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  • DCE liderado pela direita frauda estatuto e tenta golpe na PUC-RS

    Por: Denis Brum e Caetano Branco, de Porto Alegre, RS.

    A atual gestão do Diretório Central de Estudantes (DCE) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) formada pelo PMDB, PSDB e LIVRES acaba de fraudar o estatuto da entidade. Estes grupos e partidos políticos desrespeitam não só o estatuto, mas democracia estudantil com o objetivo de impedir que haja eleição para o DCE ano que vem. Ao contrário do que dizem nas redes sociais, nas propagandas eleitorais e nos discursos, os “liberais” na prática são autoritários que fazem de tudo para manter o poder e os privilégios. Esses legítimos herdeiros da “Máfia do DCE da PUC/RS” manobram, escondem, fraudam e mentem para bloquear a participação dos estudantes. Não temos outra conclusão: o fazem por medo de que havendo manifestação dos estudantes sejam rejeitados e tenham que sair da direção da entidade.

    Conforme o estatuto do DCE da PUCRS, até novembro deste ano deveria ser convocada uma Assembleia Geral de estudantes para formar uma comissão eleitoral. Esta comissão ficaria encarregada de organizar e dar caráter legal e democrático às eleições do ano seguinte. O estatuto prevê três formas para a convocação da Assembleia Geral:

    I- Através do CEB (Conselho de Entidade de Base), onde existe a reunião de todos os centros e diretórios acadêmicos da universidade;
    II- Convocação da Assembleia pelo DCE, na falta do chamamento via CEB;
    III- Através de um pedido protocolado juntamente ao DCE com aval de 1% do corpo discente da universidade, ou seja, um abaixo assinado com 1% dos estudantes.

    Contrariando completamente o estatuto, a atual direção do DCE não convocou a Assembleia Geral, mesmo que ela não tenha sido convocada pelo CEB – devido a desestruturação de boa parte dos CA’s e DA’s, que também refletem o movimento estudantil na universidade nestes últimos semestres. O DCE deveria, na falta do CEB e conforme o estatuto, ter ele mesmo convocado a Assembleia Geral. Fato que não ocorreu na atual gestão, sinalizando um total descumprimento do estatuto da entidade.

    Além da não convocação da Assembleia, na última quinta-feira (30/11) os estudantes foram surpreendidos por uma convocação para uma reunião de centros e diretórios acadêmicos a fim de discutir o processo eleitoral. A reunião não foi informada corretamente a todos os DA’s e CA’s e apenas divulgada e assinada pelos diretórios que curiosamente apoiam a atual gestão. Se não fosse tudo, na tarde/noite do dia 5 de dezembro, data marcada para a reunião, fomos informados que o estatuto do DCE havia sido destituído pela atual gestão que criou um novo com os seguintes erros que configuram um verdadeiro golpe:

    – Alteração do estatuto do DCE SEM UMA ASSEMBLEIA ESTATUTÁRIA E SEM RESPEITAR O ESTATUTO ANTERIOR;

    – Visando atender seus interesses, o novo estatuto prolonga a gestão POR DOIS ANOS (ou seja, a gestão da atual da Eclipse foi estendida por UM ano);

    – Extingue o conselho de entidades de base, e cria-se um organismo em qual o “presidente” do DCE é o próprio coordenador.

    A PUCRS foi cenário de grandes lutas do movimento estudantil contra a antiga Máfia que dominou por cerca de 20 anos a universidade, impedindo o processo democrático e LIMPO das eleições. Em pleno 2017, a organização mostra sua cara novamente, agredindo pessoas e tentando a todo custo se manter no poder.

    Após a notícia do estatuto fraudulento, um grupo de cerca de 40 estudantes dos mais diversos cursos se mobilizou para exigir que a reunião tivesse caráter democrático e garantisse a participação de todos os associados do DCE, ou seja, todos os estudantes devidamente matriculados na PUCRS. A gestão ECLIPSE não só impediu a entrada dos estudantes como também não deixou que os advogados dos Centros Acadêmicos acompanhassem (direito garantido por lei), de forma que só conseguiram a entrada após muita pressão e empurra-empurra, onde integrantes da atual gestão usaram de força e agrediram a advogada do CAAP (Centro Acadêmico Arlindo Pasqualini, da Famecos) na tentativa de impedir sua entrada. Ao término da “reunião”, os CA’s e DA’s exigiram que sua documentação entregue na entrada da reunião fosse devolvida, o que não ocorreu e configurou o SUMIÇO de documentos das entidade (estatutos) e também de pessoas físicas que representavam as mesmas (cópias de RG). Foi registrado boletim de ocorrência por FURTO e ainda é aguardado o aparecimento da documentação que foi recolhida por membros da gestão Eclipse do DCE na entrada da reunião.

    Desta forma, ficou explicitamente caracterizado um GOLPE em curso dentro do DCE, sendo de suma importância a mobilização de todos e todas que minimamente desejem uma universidade democrática e eleições limpas no DCE. O golpe é sorrateiro e sujo, mas com nossa mobilização e força enquanto estudantes podemos denunciar e impedir que ele ocorra. Todos e todas à reunião no CAAP nesta quarta-feria 06/12 às 18h.

    MÁFIA NUNCA MAIS, FORA GESTÃO GOLPISTA!

    Para saber mais sobre a Máfia do DCE da PUCRS, disponibilizamos o link do blog do Movimento 89 de Junho, que destituiu a Máfia através de várias manifestações entre 2011 e 2013.

  • Lutar Sempre, Temer Jamais. Eleições no Centro Acadêmico de História da UFAL

    Por Afronte – Alagoas

    As Universidades Públicas estão vivenciando uma verdadeira crise. Está crise, como diria Darcy Ribeiro, pode ser considerado um projeto. O governo faz a escolha política de cortas verbas da educação e outros serviços públicos para pagar a chamada dívida pública. Ou seja, tira da educação para dar a meia dúzia de banqueiros.

    Os cortes de verbas se refletem das mais diversas formas. Com falta de água e energia. Materiais básicos como giz, pilotos e papel higiênico. No atraso do pagamento de trabalhadores terceirizados e nas bolsas de assistência estudantil. Cada vez fica mais difícil o estudante permanecer na Universidade.

    No curso de história na UFAL é essa a realidade que vivenciamos. As salas de aula estão cada vez mais vazias. Mais e mais colegas e amigos desistem do sonho de entrar numa universidade e ter um curso superior. Muitos vêm do interior do estado, a imensa maioria dos estudantes do curso são de bairros periféricos, pobres, que na falta de uma assistência estudantil universal precisam trabalhar para se manter. Sabemos como isso é difícil. Conciliar o trabalho com a dura dinâmica de estudo. Os ônibus são superlotados e atrasados, o salário que é pouco e mal dá para sobreviver, acordar cedo, ir dormir tarde, ler um texto, fazer fichamento de outro, preparar trabalho, ir para a aula. Ou seja, essa dinâmica é extremamente exaustiva e faz com que muitos acabem tendo que sair do curso.

    Sem falar com o ritmo de estudo que determinados professores impõe. Muitos cobram como se o estudante fosse uma máquina, tirando todo o lado pedagógico do processo de ensino e realizando cobranças sem avaliar a dinâmica e vida real do aluno. Se um professor  passa 70 folhas por semana é algo que dá para conseguir ler. Agora se 5 professores passam 70 folhas cada e cobram fichamento, tendo uma relação de abuso com o aluno, fica completamente impossível.

    Agora imagine um curso com grande número de evasão, com problemas estruturais gravíssimos, com recorrentes casos de abuso de professores e num momento de retirada de direitos e cortes de verbas. Neste curso é extremamente necessário que os estudantes tenham voz, que se posicionem, que construam seus instrumentos de luta. No caso, que tenham um centro acadêmico para se posicionar frente a tudo isso.

    Infelizmente não era essa a realidade do nosso curso. O centro acadêmico está parado desde que a última gestão o abandonou, há quase um ano. Sendo assim resolvemos montar uma chapa que refletisse toda a necessidade que o atual momento histórico exige.

    Em primeiro lugar, a demarcação de que a saída é pela esquerda. Se queremos uma educação pública de qualidade, precisamos apontar os motivos de não termos. Nós vamos gritar em alto e bom som: nossa educação é mais importante que os lucros dos ricos e poderosos. Por isso uma saída programática a esquerda, em defesa dos direitos históricos dos trabalhadores e oprimidos, é se posicionar em defesa da educação.

    Segundo, que é preciso a mais ampla unidade para conseguir lutar contra a onda conservadora, contra a retirada de direitos e contra o atual governo. A atual chapa é composta por estudantes que constroem o AFRONTE, a UJC e com a maioria dos membros independentes. Sozinhos não nós bastamos, precisamos do maior número de braços e pernas possíveis para construir o novo. Seja um novo centro acadêmico, ou uma nova alternativa política. E essa construção só pode ser coletiva, essa é a conclusão central que devemos chegar.

    Dessa forma, após termos sido eleitos com 113 dos 123 votos, buscaremos na nossa gestão que se inicia honrar a luta e tradição do movimento estudantil. Firmes em defesa da educação pública e de nossos direitos por um futuro digno. Nós não devemos pagar pela crise, vamos Lutar Sempre e Temer Jamais.

    Foto: Adricia Bonfim

     

     

     

     

     

     

  • Estudantes ocupam ruas contra Marchezan (PSDB), em Porto Alegre

    Por: Afronte-RS

    Na manhã desta sexta-feira (11), o tradicional protesto do Dia do Estudante, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, teve como principal reivindicação a não implementação do decreto expedido no mês passado, que restringe o direito ao meio-passe estudantil, junto com o fim da isenção para professores e idosos no transporte público municipal.

    Os protestos começaram com o trancaço realizado por estudantes da UFRGS numa das principais vias da região Central. Os estudantes ocuparam a Av. Sarmento Leite por volta das 6h e permaneceram até a Brigada Militar dispersar o movimento com bombas de gás e efeito moral, por volta das 7h.

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    A partir das 9h, milhares de estudantes se concentraram em frente à Escola Estadual Parobé e partiram em marcha até a Prefeitura. Dezenas de ônibus vieram de todas regiões da cidade no ato organizado pela UMESPA, UEE Livre, UNE, UBES e diversos Grêmios e Centros Acadêmicos. O Afronte participou do ato ao lado dos coletivos da Oposição de Esquerda da UNE e outras organizações, como o Alicerce e a Resistência Popular.

    É a primeira manifestação de resistência contra essas medidas que retiram nossos direitos históricos. O meio-passe foi implementado há quase 20 anos e, no ano passado, a partir de ação movida pela então gestão do DCE da UFRGS, conseguimos ampliar o direito para domingos e feriados. Marchezan quer agradar a máfia do transporte, seguindo o exemplo do antigo prefeito Fortunati. Precisamos ampliar a mobilização na sociedade para que a façamos como em 2013. É preciso radicalizar nas ideias e nas ações para barrar os retrocessos.

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  • Todo apoio a Ocupação da Câmara, em defesa do Passe Livre e pela Unidade do movimento

    Por Natalia Dias do movimento Afronte, de SP

    Durante as férias dos estudantes o prefake João Doria anunciou mudanças no Passe Livre estudantil, limitando a utilização do benefício e acesso a cidade, principalmente aos estudantes da periferia, que são os mais afetados com a mudança.

    Hoje, 09 de Agosto, UPES e UEE ocuparam a Câmara Municipal de São Paulo contra o pacote de privatizações que vendem nossa cidade, em defesa do Passe Livre. É necessário radicalizar nas ações, e por isso todo apoio a ocupação, que Doria revogue as medidas que cortam o passe livre.

    No entanto, é muito importante que a direção da UNE e UEE tenham uma postura unitária com o restante do movimento secundarista, que construam as ações de maneira aberta e democrática e fortaleçam espaços de decisão como as assembleias secundaristas de São Paulo.

    Não há espaço para de dividir autônomos e organizados, é preciso unidade total na luta em defesa do Passe Livre. Cada escola e cada rua é espaço para nossa luta, com unidade e radicalização nas ideias e nas ações.

    Nessa sexta-feira (11) é dia do estudante e vamos mostrar pro prefeito patrão nossa força no 4º Grande Ato em Defesa do Passe Livre Estudantil, com concentração às 16hrs na praça do Ciclista. Vamos à Luta!

    Calendário:

    Dia do estudante é dia de luta! Participe das atividades nesta sexta-feira (11):
    8h, no vão do MASP: 11 de Agosto – Dia do Estudante Fora Temer!
    https://www.facebook.com/events/1479813378734734/?ti=cl

    16h, na praça do Ciclista: Quarto grande ato contra o corte do passe livre
    https://www.facebook.com/events/1429426157150458/?ti=as

    18h30, no largo São Francisco: Ato político e posse da UEE SP
    https://www.facebook.com/events/724460691086467/

  • Nota coletiva de repúdio à disciplina casa grande

    Publicado originalmente no facebook do DAEA UFMG.

    Belo Horizonte, Julho de 2017

    À comunidade,

    Nós, estudantes do curso de Arquitetura e Urbanismo, representados pelo Diretório Acadêmico da Escola de Arquitetura da UFMG viemos expressar nossa indignação quanto ao racismo e desrespeito contidos no nome e no programa da disciplina de projetos flexibilizados (Pflex) “Casa Grande” ofertada pelo professor Otávio Curtiss.

    Historicamente, a casa grande e a senzala, em hierarquia, sempre se delinearam como pilares da ordem escravocrata no Brasil, estruturada em uma produção latifundiária completamente controlada pelo senhor do engenho, que tentava exercer poder sobre a vida de seus escravos, empregados e moradores. Após 129 anos da abolição da escravidão no Brasil, no entanto, a estrutura escravocrata ainda segue presente no cotidiano brasileiro. Como discutido em diversas disciplinas na EAD-UFMG, o quarto de empregada, por exemplo, tem como origem a segregação escravista. Ele surge como uma solução para separar empregados e patrões que permaneceram vivendo juntos após a abolição, em 1888. Com o crescimento das cidades e a verticalização urbana, as novas soluções de moradia mantiveram soluções arquitetônicas que perpetuam a separação entre patrões e empregados.

    Ao propor um projeto localizado em um condomínio de alto padrão de Nova Lima com a organização de uma zona íntima de 5 suítes com banheiro completo e rouparia e, paralelamente, uma zona de serviço composta de cozinha, lavanderia, despensa, depósito, quartos e banheiros para 8 empregados, o professor Otávio Curtiss incentiva os discentes a projetarem uma casa grande que incorpora a senzala e reforça os moldes de dominação em pleno século XXI. O programa da disciplina, agravado pelo nome, explicitamente fere e desrespeita estudantes que, em diferentes níveis, conseguem subverter a ordem escravista ainda existente no Brasil.

    Sendo assim, questionamos a quem contempla a construção da grade curricular e a arquitetura fomentada pela universidade na formação dos alunos do curso voltada para uma classe elitista, a qual parte dos graduandos da escola de Arquitetura e Urbanismo da UFMG, pretos, pobres e advindos de escolas públicas, não pertencem. Com essa proposta, o professor Otávio Curtiss reforça os padrões sociais que vão ao encontro das estruturas do Brasil Colônia e fogem da realidade da maioria dos indivíduos que compõem a população brasileira, utilizando a proposta da disciplina para justificar a produção de uma arquitetura racista.

    Questionamos também a posição do Departamento de Projetos em permitir a oferta da disciplina uma vez que está explícita as problemáticas do termo e do conteúdo propostos. O racismo institucional presente na Escola de Arquitetura vai de encontro a todos os esforços de inclusão expressados pela UFMG. Mais uma vez, os setores reacionários da universidade estão pouco preparados para receber a diversidade sociocultural do novo perfil de seus estudantes, reforçando suas estruturas racistas e como elas representam uma forma de dominação na sociedade atual.
    Dessa forma, ressaltamos nossa inflexibilidade em aceitar uma disciplina que perpetue o racismo. Exigimos um parecer do Departamento de Projetos em relação à pretensão do professor Otávio Curtiss e à proposta da disciplina, bem como seu cancelamento.

    Diretório Acadêmico da Escola de Arquitetura e Design da UFMG
    Link para PDF > http://bit.ly/2v1Xuk3

  • Afronte nas ideias e nas ações

    Depois de sete dias de votação online e muita expectativa nasce um novo movimento de juventude no Brasil. 1.745 pessoas participaram, entendendo a importância do envolvimento para fortalecer mais um polo na luta e a maioria escolheu o nome AFRONTE. Essa palavra carrega em si o que pretendemos ser. Nosso nome será AFRONTE porque afrontar no dia a dia é construir a resistência pra dar a virada que a gente precisa no Brasil!

    Afrontar Temer e suas reformas!

    Começamos a nos organizar neste ano de ataques brutais, após as experiências das ocupações contra a PEC do TETO e contra o governo Temer. Estávamos obstinados a fortalecer a resistência contra as reformas que jogam nosso futuro na lata do lixo, sem direitos trabalhistas e sem aposentadoria e fizemos parte também das ocupações de escolas e universidades que fortaleceram essa resistência.

    A Reforma trabalhista é um retrocesso tão grande que vai obrigar as mulheres gestantes a trabalhar em local insalubre, diminuir horário de almoço, deixar as negociações correrem “livres” ditadas pelo patrão, entre outras barbaridades, aumentando ainda mais a precarização do trabalho.
    Organizamos junto a diversos setores os comitês pela construção da greve geral do dia 28 de abril lutando pela unidade necessária para resistir aos ataques deste governo ilegítimo. Foram milhares de barricadas país a fora, milhares de piquetes e atos onde a juventude abraçou a classe trabalhadora. Temos orgulho de ter iniciado nossa construção num AFRONTE da classe trabalhadora que foi a greve geral.

    Participamos da Marcha a Brasília de 24 de maio onde afrontamos novamente Temer e o Congresso Nacional, que morreram de medo quando viram que após 4 horas de bombas não arredávamos pé, e chamaram o exército para nos conter.

    Após a aprovação da reforma trabalhista não resta dúvidas que nossa atitude deverá ser a de recuperar as forças e seguir o combate. Agora nesse semestre teremos uma dura batalha contra a reforma da previdência, que vem na verdade para destruir o direito da juventude a ter aposentadoria e que quer nos fazer trabalhar até morrer. Nascemos afrontando Temer e seu projeto de destruir nosso futuro!

    Pra afrontar o capitalismo!

    A situação que vivemos hoje é fruto da degradação de um sistema falido. O capitalismo, longe de ser o sistema que deu certo, é o sistema que hoje leva milhões a imigração forçada, que não são aceitos nos países onde buscam abrigo. É o sistema que impõe mais e mais exploração aos 99%, que resistem dia após dia para não perder o pouco que conquistamos com sangue e suor e sustentam com esse suor o 1% mais rico do mundo. O capitalismo precisa ser afrontado! Essa lógica precisa ser invertida.

    O capitalismo finge empoderar os oprimidos, mas na verdade impõe um verdadeiro genocídio contra os negros, em especial no nosso país que herdou 300 anos de escravidão. A homofobia e mais ainda a transfobia mata todos os dias LGBTS. As mulheres morrem todos os dias vítimas de violência, de abortos clandestinos, a cada 11 minutos em nosso país acontece uma violência sexual.

    Muito tempo se passou acreditando, e muitos ainda acreditam, que é possível mudar a vida do povo na política do “ganha-ganha” onde poderia o 1% e os 99% ganharem ao mesmo tempo. Mas a realidade provou que essa é uma grande utopia. Quando chega a crise os ricos e poderosos radicalizam: não pactuam, mas golpeiam! Os falsos aliados mostram as garras, e como foi com Temer avançam contra nós.

    E pra lutar contra o capitalismo hoje é necessário medidas radicais e estamos dispostos a construir uma alternativa política que defendam essas medidas, como a taxação das grandes fortunas, reforma agrária e urbana, redução da jornada de trabalho sem redução de salário para distribuir o trabalho entre todos os braços, nenhum dinheiro para alimentar os sanguessugas do mercado financeiro que vivem de juros e de supostas dívidas de países como o nosso, e punição de verdade aos corruptos e corruptores, onde os donos das grandes empresas corruptas não sejam premiados, onde operações como a “lava-jato” – que não passa de teatro para distrair o povo e servir aos interesses políticos deste ou daquele setor – sejam desmascaradas.

    Afrontar as opressões!

    O capitalismo lucra com a opressão, lucra em transformar diferença em desigualdade e em superexplorar os oprimidos. Cada salário desigual pela mesma função pago a um negro, a uma mulher ou a um Lgbt, é um lucro direto aos ricos e poderosos. O controle sobre o corpo das mulheres também é lucro pra eles. O racismo institucional que transforma a juventude negra em “suspeitos cotidianos”, que mata e prende por pinho sol ou pipoca na mão de uma criança , é lucro para os ricos e poderosos. A lgbtfobia que coloca trans em empregos precários e muitas vezes escondidos é lucro para os ricos e poderosos. Afrontar o racismo, a lgbtfobia e o machismo é também afrontar esse sistema. Apesar dos ataques, nos últimos anos houve um verdadeiro protagonismo desses setores na luta, tanto nas lutas contras as opressões, quanto na luta contra a retirada de direitos, pois sabemos que quando os direitos são retirados, os primeiros a sofrerem são os setores oprimidos. Organizar esse exército de afrontosas e afrontosos é essencial para nosso movimento.

    Afronte na luta!

    Afrontar é verbo, é ação. Somos a juventude afrontosa, que desafia o desgoverno de Temer.

    Afrontar é revelar a urgência de um movimento combativo. É declarar que não haverá paz até que acabe o extermínio da juventude negra nas periferias.

    Afrontar é mostrar que não andaremos de cabeça baixa. Em um dos países que mais mata mulheres e LGBTs no mundo, nós resistimos e lutamos.

    Se nos querem calados, nós gritamos. Nós produzimos eventos culturais nas cidades, fazemos cursinhos populares… Utilizamos todas as armas que retirem de nós a mordaça a opressão.

    Afrontar é montar barricadas junto com os movimentos sociais, em defesa dos nossos direitos. É também ocupar as entidades estudantis de maneira democrática para que elas sejam nossos instrumentos de luta.

    AFRONTE É GUERRA contra os senhores. AFRONTE é organização dos debaixo contra os de cima. AFRONTE é força que nasce na unidade e na ação direta contra o capitalismo.

  • ‘Surge novo movimento de jovens anticapitalistas’ – Vic, diretora de Movimentos Sociais da UNE

    Por: Victoria Ferraro, a Vic, diretora de movimentos sociais da UNE

    “A vida é bela, que as gerações futuras a limpem de todo o mal, de toda opressão, de toda violência e a gozem plenamente”. (Leon Trotsky)
    “O tempo é roído por vermes cotidianos. As vestes poeirentas de nossos dias, cabe a ti, juventude, sacudi-las”. (Vladimir Maiakovski)

    Desde ontem (18), se iniciou no Facebook uma discussão feita por centenas de jovens querendo saber qual o melhor nome para o novo movimento de jovens anticapitalistas e marxistas que está surgindo. A votação do nome é o fim de um ciclo que se iniciou com a construção da tese Pra Virar o Jogo ao 55º CONUNE. Uma tese construída a partir de muito esforço de diversos ativistas do movimento estudantil espalhados em cada região do país, que compuseram, junto com outros coletivos de juventude, a Oposição de Esquerda da UNE e estiveram nas lutas desde o ano passado contra os ataques de Temer. 

    Entramos agora em uma nova fase do nosso movimento, queremos colocar nosso bloco na rua e elaborar um programa que responda aos anseios da juventude brasileira. Somos jovens que estão na rua lutando contra os ataques ao nosso futuro, mas sem perder de vista a necessidade do estudo e da formação marxista.

    Nós Afrontamos os padrões impostos pela sociedade capitalista. Somos LGBTs, Negras e Negros, Mulheres, dizendo que toda forma de amor vale a pena, que vidas negras importam, e que temos o direito de fazer o que bem entendemos com os nossos corpos.

    Afrontamos também as velhas práticas no movimento estudantil. Dizemos que precisamos radicalizar na forma e nas ideias. Chega só de acordos entre as correntes e reuniões intermináveis que afastam os estudantes do movimento. Queremos um movimento que priorize o que é melhor para os estudantes e para nossas lutas, e não a auto-construção das organizações. Queremos um movimento que se aprofunde nas discussões, que faça os estudantes se apaixonarem pela possibilidade de que, através do movimento estudantil organizado, junto com os trabalhadores, consigamos transformar nosso futuro.

    São tempos de Resistência contra os ataques e a ofensiva dos de cima contra os de baixo. Trump nos EUA, Macri na Argentina, Macron na França, May no Reino Unido e Temer no Brasil são alguns dos representantes do capital que através desses governos planejam aprofundar cada vez mais o nível de exploração e opressão dos trabalhadores e da juventude.

    No Brasil, a Reforma Trabalhista acaba de ser aprovada, junto com um pacote que já conta com a Reforma do Ensino Médio e a PEC 55, que congela todo o investimento nos serviços públicos. E ainda querem no ano que vem aprovar a Reforma da Previdência. Nosso futuro está completamente ameaçado, corremos o risco de ter que trabalhar 12 horas por dia até morrer. A tarefa histórica da juventude brasileira frente a esses ataques é Resistir, para que consigamos Virar o Jogo e impor o que realmente queremos para nosso futuro.

    Mas, para dar essa Virada é preciso ser radical e, por isso, somos Anticapitalistas. Somos aqueles que se indignam quando olham para a pobreza e a situação da população de rua nas grandes cidades, quando ouvimos piadinhas LGBTfóbicas nas festas da família, quando as mulheres não podem andar na rua sozinhas à noite por medo de serem estupradas, quando temos que pagar caro na passagem de ônibus enquanto ganhamos uma miséria no estágio, quando percebemos que o maior beneficiado com nosso trabalho é o patrão e não nós mesmos. Tudo isso que nos indigna é culpa do capitalismo e queremos acabar com esse sistema que nos oprime e explora.

    Brincadeiras e piadas à parte, estamos juntos na construção desse movimento, independente de seu nome. Propusemos a votação online para começarmos inovando nas práticas. Queremos que o máximo de pessoas possam participar disso junto com a gente.

    Para participar é só entrar no link

    Afronte? Virada? Resistência? Essas são as três opções de nome. Vote no que achar melhor e seja feliz! Venha construir esse novo movimento!

    Grupo do movimento
    Página do movimento
    Evento de participação
    Link de votação

  • Novo coletivo de juventude lança campanha virtual para escolha de nome

    Da Redação

    Resistência? Afronte? Virada? Está surgindo um novo movimento de juventude anticapitalista no Brasil e essas são as opções para o nome do novo coletivo. O movimento surge a partir dos assinantes da tese Pra Virar o Jogo, que participou pela primeira vez do 55º Congresso da União Nacional dos Estudantes este ano. O ousado do grupo é que deixaram a decisão aberta para qualquer um que queria participar. A votação é feita pelo site Pra Virar o Jogo e se encerra na próxima terça-feira, 25 de julho.

    “A partir do encontro nacional dos assinantes da tese ‘Pra Virar o Jogo’ defendida no último congresso da UNE, surgiu a determinação de conquistar mais pessoas dispostas a somar forças anticapitalistas para agir de maneira unificada em busca de transformações sociais”, explica o grupo na página da campanha.

    Apesar dos integrantes serem em maioria estudantes de escolas e universidades, o novo movimento de juventude afirma pretender ultrapassar os muros do movimento estudantil.  “Somos jovens, mulheres, negras e negros, LGBTs, periféricas, trabalhadoras que têm o sonho e a garra para construir um novo mundo: livre da exploração e de todas as opressões. Para isso, queremos construir um novo movimento de juventude com a coragem para radicalizar nas ideias e nas ações”, afirmam.

    Assistam no vídeo

    A campanha pela decisão do nome iniciou na noite desta segunda-feira (17). De forma presencial, está chegando às escolas, universidades e demais espaços onde os membros do coletivo já atuam.

    E a partir da rede social Facebook, ganhou tom irreverente, com defesas da concepção de cada um dos nomes, produção de memes e até twibbons que são adicionados aos perfis.

    Quer participar?
    Para escolher o nome desse movimento, a votação é online.
    Grupo do movimento
    Evento de participação
    Link de votação

  • Minhas memórias do dia 20 de junho de 2013

    Por Matheus Gomes, Colunista do Esquerda Online

    Hoje vamos para mais uma audiência do julgamento do Bloco de Lutas. Resolvi refletir sobre o dia que vivemos há quatro anos.

    Aquela quinta-feira foi o ápice de uma semana intensa. De quinta à quinta o Brasil acumulou uma energia política inovadora, as ruas pulsavam. Os protestos organizados por movimentos como o MPL (SP) e o Bloco de Lutas (POA) ganharam a solidariedade e a simpatia de milhões de pessoas. O editorial da Folha de São Paulo exigindo repressão impiedosa aos manifestantes no 13J foi dois dias antes do início da Copa das Confederações, já a manifestação nacional monstra do 20J ocorreu um dia depois da dupla Neymar e Jô guardar dois gols no México. É que ai a ação coletiva nas ruas já era o centro das atenções ao invés dos gramados. O pacto selado entre multinacionais e governantes foi para os ares quando irrompeu o povo jovem e trabalhador, maioria nas ruas durante as jornadas.

    Repressão na Ipiranga

    Repressão na Ipiranga

    Eu acordei cedo. Fui fazer uma panfletagem para divulgar o ato das 17h no Paço Municipal. Chovia num frio de “renguear cusco”. Sai de casa as 7h e fiquei com a mesma roupa até o final do dia. A tensão começou muito antes do ato. No início da tarde recebemos a notícia da invasão na sede da Federação Anarquista Gaúcha. Homens que diziam ser da Polícia Federal entraram e vasculharam o Ateneu Libertário pra levar materiais políticos e livros. A escalada repressiva contra o Bloco de Lutas já tinha começado em abril, mas esse fato mostrou que a perseguição ficaria mais intensa com o crescimento dos atos. Naquela noite cerca de 850 homens da Brigada Militar foram pras ruas reprimir o ato, num mega aparato que se concentrou majoritariamente em três pontos: na frente da Zero Hora, nos arredores da Matriz e, no final do ato, entre o Glênio Peres e as principais paradas de ônibus do Centro.

    Rapidamente convocamos uma coletiva de imprensa no DCE da UFRGS as 16h. Contatamos toda a imprensa local e decidimos um método pra fazer a coletiva que não focasse numa liderança específica nos microfones. Algumas pessoas se revezaram a cada parágrafo atrás de outras pessoas que seguravam faixas e cartazes. Falamos da perseguição política, mas tentamos puxar a atenção pras demandas do movimento, já que a Zero Hora divulgou pautas que não eram as nossas pra começar a operação de sequestro das manifestações, além de dizer que recebíamos treinamento de guerrilha através de movimentos internacionais (!).

    Coletiva de imprensa do bloco de lutas

    Coletiva de imprensa do bloco de lutas

    Quando chegamos no protesto uma multidão já se aglomerava entre a Esquina Democrática e a prefeitura. Chovia bastante, mas descobri a incrível sensação de marchar encharcado ao lado de milhares de pessoas. A manifestação se dividiu em duas. De um lado o Bloco de Lutas querendo ir ao Piratini, do outro pessoas que não temos como saber quem eram coordenando uma manifestação em direção a Zero Hora. Calcular quantos éramos é uma tarefa pendente que em breve vou resolver, mas as duas marchas se encontraram na João Pessoa com a Salgado Filho. A pressão para descermos até a Ipiranga venceu porque vínhamos de uma rua menor, o que nos tirava a condição de influenciar no itinerário, mas também sugere que a manifestação que encontramos era ainda maior que a nossa.
    A Brigada Militar fez subir uma cortina de gás nunca vista em Porto Alegre, foi mais de uma hora de enfrentamento na Ipiranga com a Azenha sobre uma manifestação que até então seguia pacífica e tranquila. Nessa altura do campeonato já não tínhamos domínio de fato algum, ao contrário do que pensa o Delegado. Queríamos apenas nos proteger e cuidar uns dos outros para seguir em luta. Nossos corpos eram as armas que tínhamos para batalhar pelas ideias que acreditávamos naquele Junho.

    Foi um dia emblemático. Depois do 20J, o MPL disse que não chamaria mais protestos em São Paulo e a participação das organizações de esquerda nas manifestações começava a ficar difícil em todo o país. Em POA tivemos outro ato na segunda (24J) e na quinta (27J), numa dinâmica distinta das outras metrópoles, mais articulada em torno das manifestações que organizávamos devido à existência do ciclo anterior de março e abril. Já os Marinhos agiram rapidamente e em poucas horas fizeram um Globo Repórter criando o seu perfil de movimento (branco, de classe média e verde-amarelo), no sábado veio a Veja etc. Enquanto isso, Dilma fazia seu pronunciamento em rede nacional falando de democracia e liberdade de expressão, direitos sociais, amor dos brasileiros pelo futebol e combate a violência nos atos, na impossível tarefa de agradar gregos e troianos. Foi nesse dia que prenderam o Rafael Braga.

    Quatro anos depois retomo essas lembranças tentando seguir o conselho de Walter Benjamim nas suas Teses Sobre História. Mesmo que olhando para o passado com sabor já insípido, prefiro usar da minha memória para tentar despertar “as centelhas da esperança”, por que sim, “nem os mortos estarão em segurança se o inimigo vencer. E esse inimigo não tem cessado de vencer”. Seguimos em luta, olhando pra frente!

    Fotos de POA: Ramiro Furquim e Bernardo Jardim; RJ: autor desconhecido.