Hora de sangue frio e sensatez: por que lutar até ao fim sem desespero?
Publicado em: 4 de outubro de 2018
Por: Valério Arcary, colunista do Esquerda Online
Professor titular aposentado do IFSP. Doutor em História pela USP. Militante trotskista desde a Revolução dos Cravos. Autor de diversos livros, entre eles Ninguém disse que seria fácil (2022), pela editora Boitempo.
Por: Valério Arcary, colunista do Esquerda Online
Valerio Arcary
Professor titular aposentado do IFSP. Doutor em História pela USP. Militante trotskista desde a Revolução dos Cravos. Autor de diversos livros, entre eles Ninguém disse que seria fácil (2022), pela editora Boitempo.
A língua resiste porque é mole; os dentes cedem porque são duros. Sem o fogo do entusiasmo, não há o calor da vitória. Jamais se desespere em meio às sombrias aflições de sua vida, pois das nuvens mais negras cai água límpida e fecunda. Procure acender uma vela em vez de amaldiçoar a escuridão.
Sabedoria popular chinesa
Nada está ainda decidido. Um em cada três eleitores não cita nenhum nome nas pesquisas. É um número altíssimo quando faltam tão poucos dias para as eleições. São 19% de indecisos, e mais 14% que, por enquanto, votam ou branco ou nulo. Esses 33% deixam a eleição ainda indefinida. Bolsonaro tem 38% de votos válidos, segundo as pesquisas mais recentes, já considerada a margem de erro. Ele teria de crescer 12 pontos porcentuais até o dia da eleição, para conquistar de 50% mais um. Isso é possível, porém, improvável.
Trocar de candidato, tampouco, faz sentido. Levo muito a sério a matemática e a teoria dos jogos. Acontece que, com as informações hoje disponíveis, não é possível fazer o cálculo de quem seria o candidato em melhores condições de derrotar Bolsonaro no segundo turno. Não é possível porque todas as pesquisas estão no limite da margem de erro. Não é possível porque o segundo turno será uma nova eleição, em todos os sentidos. Não sendo possível, cada um de nós deve votar em quem pensa ser o melhor candidato. E todos devemos conversar para deslocar votos de Bolsonaro.
O #elenão não foi um tiro no pé
Ações produzem reações, é verdade. Mas o principal efeito das mobilizações de sábado em mais de 400 cidades foi ter levantado a moral da esquerda brasileira. Não se luta contra os fascistas somente com argumentos. É preciso demonstrar força social. Porque o medo vai ter que mudar de lado, se queremos sair da defensiva. E quando reunimos um milhão nas ruas a militância de todas as correntes de esquerda levantou a cabeça.
O crescimento de Bolsonaro nas pesquisas parece ter tido múltiplos fatores. Em primeiro lugar a saída do hospital. Ao receber alta, e voltar a ter presença ativa nas redes sociais Bolsonaro sinalizou que tinha voltado para a luta. Isso teve impacto. Em segundo lugar, o apoio das Igrejas pentecostais. Em terceiro lugar, o deslocamento do voto anti-PT ainda indeciso para Bolsonaro, simplesmente, porque permanece em primeiro lugar, portanto, favorito.
Mas isso não significa que seja provável que Bolsonaro vá vencer. Ao contrário, é possível, porém, improvável. As eleições estão em aberto.
Tarefa do dia: convença alguém a não votar em Bolsonaro. Hoje. Agora.
Eu vou de #BoulosESonia50
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