Home – 3

q1111233
  • Poder ao povo para mudar o sistema

    Na série de fatos políticos ocorridos nos dois últimos dois anos, a ascensão de um líder neofascista, ancorado em um movimento real que o confere cerca de um terço dos votos nestas eleições, é o que mais se destaca.

    O fortalecimento de Bolsonaro surge como o sintoma ingrato do imenso fracasso da transição pelo alto da ditadura para a democracia. A Constituição Federal, que simbolizou o pacto de passagem de um regime ao outro, vive seu abalo sísmico mais profundo nesses 30 anos de existência, justamente quando os índices da crise social e econômica atingem níveis drásticos.

    Se Bolsonaro é um autêntico sintoma da crise do projeto democrático-burguês, a corrupção taxada de problema central por ele e seus apoiadores aparece como cortina de fumaça, escamoteando o fato de que a representação política no Brasil, especialmente no Congresso Nacional, é voltada ao grande empresariado.

    Mais do que desonestos, deputados, senadores e juízes representam o grande capital: são fazendeiros, industriais, banqueiros que operam para que leis e medidas administrativas tornem mais fáceis a manutenção de seus lucros, juros e rendas. O monopólio da produção e circulação de informação na mão de famílias milionárias, contadas nos dedos, também aponta para esse poder de classe altamente concentrado.

    A experiência paulatina do Partido dos Trabalhadores no poder não sagrou seu prometido protagonismo na efetivação da democratização do poder político. O preço alto por essa promessa frustrada vem sendo mais amargamente conhecido agora, quando daqui a alguns dias a chapa presidencial de militares de extrema-direita, que promete suprimir de vez a já precária democracia brasileira, tem chance de chegar ao governo.

    Os retrocessos
    Se formos observar atentamente o “inventário” de ataques promovidos a partir do golpe parlamentar, veremos que o esfacelamento das garantias democráticas (liberdade de organização política, liberdade de manifestação e pensamento, presunção de inocência etc.) guardam um profundo sentido de coerência com as investidas de austeridade econômica.

    O primeiro exemplo é a própria atuação de Temer: o presidente mais rejeitado da história, não eleito para o cargo, é aquele que conseguiu, em dois anos, aprovar medidas radicalmente antipopulares.

    Ilustrações não faltam: a contrarreforma trabalhista, a Lei da Terceirização, a Emenda Constitucional nº. 95, que congela investimentos sociais por 20 anos, a Reforma do Ensino Médio, a extinção dos Ministérios do Desenvolvimento Agrário, da Igualdade Racial, das Mulheres e dos Direitos Humanos, a entrega do Pré-Sal, entre muitas outras.

    Nesse meio tempo, o Brasil bateu o recorde de assassinatos de lideranças de trabalhadores rurais, quilombolas, indígenas e lutadores de direitos humanos. Entre as instituições, a Polícia Federal foi responsável por espetaculosas operações para desgastar a imagem das universidades federais e de seus professores, a Polícia Civil invadiu a Escola Nacional Florestan Fernandes, do MST, enquanto o Supremo Tribunal Federal autorizou a violação da presunção de inocência, e a Operação Lava Jato se tornou o palco preferencial do punitivismo midiático antipetista. É relevante lembrar que leis de conotação autoritária aprovadas pelos governos do PT também se voltam hoje contra o partido e seu principal dirigente.

    Fato também considerável é que a escalada repressiva do Estado – intervenção militar no Rio de Janeiro, recorde de assassinatos pela polícia da população negra e periférica nos grandes centros urbanos, o homicídio arquitetado e não resolvido de Marielle Franco e a prisão de Lula – são situações a serem levadas em consideração na análise sobre o endurecimento da democracia, que vão paulatinamente transformando quantidade em qualidade do regime.

    Cinco medidas democráticas para mudar o sistema

    Se um novo projeto político está sendo gestado pela extrema-direita, é preciso, mais do que nunca, apostar em um programa sólido, sensível às demandas e ao cotidiano do povo, para oferecer uma alternativa que se converta em prática consciente pela esquerda anti-sistêmica.

    Dito isso, não nos interessa participar do jogo em que sempre vence os mandantes do país há mais de 500 anos. Para que a maioria do povo brasileiro realize o poder político em função de seus próprios interesses, defendemos algumas medidas para enfrentar a corrupção e democratizar o poder político. Essas medidas precisam perseverar como ideias em movimento, cujo sentido estratégico é a abolição da dominação capitalista e a construção de uma democracia socialista.

    Isso quer dizer, em outras palavras, que só serão possíveis caso haja uma mobilização proletária e popular capaz de levar adiante as tarefas de democratização do poder no Brasil, missões estas que a classe burguesa não se dispôs historicamente a cumprir.

    1 – Confisco do patrimônio dos políticos condenados por corrupção e das empresas corruptoras
    Para fugir da moralidade burguesa que caracteriza como saída para a corrupção mais rigidez prisional instituída em leis e jurisprudências – o que, sabemos, recai sobre a vida da população negra e pobre, seletivamente escolhida para superlotar presídios e formar a terceira população carcerária do mundo -, é preciso fazer medidas de expropriação.

    Muito mais do que a prisão, a expropriação da riqueza ganha pelos políticos e empresas por meio de suas relações espúrias nos corredores do Congresso é a maneira mais efetiva de solucionar o problema da corrupção. O patrimônio comum roubado precisa ser integralmente retomado e direcionado para os interesses coletivos, como saúde, educação, assistência social, cultura, habitação, infraestrutura e lazer.

    2 – Fim dos privilégios ligados a cargos institucionais
    O que recebe qualquer trabalhador no Brasil nunca vai se comparar aos privilégios de senadores e deputados. Além dos salários acima de R$ 30 mil, os políticos ganham uma alta verba para contratação de equipe de assessoria, auxílio-moradia, apartamento funcional e muito mais. Os políticos devem servir à maioria do povo brasileiro e não a seus próprios interesses. Deve haver uma redução drástica do salário e o fim de privilégios, como o auxílio-moradia.

    O mesmo precisa ser aplicado aos cargos do Judiciário, do Ministério Público e das Forças Armadas, já que a história pode ser ainda pior quando se trata de juízes e desembargadores: quase toda a magistratura no Brasil ganha acima do teto salarial previsto em lei. Os magistrados ganham também “regalias-extras”, como aposentadoria integral compulsória como pena máxima por cometimento de infração – uma verdadeira premiação por condutas ilegais na carreira.

    3 – Revogabilidade dos mandatos e elegibilidade do Judiciário e do Ministério Público
    A revogabilidade dos mandatos de juízes, desembargadores e promotores é um mecanismo muito mais democrático do que prevê o sistema brasileiro atual porque eleva a participação e a fiscalização popular sobre as instituições.

    A eleição de magistrados quebraria a tradição medieval de nomeação e vitaliciedade dos cargos que prevalece hoje. Fora isso, a falta de transparência e fiscalização externa ao Judiciário é uma marca deste poder. Condicioná-lo à vontade popular é o único caminho para quebrar essa cultura retrógrada.

    4 – Reforma política e eleitoral
    A livre organização partidária (ameaçada pela atual reforma política) deve ser garantida e a desigualdade atual entre os partidos deve ser corrigida por meio do fim do fundo partidário, instrumento de manutenção das forças políticas que acumulam poder através do dinheiro.

    O financiamento público de campanha deve ser construído a partir de um fundo moderado e igualmente repartido entre os partidos e seus candidatos, para que as campanhas eleitorais não sejam grandes produções de marketing, mas demonstrações de programas políticos concretos. Outros direitos iguais, como mesmo tempo de televisão e rádio, também devem ser garantidos. O financiamento empresarial deve continuar a ser proibido e as doações de pessoas físicas devem ser limitadas ao valor de um salário mínimo.

    5 – Plebiscitos, referendos e mecanismos de democracia direta para que o povo decida sobre seus interesses
    Para acabar com a lógica atual, em que os parlamentares votam medidas de grande impacto em prol dos interesses do 1% da população contra os outros 99%, toda votação do Congresso de importância nacional deve ser objeto de referendos ou plebiscitos, para que o povo decida sobre, por exemplo, a legislação trabalhista, sobre a aposentadoria, sobre os destinos do orçamento público, entre outros temas. A implementação de conselhos e instâncias de participação popular devem também subverter essa ordem de cima para baixo que vige hoje em dia, vinculando as grandes decisões às elaborações feitas na base da sociedade.

    LEIA MAIS

    Cinco motivos para votar Boulos Presidente 50

     

  • Hora de sangue frio e sensatez: por que lutar até ao fim sem desespero?

    A língua resiste porque é mole; os dentes cedem porque são duros. Sem o fogo do entusiasmo, não há o calor da vitória. Jamais se desespere em meio às sombrias aflições de sua vida, pois das nuvens mais negras cai água límpida e fecunda. Procure acender uma vela em vez de amaldiçoar a escuridão.
    Sabedoria popular chinesa

    Nada está ainda decidido. Um em cada três eleitores não cita nenhum nome nas pesquisas. É um número altíssimo quando faltam tão poucos dias para as eleições. São 19% de indecisos, e mais 14% que, por enquanto, votam ou branco ou nulo. Esses 33% deixam a eleição ainda indefinida. Bolsonaro tem 38% de votos válidos, segundo as pesquisas mais recentes, já considerada a margem de erro. Ele teria de crescer 12 pontos porcentuais até o dia da eleição, para conquistar de 50% mais um. Isso é possível, porém, improvável.

    Trocar de candidato, tampouco, faz sentido. Levo muito a sério a matemática e a teoria dos jogos. Acontece que, com as informações hoje disponíveis, não é possível fazer o cálculo de quem seria o candidato em melhores condições de derrotar Bolsonaro no segundo turno. Não é possível porque todas as pesquisas estão no limite da margem de erro. Não é possível porque o segundo turno será uma nova eleição, em todos os sentidos. Não sendo possível, cada um de nós deve votar em quem pensa ser o melhor candidato. E todos devemos conversar para deslocar votos de Bolsonaro.

    O #elenão não foi um tiro no pé
    Ações produzem reações, é verdade. Mas o principal efeito das mobilizações de sábado em mais de 400 cidades foi ter levantado a moral da esquerda brasileira. Não se luta contra os fascistas somente com argumentos. É preciso demonstrar força social. Porque o medo vai ter que mudar de lado, se queremos sair da defensiva. E quando reunimos um milhão nas ruas a militância de todas as correntes de esquerda levantou a cabeça.

    O crescimento de Bolsonaro nas pesquisas parece ter tido múltiplos fatores. Em primeiro lugar a saída do hospital. Ao receber alta, e voltar a ter presença ativa nas redes sociais Bolsonaro sinalizou que tinha voltado para a luta. Isso teve impacto. Em segundo lugar, o apoio das Igrejas pentecostais. Em terceiro lugar, o deslocamento do voto anti-PT ainda indeciso para Bolsonaro, simplesmente, porque permanece em primeiro lugar, portanto, favorito.

    Mas isso não significa que seja provável que Bolsonaro vá vencer. Ao contrário, é possível, porém, improvável. As eleições estão em aberto.
    Tarefa do dia: convença alguém a não votar em Bolsonaro. Hoje. Agora.

    Eu vou de #BoulosESonia50

     

    LEIA MAIS

    Crescimento do Bolsonaro demonstra a inutilidade da campanha pelo voto útil

     

    Foto. Guilherme Boulos, no comício do Rio de Janeiro, no dia 03. Foto Mídia Ninja

  • Manifesto das mulheres unidas contra Bolsonaro; por igualdade, liberdade, direito e uma vida sem violência

    Milhares de mulheres de todo o país já confirmaram presença nas manifestações marcadas para este dia 29 de setembro, fruto da campanha #EleNão, em oposição ao candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro. A campanha tomou as redes sociais, ganhou a declaração de artistas famosos, blocos de carnaval e personalidades. Mas, quem são mesmo essas mulheres e o porquê protestam? É o que pretende responder o ‘Manifesto das Mulheres Unidas Contra Bolsonaro’, lançado na manhã desta quinta-feira (27), aprovado nos fóruns da organização dos atos. O manifesto está disponível para assinatura online. 

    Confira o texto e não deixei de assinar:

    Quem somos?
    Somos mulheres, milhões e diversas. Somos brasileiras e imigrantes. Jovens e de cabelos brancos. Negras, brancas, indígenas. Trans e travestis. Somos LGBTQIs, amamos homens, mulheres ou ambos. Casadas e solteiras. Mães, filhas, avós. Somos trabalhadoras, donas de casa, estudantes, artistas, funcionárias públicas, pequenas empresárias, camelôs, sem teto, sem terra. Empregadas e desempregadas. Mulheres de diferentes religiões e sem religião.Estamos, hoje, juntas e de cabeça erguida nas ruas de todo o Brasil porque um candidato à presidência do país, com um discurso fundado no ódio, na intolerância, no autoritarismo e no atraso, ameaça nossas conquistas e nossa já difícil existência. Estamos na rua porque seu programa político econômico é um retrocesso, uma reprodução piorada das políticas terríveis do Temer.

    Quem é Jair Bolsonaro?
    Jair Bolsonaro, atualmente do PSL, Deputado Federal há 27 anos, já foi filiado a 9 partidos e teve apenas dois Projetos de Lei aprovados em toda sua vida política. Ele se apresenta como algo “novo” mas, é, na verdade, mais um “político de carreira” que trabalhou para eleger seus filhos e usufrui de privilégios, como o imoral auxílio moradia, enquanto milhares de famílias estão sem teto e lutam por um lugar digno para morar.

    Porque somos contra Bolsonaro?
    1. Jair Bolsonaro despreza negros, indígenas, LGBTQIs e todas as que lutam em defesa dos direitos das mulheres. Considera quilombolas “vagabundos”. Faz apologia à cultura do estupro. Adota discurso que legitima o feminicídio. Diz que o nascimento de sua única filha mulher foi uma “fraquejada”. Insiste que não há nada a fazer quanto à diferença salarial entre homens e mulheres. Para ele, dar “porrada” em meninos impede que eles “se tornem” gays. Seu vice na chapa, o General Mourão, declarou que famílias criadas por mães e avós são fábricas de desajustados;

    2. Votou a favor do congelamento dos gastos com saúde, educação e assistência social por 20 anos. Promete aumentar impostos sobre os pobres e reduzi-los para os ricos. Já anunciou uma onda de privatizações, vendendo as estatais e todo patrimônio do povo brasileiro. É um dos autores do Projeto de Lei que defende que o SUS não é obrigado a atender mulheres vítimas de abuso sexual. É apoiador do projeto “Escola sem Partido”, que acaba com a liberdade pedagógica e com o desenvolvimento do pensamento crítico em relação à sociedade caótica que vivemos.

    3. Votou a favor da Reforma Trabalhista e da Lei das Terceirizações, responsável por permitir que grávidas realizem trabalhos insalubres, pelo aumento do desemprego e do trabalho informal, em especial entre as mulheres negras. Já disse que “os trabalhadores devem escolher entre ter direitos e ter empregos”. Foi o único deputado a votar contra a PEC das domésticas, que garantiu às empregadas direitos trabalhistas básicos como o pagamento de hora extra e o recolhimento de FGTS. Já se comprometeu a aprovar a Reforma da Previdência, que aumenta a idade para se aposentar e iguala a idade entre mulheres e homens;

    4. Defende o aprofundamento de um projeto de segurança pública falido, que trata violência com mais violência e militarização. Projeto que é implementado há muitos anos no Brasil, em especial no Rio de Janeiro, cidade onde mais morre civis e policiais em confrontos e onde Marielle Franco e Anderson foram executados há mais de 6 meses, crime ainda sem respostas. Defende a liberação do porte de armas, seguindo o modelo dos EUA, país que tem os maiores índices de homicídio e suicídio, em especial entre jovens;

    5. Tem como candidato à Vice, um General que defende a tomada do poder pelas Forças Armadas e a elaboração de uma nova Constituição sem participação popular. É uma chapa que coloca, declaradamente, a democracia em risco!
    Jair Bolsonaro é defensor da Ditadura Militar, afirmou que o erro dos militares foi torturar em vez de matar e não esconde sua admiração ao mais notório torturador do regime militar de 1964, o General Ustra.

    Não queremos ditadura ou fascismo nem a ampliação da matança policial-militar nas ruas responsável pelo genocídio da juventude negra. Queremos liberdade, igualdade, justiça social e direitos! Bolsonaro é tudo que o Brasil não precisa para superar a crise e avançar.
    Nós, mulheres diversas e unidas, defendemos o oposto do que ele prega: defendemos o respeito às diferenças; o direito das mulheres de viverem seguras e decidirem sobre o seu próprio corpo; defendemos salários iguais entre homens e mulheres, entre negros e brancos; defendemos cotas para os que foram historicamente injustiçados e prejudicados; defendemos serviços públicos com qualidade para as mulheres pobres e seus filhos.
    Defendemos a mais ampla liberdade de ensinar e de aprender, sem lei de mordaça, seja na escola, ou na Universidade.

    Defendemos que as pessoas sejam livres para amar e sejam respeitadas por isso. Defendemos o debate de ideias e a democracia.

    Ele prega o ódio, nós pregamos o respeito. Ele defende a morte e a tortura, nós defendemos a vida.

    Por isso dizemos: Ele Não! Nem os filhos! Bolsonaro Nunca! Fascismo não!

    ASSINE O MANIFESTO NESTA PETIÇÃO DO AVAAZ*
    (* É possível manter seus dados ocultos)

  • Boulos Presidente, “voto útil” e as tarefas da esquerda socialista

    As eleições mais indefinidas da nossa história recente também já se transformaram em uma das mais polarizadas. O atentado do último dia 6 de setembro fortaleceu a candidatura de Bolsonaro no seu objetivo imediato de chegar ao segundo turno. A direção do PT optou pela troca de Lula por Haddad na cabeça da sua chapa presidencial, no limite do prazo imposto pelo TSE.

    O último mês de campanha chega sem que ainda possamos definir um quadro preciso. Ainda não é garantido afirmar com precisão quais as duas candidaturas que irão ao provável segundo turno.

    O crescimento relativo da candidatura de Bolsonaro nas últimas pesquisas e, principalmente, o crescimento da fidelização do eleitorado que se diz propenso em votar no candidato do PSL ampliam a necessidade de lutarmos para derrotá-lo nas ruas e nas urnas.

    Por isso, temos que apoiar e participar com todas as nossas forças do movimento “Mulheres Unidas contra Bolsonaro”, que constituiu um grupo no Facebook que já chega a um milhão de participantes e que agora começa organizar manifestações em todo o país, ainda antes da votação de 7 de outubro.

    Outra consequência da percepção da possibilidade de Bolsonaro ir ao segundo turno é o crescimento da discussão sobre o chamado “voto útil”. Muitos trabalhadores e jovens pensam em votar já no primeiro turno num candidato que se apresenta como de esquerda e aparente ter mais chances de derrotar Bolsonaro nas urnas.

    Compartilhamos do sentimento de parcela significativa do povo trabalhador e da juventude sobre a importância de derrotarmos Bolsonaro e seu projeto de extrema-direita neofascista. Essa é uma das principais tarefas da esquerda socialista brasileira também.

    Portanto, a tarefa de derrotar Bolsonaro é urgente e não pode esperar. Este fato reforça ainda mais a importância do movimento iniciado pelas mulheres e também do nosso combate político cotidiano a sua candidatura ultra-reacionária.

    Queremos derrotar Bolsonaro já no primeiro turno. E, infelizmente, caso vá ao segundo turno, essa luta vai seguir para impedir que um representante da extrema-direita neofascista conquiste a Presidência da República.

    Entretanto, na reta final dessa campanha e quando comparecermos às seções eleitorais no dia 7 de outubro, outras tarefas e objetivos estarão “em jogo”.

    Uma nova esperança de esquerda
    O Brasil não pode ser explicado sem que se entenda que aqui em nosso país houve um golpe parlamentar em 2016. O impeachment fraudulento teve como objetivo a substituição de um governo de conciliação de classes fragilizado por um governo que unificasse as grandes empresas, bancos e a mídia para aplicar as reformas reacionárias e o ajuste econômicos, que tanto vêm retirando direitos sociais e atacando as liberdades democráticas da maioria do povo. É preciso um plebiscito, que revogue as reformas e ataques destes dois anos de governo ilegítimo.

    Os limites evidentes dos governos do PT, em aliança com grandes empresários e setores da velha direita, são uma das grandes explicações para a abertura de uma realidade bem desfavorável e que deu condições aos golpistas para impor o governo ilegítimo. Nunca podemos esquecer que Temer era o vice da Dilma.

    Boulos Presidente, uma candidatura lançada por uma frente política e social inédita, formada por partidos de esquerda como o PSOL e o PCB, e por movimentos sociais combativos como o MTST, APIB e Fora do Eixo / Mídia Ninja, representa a possibilidade de construirmos uma nova esperança de esquerda em nosso país.

    A tarefa de construção desta nova alternativa, neste momento, é mais importante do que aderir simplesmente ao chamado “voto útil”, precipitando posições em eventuais cenários de segundo turno. Fortalecer essa nova alternativa será muito importante para lutarmos com mais força para superarmos o projeto de conciliação com as grandes empresas e a velha direita, defendido até hoje pela direção do PT, e para a construção de nossas lutas, em um futuro bem próximo.

    Nem Haddad, nem muito menos Ciro Gomes podem representar a construção de um novo projeto político para a esquerda brasileira. O PT denuncia o golpe, mas compôs alianças eleitorais com golpistas em 15 estados. Ciro Gomes se apresenta como oposição ferrenha a Temer, mas colocou a latifundiária Kátia Abreu como vice e tentou, até o último momento, se aliar aos partidos do “centrão”, base de Temer e aliados de Alckmin.

    As alianças políticas com a velha direita e os golpistas de hoje vão determinar os limites destas alternativas, caso cheguem ao governo. Vão governar aliados aos de sempre, com os representantes do que há de pior no apodrecido sistema político brasileiro, sem romper com os privilégios dos ricos e poderosos. E, o que é pior, um novo fracasso de governos de conciliação de classes pode fortalecer ainda mais o projeto golpista da extrema-direita.

    Na reta final desta campanha, o Esquerda Online vai intensificar a cobertura, a construção e fortalecimento das candidaturas presidenciais de Guilherme Boulos e Sônia Guajajara. Chamamos o povo trabalhador, a juventude, os oprimidos e os ativistas que estão na luta contra os “50 tons de Temer” a não optar pelo “voto útil”. E, nesse momento, e nas eleições de 7 de outubro, fortalecermos conjuntamente uma nova alternativa de esquerda e socialista, votando Boulos 50 para Presidente. Vamos, sem medo de mudar o Brasil!

    FOTO: Mídia Ninja

  • A moral deles e a nossa

    “Em uma época em que a reação vence, os srs. democratas, socialdemocratas, anarquistas e outros representantes do campo da ‘esquerda’ começam a exalar pelos poros em dobro sua moral, igual às pessoas que transpiram demais quando estão com medo. Repetindo, do seu modo, os Dez Mandamentos ou o Sermão da montanha, esses moralistas se dirigem não tanto à reação vitoriosa, mas aos revolucionários que sofrem sua perseguição, cujos ‘excessos’ e princípios ‘amorais’ ‘provocaram’ a reação e lhe deram justificação moral.”

    Leon Trotsky, A moral deles e a nossa

     

    O atentado ao candidato Jair Bolsonaro na última quinta-feira está longe de estar encerrado. Enquanto as investigações prosseguem e tentam identificar se Adelio Bispo de Oliveira agiu a mando de alguém ou atuou isoladamente “a mando de Deus”, como disse, os debates deverão prosseguir nas ruas, fábricas, escolas, universidades e, principalmente, nas redes sociais, este instrumento de abrir polêmicas, muitas delas infrutíferas.

    Sobre o atentado em si, em que pese o fato de ainda existir uma justa desconfiança sobre o acontecimento, algo que está associado ao sentimento instintivo e ao conhecimento prévio de que temos sido submetidos a inúmeras mentiras propagadas pelos nossos inimigos de classe, na medida em que passamos a ter a certeza de que houve atentado e que este quase levou a morte o candidato do PSL, prosseguirão as polêmicas sobre as atitudes de parte a parte, algumas delas revestida de incontornável conteúdo moral.

    Em primeiro lugar, é importante dizer algumas coisas sobre o agressor. Pelo que se depreende do seu perfil no Facebook, Adelio Bispo de Oliveira não parece ser uma pessoa tipicamente de esquerda, ainda que tenha sido filiado ao PSOL entre 2007 e 2014 (cabo Daciolo também foi e ninguém em sã consciência diria que se trata de um candidato de esquerda). Pessoas de esquerda jamais atribuiriam qualquer de suas atitudes a uma determinação de Deus. Também não tratariam da maçonaria em termos conspiratórios, não chamariam os políticos de inúteis abstratamente e nem compartilhariam posições de agrupamentos nacionalistas. É verdade que o agressor parecia odiar Bolsonaro ao mesmo tempo em que exaltava o “comunismo”, mas ao atacar o presidenciável do PSL por suas posições de ódio, Adelio Bispo de Oliveira manifestava, também, posições homofóbicas, reforçando a tese de que parecia estar tomado de confusão mental. Se não for assim, pode haver uma armação urdida há mais tempo, envolvendo outras pessoas e interesses poderosos. O que nos cabe fazer, quanto a isso, é exigir apuração e que esta seja feita com seriedade e transparência.

    A atitude de Adelio Bispo de Oliveira, contudo, foi acertadamente condenada pela maioria esmagadora das organizações de esquerda e pelas candidaturas perfiladas neste campo. Todavia, não parece correto combinar a condenação ao ato de agressão com um atitude que sugere que atmosfera de ódio hoje existente no Brasil não se relaciona à ascensão da extrema-direita e a forma violenta que Bolsonaro dissemina o ódio. Por conta disso, prestar solidariedade ao agredido e à sua família, como fez Fernando Haddad, como se estes fossem vítimas de um ódio infundado, contribui para confundir o eleitorado e desarmar os trabalhadores para que sejam capazes de enfrentar o golpe e a ascensão da extrema-direita.

    Em verdade, independentemente do que tenha levado Adelio Bispo de Oliveira a cometer o ato, o fato principal é que o ocorrido tanto prejudica a esquerda, como favorece as posturas de extrema-direita, habituadas a embalar a política em ódio contra os explorados e oprimidos. Sem que se possa dizer ao certo em que medida Bolsonaro se beneficia do fato, sua exaustiva exposição como “vítima” de um atentado criará dificuldades para as outras candidaturas, especialmente aquelas que disputam com Bolsonaro o voto conservador, ao tempo em que coloca para a esquerda novos desafios que passam pela construção da unidade e mobilização antifascista com capacidade de ocupar as ruas o quanto antes.

    Dito isso, é preciso que se insista que todos devemos condenar o ato. É verdade que quando Marielle Franco e Anderson Gomes foram executados, crime até hoje não elucidado, o que colhemos da extrema-direita foi chacota, fabricação de Fake News e inúmeras provocações. Também não esquecemos das piadas quando dos tiros dirigidos caravana de Lula. Tais atitudes, associada à sua última manifestação de ódio explícito pela esquerda, quando Bolsonaro disse, no Acre, que iria “metralhar a petralhada”, apenas reforçam em nós o sentimento de que estamos lidando com um tipo de inimigo pouco conhecido da maioria, mas com trágica história no século XX.

    Condenamos o ato não porque consideramos Bolsonaro uma vítima, porque amamos a humanidade em abstrato ou porque defendemos o amor na política. Sabemos que fazemos política com empatia e solidariedade, mas o amor que cultivamos é dirigido aos 99% dos explorados e oprimidos e não aos nossos inimigos de classe e seus prepostos encastelados no fascismo. O avanço do fascismo não se relaciona à figura nefasta de Bolsonaro, portanto nenhuma atitude desesperada resolveria o problema. A ofensiva conservadora e da extrema-direita é algo vinculado à incapacidade de as correntes tradicionais que atuam na democracia serem capazes de apontar alternativas frente à imensa crise que vivenciamos. Tal quadro não pode ser combatido com violência individual, mas com mobilização e luta, com organização e inteligência.

    O fascismo histórico mobilizou diversos setores da sociedade e a ascensão da extrema-direita no Brasil pode significar o embrião dessa mobilização e apoio ativo. Por ora, o apoio recebido pelo presidenciável não é necessariamente uma base para um regime fascista, muito embora sua possibilidade de passar ao segundo turno tendam a acirrar o ódio na política. Há uma maioria de pessoas que hoje apoiam Bolsonaro porque estão desesperadas, porque estão frustradas, porque fracassaram em algum intento. Sobre essas pessoas devemos atuar com paciência, tentando reverter o desespero, buscando mostrar que eleger Bolsonaro vai de encontro aos seus interesses.

    Feito isso, não podemos ter dúvidas de que há um setor alinhado com Bolsonaro que constitui como um embrião do fascismo, o “ovo da serpente”, por assim dizer. Precisaremos manter as mangas arregaçadas e os punhos fechados, porque o fascismo não se combate com flores. Após as eleições ainda teremos imensos desafios que se vinculam à nossa capacidade de conter o avanço da extrema-direita que deverá sobreviver para além das eleições, então precisamos evitar tentativas de conciliação.

    Somos gente de esquerda, socialistas, temos uma moral da qual nos orgulhamos, moral esta que é fundamentalmente distinta da moral dos fascistas e também da moral burguesa em geral. Devemos usar nossa moral e o melhor dos nossos esforços para mobilizar a juventude e os trabalhadores, pois esta é a única forma de sermos efetivos na luta contra o fascismo e a extrema-direita.

    Imagem: Wassily Kandinsky – Petróleo – 35 x 41 cm – 1925

  • Confira o horário eleitoral para presidente (04/09)

    Confira o segundo dia da propaganda dos candidatos(as) à presidente da República

    SEQUÊNCIA
    João Goulart Filho (PPL) 0:00
    Marina Silva (REDE) 0:14
    Cabo Daciolo (Patriota) 0:35
    Emayel (PSDC) 0:44
    Henrique Meirelles 0:51
    Ciro Gomes (PDT) 2:46
    Boulos (PSOL) 3:24
    Alckmin (PSDB) 3:38
    Vera (PSTU) 9:10
    Haddad (PT) 9:18
    João Amoedo (NOVO) 11:37
    Alvaro Dias (PODEMOS) 11:45
    Bolsonaro (PSL) 12:24

     

     

  • Agora é guerra

    Chegou a hora para ver quem tem unhas para tocar guitarra.
    Sabedoria popular portuguesa

    Vai ficar brutal, vai ficar intenso, vai ficar perigoso. A campanha eleitoral vai virar uma guerra pelas consciências. Dois grandes medos vão medir forças. Aquilo que foi disputado entre 2015 e 2018 nas ruas vai ser agora discutido nas casas e locais de trabalho. De um lado, o medo dos setores mais conscientes da classe trabalhadora e da juventude, dos movimentos feministas e negros, populares e ambientais contra todas as candidaturas que representam os cinquenta tons da herança de Temer e sua agenda. Do outro lado, os medos dos setores mais reacionários contra o que percebem como o perigo comunista e a herança do PT.

    Estamos uma nova etapa com a campanha eleitoral nas TV’s. Ficará claro que há dois grandes medos, mas quatro projetos e programas, embora sejam treze candidatos, e trinta e cinco partidos. Por inúmeros fatores, as eleições no Brasil são, comparativamente, mais personalizadas que em outros países. Agora que começa o horário eleitoral nas TV’s a campanha eleitoral vai mudar de qualidade. Ela vai entrar em sessenta milhões de residências. Deixará de ser um assunto restrito somente aos setores, politicamente, mais motivados da sociedade. São quatro projetos, não são dois, nem são seis, oito ou doze.

    Na classe dominante há dois campos em disputa. Alckmin e Bolsonaro não são somente duas personalidades diferentes, são dois projetos. Ambos defendem ajustes liberais severos, mas em graus e ritmos distintos. Aqueles que na esquerda se deliciam em chamar Alckmin de fascista se enganam. Não são iguais. A linha política que nivela todos os inimigos de classe não é mais revolucionária, somente, obtusa.

    A imensa maioria da Avenida Paulista sustenta um ajuste liberal gradual. Querem reduzir o deficit orçamental, e uma reforma política que começa pela reforma eleitoral com a introdução do voto distrital, no lugar da proporcionaldiade direta. O discurso ideológico dominante que sustenta a candidatura Alckmun é que o os direitos garantidos pela Constituição de 1988, uma conquista da luta social e politica contra a ditadura, são demasiado caros para a capacidade do capitalismo periférico brasileiro. Os deficit primário de 2017 se aproximou de 2% do PIB, menor que o da Argentina, mas o deficit nominal, considerado os custos da dívida, alcançou 7,8% do PIB.

    A narrativa da “bala de prata” que vai mudar tudo e atrair uma “chuva de dólares” para impulsionar o crescimento seria a reforma da previdência que deve começar pela introdução da idade mínima de 65 anos.

    Em resumo: para a economia voltar a crescer e tirar o Brasil da armadilha de países de renda média será necessário reduzir os direitos. Querem fazê-lo de forma, relativamente, gradual. A EC-95 do teto dos gastos estabeleceu variadas metas. Alckmin fala em dois anos, ou seja, chegar ao superávit primário em 2020. Apoia-se numa aposta: a possibilidade de vitaminar o IED (Investimento Estrangeiro Direto) para um patamar mais elevado que os US$70 bilhões anuais, em função do reposicionamento do governo dos EUA em relação à China.

    Diminuem o significado das contratendências, em particular: (a) a dinâmica de crescimento nos EUA e o impacto da elevação dos juros do FED para os países periféricos; (b) a força das previsíveis lutas sociais que irão se desenvolver no Brasil, diante da mudança nos padrões de superexploração dos trabalhadores e do povo. Alckmin permanece sendo a candidatura preferencial na Avenida Faria Lima.

    As outras candidaturas que defendem este projeto não são sérias. Ou não mantém relações orgânicas com frações significativas da classe dominante, ou não têm implantação social mínima. Usam as eleições, essencialmente, como trampolim para planos eleitorais posteriores. Dividem-se entre os que abraçam aventuras pessoais insustentáveis e os doutrinários ideológicos, e alguns conseguem ser ambos. Álvaro Dias usa a legenda fantasma de aluguel do Podemos para uma candidatura paroquial talibã da LavaJato. João Amoêdo é um milionário diletante extremista ao serviço de um partido Novo que é uma versão caricatural aristocrática do PSDB. Marina Dias é uma missionária pacificadora, uma caudilha sem partido e sem programa, portanto, muito mais perigosa que um caudilho com partido.

    Bolsonaro defende um plano econômico liberal de choque antipopular, mas de forma cirúrgica, em um ano, com cortes draconianos nas despesas. Mas Bolsonaro quer, também, uma mudança no regime político. Quer mais poderes para a presidência e a desvalorização do Congresso (um giro bonapartista), e empoderar as instituições não eleitas, em particular, as Forças Armadas e as Polícias. O discurso neofascista está ao serviço desta defesa de um regime político autoritário. O Cabo Daciolo é somente “poeira da história”, um “Tiririca” messiânico com um discurso paranoico.

    Na esquerda há, também, dois projetos diferentes. O mais influente ainda é o do PT. Ele promete voltar a “ser feliz”, ou seja, reafirma a estratégia de regulação do capitalismo através do papel indutor do Estado – o famoso multiplicador keynesiano – que incentivaria o consumo, e este dinamizaria a oferta, e de reformas apoiadas em políticas públicas. Ciro Gomes é um candidato a caudilho que defende uma versão do mesmo programa, mas não tem partido, não é de esquerda, e consegue, ao mesmo tempo, não ter apoio em nenhuma fração importante da burguesia, nem na classe média, nem nos movimentos populares.

    Mas surgiu um processo de reorganização da esquerda em torno de um programa de reivindicações transitórias que se expressa através da candidatura Boulos/Sonia: um programa elaborado a partir da experiência das lutas populares, e tem como eixo a defesa da mobilização permanente contra os privilégios, superando a estratégia da conciliação de classes. Um programa só conquista força política se aqueles que nele acreditam se engajam em sua defesa. O primeiro dever de um socialista é defender suas ideias.

  • Três mentiras descaradas de Bolsonaro na entrevista no Jornal Nacional

    A entrevista de ontem não mostrou nenhuma novidade sobre Jair Bolsonaro. Preconceituoso, despreparado, inimigo dos trabalhadores e mal educado. Além disso, ele continua com o  hábito de mentir. Se já mente assim como deputado, imagina o que não pode fazer como presidente. Vejamos três mentiras bem fáceis de descobrir:

    1 – Ele disse que nunca falou que uma mulher deveria ganhar menos que um homem. Neste vídeo ele fala isso com todas as letras. Se fosse empregador, pagaria menos para uma mulher.

    2 – Repetiu a mentira de que não recebeu dinheiro da Friboi para sua campanha em 2014. Na versão dele, os R$ 200 mil que havia recebido foram devolvidos.  Mas ao invés de devolver para a empresa, ele devolveu para o partido dele, que no mesmo dia repassou os mesmos R$ 200 mil para a campanha. Os dinheiro foi usado de qualquer forma. Saiba mais

    3 – Ele mostrou um livro que “ensina sexo para as crianças” que estaria em bibliotecas de escolas públicas. Mentira. O livro não foi distribuído e isto já foi desmentido pelo próprio Ministério da Educação em 2017.

  • O Partido Novo que de novo não tem nada

    João Amoêdo, 55 anos, é um banqueiro, formado em engenharia e administração de empresas, ex-diretor-executivo do Banco BBA Creditanstalt,  vice-presidente e membro do Conselho de Administração do Unibanco, e do Conselho de Administração do Banco Itaú BBA. Amoêdo é um dos fundadores do Novo, partido pelo qual concorre a Presidência da República.

    Em 2011, junto de outras 180 pessoas, a maioria banqueiros e empresários, surgiu a ideia de fundar o Novo, que foi oficialmente registrado do TSE em 2015. Nas eleições do ano seguinte, em 2016, o partido conseguiu eleger quatro vereadores (Porto Alegre, São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro) e, nas eleições deste ano, lançará candidatos aos governos de quatro estados (MG, SP, RJ e RS) e o Distrito Federal. A meta, de acordo com Amoêdo, é eleger 35 deputados federais. Um número grande e significativo, que colocaria a legenda recém criada de fato na vida política brasileira.

    Além de Amoêdo, que tem um patrimônio declarado de R$ 455 milhões, outro fundador do Novo foi o também engenheiro Ricardo Coelho Taboaço, que construiu sua carreira no alto escalão de instituições financeiras, sendo diretor do Grupo Icatu e vice-presidente do Citibank.

    Amoêdo busca em suas entrevistas pintar o Novo como um partido feito e construído por cidadãos, por gente comum, insatisfeita com os altos impostos, com os péssimos serviços públicos e que resolveu se juntar. De “comum”, os fundadores do Novo não tem nada. São ricos e milionários, banqueiros e grandes empresários, que cresceram na vida através do lucro e da exploração que os bancos impõem ao povo trabalhador. Os bancos lucram loucamente, e ainda pagam menos impostos do que os trabalhadores assalariados.

    Podemos ter certeza que combater o privilegio que o 1% da população tem, enquanto 99% dos brasileiros sofrem com a crise econômica, não é e nunca será uma proposta do Novo.

    O Partido Novo foi criado para representar aqueles que sempre estiveram muito bem representados nos governos brasileiros, com as velhas ideias e velhos privilégios. Apresentar-se como novidade é justamente uma tática para atrair o eleitorado cansado e desiludido com a política e os partidos tradicionais. Empresários e banqueiros que enriqueceram às custas do povo e à sombra da velha política, que nasceram, cresceram e enriqueceram dentro do sistema, tentam agora se apresentar como candidatos anti establishment.

    Amoêdo tem se gabado que o partido abriu mão do Fundo Partidário, usando isso como um exemplo de honestidade da legenda. Mas digamos e convenhamos, quem precisa do Funda Partidário quando se tem milhares de reais vindos do bolso dos próprios membros? Dinheiro para o Novo não é problema.

    Apesar de defender a “liberdade individual”, o Novo se mostra bastante conservador nos costumes e em temas como a descriminalização do aborto. Além disso os defensores da liberdade também não têm vergonha de pregar o ódio quando necessário – um de seus principais candidatos a deputado federal, ex-assessor de Alckmin, tem como propostas a legalização do posse de armas para combater grupos de esquerda e o MST.

    Apesar de pronunciada com um linguajar atualizado (“diminuir a intervenção do Estado na economia para dar mais protagonismo aos cidadãos”), se traduzidas, as propostas do Novo são exatamente as velhas propostas privatizantes do PSDB e de ajuste fiscal do PMDB, fazendo com que o povo pobre sofra com as privatizações e com o efeito da crise econômica, gerando lucros para os empresários.

    Para o Novo o mercado magicamente resolveria os problemas criados por um Estado malvado e gerador de problemas econômicos. O Novo traz o projeto neoliberal velho, fracassado e que foi rejeitado nas urnas pelos brasileiros desde 2002.

    O Novo não se assume de direita, mas também não fala que é de “centro”, a denominação da moda na política brasileira. O partido diz que no campo econômico é liberal, tentando se apresentar como uma versão jovem e disposta do neoliberalismo. Mas ao mesmo ganha filiados e políticos vindos do PSDB, entre eles Gustavo Finco, ex-presidente do Banco Central no governo FHC e presidente do Instituto Millenium, e de outros partidos como PP, DEM, ou oriundos de movimentos como o Livres, MBL, Endireita Brasil e Vem Pra Rua.

    O partido Novo de novo não tem nada. É só uma nova máscara e plumagem para os tucanos envergonhados ou para os neoliberais que agora não têm vergonha de propor a privatização de todos os serviços públicos do Brasil.

    Save