Carlos Zacarias

Currently browsing: Carlos Zacarias
  • A história fast-food e as saudades da ditadura

    Por Carlos Zacarias de Sena Júnior, colunista do Esquerda Online

    No ar há algumas semanas no History Channel, “Guia politicamente incorreto da História do Brasil” leva para as telas a obra homônima do jornalista Leandro Narloch. Apresentada pelo YouTuber Felipe Castanhari, a série tem linguagem pop, edição ágil e a pretensão de ser divertida, algo feito na medida para entreter alguém com a inteligência de um Homer Simpson, como testemunhou o jornalista Lira Neto, um dos que foram ouvidos mas não autorizaram a veiculação da sua entrevista.

    Lira Neto desautorizou a utilização da entrevista quando soube do que se tratava, depois escreveu no Facebook que se sentia “violentado em fazer parte de qualquer produção que recorra à superficialidade e ao polemismo fácil”. Também a historiadora Lília Schwarcz afirmou que ao ser procurada não tinha sido informada de que o programa seria baseado no Guia politicamente incorreto da História do Brasil, o que a fez seguir o caminho de Lira Neto.

    Alguns poderiam pensar que se trata de implicância, mas não é o caso. Os best-sellers de Narloch não podem ser levados à sério por ninguém que conheça minimamente a história. Escritos no interesse do mercado, algo feito para consumo rápido e para permitir que seu autor ganhe dinheiro, como o próprio reconheceu em 2011, seus Guias pretendem ser obras feitas na base do sensacionalismo contra uma versão oficial e “esquerdista” (sic) supostamente predominante na academia.

    O primeiro episódio da série aborda o descobrimento do Brasil. Entre os muitos absurdos, a frase “Os índios não cuidavam da natureza” é pura provocação. Repleta de anacronismos e polêmicas rasas e pouco desenvolvidas, o objetivo de toda a série é chocar na base do sensacionalismo rasteiro, algo que aparece na afirmação de Narloch, que diz que o sonho do índio é transformar a mata “em estacionamento de shopping”.

    No episódio três, que discute o racismo, a principal polêmica gira em torno da afirmação de que “Zumbi tinha escravos”. Neste episódio, as falas dos entrevistados, muito especialmente da historiadora Mary Del Priori, transformam o período da escravidão num verdadeiro idílio, com escravos saindo para namorar, entre outras coisas, uma versão que faria Casa-Grande & Senzala passar por ser um livro marxista.

    É, contudo, no episódio dois, que trata dos anos 1960, que a série mostra a que veio. Com depoimentos de vários jornalistas, e mais dos direitistas Lobão, Luiz Felipe Pondé e Marco Antonio Villa, sua abordagem pretende demonstrar que os problemas do Brasil foram causados pela esquerda. Para Lobão, “Os militares foram forçados a intervir, porque já estava uma baderna”. Para Narloch, a ditadura brasileira era “mequetrefe”, pois “É difícil achar uma ditadura militar que tenha matado menos”. No final das contas, para os “geniais” animadores da série, a ditadura livrou o Brasil dos comunistas. Viva o McDonald!

    Texto originalmente publicado no jornal “A Tarde”

  • Política não é meteorologia

    Por Carlos Zacarias de Sena Júnior*, Colunista do Esquerda Online. Publicado no jornal A Tarde, em 05/01/2018.

    O ano que começou na última segunda tem tudo para ser melhor que o passado. Os últimos dois anos foram os piores vividos por qualquer brasileiro com menos de 50 anos e mesmo que alguns possam lembrar que já tivemos dias piores, o que nos falta hoje é, talvez, uma profunda esperança de que as coisas vão melhorar. Ainda assim é difícil se acreditar que podem piorar, então, para começar o ano, é saudável praticarmos um moderado otimismo.

    A melhor notícia de 2018 deve vir da política: vamos nos livrar do pior governo da nossa história! É verdade que daqui até outubro muita coisa vai acontecer, mas admitindo-se que teremos eleições e que estas ocorrerão sob o sistema presidencialista e que todos os potenciais candidatos, inclusive Lula, poderão concorrer, não há porque não apostar que o governo que sair das urnas terá, ao menos, legitimidade para discutir o que quer que seja com a sociedade e o Congresso.

    É verdade que muitos temem que o eleito em 2018 seja ainda mais reacionário que o atual ocupante do Planalto. Alguns acreditam que Bolsonaro tem reais possibilidades de vencer o pleito, especialmente os que hoje declaram voto no ex-capitão do Exército e admirador do torturador Brilhante Ustra, o “terror de Dilma Rousseff”. Bolsonaro aparece em segundo lugar nas pesquisas, o que não deixa de ser alarmante, mas parece improvável que venha a se manter nesses patamares nas proximidades de outubro. A maior parte do seu eleitorado é composta por gente pouco politizada, que deverá migrar para outras candidaturas quando as eleições deixarem de ser algo distante e quando capitão virar um político real, e não um personagem mítico, como gostam de lhe enxergar os seus fãs.

    Lula, obviamente, é um candidato forte, mas não parece ser imbatível. O ex-presidente deverá se valer da comparação dos seus governos com o atual, então terá um parâmetro bastante favorável sobre o qual se debruçar. Também pelo fato de que o PT foi vitimado pelo golpe que atingiu aos brasileiros mais pobres, parece que o ex-presidente deverá se aproveitar desta circunstância para vitaminar sua candidatura. Seu ponto fraco, entretanto, é o mesmo que pode lhe inviabilizar as pretensões de retornar ao Executivo, pois mesmo sendo inocentado pela Justiça ou não sendo impedido de ser candidato, quem está convencido de que Lula é corrupto vai ter ainda mais certeza quando a campanha descer ao nível do rés-do-chão como costumam ser as disputas no país.

    O fato é que o pleito de 2018 deve ser bastante movimentado e mais parecido com o de 1989, quando tivemos 22 candidatos, que qualquer outro. Nessas circunstâncias as chances do imponderável não podem ser menosprezadas, porque a nove meses das eleições só se podem prever tendências. No final das contas, quem está convicto que o quadro está definido parece que erra não apenas por desconhecer a história, mas por acreditar que predizer a chegada de uma frente fria é o mesmo que assegurar que as pessoas vão levar guarda-chuva para a rua.

  • Adeus ano velho!

    Por Carlos Zacarias de Sena Júnior*, Colunista do Esquerda Online. Publicado originalmente no Jornal A tarde(22/12/2017)

    Há muitos motivos pelos quais um ano entra para a história. Um golpe é sempre um acontecimento que logo se converte em fato histórico. 2016 foi o ano que assistimos um governo ser deposto por uma articulação midiática-jurídico-parlamentar, estribada no apelo das ruas, cujas manifestações foram lideradas pela FIESP e demais organizações empresariais e de direita.

    2017 entrará para os livros de história como o ano em que os golpistas se consolidaram no poder, apesar das ameaças e da instabilidade constante. Então começaram por fazer o trabalho para o qual tinham sido convocados: congelaram os gastos públicos por 20 anos; aprovaram a lei das terceirizações e uma reforma trabalhista que fez o país regredir em 80 anos. Até tentaram votar a reforma da previdência, mas como não conseguiram, trabalham para que ela seja aprovada no início do próximo ano.

    Para os historiadores, analogias são sempre arriscadas, mas são importantes para se traçar paralelos e se projetar tendências. Em 1965 a ditadura recém instituída por um golpe civil-militar decretou o Ato Institucional nº 2. Com 33 artigos, o AI-2 pretendia centralizar o poder e impedir que a oposição, que continuava existindo, avançasse pela via eleitoral. O AI-2 estabeleceu eleições indiretas para presidente e ainda extinguiu os partidos políticos, reduzindo-os a apenas dois, a ARENA e o MDB. Também estabeleceu a possibilidade de suspensão dos direitos políticos de quaisquer cidadãos e a demissão sumária de funcionários públicos que demonstrassem incompatibilidade com o regime.

    Obviamente que não estamos vivendo um estado de exceção do tipo implantado em 1964. Entretanto, diante de um ano tão tumultuado, a pergunta que fica é: quando estaremos, de fato e de direito, vivendo sob uma ditadura escancarada. Com a última ditadura, essa situação surgiu em dezembro de 1968, quando todos os escrúpulos de consciência, para citar a famosa frase de Jarbas Passarinho, caíram por terra e a ditadura assumiu a sua verdadeira face com a dissolução do Congresso e o estabelecimento de uma série de dispositivos que só as ditaduras contém.

    2018 estaria fadado a ser um novo 1968? Em se tratando das disjuntivas que estiveram presentes há 50 anos, é possível se dizer que sim. De um lado, parece ser provável que os movimentos sociais voltarão a ocupar as ruas, talvez reeditando a vitoriosa greve geral de 28 de abril, algo que nos remeteria às manifestações e passeatas que culminaram na passeata dos 100 mil, mas não está descartado que os golpistas, através do judiciário, interditem a candidatura de Lula, o que não deixará de ser um golpe dentro do golpe. No final das contas a história parece se repetir como farsa. Seu desfecho, entretanto, não pode ser antevisto. O significado de 2018 poderá ser decidido no início do ano, quando o julgamento de Lula e a votação da reforma da previdência definirão sobre qual cenário o restante do ano existirá.

  • Precisamos falar sobre o novo golpismo

    Por Carlos Zacarias, Colunista do Esquerda Online. Publicado no Jornal A Tarde no dia 29/09/2017.

    Na última semana, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, deu uma longa entrevista ao programa de Pedro Bial. No estilo talk show, o general falou descontraidamente de diversos assuntos. Mas o objetivo principal da entrevista, como logo se viu, foi repercutir a declaração do general Antonio Hamilton Mourão, que em palestra à Loja Maçônica de Brasília no dia 15, afirmou que uma intervenção militar no Brasil não estava descartada e que o comando do Exército estava atento à crise promovendo “aproximações sucessivas”, pois ou as instituições solucionam o problema político, ou “então nós teremos que impor isso”.

    A polêmica fala de Mourão mereceu do comandante do Exército uma bem cuidada escolha de palavras. Villas Bôas evitou condenar o subordinado, a quem chamou de “bom soldado”, e embora tergiversasse sobre a possibilidade de uma “intervenção”, ou seja, de um novo golpe, reivindicou o artigo 142 da Constituição que, segundo seu raciocínio, estabelece a salvaguarda para uma intervenção das Forças Armadas caso as instituições estejam ameaçadas.

    De fato, consta no artigo citado que as Forças Armadas “destinam-se à defesa da Pátria” e “à garantia dos poderes constitucionais”, entretanto se submetem à “autoridade suprema do Presidente da República” e dos poderes constituídos. Ou seja, embora o caput do artigo abrigue um dispositivo controverso que admite a atuação das Forças Armadas, estas não podem intervir ao arrepio dos poderes civis.

    A entrevista do comandante do Exército dada a um apresentador e jornalista popular não deixou de passar a mensagem de que uma provável/possível/eventual intervenção militar “constitucional” não necessariamente levará o país a uma ditadura. Todavia, há apenas 50 anos do fatídico ano de 1964, não há quem possa alegar inocência diante dos riscos de um novo golpe que certamente nos conduzirá de uma vez por todas ao caos.

    Ao final da entrevista com Bial, provocado pelo jornalista sobre os piores temores e as melhores esperanças para 2018, o general concordou que “o populismo” nos assombra, acrescentando que “o populismo tem sido a desgraça, principalmente na América do Sul”. De acordo com o general, não surgiu nenhuma alternativa que rompa com os “modelos e esquemas ultrapassados”, como “esquerda e direita”, “proletário e burguesia”.

    Ninguém há de negar que vivemos uma crise de grandes proporções. Diante desse quadro que se arrasta por quase dois anos, soluções desesperadas são cogitadas por quem apoiou a aventura golpista e precisa sustentar o governo mais impopular da história. Nessa altura, é possível que os militares já não estejam mais tão isolados no seu afã de guardiões da lei e da ordem. Mas sendo impossível se prever o futuro, na medida em que a política orbita entre vários possíveis, só se pode prever a luta.

  • Zezé, ame-o ou deixe-o!

    Por Carlos Zacarias de Sena Júnior*, Colunista do Esquerda Online. Publicado originalmente no jornal A Tarde no dia 15/09/2017.

    Acostumados aos holofotes, mas ultimamente esquecido da mídia, o cantor Zezé Di Camargo, que forma dupla com o irmão Luciano, ensaia enveredar por outra profissão, a de historiador. Isso é o que se depreende da entrevista que deu a Leda Nagle, no canal da jornalista no YouTube. Falando sobre sua vida, sua trajetória e a sua “boa forma”, Zezé pretendeu passar uma mensagem de que não é apenas um “rostinho bonito” da música, mas que é alguém politizado, um sujeito “imperativo” e que impressiona até mesmo os políticos por seus conhecimentos no assunto.

    Zezé causou alvoroço e virou notícia quando elaborou o, digamos, inusitado conceito de “militarismo vigiado” que, segundo disse, era o que existia no Brasil, muito embora todo mundo fale que nós “vivíamos numa ditadura”. Para um dos filhos de Francisco, “muita gente confunde militarismo com ditadura”, mas “ditadura é a Venezuela, Cuba com Fidel Castro, Hungria, Coreia do Norte, China”, ensinou. Depois acrescentou: “O Brasil nunca chegou a ser uma ditadura daquelas que você ou está a favor ou está morto”.

    Na semana em que o ocupante do Executivo está prestes a enfrentar uma nova denúncia por corrupção e o PMDB é chamado de “quadrilhão” pela Polícia Federal; na semana em que o Movimento Brasil Livre (MBL) atacou uma exposição de arte promovida por um banco e que continuamos pensando nos 51 milhões de reais apreendidos num apartamento emprestado a Geddel Vieira Lima, ver a entrevista de Zezé nos convence de que o poço não tem fundo.

    Zezé Di Camargo, que tem todo direito de ter sua opinião sobre o que seja, dificilmente falaria com tanta propriedade sobre a história e a política do país, se não tivesse sido antecedido por gente como Alexandre Frota, Suzana Vieira e Luciano Huck. Vivemos um profundo retrocesso e não há aula, livro ou professor de História que possa tirar o Brasil dessa situação. Zezé, como as celebridades citadas, devem ter “aprendido história” nos “guias politicamente incorretos” da vida. É pena que não tenham estudado com Marc Bloch, E. P. Thompson ou João José Reis. Posicionamento político, como se sabe, independe de conhecimento histórico, mas a falta que faz um pouco de ilustração nos nossos artistas, como de resto, nos nossos médicos, juízes, jornalistas e outros profissionais, pode determinar o rumo que vamos tomar.

    O problema de Zezé Di Camargo não é, apenas, a visão distorcida do passado recente, mas a impressão que tem de que a ditadura não foi tão dura quanto se diz. Por conta disso, acredita que o país precisa passar por uma “depuração” e que a solução poderia ser um “militarismo para reorganizar a coisa e entregar de novo”. Zezé talvez nem saiba quanto durou a ditadura e nem deve ter ideia do que significa o lema “ame-o ou deixe-o”. Seu momentâneo excesso de opinião, como acontece com tanta gente, pode não ser despretensioso, mas sintoma de nossa estupidez e caminho para a barbárie.

  • Palocci, a trajetória de um traidor contumaz

    Por Carlos Zacarias de Sena Júnior, Colunista do Esquerda Online

    Antonio Palocci não é uma figura qualquer na história do PT. Ex-membro da Organização Socialista Internacionalista (OSI), Palocci esteve entre aqueles que, no início dos anos 1980, aproximaram-se do grupo Articulação dos 113 para tentar ganhar o então sindicalista Lula para a revolução. No final das contas, foi Luís Inácio quem ganhou Palocci e os outros ex-trotskistas para a conciliação de classes e o reformismo das décadas seguintes.

    Nos anos de 1980 e 1990, Palocci foi vereador, deputado estadual e prefeito de Ribeirão Preto pelo PT. Em seu primeiro mandato como chefe do Executivo da cidade paulista, Palocci deu início à privatização da Ceterp (Centrais Telefônicas de Ribeirão Preto), algo que foi concretizado em 1998, quando o prefeito era Luiz Roberto Jábali, do PSDB. Os peessedebistas nunca esqueceram que muito antes de FHC privatizar a telefonia no país, o petista Palocci tinha iniciado o processo em sua cidade.

    Mas Palocci nunca caiu em descrédito no PT por conta da sua disposição privatista, muito ao contrário. Depois de se dedicar de corpo-e-alma à campanha de Lula em 2002, quando foi coordenador em substituição ao ex-prefeito de Santo André Celso Daniel, que morreu assassinado, Palocci foi escolhido para coordenar a equipe de transição junto ao PSDB. Quando Lula assumiu o mandato, Palocci estava ao seu lado, empossado como ministro da Fazenda e homem forte da economia.

    Como ministro da Fazenda, o ex-militante da OSI foi celebrado nos círculos da burguesia e passou a ser o queridinho da Globo com suas políticas austeras e pró-cíclicas no primeiro mandato de Lula. Logo foi apontado como provável nome a substituir Lula na presidência. Então veio a crise provocada pelas denúncias produzidas pelo deputado Roberto Jeferson, do PTB. Envolvido no escândalo conhecido como mensalão, Palocci foi absolvido, mas em seguida foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por supostamente ter quebrado o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, que cuidava de uma mansão em Brasília que era frequentada por empresários, lobistas e políticos, como Antonio Palocci. Na ocasião, petistas ligados ao ex-ministro da Fazenda queriam provar que Costa havia recebido dinheiro do PSDB para fazer a denúncia, mas o tiro saiu pela culatra e Palocci mais uma vez teve que sair de cena.

    Inocentado do caso da quebra do sigilo do caseiro em 2009, Palocci reapareceu em 2010, para coordenar a campanha de Dilma à presidência. Vitoriosa, Dilma escolheu Palocci para chefiar a Casa-Civil, caminho que a própria Dilma havia trilhado até a presidência da República, mas novas denúncias que apontavam o aumento do patrimônio do ministro em 20 vezes, entre 2006 e 2010, determinaram um novo afastamento de Palocci do governo.

    Mais uma vez afastado do governo petista, Palocci atuou com discrição no início da segunda década do novo século. Quando do estouro da operação Lava-Jato a partir de 2015, o ex-chefe da Casa-Civil foi acusado de praticar o caixa 2 e de estar envolvido num esquema de recebimento de 45 milhões de reais, denúncias que se agravaram a partir das prisões de João Santana e Mônica Moura, marqueteiros das campanhas de Dilma.

    Palocci foi um dos principais quadros do PT nas últimas três décadas, mas diferente de outras figuras importantes e centrais no partido, como José Dirceu, José Genoíno e João Vaccari Neto, apenas para citar três dirigentes que foram presos, Palocci é o primeiro a fazer acusações à cúpula petista antes mesmo de fechar um acordo de delação premiada.

    Mas traição não é novidade na história de Palocci. Tendo em vista que o ex-militante trotskista começou traindo os seus camaradas da OSI e depois traiu os trabalhadores que lhe confiaram mandatos, não deveria surpreender a ninguém que agora se prepare para trair Lula e o alto escalão do PT.

    No atual estágio da vida política do país, até mesmo quem não acredita que Lula seja uma alternativa fica estupefato diante da desfaçatez dos delatores que ainda não apresentaram nenhuma prova contra o dirigente petista.

    Num momento em que 51 milhões de reais são apreendidos num apartamento emprestado a Geddel Vieira Lima, e que novas gravações de Joesley Batista e Ricardo Saud revelam ainda mais elementos e personagens numa sinistra trama de corrupção envolvendo governantes e políticos com a maior empresa de proteína e derivados de carne do mundo, o tema que mais chamou a atenção foi o depoimento de Palocci ao juiz Sérgio Moro, que precede o fechamento do acordo de delação premiada.

    Os próximos dias serão decisivos na definição dos rumos do governo e da atuação da Justiça. Apostando que vão conseguir cancelar as denúncias de Joesley em função dos vícios produzidos por uma parte da gravação que havia sido omitido, Temer e aliados pretendem desviar o foco dos escândalos para os ex-presidentes Lula e Dilma, enquanto avançam nas reformas política e previdenciária. Para que isso seja possível, Temer contará com a prestimosa ajuda da Justiça, da imprensa e,  principalmente, de Antonio Palocci.

  • O país de Fufuca

    Por: Carlos Zacarias de Sena Júnior*, colunista do Esquerda Online

    André Fufuca não esperava por essa. Deputado do Partido Progressista (PP) em primeiro mandato e filho do prefeito da cidade maranhense de Alto Alegre do Pindaré, Fufuquinha, como é conhecido, certamente não sonhava que aos 28 anos de idade pudesse vir a dirigir a Câmara dos Deputados, tornando-se o terceiro na linha de sucessão do, digamos, “presidente” Temer. O acontecimento, que deverá entrar para a história da cidade de 32 mil habitantes situada no oeste maranhense, não deixará de constar também nos futuros livros de história que abordarão esse infausto momento do país, cujo comando é exercido por um presidente golpista que, rejeitado por 95% dos brasileiros, seguiu para a China para, literalmente, vender o país.

    Em suas primeiras declarações como presidente da Câmara, Fufuquinha mandou um recado para os seus colegas anunciando que pretende dar andamento à reforma política, tema que se arrasta há algumas semanas sem resolução. A propósito do imbróglio, talvez Fufuquinha possa contribuir com sua experiência de filho de prefeito para destravar a pauta em torno da proposta que prevê, entre outras coisas, o distritão, um modelo de eleição que só existe no Afeganistão, na Jordânia, em Vanuatu e nas Ilhas Pitcairn. Mas Fufuquinha sabe que se a proposta afiançada pelo peemedebista Lúcio Vieira Lima, presidente da Comissão da Reforma Política, é demasiadamente polêmica, então já disse que estará satisfeito se conseguir aprovar a cláusula de barreira e a proibição de coligações já para 2018.

    Se o leitor que acompanhou este texto até aqui ainda não entendeu a gravidade do problema, convém reforçar a mensagem, pois mesmo a simples, remota e implausível hipótese de um parlamentar que nascido em 1989 possa conduzir a votação de tema de tamanha importância para o país, deveria causar arrepios. Acrescente-se a esta temível possibilidade, o fato de que o jovem deputado, médico de formação, já passou por dois partidos (PSDB e PEN) antes de ingressar no PP, além de ser aliado de Eduardo Cunha, a quem chamava de “papi”. Se isso não é motivo de preocupação, não há nada mais que possa ser.

    Na verdade, Fufuca é o retrato fiel da nossa atual miséria política. Numa legislatura que é, certamente, a pior da história do país, cujos parlamentares fizeram questão de demonstrar seu total desprezo pelos eleitores, o que vier daqui para frente não deverá surpreender a ninguém. O Brasil se tornou o país de Fufuca simplesmente porque o desespero de nossas classes dominantes, aliado à incompetência de uma esquerda que foi aliada de boa parte do que está aí, nos conduziu a esta situação que põe no chinelo qualquer narrativa de realismo fantástico. E ainda que talvez sejamos capazes de rir das piadas em torno das bochechas vermelhas do deputado Fufuca, está cada vez mais difícil ter o mesmo bom humor diante do nosso próprio destino.

    *Texto publicado no jornal A Tarde, 01/09/2017

    Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

  • Algumas lições dos primeiros dias da visita de Lula ao Nordeste

    Por: Carlos Zacarias de Sena Júnior, colunista do Esquerda Online

    Primeira lição: Lula continua sendo uma grande liderança popular
    Começou no último dia 17, em Salvador, a caravana de Lula pelo Nordeste do Brasil. Prevista para ser encerrada no início de setembro, a caravana, que percorrerá os nove estados da região e mais de duas dezenas de municípios, pretende ser um teste de popularidade da principal liderança petista do país numa região que, proporcionalmente, mais ofereceu votos ao PT em todas as eleições.

    O início da caravana foi marcado por tumultos em função de uma liminar expedida pelo juiz Evandro dos Reis, que acatou recurso do vereador soteropolitano Alexandre Aleluia (DEM) solicitando que fosse suspensa a concessão do título de doutor Honoris Causa a Lula pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). O resultado dessa contenda que revelou, mais uma vez, a miséria da nossa Justiça e a incompetência do vereador que apresentou projetos de lei em torno do projeto Escola sem Partido, foi que a liminar repercutiu em diversos setores, especialmente nas universidades, que condenaram veementemente a decisão da Justiça, que feria o artigo 207 da Constituição, que versa sobre a autonomia universitária.

    Diante de toda a repercussão negativa, e também pelo fato de que o petista e seus aliados souberam tirar proveito da situação, uma cerimônia que devia ser algo relativamente simples, na medida em que alguma coisa que envolva Lula pode ser considerado simples, se transformou num enorme ato político de desagravo ao líder petista, de defesa da autonomia universitária e de repúdio à decisão da Justiça e à atitude mesquinha e burra do vereador do DEM. Por conta disso, milhares de pessoas partiram para a pequena cidade de Cruz das Almas, no Recôncavo baiano, onde fica a reitoria da UFRB, uma universidade criada por Lula, para assistir o dirigente petista discursar e para lhe prestar apoio.

    O fato de que milhares de pessoas se reuniram para ver e ouvir Lula é demonstração inconteste de que o ex-presidente continua sendo uma grande liderança popular e qualquer um que não reconheça isso em seus cálculos políticos está condenado a fracassar em suas análises. Da mesma forma, deve-se reconhecer que parte considerável dos apoiadores de Lula acreditam que todos os problemas serão resolvidos com o retorno deste à presidência, o que significa que as tarefas da esquerda socialista serão bastante difíceis e deve ser enfrentada com toda paciência.

    Segunda lição: Lula e o PT não aprenderam quase nada com a derrota de 2016
    Saindo de Salvador, Lula passou por Feira de Santana, a segunda cidade mais importante da Bahia, seguindo depois para Aracaju. Na capital sergipana, no dia 21, Lula recebeu seu 29º título de doutor Honoris Causa concedido pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). Em sua agenda no Nordeste, pelo menos outros três títulos da mesma natureza estão previstos.

    Quando do recebimento do título na UFS, Lula fez o que mais sabe: acusou as “elites” do país de serem contra a expansão do ensino público. Obviamente que todos que acompanham a política educacional do governo Temer devem reconhecer que o projeto de destruição da universidade pública foi retomado com todo vigor com o golpista, que conta com o apoio maciço do Congresso, composto por dezenas de deputados envolvidos com o ensino privado. O problema, contudo, é que o discurso de Lula, embora consiga registrar o papel cumprido por setores da burguesia que conspiram há décadas contra a educação pública, esconde que nos governos petistas, se a educação pública se expandiu, isto se deu com insuficiente aporte de verbas para fazer frente a expansão, o que resultou em precarização e dificuldades para docentes, discentes e servidores técnico-administrativos. Da mesma forma, o ensino privado também cresceu e alcançou fatias cada vez maiores do público habilitado ao ensino superior, não sem ajuda e incentivos dos governos petistas.

    Foi, contudo, no dia seguinte, enquanto discursava para militantes e simpatizantes ao lado do governador Jackson Barreto, do PMDB, que Lula colheu os primeiros dissabores, quando um setor da CUT se afastou do ato e lançou nota criticando a presença do governador peemedebista nos palanques do PT. Para a CUT, “não cabem os traidores ou os que lavaram as mãos ante ao processo mais desastroso da recente história brasileira, que foi o impeachment da presidente Dilma [Rousseff]”. Ainda segundo a central sindical, “A presença de Jackson Barreto no palanque de Lula tem o único objetivo do governo estadual de acumular força para continuar massacrando os trabalhadores”.

    O que parecia ser apenas um mal entendido registrado em Sergipe, que ocasionou, inclusive, mal-estar com correntes petistas no estado, em Alagoas ganhou ares de farsa, já que os anfitriões de Lula foram Renan Calheiros, então presidente do senado quando do golpe do impeachment em 2016, e seu filho, atual governador do estado. Em seus discursos na cidade de Penedo, onde Lula foi recebido por Renan pai e filho, houve troca de elogios e uma clara sinalização de que um setor do PMDB pretende se reaproximar do PT. Este partido, por sua vez, parece estar disposto a esquecer o passado e receber de braços abertos figuras que há pouco mais de um ano conspiraram para a deposição da presidente Dilma e até algumas semanas atrás estavam no governo de Michel Temer.

    Em que pesem as manifestações de descontentamento de muitos petistas, especialmente daqueles que vivem sob governos do PMDB e que não esquecem que Michel Temer é deste partido, seria impossível dizer hoje que o destino desses setores seja romper com o partido e com o lulismo.

    Terceira lição: não há vazio na política
    Para qualquer bom entendedor, parece óbvio que o recuo nas manifestações contra as reformas e, de conjunto, na resistência ao golpe, atendeu muito bem às expectativas dos setores petistas mais alinhados ao ex-presidente que optaram por seguir em caravana pelo país, repetindo o movimento de inícios da década de 1990, com a Caravana da Cidadania. Para refrescar a memória, naquela altura, após ser derrotado nas eleições presidenciais de 1989, o PT e Lula apostaram todas as fichas no projeto eleitoral de 1994. Nem mesmo o impeachment de Collor impediu de seguirem essa miragem, pois foi o setor hegemônico do PT que garantiu a posse de Itamar e, depois, a governabilidade até as eleições, que terminaram com a derrota do petistas para FHC ainda no primeiro turno.

    Para os setores dos movimentos sociais e qualquer trabalhador ou trabalhadora que tenha saído às ruas para lutar contra as reformas e pelo Fora Temer nos últimos meses, seria difícil imaginar a realização da caravana de Lula caso houvesse o empenho das centrais em construir as lutas, especialmente as greves. Em vista disso, parece ser ainda mais necessário se cobrar da CUT as responsabilidades na retomada da agenda de lutas, que não pode ser inviabilizada em função dos interesses eleitorais remetidos para 2018.

    Na semana em que a plataforma “Vamos” será lançada, por iniciativa da Frente do Povo sem Medo, que envolve o PSOL, o MTST e várias organizações de esquerda e movimentos sociais do país, além de intento anunciado de ser um polo alternativo à política de conciliação de classes do lulismo, a plataforma deve ser, também, um espaço de construção de lutas contra o ilegítimo governo Temer e suas reformas.

    Parece ser necessário para a esquerda socialista começar a ocupar os espaços junto aos setores combativos dos movimentos populares, da cidade e do campo. Combatendo os mitos, porque estes nunca ajudaram a construir alterativas, os trabalhadores e as trabalhadoras não podem esquecer que a obra de construção da emancipação deverá ser feita pelos próprios subalternos. Do contrário estaremos condenados a ainda mais retrocessos, de onde não se descarta que uma eventual candidatura de Lula, caso se concretize, terá muitas dificuldades de emplacar num cenário de campanha eleitoral, onde as acusações vão descer aos níveis mais baixos da política.

    Por tudo isso, e muito mais pela necessidade de enfrentarmos as ilusões de que o único caminho para tirar o país do atoleiro é reeditar os governos Lula nas mesmas condições em que eles existiram, a esquerda socialista deve tomar a si o desafio de debater a sério, e com toda paciência, a necessidade de uma saída radicalmente anticapitalista para o país.

    Foto: Lula na Travessia do Rio São Francisco entre Sergipe e Alagoas. | Ricardo Stuckert

  • 19 de agosto, dia do Historiador

    Por Carlos Zacarias de Sena Júnior, colunista do Esquerda Online

    19 de agosto é o dia do historiador. Historiadores são os profissionais que, no presente, escrevem e dão aulas sobre o passado. 19 agosto de 1849 foi a data em que o historiador abolicionista Joaquim Nabuco nasceu. O Abolicionismo foi um movimento que lutou pelo fim da escravidão no Brasil. A escravidão moderna foi um sistema brutal implantado pelos colonizadores que precisavam de braços para a lavoura. Os braços que vieram trabalhar na lavoura eram de negros escravizados. Os negros foram trazidos da África para a América, onde fica o Brasil. Brasil é o país que importou 6 milhões de negros e o último que aboliu a escravidão.

    América é o nome que se dá ao continente “descoberto” pelos europeus em 1492. Também é o nome usado para se referir aos Estados Unidos, país conhecido como “terra da liberdade”. Nos Estados Unidos, que apoiaram muitas ditaduras, grupos neonazistas saíram às ruas esta semana para exercerem sua “liberdade” de odiar negros, judeus e latinos. Neonazistas são pessoas que apoiam o Nazismo. Nazismo foi um regime de extrema-direta implantado por Hitler, na Alemanha, em 1933. Hitler foi um ditador genocida que exterminou 6 milhões de judeus em campos de concentração e levou o mundo a Segunda Guerra.

    Nos Estados Unidos da América, país do Novo Mundo, defender o nazismo é um direito. Novo Mundo era a forma como os europeus se referiam ao continente americano. É, também, uma novela da Globo. A TV Globo pertence as Organizações Globo. As organizações Globo são empresas da família Marinho, que começou com o jornal O Globo. Roberto Marinho fundou a Rede Globo em 1965, um ano depois de implantada a ditadura no país. O jornal O Globo apoiou o golpe empresarial-militar de 31 de março de 1964, ao qual se seguiu uma ditadura de 21 anos. A família Marinho é a mais rica do Brasil.

    Ditaduras são o oposto de democracias. O nazismo foi a pior ditadura da história. Ditaduras são regimes que se utilizam da força, da censura e da perseguição a opositores que são presos, torturados, banidos ou mortos. A Ditadura brasileira prendeu, torturou, baniu e assassinou opositores. Entre os instrumentos de tortura utilizados pela Ditadura estava o pau-de-arara. Paus-de-arara foram inventados para castigar escravos até a Abolição.

    13 de maio de 1888 é a data da Abolição. A Abolição foi fruto das lutas dos abolicionistas e das lutas dos negros que se revoltavam contra a escravidão. Revolta é o nome que se dá a manifestação de insubmissão coletiva contra as autoridades. Autoridade é o nome de quem exerce o poder. A maior autoridade do Brasil é Michel Temer, que é presidente, mas não foi eleito. Temer é um político. A maioria dos políticos não gosta de historiadores. Historiadores são profissionais que no presente e no futuro vão dar aulas, escrever e incomodar quem não quer falar sobre a escravidão, o nazismo, o golpe e as lutas dos trabalhadores do mundo.

  • Como num conto de fadas

    Por: Carlos Zacarias de Sena Júnior, colunista do Esquerda Online*

    Era para ser um conto de fadas: reunião de “gente de bem”, em trajes de gala, muito finos, como convém à ocasião. Tinha deputado, ministro e secretário de estado. A vice-governadora, mãe da noiva, e o ministro da Saúde, pai. Havia um bolo de seis andares e uma parede de rosas vermelhas que junto com os 12 lustres de cristal da entrada, davam um ar solene e festivo à ocasião. Era para ser um conto de fadas, então havia um Palácio, o Garibaldi. De fachada neoclássica, construído em 1904, com capacidade para 500 pessoas, embora houvesse 1,2 mil convidados da fina-flor da sociedade curitibana.

    À boca-miúda se dizia que na loja onde a lista de presentes havia sido disponibilizada constava uma garrafa térmica de prata de R$ 2,3 mil e uma batedeira de R$ 2,8 mil. Os mais animados podiam se dispor a pagar R$ 3,6 mil um jogo de seis pratos ou, quem sabe, desembolsar R$ 10 mil por um conjunto de taças de cristal.

    Filha do ministro da Saúde, Ricardo Barros, e da vice-governadora do Paraná, Cida Borghetti, a noiva, Maria Victória, a princesa da nossa história, é menina pródiga. Na sua biografia consta que estudou na Suíça, estagiou na China e integrou “uma missão humanitária” na África “com objetivo de educar, entreter e ajudar as crianças” de alguns países do continente.

    Maria Victória não nega a linhagem. Seu avô paterno havia sido prefeito de Maringá, depois seu pai e seu tio. Sua mãe, antes de ser vice-governadora, havia sido deputada estadual e federal. Eleita deputada estadual aos 22 anos de idade em 2014, Maria Victória seguia os passos da família. Em 2016 disputou a prefeitura de Curitiba pelo PP, ficando em quarto lugar.

    O casamento da filha pródiga de uma tradicional família do Paraná e de um advogado que desembolsou 60 mil reais para ajudar na eleição da amada, tinha que ser um acontecimento. Mas esqueceram de combinar com o povo os termos do “casamento ostentação”. Então mais de duas centenas de pessoas, que não haviam sido convidadas, se dirigiram ao casório com ovos, palavras de ordem e muita disposição. Na memória dos populares a lembrança da cena da deputada que em 2015 foi escoltada por um carro da Polícia para votar projetos que retiravam direitos dos servidores e recursos da previdência. Também as imagens da barbárie promovida pela PM do governo de Beto Richa/Cida Borghetti, que realizou um massacre contra milhares de trabalhadores que protestavam naquele 29 de abril.

    Maria Victória nunca se fez de rogada quanto ao seu lugar no mundo. Sobre o Bolsa-Família, há alguns anos, escreveu: “É triste ver o governo federal dando o peixe, ao invés de ensinar a pescar”. A princesa da nossa história gosta de ditados, então deve lembrar da famosa frase de uma outra Maria, a Antonieta, que disse ao povo que não tinha pão, que comesse brioches. A rainha da França, como se sabe, morreu na guilhotina, mas como nas histórias de princesas, era para ser um conto de fadas.

    *Publicado no Jornal A Tarde