Brasil. Ela é reacionária, clientelista, extremamente violenta e coronelista, preconceituosa e viciada no Poder.

    A elite alagoana, dona de grandes latifúndios, normalmente produtores de cana de açúcar, possui o Estado, e de forma praticamente canônica segue exercendo seu poderio político-econômico sobre a população. As grandes usinas são o sustento de centenas de famílias nas mais diversas cidades do interior, e quando esta usina decreta falência, toda a cidade entra em colapso.

    No terreno da política, as elites são extremamente violentas, utilizando o coronelismo para exercer seu domínio. Não deixam de usar a força e resolver na base da bala quando necessário. Os coronéis do estado disputam as posses de terra e o Poder como se estivessem parados na história há 200 anos.

    Recentemente, vimos o caso que ocorreu na cidade de Batalha, quando o vereador conhecido como Neguinho Boiadeiro foi assassinado. A família Boiadeiro, uma das mais tradicionais do Interior, acusou em alto e bom som membros da família Dantas de terem encomendado o assassinato. A rixa entre as duas famílias já deixou seis mortes.

    Ao longo da história, temos diversos casos que parecem sair de cena de filmes ou novelas, mas aconteceram por essas terras. Podemos citar o caso que ocorreu há exatos 50 anos, quando da tentativa de impeachment do então governador Muniz Falcão, que gerou um tiroteio entre deputados durante uma seção dentro da Assembleia Legislativa. Ou para sermos mais recentes, o caso de Ceci Cunha de 1998, assassinada junto a familiares, na casa de sua sogra, no dia em que foi diplomada deputada federal, por um grupo de pistoleiros contratado por um concorrente de Ceci ao cargo. Temos também a morte de PC Farias, o famoso tesoureiro de Collor, e seu assassinato nunca esclarecido. Bata uma andança pelos Interiores do estado e conversar com moradores sobre os diversos crimes políticos cometidos por grupos e famílias tradicionais que detém o poder, pois exemplos são o que não faltam.

    O jogo eleitoral em Alagoas é um verdadeiro jogo de cartas marcadas. No Interior, membros de famílias tradicionais vão deixando os postos de Poder para membros mais novos os sucederem, num verdadeiro clã, como se fosse uma capitania hereditária, ou um feudo. Não é difícil fazer demarcações por lotes e saber qual família domina qual parte do estado.

    O peso político de Alagoas
    Apesar de seu pequeno tamanho territorial na Federação, sendo maior apenas que Sergipe, o estado tem uma representação no quesito importância, maior que diversos estados de poderio econômico mais significativo. Foram destas terras que vieram os dois primeiros presidentes do País, Marechal Deodoro e Marechal Floriano Peixoto. De Alagoas vieram também outros dois presidentes, Hermes da Fonseca e Fernando Collor que, apesar de carioca, é radicado e fez carreira no estado. Este, o primeiro presidente eleito após redemocratização.

    Nos tempos atuais, podemos colocar que recentemente Aldo Rabelo e José Tomás Nonô presidiram a Câmara dos Deputados. JHC faz parte da Mesa Diretora da Câmara. Marx Beltrão e Mauricio Quintella são ministros na pasta de Temer, com Turismo e Transporte, respectivamente. Temos também Fernando Collor, líder do PTC e do Bloco Moderador. Arthur Lira, líder do PP e do Bloco Parlamentar PP, Avante. Ronaldo Lessa na vice-liderança do PDT, e Benedito de Lira, no mesmo posto do Bloco Parlamentar Democracia Progressista. Isso sem falar na imponente figura de Renan Calheiros e tudo que ele representa na política brasileira hoje.

    No campo da esquerda, veio de Alagoas um dos principais quadros fundadores do PCB, Octavio Brandão, e o primeiro delegado brasileiro a ir para o Congresso da Internacional Comunista, Antonio Canelas. Foi de Alagoas também que vieram importantes quadros que combateram a ditadura militar por meio da luta armada, entre eles Manuel Lisboa. Nesse século, não podemos deixar de falar da figura controversa e polêmica de Heloísa Helena, que apesar de tudo, teve um papel fundamental na construção e legalização do PSOL.

    O PT
    Chegamos, então, no PT de Alagoas. Atualmente, o partido passa por sérios problemas financeiros. O da capital conta com recursos muito escassos e o diretório estadual encontra-se com as contas bloqueadas. O partido possui apenas duas Prefeituras, dos 102 municípios do estado. E conta com cerca de 40 diretórios municipais, a maioria não funciona regularmente. Até as eleições de 2014, o partido nunca havia elegido um deputado federal, Paulão foi o primeiro. Vale apontar que Maceió é a única capital em que Lula nunca venceu uma eleição, e Alagoas foi o único estado em que o PT perdeu em 2002. Na época, o partido não conseguiu trazer Lula para discursar no estado, por problemas financeiros que já eram recorrentes.

    O PT no estado tem sérios problemas organizativos, sofrendo de uma notável falta de renovação e de engessamento. As criticas vindas de setores internos que são oposição à atual direção passam pelo fato do grupo dirigente não respeitar as instâncias partidárias, executivas, plenárias, congressos, fazendo o que for a vontade imediata do grupo hegemônico. Criticam também a intervenção nacional, que incentivou a política de trocar um apoio local por um apoio nacional.

    Construir uma alternativa mais à esquerda num estado como Alagoas, dominado por oligarquias, é uma tarefa hercúlea. Ao longo dos anos, foram poucas as tentativas de projetos mais à esquerda que conseguiram se sagrar vitoriosas. Podemos citar aqui o ano de 1992, quando Ronaldo Lessa ainda era uma figura progressista e foi eleito prefeito pelo PSB, e Heloisa Helena vice-prefeita pelo PT. Helois,a anos mais tarde, viria a se destacar e se construir uma figura pública de porte nacional, e se elegeria senadora pelo partido, antes de ser expulsa e iniciar a construção do PSol. Lessa viria se tornar governador pelo PSB, mas mudaria de legenda, indo para o PDT.

    Os anos 90 foram uma importante página na história alagoana, e a esquerda teve um papel notável ao protagonizar diversas lutas. Entre elas, o impeachment do governador Divaldo Suruagy, em 1997. Após o Plano Real implementado pelo governo de FHC e de um governo do estado feito para salvar os usineiros locais, o pagamento dos servidores públicos ficou atrasado por nove meses e o estado entra em um verdadeiro caos. O impeachment do então governador foi marcado por uma batalha campal, onde após diversas greves e manifestações, servidores públicos, a população e a militância de esquerda, com grande papel da CUT, PT e da então prefeita de Maceió pelo PSB, Katia Born, derrubaram as grades e tomaram a Assembleia Legislativa.

    Podemos citar estes exemplos de mais de década de distância que confirmam um fato, apesar de ser hegemonia no movimento social e sindical, o PT nunca conseguiu ter grande força política em Alagoas. Nunca conseguiu se conformar como uma verdadeira alternativa à esquerda e traduzir os desejos do povo pobre e oprimido. Desta forma, o processo de transformismo e adaptação à ordem política atual que a organização sofria, fez com que no PT do estado isto se refletisse de formas mais profundas. E o partido, por meio de sua direção estadual e nacional, foi se engessando, priorizando a disputa pelo aparato interno, se localizando nos balcões de negócios.

    Nas eleições de 2014, o PT Alagoas apoiou Fernando Collor do PTB para o Senado, e Renanzinho (PMDB) para o governo do estado. Ambos estiveram no palanque de Dilma, quando a mesma visitou Maceió em sua campanha presidencial. Após negociação, Paulão do PT/Construindo um Novo Brasil (CNB) teve o apoio dos Renans para deputado federal, ganhando assim a primeira cadeira petista na Câmara Federal. Após o processo de Impeachment e o apoio de Renan Calheiros ao golpe, o PT do estado entrega todos os cargos no governo estadual do PMDB, no dia 05 de setembro de 2016, menos a presidência da Serviços de Engenharia do Estado de Alagoas S/A – SERVEAL, que pertence a Judson Cabral, atualmente sem corrente interna.

    A volta
    Durante alguns meses, em especial desde a caravana de Lula pelo Nordeste, quando o ex-presidente subiu no palco com Renan Calheiros, em Alagoas, ouvia-se e falava-se sobre a possibilidade do PT voltar à base do Governo. Citando a caravana de Lula, é importante colocar que a estrutura da passagem do ex-presidente pelo estado foi em grande medida bancado por Renan, visto a imensa debilidade financeira do PT Alagoas. Lula abriu a brecha que a direção local tanto esperava. Os dias passavam, rumores aumentavam, até que se concretizou.

    Uma reunião extraordinária da Comissão Executiva Estadual, no dia 31 de outubro, foi puxada para discutir o tema. O presidente do PT/AL, Ricardo Barbosa (CNB), elencou os motivos de seu grupo ser favorável à volta ao governo. Dirigentes da CNB apontaram que isto era necessário “para melhor conseguir apoio às candidaturas petistas”. E que, “apesar de não ser a candidatura dos sonhos, era necessário para eleger Lula, e essa era prioridade”. O próprio ex-presidente da República teria se reunido com Ricardo Barbosa e teria dado o aval e o apoio ao retorno do PT à base de Renanzinho.

    Na reunião, a CNB ficou isolada, visto que as demais correntes foram contrárias à volta. A Democracia Socialista (DS); Esquerda Popular Socialista (EPS); Diálogo e Ação Petista (DAP), grupo formado por O Trabalho e dissidentes da CNB); e a Articulação de Esquerda (AE) foram os grupos que se posicionaram contrários. Diversos fizeram notas públicas contrárias à posição de volta ao governo do estado, o DAP chegou a impulsionar um manifesto com mais de cem assinaturas.

    A decisão final da Executiva Estadual do PT, por nove votos contra seis, foi de “autorizar imediatamente as negociações para o retorno ao governo de Renan Filho”. A decisão seguiu gerando polêmica. Correntes como a AE e o DAP afirmaram que vão recorrer no Diretório Nacional sobre a decisão. E informaram também que a mesma rasga o estatuto do partido, pois somente uma reunião do Diretório Estadual tinha poder para discutir ou rever essa posição. Os grupos contrários criticaram a falta de discussão na base sobre este tema tão importante, e nas palavras de Sandro Regueira da AE, “no momento que o PT mais precisa de sua base, o grupo majoritário à impede de discutir”.

    O destaque negativo do debate ocorrido na CEE vai para o Secretário Adjunto de Organização, Adelmo dos Santos, fundador do PT em Alagoas e membro da CNB. Na defesa do governo de Renanzinho, no que se tratava sobre a violência aos jovens da periferia, Adelmo mostrou dados da violência em governos petistas em outros estados, comparou com o do PMDB local, e mostrou que o motivo não seria suficiente para não retornar ao governo, visto que existe violência em diversos locais.

    Terminada a reunião da CEE, os petistas contrários iniciaram uma disputa para reverter a decisão. Uma plenária convocada pela Executiva municipal, em Maceió, contou com cerca de 70 militantes, a imensa maioria contrária à proposta. O presidente municipal, que faz parte da CNB, abandonou a plenária com militantes de seu grupo e a mesma não pôde deliberar nada sobre o assunto.

    A posição de voltar ao governo rompe também com a decisão do Sexto Congresso, como apontou as correntes de oposição. Pois nele foi declarado que seriam estabelecidas políticas de aliança apenas com “setores anti-imperialistas, antimonopolistas, antilatifundiários e radicalmente democráticos”, que com certeza não é o caso do PMDB em Alagoas e da família Calheiros.

    Existe todo um malabarismo por parte de alguns para colocar Renan como um “golpista arrependido”. É bem verdade que o mesmo vem fazendo críticas ao governo Temer e reconheceu ter sido um erro o Impeachment de Dilma. O mesmo vem tecendo críticas à Reforma da Previdência. Porém, o mesmo apoiou a PEC dos gastos, afirmando que ela foi uma vitória para o País. Como diz o ditado popular, Renan é “macaco velho”. Sabe bem onde se cria e com quem quer sua imagem para poder se eleger novamente próximo ano.

    A polêmica decisão da CEE acaba por demonstrar inúmeras coisas. A primeira delas é desrespeito pela base. A segunda é que a direção do PT querer utilizar o partido como uma moeda de troca. Focados apenas no jogo eleitoral, fazem um verdadeiro toma lá da cá, e não buscam ou se preocupam com a imagem do partido frente aos movimentos sociais.

    Superar velhos vícios para construir o novo
    Todas estas velhas práticas, de desprezo com a base; com os espaços deliberativos da organização; de priorizar o eleitoral ao invés da construção direta no movimento; são práticas que não cabem mais. Não cabem mais numa esquerda que pós-golpe precisa se reinventar e se reorganizar para enfrentar os golpistas, a nova direita e o conservadorismo, ganhando novamente as mentes e corações das pessoas.

    Construir uma alternativa verdadeiramente de esquerda não pode ser feita com base em velhas alianças, que servem para alimentar a atual ordem social do estado, que é de uma elite oligárquica violenta e sedenta por lucro e poder. Assim, como também não podem repetir velhas práticas políticas que dão descrédito diante de uma população que tem o perigoso sentimento de negação de todo o qualquer partido e ato político. Velhas práticas e velhas aliançasa servem à atrasada elite que temos. É preciso pensar o novo, porque ele sempre vem. É preciso buscar construir uma verdadeira alternativa de mudança social para o estado, e esta alternativa somente pode vir à esquerda.

    Foto: Ex pres Lula ao lado do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e do governador Renan Filho na Caravana Lula pelo Nordeste.
    Foto Ricardo Stuckert

  • PSOL teve sede invadida e documentos roubados nesta quarta, em Nova Iguaçu, RJ

    Por: Carol Burgos, da Redação

    Sede do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), na cidade de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, foi alvo de invasão, nesta quarta-feira (22). De acordo com integrantes do partido, o portão e a porta do local foram encontrados arrombados, papeis e documentos espalhados e alguns objetos foram roubados. Apesar disso, uma quantia em dinheiro, que se encontrava no local, não foi levada, o que levanta a suspeita de crime político.

    Em Nova Iguaçu, além do PSOL, outros partidos de esquerda sofreram ataques semelhantes. A sede do PCB sofreu um atentado incendiário e a do PSTU já foi invadida. Recentemente, o Sindicato dos Comerciários de Nova Iguaçu teve intervenção da polícia, que tentou impedir à força a realização de um ato contra o governo Temer e as reformas Trabalhista e da Previdência.

    “Nenhum destes ataques será capaz de nos calar ou de nos fazer recuar, nossa atuação está em uma crescente, fortalecendo os sindicatos e movimentos pela base. Continuaremos com o movimento de oposição na rua, denunciando e lutando contra toda forma de opressão”, opinou um dos integrantes do partido em denúncia nas redes sociais.

    Niterói
    Ainda nesta semana, o PSOL de Niterói, no estado do Rio de Janeiro, também foi alvo de ataque. Na terça-feira, através de uma ligação, a vereadora Talíria Petrone foi alvo de xingamentos e ameaças. O homem, autor do telefonema, afirmou que jogaria bombas na sede do partido durante reuniões. Após o ocorrido, a Executiva Nacional do PSOL lançou uma nota em solidariedade e afirmou que as denúncias já foram formalizadas por meio de notícia-crime.

    “Não é de hoje que temos sido alvos da violência e do autoritarismo na política. No início deste ano, a sede já havia sido pichada com dizeres ameaçadores e invadida por um homem armado e com discurso intimidatório. Também têm sido recorrentes nas redes as raivosas manifestações de preconceito de conotação machista, racista e LGBTfóbica contra a única vereadora mulher em exercício na Câmara, a mais votada da cidade e à frente de um mandato feminista, negro e popular. Ao denunciar e repudiar toda e qualquer manifestação autoritária, violenta e discriminatória na política, afirmamos que o PSOL vai se manter firme e jamais recuar no combate às opressões e aos preconceitos de classe, raça, gênero ou orientação sexual. Vamos seguir lutando em defesa de uma sociedade onde se possa respirar a liberdade política, a democracia e o respeito aos direitos humanos”, afirmou a Executiva em nota.

  • Trabalhadores da Saúde se reúnem com prefeito do Rio de Janeiro e cobram solução ao desmonte do setor

    Por: Carol Burgos, da Redação

    Nesta quarta-feira (22), comando de greve, entidades e profissionais da saúde se reuniram com o prefeito do Rio de Janeiro para discutir a situação do setor. Na reunião, Marcelo Crivella admitiu a crise que engloba atraso nos salários, medicamentos e insumos, prometeu pagar parte dos atrasados, mas, de acordo com os representantes da categoria, não apresentou resolução contundente para solução dos problemas que afetam profissionais e população da capital carioca. Também participaram da reunião a secretária da Fazenda, o secretário e a subsecretária da Saúde, superintendentes da SUBHUE e da SUBPAV, a assessoria de finanças da Secretaria Municipal de Saúde, o CREMERJ, e o COFEN.

    Os representantes na reunião avaliaram como uma vitória a instalação da mesa de negociação, assim como as atividades do movimento dos trabalhadores e usuários para a obtenção das vitórias. Diversos atos e vigílias foram realizadas no último mês em diversos hospitais e clínicas da cidade, com adesão importante da população.

    Veja, abaixo, as respostas do prefeito a cada uma das reivindicações da categoria apresentadas na reunião

    1. Calendário de pagamento dos celetistas para este ano (todos os convênios e contratos):
    – Salários referentes ao mês trabalhado de outubro: já foram para liquidação pela secretaria de fazenda. Previsão de pagamento integral dos salários em atraso na sexta-feira, dia 24/11
    – Salários referentes ao mês trabalhado de novembro: serão pagos até o 5o dia útil de dezembro.
    – Bolsistas e residentes: previsão de pagamento na sexta feira, dia 24/11
    – 13° salário: houve dúvida se está incluído nas liquidações anteriores, a esclarecer até 24/11

    2. Medicações e insumos:
    Foram liberados R$ 25 milhões para os hospitais e R$ 5 milhões para APS (valor assumidamente insuficiente – que será aplicado de acordo com avaliação de prioridade e estoque local). Sem previsão para a chegada nas farmácias.

    3. Revisão das demissões:
    – Não existe perspectiva de recomposição das demissões, pois na visão da secretaria foram feitas no plano de reorganização das equipes de acordo com as características do território;
    – Não existe garantia de que não haverá novas demissões, apesar de a secretaria assumir que já existe estabilidade na composição de equipes. Se houver, será para privilegiar equidade de acordo com vulnerabilidades dos territórios.

    4. Orçamento 2018:
    Foi assumida pelo prefeito a avaliação equivocada do primeiro orçamento enviado à Câmara e confirmado o acréscimo de R$ 500 milhões para o orçamento 2018. Ainda será votado na Câmara.

    5. Mesa de negociação permanente:
    – Foi aceita nossa proposta de mesa que inclua OSs, Secretaria de Saúde e Secretaria de Fazenda, além de representação dos trabalhadores;
    – A primeira reunião será, possivelmente, na sexta-feira, 24/11.
    – Nesse dia será apresentada a resposta sobre o 13o dos funcionários das OS o balanço das necessidades orçamentárias para 2017.

    A categoria reclama de uma política de desmonte orquestrada pela Prefeitura em conjunto com o Governo Federal. Em entrevista ao Esquerda Online, a membro do Fórum de Saúde do Rio de Janeiro Cíntia Teixeira explicou que Temer quer implementar o plano de saúde popular, em detrimento ao SUS. A ideia seria flexibilizar as fiscalizações de plano de saúde e implementar o plano de saúde acessível. Ao todo, no Rio de Janeiro, existem seis hospitais e três institutos como parte da rede federal.

    Ainda, além da PEC que ficou conhecida como PEC da Morte, que restringe gastos em serviços essenciais por 20 anos, também foi orquestrada uma portaria que altera o Programa Nacional de Atenção Básica (Pnab). Com isso, se restringe o número de profissionais da equipe de família, que faz o atendimento direto à população no território. Isso vem ocasionando em demissões de profissionais.

    Já no âmbito do município, o prefeito Crivella tenta implementar o modelo de gestão das Organizações Sociais para as clínicas da família e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), oficializando o caráter mercadológico ao que é um serviço essencial, a saúde. Paralelo a isso, vem realizando um verdadeiro desmonte do setor. Durante a campanha eleitoral, prometeu acrescentar R$ 250 milhões à Saúde, mas, além de não cumprir, iniciou o mandato anunciando o corte de onze clínicas da família. O protesto de trabalhadores, pacientes e familiares foi o que impediu o fechamento das clínicas. No entanto, com a mudança da PNAB, em que há restrição de equipes de família, diversos trabalhadores estão sendo demitidos.

    Mobilização
    Em comunicado, os representantes na reunião conclamaram a categoria a se manter unida e mobilizada. Anunciaram que continuarão a realizar os atos e agendas de assembleias para avaliar os desdobramentos da reunião e reafirmaram a luta em defesa do SUS e por nenhum serviço de saúde a menos. Nova plenária com todos os trabalhadores da saúde do município será realizada nesta sexta-feira (24), às 14h, na ABI (Associação Brasileira de Imprensa), próximo à estação de metrô Cinelândia.

     

  • Cúpula do PMDB no Rio tem prisão decretada: ‘é urgente convocação de novas eleições’, exige nota do MAIS e NOS

    Da Redação

    Diante da crise instaurada no Rio de Janeiro após ter sido decretada por unanimidade pelo Tribunal Regional Federal a prisão dos membros da cúpula do PMDB no Rio de Janeiro Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi, o Movimento Por uma Alternativa Socialista (MAIS) e a Nova Organização Socialista (NOS) lançaram uma nota exigindo a convocação imediata de novas eleições para o governo e para a Alerj. Confia a íntegra, abaixo:

    Eleições Já! Para o governo e para a ALERJ! Por um programa socialista para o Rio de Janeiro!

    Nesta quinta-feira, 16 de novembro, um ano após a prisão do ex-governador Sérgio Cabral, a população do Rio de Janeiro recebeu a notícia de que o presidente da Assembleia Legislativa (ALERJ), Jorge Picciani, e os deputados Paulo Melo e Edson Albertassi tiveram prisão decretada após condenação unânime em segunda instância. Neste momento, com a exceção do ainda governador Luiz Fernando Pezão, a Cúpula do PMDB do Estado do Rio está na prisão, após dez anos de governo.

    Nesta década, o PMDB governou de modo a acentuar as diferenças sociais no estado, fazendo do dinheiro público uma alavanca para ganhos privados, através de enormes isenções fiscais e contratos fraudulentos com concessionárias de transportes e empreiteiras, as principais beneficiadas dos gigantescos gastos dos mega-eventos. Enquanto isso, a população pobre teve como principal presença do Estado a política de segurança pública exterminista, que oprime e vitima em especial a juventude negra e favelada.

    Hoje, o PMDB busca solucionar a profunda crise que ajudou a gestar com profundos ataques ao funcionalismo e aos serviços públicos fundamentais, com cortes, parcelamentos e atrasos sistemáticos de salários, demissões de terceirizados, aumento na contribuição previdenciária, a privatização da CEDAE e a ameaça de fechamento da UERJ, UENF e UEZO. Serve como ponta de lança no programa de ajuste fiscal nos estados promovido pelo governo Temer.

    A crise no Rio de Janeiro, entretanto, só se aprofunda, com um governo já totalmente desprovido de legitimidade, em meio a escândalos de corrupção que se estendem aos três poderes. A única saída positiva para esta situação é unificar e intensificar a mobilização  dos que  lutam  pelo direito de todos/as a serviços públicos de qualidade e contra a privatização das empresas públicas, exigindo o fim imediato deste governo apodrecido e de sua base de sustentação na ALERJ com a convocação de eleições gerais. É necessário que os partidos e movimentos sociais se mobilizem para este fim, a começar pelo ato de hoje, em frente à ALERJ.

    Uma alternativa política deve se apresentar frontalmente contra o conjunto dos ataques que o PMDB do Rio hoje conduz e opor a este um programa de preservação e expansão de direitos e serviços públicos fundamentais. Somente a esquerda socialista, que se se manteve durante a última década na oposição intransigente aos governos Cabral, Paes e Pezão, tem condições e credibilidade de apresentar este programa, enquanto partidos como PT e PCdoB fizeram da população do Rio de Janeiro moeda de troca de alianças políticas. Em especial, cabe ao PSOL, por sua influência no estado, protagonizar este processo e tomar a tarefa de construir com os movimentos sociais combativos e demais organizações socialistas um programa socialista para o Rio de Janeiro.

    16/11/2017- Rio de Janeiro – Os deputados estaduais Jorge Picciani (na foto), Paulo Melo e Edson Albertassi, todos do PMDB, se entregam à Polícia Federal (PF) após terem prisão decretada Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

  • Prefeito de Macapá mantem apoiador de Bolsonaro como secretário de Educação

    Gestão de Clécio Luis (Rede) também é marcada por política de higienização social e ataque a ambulantes

    Por: Thaís Sá, de Macapá, AP

    Na eleição de 2012, o PSOL Amapá teve um importante debate nas suas instâncias internas sobre a coligação do partido e giro a direita. Tal feito possibilitaria o abandono do seu programa político em troca de apoio político e financeiro. Mesmo com intensos debates, o grupo de Randolfe Rodrigues e Clécio Luis conseguiu e firmou acordos com partidos como PV, PPS, PMN, PTC e PRTB, além do apoio da ex-ministra Marina Silva.

    Em 2016, já filiado à REDE, Clécio gira ainda mais à direita e coliga com partidos como PCdoB, DEM, PSDB, PSC, PTdoB e PPL e, mesmo fora do PSOL, conseguiu que o partido fosse a base da sua campanha política, fechando acordos diretamente com a Unidade Socialista (US), corrente interna que dirige o PSOL Amapá.

    No segundo turno, Clécio contou com o apoio do Promotor Moisés (PEN), quarto colocado no primeiro turno na disputa para a Prefeitura de Macapá. Ao chegar ao poder, Clécio escolheu o promotor para um dos cargos mais importantes do seu governo, o de secretário de Educação. O detalhe é que o tal promotor é apoiador declarado do político mais nefasto e preconceituoso que a atualidade tem notícias dentro do Brasil, o deputado Jair Bolsonaro, defensor do projeto “Escola sem partido” e das ideias como “Bandido bom é bandido morto”. Sem dúvida um dos maiores erros de seu governo.

    Os próprios sites de Macapá disparam: “O problema para Clécio, que é um político que defende o nivelamento social, independentemente da orientação sexual e da raça, é que Bolsonaro, ídolo em que o promotor Moisés se espelha, se comporta no sentido contrário”.

    Exigimos que Clécio exonere seu secretário de Educação. Não queremos pessoas com pensamento ultraconservador no ramo que mais deve debater com afinco a educação. Não toleramos nenhum tipo de apoiador da ditadura militar em nossas dependências educacionais. Fora, promotor Moisés.

    Desemprego e higienização social

    Além disso, o reflexo dos soluços da economia brasileira no mercado de trabalho são mais de treze milhões de desempregados no trimestre que terminou em julho. São as pessoas que querem trabalhar, procuram emprego, mas não conseguem uma vaga. No Amapá, a realidade não é diferente. Mais de 150 mil desempregados lotam as filas de desempregados a procura de oportunidades. Na falta da oferta de emprego, a população se mune dos utensílios que tem e promove a venda informal de mercadorias para garantir o sustento de suas famílias.

    Nesta semana, dia 06 de novembro de 2017, frente à higienização urbana que a cidade de Macapá vem passando, novamente a Prefeitura demonstrou sua verdadeira face aos trabalhadores informais que desenvolvem suas atividades na orla da cidade, por falta de oferta de emprego.

    O prefeito, de forma truculenta, mas segundo ele, com recomendação do Ministério Público, mandou sua tropa de choque para retirar os trabalhadores das ruas. O resultado não poderia ser outro, revolta e enfrentamento com a polícia. Em alguns vídeos, aparecem pessoas sendo presas por desobedecer a ordem da força policial e mães de família desesperadas clamando pela misericórdia do prefeito.

    Nada adiantou e os ambulantes foram retirados das ruas de Macapá, tudo em nome da organização da cidade.

    A cidade precisa ser organizada mas, para isso, o prefeito deve criar postos de trabalhos. Nas duas campanhas de eleição e reeleição, o prefeito garantiu que faria concurso público e até agora a população não viu nada do que foi prometido. O último concurso na cidade foi em 2004. Lá se foram 13 anos sem ofertas de emprego por parte da Prefeitura.

    Além do mais, sabemos que os trabalhadores atravessam um momento muito difícil, com inflação galopante, juros exorbitantes, conta de energia, gás, e gasolina a preços fora do normal e mesmo assim, a Prefeitura não promove nenhum tipo de política para fomentar a vinda de empresas que viabilizem as ofertas de trabalho. A população não tem outra saída a não ser a do mercado informal.

    Nós, do Movimento por uma Alternativa Independente e Socialista (MAIS), exigimos que seja garantido o direito do trabalhador exercer suas funções de forma que assegure o sustento digno de suas famílias. São nefastas e desumanas as cenas de truculência que a população mais pobre de Macapá está passando.

    Não queremos que o PSOL seja apenas um tentáculo de apoio à truculência do prefeito Clécio Luis.

  • Em menos de 12 meses, governo do PSDB fecha Ensino Médio em cinco escolas de Contagem, MG

    Por: Movimento FicaFunec

    Em menos de 12 meses de mandato, o Governo de Alex de Freitas, em Contagem, no estado de Minas Gerais, já mostra seu jeito de governar, com fechamento de escolas e sucateamento da educação. No Brasil, já foram fechadas mais de 30 mil escolas nos últimos anos.

    Patrimônio da população, a Fundação de Ensino de Contagem (FUNEC) oferta Ensino Médio para milhares de estudantes desde 1973, quando um movimento lutou pela criação do 2º grau público na cidade, por meio do nascimento da FUNEC.

    O caso é que já no primeiro ano de mandato, o prefeito Alex de Freitas, juntamente com seu Secretário de Educação Joaquim Gonçalves, dão as costas para a história da instituição e fecham o Ensino Médio em cinco escolas.

    No início do ano, sem nenhum diálogo com a população, a Prefeitura promoveu o fechamento das FUNECs Alvorada, Novo Eldorado e Amazonas. Não contente, a Prefeitura, sem nenhum escrúpulo, anuncia dessa vez o fechamento do Ensino Médio nas unidades Centec e Riacho.

    No ano de comemoração de 35 anos da tradicional unidade Centec, localizada no Centro de Contagem, Alex de Freitas e Joaquim Gonçalves dão um presente de grego para a população de Contagem. No Edital de seleção de estudantes para 2018, não aparecem vagas para o Ensino Médio em nenhuma dessas unidades, ou seja, estão sendo fechadas.

    O que eles desconhecem é a qualidade do trabalho desenvolvido nas unidades da FUNEC. Descumprindo a Lei do Piso Salarial, a Prefeitura não paga o mínimo determinado por Lei aos professores de Contagem. Mesmo com mais de cinco anos sem aumento salarial real, professores e funcionários se esforçam no trabalho educacional, levando a Fundação a receber diversos prêmios nos últimos anos.

    Em 2014, o Centec recebeu a maior nota entre as escolas da cidade no exame do Enem. Em 2015 e 2016, o trabalho desenvolvido pelos estudantes nas pesquisas científicas foram premiadas em Feiras e Congressos, entre escolas de todo o Brasil.

    Ao invés de ampliarem esse modelo de qualidade em educação na cidade, com Ensino Médio integrado ao Técnico, a Prefeitura copia um modelo de desestruturação da educação, tal como proposto por Geraldo Alckmin em São Paulo, com cortes de recursos, fechamento de escolas, e mentiras.

    Entretanto, a população de Contagem não vai aceitar essa desvalorização na história da FUNEC. O Movimento FicaFunec está se articulando, exigindo a expansão do Ensino Médio na cidade. A comunidade já criou um abaixo-assinado para a continuidade do Ensino Médio integrado na unidade Riacho, que pode ser assinado nesse site.

    E estudantes, professores, pais e mães fizeram um protesto na última sexta-feira, exigindo o não fechamento do Ensino Médio na unidade Centec. A juventude brasileira não aceita mais retrocessos calada, e como afirmado pela estudante Rayane Silva, “A gente segue na expectativa de na luta ter menos incertezas, onde os sonhos possam se concretizar. Na tentativa de ter nosso direito a juventude, arrancar alegria ao futuro”, disse.

    Não aceitaremos cortes na educação. Exigimos a retificação do Edital da FUNEC 2018, com vagas para o Ensino Médio para as unidades Centec e Riacho, além de pagamento do salário mínimo aos professores determinado na Lei do Piso e abertura de novos concursos públicos para professores e funcionários.

    Educação é investimento e deve ser prioridade, FicaFunec!

  • ENTREVISTA | Ataques e resistência no setor da saúde no Rio de Janeiro

    Por: Igor Dantas, do Rio de Janeiro, RJ

    A sociedade brasileira vive um duro período em sua história. Desde o golpe parlamentar de 2016, se intensificou uma forte ofensiva burguesa às classes populares, o desemprego está alto, a crise econômica segue e ataques a direitos são parte do cotidiano do trabalhador no país. Uma das faces mais cruéis desses ataques é o descaso e desrespeito ao direito à saúde pública, e aos trabalhadores desse setor tão relevante em qualquer nação. Um exemplo é a PEC 241, aprovada em 2016. Com ela, os gastos com inúmeros setores da economia, incluindo a saúde, foram limitados ao valor da despesa no ano anterior corrigida pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA, por um período de 20 anos.

    Para se aprofundar nessa situação dramática, o Esquerda Online entrevistou a nutricionista, membro da executiva da CSP – Conlutas e experiente militante na causa da saúde, no Rio de Janeiro, Cintia Teixeira.

    Esquerda Online – Como você analisa a conjuntura nacional e o panorama atual da saúde no Rio de janeiro e no Brasil?

    Cintia Teixeira – Então, nós (da saúde) entendemos que é um ataque ideológico desse governo ilegítimo de Michel Temer e do ministro da saúde Ricardo Barros. Esse ataque ideológico tem a ver com a perda de direitos, não só com a questão das reformas da Previdência e Trabalhista, mas um ataque a um direito que é legítimo e foi conquistado pela população, pelos trabalhadores que lutaram contra a ditadura nas décadas de 60, 70. Aí veio a reforma sanitária e a gente conseguiu construir o Sistema Único de Saúde (SUS) público, gratuito, para a população. Você pode ir, é um direito seu ser atendido nos quatro cantos do país e com todos os profissionais, todas as equipes e elas deveriam ser montadas com todos os profissionais da rede. Por ser um ataque de perda de direitos, a gente entende que é um retrocesso de todas as políticas públicas de saúde. Esse governo, na realidade, quer implementar o plano de saúde popular, em detrimento ao  SUS. O próprio ministro da Saúde, que a gente chama de ministro empresarial da Saúde, já verbalizou isso nas suas entrevistas, nas conferências do setor. Que ele quer flexibilizar as fiscalizações de plano de saúde e quer implementar o plano de saúde acessível.

    O que é mais temeroso é que a população venha passando por mais esse ataque, que o estado do Rio de Janeiro é o único estado que ainda tem uma rede pública federal, com seis hospitais, três institutos. O modelo de gestão ainda é o modelo de gestão próprio, direto da gestão pública. Esse governo quer desmontar a rede, então é um ataque muito frontal pelo qual o estado do Rio está passando, Na realidade, está fazendo uma desassistência à população. Então a gente considera isso como um ataque ideológico, de direitos, que é o direito ao SUS, a gente entende que ele tem que se manter enquanto direito universal. No Congresso da CSP-Conlutas nós votamos uma moção que é a continuidade da defesa do SUS como direito e não como concessão. Isso também foi uma vitória, que só referenda nossa política diária na luta pelo SUS via os militantes da CSP-Conlutas.

    EO – Quais os principais ataques, cortes que as categorias envolvidas com os serviços de saúde vêm sofrendo?

    Cintia Teixeira – Para continuar com esse ataque ideológico é mais cruel incluir a saúde na PEC da morte, do congelamento de gastos e todas essas contrarreformas aí. Então, na realidade, não só na gestão do Temer, que isso fique bem claro,  mas também na gestão do PT, já estavam acontecendo cortes orçamentários para a Saúde. Além disso, tem a questão do congelamento de gastos para o setor. Paralelo a isso, tem a questão de que o governo, através de uma portaria, altera o programa nacional de atenção básica (PNAB), o que significa que restringe o número de profissionais da equipe de família, da estratégia de saúde de família, que faz o atendimento direto à população no território. Então, ainda existe o congelamento de gastos e a reestruturação da rede, com a mudança da PNAB na rede federal, que são seis hospitais e três institutos aqui no Rio de janeiro. O governo abruptamente corta os contratos de trabalho de diversos profissionais, e através de uma luta hoje acabamos de receber a notícia de que a Justiça enquadrou o Ministério da Saúde. O Ministério tem que recontratar esses trabalhadores, por que, na realidade, representam quase 40% da mão de obra que vai ficar desprotegida para atender a população em hospitais e institutos de alta complexidade. Na realidade, é uma política cruel desse governo porque a população está ficando desassistida. Vários serviços foram fechados por falta de mão de obra, porque o governo cortou esses contratos na saúde, nos hospitais e institutos. Então, a gente entende que isso, além de um ataque ideológico, é muito cruel, pois está lidando com a vida das pessoas, é uma política genocida. Esses ataques acontecem através da PEC da Morte, corte de gastos e investimentos nos planos de saúde, mudança na PNAB. Na verdade essa reestruturação é para desmontar o SUS. Só que esses ataques têm, de alguma forma, fortalecido uma resistência pela base, e o mais interessante, a base, através de suas lideranças de movimentos sociais, sindicais e ativistas, têm se organizado através de comando de mobilização. Como a gente ajudou a construir a mobilização da saúde nacional, agora no município construímos o comando de mobilização “nenhum serviço de saúde a menos”. Isso tem sido muito interessante, pois tem tensionado sindicatos burocráticos a rever os seus conceitos e vir para a luta, porque é necessário o movimento sindical estar nesse processo de defesa do SUS e ajudar na organização da classe. Esses ataques são muito cruéis, mas a população, os trabalhadores e pacientes têm se movido para fortalecer a resistência.

    EO – Apenas para que fique claro, trata-se, então, de um sucateamento do SUS para substituí-lo por planos de saúde populares, mas ao custo de praticamente colocar em risco a população a doenças e mortes que poderiam ser evitadas, não é?

    Cintia Teixeira – Interessante é o prefeito Crivella que, durante a campanha, dizia que iria cuidar das pessoas, iria acrescentar R$ 250 milhões à saúde, não fez isso. Mal iniciou o mandato, já anunciou que iria cortar 11 clínicas da família. Então, os trabalhadores se organizaram, junto com os pacientes e seus familiares, e conseguimos uma vitória que é o não fechamento das clínicas. Só que na mudança da PNAB, em que há restrição de equipes de família, de profissionais, já está tendo demissão. O modelo de gestão da Prefeitura do Rio para todas as unidades de clínicas da família e UPAs é com as Organizações Sociais (OSs). Para isso, a mando de uma política nacional, eles estão demitindo trabalhadores, para justificar redução, inclusive do valor dos contratos. E, nessa luta,a gente tem um ganho hoje, amanhã tem um retrocesso, mas esse processo, a luta, segue, porque a gente entende que eles, do governo, querem desmontar o SUS para justificar a implementação de um programa de saúde de planos populares.

    EO – Mas, e quanto  à resistência dos trabalhadores afetados na saúde, como está a reação?

    Cintia Teixeira – Bom, há resistência. Como a gente entende que é um ataque ideológico desse governo, o movimento sindical na saúde federal entendeu que só o movimento sindical não daria conta de defender o SUS, defender os trabalhadores, lutar pelos seus direitos e pelos direitos da população. Então, nós conseguimos montar uma frente, uma frente única, que é a frente em defesa dos hospitais e institutos federais, que tem mais de cem assinaturas dentre movimentos populares, sindicatos e conselhos de categoria no âmbito nacional, inclusive de parlamentares. Isso é o que vem vem movendo. A gente entende que tem que ser uma ação jurídica, administrativa, institucional com a luta direta. Então, criamos essa frente que conseguiu fazer vários atos, fechamento de grandes avenidas, grandes vias, nos hospitais aqui no Rio. No estado, já existe um comando de mobilização que deu o ‘start’ no processo da construção da greve do estado.  Há atrasos de salário dos servidores, questionamentos do modelo de gestão via organização social. No município, há a organização do comando de mobilização, chamado ‘Nenhum serviço de saúde a menos’, que está dando suporte aos comandos de greve que estão sendo instituídos.

    Hoje, nós temos a greve dos médicos residentes, de nutricionistas do NASF e diversas outras profissões já estão com as agendas de assembleias marcadas. Essa semana aconteceu uma assembleia lotada dos enfermeiros, para deflagração da greve com calendário de processo de luta. Então, essa resistência segue, mas a gente entende que o ataque é muito frontal, é muito duro e que, por isso, é fundamental a unidade da classe dos trabalhadores, junto com os moradores. Estamos intensificando muito os atos no território, para envolver a comunidade. E isso tem fortalecido os trabalhadores das unidades, assim como está tensionando o próprio governo, em especial a Prefeitura do Rio de Janeiro. A gente está, literalmente, caçando o prefeito, indo para cima, exigindo audiências, porque ele foge dos trabalhadores. Estamos exigindo que não tenha corte orçamentário. É bom dizer que nessa resistência a gente conseguiu duas audiências públicas na Câmara Municipal. Na segunda audiência pública, infelizmente, a segurança da Câmara Municipal agrediu os manifestantes, mas a gente conseguiu resistir. Uma parte conseguiu entrar na Câmara. Então é isso, as pessoas estão resistindo, ainda não é o que é necessário, mas os trabalhadores da saúde aqui no Rio estão dando um banho de processo, dando um alerta de que só é possível mudar esse quadro de ataque ideológico aos nossos direitos com muita luta.

    EO – Pelo seu relato, dá para perceber que esse processo de unidade de ação, ainda que com limitações, está ocorrendo. Existem contatos entre vocês e outras categorias que também estão passando por inúmeros ataques aqui no estado, como os profissionais da UERJ, ou outros servidores?

    Sim, a educação também montou uma frente em defesa da educação pública e nós fomos para o lançamento dessa frente e deixamos muito bem desenhado o objetivo, que é importante a unidade dos profissionais da saúde e da educação  para barrar esses ataques. Então, a gente deu total apoio ao lançamento da frente. Também teve um ato de rua, com repressão e a saúde estava lá. Também, a frente dos institutos e hospitais estava lá.

    Tanto na parte do município, como na do estado, a gente tem conectado com os comandos. Vamos ver se no dia 10 a gente consegue colocar uniformemente a saúde na rua. O Fórum de Saúde do Rio de Janeiro também é um movimento superimportante para aglutinar diversos lutadores e lutadoras. Então, também está imbuído aí nesse processo de unificar as lutas a saúde e a educação, contra os ataques do governo.

    EO – Dia 10 de novembro, como dia nacional de luta, então ganha uma grande importância. Como ponto que pode mudar essa correlação tão ofensiva contra os trabalhadores, pode ser uma retomada do processo?

    Cintia Teixeira – Sim, pode ser uma retomada. Entendendo que nós podemos ter várias diferenças táticas com diversas correntes sindicais, partidárias, mas a gente entende que nesse momento a gente tem que buscar uma bandeira que nos unifique. Então, é através dessa bandeira que nos unifica, que estaremos construindo o dia 10 de novembro.

    Foto: Dendê – Ilha do Governador