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  • Governo é derrotado na votação da LDO que ataca serviços públicos e congela salários

    Vitória da mobilização dos sindicatos do funcionalismo público federal

    Na noite dessa quarta-feira (11), o plenário do Congresso Nacional, em sessão conjunta entre deputados e senadores, votou a Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO). A proposta inicial do relator Dalírio Beber PSDB (SC) tinha no texto cortes de verbas no serviço público, congelamento de salários dos servidores e proibição de concurso público.

    O movimento dos servidores públicos federais começou dias atrás uma campanha e mobilização de denúncia desse ataque, com pressão sobre os parlamentares. Manifestações nos aeroportos, reuniões com líderes partidários, reunião com o relator do projeto de LDO, pressão na reunião da comissão de orçamento e muita agitação nas redes sociais.

    Todo esse movimento conseguiu fazer quase toda a base do governo recuar e mudar de posição em relação ao artigo 92 – a que congela salários do funcionalismo. O governo Temer sofreu uma grave derrota, a mobilização e pressão organizada pelas entidades sindicais do funcionalismo através do Fonasefe e Fonacate ganhou a opinião pública e virou o voto dos partidos da base do governo. Em ano eleitoral, os deputados e senadores da base aliada não tiveram coragem de enfrentar a bronca de milhões de servidores federais em todo o país e da população carente que precisa dos serviços públicos.

    A proposta de congelar salários teve apenas 45 votos a favor, enquanto 209 votaram contra, derrubando o artigo 92 A e permitindo que os servidores tenham o direito a reajuste. Essa vitória é importante, porque não institucionalizou na legislação do país o congelamento salarial pretendido pelo governo. O governo Temer e os próximos governos não têm compromisso com os trabalhadores e estão escancaradamente a serviço dos interesses do capital financeiro. Assim, a mobilização precisa seguir em frente para arrancar negociação salarial.

    Todo o movimento sindical do funcionalismo tem a tarefa de mobilizar e botar pressão sobre o STF, que precisa se posicionar em relação ao direito à revisão anual dos salários do funcionalismo. Esse tema pode entrar em pauta novamente no segundo semestre, na volta do recesso do supremo.

    Ainda sobre a LDO, o governo também foi derrotado parcialmente em relação à proposta que diminuía em 10% as verbas de custeio destinas aos órgãos públicos. O relator apresentou um recuo com uma nova proposta de 5%. Mesmo assim, é um corte prejudicial, mas se não fosse a mobilização das entidades sindicais do funcionalismo poderia ser pior. Isso significa que vamos ter que seguir lutando para garantir mais verbas para os serviços públicos alcançarem mais e melhor toda a população. O vampirão golpista Michel Temer tem sede e vai até o final do seu governo seguir atacando os trabalhadores e o povo pobre desse país.

    Centrais sindicais convocam manifestações em todo o país no dia 10 de agosto
    As centrais sindicais estão convocando manifestações e paralisações no próximo dia 10 de agosto para denunciar o cruel desemprego em todo país e lutar contra as reformas de Temer. Essa é a tarefa mais importante que todo o movimento sindical deve assumir para o próximo período, fortalecendo a unidade mais ampla para lutar contra o governo Temer e os interesses do capital. Esse calendário unitário pode abrir as condições para fortalecer a resistência, com objetivo de alterar a correlação de forças no país a favor do trabalhadores.
    *Gibran Jordão é membro da Secretaria Executiva da CSP-Conlutas e Ex-Coord. Geral da Fasubra

  • Governo e Congresso querem congelar o salário do funcionalismo em 2019, em meio à pacote de maldades

    Os ataques contra o funcionalismo: congelamento de salários, redistribuição compulsória e cortes no Orçamento dos serviços públicos

    O senador Dalírio Beber (PSDB-SC), relator da proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), colocou um veto no texto de seu parecer que proíbe o próximo governo de conceder reajuste nos salários e benefícios para o funcionalismo público federal em 2019. O relatório também proíbe novos concursos públicos. Só terão reajuste as categorias que já tiverem acordos garantidos em lei e só assumirão cargos pessoas aprovadas em concursos com validade até o ano que vem. No texto da proposta de Beber está:

    “Fica vedada a aprovação de projeto de lei e a edição de medida provisória relativos a concessão de qualquer vantagem ou aumento de remuneração, a criação de cargos, empregos e funções ou alteração de estrutura de carreiras nos órgãos e entidades da administração direta ou indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo poder público, ainda que com efeitos financeiros posteriores a 2019”, diz o texto do relator.

    A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) está prevista para ser votada na próxima quarta-feira (11), às 11h na Comissão Mista de Orçamento. No mesmo dia, o parecer  do senador Dalírio Beber (PSDB-SC) será discutido pelo plenário do Congresso Nacional, a partir das 13h.

    Essa movimentação do parlamento é a concretização na prática da PEC do Fim do Mundo, aprovada em 2016 logo após o golpe, atual Emenda Constitucional 95. Na ocasião, várias entidades sindicais ligadas à educação federal, como Fasubra, ANDES-SN e Sinsasefe, fizeram greve contra essa proposta que congela os salários e investimentos públicos por vinte anos. Junto com o movimento estudantil, outras entidades sindicais e centrais, organizaram uma grande marcha a Brasília no dia da votação, em dezembro de 2016. A manifestação levou mais de 30 mil pessoas a Brasília, foi duramente reprimida e a Esplanada dos Ministérios se transformou numa praça de guerra. O movimento foi uma forte resistência, mas não conseguiu impedir os obscuros planos de Temer e do parlamento em aprovar a PEC que tira um direito básico dos trabalhadores para garantir o desvio de recursos do Orçamento da União para atender os interesses do capital.

    CONSTITUIÇÃO GARANTE REVISÃO ANUAL DOS SALÁRIOS DO FUNCIONALISMO, MAS STF NÃO SE POSICIONA…
    A revisão geral anual é a reposição da variação inflacionária que subtraiu o poder aquisitivo da remuneração, de todos os servidores públicos. Essa reposição da inflação não significa conquista de melhoria ou aumento de remuneração, pois apenas resgata o poder aquisitivo perdido pela elevação do custo de vida, mantendo o valor real dos salários. Nisso reside a lógica de ser dirigida a todos os servidores, porque sofrem com a mesma corrosão inflacionária, indistintamente.

    O artigo 37, inciso X, da Constituição Federal diz:
    X – a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o § 4º do art. 39 somente poderão ser fixados ou alterados por lei específica, observada a iniciativa privativa em cada caso, assegurada revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção de índices; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

    A auto aplicabilidade desse artigo da Constituição não é garantida pelos governos. Esse tema estava travado na pauta do STF desde 2014. Em junho desse ano, o ministro Dias Toffoli, após pedir vistas, liberou para votação. O tema chegou a entrar na pauta do supremo, no dia 21 de junho, mas não foi votado. O Supremo entrou em recesso e o direito da revisão anual dos salários do funcionalismo só deve entrar na pauta para o posicionamento dos ministros no próximo semestre. Mesmo assim não é algo garantido.

    PORTARIA 193/2018 DÁ CARTA BRANCA PARA O MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO REALOCAR SERVIDORES COMPULSORIAMENTE…
    Foi publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira, dia 04, a Portaria 193/2018 que garante ao Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão poderes para realocar empregados ou servidores públicos federais em órgãos ou entidades diferentes de onde os funcionários estão lotados, conforme as necessidades da União.

    O objetivo dessa medida é redimensionar a força de trabalho no serviço público federal, transferindo de órgãos que serão sucateados e fechados, para outros órgãos prioritários para o governo. Evitando assim a contratação de mais funcionários via concurso público, ao mesmo tempo em que é reduzido o alcance dos serviços públicos.

    Essa portaria ataca direitos democráticos na medida em que não respeita o interesse da administração do órgão público que perderá obrigatoriamente servidores, nem mesmo garante que a vontade do servidor será levada em consideração. Conforme estabelece o artigo 3º da portaria:
    “a alteração da lotação ou exercício de empregado ou servidor para compor força de trabalho é irrecusável e não depende da anuência previa do órgão ou entidade ao qual ele está vinculado”.

    A CRISE DAS UNIVERSIDADES É A EXPRESSÃO DOS CORTES NO ORÇAMENTO PARA O CUSTEIO DOS SERVIÇOS PÚBLICOS…
    Segundo reportagem do G1, entre as 63 instituições, 90% operam com perdas reais em comparação a 2013, ou seja, na prática o orçamento para gastos não obrigatórios está menor. Nesse período, o repasse total garantido pelo MEC encolheu 28,5%. Essa situação provocou a demissão em massa de trabalhadores terceirizados, afetando os serviços de limpeza, manutenção e segurança, o congelamento e corte das bolsas de auxilio estudantil para os mais carentes e o aumento do preço da alimentação nos restaurantes universitários.

    Esses cortes já tinham se iniciado na gestão anterior, e estão sendo aprofundados no governo Temer. Essa realidade não acontece somente nas universidades, mas também em vários outros órgãos públicos que estão vendo órgãos e departamentos serem sucateados, fechados, semi paralisados e sem perspectiva de concurso públicos.

    OS TRÊS PODERES ESTÃO UNIDOS CONTRA O FUNCIONALISMO…
    Os esforços do Executivo através de Temer, as movimentações do Congresso Nacional e do STF no último período elegeram o funcionalismo e os serviços públicos como alvo para profundos ataques que visam redirecionar os recursos públicos para atender os interesses do capital.

    O governo e a grande mídia dizem que há um rombo nas contas públicas e por isso é necessário tomar medidas amargas. Não há dúvida que o Brasil vive as pressões da crise econômica mundial, mas não é verdade que há um rombo incontornável nas contas públicas e muito menos o funcionalismo deve ser considerado o vilão do Orçamento da União.

    O Brasil entrou num ciclo vicioso, há um déficit e a receita é o ajuste fiscal/corte de gastos, sem investimentos o PIB se transforma em pibinho ou até mesmo fica negativo. A consequência é a queda da arrecadação que por sua vez aumenta o déficit e o endividamento.

    MEDIDAS EMERGENCIAIS PARA RETOMAR O CRESCIMENTO ECONÔMICO…
    Não será sacrificando o funcionalismo e os serviços públicos que o país vai sair da crise econômica e retomar um novo ciclo de crescimento. A única saída é atacar os interesses do capital, banqueiros e megaempresários são os verdadeiros privilegiados, são pouquíssimas famílias que detêm o controle sobre a maioria absoluta da riqueza produzida, a desigualdade é monumental.

    Para começar a inverter a lógica injusta do ajuste fiscal do governo golpista de Temer, algumas medidas básicas podem ser tomadas em caráter programático emergencial.
    Acabar com subsídios fiscais a grandes empresas: Segundo dados do próprio ministério da fazenda, em 2017, o governo federal abriu mão de R$ 354,7 bilhões em subsídios fiscais. Uma medida que seria temporária com o objetivo de aquecer a economia e gerar empregos não tem atingido tais objetivos e só tem contribuído para enriquecer meia dúzia de grandes empresários e gerar mais rombo nas contas públicas.
    Taxar as grandes fortunas e artigos de luxo: Segundo Carvalho Júnior, pesquisador do IPEA, cálculos mostram que taxar os ricos ajudaria a arrecadar de 0,25% a 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto), e que a cobrança poderia ser feita junto com o Imposto de Renda. Essa medida teria que ser associada a proibição dos ricos de tirarem suas fortunas do país para fugir da taxação do imposto de renda.
    Utilizar as reservas cambiais para investir e gerar empregos: O Brasil tem hoje por volta de R$ 380 bilhões em reservas internacionais na forma de títulos da dívida dos EUA e de outros países ricos. Somos o quarto credor dos EUA, e o aumento do juro nos EUA tem um efeito positivo para as reservas internacionais do Brasil. Dados do Banco Central mostram que o rendimento das reservas cresceu 46% na comparação com o ano passado e, entre janeiro e maio desse ano, o Brasil recebeu US$ 2,113 bilhões em juros.
    Revogação imediata da EC 95: A aprovação da PEC do Fim do Mundo em 2016 está gradativamente provocando a paralisia do estado e da economia do país. O congelamento dos investimentos públicos nos próximos vinte anos vai sufocar o desenvolvimento social do país, ampliando o caos, a pobreza e a violência urbana. É urgente a revogação dessa medida para atender os interesses do povo brasileiro, o sacrifício tem que ser imposto aos ricos e poderosos desse país.
    Auditoria e suspensão do pagamento da divida pública: Segundo a Auditoria Cidadã da Divida, a dívida pública federal interna superou R$ 5 trilhões em 2017. De 1995 a 2017, a dívida “interna” federal explodiu, crescendo de R$ 86 bilhões para R$ 5 trilhões, em decorrência dos juros abusivos e de mecanismos financeiros obscuros, que geram a chamada dívida pública e só favorecem o setor financeiro. Essa monumental sangria de recursos públicos é o principal motivo para o ajuste fiscal radical que provoca o congelamento dos salários e dos investimentos públicos em saúde, educação, infraestrutura e geração de empregos.

    ORGANIZAR A RESISTÊNCIA UNIFICADA DO FUNCIONALISMO
    Não vamos inverter essa lógica sem mobilizar os trabalhadores e organizar a luta unificada do funcionalismo. Nenhuma categoria isolada do funcionalismo poderá fazer um enfrentamento a altura do imenso ataque que os três poderes da república estão proferindo contra os serviços públicos para gerenciar os interesses do capital. Nesse momento qualquer greve isolada está fadada ao fracasso e aqueles que defendem esse caminho estão iludindo os trabalhadores.

    Os fóruns que promovem a unidade de ação entre as entidades do funcionalismo são fundamentais. O papel do FONASEFE e do FONACATE nesse momento nunca foi tão importante. Semana que vem há uma convocação para mobilização em Brasília para pressionar o Congresso Nacional a retirar o veto ao reajuste do funcionalismo no texto da LDO.

    Mas é preciso seguir a mobilização unitária rumo a construção de uma forte greve unificada do funcionalismo para derrotar os planos de Temer. Além disso, é fundamental que as entidades do funcionalismo construam o dia 10 de agosto convocado pelas centrais. Um dia nacional de paralisação e grandes manifestações de rua pode abrir as condições para uma nova greve geral no país contribuindo para invertermos a correlação de forças, hoje desfavorável para os trabalhadores.

     

    *Gibran Jordão é membro da Direção Nacional da Resistência/PSOL e da Executiva Nacional da CSP-Conlutas

    Foto: Senador Dalírio Beber (PSDB-SC), relator da proposta de LDO. Marcelo Camargo/Agência Brasil

  • Por que o dia 28 de junho é Dia Internacional do Orgulho LGBT?

    Em 28 de junho de 1969, num bar chamado Stonewall, em Nova Iorque, aconteceu a chamada Revolta de Stonewall que deu origem ao Dia do Orgulho LGBT e à Parada do Orgulho LGBT. As LGBTs, cansadas de serem maltratadas e presas pela polícia por simplesmente serem quem são, gritaram “Poder Gay” e se rebelaram contra a polícia. Esse grito ecoou, derrubando diversas leis LGBTfóbicas ao redor do mundo. Precisamos resgatar essa história.

    A Revolta de Stonewall
    Naquela época, em Nova Iorque, existia uma lei que criminalizava a homossexualidade e outra que criminalizava pessoas que usassem roupas do outro sexo. O bar Stonewall era frequentado por muitas LGBTs. A polícia, como de praxe, separou os frequentadores do bar em três grupos: os homens, as mulheres e as “aberrações”. O último grupo era, justamente, das pessoas que estavam usando roupas “do outro sexo”.

    Muitas das pessoas ali presentes acreditavam que o motivo da batida era porque a polícia não recebeu a propina, como costumava receber.

    Aquela batida, entretanto, não ocorreu normalmente. O procedimento padrão era levar todas as pessoas vestidas como mulheres para o banheiro feminino, de forma que uma policial mulher pudesse verificar o “sexo” da pessoa. Entretanto, essas pessoas se recusaram a ir ao banheiro. Outros se recusavam a mostrar o documento de identidade.

    Algumas pessoas foram se aglomerando do lado de fora. Os “suspeitos” liberados pela polícia também se aglomeraram ali. Alguns deles encenaram uma saudação exagerada à polícia, ao que a plateia aplaudia.

    Conforme o camburão ia levando pessoas e voltando, várias horas se passaram. A plateia se tornou milhares de pessoas. Uma mulher relutava contra a polícia ao ser arrastada para o camburão e gritou à multidão aglomerada: “Por que vocês não fazem nada?” Foi aí que começou a revolta. Manifestantes gritavam “Poder Gay!” e erguiam os punhos, inspirados pelo grito de guerra dos Panteras Negras, “Poder Negro!”. Atiravam moedas nos policiais, dizendo: “Porcos, aqui está o seu dinheiro!”

    Os policiais foram presos dentro do bar e os rebeldes tentavam botar fogo no bar. Algumas mulheres trans, como Marsha P. Jonhson, atiraram coquetéis molotov contra a polícia. A tropa de choque foi acionada para conter a multidão. Drag queens se alinharam para cantar e dançar uma paródia de uma pequena música bem conhecida nos EUA, levantando as saias:

    Nós somos as garotas de Stonewall
    Nossos cabelos são encaracolados
    Nós não vestimos roupas íntimas
    Nós mostramos nossos pelos pubianos
    Nós vestimos nossas jardineiras
    Acima dos nossos joelhos afeminados
    A revolta durou várias horas e se repetiu nos dias seguintes.

    Lutar vale a pena
    Nos últimos anos, a luta LGBT rendeu muitos frutos. O direito à união estável homoafetiva, ao casamento civil igualitário, a transformação da Parada LGBT de São Paulo na maior Parada LGBT do mundo, o beijo entre Félix e Niko na novela das 21h da Globo e a aprovação, pelo STF, do direito da mudança em cartório do nome e do sexo no registro civil por autodeclaração.

    Nada disso foi feito por “bondade” do sistema judiciário nem da Rede Globo, mas, pelo contrário, são resultado da pressão política e da opinião pública. O próprio crescimento das Paradas LGBTs no Brasil pressionou o judiciário a tomar providências, uma vez que o Congresso se nega a fazê-lo. Por outro lado, a novela “Amor à Vida” aconteceu alguns meses após a onda de manifestações Fora Feliciano, que varreram o país de Norte a Sul e colocaram a discussão sobre o preconceito contra homossexuais na boca do povo.

    Além disso, todas as grandes conquistas do movimento LGBTs passaram por fora dos governos do PSDB e do PT. Foram vitórias da luta, pois infelizmente os governos Lula e Dilma praticamente abandonaram a questão para fecharem acordos com a bancada fundamentalista do Congresso Nacional.

    Ao mesmo tempo, os fundamentalistas também atacaram e conseguiram, por exemplo, a retirada dos debates de gênero e sexualidade dos planos municipais, estaduais e federal de educação por todo o país, tendo como principal arma a falácia da “ideologia de gênero”. Esta falácia é uma elaboração teórica de setores fundamentalistas católicos, com participação do próprio Vaticano, e tem como objetivo “provar” que a existência das pessoas LGBTs é resultado de uma “ideologia de gênero” que supostamente estaria se disseminando na sociedade.

    No Brasil em tempos de golpe, Jair Bolsonaro, uma figura pública neofascista, ganhou bastante audiência, principalmente entre os militantes do MBL, que atuaram nas manifestações pelo impeachment da Dilma. Importante lembrar que em várias dessas manifestações ocorreram agressões contra militantes de esquerda e LGBTs. Surgiram também grupos de neofascistas que promovem o ódio às LGBTs, às feministas, aos militantes do movimento negro e dos movimentos sociais.

    A realidade é difícil. Mas o movimento LGBT, impulsionado pelas pessoas mais oprimidas e exploradas deste sistema, já ultrapassou grandes barreiras. A história mostra que o movimento LGBT, quando é impulsionado por membros da classe trabalhadora e do povo pobre, é um movimento combativo e capaz.

    Por isso, no Dia Internacional do Orgulho LGBT, as LGBTs precisam botar a cara no sol e na luta, em aliança com outros movimentos sociais e sindicais, em defesa da derrubada de Temer e suas reformas, contra a bancada fundamentalista do Congresso, reivindicando medidas efetivas do governo no combate à violência LGBT e na educação contra o preconceito.

  • Brasil precisa ser soberano também fora de campo

    A Copa começou e nossa seleção é novamente uma das favoritas. O talento dos brasileiros e, em especial, o de Neymar, impõe respeito. Mesmo com o fantasma do 7 x 1 e o desalento na economia, continuamos sendo grandes neste esporte.

    Mas, fora de campo, a história é outra. O respeito desaparece. O Brasil não escolhe suas jogadas e nem decide o que vai fazer, não é independente. Onde está nossa soberania? As decisões são tomadas por “cartolas”, quer dizer, grandes corporações estrangeiras, bancos e fundos de investimentos. As principais escolhas estão nas mãos do “mercado”, isto é, de uma dúzia de ricos e poderosos.

    Nossa economia é muito dependente da exportação de minério, petróleo e produtos do agronegócio. Exportamos produtos primários e importamos bens industrializados. Dependemos diretamente da cotação lá fora. Veja o exemplo dos combustíveis. Apesar de termos reservas, tecnologia e capacidade de refino, o brasileiro paga mais de R$ 5 no litro de gasolina, porque a Petrobrás aplica a tabela do mercado internacional. Para os acionistas, pouco importa que 61% da população esteja contra essa política ou que 1,2 milhão de famílias cozinhe usando lenha.

    Somos reféns do capital especulativo que nas últimas semanas tem deixado o País, buscando maior rentabilidade em função da alta da taxa de juros no EUA. Antes do Brasil estrear na Copa, o Brasil já terá queimado 24,5 bilhões de dólares em operações futuras para acalmar o mercado e segurar a cotação do dólar, esvaziando parte das reservas.

    É GOOOLLLLLLLLPPPEEEEEE!!!!!
    Nosso país tem sofrido com a retirada de riquezas e lucros por parte do grande capital internacional. Isso é resultado da crise econômica iniciada em 2008, e agora acelerada pela disputa agressiva entre as principais nações imperialistas.

    Foi por conta dessa crise econômica que o Brasil teve uma virada de mesa em 2016, no golpe parlamentar, feito para controlar mais ainda nossa economia.

    Não que o Brasil fosse um País independente de verdade nos governos do PT. Nesses anos, o País aprofundou a sua inserção no mercado mundial como fornecedor de commodities e ainda liderou a ocupação no Haiti. Mas mesmo os governos de conciliação de classes tornaram-se incapazes de atender às exigências do imperialismo e do capital internacional. O golpe veio para ir além, para avançar na recolonização.

    Temer, depois de políticas de austeridade e redução do custo trabalho, avança na entrega das riquezas. Ampliou o controle estrangeiro de terras e reservas de petróleo e, mesmo com o governo em crise, quer entregar aos estrangeiros Eletrobrás, Correios, Embraer e nossa maior empresa, a Petrobras.

     

    BRASIL CAMPEÃO DA DESIGUALDADE
    Nossa economia é uma das maiores, mas, quando o assunto é a distribuição dessa riqueza, voltamos a ser “vira-latas”, a estar entre as últimas posições. Somos o décimo país mais desigual do mundo, empatados com a Suazilândia, pequena nação africana de área 490 vezes menor que a nossa. Somos mais desiguais que Honduras e Guatemala.

    O golpe ampliou essa desigualdade e deixou 31 milhões sem emprego. Seis pessoas têm o mesmo que 100 milhões de brasileiros. Os 5% mais ricos tem a mesma riqueza que 95% da população. O rico está mais rico. O trabalhador está endividado ou sem emprego. Principalmente se for mulher, negro ou LGBT.O controle sobre o Brasil provoca não só essa desigualdade, mas também impede que o País cresça e se desenvolva, aproveitando nossas riquezas. É como se jogássemos com as pernas amarradas. Com soberania, nosso país poderia crescer, explorar suas potencialidades e, assim, distribuir essa riqueza entre o nosso povo.

    NAS ELEIÇÕES, QUEREM JOGAR POR VOCÊ
    Temer mudou a regra do jogo, a mando do mercado. A Emenda Constitucional 95 determina um Teto de Gastos públicos, que reduzirá o alcance de programas sociais e da saúde. Em 12 anos, essa decisão causará a morte de mais 20 mil crianças. Leis assim são criadas para impedir que as principais decisões saiam do controle do mercado. Mesmo se o time estiver perdendo, o técnico fica impedido de mudar o esquema tático e até de substituir os jogadores.

    Mas, além disso, o mercado interfere diretamente nas eleições. Age para eleger um presidente que mantenha as políticas de austeridade, sem qualquer mudança na agenda. Foi por isso que perseguiram e prenderam Lula, que lidera as pesquisas.

    Querem decidir por você. Querem um governo comprometido com mais submissão, com a reforma da Previdência e a autonomia do Banco Central, como acaba de fazer a Argentina, em acordo com o FMI. O(a) candidato(a) do mercado será aquele(a) que provar chances eleitorais e transmitir confiança de que continuará fazendo o Brasil perder.

    É HORA DE VIRAR O JOGO
    Nas próximas semanas, vamos torcer pela seleção. Aos poucos, vamos acabar recuperando o gosto pela torcida, pois não vamos deixar que nos tirem isso também. Já basta levarem os nossos melhores jogadores e jogadoras.

    Além de torcer, vamos lutar por um Brasil soberano fora de campo. Para isso, é preciso ser grande para todos e não para uma pequena elite, para o 1% de bilionários. É preciso enfrentar a desigualdade social, herança da escravidão, romper com os de cima.

    Não dá para ganhar jogando no mesmo time de quem aposta contra a gente, com quem entrega a partida, de quem dá golpe. Sem acordo com cartola, é possível virar o jogo.

    Vamos entrar em campo com um programa anticapitalista, com a pré-candidatura de Boulos e Guajajara, na luta dos de baixo, das mulheres, dos trabalhadores. É possível anular a reforma trabalhista, impedir a da Previdência, enfrentar a dívida e os banqueiros, fazer a reforma agrária e urbana, garantir emprego e o combate à desigualdade.

    Vamos para a Copa torcendo pelo Brasil e lutando por soberania. Essa é uma luta importante para todos os socialistas, que não querem só ganhar uma partida, mas vencer o campeonato, para que os trabalhadores controlem e usufruam da riqueza que produzem.

    O Brasil não precisa seguir o mesmo caminho das principais potências, que exploram e sugam as riquezas e o povo dos demais países. Pode ser soberano, independente e também solidário e irmão de outras nações, como parte de uma mesma classe trabalhadora, em todo o mundo. Seja no Brasil, na Argentina ou na Palestina.

    Acompanhe a cobertura da Copa do Mundo da Rússia no Lateral Esquerda, especial do Esquerda Online

    Foto: Philippe Coutinho comemora gol em partida das eliminatórias. Lucas Figueiredo/CBF

  • Não se deve terceirizar para Ciro Gomes a luta contra Bolsonaro

    As virtudes dos homens são semelhantes ao voo dos pássaros.
    A ave que se habitua à paisagem rasteira perde o gosto pela altura.
    Sabedoria popular indiana

    Nada é tão poderoso neste mundo como uma ideia cujo momento chegou.
    Sabedoria popular espanhola

    A luta para tirar Bolsonaro do segundo turno das eleições de 2018 deve ser um dos eixos de todas as correntes da esquerda brasileira. Quem pensa que a luta contra Bolsonaro é somente uma luta eleitoral se engana. O combate contra os neofascistas não se reduz à arena eleitoral. A paralisação dos caminhoneiros deixou claro que a disputa contra a extrema-direita veio para ficar. Ela é uma batalha em todas as frentes.

    Mas, quando ainda temos quatro meses de luta pela frente, tem crescido uma corrente de opinião que considera, precipitadamente, que este combate já estaria esgotado. Como se fosse já fosse possível prever que Bolsonaro estará no segundo turno. Essa hipótese existe, e merece ser considerada, seriamente, mas não é mais do que uma hipótese. Nenhuma batalha termina antes que acabe. A pior derrota é a derrota sem luta.

    Não é por outra razão que podemos acompanhar, nos locais de trabalho e estudo, nas redes sociais e nas conversas entre os ativistas, uma ansiedade por uma candidatura única de esquerda, ainda antes do primeiro turno. O medo daquilo que Bolsonaro representa alimenta a expectativa de que só uma candidatura de centro-esquerda poderia derrotá-lo. É este alarmismo que explica a pressão pelo apoio a Ciro Gomes.

    Apoiar Ciro Gomes desde o primeiro turno significa terceirizar a luta contra Bolsonaro. Uma tarefa que Ciro Gomes, retoricamente, aceita, mas não pode cumprir. Não se luta contra Bolsonaro com ofensas pessoais. Isso é infantil. Só favorece a consolidação das relações de uma parte de sua base eleitoral. A luta contra Bolsonaro é uma luta política. Luta política não se faz com insultos, mas com propostas, com um programa. São as propostas concretas que podem separar Bolsonaro de uma parcela do eleitorado. Propostas como a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, para que haja emprego para todos. Propostas como a elevação do salário mínimo, tendo como referência o piso de R$ 4.000,00 do Dieese. Propostas como a anulação da PEC do Teto dos Gastos, a anulação da reforma trabalhista, o fim da lei das terceirizações, e tantas outras.

    Ciro Gomes não tem as mãos livres para o fazer. Não pode fazê-lo por, pelo menos, quatro razões profundas. Primeiro, porque nada é mais funcional para Ciro Gomes que o pânico de que Bolsonaro já está no segundo turno, e só ele pode atrair os votos da direita e da esquerda necessários para derrotá-lo; segundo, porque o lugar de disputa da candidatura Ciro Gomes é o espaço do centro, portanto, necessariamente, dialogando com a classe média contra a esquerda, que representa, em primeiro lugar, o impulso da mobilização popular; terceiro, porque defende um programa de ajuste fiscal calibrado para desbloquear o mercado interno, e precisa se diferenciar no primeiro turno de Alckmin, não de Bolsonaro; e quarto, porque articula alianças com dissidentes da base política de sustentação de Michel Temer, como Benjamim Steinbruch e PSB, além de flertar com Maia, o DEM e o centrão, portanto, piscando para direita.

    Esta tarefa deve ser assumida, em primeiro lugar, pelas candidaturas de esquerda. A frontalidade da luta contra o neofascismo repousa, antes e depois das eleições, nas mãos da esquerda. Algumas analogias históricas podem ser instigantes. Devemos ter muito cuidado com a ideia do senso comum de que “quem tem juízo vota no mal menor”. Ou seja, deveríamos colocar a mão no nariz, e votar para nos protegermos do mal “maior”. Esta linha de raciocínio parece encarar de frente o perigo Bolsonaro, mas, na verdade, desconsidera, diminui e despreza a força dos neofascistas.

    O mal menor em 1982 era Franco Montoro do MDB. Era ele o candidato a governador contra ninguém menos do que Maluf, o famigerado. Só que Lula era, também, candidato e chegou aos 10%. O impulso da campanha de 1982 foi chave para que o PT tivesse a iniciativa de chamar o comício de novembro de 1983, na Praça Charles Miller no Pacaembu, sob a bandeira Diretas Já. Sem esta iniciativa, como está bem documentado no livro de Dante de Oliveira e Domingos Leonelli, o comício de 25 de janeiro na Praça da Sé não teria sido chamado, e milhões não teriam saído às ruas para desafiar a ditadura. Nos vinte anos anteriores o MDB nunca chamou o povo às ruas para tentar derrubar a ditadura.

    Em 1984, o mal menor era Tancredo Neves, candidato no Colégio Eleitoral, com Sarney de vice. E o PT chamou ao boicote. Se o PT tivesse apoiado Tancredo Neves, e participado do governo Sarney, a esquerda não existiria com peso de massas nas duas décadas seguintes. O PT teria se desmoralizado.

    Em 1986 o mal menor era Orestes Quércia, o candidato do PMDB e do plano Cruzado, de novo contra Maluf. Pelo PT, Suplicy chegou aos 11%, criticando o plano Cruzado, que desmoronou seis meses depois da eleição. Só que Quércia ficou, e deixou como herdeiro, em 1990, o Fleury e o massacre do Carandiru. O mal menor contra Maluf, em 1988, era Serra, mas Luísa Erundina do PT venceu, porque na véspera das eleições Sarney mandou invadir a CSN em Volta Redonda, e três operários foram assassinados. Não morreram em vão. Em fevereiro de 1989 a greve geral contra o Plano Verão de Maílson da Nóbrega, a maior da história, abriu o caminho para legitimar Lula no segundo turno.

    Resumo da ópera: o voto só é útil quando não votamos contra nós mesmos, contra nossos interesses. Nenhum representante dos interesses da Avenida Paulista e Faria Lima é menos “mal”. Não tem sentido escolher quem quer te empurrar do terceiro andar, porque o candidato mais feroz quer te empurrar do décimo. Isso não é escolha. É uma armadilha.

    As ideias e propostas dos neofascistas ganharam audiência nos últimos dois anos. Mas existem reservas nos batalhões mais organizados dos trabalhadores e da juventude. Existe uma força social muito mais poderosa que o desespero confuso e desorientado dos que clamam por uma “intervenção militar”. Nada é mais poderoso do que a força social desta maioria explorada e oprimida quando abraça com paixão e esperança uma luta justa. Ela pode ser despertada. Ela precisa ser chamada às ruas para lutar. Esse deve ser o papel da esquerda. Este tem sido o lugar da campanha Boulos/Sonia Guajajara.

    Mas é necessário que o maior partido da esquerda acorde do seu sonambolismo. O PT tem o direito de apresentar Lula como o seu candidato à Presidência. Mas a direção do PT tem, também, o dever de encabeçar a luta contra Bolsonaro. Isso significa, neste momento, dar um passo em frente. Cabe ao PT responder ao apelo que o PSOL tem feito por uma frente única de toda a esquerda contra os neofascistas.

    FOTO: Deputado Jair Bolsonaro, pré-candidato à Presidencia. Marcelo Camargo/Agência Brasil

  • Acampamento de Jovens Anticapitalistas, organizado pelo Afronte!, aprova carta à juventude brasileira

    Entre os dias 01 a 03 de junho aconteceu na Universidade Federal Fluminense, em Niterói – RJ, o Acampamento Nacional de Jovens Anticapitalistas: Resistir Sem Medo. Primeiro acampamento nacional organizado pelo Afronte!. Foram três dias de intensos debates políticos sobre conjuntura, anticapitalismo, opressões, trabalho de base, além de contar com uma grande Roda Vida com o pré-candidato a Presidência pelo PSOL, Guilherme Boulos. Ao final do encontro, os cerca de 400 jovens  presentes aprovaram a “Carta de Niterói”, sintetizando as principais tarefas políticas para a juventude na atual conjuntura. Confira:

    CARTA DE NITERÓI

    Desde a fundação do nosso movimento, cantamos em muitas atividades o grito “Afronte! É guerra!”. Após 3 dias de Acampamento Nacional de Jovens Anticapitalistas, entendemos mais profundamente o que isso significa. Convivemos e compartilhamos ideias, rimas, debates, resistências, risadas, dificuldades, aprendizados e solidariedade, que nos fortaleceram para organizar a batalha.

    Apontaremos nossas armas contra aqueles que querem vender o nosso país, oprimir nossos irmãos e irmãs, destruir a educação e os serviços públicos, privatizar a Petrobrás, exterminar a esperança que tem rosto de mulher, negra, bissexual e favelada. Estamos contra os donos do poder que ditam os mandamentos do lucro acima da vida. Somos anticapitalistas. Somos 99% contra o 1%. Não descansaremos até a destruição de toda a exploração, opressão e exclusão que vive nosso povo, através da luta radical pela transformação do futuro.

    O mundo capitalista vive uma das maiores crises de sua história e querem que a juventude e os trabalhadores paguem por ela. O desgoverno de Michel Temer abre portas para o retrocesso, aplicando um projeto político e econômico ditado pelo imperialismo. Quem ganha são os bancos, o agronegócio, os tubarões do ensino, e quem perde são as universidades e hospitais públicos, a periferia, os indígenas, as LGBTs, as mulheres e o povo negro.

    Junto com os retrocessos, o golpe fortaleceu uma nova direita em nosso país. Cinquenta anos depois do AI-5 e da morte do Edson Luís, há quem se sinta a vontade para defender a volta da ditadura. Vimos milhares irem às ruas organizados pela FIESP e novos movimentos de direita. Sob o pretexto do combate à corrupção, disputam uma saída reacionária para crise disseminando preconceito e ódio nas ruas e redes. Fazem isso através de seus representantes, como os “heróis da pátria” Moro e Bolsonaro, ou agrupamentos como o MBL. Dizem representar uma nova política, porém suas ideias retrocedem o país aos tempos da Casa Grande.

    Sem medo, a nossa juventude não foge da luta. Nosso movimento foi forjado nas ocupações de escolas e universidades no final de 2016, que enfrentaram a PEC do Fim do Mundo. Estivemos presentes na histórica Greve Geral de 28 de abril de 2017. Acreditamos na força da unidade das lutas da juventude e dos trabalhadores para combatermos todos os retrocessos e enfrentar a extrema direita. Construímos a Frente Povo Sem Medo, organizamos o movimento estudantil a partir de novas práticas, participamos de cursinhos populares e grupos de periferia que tem a arte como ferramenta de luta, nos auto-organizamos como mulheres, negras e negros e LGBTs para combater a opressão.

    Agora, estamos diante de um novo desafio, que é construir de norte a sul do país, em cada bairro, escola, universidade, a campanha de Guilherme Boulos e Sônia Guajajara. Só iremos transformar o Brasil aliando nossas ideias com a luta direta, como fazem os movimentos sem teto e indígena. Sem fazer aliança com partidos da direita e representantes do capital, a Frente Politica e Social entre MTST, PSOL, PCB e APIB representam uma alternativa política com um programa de enfrentamento às ideias reacionárias e supera a ilusão de que é possível “governar para todos”. Esta campanha, portanto, vai além da votação de outubro; serve pra renovar a esperança em nossas próprias forças.

    Com satisfação, voltamos para nossas cidades com muita disposição de organizar a luta e construir nosso movimento. São inúmeros os desafios. Não deixaremos que privatizem as universidades públicas e acabem com a assistência estudantil. Queremos ampliação da política de cotas e medidas de combate às fraudes. Nos somaremos à construção das Marchas da Maconha e à luta antiproibicionista. Afrontaremos, todos os dias, o machismo, o racismo e a LGBTfobia. Lutaremos ombro a ombro com o movimento dos sem teto, sem terra, do sindicalismo independente. Estaremos nas periferias construindo política através da arte e cultura de resistência. Vamos Sem Medo multiplicar os Grupos de Ação da campanha de Boulos e Sônia. Resistiremos a todas as medidas do governo golpista de Temer, como a Reforma Trabalhista, da Previdência e a tentativa de privatizar as estatais. Seguiremos afrontando todo o conservadorismo e retrocesso em nosso país! Este é o nosso compromisso. Paz entre nós, guerra aos senhores!

    03 de Junho de 2018

     

    SAIBA MAIS

    Acampamento reúne centenas de jovens anticapitalistas em Niterói (RJ)

  • Crescimento econômico derrete e crise social esquenta 

    Na campanha pelo impeachment de Dilma Rousseff, o discurso da coalizão golpista atribuía ao PT dois males fundamentais: a corrupção generalizada que carateriza o sistema político brasileiro e a crise econômica que se desenvolveu no país a partir de 2014. Atualmente, passados mais de dois anos de governo Temer (MDB), já se tornou evidente que a troca na presidência não solucionou o problema da corrupção. Pelo contrário, amplas evidências – de malas de dinheiro a gravações comprometedoras – indicam o envolvimento de parcela significativa da cúpula do governo com variados esquemas de propinas, favorecimento indevido, entre outros elementos.

    Já no campo econômico, o governo segue propagandeando a ideia de que teria tirado o país do atoleiro, iniciando uma pujante recuperação econômica. Tal imagem, entretanto, não resiste a uma análise séria da atual situação. Nesse sentido, cabe lembrar inicialmente que o crescimento do PIB em 2017, de 1%, não chegou sequer perto de recuperar as perdas de 2015 (-3,5%) e 2016 (-3,6%), ano em que Temer assumiu a presidência a partir de maio. Para 2018, as previsões de crescimento do PIB que iniciaram o ano em 3% já caíram para 2,2% e devem cair mais nos próximos meses, quando se contabilizará os impactos da greve de caminhoneiros. O resultado do 1o trimestre, com crescimento de 0,4%, indica que o resultado final pode ser ainda mais tímido.

    Nesse cenário, o mais importante contraponto é fornecido pela expansão da produção agropecuária, que avançou 1,4% no primeiro trimestre do ano. Em parte, esse crescimento é viabilizado pelo aumento dos preços internacionais das commodities exportadas pelo Brasil (como petróleo e soja), que experimentaram uma significativa elevação ao longo dos últimos 12 meses, ainda que não tenham recuperado os patamares alcançados na primeira década do século XXI. Entretanto, considerando-se o amplo endividamento de grande parte das empresas e as restrições de investimentos do governo federal – decorrentes da queda da arrecadação e da aprovação da PEC do Teto de Gastos –, o agronegócio não poderá, sozinho, sustentar uma recuperação muito mais acelerada do que a verificada até o momento para o conjunto da economia.

    Além dos fatores puramente econômicos, a forte instabilidade política e o nebuloso cenário eleitoral também incidem negativamente sobre o desempenho da economia, na medida em que muitos empresários suspendem investimentos diante do quadro de insegurança e incertezas.

    Aprofundamento da crise social como estratégia do capital
    Diante dessas dificuldades, o principal instrumento a ser acionado pelas classes dominantes com o objetivo de acelerar a recuperação da atividade econômica é o aprofundamento da exploração e da espoliação da classe trabalhadora e do povo pobre, que permitiria elevar as taxas de lucro às custas das condições de vida do proletariado. Retirada de direitos sociais e trabalhistas, precarização dos contratos de trabalho e redução dos níveis salariais são a tradução mais imediata dessa estratégia, que constitui o centro do programa do governo Temer desde a famigerada “Ponte para o futuro”. Para 2019, a aposta da burguesia é na realização de novos ataques, com destaque para a contrarreforma da previdência, momentaneamente deixada de lado em função da resistência dos trabalhadores e dos interesses eleitorais de seus principais defensores.

    A aplicação deste programa está provocando o aumento assustador dos índices de desigualdade social, violência e pobreza. O mal estar social é generalizado, como bem revelou a greve de caminhoneiros que parou o país e conquistou amplo apoio popular. Para muitos trabalhadores, o salário não chega ao final do mês. Assim, pais e mães de família tem que escolher entre pagar o aluguel e dar comida aos filhos.

    Atualmente, o total de trabalhadores desempregados, desalentados (isto é, que já deixaram até de procurar emprego) e subocupados (trabalham menos de 40 horas por semana e gostariam de trabalhar mais) já alcança 27,7 milhões de pessoas, o que corresponde a 24,7% da força de trabalho. Mesmo para aqueles que conseguem se manter trabalhando, entretanto, a situação é dramática: entre os empregados, cresce o percentual de informais, que não têm direitos trabalhistas assegurados e, entre os autônomos, se reduz o índice de contribuição para a seguridade social. As consequências desse quadro já são inúmeras e muito graves, indo desde o empobrecimento das famílias trabalhadoras, até o abandono dos estudos por parcela da juventude proletária, passando pelo crescimento da violência cotidiana, principalmente, nas grandes cidades. Evidentemente, tais dificuldades são ainda mais sentidas pelos setores historicamente oprimidos, como mulheres, negros e LGBTTs.

    Em paralelo, avançam, também, as iniciativas de privatização de bens e recursos públicos, favorecendo especialmente o controle de empresas estrangeiras sobre o patrimônio nacional. Desde o seu início, o governo Temer já repassou parte importante da infraestrutura de transportes (estradas, portos e aeroportos) do país para o controle de empresas privadas nacionais e estrangeiras. Nessa área, entretanto, a principal iniciativa diz respeito, sem dúvida, ao esforço de privatização de empresas públicas fundamentais à soberania nacional, como Correios, Embraer e Petrobras. No caso desta última, além do projeto de venda de quatro refinarias, a política de preços adotada – que se subordina à dinâmica dos preços internacionais – reduz o espaço da empresa no mercado nacional, abrindo espaço para a penetração das grandes petrolíferas estrangeiras.

    Por um programa econômico a serviço da classe trabalhadora e dos oprimidos
    Diante da estratégia burguesa de aprofundamento dos ataques aos direitos sociais e trabalhistas e de privatização dos bens públicos, é preciso afirmar um programa que esteja a serviço da classe trabalhadora e dos setores oprimidos. Por isso, defendemos que a saída para a crise econômica deve ser pautada em uma reforma tributária que amplie a taxação sobre o empresariado e os ricos, para que haja recursos para financiar as áreas sociais; na auditoria da dívida pública que drena parte significativa do orçamento público para o bolso de banqueiros e especuladores estrangeiros; na realização de um plano emergencial de obras públicas e na redução da jornada de trabalho sem redução salarial, para acabar com o desemprego; na garantia de serviços públicos gratuitos e de qualidade e na rejeição das privatizações da Petrobras, Eletrobrás e demais empresas públicas. Defendemos esse programa em todas as lutas da classe trabalhadora e, também, nas eleições, por meio da candidatura de Guilherme Boulos e Sônia Guajajara (PSOL/PCB/MTST/APIB).

    Foto: EBC

  • Boulos à juventude: “Nossa campanha vai ser a campanha do movimento, do ativismo”

    No acampamento do Afronte, pré-candidato fala de muros, psicanálise e palpita sobre a Copa

    Guilherme Boulos, coordenador nacional do MTST e pré-candidato a Presidência da República, participou na manhã deste sábado (02) de uma sabatina no Acampamento Nacional de Jovens Anticapitalistas, em Niterói (RJ). Ele apresentou os objetivos da sua pré-candidatura e de Sonia Guajajara, falou sobre política e economia, mas a temática foi muito além, tratando de temas como opressões, psicánalise, meio ambiente, transporte e integração latino-americana, em um formato semelhante ao programa de entrevistas de TV. Ao final, na despedida, Boulos agradeceu pelo excelente debate e brincou: “As perguntas desse Roda Viva do Afronte foram muito mais interessantes do que as do roda viva da TV”.

    Boulos falou sobre psicánalise, atividade que exerce junto com a militância e as aulas. Citou o período que esteve na Argentina, em 2001, logo após o Argentinazo. Lá ele conviveu com os movimentos de bairro, com os grupos piqueteiros, que haviam liderado a revolta que derrubou três presidentes do País em poucas semanas. “Eu conheci um projeto muito interessante, de um coletivo de psicanalistas que atendia militantes em uma região na cidade, onde havia acontecido um massacre, com duas mortes. Era um trauma, e esse grupo atendia e cuidava destes militantes”, recorda.

    “As pessoas não se movem apenas pelas ideias, pela racionalidade. Têm sentimentos, um monte de coisas”. Ele anunciou que a campanha também irá tratar de temas como depressão e suicídio, que são temas coletivos, relacionados à falta de perspectivas. “É preciso acolher as pessoas. Isso é algo que as igrejas evangélicas fazem muito bem. E nós, da esquerda, temos que deixar de olhar com preconceito”, refletiu.

    Ele falou sobre a necessidade da campanha “atravessar os muros”. “Precisamos parar de falar para nós mesmos. Temos que falar com o eleitor da periferia que está dizendo que vai votar no Bolsonaro. A fórmula de chamar essa pessoa de fascista, não passará, não resolve. Fascista é o Bolsonaro. Essas pessoas estão sem perspectivas, sem esperanças, e em parte porque a esquerda não foi capaz de apresentar saídas, um programa.”

    VÍDEO: Assista a entrevista completa no facebook do Esquerda Online

    Falou ainda sobre política externa, criticando a presença no Haiti e fez questão de se diferenciar dos governos petistas. “Nossa política de integração não pode ser pensada apenas como integração econômica, discutir pauta de exportação… Temos que pensar além. Precisa ser pensada como uma integração entre os povos, cultural, política e solidária. Temos que reverter a política entreguista de Temer, mas o Brasil não pode usar a sua liderança para aspirar a um papel de subimperialismo”, afirmou.

    Guilherme aproveitou uma pergunta sobre meio ambiente para debater o modelo de desenvolvimento do País. “O período de mais crescimento foi o milagre econômico na ditadura. Mas foi quando mais se concentrou renda, de mais destruição das populações… Precisamos de um modelo de desenvolvimento que respeite indígenas, quilombolas e as populações tradicionais. Não pode ter uma grande obra que os afete, sem diálogo, sem acordos.”

    Ele citou a importância de ter Sonia Guajajara, da APIB, como companheira, pela primeira vez uma mulher indígena na chapa, e criticou a destruição da Amazônia, os alimentos transgëncios e o agronegócio. “Ao contrário do que diz o agropop, esse modelo não é bom para o país. Setenta porcento dos alimentos vem da agricultura familiar. Precisamos da reforma agrária”.

    “É evidente que a gente quer a melhoria do pais. Mas não queremos um modelo de desenvolvimento a qualquer custo, que sirva apenas ao mercado” E prosseguiu, criticando, sem citar, o programa da candidatura Ciro Gomes (PDT). “Nosso modelo é um contraponto a visões desenvolvimentistas que falam em gerar emprego, mas que a fórmula é a mesma da ditadura militar”.

    Ele convocou a juventude a discutir o projeto e falou da importância da candidatura do PSOL, PCB, MTST e APIB. “A diferença começa no nosso jeito de fazer campanha. Nossa campanha vai ser a campanha do movimento, a campanha do ativismo. Nós vamos ter que reencantar as pessoas, discutir pautas, discutir um projeto que não vai terminar em outubro deste ano, que não tem data de validade. Queremos um projeto para a próxima geração. Queremos disputar essa eleição, ocupar cada espaço, mas não queremos apenas isso. Mesmo que a gente vença, a gente não governaremos sem os trabalhadores organizados, sem lastro. Nossa responsabilidade é plantar uma semente enorme, que vai colher frutos nesta eleição e sobretudo na reorganização de um projeto de esquerda do Brasil.”

    Ao final, Guilherme ainda foi surpreendido por um pingue-pongue, com dez perguntas, que respondeu rapidamente, demorando um pouco mais apenas para responder sobre um acontecimento que marcou a sua vida (Pinheirinho) e se o Brasil vai vencer a Copa do Mundo. Confira abaixo as respostas.

     

    Perguntas para Boulos

    Um(a) revolucionário(a) – Che Guevara
    Um livro – As Veias Abertas da América Latina (Galeano)
    Um acontecimento político que te marcou muito – Os últimos meses foram repletos de acontecimentos importantes… Mas um que me marcou foi o despejo da Ocupação Pinheirinho, em São José dos Campos, em 2012.
    Seu time – Corinthians, claro.
    O Tite vai trazer o hexacampeonato? – Humm… Sim, vai trazer.
    Um artista – Férrez
    Comida preferida – Feijoada
    Bebida – Cachaça
    Gênero musical – Samba

     

    SAIBA MAIS

    Acampamento reúne centenas de jovens anticapitalistas em Niterói (RJ)


  • Acampamento reúne centenas de jovens anticapitalistas em Niterói (RJ)

    Neste sábado, 02, encontro recebe Guilherme Boulos, pré-candidato à Presidência

    Começou nesta sexta-feira, 01, o Acampamento Nacional de jovens anticapitalistas, organizado pelo coletivo Afronte! O encontro reúne 370 jovens de todas as regiões do País na Universidade Federal Fluminense (UFF) em Niterói (RJ). O primeiro dia contou com a saudação de diversos coletivos de juventude, uma homenagem à Marielle Franco, debate com o deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) e Silvia Ferraro (Resistência/PSOL SP) e mesas sobre a luta das mulheres, negros e LGBTs.

    Acampamento de jovens em Niterói (RJ)

    Acampamento de jovens em Niterói (RJ)

    Neste sábado, o evento começa às 09h, com um debate sobre conjuntura nacional, com Valério Arcary e Marina Meneghel. Em seguida, haverá uma conversa com Guilherme Boulos, pré-candidato a Presidência da República, aberto ao público. O debate e todo o evento estão sendo transmitidos ao vivo pelo Esquerda Online e pelo Afronte, pelo Facebook. Na parte da tarde, os participantes farão oficinas temáticas, sobre diversos temas, como comunicação, educação e juventude.

    O primeiro acampamento do Afronte pretende ser um espaço de formação, troca de experiências e também de confraternização de jovens ativistas. Os eixos temáticos do evento são: Luta contra o capitalismo, retrocessos e extrema-direita, opressões, educação e futuro, e a construção de uma alternativa de esquerda.

     

    CONFIRA A PROGRAMAÇÃO DO EVENTO



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  • Gerentes invadem assembleia e assediam petroleiros em Sergipe

    Trabalhadores do terminal de armazenamento de petróleo Tecarmo, em Aracaju (SE), faziam uma assembleia no segundo dia da greve nacional petroleira, 31/05, quando foram interrompidos por gestores da unidade. O gerente de ativos e o gerente operacional traziam nas mãos cartas de convocação ao trabalho para os grevistas. Chamando individualmente os empregados pelo nome, os gestores iniciaram a distribuição dos documentos, mas a ação foi logo interrompida pelo mal-estar gerado pela provocação.

    O documento de várias páginas informava da decisão de ilegalidade da greve e ameaçava os trabalhadores com as possíveis sanções a serem aplicadas. Dentre as punições, o eventual enquadramento do não retorno ao trabalho como “crime de desobediência”, passível de demissão por justa causa.

    Fernando Borges, diretor do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro AL/SE), explica que as cartas começaram a ser entregues na noite do dia anterior pelo gerente de ativos pessoalmente, na casa dos empregados. “Imagine o constrangimento de receber um gestor da Petrobrás em casa, na frente de sua família, com uma ameaça. Pela manhã estávamos aqui na porta do Tecarmo quando uma colega que tinha recebido a convocação chegou tremendo, completamente abalada, para trabalhar. Isso é um profundo desrespeito. É assédio”, afirma Fernando.

    Manifestação
    Diante do grave episódio, os trabalhadores prometem um ato na porta da unidade nesta sexta-feira, 01/06. “Não podemos deixar que isso aconteça impunemente. Invadir uma assembleia de trabalhadores é inadmissível. Vamos estudar as medidas jurídicas cabíveis, mas, independentemente disso, estamos tomando uma atitude política contra esse atentado à auto-organização dos trabalhadores”, defende o petroleiro.

    A greve dos petroleiros foi declarada ilegal pela Justiça do Trabalho. Uma multa diária de R$ 2 milhões é imputada aos sindicatos em caso de descumprimento da decisão.