Juventude

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  • Havia uma pedra no meio do caminho

    Por: Israel Marques*

    “[…] no meio do caminho da educação havia uma pedra
    E havia uma pedra no meio do caminho”
    (Criolo – Duas de Cinco)

    Terça-feira, 6 de fevereiro de 2018: o dia em que me matriculei em uma universidade pública

    A priori, alguns podem pensar que é algo comum para um jovem de 18 anos. Só alguns, muito poucos. Uma esmagadora parcela da população brasileira não possui o direito de tratar esse fato como algo comum, pois sequer possui o ensino fundamental completo, quem dirá saber o que é chegar a um processo seletivo do Ensino Superior, que possui mais de 8 milhões de estudantes, dos quais apenas quase 2 milhões estudam em universidades públicas (segundo o MEC) – isso tudo em um universo de mais de 200 milhões de habitantes.

    Historicamente, as elites brasileiras detiveram as vagas das melhores universidades do país, deixando para a maior parte da população, isto é, as camadas mais pobres, a ausência/falência da educação. Enraizou-se no Brasil a hegemonia de uma cultura educacional elitista, perpetuando relações sociais baseadas no preconceito, na exploração, na desigualdade, etc. Por conta disso tudo, em 2017, existiam 12,9 milhões de analfabetos no país, segundo o IBGE; o mesmo instituto relatou no mesmo ano que 52% da população tinha apenas o ensino fundamental completo, escolaridade que é insuficiente para sobreviver em um país que exige profissões com boas escolaridades e que mesmo assim possui um baixo salário.

    De fato, o governo petista, com seu programa “democrático popular” (PDP), conseguiu consolidar projetos que possibilitou para muitos jovens a entrada em uma universidade pública e gratuita – local que na maior parte da história pertenceu à elite -, mudando a realidade de muitas famílias brasileiras. Infelizmente, essa já realidade não chega a todos. A educação básica pública no Brasil é precária e sucateada (como sempre foi), fazendo com que milhões de crianças e adolescentes abandonem a escola e escolham as subalternativas, perenizando os dados já citados: analfabetismo, exploração, desigualdade, violência, etc.

    Com efeito, para tentar mudar a situação da educação do país e também para se contrapor ao PDP  do governo do PT, o governo golpista de Michel Temer usou no seu pacote de reformas a Reforma do Ensino Médio, que é um proposital trabalho de enxugar gelo. A tal reforma nada muda a situação escolar, pelo contrário, faz com que muitos jovens enxerguem mais distante o sonho do Ensino Superior. A falta de verbas, a péssima estrutura e um plano educacional falido de nada irão servir para uma mudança no plano dessas ideias. A reforma só apresenta os interesses dos empresários: mão-de-obra e exército de reserva, pois está claro na reforma a modalidade do ensino técnico. Ora, estudar em tempo integral no ensino técnico, não se preparando para os vestibulares, é óbvio que deixa milhões de estudantes longe do ensino superior, restando apenas o árduo trabalho da também Reforma Trabalhista.

    Me resta agora, sendo jovem de uma geração que ocupou escolas e também universidades, que participou de duas greves gerais e que se preocupa com as causas sociais, lutar por uma educação pública e gratuita voltada para as camadas populares. Acredito que a organização popular é extremamente importante em momentos de retirada de direitos como o qual vivemos. A inserção na política e nos debates que nos interessam é essencial. Nosso dever é retirar do meio do caminho as pedras que impedem as nossas conquistas e os nosso direitos.

    *Israel Marques é recém aprovado na Universidade Federal do Ceará, ex-estudante de escola pública e ocupou sua escola em 2015, quando então tornou-se militante da Nova Organização Socialista.

  • Quatro motivos para lutar contra as demissões na Universidade Metodista de São Paulo

    Lígia Gomes, de São Bernardo do Campo (SP)
    Nos últimos dias as demissões na Universidade Metodista de São Bernardo do Campo chegaram a 55 professores e no Colégio Metodista na mesma cidade foram 12 professores. O Colegiado Episcopal  (de Bispos e Bispas) Metodista afirmou em nota que “segue em oração pelas famílias das pessoas que foram demitidas”.  No entanto os professores precisam de muito mais do que orações, precisam ter seus direitos assegurados. E para isso é necessária a solidariedade e mobilização dos trabalhadores e estudantes. Veja a seguir algumas razões para se unir à luta contra as demissões:
    1 – Porque são demissões que preparam terreno para a implementação da reforma trabalhista na Universidade. A exemplo do que já foi feito por outras universidades, como a Estácio que demitiu 1200 em todo o país e a Anhembi Morumbi (comprada pela Laureate) que mandou embora 140 docentes, na Mackenzie perderam o emprego cerca de 100 professores e na PUC-SP fala-se em demitir cerca de 60 professores. Ainda na Rede Metodista também foram demitidos 40% dos professores do Colégio Piracicabano e acredita-se que virão demissões com o fim do período letivo na Universidade em Piracicaba. Com as demissões as instituições abrem caminho para contratar professores pela nova legislação trabalhista, com menos direitos, salários menores e piores condições de trabalho. O resultado, além do rebaixamento dos salários, é a piora da qualidade da educação.
    2 – As demissões na Metodista são políticas.  Entre os demitidos estão aqueles que participaram das mobilizações contra as medidas antidemocráticas que foram tomadas desde a posse do novo reitor, Paulo Borges. A nova cara que o reitor quer dar à Metodista é incompatível com uma Universidade, pois é autoritária e avessa ao diálogo. Agora o reitor anda cercado por seguranças, evitando contato com a comunidade acadêmica. Professores em atos e assembleias eram filmados e fotografados, o som foi cortado em uma de suas assembleias e num ato contra as demissões os portões da Universidade foram fechados para seus próprios alunos que protestavam. Entre os demitidos estão dois professores recém eleitos para o Conselho Universitário, que sequer puderam participar da primeira reunião pois foram demitidos na véspera, num grave desrespeito aos votos dos docentes que os elegeram.
    3 – Há demissões irregulares, de professores cujos planos de carreira previam que só poderia ser demitidos após aprovação em colegiados. Essa previsão visava garantir a liberdade de cátedra e impedir a perseguição política, como a que vemos agora. Foi também demitido o presidente da Associação Docente, numa afronta ao direito à organização sindical.
    4 – Na Metodista um marco na mudança das relações internas foi a constituição da Rede Metodista de Educação para gerenciar as instituições de ensino metodistas em todo o país. A Rede minou a autonomia universitária, retirando de cada instituição o direito a definir e implementar suas políticas. As principais decisões, inclusive as trabalhistas,  são determinadas pela Rede, atendendo a critérios próprios sem consideração sobre a comunidade acadêmica ou o contexto de cada instituição.
    Com informações da professora Luci Praun, do SINPRO-ABC, e da Associação Docente da Metodista.
  • A democracia na corda bamba

    Por: Paulo César de Carvalho e Boris Vargaftig, de São Paulo, SP

    No último dia 6 de dezembro de 2017, a imprensa noticiou a condução coercitiva do reitor da UFMG, da vice-reitora, da coordenadora do projeto “Memória e Verdade” e de mais cinco profissionais da universidade. A justificativa para a ação dos agentes federais é o suposto desvio de verbas destinadas à construção do “Memorial da Anistia Política do Brasil”, projeto lançado pela Comissão de Anistia há quase uma década, com financiamento do Ministério da Justiça e parceria com a UFMG.

    Não nos cabe aqui discutir se houve ou não irregularidades na aplicação dos recursos públicos por parte dos acusados: as investigações estão em curso e o processo judicial está em andamento. Ainda que houvesse culpa dos réus, a sua condenação não serviria de salvo-conduto para “legitimar” as arbitrariedades cometidas pelos policiais na operação “Esperança Equilibrista”. Aliás, a infeliz escolha do nome evidencia o espectro autoritário que ronda o país, em geral, e a universidade, em particular.

    A Polícia Federal se apropriou indebitamente de um trecho da canção “O Bêbado e o Equilibrista”, de Aldir Blanc e João Bosco. Vale lembrar que a música foi lançada no disco “Linha de Passe”, em 1979, no mesmo ano da Anistia. Imortalizada na voz de Elis Regina, tornou-se o hino dos presos políticos. Um deles era o sociólogo Betinho, irmão do cartunista Henfil, ambos citados na letra, que também homenageia a mãe da dupla, dona Maria: “Meu Brasil/ Que sonha/ Com a volta do irmão do Henfil/ Com tanta gente que partiu/ Num rabo de foguete/ Chora/ A nossa pátria, mãe gentil/ Choram Marias e Clarices/ No solo do Brasil”.

    A referência a Clarice Herzog, companheira de Vlado, deixa ainda mais explícita a memória dos anos de chumbo evocada e desrespeitada pela operação “Esperança Equilibrista”. Em 1975, o jornalista Vladimir Herzog foi conduzido coercitivamente para prestar depoimento no DOPS, em cujas dependências foi torturado e assassinado. À época, a suspensão da ordem democrática era justificada pela “Doutrina de Segurança Nacional”, que dava amplos poderes aos agentes da repressão para sequestrar, torturar e assassinar qualquer “suspeito”. Os policiais, armados das prerrogativas totalitárias, não necessitavam de autorização judicial para invadir redações de jornal, sindicatos, universidades – corria-se perigo dentro de casa. Foi assim que levaram o jornalista Vlado, em 1975; foi assim que mataram o metalúrgico Manoel Fiel Filho, em 1976; foi assim que assassinaram o estudante Alexandre Vannucchi Leme, em 1973. O deputado Rubens Paiva estava em casa quando foi conduzido para a lista de desaparecidos políticos em 1971.

    De volta ao presente, em 6 de dezembro de 2017, o reitor da UFMG foi surpreendido por policiais federais quando saía do banho. Como estava de toalha, pediu autorização para se vestir, ouvindo de um dos agentes armados a temerária resposta: “o senhor não tem mais direito à privacidade”. Se estivéssemos em um quadro de normalidade democrática, a condução coercitiva não teria fundamento: o reitor e os outros acusados já haviam prestado esclarecimentos tanto à Controladoria Geral da União (CGU), quanto ao Ministério Público Federal (MPF). É redundante dizer que também possui residência fixa, podendo ser facilmente intimado a depor. Lembremos que ele foi levado de sua própria casa. Se estivéssemos em um contexto político de estabilidade democrática, um policial, sem resguardo legal, jamais diria a um cidadão de toalha saindo de seu próprio banheiro que ele não tem mais “direito à privacidade”.

    Denunciamos, a partir deste sintomático caso concreto, as investidas autoritárias que têm posto em risco as conquistas democráticas. Não é sempre que a realidade coloca diante de nossos olhos um acontecimento com tal força simbólica, não é por mera coincidência que as suspeitas envolvam o Memorial da Anistia, que a operação se chame “Esperança Equilibrista” e que o reitor tenha sido conduzido arbitrariamente de sua casa à viatura. Se não soubéssemos que isso aconteceu no dia 6 de dezembro de 2017, poderíamos imaginar que é mais uma das inúmeras histórias trágicas da ditadura. Quem suporia, afinal, que fosse possível ocorrer tais arbitrariedades quase 40 anos depois da Anistia?

    Se algum dramaturgo, poeta, romancista, contista, novelista, ou cineasta tivesse escrito esta narrativa, o enredo soaria caricato. Os críticos acusariam a inverossimilhança produzida pelo abuso de clichês, pela reiteração de estereótipos. De fato, não parece mesmo nada convincente a história de um reitor de toalha surpreendido por policiais federais armados na frente do banheiro, suspeito de irregularidades na construção de um “Memorial da Anistia”, em uma operação chamada “Esperança Equilibrista”. Não faltariam leitores para dizer que as “coincidências” são muito artificiais, que as alusões são muito explícitas, forçando a barra e entregando o jogo.

    Mas esta história não é lenda. A realidade novamente desafia e supera as piores ficções. Se é impossível não enxergar a presença paquidérmica do absurdo, como não registrar a realidade? Quem dera a condução coercitiva do reitor da UFMG não fosse “de verdade”; quem dera o suicídio do reitor da UFSC fosse “de mentira”. Antes a prisão de Rafael Braga não fosse real; antes fosse ficção o processo contra os 18 estudantes presos no Centro Cultural SP. Infelizmente, os soldadinhos não são de chumbo; as armas não são de plástico e as balas não são de festim. Os fatos não são isolados. Temos assistido a uma escalada de ataques ao chamado Estado de Direito, o que nos evidencia a fragilidade da democracia burguesa, que “dança na corda bamba”. Aliás, é o que sintomaticamente dizem os versos finais da canção “O Bêbado e o Equilibrista”:

    “Mas sei
    Que uma dor assim pungente
    Não há de ser inutilmente
    A esperança
    Dança, na corda bamba de
    sombrinha
    E em cada passo dessa linha
    Pode se machucar

    Azar
    A esperança equilibrista
    Sabe que o show de todo artista
    Tem que continuar”

  • DCE liderado pela direita frauda estatuto e tenta golpe na PUC-RS

    Por: Denis Brum e Caetano Branco, de Porto Alegre, RS.

    A atual gestão do Diretório Central de Estudantes (DCE) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) formada pelo PMDB, PSDB e LIVRES acaba de fraudar o estatuto da entidade. Estes grupos e partidos políticos desrespeitam não só o estatuto, mas democracia estudantil com o objetivo de impedir que haja eleição para o DCE ano que vem. Ao contrário do que dizem nas redes sociais, nas propagandas eleitorais e nos discursos, os “liberais” na prática são autoritários que fazem de tudo para manter o poder e os privilégios. Esses legítimos herdeiros da “Máfia do DCE da PUC/RS” manobram, escondem, fraudam e mentem para bloquear a participação dos estudantes. Não temos outra conclusão: o fazem por medo de que havendo manifestação dos estudantes sejam rejeitados e tenham que sair da direção da entidade.

    Conforme o estatuto do DCE da PUCRS, até novembro deste ano deveria ser convocada uma Assembleia Geral de estudantes para formar uma comissão eleitoral. Esta comissão ficaria encarregada de organizar e dar caráter legal e democrático às eleições do ano seguinte. O estatuto prevê três formas para a convocação da Assembleia Geral:

    I- Através do CEB (Conselho de Entidade de Base), onde existe a reunião de todos os centros e diretórios acadêmicos da universidade;
    II- Convocação da Assembleia pelo DCE, na falta do chamamento via CEB;
    III- Através de um pedido protocolado juntamente ao DCE com aval de 1% do corpo discente da universidade, ou seja, um abaixo assinado com 1% dos estudantes.

    Contrariando completamente o estatuto, a atual direção do DCE não convocou a Assembleia Geral, mesmo que ela não tenha sido convocada pelo CEB – devido a desestruturação de boa parte dos CA’s e DA’s, que também refletem o movimento estudantil na universidade nestes últimos semestres. O DCE deveria, na falta do CEB e conforme o estatuto, ter ele mesmo convocado a Assembleia Geral. Fato que não ocorreu na atual gestão, sinalizando um total descumprimento do estatuto da entidade.

    Além da não convocação da Assembleia, na última quinta-feira (30/11) os estudantes foram surpreendidos por uma convocação para uma reunião de centros e diretórios acadêmicos a fim de discutir o processo eleitoral. A reunião não foi informada corretamente a todos os DA’s e CA’s e apenas divulgada e assinada pelos diretórios que curiosamente apoiam a atual gestão. Se não fosse tudo, na tarde/noite do dia 5 de dezembro, data marcada para a reunião, fomos informados que o estatuto do DCE havia sido destituído pela atual gestão que criou um novo com os seguintes erros que configuram um verdadeiro golpe:

    – Alteração do estatuto do DCE SEM UMA ASSEMBLEIA ESTATUTÁRIA E SEM RESPEITAR O ESTATUTO ANTERIOR;

    – Visando atender seus interesses, o novo estatuto prolonga a gestão POR DOIS ANOS (ou seja, a gestão da atual da Eclipse foi estendida por UM ano);

    – Extingue o conselho de entidades de base, e cria-se um organismo em qual o “presidente” do DCE é o próprio coordenador.

    A PUCRS foi cenário de grandes lutas do movimento estudantil contra a antiga Máfia que dominou por cerca de 20 anos a universidade, impedindo o processo democrático e LIMPO das eleições. Em pleno 2017, a organização mostra sua cara novamente, agredindo pessoas e tentando a todo custo se manter no poder.

    Após a notícia do estatuto fraudulento, um grupo de cerca de 40 estudantes dos mais diversos cursos se mobilizou para exigir que a reunião tivesse caráter democrático e garantisse a participação de todos os associados do DCE, ou seja, todos os estudantes devidamente matriculados na PUCRS. A gestão ECLIPSE não só impediu a entrada dos estudantes como também não deixou que os advogados dos Centros Acadêmicos acompanhassem (direito garantido por lei), de forma que só conseguiram a entrada após muita pressão e empurra-empurra, onde integrantes da atual gestão usaram de força e agrediram a advogada do CAAP (Centro Acadêmico Arlindo Pasqualini, da Famecos) na tentativa de impedir sua entrada. Ao término da “reunião”, os CA’s e DA’s exigiram que sua documentação entregue na entrada da reunião fosse devolvida, o que não ocorreu e configurou o SUMIÇO de documentos das entidade (estatutos) e também de pessoas físicas que representavam as mesmas (cópias de RG). Foi registrado boletim de ocorrência por FURTO e ainda é aguardado o aparecimento da documentação que foi recolhida por membros da gestão Eclipse do DCE na entrada da reunião.

    Desta forma, ficou explicitamente caracterizado um GOLPE em curso dentro do DCE, sendo de suma importância a mobilização de todos e todas que minimamente desejem uma universidade democrática e eleições limpas no DCE. O golpe é sorrateiro e sujo, mas com nossa mobilização e força enquanto estudantes podemos denunciar e impedir que ele ocorra. Todos e todas à reunião no CAAP nesta quarta-feria 06/12 às 18h.

    MÁFIA NUNCA MAIS, FORA GESTÃO GOLPISTA!

    Para saber mais sobre a Máfia do DCE da PUCRS, disponibilizamos o link do blog do Movimento 89 de Junho, que destituiu a Máfia através de várias manifestações entre 2011 e 2013.

  • Lutar Sempre, Temer Jamais. Eleições no Centro Acadêmico de História da UFAL

    Por Afronte – Alagoas

    As Universidades Públicas estão vivenciando uma verdadeira crise. Está crise, como diria Darcy Ribeiro, pode ser considerado um projeto. O governo faz a escolha política de cortas verbas da educação e outros serviços públicos para pagar a chamada dívida pública. Ou seja, tira da educação para dar a meia dúzia de banqueiros.

    Os cortes de verbas se refletem das mais diversas formas. Com falta de água e energia. Materiais básicos como giz, pilotos e papel higiênico. No atraso do pagamento de trabalhadores terceirizados e nas bolsas de assistência estudantil. Cada vez fica mais difícil o estudante permanecer na Universidade.

    No curso de história na UFAL é essa a realidade que vivenciamos. As salas de aula estão cada vez mais vazias. Mais e mais colegas e amigos desistem do sonho de entrar numa universidade e ter um curso superior. Muitos vêm do interior do estado, a imensa maioria dos estudantes do curso são de bairros periféricos, pobres, que na falta de uma assistência estudantil universal precisam trabalhar para se manter. Sabemos como isso é difícil. Conciliar o trabalho com a dura dinâmica de estudo. Os ônibus são superlotados e atrasados, o salário que é pouco e mal dá para sobreviver, acordar cedo, ir dormir tarde, ler um texto, fazer fichamento de outro, preparar trabalho, ir para a aula. Ou seja, essa dinâmica é extremamente exaustiva e faz com que muitos acabem tendo que sair do curso.

    Sem falar com o ritmo de estudo que determinados professores impõe. Muitos cobram como se o estudante fosse uma máquina, tirando todo o lado pedagógico do processo de ensino e realizando cobranças sem avaliar a dinâmica e vida real do aluno. Se um professor  passa 70 folhas por semana é algo que dá para conseguir ler. Agora se 5 professores passam 70 folhas cada e cobram fichamento, tendo uma relação de abuso com o aluno, fica completamente impossível.

    Agora imagine um curso com grande número de evasão, com problemas estruturais gravíssimos, com recorrentes casos de abuso de professores e num momento de retirada de direitos e cortes de verbas. Neste curso é extremamente necessário que os estudantes tenham voz, que se posicionem, que construam seus instrumentos de luta. No caso, que tenham um centro acadêmico para se posicionar frente a tudo isso.

    Infelizmente não era essa a realidade do nosso curso. O centro acadêmico está parado desde que a última gestão o abandonou, há quase um ano. Sendo assim resolvemos montar uma chapa que refletisse toda a necessidade que o atual momento histórico exige.

    Em primeiro lugar, a demarcação de que a saída é pela esquerda. Se queremos uma educação pública de qualidade, precisamos apontar os motivos de não termos. Nós vamos gritar em alto e bom som: nossa educação é mais importante que os lucros dos ricos e poderosos. Por isso uma saída programática a esquerda, em defesa dos direitos históricos dos trabalhadores e oprimidos, é se posicionar em defesa da educação.

    Segundo, que é preciso a mais ampla unidade para conseguir lutar contra a onda conservadora, contra a retirada de direitos e contra o atual governo. A atual chapa é composta por estudantes que constroem o AFRONTE, a UJC e com a maioria dos membros independentes. Sozinhos não nós bastamos, precisamos do maior número de braços e pernas possíveis para construir o novo. Seja um novo centro acadêmico, ou uma nova alternativa política. E essa construção só pode ser coletiva, essa é a conclusão central que devemos chegar.

    Dessa forma, após termos sido eleitos com 113 dos 123 votos, buscaremos na nossa gestão que se inicia honrar a luta e tradição do movimento estudantil. Firmes em defesa da educação pública e de nossos direitos por um futuro digno. Nós não devemos pagar pela crise, vamos Lutar Sempre e Temer Jamais.

    Foto: Adricia Bonfim

     

     

     

     

     

     

  • Estudantes ocupam ruas contra Marchezan (PSDB), em Porto Alegre

    Por: Afronte-RS

    Na manhã desta sexta-feira (11), o tradicional protesto do Dia do Estudante, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, teve como principal reivindicação a não implementação do decreto expedido no mês passado, que restringe o direito ao meio-passe estudantil, junto com o fim da isenção para professores e idosos no transporte público municipal.

    Os protestos começaram com o trancaço realizado por estudantes da UFRGS numa das principais vias da região Central. Os estudantes ocuparam a Av. Sarmento Leite por volta das 6h e permaneceram até a Brigada Militar dispersar o movimento com bombas de gás e efeito moral, por volta das 7h.

    ato estudante 1

    A partir das 9h, milhares de estudantes se concentraram em frente à Escola Estadual Parobé e partiram em marcha até a Prefeitura. Dezenas de ônibus vieram de todas regiões da cidade no ato organizado pela UMESPA, UEE Livre, UNE, UBES e diversos Grêmios e Centros Acadêmicos. O Afronte participou do ato ao lado dos coletivos da Oposição de Esquerda da UNE e outras organizações, como o Alicerce e a Resistência Popular.

    É a primeira manifestação de resistência contra essas medidas que retiram nossos direitos históricos. O meio-passe foi implementado há quase 20 anos e, no ano passado, a partir de ação movida pela então gestão do DCE da UFRGS, conseguimos ampliar o direito para domingos e feriados. Marchezan quer agradar a máfia do transporte, seguindo o exemplo do antigo prefeito Fortunati. Precisamos ampliar a mobilização na sociedade para que a façamos como em 2013. É preciso radicalizar nas ideias e nas ações para barrar os retrocessos.

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  • Todo apoio a Ocupação da Câmara, em defesa do Passe Livre e pela Unidade do movimento

    Por Natalia Dias do movimento Afronte, de SP

    Durante as férias dos estudantes o prefake João Doria anunciou mudanças no Passe Livre estudantil, limitando a utilização do benefício e acesso a cidade, principalmente aos estudantes da periferia, que são os mais afetados com a mudança.

    Hoje, 09 de Agosto, UPES e UEE ocuparam a Câmara Municipal de São Paulo contra o pacote de privatizações que vendem nossa cidade, em defesa do Passe Livre. É necessário radicalizar nas ações, e por isso todo apoio a ocupação, que Doria revogue as medidas que cortam o passe livre.

    No entanto, é muito importante que a direção da UNE e UEE tenham uma postura unitária com o restante do movimento secundarista, que construam as ações de maneira aberta e democrática e fortaleçam espaços de decisão como as assembleias secundaristas de São Paulo.

    Não há espaço para de dividir autônomos e organizados, é preciso unidade total na luta em defesa do Passe Livre. Cada escola e cada rua é espaço para nossa luta, com unidade e radicalização nas ideias e nas ações.

    Nessa sexta-feira (11) é dia do estudante e vamos mostrar pro prefeito patrão nossa força no 4º Grande Ato em Defesa do Passe Livre Estudantil, com concentração às 16hrs na praça do Ciclista. Vamos à Luta!

    Calendário:

    Dia do estudante é dia de luta! Participe das atividades nesta sexta-feira (11):
    8h, no vão do MASP: 11 de Agosto – Dia do Estudante Fora Temer!
    https://www.facebook.com/events/1479813378734734/?ti=cl

    16h, na praça do Ciclista: Quarto grande ato contra o corte do passe livre
    https://www.facebook.com/events/1429426157150458/?ti=as

    18h30, no largo São Francisco: Ato político e posse da UEE SP
    https://www.facebook.com/events/724460691086467/

  • Nota coletiva de repúdio à disciplina casa grande

    Publicado originalmente no facebook do DAEA UFMG.

    Belo Horizonte, Julho de 2017

    À comunidade,

    Nós, estudantes do curso de Arquitetura e Urbanismo, representados pelo Diretório Acadêmico da Escola de Arquitetura da UFMG viemos expressar nossa indignação quanto ao racismo e desrespeito contidos no nome e no programa da disciplina de projetos flexibilizados (Pflex) “Casa Grande” ofertada pelo professor Otávio Curtiss.

    Historicamente, a casa grande e a senzala, em hierarquia, sempre se delinearam como pilares da ordem escravocrata no Brasil, estruturada em uma produção latifundiária completamente controlada pelo senhor do engenho, que tentava exercer poder sobre a vida de seus escravos, empregados e moradores. Após 129 anos da abolição da escravidão no Brasil, no entanto, a estrutura escravocrata ainda segue presente no cotidiano brasileiro. Como discutido em diversas disciplinas na EAD-UFMG, o quarto de empregada, por exemplo, tem como origem a segregação escravista. Ele surge como uma solução para separar empregados e patrões que permaneceram vivendo juntos após a abolição, em 1888. Com o crescimento das cidades e a verticalização urbana, as novas soluções de moradia mantiveram soluções arquitetônicas que perpetuam a separação entre patrões e empregados.

    Ao propor um projeto localizado em um condomínio de alto padrão de Nova Lima com a organização de uma zona íntima de 5 suítes com banheiro completo e rouparia e, paralelamente, uma zona de serviço composta de cozinha, lavanderia, despensa, depósito, quartos e banheiros para 8 empregados, o professor Otávio Curtiss incentiva os discentes a projetarem uma casa grande que incorpora a senzala e reforça os moldes de dominação em pleno século XXI. O programa da disciplina, agravado pelo nome, explicitamente fere e desrespeita estudantes que, em diferentes níveis, conseguem subverter a ordem escravista ainda existente no Brasil.

    Sendo assim, questionamos a quem contempla a construção da grade curricular e a arquitetura fomentada pela universidade na formação dos alunos do curso voltada para uma classe elitista, a qual parte dos graduandos da escola de Arquitetura e Urbanismo da UFMG, pretos, pobres e advindos de escolas públicas, não pertencem. Com essa proposta, o professor Otávio Curtiss reforça os padrões sociais que vão ao encontro das estruturas do Brasil Colônia e fogem da realidade da maioria dos indivíduos que compõem a população brasileira, utilizando a proposta da disciplina para justificar a produção de uma arquitetura racista.

    Questionamos também a posição do Departamento de Projetos em permitir a oferta da disciplina uma vez que está explícita as problemáticas do termo e do conteúdo propostos. O racismo institucional presente na Escola de Arquitetura vai de encontro a todos os esforços de inclusão expressados pela UFMG. Mais uma vez, os setores reacionários da universidade estão pouco preparados para receber a diversidade sociocultural do novo perfil de seus estudantes, reforçando suas estruturas racistas e como elas representam uma forma de dominação na sociedade atual.
    Dessa forma, ressaltamos nossa inflexibilidade em aceitar uma disciplina que perpetue o racismo. Exigimos um parecer do Departamento de Projetos em relação à pretensão do professor Otávio Curtiss e à proposta da disciplina, bem como seu cancelamento.

    Diretório Acadêmico da Escola de Arquitetura e Design da UFMG
    Link para PDF > http://bit.ly/2v1Xuk3

  • Afronte nas ideias e nas ações

    Depois de sete dias de votação online e muita expectativa nasce um novo movimento de juventude no Brasil. 1.745 pessoas participaram, entendendo a importância do envolvimento para fortalecer mais um polo na luta e a maioria escolheu o nome AFRONTE. Essa palavra carrega em si o que pretendemos ser. Nosso nome será AFRONTE porque afrontar no dia a dia é construir a resistência pra dar a virada que a gente precisa no Brasil!

    Afrontar Temer e suas reformas!

    Começamos a nos organizar neste ano de ataques brutais, após as experiências das ocupações contra a PEC do TETO e contra o governo Temer. Estávamos obstinados a fortalecer a resistência contra as reformas que jogam nosso futuro na lata do lixo, sem direitos trabalhistas e sem aposentadoria e fizemos parte também das ocupações de escolas e universidades que fortaleceram essa resistência.

    A Reforma trabalhista é um retrocesso tão grande que vai obrigar as mulheres gestantes a trabalhar em local insalubre, diminuir horário de almoço, deixar as negociações correrem “livres” ditadas pelo patrão, entre outras barbaridades, aumentando ainda mais a precarização do trabalho.
    Organizamos junto a diversos setores os comitês pela construção da greve geral do dia 28 de abril lutando pela unidade necessária para resistir aos ataques deste governo ilegítimo. Foram milhares de barricadas país a fora, milhares de piquetes e atos onde a juventude abraçou a classe trabalhadora. Temos orgulho de ter iniciado nossa construção num AFRONTE da classe trabalhadora que foi a greve geral.

    Participamos da Marcha a Brasília de 24 de maio onde afrontamos novamente Temer e o Congresso Nacional, que morreram de medo quando viram que após 4 horas de bombas não arredávamos pé, e chamaram o exército para nos conter.

    Após a aprovação da reforma trabalhista não resta dúvidas que nossa atitude deverá ser a de recuperar as forças e seguir o combate. Agora nesse semestre teremos uma dura batalha contra a reforma da previdência, que vem na verdade para destruir o direito da juventude a ter aposentadoria e que quer nos fazer trabalhar até morrer. Nascemos afrontando Temer e seu projeto de destruir nosso futuro!

    Pra afrontar o capitalismo!

    A situação que vivemos hoje é fruto da degradação de um sistema falido. O capitalismo, longe de ser o sistema que deu certo, é o sistema que hoje leva milhões a imigração forçada, que não são aceitos nos países onde buscam abrigo. É o sistema que impõe mais e mais exploração aos 99%, que resistem dia após dia para não perder o pouco que conquistamos com sangue e suor e sustentam com esse suor o 1% mais rico do mundo. O capitalismo precisa ser afrontado! Essa lógica precisa ser invertida.

    O capitalismo finge empoderar os oprimidos, mas na verdade impõe um verdadeiro genocídio contra os negros, em especial no nosso país que herdou 300 anos de escravidão. A homofobia e mais ainda a transfobia mata todos os dias LGBTS. As mulheres morrem todos os dias vítimas de violência, de abortos clandestinos, a cada 11 minutos em nosso país acontece uma violência sexual.

    Muito tempo se passou acreditando, e muitos ainda acreditam, que é possível mudar a vida do povo na política do “ganha-ganha” onde poderia o 1% e os 99% ganharem ao mesmo tempo. Mas a realidade provou que essa é uma grande utopia. Quando chega a crise os ricos e poderosos radicalizam: não pactuam, mas golpeiam! Os falsos aliados mostram as garras, e como foi com Temer avançam contra nós.

    E pra lutar contra o capitalismo hoje é necessário medidas radicais e estamos dispostos a construir uma alternativa política que defendam essas medidas, como a taxação das grandes fortunas, reforma agrária e urbana, redução da jornada de trabalho sem redução de salário para distribuir o trabalho entre todos os braços, nenhum dinheiro para alimentar os sanguessugas do mercado financeiro que vivem de juros e de supostas dívidas de países como o nosso, e punição de verdade aos corruptos e corruptores, onde os donos das grandes empresas corruptas não sejam premiados, onde operações como a “lava-jato” – que não passa de teatro para distrair o povo e servir aos interesses políticos deste ou daquele setor – sejam desmascaradas.

    Afrontar as opressões!

    O capitalismo lucra com a opressão, lucra em transformar diferença em desigualdade e em superexplorar os oprimidos. Cada salário desigual pela mesma função pago a um negro, a uma mulher ou a um Lgbt, é um lucro direto aos ricos e poderosos. O controle sobre o corpo das mulheres também é lucro pra eles. O racismo institucional que transforma a juventude negra em “suspeitos cotidianos”, que mata e prende por pinho sol ou pipoca na mão de uma criança , é lucro para os ricos e poderosos. A lgbtfobia que coloca trans em empregos precários e muitas vezes escondidos é lucro para os ricos e poderosos. Afrontar o racismo, a lgbtfobia e o machismo é também afrontar esse sistema. Apesar dos ataques, nos últimos anos houve um verdadeiro protagonismo desses setores na luta, tanto nas lutas contras as opressões, quanto na luta contra a retirada de direitos, pois sabemos que quando os direitos são retirados, os primeiros a sofrerem são os setores oprimidos. Organizar esse exército de afrontosas e afrontosos é essencial para nosso movimento.

    Afronte na luta!

    Afrontar é verbo, é ação. Somos a juventude afrontosa, que desafia o desgoverno de Temer.

    Afrontar é revelar a urgência de um movimento combativo. É declarar que não haverá paz até que acabe o extermínio da juventude negra nas periferias.

    Afrontar é mostrar que não andaremos de cabeça baixa. Em um dos países que mais mata mulheres e LGBTs no mundo, nós resistimos e lutamos.

    Se nos querem calados, nós gritamos. Nós produzimos eventos culturais nas cidades, fazemos cursinhos populares… Utilizamos todas as armas que retirem de nós a mordaça a opressão.

    Afrontar é montar barricadas junto com os movimentos sociais, em defesa dos nossos direitos. É também ocupar as entidades estudantis de maneira democrática para que elas sejam nossos instrumentos de luta.

    AFRONTE É GUERRA contra os senhores. AFRONTE é organização dos debaixo contra os de cima. AFRONTE é força que nasce na unidade e na ação direta contra o capitalismo.