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  • O que significa o álbum “Sobrevivendo no Inferno” no vestibular na Unicamp?

    A notícia da inclusão do álbum “Sobrevivendo no Inferno”, dos Racionais MC’s, como obra obrigatória para o vestibular da Unicamp, uma das universidades de ponta do País, repercutiu nesta semana. E não é para menos.

    Os vestibulares são um dos filtros de segregação social mais excludentes. Segundo a PNAD-IBGE 2016, apenas 15% da população possui ensino superior, sendo que apenas 15% desse total corresponde às universidades públicas. A grande maioria dos jovens está fora das faculdades e a maior parte dos que estão dentro sofre com um ensino massificado de péssima qualidade imposto por grupos educacionais como o Kroton-Anhanguera que tem como objetivo apenas seus lucros e não a educação.

    Isso se torna ainda mais grave quando levamos em conta que num país de 54% da população negra apenas 13% dos estudantes do ensino superior são negros. Em 1997, na faixa “Capítulo 4, versículo 3” ´é dito que “nas universidades brasileiras, apenas 2% dos alunos são negros”. Apesar da mudança trazida pela conquista das cotas pelo movimento negro, a realidade ainda é alarmante.

    Para além disso, as provas em si costumam valorizar certos tipos de conteúdos. Em geral, quando trata-se de literatura nacional é a literatura branca, lida pelas classes dominantes de tempos passados, salvo exceções. É muito idealista dizer que a inclusão de Racionais no vestibular da Unicamp tornará aquele vestibular menos excludente. O que pode ocorrer de fato é mais um passo no reconhecimento deste tipo de arte, o Rap Nacional, estigmatizado pela mídia tradicional e pelas classes dominantes, por colocar de fato os dedos nas feridas do Brasil, trazer os problemas sociais à tona, dialogando com milhões de brasileiros que ouvem este tipo de música.

    O Rap é um produto da cultura Hip Hop, relativamente recente no mundo por ter surgido nos anos 70. Enquanto ritmo o Rap é considerado o mais ouvido no mundo todo e por alguns pesquisadores também o mais influente. Originalmente localizado na luta contra o racismo, passa a falar de cada vez mais temas. A mistura de ritmo e poesia serve para transmitir uma mensagem, para agitar uma festa, ou mesmo ser um TCC, como Obasi Shaw fez em Harvard no ano passado obtendo título de honra.

    Mesmo assim, não basta reconhecer este tipo de arte se não levar em conta sua mensagem, que fala de um país com muitos problemas sociais causados pelos baixos investimentos em educação. Problemas esses que só podem ser superados com investimentos grandes na área, para que um dia a arte negra e da periferia não seja apenas reconhecida, afinal isto é o mínimo, mas também para que os problemas que traz sejam respondidos.

  • Banco Mundial recomenda salário mínimo menor para a juventude

    Alexandre Aguena*, de Niterói (RJ)

    O Banco Mundial divulgou um relatório no mês de março recomendando políticas para elevar a produtividade da economia brasileira, que estaria crescendo em marcha lenta. A lenta retomada da economia traz para o primeiro plano reclamações como “alto custo Brasil” e “leis trabalhistas rígidas”. As tímidas conquistas sociais obtidas pelos trabalhadores, como as leis trabalhistas, vão sendo retiradas. Dizem que é necessário, acima de tudo, salvaguardar o emprego e para isso, é preciso modernizar e flexibilizar as regras de contratação.

    Em meio a uma série de políticas, que incluem redução do salário mínimo, fim do abono salarial e concessão de seguro-desemprego apenas em raríssimos casos, o Banco Mundial produziu um documento com políticas específicas para a juventude, batizado de “Competências e Empregos: Uma agenda para a juventude“, cuja principal medida é a criação de um salário mínimo legal com valor reduzido para jovens (até 29 anos). O documento busca exemplos bem sucedidos de locais onde esta política foi posta em prática, mas limita-se a relatar que, nos poucos países onde foi aplicado, o “resultado da experiência foi misto”. Ou seja, o Brasil serviria de laboratório para esta medida.

    Jovens trabalhando sob condições adversas e recebendo abaixo do piso salarial são uma realidade no Brasil, ainda mais por conta dos efeitos do desemprego e das contrarreformas, da crise econômica e do golpe parlamentar. Atualmente, 55% dos jovens estão “desengajados” (nem estudam e nem trabalham ou estão no setor informal, ou só estudam mas estão atrasados). Este percentual foi de 62% em 2004 vinha caindo ou mantinha-se estável até 2015, quando voltou a subir.

    O relatório aponta que da população ocupada entre os 18 e 24 anos, 49% estão em empregos informais (tabela 1), ou seja, praticamente a metade. A empregabilidade para os jovens também é adversa, a taxa de desemprego atinge quase 20% considerando a faixa de 15-29 anos.

    Fonte: Competências e Emprego: uma agenda para a juventude: Banco Mundial.2018, p. 22.

    Fonte: Competências e Emprego: uma agenda para a juventude: Banco Mundial.2018, p. 22.

     

    Fonte: Competências e Emprego: uma agenda para a juventude: Banco Mundial,2018, p.23.

    Fonte: Competências e Emprego: uma agenda para a juventude: Banco Mundial,2018, p.23.

    Isso significa uma juventude ocupando posto irregulares, temporários e informais. Em 2015, a informalidade voltava a se aproximar do percentual de jovens com vínculo formal (tabela 2).

    A solução apresentada pelo relatório é transformar uma maior exploração sobre a juventude em lei. Para isso, propõem um salário mínimo especial para os jovens, logicamente, abaixo do salário mínimo comum.

    Ao mesmo tempo chamam a juventude a compactuar com destruição da regulamentação do trabalho e com as terceirizações, sob o verniz de “maior flexibilidade” para os horários de trabalho. Assim transformam derrotas em vitórias para “aumentar o emprego” entre os jovens e “reduzir a informalidade”. Ou melhor dizendo: formalizar a superexploração dos jovens.

    Crescimento do Apartheid social
    Cruzando com dados da PNAD contínua do IBGE(3) não é muito difícil de concluir que no Brasil a proposta do Banco Mundial para a juventude tem um público alvo específico: a juventude negra. Agrupando os dados por raça percebe-se que há uma clara desigualdade. Pessoas que se declaram negras enfrentam taxas de desemprego mais altas.

    No último trimestre de 2017, enquanto a taxa de desocupação para brancos era de 9,5%, para negros era de 14,5%.

    Fonte: IBGE: PNAD, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, PNAD Contínua.

    Fonte: IBGE: PNAD, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, PNAD Contínua.

    Quanto ao rendimento médio também há um abismo. No  quarto trimestre de 2016, auge da crise, o rendimento médio do trabalhador negro era de R$ 1.461 enquanto de um trabalhador branco R$ 2.660, segundo a PNAD Contínua:

    Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, PNAD Contínua.

    Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, PNAD Contínua.

    Segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas, as mulheres negras, moradoras de cidades do interior do Norte e Nordeste, com até 24 anos e com menos de quatro anos de estudo são as mais vulneráveis ao trabalho informal. O discurso do Banco Mundial pode parecer mais tentador para essa juventude. Porém, ao invés de garantir emprego digno para todos e todas, independentemente de cor ou raça, democratiza-se postos de baixa remuneração, temporários e sem direitos.

    Baratear o custo da força de trabalho pelos métodos mais criativos não é algo moderno. A utilização do trabalho infantil e juvenil na indústria sob condições precárias, também, não é algo do capitalismo moderno. O motivo é simples: ao invés de pagar um salário digno para uma trabalhadora ou trabalhador sustentar a si próprio e sua família, os benfeitores da indústria contratam a família inteira com salários menores. Ganham mais braços para trabalhar a menor custo unitário e, para o bem de todos, garantem o sustento da mão de obra para hoje e para o futuro.

    O problema é que a juventude de hoje será os trabalhadores plenos de amanhã, que trabalharão sob novas condições com a consolidação da reforma trabalhista. Com menor regulamentação, salários menores e piores condições. A juventude precisa de um horizonte de futuro digno, algo difícil de vislumbrar com a ofensiva sobre os direitos trabalhistas e de aposentadoria. Até mesmo o presente está em risco, já que pagar menos pela contratação de jovens está virando política pública.

    * Alexandre Aguena é estudante de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF) e militante do coletivo Afronte!

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  • Secretário de Educação do RS diz que se arrepende de não ter fechado mais escolas

    Por Lucas Fagundes, Porto Alegre, RS

    No dia 26 de fevereiro, o secretário de Educação do Rio Grande do Sul foi extremamente infeliz numa entrevista ao jornal Zero Hora. O Sr. Ronald Krummenauer que, de excelentíssimo não tem nada, disse com todas as letras: “Me arrependo de não ter fechado mais escolas”. Vejam só, seguindo a lógica, os secretários são nomeados pelo governador do Estado para que “tomem conta” de determinada área do Estado. Ou seja, o grande responsável pela educação do RS afirma, no maior veículo de informação do Estado, que, devido à baixa taxa de natalidade e ao menor número de matrículas nesse ano, o ideal é que se fechem escolas.

    Nada melhor pra começar tratando desse assunto do que entender quem é o secretário. Ronald fez vários cursos sobre economia pelo Brasil e pelo mundo, um ou dois sobre educação, também já fez parte do governo de Tarso Genro e desde 2006 é um dos empresários empenhados em construir o Agenda2020, um programa bancado por empresários do RS que usam “indicadores e estatísticas sociais” para oferecerem a sociedade soluções e “novas saídas” aos problemas do estado.

    O ajuste de Temer após o golpe que se consolidou em julho de 2016 foi uma carta verde pra que os governadores aprovassem projetos que tinham impacto a longo prazo e aqui não foi diferente. No fim de 2016 nós tínhamos a PEC do Teto de Gastos aprovada e a reforma do Ensino Médio seria aprovada dois meses após. E, no RS, Sartori vendia, dentro da Assembleia Legislativa, cercada por policiais militares, várias das fundações públicas como a FEE, a Fundação ZooBotânica. Enfim, uma verdadeira covardia com os servidores púbicos.

    A educação precisa ser tratada como prioridade máxima em todos os cantos do Brasil. Se hoje temos um sistema carcerário em decadência e extremamente degradado é também pelo descaso com a educação. Fechar ou construir escolas não se trata de uma questão estatística. Escola se constrói sempre, mas antes é preciso manter as escolas construídas funcionando e com qualidade.

    A saída mais inteligente e humana é colocar o aluno dentro da escola, com uma merenda adequada, professores valorizados e bem remunerados,  com infraestrutura de qualidade ou prender e matar nas vielas das cidades? As greves dos professores, que desde 2013 têm crescido em quantidade aqui no RS, nos mostram que a classe quer mudar, a classe necessita de algo diferente quando se pensa em educação. Todos envolvidos desde a porteira até o aluno que senta no fundo da sala, todos são atingidos pela precariedade da educação do Estado.

    É preciso que olhemos para os nossos estudantes como o verdadeiro futuro do nosso País, como dizem os tais “cidadãos de bem”. Não precisamos fechar escolas, a gente precisa abrir as mentes! É importantíssimo, ainda mais num ano de eleições no nosso país e no estado, que saibamos quem colaborou para que as escolas piorassem desde 2014 pra cá, quem colaborou para que os investimentos e verbas fossem desviadas. Precisamos estar alertas. Não temos mais como confiar em quem diz que Educação é mercadoria e muito menos reeleger aqueles que destruíram as escolas, hoje apoiam o parcelamento dos salários e, ainda por cima, se dizem representantes do povo.

    A nossa saída é uma só. Unidade pra defender a educação de qualidade de Norte a Sul do País. Seja nas ruas, nas escolas, nas casas, enfim, o que importa é resgatarmos o mais rápido possível a consciência do povo que ainda acredita na educação como a solução pra muitos dos problemas do nosso país. Precisamos de novos rumos para a educação brasileira

  • Havia uma pedra no meio do caminho

    Por: Israel Marques*

    “[…] no meio do caminho da educação havia uma pedra
    E havia uma pedra no meio do caminho”
    (Criolo – Duas de Cinco)

    Terça-feira, 6 de fevereiro de 2018: o dia em que me matriculei em uma universidade pública

    A priori, alguns podem pensar que é algo comum para um jovem de 18 anos. Só alguns, muito poucos. Uma esmagadora parcela da população brasileira não possui o direito de tratar esse fato como algo comum, pois sequer possui o ensino fundamental completo, quem dirá saber o que é chegar a um processo seletivo do Ensino Superior, que possui mais de 8 milhões de estudantes, dos quais apenas quase 2 milhões estudam em universidades públicas (segundo o MEC) – isso tudo em um universo de mais de 200 milhões de habitantes.

    Historicamente, as elites brasileiras detiveram as vagas das melhores universidades do país, deixando para a maior parte da população, isto é, as camadas mais pobres, a ausência/falência da educação. Enraizou-se no Brasil a hegemonia de uma cultura educacional elitista, perpetuando relações sociais baseadas no preconceito, na exploração, na desigualdade, etc. Por conta disso tudo, em 2017, existiam 12,9 milhões de analfabetos no país, segundo o IBGE; o mesmo instituto relatou no mesmo ano que 52% da população tinha apenas o ensino fundamental completo, escolaridade que é insuficiente para sobreviver em um país que exige profissões com boas escolaridades e que mesmo assim possui um baixo salário.

    De fato, o governo petista, com seu programa “democrático popular” (PDP), conseguiu consolidar projetos que possibilitou para muitos jovens a entrada em uma universidade pública e gratuita – local que na maior parte da história pertenceu à elite -, mudando a realidade de muitas famílias brasileiras. Infelizmente, essa já realidade não chega a todos. A educação básica pública no Brasil é precária e sucateada (como sempre foi), fazendo com que milhões de crianças e adolescentes abandonem a escola e escolham as subalternativas, perenizando os dados já citados: analfabetismo, exploração, desigualdade, violência, etc.

    Com efeito, para tentar mudar a situação da educação do país e também para se contrapor ao PDP  do governo do PT, o governo golpista de Michel Temer usou no seu pacote de reformas a Reforma do Ensino Médio, que é um proposital trabalho de enxugar gelo. A tal reforma nada muda a situação escolar, pelo contrário, faz com que muitos jovens enxerguem mais distante o sonho do Ensino Superior. A falta de verbas, a péssima estrutura e um plano educacional falido de nada irão servir para uma mudança no plano dessas ideias. A reforma só apresenta os interesses dos empresários: mão-de-obra e exército de reserva, pois está claro na reforma a modalidade do ensino técnico. Ora, estudar em tempo integral no ensino técnico, não se preparando para os vestibulares, é óbvio que deixa milhões de estudantes longe do ensino superior, restando apenas o árduo trabalho da também Reforma Trabalhista.

    Me resta agora, sendo jovem de uma geração que ocupou escolas e também universidades, que participou de duas greves gerais e que se preocupa com as causas sociais, lutar por uma educação pública e gratuita voltada para as camadas populares. Acredito que a organização popular é extremamente importante em momentos de retirada de direitos como o qual vivemos. A inserção na política e nos debates que nos interessam é essencial. Nosso dever é retirar do meio do caminho as pedras que impedem as nossas conquistas e os nosso direitos.

    *Israel Marques é recém aprovado na Universidade Federal do Ceará, ex-estudante de escola pública e ocupou sua escola em 2015, quando então tornou-se militante da Nova Organização Socialista.

  • Ocupação por moradia estudantil completa um mês em Goiás

    Estudantes permanecem ocupando prédio da UFG em Catalão (GO)

    No dia 20 de novembro, estudantes ocuparam o prédio administrativo da Universidade Federal de Goiás na cidade de Catalão (GO). Eles exigem que a universidade faça uma licitação para iniciar a construção da Casa do Estudante (CEU), cumprindo assim um acordo assinado no ano passado que estabelecia o mês de agosto como prazo para a licitação. O movimento estudantil, que já havia conquistado o terreno para a construção da moradia, reivindica ainda transparência em relação aos recursos do PNAES (Programa Nacional de Assistência Estudantil) da universidade.

    No dia 06 de dezembro, a Reitoria da UFG enviou um memorando para a direção da Regional Catalão, no qual pede aos estudantes a desocupação imediata do Bloco Administrativo da Regional. No documento, informou que aguardava ainda a anexação da escritura do terreno doado pela Prefeitura e que o edital de licitação deve ser publicado em dezembro. A escritura foi assinada no dia 01 de dezembro, após a ocupação, e os estudantes afirmam que os procedimentos para a licitação poderiam ter sido feitos sem a escritura.

    Os estudantes publicaram uma nota, na qual avaliam que “o memorando da Reitoria não nos traz nenhuma resposta concreta (…) e portanto não confiaremos na boa vontade manifestada por meio de notas e públicas e declarações públicas”. E reafirmam a disposição de lutar e resistir. “Vamos permanecer morando aqui e construindo nossa campanha de luta e conscientização sobre o que representa a construção desta Casa em meio a um cenário nacional de crise política e social profundas”.

    A ocupação recebeu a solidariedade de várias entidades, partidos e organizações. O PSOL Catalão publicou uma nota na semana seguinte à ocupação, na qual recorda que a luta pela moradia estudantil na UFG é travada há 30 anos e destaca “a importância da luta pela democratização da educação, através do acesso e cumprimento de políticas públicas que garantam a permanência dos/as jovens, principalmente de baixa renda, no ensino público superior, cada vez mais elitizado e excludente graças ao desmonte promovido pelo governo ilegítimo.” Em nota, o Coletivo Quilombo destacou que a juventude negra é o setor mais afetado pela falta de assistência aos estudantes pobres. Diretórios Acadêmicos, Associações Atléticas e o Coletivo (R)Existência Transviada também publicaram declarações de apoio e solidariedade.

    Da redação, com informações do Ocupa Catalão.

     

  • DCE liderado pela direita frauda estatuto e tenta golpe na PUC-RS

    Por: Denis Brum e Caetano Branco, de Porto Alegre, RS.

    A atual gestão do Diretório Central de Estudantes (DCE) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) formada pelo PMDB, PSDB e LIVRES acaba de fraudar o estatuto da entidade. Estes grupos e partidos políticos desrespeitam não só o estatuto, mas democracia estudantil com o objetivo de impedir que haja eleição para o DCE ano que vem. Ao contrário do que dizem nas redes sociais, nas propagandas eleitorais e nos discursos, os “liberais” na prática são autoritários que fazem de tudo para manter o poder e os privilégios. Esses legítimos herdeiros da “Máfia do DCE da PUC/RS” manobram, escondem, fraudam e mentem para bloquear a participação dos estudantes. Não temos outra conclusão: o fazem por medo de que havendo manifestação dos estudantes sejam rejeitados e tenham que sair da direção da entidade.

    Conforme o estatuto do DCE da PUCRS, até novembro deste ano deveria ser convocada uma Assembleia Geral de estudantes para formar uma comissão eleitoral. Esta comissão ficaria encarregada de organizar e dar caráter legal e democrático às eleições do ano seguinte. O estatuto prevê três formas para a convocação da Assembleia Geral:

    I- Através do CEB (Conselho de Entidade de Base), onde existe a reunião de todos os centros e diretórios acadêmicos da universidade;
    II- Convocação da Assembleia pelo DCE, na falta do chamamento via CEB;
    III- Através de um pedido protocolado juntamente ao DCE com aval de 1% do corpo discente da universidade, ou seja, um abaixo assinado com 1% dos estudantes.

    Contrariando completamente o estatuto, a atual direção do DCE não convocou a Assembleia Geral, mesmo que ela não tenha sido convocada pelo CEB – devido a desestruturação de boa parte dos CA’s e DA’s, que também refletem o movimento estudantil na universidade nestes últimos semestres. O DCE deveria, na falta do CEB e conforme o estatuto, ter ele mesmo convocado a Assembleia Geral. Fato que não ocorreu na atual gestão, sinalizando um total descumprimento do estatuto da entidade.

    Além da não convocação da Assembleia, na última quinta-feira (30/11) os estudantes foram surpreendidos por uma convocação para uma reunião de centros e diretórios acadêmicos a fim de discutir o processo eleitoral. A reunião não foi informada corretamente a todos os DA’s e CA’s e apenas divulgada e assinada pelos diretórios que curiosamente apoiam a atual gestão. Se não fosse tudo, na tarde/noite do dia 5 de dezembro, data marcada para a reunião, fomos informados que o estatuto do DCE havia sido destituído pela atual gestão que criou um novo com os seguintes erros que configuram um verdadeiro golpe:

    – Alteração do estatuto do DCE SEM UMA ASSEMBLEIA ESTATUTÁRIA E SEM RESPEITAR O ESTATUTO ANTERIOR;

    – Visando atender seus interesses, o novo estatuto prolonga a gestão POR DOIS ANOS (ou seja, a gestão da atual da Eclipse foi estendida por UM ano);

    – Extingue o conselho de entidades de base, e cria-se um organismo em qual o “presidente” do DCE é o próprio coordenador.

    A PUCRS foi cenário de grandes lutas do movimento estudantil contra a antiga Máfia que dominou por cerca de 20 anos a universidade, impedindo o processo democrático e LIMPO das eleições. Em pleno 2017, a organização mostra sua cara novamente, agredindo pessoas e tentando a todo custo se manter no poder.

    Após a notícia do estatuto fraudulento, um grupo de cerca de 40 estudantes dos mais diversos cursos se mobilizou para exigir que a reunião tivesse caráter democrático e garantisse a participação de todos os associados do DCE, ou seja, todos os estudantes devidamente matriculados na PUCRS. A gestão ECLIPSE não só impediu a entrada dos estudantes como também não deixou que os advogados dos Centros Acadêmicos acompanhassem (direito garantido por lei), de forma que só conseguiram a entrada após muita pressão e empurra-empurra, onde integrantes da atual gestão usaram de força e agrediram a advogada do CAAP (Centro Acadêmico Arlindo Pasqualini, da Famecos) na tentativa de impedir sua entrada. Ao término da “reunião”, os CA’s e DA’s exigiram que sua documentação entregue na entrada da reunião fosse devolvida, o que não ocorreu e configurou o SUMIÇO de documentos das entidade (estatutos) e também de pessoas físicas que representavam as mesmas (cópias de RG). Foi registrado boletim de ocorrência por FURTO e ainda é aguardado o aparecimento da documentação que foi recolhida por membros da gestão Eclipse do DCE na entrada da reunião.

    Desta forma, ficou explicitamente caracterizado um GOLPE em curso dentro do DCE, sendo de suma importância a mobilização de todos e todas que minimamente desejem uma universidade democrática e eleições limpas no DCE. O golpe é sorrateiro e sujo, mas com nossa mobilização e força enquanto estudantes podemos denunciar e impedir que ele ocorra. Todos e todas à reunião no CAAP nesta quarta-feria 06/12 às 18h.

    MÁFIA NUNCA MAIS, FORA GESTÃO GOLPISTA!

    Para saber mais sobre a Máfia do DCE da PUCRS, disponibilizamos o link do blog do Movimento 89 de Junho, que destituiu a Máfia através de várias manifestações entre 2011 e 2013.

  • Estudantes ocupam ruas contra Marchezan (PSDB), em Porto Alegre

    Por: Afronte-RS

    Na manhã desta sexta-feira (11), o tradicional protesto do Dia do Estudante, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, teve como principal reivindicação a não implementação do decreto expedido no mês passado, que restringe o direito ao meio-passe estudantil, junto com o fim da isenção para professores e idosos no transporte público municipal.

    Os protestos começaram com o trancaço realizado por estudantes da UFRGS numa das principais vias da região Central. Os estudantes ocuparam a Av. Sarmento Leite por volta das 6h e permaneceram até a Brigada Militar dispersar o movimento com bombas de gás e efeito moral, por volta das 7h.

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    A partir das 9h, milhares de estudantes se concentraram em frente à Escola Estadual Parobé e partiram em marcha até a Prefeitura. Dezenas de ônibus vieram de todas regiões da cidade no ato organizado pela UMESPA, UEE Livre, UNE, UBES e diversos Grêmios e Centros Acadêmicos. O Afronte participou do ato ao lado dos coletivos da Oposição de Esquerda da UNE e outras organizações, como o Alicerce e a Resistência Popular.

    É a primeira manifestação de resistência contra essas medidas que retiram nossos direitos históricos. O meio-passe foi implementado há quase 20 anos e, no ano passado, a partir de ação movida pela então gestão do DCE da UFRGS, conseguimos ampliar o direito para domingos e feriados. Marchezan quer agradar a máfia do transporte, seguindo o exemplo do antigo prefeito Fortunati. Precisamos ampliar a mobilização na sociedade para que a façamos como em 2013. É preciso radicalizar nas ideias e nas ações para barrar os retrocessos.

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  • ‘Surge novo movimento de jovens anticapitalistas’ – Vic, diretora de Movimentos Sociais da UNE

    Por: Victoria Ferraro, a Vic, diretora de movimentos sociais da UNE

    “A vida é bela, que as gerações futuras a limpem de todo o mal, de toda opressão, de toda violência e a gozem plenamente”. (Leon Trotsky)
    “O tempo é roído por vermes cotidianos. As vestes poeirentas de nossos dias, cabe a ti, juventude, sacudi-las”. (Vladimir Maiakovski)

    Desde ontem (18), se iniciou no Facebook uma discussão feita por centenas de jovens querendo saber qual o melhor nome para o novo movimento de jovens anticapitalistas e marxistas que está surgindo. A votação do nome é o fim de um ciclo que se iniciou com a construção da tese Pra Virar o Jogo ao 55º CONUNE. Uma tese construída a partir de muito esforço de diversos ativistas do movimento estudantil espalhados em cada região do país, que compuseram, junto com outros coletivos de juventude, a Oposição de Esquerda da UNE e estiveram nas lutas desde o ano passado contra os ataques de Temer. 

    Entramos agora em uma nova fase do nosso movimento, queremos colocar nosso bloco na rua e elaborar um programa que responda aos anseios da juventude brasileira. Somos jovens que estão na rua lutando contra os ataques ao nosso futuro, mas sem perder de vista a necessidade do estudo e da formação marxista.

    Nós Afrontamos os padrões impostos pela sociedade capitalista. Somos LGBTs, Negras e Negros, Mulheres, dizendo que toda forma de amor vale a pena, que vidas negras importam, e que temos o direito de fazer o que bem entendemos com os nossos corpos.

    Afrontamos também as velhas práticas no movimento estudantil. Dizemos que precisamos radicalizar na forma e nas ideias. Chega só de acordos entre as correntes e reuniões intermináveis que afastam os estudantes do movimento. Queremos um movimento que priorize o que é melhor para os estudantes e para nossas lutas, e não a auto-construção das organizações. Queremos um movimento que se aprofunde nas discussões, que faça os estudantes se apaixonarem pela possibilidade de que, através do movimento estudantil organizado, junto com os trabalhadores, consigamos transformar nosso futuro.

    São tempos de Resistência contra os ataques e a ofensiva dos de cima contra os de baixo. Trump nos EUA, Macri na Argentina, Macron na França, May no Reino Unido e Temer no Brasil são alguns dos representantes do capital que através desses governos planejam aprofundar cada vez mais o nível de exploração e opressão dos trabalhadores e da juventude.

    No Brasil, a Reforma Trabalhista acaba de ser aprovada, junto com um pacote que já conta com a Reforma do Ensino Médio e a PEC 55, que congela todo o investimento nos serviços públicos. E ainda querem no ano que vem aprovar a Reforma da Previdência. Nosso futuro está completamente ameaçado, corremos o risco de ter que trabalhar 12 horas por dia até morrer. A tarefa histórica da juventude brasileira frente a esses ataques é Resistir, para que consigamos Virar o Jogo e impor o que realmente queremos para nosso futuro.

    Mas, para dar essa Virada é preciso ser radical e, por isso, somos Anticapitalistas. Somos aqueles que se indignam quando olham para a pobreza e a situação da população de rua nas grandes cidades, quando ouvimos piadinhas LGBTfóbicas nas festas da família, quando as mulheres não podem andar na rua sozinhas à noite por medo de serem estupradas, quando temos que pagar caro na passagem de ônibus enquanto ganhamos uma miséria no estágio, quando percebemos que o maior beneficiado com nosso trabalho é o patrão e não nós mesmos. Tudo isso que nos indigna é culpa do capitalismo e queremos acabar com esse sistema que nos oprime e explora.

    Brincadeiras e piadas à parte, estamos juntos na construção desse movimento, independente de seu nome. Propusemos a votação online para começarmos inovando nas práticas. Queremos que o máximo de pessoas possam participar disso junto com a gente.

    Para participar é só entrar no link

    Afronte? Virada? Resistência? Essas são as três opções de nome. Vote no que achar melhor e seja feliz! Venha construir esse novo movimento!

    Grupo do movimento
    Página do movimento
    Evento de participação
    Link de votação

  • Novo coletivo de juventude lança campanha virtual para escolha de nome

    Da Redação

    Resistência? Afronte? Virada? Está surgindo um novo movimento de juventude anticapitalista no Brasil e essas são as opções para o nome do novo coletivo. O movimento surge a partir dos assinantes da tese Pra Virar o Jogo, que participou pela primeira vez do 55º Congresso da União Nacional dos Estudantes este ano. O ousado do grupo é que deixaram a decisão aberta para qualquer um que queria participar. A votação é feita pelo site Pra Virar o Jogo e se encerra na próxima terça-feira, 25 de julho.

    “A partir do encontro nacional dos assinantes da tese ‘Pra Virar o Jogo’ defendida no último congresso da UNE, surgiu a determinação de conquistar mais pessoas dispostas a somar forças anticapitalistas para agir de maneira unificada em busca de transformações sociais”, explica o grupo na página da campanha.

    Apesar dos integrantes serem em maioria estudantes de escolas e universidades, o novo movimento de juventude afirma pretender ultrapassar os muros do movimento estudantil.  “Somos jovens, mulheres, negras e negros, LGBTs, periféricas, trabalhadoras que têm o sonho e a garra para construir um novo mundo: livre da exploração e de todas as opressões. Para isso, queremos construir um novo movimento de juventude com a coragem para radicalizar nas ideias e nas ações”, afirmam.

    Assistam no vídeo

    A campanha pela decisão do nome iniciou na noite desta segunda-feira (17). De forma presencial, está chegando às escolas, universidades e demais espaços onde os membros do coletivo já atuam.

    E a partir da rede social Facebook, ganhou tom irreverente, com defesas da concepção de cada um dos nomes, produção de memes e até twibbons que são adicionados aos perfis.

    Quer participar?
    Para escolher o nome desse movimento, a votação é online.
    Grupo do movimento
    Evento de participação
    Link de votação

  • Minha primeira greve geral e os desafios da juventude

    Por: Priscilla Costa, de Salvador, BA

    Escrevo esse texto com um certo atraso, talvez do ponto de vista da data, mas não do peso histórico do fato. A essa altura, muitas análises e opiniões sobre a greve geral do dia 28 de abril já foram feitas por parte das mais distintas referências: centrais sindicais, a grande mídia, diversos ativistas com seus textões de facebook, sociólogos, historiadores, entre outras abordagens. O dia 28 entrou para a história e foi assunto não só no Brasil, mas também no mundo. Segundo muitas fontes, a expectativa é de que tenha sido a maior greve geral da história do país. E, pela extensão territorial brasileira, há a possibilidade de que esteja também entre uma das maiores do mundo.

    Na data, vivemos grandes manifestações em todos os estados, contabilizando protestos em 254 cidades, desde as capitais, até as pequenas cidades do Interior, o que comprova a abrangência da luta contra as reformas da Previdência e Trabalhista. É praticamente incalculável o número de trabalhadores que pararam suas funções. Além do setor de transporte, paralisaram os trabalhadores dos bancos, escolas, indústria e comércio.

    Combinado às paralisações, tiveram também os numerosos atos de rua. Escrevo de Salvador, Bahia, aonde foi expresso um dos atos de maior número. Ao todo, foram 72 mil pessoas, segundo boletim informado pela PM-BA, mesmo sem transporte público funcionando. A maior manifestação de rua na capital baiana desde as jornadas de junho de 2013.

    Para quem viveu o momento e construiu o dia não há dúvidas: entramos para os livros de história e contaremos esse dia para as próximas gerações com orgulho.

    É preciso um novo junho, à esquerda e radical
    No próximo mês, completaremos exatamente quatro anos de uma das maiores manifestações marcadas pela juventude brasileira: junho de 2013. O próximo junho virá diante de um cenário de retirada de direitos e em tempos de figuras como Trump, Bolsonaro e Temer. O atual presidente brasileiro tem o governo mais impopular da história do Brasil. As últimas pesquisas mostram que a grande maioria da população está contra Temer e suas reformas.

    Também não é novidade que ele não se importa nem um pouco com o apoio popular e tem pressa em aprovar as reformas que só favorecem a elite dominante do nosso país, como a lei da terceirização, PEC 55, entre outros exemplos.

    Junho de 2013 mostrou o potencial que as lutas têm de fazer tremerem as estruturas das classes dominantes do país. Mas, também mostrou que uma luta sem horizonte bem definido pode se dispersar e retroceder na oportunidade histórica de fazer mudanças. O dia 28 de abril trouxe uma nova lição: mostrou a importância das bandeiras que estão do lado da classe trabalhadora e da juventude, dos sindicatos, da esquerda, movimentos sociais e da unidade entre os que lutam para organizar a resistência.

    Ocupar Brasília e construir uma nova greve geral
    Estamos diante de um cenário em que muita gente se pergunta qual é o caminho para derrotar Temer. Para a nossa geração, que viveu a experiência de junho e da greve geral, é preciso apostar nas lutas e construir o novo. Não precisamos reeditar o passado. Não podemos esperar uma saída eleitoral apenas em 2018. Em 2018 será tarde demais. Hoje, a única alternativa capaz de barrar a reforma trabalhista e da previdência é a luta através da unidade e por uma saída radicalmente anticapitalista e à esquerda.

    É preciso fortalecer as lições tiradas, as urgências do momento e avançar para a construção de uma outra greve geral no país que venha a derrubar, definitivamente, as reformas de Temer e o seu governo ilegítimo. As centrais sindicais aprovaram para o dia 24 de maio uma marcha a Brasília unitária contra as reformas. Mais do que nunca, é preciso ocupar Brasília e sair de lá com uma nova data para uma greve geral de 48 horas.

    Não nos faltam motivos para lutar. Estamos diante de um novo momento, uma nova oportunidade e tarefa histórica. Não temos nada a temer.