Alerta da Capes e declarações de Alckmin: A produção do conhecimento em perigo

Por Gibran Jordão, do RIo de Janeiro (RJ)

Essa semana duas declarações de peso apontam que o futuro da pós-graduação pública e gratuita no país está ameaçado. Ou seja, o futuro da produção de pesquisa e conhecimento no Brasil pode retroceder e ter seu acesso ainda mais restrito.
A primeira grave declaração da semana foi no dia 01 de agosto. O conselho superior da CAPES publicou um ofício assinado pelo seu presidente, Abílio Baeta Neves, ao ministro da Educação alertando que os cortes promovidos pelo governo Temer no orçamento do MEC são graves. Vão levar a suspender bolsas de 93 mil pesquisadores, inviabilizando também milhares de bolsas de iniciação científica e também suspendendo programas de qualificação de professores. Caso tal processo não se reverta, a produção e reprodução de conhecimento no país viraria terra arrasada.
O professor Abílio Baeta foi nomeado em junho de 2016 por Temer, e os integrantes do conselho superior da CAPES também são gente de confiança política do atual governo. Isso significa que os próprios indicados por Temer estão desesperados e estão alertando sobre a catástrofe que poderá acontecer com a pós-graduação. Não é nenhuma organização de esquerda ou sociedade científica externa ao governo que está fazendo tal denúncia.
Mas as ameaças que visam destruir as oportunidades de milhares de brasileiros terem o direito de ingressarem na pós-graduação pública e gratuita não param com o alerta do conselho superior da própria CAPES.
Na noite dessa quinta-feira, 02, o presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB), ao ser perguntado na sabatina da Globo News se uma das soluções para o ensino superior seria o fim da gratuidade, respondeu:
“O primeiro caminho que eu vejo é cobrar a pós-graduação, porque nem a pós-graduação ela é paga. Eu acho que é o primeiro passo que eu daria, seria toda pós-graduação ser cobrada”
O presidenciável disse que seria o primeiro passo. Isso significa que outros passos seriam dados com o objetivo de acabar com a gratuidade do ensino superior público em nosso país. Um presidenciável preocupado com o fortalecimento da soberania de nosso país não proporia o fim da pós-graduação pública e gratuita. O correto é o fim da Emenda Constitucional 95, que restringe os investimentos em educação por 20 anos. E o eleitor que quiser dar um voto soberano, precisa votar contra todos os partidos que ajudaram a aprovar a PEC do fim do mundo, hoje Emenda Constitucional 95.
Se formos atentos na análise, as duas declarações têm origem na mesma fonte. O presidente da Capes é indicado por Temer. E Geraldo Alckmin é um tucano, do PSDB, partido que apoiou ferozmente o impeachment e compõe o governo Temer. É possível extrair daí a conclusão que nem PMDB e nem PSDB com os corruptos do “centrão” são alternativas para um país que precisa produzir conhecimento e democratizar o acesso a pesquisa para fortalecer nossa independência e soberania diante das grandes nações imperialistas. Só é possível agregar valor em tudo que uma nação produz se houver investimentos com prioridade na produção de conhecimento. Conhecimento é poder, e se destruir e restringir o acesso a pós-graduação for a política vigente, nosso futuro como colônia está cada vez mais próximo.
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