Governo Bolsonaro anuncia intervenção sobre sindicatos, para atacar aposentadoria sem resistência

Da Redação

Nesta segunda-feira, 03, o chefe da equipe de transição e futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, anunciou em uma entrevista de rádio que o Ministério do Trabalho irá “desaparecer” e que suas atribuições serão fatiadas em três partes. Uma vai ficar no comando do Ministério da Fazenda, outra com o Ministério da Cidadania e a parte responsável pelos registros e concessão de cartas sindicais ficará com o Ministério da Justiça, cujo ministro será o juiz Sergio Moro.

A decisão volta a manter o desmonte do Ministério do Trabalho, que completou 88 anos e é o órgão responsável pela fiscalização dos direitos trabalhistas. O fatiamento do órgão é um grande retrocesso e favorecerá as empresas, ampliando a precarização e a exploração dos trabalhadores, que já tiveram direitos reduzidos pela reforma trabalhista e com a terceirização das atividades-fim. Outra área que deve ser duramente afetada é o combate ao trabalho escravo.

Para além deste absurdo, salta aos olhos também a intenção do futuro governo de quebrar a resistência no movimento sindical, ao transferir para o Ministério da Justiça e Segurança Pública a concessão das cartas sindicais. Ou seja, o juiz Moro é que decidirá sobre qual sindicato terá legalidade para funcionar e poder representar e negociar em nome de uma categoria. Ou seja, o juiz que ficou conhecido pela judicialização da política, receberá amplos poderes para negar concessões ou mesmo cancelar a de sindicatos existentes, suspender o repasse dos sindicalizados, etc.

Se antes, o movimento sindical já sofria com a vinculação ao estado, agora sofre diretamente uma intervenção, com o fim do Ministério e a transferência para a mesma pasta que irá cuidar do combate ao crime organizado, por exemplo.

Bolsonaro parece seguir as orientações do seu guru Olavo de Carvalho, que, em entrevista, aconselhou o futuro presidente a “quebrar as pernas do inimigo” “impiedosamente”. O que está por vir é uma operação política que irá intervir nos sindicatos para desmantelar e desmoralizar o movimento sindical, quebrando a resistência, ao mesmo tempo em que tentam criminalizar o MTST e o MST e perseguem os professores.

Se tiverem sucesso, vão ter um caminho mais fácil para saquear direitos, aprovando a reforma da Previdência que, pelo desgaste do tema e pelo papel da mobilização do movimento sindical, Temer não conseguiu fazer no último período.

Todo o movimento sindical e popular precisa denunciar essa intervenção. Esse fatiamento do Ministério do Trabalho demonstra que a relação do governo com os sindicatos e consequentemente com os trabalhadores não será de diálogo e negociação. Ao contrário, estão se preparando para “quebrar” uma estrutura sindical que, mesmo com todo o processo de burocratização e afastamento da classe, ainda é uma ferramenta importante de luta fundamental para preservar os direitos e as liberdades democráticas.

Foto: EBC

 

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7 Comments

  • Edson Carlos Batista

    Se as centrais sindicais continuares com o objetivo farinha pouca meu pirão primeiro,toda a classe trabalhadora irá sofrer às consequências de um governo ditador. As próprias centrais afastaram as categorias se dividindo em diversas centrais confundindo a cabeça dos trabalhadores,no entanto até uma greve geral se torna difícil,pois algumas defendem a paralisação e outras não. Ou se unem ou irão todos perder vitórias conquistadas com sangue suor e vidas!

  • Pedro Silva

    Até que enfim vão acabar com esse ministério não servia pra nada .E sindicatos também so serve para enriquecer líderes sindicais. Serra vez fui a delegacia do trabalho em Cuiabá fazer uma denúncia sobre a empresa que trabalhava porque não estava recolhendo os encargos trabalhistas. Ao invés de ir fiscalizar chegando a empresa o fiscal me indicou como sendo o denunciante.

  • Sonia

    Porque existe sindicatos?
    Quais.os.motivos que levaram os trabalhadores a constituirem sindicatos para representa-los?
    Hora hora, se os patrões são honestos e respeitam seus empregados e principalmente se preocupam com a saúde de seus “colaboradores, não vejo a necessidade de ter que existir uma entidade pra fiscalizar e fazer cumprir tais necessidades “humanitárias”…só que não!

  • Alena

    Muitos trabalhadores precisam sim de sindicatos para representar, se não fosse assim não existiriao, e porque querem acaba o sindicatos e ministério do trabalho e outros órgãos que defende o trabalhador, porque essa anciã de ódio contra essa classe, pense bem, pra quem não muito be, nem deviria falar nada se tá bom onde vc esta, fique lá puchando o saco do patrão na mesma função até pegar um pé na bunda.

  • Carlos

    Não entendi esta histôria de Cuba. Toda vez que alguém defende o trabalho, aparece alguém dizendo, o socialismo toma a casa, vai para Cuba, Cuba toma a casa! Logicamente a pessoa que diz isto não é trabalhadora, ou é autõnoma que nunca participou de uma luta de classe. Nào engana ninguém! Carlos

  • PEDRO TERTULIANO DA SILVA

    Quem Não trabalha com Carteira Registrada, não precisa de Sindicato e, muito menos do Ministério do Trabalho.
    Também, Não Pode, NãoDeve e Não tem Direito de tecer Comentários.

  • Mlaan

    Realmente tem muita gente que desconhece os direitos que possuem e só irão perceber que eles existiam quando perderem. Coisas como o direito de andar na rua e poder sentar num banco de praça sem ser acusado de vadiagem ou coisas do tipo. O direito ao trabalho definitivamente foi destruído. A insanidade neocapitalista denomina a nova classe trabalhadora de microempreendedores ou empresas individuais, possuem contratos mínimos e tarefas múltiplas, ganham pelo que fizerem e de acordo com a concorrência. Por isso o nível de desemprego deve girar em torno de 50% da população ativa, para que a concorrência seja grande e o pagamento pequeno.

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