Eleições

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  • Enquanto Lula segue preso, Aécio e Temer tramam livremente

    Aécio Neves, Michel Temer e Rodrigo Maia se reuniram para conspirar na noite de quinta-feira (21). Na pauta do jantar: planos para as eleições presidenciais.

    No dia seguinte, Luis Inácio Lula da Silva teve seu pedido de liberdade arquivado pelo ministro do STF Luiz Edson Fachin.

    O contraste gritante entre as duas imagens – de um lado, uma prisão sem provas para tirar das eleições o candidato favorito e, do outro, a plena liberdade aos que foram pegos em incontestáveis atos criminosos – reforça, de forma límpida e cristalina, o caráter politicamente seletivo da Operação Lava Jato.

    O julgamento do recurso da defesa de Lula estava marcado para esta terça (26). Com o arquivamento, o pedido já foi tirado da pauta de julgamentos da Segunda Turma do STF. Fachin tomou a decisão após o Tribunal Regional Federal da Quarta Região (TRF-4) enviar o recurso de Lula para o Supremo Tribunal de Justiça (STJ), e não para o STF. Desta forma, segundo o ministro, o pedido de liberdade ficou “prejudicado”.  Na segunda (25), perante uma nova petição da defesa, Fachin decidiu enviar o recurso de Lula ao plenário do STF, onde votam todos os ministros. O caso deve ser pautado somente em agosto, após o recesso de julho.

    Em nota, o advogado do petista, Cristiano Zanin, afirmou que “estranha que o TRF4 tenha analisado a admissibilidade do recurso extraordinário às vésperas do julgamento marcado pela presidência da 2a Turma do STF para analisar o pedido de liberdade do ex-presidente.”

    Uma eleição manchada
    O controle do sistema político-eleitoral pelos grandes empresários e banqueiros é avassalador. Seja por meio do financiamento de campanhas (caixa 1 e 2), seja pelo sofisticado e milionário lobby empresarial instalado em Brasília, os distintos setores da classe dominante tem em suas mãos o Congresso e o Governo.

    Esse domínio implacável se concretiza tanto pela via direta (eleição de empresários, banqueiros e latifundiários) como pela presença de representantes muito bem pagos pelo grande capital em ministérios e em centenas de mandatos de deputados e senadores. O artifício da corrupção é meio facilitador dessa relação incestuosa entre o público e o privado. Basta conferir, por exemplo, a perniciosa influência exercida pela bancada da Bala, do Boi e da Bíblia no Congresso.

    O caráter antidemocrático e corrupto do regime não vem de hoje. Todos os governos se submeteram a esse modelo, inclusive os do PT. Com o golpe parlamentar, porém, a novidade reside no fato de que agora há em curso a supressão de importantes garantias democráticas que permitiam algum espaço – ainda que restrito, ocasional e deformado – de manifestação da vontade popular.

    A prisão política de Lula, que completa hoje 80 dias, demonstra que a burguesia, entendendo como insuficientes os mecanismos usais de controle do sistema, está disposta a usar a força para fazer valer seus planos. Como quer eleger um presidente “puro sangue”, inteiramente comprometido com a  continuidade, aceleração e aprofundamento das contra-reformas, está excluindo autoritariamente da disputa o ex-presidente.

    Aproveitar o Festival Lula Livre para construir a mais ampla unidade para resistir
    Chico Buarque e Martinho da Vila anunciaram o Festival Lula Livre para 28 de julho, nos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro. Ao lado de inúmeros outros intelectuais e músicos, os dois artistas pretendem denunciar a arbitrariedade da prisão de Lula e defender liberdades democráticas.

    Corretamente, o manifesto do festival afirma que: “Entendemos ser direito invulnerável dos 146 milhões de eleitores poderem optar inclusive por não votar nele (Lula).”

    Em sintonia com o manifesto, acreditamos que todas as forças democráticas e de esquerda devem se somar à convocação do festival, sem que isso signifique qualquer tipo de apoio ao projeto político de Lula e do PT. Afinal, o que está em jogo são as liberdades democráticas que, embora limitadas e pouco efetivadas, foram conquistadas pela classe trabalhadora e pelo povo em luta.

    O crescimento dos traços autoritários no regime político é preocupante. Apenas nos últimos meses, houve as execuções políticas de Marielle e de jovens do movimento Hip Hop em Maricá, tiros e violência contra a caravana do Lula, aumento da violência no campo, intervenção militar no Rio produzindo mortes de crianças, o crescimento político da extrema-direita e o  fortalecimento das organizações neofascistas e do poder judiciário.

    Por tudo isso, é necessário jogar todas as fichas das organizações de esquerda, dos sindicatos e dos movimentos sociais na construção da mais ampla unidade de ação com o objetivo de ampliar a resistência e a mobilização contra o avanço do golpe.

    Nesse sentido, além do festival, consideramos que é preciso outras iniciativas de resistência, especialmente aquelas vinculadas às mobilizações de rua. Para tanto, é necessário juntar as bandeiras econômico-sociais (as lutas por emprego, salário e direitos) com as demandas democráticas (justiça para Marielle e Anderson, liberdade para Lula). O conjunto dos movimentos sociais, dos sindicatos, centrais e da esquerda deveria abraçar um pauta comum para a luta conjunta. Porém, infelizmente, a começar pela direção do PT e da CUT, pouco está se fazendo demobilização efetiva – a única preocupação parece ser as eleições. A luta social unificada, nas ruas, é a chave principal para reverter o cenário sombrio que vivemos hoje. Ainda há tempo.

    Nas lutas e nas eleições, construir o novo
    O engajamento na luta pela liberdade de Lula não apaga, em nossa opinião, as críticas políticas ao PT e ao ex-presidente. Longe de ter tirado as lições do golpe parlamentar, a direção petista insiste em manter a mesma estratégia que abriu as portas para o impeachment de Dilma.

    Alianças do PT com o MDB, DEM, PSD, entre outras siglas da direita estão sendo costuradas em inúmeros estados, como Minas Gerais, Alagoas, e Ceará.

    Do ponto de vista do programa para o Brasil, tampouco há qualquer alteração significativa. A cúpula petista simplesmente desconsidera que foi a própria burguesia que rompeu com o pacto de conciliação que prevaleceu ao longo dos governos Lula e Dilma – período em que foi possível,  num contexto de forte crescimento econômico, ampliar os lucros dos grandes empresários e ao mesmo tempo promover políticas sociais compensatórias. O cenário atual é completamente distinto. Não há nenhuma viabilidade para o projeto conciliatório do lulismo nas atuais circunstâncias históricas de brutal ofensiva reacionária contra os direitos sociais e democráticos.

    Esse é um dos motivos que torna a construção de uma nova alternativa de esquerda ainda mais urgente e necessária. A candidatura de Guilherme Boulos e Sônia Guajajara, lançada por uma aliança entre o PSOL, PCB, MTST e outros movimento sociais, coloca a tarefa de reinventar a esquerda em tempo de golpe.

    E essa aposta levanta um programa de enfrentamento com privilégios dos ricos e poderosos – começando pela revogação da reforma trabalhista, da lei da terceirização, dos leilões do pré-sal, da PEC do Teto etc. – e de ruptura com o modelo de governabilidade desse sistema político falido.

    A sustentação de um governo de esquerda deve vir das ruas, com o povo organizado e engajado, e não de negociatas com o que há de pior no Congresso. Essa é uma lição do golpe que está mais viva do que nunca.

    Foto: Vigília em frente à Polícia Federal, em Curitiba (PR), onde Lula está preso há 80 dias.  Ricardo Stuckert

  • Dias, meses e anos

    Hoje, 14 de junho, faz 3 meses da execução de Marielle, militante do PSOL, e de Anderson. Marielle foi a primeira militante socialista assassinada numa grande cidade após o fim da Ditadura Militar.
    Há uma semana fez 2 meses que Lula, principal dirigente do PT, está preso, mesmo sem provas contra ele.
    Ontem fez 7 dias que Guilherme Boulos foi convocado para depor na Polícia Federal por causa da ocupação do MTST no suposto tríplex no Guarujá.
    Daqui a 9 dias serão já 3 meses da execução de cinco jovens em Maricá, RJ.
    Há 3 dias passou-se 1 mês que Nathanelly dos Santos, militante de 22 anos do MTST foi ferida à bala pela Guarda Municipal de Aracaju, Sergipe, numa ocupação de terras para moradia.
    Dentro de 13 dias serão 3 meses dos atentados a tiros contra dois ônibus da Caravana de Lula no interior do Paraná.
    Daqui a 13 dias serão 2 meses do atentado a tiros contra os militantes da vigília pró – Lula em Curitiba, com dois deles feridos à bala.
    Hoje faz 9 dias que Katison de Sousa, líder camponês do Movimento dos Pequenos Agricultores foi assassinado em Santa Izabel, no Pará.
    Anteontem fez 1 mês que um delegado da Polícia Federal destroçou os equipamentos de som da Vigília de Lula em Curitiba. O ataque foi feito por um ex-presidente da Associação Nacional de Delegados da Polícia Federal.
    Vários outros ataques e atentados seja de bandos de ultra-direita e/ou fascistas poderiam ser relembrados nos últimos anos.
    Para dar somente um exemplo, foram assassinadas cerca de 70 pessoas somente em 2017 entre trabalhadores rurais sem-terra, indígenas, quilombolas, posseiros, pescadores e assentados segundo a Comissão Pastoral da Terra.

    E qual a resistência que o conjunto da esquerda brasileira fez?
    Vigília em Curitiba é bom, mas não basta.
    Amanhecer com a Marielle é bom, mas não basta.
    Reclamar no Congresso é bom, mas não basta.
    Fazer um ou outro Ato em Unidade de Ação contra estas barbaridades e atrocidades é bom, como foi o caso do Circo Voador ou em Curitiba em 27 de março. Mas, isso só não basta.
    Escrever e publicar textos contra estas barbaridades dos bandos de ultra-direita e/ou fascistas é bom. Mas não basta.

    Trotsky e o bonapartismo
    Há cerca de um ano e meio, em 26 de outubro de 2016, escrevi o seguinte no Esquerda Online:
    “Na coleção dos Escritos de Leon Trotsky, publicada pela Editorial Pluma em 1977, há uma pequena nota dos editores norte-americanos que, de maneira simples e sintética, define o conteúdo básico do bonapartismo: “termo marxista que descreve uma ditadura ou um regime com certos traços ditatoriais em um período de instabilidade do regime de classe; ele se baseia nas Forças Armadas, na polícia e na burocracia estatal em vez dos partidos parlamentares ou no movimento de massas.”

    De lá para cá os traços ditatoriais se reforçaram quantitativamente dada a instabilidade social, econômica e política do país. Com o julgamento, condenação e prisão de Lula em 24 de janeiro de 2018 penso que já vivemos um regime do tipo pré ou semi-bonapartista conforme Trotsky definiu em seu livro Revolução e Contra – Revolução na Alemanha.

    Lula está preso, sem provas, e afastado da corrida presidencial apesar de continuar folgadamente em primeiro lugar nas pesquisas de intenções de votos. Os bonapartes decidiram que ele não pode concorrer e o povo estará proibido de nele votar. Eles querem porque querem que o próximo presidente seja um pró-burguês puro-sangue que intensifique ainda mais as medidas e Reformas ultrarreacionárias contra a classe trabalhadora e os demais explorados e oprimidos, bem como contra a Juventude.
    Em 6 de março dei continuidade ao meu raciocínio no Esquerda Online no artigo “Por que devemos ser contra o julgamento, a condenação e a prisão de Lula”. Pode-se ler nesse texto:

    “O que fazer no momento para enfrentar as classes dominantes
O desafio está lançado. Ou fazemos um chamado à construção de uma unidade de ação entre todos os partidos de esquerda – PT, PSOL, PCdoB, PSTU, PCB -, as centrais sindicais, o Movimento estudantil, UNE, MST, MTST, movimentos sociais combativos, artistas, intelectuais e até mesmo liberais democratas como Requião e setores do PDT e PSB para a luta contra a prisão de Lula, contra a reforma da Previdência, contra a intervenção federal no Rio de Janeiro (que poderá se estender para outros estados e cidades, como o Rio Grande do Norte e o Ceará), contra a farsa da criação do Ministério de Segurança Nacional, contra a venda da Eletrobrás ou as classes dominantes engolirão a todos nós.
    Se Lula é, infelizmente, reformista, se tem projetos de conciliação de classes, é outra discussão, mas não devemos deixá-lo nas mãos do Estado burguês. Isso seria de grande valor pedagógico para a classe trabalhadora e para a juventude, bem como abriria um imenso diálogo com todos os trabalhadores e os jovens, principalmente com os ativistas e a classe trabalhadora petista que ainda são a imensa maioria na esquerda.
    Toda a campanha presidencial será marcada pelo que sucederá com a candidatura Lula. Inclusive o PSOL e todas as correntes de esquerda terão de se posicionar claramente a este respeito. Inclusive o nosso candidato à presidente pelo PSOL, seja ele quem for. Aliás, Boulos e o MTST já se posicionaram corretamente desde dezembro pela defesa e solidariedade a Lula, bem como o óbvio, o direito democrático dele ser candidato.”

     Trotsky e a Frente Única. Moreno e a Unidade de Ação
    Na Alemanha Trotsky cansou de conclamar a Frente Única entre o PC e o PS alemães na luta contra o nazismo, já que ambos, em conjunto, detinham a imensa maioria da confiança da classe trabalhadora. Ainda que ele tivesse críticas fulminantes contra estes dois partidos. Trotsky os chamava para a luta, para a unidade contra a besta fascista.

    O caso do Brasil é, no entanto, distinto da Alemanha. Lá havia dois poderosíssimos partidos com referências na classe trabalhadora e havia uma situação revolucionária. Lá, a Frente Única Operária defensiva contra o nazismo tinha potencial para se transformar numa poderosa arma ofensiva até mesmo para o proletariado alemão assumir o poder.

    Em nosso país a correlação de forças é quase que diametralmente oposta. Trata-se apenas de defender as [poucas ] liberdades democráticas conquistadas pelas gerações anteriores, bem como tentar impedir a venda de parcelas importantes da Petrobras e da Eletrobrás para o imperialismo, e também lutar contra as medidas e Reformas anti-trabalhadores do governo Temer. Trata-se de se construir uma Unidade de Ação inclusive com setores sociais e políticos que se reivindicam democráticos e/ou nacionalistas.

    É importante recordar que já houve alguns atos com contornos de Unidade de Ação, em dias diferentes, levando algumas centenas de milhares de pessoas às ruas. Assim foi em Curitiba e várias outras cidades após os tiros contra a Caravana de Lula, bem como nas portas do sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo quando do mandado de prisão de Lula, no Circo Voador do Rio de Janeiro, nos dias seguintes à execução de Marielle.

    Sobre o tema Unidade de Ação envolvendo setores democráticos e/ou nacionalistas e, portanto, distinto de Frente Única Operária, em meados da década de 70 Nahuel Moreno, através do saudoso PST argentino, assim discursava num ato logo após o assassinato de três militantes desse partido:

    “Con todo respeto les decimos que han dado un alto ejemplo de unidad de acción aquellas corrientes humanistas, democráticas o liberales que igual se hicieron presentes aquí para saludarnos y dejaron de lado las profundas diferencias ideológicas que podamos tener con ellas…
    … ¡Hasta ahora no se ha descubierto un solo atentado contra militantes de izquierda, ni la muerte de un obrero comunista, ni las torturas, ni la muerte de Montoneros ni de militantes de la JP[Juventude Peronista], ni de nuestros muertos! ¡Jamás! Es una ineficiencia fantástica esa de la policía y de todos los servicios secretos del régimen para descubrir a los asesinos de militantes de izquierda..
    …Frente a este peligro, frente a esta escalada que viene de largo tiempo atrás, hoy estamos acá gritando por la unidad de acción. A nuestro Partido le preocupa profundamente si esta unidad de acción es para acompañar los cortejos al cementerio o va a ser la unidad de acción en la calle para derrotar y aplastar a la bestia fascista. No queremos la unidad de acción para acompañar nuestro cortejo. ¡La queremos para aplastar al fascismo y para hacer el desfile de la victoria! Nosotros consideramos indispensable esa unidad de acción frente a los enemigos fascistas.”

    O que Moreno afirmou na Argentina há cerca de 43 anos é exatamente o que eu penso que o conjunto da esquerda deveria construir em 2018 para o Brasil.

    Eleições sem Lula é fraude, é farsa
    Sempre é importante relembrar para os marxistas que, sob o capitalismo, qualquer que seja o regime existente, existe uma Ditadura de Classe – bem como toda eleição é excelente para os magnatas do capital, pois eles injetam finanças gigantescas para elegerem seus serviçais, sejam eles o presidente, deputado ou senadores.
    O que me parece incongruente e inconcebível é o fato de que o parágrafo acima seja esquecido pelos principais partidos que possuem referência na classe trabalhadora, ou seja, o PT, PC do B e PSOL.

    A verdade é que a imensa maioria do conjunto dos partidos e correntes de esquerda até agora se recusaram a construir esta Unidade de Ação ou Frente pelas Liberdades Democráticas em nosso país. Esta responsabilidade recai sobretudo e em primeiro lugar ao PT já que é quem tem disparadamente o maior peso político na classe trabalhadora e demais setores explorados, bem como entre a Juventude e os movimentos sociais combativos.

    Caberia, no entanto, ao PSOL fazer um chamado público à direção do PT para tal fim.

    Tudo leva a crer que ambos os partidos não querem mover novamente centenas de milhares ou alguns milhões de pessoas às ruas, em cada cidade do país, com um calendário de lutas em tornos das demandas descritas nos parágrafos anteriores.

    Parece ser que apenas as eleições de 2018 constituem o horizonte político máximo desses dois partidos, mesmo que estas eleições sem Lula, preso sem provas, sejam uma fraude, uma farsa, pois os bonapartes é que querem decidir quem pode ou quem não pode concorrer e não o povo.

    Enquanto isso, a ultra-direita e os fascistas além de executarem atentados e assassinatos, também apostam nas eleições via Bolsonaro. Parece ser que até mesmo setores burgueses importantes da burguesia rural do agronegócio tendem a migrar e apoiar esta candidatura. Esta também foi a estratégia de Hitler nos anos 20 e 30: por um lado, atentados, intimidações e execuções com suas forças paramilitares; por outro lado, participação nas eleições. Para se ter uma ideia, o Partido Nazista obteve 18,3%dos votos em 1930 e 33,15% em 1932, um pouco antes de Hitler assumir o poder por completo.

    Não tenho a menor ilusão de que as eleições de 2018 no Brasil resolverão qualquer coisa a favor da classe trabalhadora e dos explorados. Votarei, como sempre desde que foi fundado, no PSOL.

    Tenho, no entanto, esperança, ainda que tênue, de que seja construída a Unidade de Ação ou Frente pelas Liberdades Democráticas urgentemente, antes das eleições, pois somente com o povo nas ruas é que se poderá inverter e/ou mudar a relação de forças entre as classes. Antes tarde do que nunca!

  • Seis motivos para não confiar em Marina Silva

    Pré-candidata da Rede disputa novamente a possibilidade de ir ao segundo turno das eleições presidenciais

    Na última pesquisa do Datafolha, a pré-candidata da Rede, Marina Silva, aparece em segundo lugar, quando não é incluído o nome do ex-presidente Lula (PT), condenado sem provas e preso há mais de dois meses em Curitiba (PR).

    Neste cenário, ela aparece com 15% das intenções de voto, ficando atrás apenas do famigerado Jair Bolsonaro (PSL-RJ), que tem 19%. Os dados revelam que, pelo menos até o momento, Marina vem se beneficiando quando o nome de Lula não é incluído nas sondagens.

    A ex-senadora foi candidata nas últimas duas eleições presidenciais, em 2010 pelo PV e em 2014 pelo PSB (filiou-se a este partido porque a Rede não se legalizou a tempo). Nas duas oportunidades, chegou perto do segundo turno, ficando em terceiro lugar, com cerca de 20% dos votos válidos.

    Em seus discursos, Marina sempre se propõe a construir uma nova forma de fazer política, mas diferentemente de outros momentos, suas promessas já não tem o mesmo apelo popular. Este fato se explica porque, longe de representar de fato uma nova alternativa de mudança, a pré-candidata da Rede, infelizmente, representa a continuidade de governos que não enfrentam realmente os privilégios dos ricos e poderosos.

    Vejam seis argumentos que comprovam a completa incoerência entre o discurso e a prática de Marina Silva:

    1- Marina apoiou o golpe do impeachment
    O discurso da defesa de uma nova política “cai por terra” quando lembramos que Marina Silva apoiou abertamente a manobra reacionária do Impeachment. Na votação do impeachment não se comprovou crime de responsabilidade, revelando-se um verdadeiro um golpe parlamentar, encabeçado pelo o que tem mais podre na política brasileira, chefiado por nada mais nada menos o ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ), atualmente preso.

    Marina não só apoiou como cobrou dos parlamentares ligados a Rede que votassem a favor. Lembrando que foi o impeachment que possibilitou a posse do presidente ilegítimo Michel Temer (MDB-SP), o mais impopular da história recente brasileira.

    2 – Ex-senadora apoia a reforma da Previdência
    Em entrevista recente, a ex-senadora e pré-candidata a presidente pela Rede defende a necessidade de uma nova reforma da Previdência. Embora, atualmente, diga que Temer não tem legitimidade para realizar essa reforma, admite a necessidade da reforma, pois, segundo ela, existe um grande déficit da Previdência Social.

    Nenhuma palavra sobre as grandes empresas que devem bilhões à Previdência Social. Mas, ela rapidamente apressa-se a defender o aumento da idade mínima para que o povo trabalhador consiga se aposentar.

    3 – Alianças com a velha política
    Quem poderia esquecer do vídeo de Marina apoiando Aécio Neves (PSDB-MG), no segundo turno das eleições presidenciais passadas. Onde ela chama os brasileiros a engrossar o movimento de mudança representado pela candidatura tucana.

    Agora, que Aécio virou um símbolo da corrupção na política brasileira, embora siga exercendo seu mandato livremente, Marina tenta se afastar de seu aliado nas eleições passadas. Mas, nada que faça a ex-senadora mudar a sua política de alianças espúrias. Na mesma entrevista na Folha de S. Paulo e ao UOL, ela afirma que pode governar com políticos do MDB, PSDB e PT.

    4 – Seus projetos políticos são financiados por grandes empresas e bancos
    Nas duas campanhas presidenciais que participou, Marina contou com o financiamento milionário da herdeira do Banco Itaú, Maria Alice Setubal (“Neca”), e do dono da Natura, Guilherme Leal (que foi seu vice nas eleições de 2010), um dos homens mais ricos do Brasil.

    Mas, não é só nas eleições, que grandes empresários financiam os projetos políticos de Marina. Por exemplo, em 2013 a herdeira do Itaú, “doou” cerca de um milhão de reais para o instituto de Marina, arcando com mais de 80% das despesas da entidade que foi criada pela ex-senadora.

    5 – Incoerência na defesa do meio ambiente
    Embora Marina Silva tenha na sua história política a defesa do meio ambiente e dos povos da floresta, a sua prática política nos últimos anos vem demonstrando que também neste terreno ela vem praticando o velho discurso “esqueça o que eu disse”.

    Marina, nas últimas eleições defendeu a utilização dos transgênicos que, segundo ela, é uma necessidade do desenvolvimento. Abandonando uma das causas mais sentidas dos movimentos sociais que defendem o meio ambiente.

    Essa defesa não deveria chegar a surpreender, pois nas eleições passadas, em 2014, o vice de Marina era Beto Albuquerque (PSB-RS). Ele, como deputado, atuou ativamente na Câmara para regulamentar a utilização da soja transgênica na legislação brasileira, quando ainda Marina Silva era ministra de Meio Ambiente, no governo de Lula (PT).

    6 – Falta de compromisso com a pauta dos oprimidos
    Marina tenta sempre disputar o voto dos evangélicos, religião que se considera uma praticante. Esta localização a faz se afastar de forma contundente com bandeiras historicamente defendidas pelos movimentos de luta dos oprimidos, tais como a legalização do aborto, entre outras discussões.

    Na campanha presidencial passada, inclusive, envolveu-se em uma polêmica quando recuou da defesa de projetos que garantiam o direito pleno do casamento entre homossexuais e a discussão contra discriminação de LGBTs e a homofobia nas escolas, depois que o ultrarreacionário Pastor Malafaia criticou seu programa de governo.

    Construir uma nova alternativa política, de esquerda e socialista
    Para mudar de verdade, enfrentar a velha direita, derrotar o golpe, acabar com as alianças espúrias, nós precisamos apostar em uma alternativa que realmente defenda os interesses do povo trabalhador, da juventude e do conjunto dos explorados e oprimidos.

    Uma pré-candidatura que não tenha medo de enfrentar os enormes privilégios das grandes empresas e dos bancos. Enfim, que faça os ricos e poderosos começarem a perder, para que a maioria da população tenha atendida as suas reivindicações e direitos.

    Por isso, devemos construir de forma coletiva a chapa presidencial de Guilherme Boulos e Sonia Guajajara, lançada por uma frente política e social inédita, formada por partidos de esquerda e movimentos sociais combativos. Ela já tem o apoio do MTST, do PSOL, do PCB e da APIB, entre outros movimentos e organizações. Vamos, sem medo de mudar o Brasil!

    FOTO: Elza Fiuza / Agência Brasil

  • Não se deve terceirizar para Ciro Gomes a luta contra Bolsonaro

    As virtudes dos homens são semelhantes ao voo dos pássaros.
    A ave que se habitua à paisagem rasteira perde o gosto pela altura.
    Sabedoria popular indiana

    Nada é tão poderoso neste mundo como uma ideia cujo momento chegou.
    Sabedoria popular espanhola

    A luta para tirar Bolsonaro do segundo turno das eleições de 2018 deve ser um dos eixos de todas as correntes da esquerda brasileira. Quem pensa que a luta contra Bolsonaro é somente uma luta eleitoral se engana. O combate contra os neofascistas não se reduz à arena eleitoral. A paralisação dos caminhoneiros deixou claro que a disputa contra a extrema-direita veio para ficar. Ela é uma batalha em todas as frentes.

    Mas, quando ainda temos quatro meses de luta pela frente, tem crescido uma corrente de opinião que considera, precipitadamente, que este combate já estaria esgotado. Como se fosse já fosse possível prever que Bolsonaro estará no segundo turno. Essa hipótese existe, e merece ser considerada, seriamente, mas não é mais do que uma hipótese. Nenhuma batalha termina antes que acabe. A pior derrota é a derrota sem luta.

    Não é por outra razão que podemos acompanhar, nos locais de trabalho e estudo, nas redes sociais e nas conversas entre os ativistas, uma ansiedade por uma candidatura única de esquerda, ainda antes do primeiro turno. O medo daquilo que Bolsonaro representa alimenta a expectativa de que só uma candidatura de centro-esquerda poderia derrotá-lo. É este alarmismo que explica a pressão pelo apoio a Ciro Gomes.

    Apoiar Ciro Gomes desde o primeiro turno significa terceirizar a luta contra Bolsonaro. Uma tarefa que Ciro Gomes, retoricamente, aceita, mas não pode cumprir. Não se luta contra Bolsonaro com ofensas pessoais. Isso é infantil. Só favorece a consolidação das relações de uma parte de sua base eleitoral. A luta contra Bolsonaro é uma luta política. Luta política não se faz com insultos, mas com propostas, com um programa. São as propostas concretas que podem separar Bolsonaro de uma parcela do eleitorado. Propostas como a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, para que haja emprego para todos. Propostas como a elevação do salário mínimo, tendo como referência o piso de R$ 4.000,00 do Dieese. Propostas como a anulação da PEC do Teto dos Gastos, a anulação da reforma trabalhista, o fim da lei das terceirizações, e tantas outras.

    Ciro Gomes não tem as mãos livres para o fazer. Não pode fazê-lo por, pelo menos, quatro razões profundas. Primeiro, porque nada é mais funcional para Ciro Gomes que o pânico de que Bolsonaro já está no segundo turno, e só ele pode atrair os votos da direita e da esquerda necessários para derrotá-lo; segundo, porque o lugar de disputa da candidatura Ciro Gomes é o espaço do centro, portanto, necessariamente, dialogando com a classe média contra a esquerda, que representa, em primeiro lugar, o impulso da mobilização popular; terceiro, porque defende um programa de ajuste fiscal calibrado para desbloquear o mercado interno, e precisa se diferenciar no primeiro turno de Alckmin, não de Bolsonaro; e quarto, porque articula alianças com dissidentes da base política de sustentação de Michel Temer, como Benjamim Steinbruch e PSB, além de flertar com Maia, o DEM e o centrão, portanto, piscando para direita.

    Esta tarefa deve ser assumida, em primeiro lugar, pelas candidaturas de esquerda. A frontalidade da luta contra o neofascismo repousa, antes e depois das eleições, nas mãos da esquerda. Algumas analogias históricas podem ser instigantes. Devemos ter muito cuidado com a ideia do senso comum de que “quem tem juízo vota no mal menor”. Ou seja, deveríamos colocar a mão no nariz, e votar para nos protegermos do mal “maior”. Esta linha de raciocínio parece encarar de frente o perigo Bolsonaro, mas, na verdade, desconsidera, diminui e despreza a força dos neofascistas.

    O mal menor em 1982 era Franco Montoro do MDB. Era ele o candidato a governador contra ninguém menos do que Maluf, o famigerado. Só que Lula era, também, candidato e chegou aos 10%. O impulso da campanha de 1982 foi chave para que o PT tivesse a iniciativa de chamar o comício de novembro de 1983, na Praça Charles Miller no Pacaembu, sob a bandeira Diretas Já. Sem esta iniciativa, como está bem documentado no livro de Dante de Oliveira e Domingos Leonelli, o comício de 25 de janeiro na Praça da Sé não teria sido chamado, e milhões não teriam saído às ruas para desafiar a ditadura. Nos vinte anos anteriores o MDB nunca chamou o povo às ruas para tentar derrubar a ditadura.

    Em 1984, o mal menor era Tancredo Neves, candidato no Colégio Eleitoral, com Sarney de vice. E o PT chamou ao boicote. Se o PT tivesse apoiado Tancredo Neves, e participado do governo Sarney, a esquerda não existiria com peso de massas nas duas décadas seguintes. O PT teria se desmoralizado.

    Em 1986 o mal menor era Orestes Quércia, o candidato do PMDB e do plano Cruzado, de novo contra Maluf. Pelo PT, Suplicy chegou aos 11%, criticando o plano Cruzado, que desmoronou seis meses depois da eleição. Só que Quércia ficou, e deixou como herdeiro, em 1990, o Fleury e o massacre do Carandiru. O mal menor contra Maluf, em 1988, era Serra, mas Luísa Erundina do PT venceu, porque na véspera das eleições Sarney mandou invadir a CSN em Volta Redonda, e três operários foram assassinados. Não morreram em vão. Em fevereiro de 1989 a greve geral contra o Plano Verão de Maílson da Nóbrega, a maior da história, abriu o caminho para legitimar Lula no segundo turno.

    Resumo da ópera: o voto só é útil quando não votamos contra nós mesmos, contra nossos interesses. Nenhum representante dos interesses da Avenida Paulista e Faria Lima é menos “mal”. Não tem sentido escolher quem quer te empurrar do terceiro andar, porque o candidato mais feroz quer te empurrar do décimo. Isso não é escolha. É uma armadilha.

    As ideias e propostas dos neofascistas ganharam audiência nos últimos dois anos. Mas existem reservas nos batalhões mais organizados dos trabalhadores e da juventude. Existe uma força social muito mais poderosa que o desespero confuso e desorientado dos que clamam por uma “intervenção militar”. Nada é mais poderoso do que a força social desta maioria explorada e oprimida quando abraça com paixão e esperança uma luta justa. Ela pode ser despertada. Ela precisa ser chamada às ruas para lutar. Esse deve ser o papel da esquerda. Este tem sido o lugar da campanha Boulos/Sonia Guajajara.

    Mas é necessário que o maior partido da esquerda acorde do seu sonambolismo. O PT tem o direito de apresentar Lula como o seu candidato à Presidência. Mas a direção do PT tem, também, o dever de encabeçar a luta contra Bolsonaro. Isso significa, neste momento, dar um passo em frente. Cabe ao PT responder ao apelo que o PSOL tem feito por uma frente única de toda a esquerda contra os neofascistas.

    FOTO: Deputado Jair Bolsonaro, pré-candidato à Presidencia. Marcelo Camargo/Agência Brasil

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  • O que fará o PT nas eleições?

    Em meio ao agravamento da crise política, incertezas eleitorais e intensa turbulência no mercado, a pré-candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Planalto será lançada oficialmente nesta sexta-feira (8). O evento será em Contagem, Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG), e contará com participação de dirigentes, governadores e parlamentares petistas.

    Apesar de o ex-presidente seguir preso em Curitiba, a direção do Partido dos Trabalhadores mantém a versão pública de que o lançamento é pra valer. No dia 15 de agosto, a candidatura deve ser registrada. Nos bastidores, porém, os dirigentes da sigla reconhecem que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), muito provavelmente, cassará o registro em base à lei da Ficha Limpa.

    O lançamento ocorre na esteira de fortes tensões internas. De um lado, um setor do PT defende a manutenção da candidatura de Lula até o limite, com sua substituição por outro nome do partido (Haddad ou Jacques Wagner) quando ocorrer o impedimento. Do outro, uma ala mais pragmática, vinculada sobretudo aos governadores do Nordeste, quer a aliança com Ciro Gomes (PDT) já no primeiro turno.

     

    A escalada do golpe: o principal líder político do País na cadeia
    Atrás das grades há dois meses, parece cada vez mais remota a possibilidade de Lula ser solto antes do fim das eleições. Mesmo encarcerado numa espécie de solitária, sem poder se pronunciar publicamente, o petista mantém folgada liderança nas pesquisas, tanto no primeiro como no segundo turno. Assim, a cada dia que passa, fica mais escancarado o caráter político da condenação. Os golpistas precisam de Lula preso para que ele não possa voltar ao governo através do voto popular.

    Com o principal candidato da oposição impedido arbitrariamente, caminhamos para uma eleição de forte intensidade antidemocrática, manchada pela prisão política de Lula.

    Diante de um cenário de tamanha gravidade, a direção do PT parece refém da situação, não sendo capaz de articular uma defesa efetiva de seu principal líder.  Afinal, não será apenas com discursos inflamados, encenações eleitorais e medidas jurídicas que se reverterá o quadro. A pressão e mobilização popular são fundamentais para deter a ofensiva reacionária e garantir direitos democráticos.

    Mas muitos dos dirigentes, parlamentares e governadores do PT se mostram mais preocupados com cálculos eleitorais, visando a manutenção de cargos e poder na máquina estatal, do que com uma luta séria pelas liberdades democráticas, mesmo quando essa pauta diz respeito à sua própria sobrevivência política.

    Primeiramente, não construíram um processo de mobilização antes da prisão de Lula. Depois, entregaram o petista à Polícia Federal sem a resistência necessária. Agora, preparam a campanha eleitoral na qual, para muitos parlamentares e governadores petistas, a popularidade de Lula é somente um ativo para se conseguir mais votos nas urnas. Para piorar, um setor do partido, de olho em cargos, quer abandonar a campanha de Lula para apoiar Ciro Gomes já no primeiro turno. Torna-se compreensível, assim, a justa indignação de parcela expressiva de militantes do PT com os rumos do partido.

    A direção do PT não apostou nas ruas para derrubar Temer e as reformas
    A bem da verdade, o PT perdeu diversas oportunidades de combinar a mobilização social contra o governo Temer com a luta pelas liberdades democráticas. Por exemplo, em 2017, preferiu colocar o pé no freio da mobilização contra as reformas de Temer, depois do forte dia de greve geral de abril e dos escândalos de corrupção da JBS. Nas últimas semanas, com a greve de caminhoneiros, mais uma vez, a direção petista e cutista preferiu não apostar num processo de luta popular, facilitando o trabalho de Jair Bolsonaro, que aumentou sua influência.

    Desse modo, em pelos menos duas oportunidades, não se aproveitou a possibilidade de derrubar as medidas reacionárias e o próprio Temer pela força da mobilização dos trabalhadores, o que certamente abriria um cenário mais favorável à liberdade de Lula e à defesa das garantias democráticas.

    A direção do PT nada aprendeu com erros estratégicos que prepararam o terreno para o golpe parlamentar em 2016. As prioridades seguem sendo a luta institucional-parlamentar, em detrimento da mobilização nas ruas, e a aliança com partidos da direita – e até mesmo com expoentes do golpismo -, como revela as inúmeras parcerias eleitorais com o MDB, DEM etc. nos estados. Numa palavra: a estratégia da conciliação de classes segue intacta, apesar do descontentamento de setores do partido.

    A esquerda precisa de um novo rumo
    A quatro meses das eleições, sem ainda uma definição final sobre sua estratégia eleitoral, se vai de candidato próprio ou se apoia Ciro Gomes, o PT tem pouco a oferecer em termos de perspectiva para a esquerda. Mesmo com seus dirigentes históricos presos, mesmo sofrendo brutal perseguição político-judicial, a direção majoritária do partido de Lula não dá sinais de reavaliar seu compromisso com a ordem dominante. Ao invés de apostar na luta dos debaixo, se subordina aos de cima.

    É tempo de apostar em novos caminhos, de retomar um projeto anticapitalista de enfrentamento com o sistema. A candidatura de Guilherme Boulos e Sonia Guajajara, pelo PSOL, é a aposta na construção de uma nova alternativa de esquerda vinculada aos movimentos sociais. Uma alternativa que não se limite ao processo eleitoral, que tenha, isto sim, o potencial de relançar o sonho da transformação social. A militância do PT que mantém essa perspectiva está convidada a somar forças nessa luta.

    FOTO: Manifestantes com bandeiras do PT em Brasília. Lula Marques / Agência PT

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    Ciro Gomes não é o mal menor


  • Ciro Gomes não é o mal menor

    Tudo é ousado para quem nada se atreve.
    Fernando Pessoa

    A impaciência anda sempre com a dor.
    William Shakespeare

    O desempenho de Ciro Gomes em  entrevistas e o resultado de Bolsonaro em pesquisas têm levado alguns na esquerda a se inclinar na sua direção como o mal menor. Trata-se de um erro de avaliação. Um erro grave. Porque as aparências enganam.

    Ninguém pode saber hoje quais são os candidatos que têm mais chances de chegar ao segundo turno. Neste momento é imprevisível. Aqueles que acreditam que, neste tema ultradelicado, suas intuições são uma bússola estão sendo vítimas do mais infantil autoengano. Não há metodologia séria que permita fazer este tipo de cálculo.

    Qual deve ser a tática da esquerda nas eleições? Vamos para a campanha eleitoral com quais objetivos? As massas vão fazer, provavelmente, na última semana antes de 7 de outubro, um cálculo político de como melhor se proteger. Qual deve ser o papel da esquerda nesta terrível batalha? Que lugar queremos ocupar nesta que será a campanha eleitoral menos democrática desde 1989? O argumento deste artigo é que apoiar Ciro Gomes, neste primeiro turno, é desistir de poder cumprir qualquer papel de maior peso social e político a partir do ano que vem. Seria um suicídio político. Time grande que não joga perde a torcida. Time pequeno que joga campeonato de time grande e só perde de goleada perde a sua torcida.

    A pressão eleitoral para o apoio a uma candidatura como a de Ciro Gomes, ainda no primeiro turno, aumenta. Isso não é positivo, porque a ansiedade é alimentada pelo medo. E o medo é mal conselheiro. Toda luta tem margens elevadas de incerteza. E é bom não esquecer que as eleições são uma luta em terreno desfavorável para a esquerda e os trabalhadores. Quem controla a riqueza tem mais facilidade de disputar o poder.

    Hoje, a luta do PT para libertar Lula é progressiva, e merece o apoio de todos nós, inclusive daqueles que não apoiaremos uma candidatura do PT, porque estamos engajados na defesa da candidatura Boulos/Guajajara. Que a relação de forças sociais e políticas seja desfavorável, e sinalize que Lula não poderá ser candidato não diminui o sentido progressivo da luta democrática pelos seus direitos. Romper com os limites do PT para apoiar a candidatura do PSOL é um movimento progressivo. Romper com o PT para apoiar Ciro Gomes é regressivo.

     

    Um candidato de trajetória nômade e errática, portanto, imprevisível

    A trajetória perâmbulante de Ciro Gomes, porque esteve em sete partidos – passou do PDS para o PMDB, depois para o PSDB, para o PPS, para o PSB, para o PROS e, finalmente, chegou ao PDT – recomenda uma saudável desconfiança. A sua delimitação programática não tem sido progressista. Se há um tema que divide águas entre esquerda e direita no Brasil, esse tema é o ajuste fiscal e, portanto, a reforma da previdência. Nesse tema, Ciro Gomes tem se posicionado à direita, e não à esquerda.

    Ciro Gomes defende um projeto neodesenvolvimentista com políticas sociais compensatórias. Em uma palavra, uma combinação do programa de Palocci, quando ministro da Fazenda sob Lula, com o programa de Joaquim Levy sob Dilma Rousseff. Mas aprofundando o ajuste fiscal com uma reforma da Previdência que estabeleça um teto de três salários mínimos, para chegar a um superavit primário o mais rápido possível [1]. Esta proposta é, diretamente, reacionária. Porque uma forma de obrigar a maioria do povo a nunca se aposentar é elevar a idade mínima, como pretendia fazer o governo Temer. Mas a outra, não menos cruel, é desvalorizar a aposentadoria por repartição, e favorecer o crescimento das previdências por capitalização. O resultado, em ambos tipos de reformas, é que os idosos não poderão deixar de trabalhar até morrer, porque estarão condenados à miséria.

    Mas Ciro Gomes defende, também, a preservação do modelo do presidencialismo de coalizão baseado em negociações no Congresso Nacional, só que em versão “de choque”, pretendendo aprovar todas as emendas constitucionais nos primeiros oito meses [2]. Esta posição é, igualmente, reacionária.

    Existem sobre este tema, fundamentalmente, três projetos. A classe dominante brasileira está dividida sobre o futuro do regime político de democracia eleitoral hoje vigente no Brasil. A operação LavaJato tem apoio de uma fração, e oposição de outra. Uma parcela dos partidos da ordem defende a manutenção do presidencialismo de coalizão com reformas, ou seja, o atual modelo, admitindo a substituição das lideranças mais queimadas pelas delações premiadas, uma pequena reforma. Neste regime, a governabilidade se garante com negociações para a formação de maioria no Congresso Nacional. Esta maioria só é possível com concessões à bancada dos bancos, da bala, da Bíblia, do boi, e outras. O PT aceitou estas regras do jogo e deu no que deu. Ciro Gomes está neste campo.

    Os reacionários incorrigíveis querem fazer uma reforma política que reduza ao mínimo o número de partidos, se possível, a dois, como nos EUA. Querem consolidar uma partidocracia de alternância entre dois partidos da classe dominante, excluindo a esquerda da legalidade, ou a condenando à marginalidade.
    Seria um regime muito mais autoritário.

    A esquerda deveria se posicionar contra estes dois projetos. Porque eles excluem as amplas massas da participação política. Os trabalhadores só são chamados a votar de dois em dois anos. Depois as decisões sobre o nosso destino ficam nas mãos dos políticos profissionais. O fiasco deste regime ficou escancarado nos sucessivos escândalos. A única possibilidade de mudar o Brasil é subverter este regime. Isso só será possível apoiados em níveis de organização e mobilização popular muito mais elevados. Foi com a campanha das Diretas que foi possível derrotar a ditadura, embora não tenhamos derrubado Figueiredo. Foi com as grandes greves e lutas, desde o final dos anos setenta, que foi possível garantir as três vitórias dos anos oitenta: o SUS, a Previdência Social, e a universalização do ensino básico. Sem massas populares organizadas e chamadas para a luta, um programa de transição são somente palavras no papel.

     

    Quais devem ser os critérios para definir o apoio eleitoral?

    A definição de voto para aqueles que somos de esquerda deve ser feita a partir de alguns critérios chaves que resumem uma experiência histórica. O primeiro critério, o mais elementar, é que não devemos nos deixar iludir por aquilo que uma candidatura diz em campanha. Em campanha eleitoral, políticos profissionais educados na escola da dissimulação são capazes de dizer qualquer coisa.

    Um segundo critério é que, embora votemos em pessoas, a luta pelo poder é uma luta entre partidos. “Diz-me com quem andas e te direi quem és”, ensina a sabedoria popular. Não encontraremos bons candidatos em partidos podres.

    Um terceiro critério é que uma história de vida, uma biografia, uma trajetória tem mais valor que a propaganda eleitoral, ou uma declaração em entrevista, porque, novamente, há mestres no ilusionismo das palavras, na mágica da camuflagem.

    Um quarto critério é que não devemos votar contra nós mesmos, contra os nossos valores, ou seja, contra os interesses dos trabalhadores e do povo pobre. Um bom e velho critério de classe.

    Existem hoje dezenove pré-candidaturas à Presidência. De forma sumária, muito esquemática, mas para simplificar, útil, podemos dizer que se situam na extrema direita: 1. Bolsonaro (PSL) Partido Social Liberal; 2. Levy Fidelix (PRTB). No espaço da direita com um programa econômico-social liberal radical: 3. João Amoêdo (Novo); 4. Flávio Rocha (PRB); 5. Paulo Rabello de Castro (PSC); 6. Henrique Meirelles (MDB); 7. Fernando Collor de Mello (PTC). Na centro-direita conservadora: 8. Geraldo Alckmin (PSDB); 9. Rodrigo Maia (DEM); 10. Álvaro Dias (Podemos); 11. José Maria Eymael (PSDC). No centro, ou talvez em “órbita” do centro: 12. Marina Silva (Rede). Na centro-esquerda: 13. Ciro Gomes (PDT); 14. Aldo Rebelo (Solidariedade). Na esquerda moderada ou reformista: 15. Lula, ou Haddad, ou outro nome do PT; 16. Manuela D’Ávila (PCdoB); 17. João Vicente Goulart (PPL), ou Pátria Livre. Na esquerda radical: 18. Guilherme Boulos (PSOL); 19. Vera Lúcia (PSTU).

    Direita, centro e esquerda são classificações que simplificam a interpretação do lugar de cada partido e liderança no espaço político. São conceitos úteis, mas imprecisos porque são juízos relativos. Não são rigorosos, e não são fixos. Não são absolutos. Essas qualificações mudam, e muito, em função da situação política, ou seja, da audiência. Os políticos profissionais falam para a plateia aquilo que a plateia gostaria de ouvir. Quem está à esquerda ou à direita de quem são posicionamentos que, rapidamente, mudam. Mais importante do que as palavras, os discursos, ou a imagem dos líderes e dos partidos são os interesses econômico-sociais que representam.

     

    Os parâmetros marxistas são ordenados por um critério de classe

    O discurso político flutua em função das relações de forças entre as classes. Em situações em que a mobilização dos trabalhadores é intensa, e as forças populares estão na ofensiva, todo o vocabulário da política se “esquerdiza”. Os fascistas escondem seus planos, e travestem-se em reacionários. Os reacionários se camuflam como conservadores moderados. A centro-direita se move para o centro,  e o centro se desloca para a centro-esquerda. O inverso acontece quando os trabalhadores e seus aliados sociais estão na defensiva. Nessas circunstâncias, como é a situação atual, o discurso político se “direitiza”. A esquerda moderada se protege com propostas de centro-esquerda, a centro-esquerda flerta com o centro-direita, e esta se mascara como direita radical, enquanto os reacionários extremistas assumem propostas fascistas.

    Os partidos são organizações que representam interesses de classe através de programas. Programas são as ideias, propostas, e projetos que expressam uma visão da realidade, e o que se pretende fazer. Como as classes sociais no mundo em que vivemos não são homogêneas, não é possível que um só partido represente cada classe.

    Nas sociedades urbanizadas, recentemente, e com processos de industrialização ainda incompletos, como Brasil, a sociedade não se divide apenas em capital e trabalho. Além da classe média, existem outras frações de classe. A própria classe média, por exemplo, se divide entre pequenos proprietários e profissionais de alta escolaridade. Devemos considerar alguns grupos sociais que possuem uma forte identidade e inserção peculiar, específica, ou especial nas relações sociais: os militares e policiais, os artistas e intelectuais, por exemplo, entre outros.

    Sendo hetereogênas, diferentes frações de classe são representadas por diferentes partidos. Mas não existem dezenas de classes, ou frações de classe. E tampouco há uma plena correspondência entre as classes e as organizações que aspiram a representá-las. A lista das dezenove pré-candidaturas à Presidência é uma extravagância criada pelo tipo de sistema partidário-eleitoral que favorece que haja, informalmente, sublegendas. Sublegendas são candidaturas satélites de outra candidatura. Elas são úteis para candidatos que terceirizam a luta eleitoral para uma candidatura “parceira” que fará o trabalho de desconstruir seus adversários.

    Ainda assim, a lista deve encolher. Quantos sobreviverão até agosto, prazo final para a inscrição das candidaturas, ainda não é possível prever. Mas é improvável que Henrique Meirelles, Rodrigo Maia, Fernando Collor de Melo, Paulo Rabelo de Castro, Aldo Rebelo, e até Manuela D’Ávila mantenham as candidaturas. Seriam menos seis. Dos dezenove, restariam treze. Talvez menos.

     

    Ciro Gomes é um cavalo de Tróia dentro da esquerda

    Ciro Gomes poderia ser, neste contexto, um “mal menor” para a esquerda? A pressão pelo voto em Ciro Gomes é dirigida, essencialmente, contra a tática do PT de manter Lula como pré-candidato, mas atinge, também, a candidatura Boulos/Guajajara e até Manuela D’Ávila. Argumenta-se como um voto “útil” antecipado a escolha de um pré-candidato progressista com mais chances de chegar ao segundo turno. Só que não é por variadas razões.

    Primeiro, porque o PT não tem só o direito de levar a luta pelo Lula livre até o máximo limite. Tem uma obrigação moral e política de fazê-lo. Assim como tem o direito de substituir a candidatura Lula, se e quando quiser. Acontece que o PT está dividido, e Ciro Gomes vem explorando estas divisões, conscientemente, para acelerar um fracionamento à direita, apoiando-se nos interesses mais oportunistas dos que estão somente preocupados com a renovação dos seus mandatos.

    As iniciativas perigosas não se resumiram às reuniões de Haddad e Jacques Wagner, nas últimas semanas, com Ciro, em voos “solos”. É verdade que os dois foram, imediatamente, desmentidos pela presidente do PT, Gleisi Hoffmann. Tudo indica que não estavam, realmente, amparados por Lula, ou pelo núcleo duro da direção do PT. Acontece que, segundo a imprensa, governadores do PT no nordeste, estariam pressionando. E como o PT está negociando em muitos Estados alianças regionais inexplicáveis, ou indefensáveis, até com partidos da base de sustentação do governo Temer, como o MDB de Eunício no Ceará e de Renan Calheiros em Alagoas, as especulações alimentam suspeitas legítimas.

    Os que defendem a necessidade da esquerda (PT, PSOL/PCB, PCdoB) não terem pré-candidaturas para apoiar Ciro Gomes desde agora estão cometendo um erro irreparável. Política não é aritmética: um mais um não é uma equação que resulta, necessariamente, em dois. Pode dar menos um. Cálculos que somam preferências em pesquisas, mas desconhecem outros fatores, tão ou mais importantes, como: (a) representação social irreconciliável; (b) diferenças de programa inegociáveis; (c) trajetórias incompatíveis; (d) taxas de rejeição, entre outros, são pensamento “mágico”, ou seja, expressão de desejo.

     

    O que é progressivo e o que é regressivo?

    Para a esquerda o conflito fundamental na sociedade em que vivemos é o que se estabelece entre as duas classes sociais mais poderosas, capital e trabalho. Ele deve ser a referência que orienta nossas escolhas, inclusive, as eleitorais. Os socialistas, todavia, nunca afirmaram que este conflito seria o único. Existem muitos outros. Na época da luta contra a ditadura existia a luta pelas liberdades democráticas, por exemplo. O que pode cumprir, politicamente, um papel progressivo ou regressivo depende da relação social e política de forças.

    As candidaturas do MDB em 1978 eram, predominantemente, candidaturas de líderes liberais com relações com setores dissidentes da classe dominante, alguns poucos social-democratas, contra os candidatos da Arena, mas cumpriam um papel progressivo. A esquerda revolucionária se dividiu entre os que defendiam o apoio crítico a candidatos dos trabalhadores nas listas do MDB, e os que defendiam o voto nulo. Era uma escolha tática legítima.

    Vejamos outros exemplos históricos dos parâmetros do que foi progressivo ou regressivo. Já em 1982, tendo o PT conquistado a legalidade, antes de a ditadura ter sido derrotada, a candidatura de Lula foi progressiva em relação a candidatura de Franco Montoro ao governo do Estado de São Paulo. Porque o MDB de Montoro estava a favor de negociar as condições da transição “lenta, segura e gradual” imposta pelo governo Figueiredo, e o PT surgia como um novo instrumento político independente na luta para derrubar a ditadura.

    O PT não nasceu, evidentemente, como um partido revolucionário. Foi desde a fundação um partido reformista. Mas era um partido independente da classe dominante e, ao contrário do MDB, defendia a luta para derrubar a ditadura. Em relação ao programa histórico marxista, o PT era uma mediação, ou, simplificando, era regressivo. Seu núcleo de direção central vinha de dissidentes da estrutura burocrática sindical que se radicalizava diante da repressão da ditadura. Mas ao se posicionar em oposição ao regime e ao governo cumpria um papel progressivo.

    Se a esquerda revolucionária não tivesse entrado no PT deixaria de cumprir um papel positivo naquela etapa de experiência do melhor do ativismo jovem e proletário, e estaria se condenando à marginalidade. Porque a defesa de um programa, sem considerar a relação política de forças, teria sido um infantilismo sectário. A autoridade conquistada por Lula e o peso do PT era fatores suficientes para desaconselhar qualquer aventura autoproclamatória de luta por uma legalidade própria, porque não havia espaço político..

    Em 1984, durante a campanha das Diretas Já, embora a direção das mobilizações estivesse nas mãos de Ulysses Guimarães e Tancredo Neves e, em menor medida, de Brizola, eleito governador do Rio de Janeiro em 1982, a existência do PT e a afirmação da liderança de Lula foi essencial para tentar derrubar a ditadura. Assim como foi progressivo o PT não ter legitimado a eleição da chapa Tancredo/ Sarney no Colégio Eleitoral. Se o PT tivesse apoiado a ida ao Colégio Eleitoral, e não tivesse sido oposição ao governo Sarney, Lula não teria chegado ao segundo turno de 1989. E a presença de Lula nas eleições contra Collor, mesmo derrotado, foi fundamental para abrir o caminho para as eleições de 2002.

     


    NOTAS
    1 –
    Em entrevista ao jornal Valor Econômico, Mauro Benevides Filho, assessor econômico de Ciro Gomes, declarou sobre a reforma da Previdência, um dos centros do projeto de ajuste fiscal: Valor: E a Previdência? Benevides: Na reforma da Previdência é preciso separar o que é benefício social da Previdência. São três pilares. Um é o salário mínimo para os benefícios sociais. Segundo pilar, regime de repartição, diminuindo o teto existente hoje, de R$ 5,6 mil, calibrando com o custo de transição para o terceiro pilar. O teto cairia para 3,5 salários mínimos. Consulta em 31/05/2018.
    http://www.valor.com.br/politica/5559193/o-foco-e-cobrar-no-elevador-de-cima-diz-assessor-de-ciro

    2 – Valor: Mas isso leva tempo, não? Benevides: Por isso temos que fazer tudo em oito meses. Dá tempo porque vamos discutir na campanha. Passada a campanha, vamos aprovar projeto de lei e de emendas constitucionais para propor ao Congresso.
    http://www.valor.com.br/politica/5559193/o-foco-e-cobrar-no-elevador-de-cima-diz-assessor-de-ciro   Consulta em 31/05/2018

    FOTO: Ciro Gomes participa do programa Roda Viva, no dia 28 de maio. Divulgação

  • Lula está cansado e o PT perdido

    Lucas Ribeiro Scaldaferri, de Fortaleza (CE)

    O fogo pesado disparado todos os dias contra Lula pela mídia e os diversos processos e decisões do poder judiciário minaram as forças do ex-presidente. Assistindo a esse vídeo de Lula, creio também que ele deve estar se sentindo traído pelos seus antigos aliados (empresários e banqueiros) que não só o abandonaram como querem enterrar de uma vez por todas qualquer possibilidade da sua volta para a Presidência.

    Lula, Dirceu, Genoíno e demais petistas com responsabilidade no processo de transformismo do PT não trabalharam com a possibilidade de traição por parte da burguesia. Acreditaram que a lua de mel da Carta ao Povo Brasileiro, da responsabilidade fiscal draconiana, do pagamento religioso da dívida pública e seus juros exorbitantes, das parcerias com as construtoras, agronegócio, educação privada gerariam um pacto duradouro com as frações da classe dominante.

    Da mesma forma Lula e a direção do PT sabem que neste momento não temos nenhum sinal de que a classe trabalhadora se levantará contra sua prisão. O PT e seu maior expoente público levaram por suas ações no governo e no movimento à paralisia, ao recuo e a desmoralização da classe trabalhadora. O PT governou estes anos todos sem querer ameaçar a democracia dos ricos. Nem mesmo mecanismos democráticos diretos previstos na Constituição Federal de 1988 foram utilizados para mobilizar amplas camadas populares para na rua ter conquistas para suas vidas. A democracia dos ricos foi respeitada religiosamente por Lula e seus companheiros. Quando a burguesia precisou retomar o gerenciamento dos seus negócios descartou o PT, rompeu a Constituição, a legalidade e instalou uma agenda regressiva.

    Para impedir a prisão de Lula precisaríamos um grau de mobilização e de agitação que as novas gerações nunca fizeram. Desejos e bravatas como alguns dirigentes petistas fazem só ampliam a desmoralização da nossa classe. A prisão de Lula é uma realidade e deve acontecer ainda no mês de março. O PT está perdido e sem orientação política de como resistir aos ataques políticos e jurídicos.

    O projeto político estratégico de Lula é o principal responsável pela situação que chegamos até aqui. É preciso dizer as coisas como são! Não foi dado um golpe para Lula e o PT voltarem ao governo nas eleições seguintes. A hipótese mais provável é que Lula seja impedido de pleitear a Presidência da República e preso.

    Ser contra a prisão de Lula é a obrigação de qualquer militante de esquerda, seja socialista ou não. A mobilização contra a agenda política, econômica e social dos golpistas de plantão precisa ser combinada com a bandeira democrática que não compactua com o rumo reacionário e anti-popular do poder judiciário. O programa político de Lula não nos representa, não nos encanta e não pode ser nossa referência, mas sua prisão, de uma forma ou de outra, atinge a todos nós.

     

    EDITORIAL:

    É preciso lutar contra a prisão de Lula e construir uma alternativa política

  • Manifesto reúne assinaturas em apoio à pré-candidatura de Guilherme Boulos à Presidência

    Manifesto assinado por correntes e lideranças do PSOL defende o nome de Boulos, do MTST, para a conferência eleitoral do partido

    Neste final de semana, foi lançado o site vamoscomboulos.org com o objetivo de recolher assinaturas de filiados e simpatizantes do PSOL em apoio à pré-candidatura de Guilherme Boulos. O manifesto estava perto de sete mil assinaturas em apoio ao nome de Boulos, coordenador nacional do MTST. E conta ainda com apoio de várias correntes e coletivos do PSOL – Ação Popular Socialista, Fortalecer o PSOL, Insurgência, MAIS, LSR, M-LPS, entre outras – além de parlamentares e membros do Diretório Nacional. O portal Esquerda Online, em editorial no dia 06 de fevereiro, também defendeu o nome de Guilherme Boulos.

    O manifesto ressalta a importância da unidade com o MTST, impulsionando a reorganização da esquerda. A aliança “pode ser muito mais do que uma candidatura: pode representar um salto na construção de um campo político que assuma os interesses dos de baixo e não tenha medo de enfrentar os privilégios impostos pela elite brasileira, propondo medidas claramente anticapitalistas, que onerem os ricos ao invés dos trabalhadores”, diz trecho do manifesto, cuja íntegra pode ser lida abaixo ou no site.

    Conferência eleitoral
    Em dezembro, em seu congresso nacional, o PSOL aprovou que irá apresentar candidatura própria para a Presidência da República. “O PSOL construirá uma candidatura que represente uma ampliação para além de suas fileiras partidárias e expresse o acúmulo das lutas dos movimentos sociais combativos, da Frente Povo Sem Medo, das lutas no parlamento contra o golpe institucional e em defesa de um novo campo político na esquerda que expresse a negação da conciliação de classes como estratégia política”, afirma a resolução. O texto defendia ainda a revogação das reformas e medidas do governo Temer.

    O congresso aprovou ainda uma conferência eleitoral do PSOL para definir a candidatura, que ocorrerá no dia 10 de março, com 126 delegados. As pré-candidaturas podem ser registradas até o dia 06 de marços, e, além de Boulos, outros nomes já foram apresentados: Plínio de Arruda Sampaio Júnior e Nildo Ouriques, ambos economistas, Hamilton Assis, militante do movimento negro, e Sônia Guajajara, líder indígena, que também é proposta para ser a vice de uma possível candidatura Boulos. Setores do partido, como o MES, da ex-candidata Luciana Genro, defendem ainda a realização de prévias para a definição da candidatura presidencial. O partido busca também uma unidade com outros setores da esquerda, como o PCB.

    MANIFESTO
    VAMOS, SEM MEDO, COM GUILHERME BOULOS PRESIDENTE! 
    A situação aberta no país com o golpe institucional encontra-se em momento crítico. Após aprovação da Emenda Constitucional que congela os investimentos públicos por 20 anos, Temer e o Congresso Nacional impuseram a Reforma Trabalhista, que acaba com quase um século de conquistas dos trabalhadores e trabalhadoras. Apesar da resistência, o governo segue a ameaça de acabar com a aposentadoria no Brasil.

    A intervenção militar no estado do Rio de Janeiro, as arbitrariedades do Judiciário e o crescimento de alternativas conservadoras anunciam a ampliação da ofensiva contra os explorados e oprimidos.

    Mas a situação é ainda pior para as mulheres trabalhadoras, que sofrem com a violência machista todos os dias. Também para as negras que, além assistirem a seus filhos, irmãos, sobrinhos e netos morrerem pelas mãos da polícia e do tráfico, são assassinadas e presas. Os jovens negros e periféricos, que veem seu futuro roubado a cada dia com o encarceramento em massa e o desmonte da educação pública. A violência contra LGBTs e adeptos de religiões de matrizes africanas também cresce à medida que figuras como Bolsonaro ganham espaço para propagar o ódio.

    Tragédias como a da Samarco que destroem o ecossistema de regiões inteiras ocorrem sem nenhuma responsabilização dos culpados. As grandes empresas e o agronegócio provocam danos irreparáveis para o nosso meio ambiente e expulsam populações indígenas e ribeirinhas de suas terras.

    Cabe ao PSOL apresentar um programa e uma candidatura para as eleições de 2018 que enfrentem os poderosos e privilegiados, seja um ponto de apoio para os oprimidos e defenda as liberdades democráticas conquistadas com a luta e o sangue daqueles resistiram num passado não distante.

    Os 13 anos de governos petistas não promoveram as reformas estruturais necessárias para atender os anseios do povo trabalhador e defendidas pela esquerda socialista historicamente. Inicia-se um novo ciclo político. O fim de duas décadas de polarização entre PT e PSDB, assim como a profunda crise do sistema político, permitem o surgimento de uma alternativa radical. Para isso, é preciso encarar no presente o desafio de construir o futuro.

    O PSOL nasceu da ousadia daqueles que não aceitaram os limites impostos por um regime político apodrecido. Nasceu buscando superar os limites do PT e seu projeto de conciliação de classes, e assim permaneceu como um polo de resistência da esquerda no parlamento e nas lutas. Esse é nosso DNA. Assim, conquistamos nosso espaço na sociedade e por isso, em meio à crise de representatividade das velhas legendas, fomos o partido que mais cresceu nos últimos anos.

    É necessário, no entanto, admitir que não somos ainda suficientes. É preciso olhar para além dos nossos próprios muros.

    A luta contra o golpe e a unidade para enfrentar os retrocessos fortaleceram os laços entre o PSOL e o MTST. Este movimento, junto à Frente Povo sem Medo, esteve na linha de frente da luta em defesa da democracia e dos direitos, com suas barricadas, ocupações, movendo milhares de trabalhadores. Essa parceria enche o PSOL de orgulho.

    No calor das lutas de resistência passamos a construir saídas para a crise que vivemos no Brasil. A plataforma Vamos! propõe medidas de enfrentamento aos privilégios e contra a desigualdade e a opressão.

    A aliança entre PSOL e MTST nas eleições de 2018 pode ser muito mais que uma candidatura: pode representar um salto na construção de um campo político que assuma os interesses dos de baixo e não tenha medo de enfrentar os privilégios impostos pela elite brasileira, propondo medidas claramente anticapitalistas, que onerem os ricos ao invés dos trabalhadores.

    Ninguém melhor para simbolizar essa aliança e este programa do que Guilherme Boulos, líder dos sem-teto.

    Guilherme, tendo a ousadia própria de sua juventude, é provado nas lutas dos últimos 20 anos e representa um movimento que tem os pés fincados na base das periferias das grandes cidades. Um dos movimentos que mais permaneceu mobilizado, mesmo durante os governos petistas. Inspira confiança porque sendo perseguido pelo governo, pela mídia e pela polícia, seguiu firme na missão de fazer justiça social e organizar os de baixo. Já demonstrou inúmeras vezes a radicalidade necessária para enfrentar os poderosos. Por isso sua candidatura contagia movimentos de juventude, indígenas, de mulheres, negros, mídia independente, ativistas de todas as idades, trabalhadores dos mais diversos setores, intelectuais, artistas progressistas e certamente pode contagiar milhões de brasileiros. É possível ver um caminho de esperança em que o povo e a cultura construída pelos povos que formam o Brasil estejam representados em um projeto das e pelas maiorias.

    É necessário promover novamente o encontro das ideias socialistas com os trabalhadores e o povo oprimido. É preciso acreditar nas nossas ideias, mas na condição de transformá-las em realidade. Sem isso, o PSOL não terá ainda cumprido seu objetivo. Estamos longe do nosso destino, mas estamos bem acompanhados em mais uma etapa desta caminhada. Por isso vamos com Boulos presidente!

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  • Brasil: A terra do tupiquinim em depressão

    Por: Vitor Diego, Rio de Janeiro, RJ

    A conjuntura brasileira

    O Brasil vive nos últimos meses uma onda conservadora real. Golpe derrubando a Dilma e um governo interino, completamente esquizofrênico, ataca diariamente os trabalhadores.

    As mídias burguesas propagam cada vez mais a ideologia capitalista e a classe média fantasiada e iludida com a burguesia. Muitos são os fatores que fazem com que o país esteja inserido nesse processo conservador.

    Os governos atuais, e os que irão assumir já na semana que vem as prefeituras e estados, começam agora a mostrar as suas garras. Eles irão implementar o mais do mesmo, a exemplo do Rio de Janeiro e São Paulo. Ambos os futuros prefeitos apresentaram os nomes de suas secretarias, nomes antigos, corruptos, bandidos e que compunham a velha política de favores.

    A calamidade pública propagandeada pelos governos estaduais e municipais para o não pagamento dos servidores revela um único objetivo: a precarização total dos serviços visando a terceirização e privatização dos setores sociais.

    Sabe-se que com a precarização de hospitais, escolas e universidades do setor público, com a prerrogativa de que não existe dinheiro para manutenção estrutural e de servidores, se abre as portas para leilões milionários e terceirizações.

    O governo FHC na prática fez o que os governos atuais fazem. Hoje vemos que a privatização é algo de extrema burrice³, já que, num intervalo de tempo o próprio governo acaba tendo que injetar dinheiro público para salvar essas empresas.

    A PEC 55 é um dos maiores ataques ao desenvolvimento econômico e social do Brasil. Foi vendida como salvadora através de banquetes e manobras políticas, como a de Renan que negou uma sentença¹, foi aprovada com grande decoro. Uma emenda absurda. Todos os meios internacionais apontaram os erros da PEC do Fim do Mundo.

    Isso mostra um grande despreparo do governo vigente que só faz pensar no seu próprio bem-estar, com empresários esses que formam o governo. É preciso de um artigo inteiro (o que já tem bastante) para falar da PEC.

    As reformas propostas pelo governo golpista Temer, tentam sem nenhum senso de justiça derrubar direitos conquistados há mais de 60 anos pelos trabalhadores.
    O interesse deste governo em forçar o trabalhador a procurar uma previdência privada, atacando a CLT com a premissa de “modernização” e dando ao patrão o direito de coagir seu funcionário são uma afronta muito grande aos trabalhadores.

    Impressões, vontade e luta

    O que esperar numa conjuntura dessas da esquerda?

    Na visão de um trabalhador, com alguma formação política, residente de uma favela na Zona Norte do Rio de Janeiro: Muitas coisas.

    Existe hoje, um problema no diálogo entre a esquerda e a população. Parte pela derrocada moral do PT nesse último ano, e parte por certa resistência da própria esquerda em se aproximar da população – seja por política pouco prestativa no sentido de um morador de favela levar a sério ou por se concentrar em nichos como as universidades.

    Em um certo comício do Freixo, feito na própria Zona Norte, notava-se a presença massiva da base universitária que compôs a campanha de Freixo e pouco da população da região. Nas ruas, em momento de debate, notava-se pouco a presença de Freixo na voz do povo e muito mais a de que iriam votar nulo.

    É claro que conseguir a quantidade de votos que o Freixo conseguiu numa conjuntura como essa é uma vitória a ser comemorada, mas a questão que sobressaiu na visão desse trabalhador é: Perdemos realmente para o nulo?

    Em um momento em que a direita cresce desordenadamente nas massas através de propaganda das mídias e nas redes sociais, onde o trabalhador se vê representado por burgueses travestidos com discursos evasivos, a esquerda se vê sendo um nicho muito específico.

    Alguns trabalhadores organizados através dos seus sindicatos vão às ruas e compõe atos de cinco a dez mil pessoas, e são fortemente reprimidos. Os grandes sindicatos ainda são do PT. Estes já se renderam ao sistema burguês de governar, ajoelhando-se aos primos PMDB e PSDB.

    A CUT hoje não representa realmente os interesses da população, e sim, vende um lulismo enfadonho. Puxa coro para as eleições de 2018 e negligencia toda a luta atual da esquerda contra o governo.

    A população é bombardeada de informações falsas. Alarmada com discursos de que o Estado não tem dinheiro e que a corrupção é uma seção exclusiva do PT. Enquanto isso, o próprio Partido dos Trabalhadores mostra à população que não há uma real saída que não seja pela eleição do Lula em 2018.

    Ademais, temos uma esquerda fragilizada por culpa do PT, o PT exercendo seu papel retardatário com a população e uma tentativa de blindagem e personalização de um quadro político que é o Lula.

    A lei do desenvolvimento desigual e combinado talvez possa ser aplicada no sentido de que temos uma população fragilizada e com acesso online de informações, ao mesmo tempo em que as mídias televisivas representadas aqui por Globo, Record, Band e SBT propagandeiam a Lava Jato como a saída mais provável para limpar o Brasil.

    As mídias sociais como o Facebook e o Youtube também ganham forças entre a população. Os partidos burgueses financiam iniciativas como MBL e Mamãe Falei para atacar as ocupações e as manifestações estudantis, como ocorreu neste ano.

    Desta maneira, a população ao mesmo tempo em que usa dos mais avançados recursos de informação, que é a própria internet, também é capturada pelos velhos barões da política com esses mesmos recursos.

    É preciso um diálogo real da esquerda com o proletariado. Chamar o povo para atos durante a semana, e em horários de expediente é um erro muito grave. Acreditar que o trabalhador tenha total disponibilidade é um completo erro. Trotsky já nos ensinou que a revolução é um conjunto de fatores extraordinários que acontecem numa conjuntura extraordinária.

    A esquerda precisa trabalhar nesses fatores e fazer com que cada vez mais eles sejam alcançáveis. Isso só se dará no momento em que o trabalhador de marketing, do comércio e das fábricas sentirem que a luta é o único caminho para a mudança e isso só se conquistará através de uma longa jornada de ganho de consciência.

    Os militantes precisam saber ouvir e dialogar. A consciência da massa precisa ser disputada nos pormenores. A fórmula para ganhar o máximo da consciência dos trabalhadores já foi nos passada anos atrás por Marx, Engels, Trotsky, Lenin e até mesmo Moreno. Levar a luta de classes, a dúvida e o questionamento só se consegue através da disputa no trem, com os amigos e as pessoas em seu meio social.

    O militante deve falar, mas muito antes disso, deve saber também escutar. O sectarismo é um mal a ser combatido dentro do movimento. A população mais “politizada” sente que a esquerda é preenchida de arrogantes e blasfêmicos, por culpa do movimento, por culpa da postura arrogante e da falta do ouvir.

  • II Festival de Resistência da Matrix no ABC celebra força da batalha de rap

    No último sábado, dia 19, rolou o II° Festival de Resistência da Matrix que conseguiu unir os quatro elementos do Hip Hop, MC’s, DJ’s, Grafiteiros e B Boys, além de arte circense, maracatu, teatro e um cineclube ao ar livre, para celebrar a resistência desta batalha de rap que já sofreu diversas vezes a repressão dos governos através da PM e GCM.

    A Batalha é um importante pólo de produção de cultura na região, ajudando a impulsionar a criação de vários grupos de rap, e a inspirar a juventude da periferia que frequenta o evento. O fato de ocorrer no mês da consciência negra também nos faz lembrar que a cultura Hip Hop cumpre um importante papel na luta contra o racismo, e o fato deste movimento ser discriminado mostra que essa luta ainda tem muito a ser fortalecida. Muitos MC’s apresentam esta temática em suas letras, inclusive nas improvisações.

    Confira o vídeo!