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BRASIL

Manifesto reúne assinaturas em apoio à pré-candidatura de Guilherme Boulos à Presidência

Guilherme Boulos. Foto: Mídia Ninja

Manifesto assinado por correntes e lideranças do PSOL defende o nome de Boulos, do MTST, para a conferência eleitoral do partido

Neste final de semana, foi lançado o site vamoscomboulos.org com o objetivo de recolher assinaturas de filiados e simpatizantes do PSOL em apoio à pré-candidatura de Guilherme Boulos. O manifesto estava perto de sete mil assinaturas em apoio ao nome de Boulos, coordenador nacional do MTST. E conta ainda com apoio de várias correntes e coletivos do PSOL – Ação Popular Socialista, Fortalecer o PSOL, Insurgência, MAIS, LSR, M-LPS, entre outras – além de parlamentares e membros do Diretório Nacional. O portal Esquerda Online, em editorial no dia 06 de fevereiro, também defendeu o nome de Guilherme Boulos.

O manifesto ressalta a importância da unidade com o MTST, impulsionando a reorganização da esquerda. A aliança “pode ser muito mais do que uma candidatura: pode representar um salto na construção de um campo político que assuma os interesses dos de baixo e não tenha medo de enfrentar os privilégios impostos pela elite brasileira, propondo medidas claramente anticapitalistas, que onerem os ricos ao invés dos trabalhadores”, diz trecho do manifesto, cuja íntegra pode ser lida abaixo ou no site.

Conferência eleitoral
Em dezembro, em seu congresso nacional, o PSOL aprovou que irá apresentar candidatura própria para a Presidência da República. “O PSOL construirá uma candidatura que represente uma ampliação para além de suas fileiras partidárias e expresse o acúmulo das lutas dos movimentos sociais combativos, da Frente Povo Sem Medo, das lutas no parlamento contra o golpe institucional e em defesa de um novo campo político na esquerda que expresse a negação da conciliação de classes como estratégia política”, afirma a resolução. O texto defendia ainda a revogação das reformas e medidas do governo Temer.

O congresso aprovou ainda uma conferência eleitoral do PSOL para definir a candidatura, que ocorrerá no dia 10 de março, com 126 delegados. As pré-candidaturas podem ser registradas até o dia 06 de marços, e, além de Boulos, outros nomes já foram apresentados: Plínio de Arruda Sampaio Júnior e Nildo Ouriques, ambos economistas, Hamilton Assis, militante do movimento negro, e Sônia Guajajara, líder indígena, que também é proposta para ser a vice de uma possível candidatura Boulos. Setores do partido, como o MES, da ex-candidata Luciana Genro, defendem ainda a realização de prévias para a definição da candidatura presidencial. O partido busca também uma unidade com outros setores da esquerda, como o PCB.

MANIFESTO
VAMOS, SEM MEDO, COM GUILHERME BOULOS PRESIDENTE! 
A situação aberta no país com o golpe institucional encontra-se em momento crítico. Após aprovação da Emenda Constitucional que congela os investimentos públicos por 20 anos, Temer e o Congresso Nacional impuseram a Reforma Trabalhista, que acaba com quase um século de conquistas dos trabalhadores e trabalhadoras. Apesar da resistência, o governo segue a ameaça de acabar com a aposentadoria no Brasil.

A intervenção militar no estado do Rio de Janeiro, as arbitrariedades do Judiciário e o crescimento de alternativas conservadoras anunciam a ampliação da ofensiva contra os explorados e oprimidos.

Mas a situação é ainda pior para as mulheres trabalhadoras, que sofrem com a violência machista todos os dias. Também para as negras que, além assistirem a seus filhos, irmãos, sobrinhos e netos morrerem pelas mãos da polícia e do tráfico, são assassinadas e presas. Os jovens negros e periféricos, que veem seu futuro roubado a cada dia com o encarceramento em massa e o desmonte da educação pública. A violência contra LGBTs e adeptos de religiões de matrizes africanas também cresce à medida que figuras como Bolsonaro ganham espaço para propagar o ódio.

Tragédias como a da Samarco que destroem o ecossistema de regiões inteiras ocorrem sem nenhuma responsabilização dos culpados. As grandes empresas e o agronegócio provocam danos irreparáveis para o nosso meio ambiente e expulsam populações indígenas e ribeirinhas de suas terras.

Cabe ao PSOL apresentar um programa e uma candidatura para as eleições de 2018 que enfrentem os poderosos e privilegiados, seja um ponto de apoio para os oprimidos e defenda as liberdades democráticas conquistadas com a luta e o sangue daqueles resistiram num passado não distante.

Os 13 anos de governos petistas não promoveram as reformas estruturais necessárias para atender os anseios do povo trabalhador e defendidas pela esquerda socialista historicamente. Inicia-se um novo ciclo político. O fim de duas décadas de polarização entre PT e PSDB, assim como a profunda crise do sistema político, permitem o surgimento de uma alternativa radical. Para isso, é preciso encarar no presente o desafio de construir o futuro.

O PSOL nasceu da ousadia daqueles que não aceitaram os limites impostos por um regime político apodrecido. Nasceu buscando superar os limites do PT e seu projeto de conciliação de classes, e assim permaneceu como um polo de resistência da esquerda no parlamento e nas lutas. Esse é nosso DNA. Assim, conquistamos nosso espaço na sociedade e por isso, em meio à crise de representatividade das velhas legendas, fomos o partido que mais cresceu nos últimos anos.

É necessário, no entanto, admitir que não somos ainda suficientes. É preciso olhar para além dos nossos próprios muros.

A luta contra o golpe e a unidade para enfrentar os retrocessos fortaleceram os laços entre o PSOL e o MTST. Este movimento, junto à Frente Povo sem Medo, esteve na linha de frente da luta em defesa da democracia e dos direitos, com suas barricadas, ocupações, movendo milhares de trabalhadores. Essa parceria enche o PSOL de orgulho.

No calor das lutas de resistência passamos a construir saídas para a crise que vivemos no Brasil. A plataforma Vamos! propõe medidas de enfrentamento aos privilégios e contra a desigualdade e a opressão.

A aliança entre PSOL e MTST nas eleições de 2018 pode ser muito mais que uma candidatura: pode representar um salto na construção de um campo político que assuma os interesses dos de baixo e não tenha medo de enfrentar os privilégios impostos pela elite brasileira, propondo medidas claramente anticapitalistas, que onerem os ricos ao invés dos trabalhadores.

Ninguém melhor para simbolizar essa aliança e este programa do que Guilherme Boulos, líder dos sem-teto.

Guilherme, tendo a ousadia própria de sua juventude, é provado nas lutas dos últimos 20 anos e representa um movimento que tem os pés fincados na base das periferias das grandes cidades. Um dos movimentos que mais permaneceu mobilizado, mesmo durante os governos petistas. Inspira confiança porque sendo perseguido pelo governo, pela mídia e pela polícia, seguiu firme na missão de fazer justiça social e organizar os de baixo. Já demonstrou inúmeras vezes a radicalidade necessária para enfrentar os poderosos. Por isso sua candidatura contagia movimentos de juventude, indígenas, de mulheres, negros, mídia independente, ativistas de todas as idades, trabalhadores dos mais diversos setores, intelectuais, artistas progressistas e certamente pode contagiar milhões de brasileiros. É possível ver um caminho de esperança em que o povo e a cultura construída pelos povos que formam o Brasil estejam representados em um projeto das e pelas maiorias.

É necessário promover novamente o encontro das ideias socialistas com os trabalhadores e o povo oprimido. É preciso acreditar nas nossas ideias, mas na condição de transformá-las em realidade. Sem isso, o PSOL não terá ainda cumprido seu objetivo. Estamos longe do nosso destino, mas estamos bem acompanhados em mais uma etapa desta caminhada. Por isso vamos com Boulos presidente!

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