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  • É São João: das noites tão brasileiras na fogueira sob o luar do sertão

    “Na fogueira de São João
    Eu quero brincar
    Quero soltar meu balão
    E foguinhos queimar”

    Por Diogo Xavier de Recife e Ohana Pageú de Fortaleza

    A chegada do mês de Junho traz um pulsar de alegria no coração dos nordestinos, mês de muita festa e de relembrar as coisas da terra. O mês junino é também a época de passar tradições, juntando a família e amigos pra comemorar a fumaça da fogueira, o barulho das bombas, seguida de risadas e gritos das crianças que as soltam, a disputa de quadrilhas, as comidas que enchem a boca de prazeres… É São João e o Nordeste está em festa.

    Uma época tão especial onde as pessoas saem às ruas para comemorar, acender fogueiras para os santos, agradecer o que se passou, pedir mais chuva e uma abundante colheita que garanta o sustento por mais um tempo.

    Também é época de lembrar nossos mestres. Luiz Gonzaga, o Rei do Baião que popularizou o ritmo por todo Brasil cantando sua terra. Dominguinhos, Sivuca, Zé Dantas, Marinês, Jackson do Pandeiro, Anastácia e outros grandes nomes que são referências da música nordestina.

    As festividades começam com Santo Antônio, santo casamenteiro que dá origem ao dia dos namorados no país. Depois, vem São João, o responsável pela abundante colheita do milho. É o mais lembrado e festejado. O mês se finda com São Pedro, o santo que traz a chuva tão necessitada pelo sertanejo, que espera ver a água cair do céu pra se encher de esperança.

    As festas possuem uma mistura bem característica do nordeste. As quadrilhas juninas com suas danças coloridas; os teatros que encenam o dia -a- dia das paqueras e dos casamentos da roça; a comemoração da fartura com comidas típicas. Várias manifestações que aquecem, junto com a fogueira, os ânimos dos nordestinos.

    No campo, as comunidades se juntam para fazer suas festas e cada uma acende a sua fogueira. Na cidade, os bairros da periferia também se enchem de fogueiras, barraquinhas de comidas típicas e festivais de quadrilhas nas pracinhas, marcas de um povo que veio dos sertões para habitar as capitais nordestinas.

    A festa é o momento de comemorar os bons frutos que vieram do trabalho árduo. Por isso, que, na noite de São João, o nordeste brinca e comemora os frutos do seu povo que trabalha.

    Se tiver uma festa de São João aí no bairro, na escola, na roça ou em qualquer outro canto, siga o conselho de Gonzagão: “O forró já começou, Vamos gente, rapa-pé nesse salão”. Viva o São João!!!

  • A crise da burguesia, e a crise da esquerda 

    Gabriel Casoni, do Conselho Editorial do Esquerda OnLine

    Na medida em que a crise se estende no tempo e se aprofunda, o impasse em torno de sua solução adquire relevância cada vez maior. Tal estado de irresolução explica-se, antes de mais nada, pelo fato de que nenhuma das duas classes fundamentais – a burguesia e os trabalhadores –  tenha conseguido, até aqui, estabelecer uma saída consistente frente ao desequilíbrio crescente.  

    O “andar de cima” encontra-se às voltas com os apuros políticos e econômicos. A presente crise de direção burguesa, isto é, a crise de sua forma de dominação, parida na transição democrática e afiançada no pacto social expresso na Constituição de 1988, manifesta-se em cores vivas nos sucessivos e graves conflitos institucionais e políticos; os quais, por sua vez, resultam numa inesperada dificuldade, por parte da classe dominante, em estabilizar o governo e o sistema político-partidário. 

    O elemento particularmente significativo da conjuntura consiste no fato de que a crise “dos de cima” não é acompanhada por um correspondente avanço “dos debaixo”. Quer dizer: embora exista um quadro de confusão e divisão na classe dominante, a classe trabalhadora mantém-se em posição defensiva, ainda que tenha ganhado corpo o movimento de resistência contra as reformas de Temer, como ficou demonstrado na greve geral de 28 de abril.  

    Numa formulação mais concisa: existe uma crise entre “os de cima”, que decorre sobretudo das dificuldades em seguir dominando como antes; porém, não há, por enquanto, uma ação ofensiva “dos de baixo”, a qual poderia, alterando a correlação política e social de forças, abrir uma nova situação política no país. 

    Neste contexto de impasse, a atual crise política, que se desenrola sob o terreno movediço da crise econômica e social, seguirá se desenvolvendo, em movimentos e desdobramentos imprevisíveis, até que uma das classes centrais conquiste um sólido desenlace favorável.

    No que diz respeito à burguesia, quando olhamos seu problema imediato,  observa-se a grande dificuldade na formação de um consenso em torno de um nome para substituir, via eleições indiretas, Michel Temer no comando do governo; o qual segue agonizando, dia após dia. No que refere-se à crise mais de fundo, torna-se crucial para burguesia a reformulação do sistema político de dominação, tendo em vista um novo arranjo institucional, político e partidário como expressão, em primeiro lugar, da relação de forças (e de hegemonia) entre as frações burguesas dominantes em confronto. 

    Do ponto de vista da classe trabalhadora, destacam-se, de modo negativo, os fatores subjetivos. Os quase quatorze anos de conciliação de classes do PT no governo federal não passaram em vão: produziram um inegável retrocesso no nível de consciência classista e de organização independente das massas trabalhadoras e populares; para não falar da abertura de novos caminhos para a (nova) direita, como vimos no processo que conduziu ao golpe parlamentar. 

    Por outro lado, as alternativas ao petismo no campo da esquerda, em particular os socialistas revolucionários, não conseguiram, ao longo da última década, construir uma alternativa com influência de massas e capacidade de mobilização social que pudesse deslocar as direções burocráticas e reformistas majoritárias. Para além do atraso político, o peso da burocracia sindical, que nesse momento inicia o desmonte da greve geral marcada para o dia 30 de junho, joga contra os trabalhadores. 

    No curto prazo, a disposição “das bases” empurrarem suas direções políticas e sindicais para o enfrentamento social e político contra o governo e as reformas terá enorme importância, assim como a possibilidade de ações de impacto por fora controle dos aparatos. Em termos mais estratégicos, a construção de uma nova esquerda, que supere os limites políticos e programáticos do lulismo, quer dizer, que avance no sentido de um programa anticapitalista de transformação social, será decisivo para a recomposição subjetiva do conjunto dos explorados e oprimidos. 

  • Eleições legislativas francesas: uma maioria com pouca legitimidade eleitoral frente a uma resistência em gestação

    Por Renato Fernandes, Campinas/SP

     Foto: AFP

    Nas duas últimas semanas ocorreram as eleições legislativas francesas. O resultado das urnas foi uma grande vitória para o novo presidente Emmanuel Macron: a aliança entre o seu partido La République En Marche (LREM) e o Mouvement Democratique (MoDem) obteve 350 cadeiras na Assembleia nacional, garantindo uma maioria folgada entre os 577 deputados. Os dois partidos são considerados de “centro” no cenário político francês.

    A oposição conservadora de direita é a primeira oposição com 130 deputados pelos Les Républicains (LR) e a Union des Démocrates et Indépendants (UDI). Na esquerda, o bloco dirigido pelo Parti Socialiste (PS) conseguiu 43 deputados, enquanto o bloco da France Insoumisse (FI) e do Parti Communiste Français (PCF) conseguiram 27.

    A queda do PS é a mais impressionante: em 2012, eles elegeram 258 deputados tendo 9,4 milhões de eleitores (40,9% dos votos); já em 2017, após 5 anos de um governo social-liberal, o PS teve seus 29 deputados com apenas 1 milhão (5,68%) – um verdadeiro salto para o abismo que gerou fortes crises no aparato do partido.

    Apesar do “massacre” eleitoral de Macron, um dado que chamou a atenção foi a forte abstenção no pleito. No primeiro turno das legislativas, a abstenção foi de aproximadamente 50%. Já no segundo turno, a abstenção chegou a 57,36%. Para se ter uma ideia do que isso significa, basta considerar que do total de inscritos para votar, somente 18,88% votaram na aliança entre LREM/MoDem. Com isso, a maioria que o governo obteve não foi eleita nem por 1/5 dos franceses, o que demonstra a pouca legitimidade eleitoral. O alto nível de abstenção leva alguns analistas a afirmarem que existe uma “americanização do sistema eleitoral francês, isto é, altos níveis de abstenção combinados a um alto nível de lobby empresarial nas campanhas políticas.

    Como dissemos em outro artigo, essa maioria terá o objetivo de garantir uma política neoliberal. O grande projeto de Macron será o de adequar a França aos planos de austeridade da União Europeia (UE) garantindo o respeito ao Pacto de Estabilidade e Crescimento que prevê um déficit orçamentário máximo de 3% do PIB e, também, um conjunto de contrarreformas neoliberais como é o caso da contrarreforma trabalhista. O objetivo de Macron é o de se adequar aos parâmetros alemães para poder negociar uma maior integração da UE em relação às questões como o Eurobônus e o Orçamento Europeu.

    Uma resistência que urge

    Para a classe trabalhadora francesa esse programa econômico será um desastre: uma maior desregulamentação dos direitos trabalhistas aumentará a precariedade laboral no país e, consequentemente, os níveis de exploração dos trabalhadores. Sem dúvida, essas contrarreformas são a continuidade das políticas econômicas de Nicolas Sarkozy (2007-2012), que fez uma reforma da previdência, e de François Hollande (2012-2017), que fez uma reforma trabalhista. Nos dois casos os trabalhadores resistiram bravamente, com greves, ocupações e manifestações de rua, mas infelizmente foram derrotados.

    Agora, uma nova resistência está se gestando pela base. Um dia após as eleições, em 19 de junho, o Front Social convocou atos e marchas por toda a França. Essa frente é composta por sindicatos de base da principal central sindical, CGT, e também por outras organizações sindicais como o SUD-Solidaires e partidos de esquerda como o Nouveau Parti Anticapitaliste e setores da France Insoumisse.

    Os atos tiveram duas motivações principais: rejeitar a contrarreforma trabalhista que já está sendo debatida nos bastidores e que será apresentada por Decretos na volta das férias de verão (setembro) e, também, se opor ao governo Macron e sua maioria na Assembleia Nacional. As manifestações ocorreram em 35 cidades diferentes reunindo cerca de 20 mil pessoas nacionalmente. O que não parece nada mal, dado a ressaca eleitoral e a proximidade das férias de verão.

  • O que esperar dos estudantes e do 55º Congresso da UNE?

    Editorial 15 de junho

    Entre hoje (15) e domingo, a cidade de Belo Horizonte se tornou a capital do Movimento Estudantil brasileiro. Ocorre desde ontem (14), o 55º Congresso Nacional da União Nacional dos Estudantes – UNE. A expectativa é de que esse Congresso reúna mais de dez mil estudantes de todos os estados do Brasil.

    A efervescência política e os efeitos da crise econômica rodeiam a conjuntura em torno a esse Congresso. O 55º CONUNE ocorrerá em um momento especial para a história do Brasil. Isso aumenta e muito a responsabilidade dos milhares de jovens que participam desse.

    O Movimento Estudantil é um dos movimentos sociais mais importantes do país. Em momentos decisivos, os estudantes deram importantes contribuições para as conquistas de direitos sociais e políticos. Destacadamente, ainda durante a Ditadura Militar, a luta estudantil contra a repressão e em defesa da liberdade para operários feitos presos políticos pelo regime em 1977 serviu como uma faísca para detonar o ânimo da classe trabalhadora e essa insurgir em grandes greves e ocupações de fábricas. Anos mais tarde, a ditadura foi derrotada.

    Já são mais de um ano em que somos governados por um presidente ilegítimo, que alcançou esse posto por meio de um golpe parlamentar. Sua tarefa? Aprovar uma série de medidas para destruir direitos sociais historicamente conquistados com muita luta, dentre elas as reformas da Previdência e Trabalhista.

    A greve geral realizada no dia 28 de abril mostrou o potencial de luta da classe trabalhadora e, assim, conseguiu atrasar a aprovação da Reforma da Previdência. Isso, somado aos recentes escândalos envolvendo Temer e a JBS em esquemas de corrupção, colocou a possibilidade histórica de derrubarmos Temer e impedirmos a aprovação das reformas. Contudo, para isso será necessária muita luta, a começar pela nova greve geral convocada pelas centrais sindicais para o próximo dia 30.

    Construir a greve geral
    Após a grande ocupação de Brasília no último dia 24 de maio, as centrais sindicais convocaram para o dia 30 de junho, a data da nova greve geral, dois meses depois da realização da primeira dos nossos tempos. Apesar de convocada, essa não está garantida. É preciso construí-la pela base.

    A primeira obrigação do CONUNE é de fortalecer o chamado à greve geral e aprovar um calendário e iniciativas de organização dessa na base, como comitês pela greve geral nos locais de estudo e bairros.

    Fora Temer! Não às reformas da Previdência e Trabalhista. Diretas, já! Queremos votar para presidente e um novo Congresso Nacional
    Além de não ter sido eleito, Temer tem o apoio de apenas 4% da população. Mesmo sendo odiado pelo povo, envolvido diretamente em esquemas de corrupção, esse governo insiste em continuar à frente do país, conduzindo a venda das nossas riquezas e a destruição dos nossos direitos. O governo tenta ganhar tempo. Apesar de estar por um fio, sabemos que sem luta ele não cai.

    Portanto, os estudantes que foram os primeiros a travar lutas contra o governo ilegítimo e suas medidas nas mais de mil ocupações de escolas e universidades contra a PEC do Fim do Mundo agora têm o dever de dar um passo à frente nas mobilizações para derrubar Temer e suas reformas.

    Mas, sabemos que enquanto o governo tenha ganhar tempo. A burguesia já se unificou e prepara uma saída controlada para quando Temer sair da Presidência, as eleições indiretas. Esse que seria o “golpe dentro do golpe” e deve ser combatido desde já, pois seria uma tentativa de piorar ainda mais as coisas para o nosso lado.

    Infelizmente, há aqueles que não aprendem com os erros do passado. É sabido que figuras do PT, como o próprio Lula, têm participado de reuniões de negociação para as eleições indiretas. Ao invés de se prestar a esse serviço, Lula deveria estar colocando todo o seu prestígio junto à classe trabalhadora para construir a greve geral.

    O CONUNE e os estudantes brasileiros devem repudiar qualquer tentativa de negociação de eleições indiretas, venham de onde vierem. Além disso, na esquerda ocorre um grande debate sobre qual seria a melhor saída. A luta pelas eleições diretas não só para presidente, mas também para esse Congresso Nacional de corruptos e reacionários parece ser a ideal para fazer justiça aos direitos democráticos do povo trabalhador do nosso país.

    Unificar a esquerda socialista em um novo projeto político para o Brasil
    A UNE, sob a direção da UJS e seus aliados, foi, durante os governos do PT, um dos principais “braços” do governo e de seu projeto de conciliação de classes. Essa direção trocou as ruas pelos gabinetes e impôs uma paralisia política à entidade.

    Passados mais de uma década, um ano após o fim do governo do PT, é preciso fazer um balanço para traçar os planos políticos para o futuro. As pequenas concessões estão em risco. Não tiveram os 10% do PIB e a expansão sem qualidade cobra seu preço. Os Hospitais Universitários foram privatizados. Nas universidades privadas, o clima é de insegurança. Isso tudo mostra as fragilidades do projeto político de fortalecimento dos empresários do mercado educacional, ao invés de investir com qualidade na educação pública.

    Para satisfazer as necessidades da juventude, não só o direito à educação, mas ao trabalho com qualidade; segurança; cultura e lazer; liberdades políticas e democráticas, entre outras, é necessário um novo projeto político para o Brasil. Livre de acordos com os setores conservadores dos ricos e poderosos, deve depositar suas forças nas ruas, nas praças, no povo. Só assim poderemos construir um governo que ataque a desigualdade social brutal e as justificativas racistas para impor regimes de superexploração, controle e extermínio do povo negro, em especial a juventude das periferias.

    A juventude em todo o mundo vem sendo a maior entusiasta dos novos projetos políticos da esquerda radical. Aqui no Brasil, não é diferente. Sendo assim, nesse CONUNE, é dever dos estudantes retirar do passado recente as lições necessárias para o futuro. E, especialmente, depositarmos nossas esperanças no bloco político da Oposição de Esquerda da UNE, para animar a construção desse novo projeto por uma saída radical para o Brasil.

    Foto: Thiago Mahrenholz | Esquerda Online

  • A aguda crise política e o lugar da luta de classes

    Por: Gabriel Casoni, de São Paulo, SP

    A crise política é colossal. Temer vive hoje para não morrer amanhã. É uma agonia por dia no desenrolar de um filme macabro.

    O governou venceu na batalha do TSE, mas a fração político-institucional articulada em torno da Lava Jato ainda tem balas na agulha. O procurador-geral, Rodrigo Janot, deve enviar ao STF, possivelmente nessa semana, o parecer incriminando Michel Temer (PMDB). A denúncia detonará mais um abalo político. Deve-se considerar, também, a alta probabilidade do surgimento de “fatos novos”, com aparecimento de novas delações e vazamentos seletivos.

    12/06/2017- Brasília - DF, Brasil- Foto: Beto Barata/PR

    12/06/2017- Brasília – DF, Brasil- Foto: Beto Barata/PR

    Ante a iminência do novo estouro, a tropa de choque governista, comandada pelos insuspeitos Romero Jucá, Rodrigo Maia e Eunício Oliveira, já arregaça as mangas para barrar a denúncia de Janot, no Congresso. A estratégia é unificar os ‘políticos’ contra a ofensiva jurídico-policial da Lava jato.

    Por sua vez, os tucanos, principais sócios do PMDB no governo, vivem uma grave crise que divide o partido ao meio. De um lado, a cúpula (Aécio, Serra, FHC, Alckmin, Aloysio Nunes) quer seguir na sustentação de Temer; de outro, parte significativa dos deputados tucanos, especialmente os mais jovens, receosos dos efeitos negativos da aliança nas próximas eleições, defendem o desembarque imediato do governo.

    Em meio ao quadro político-institucional em rápida deterioração, Michel Temer tem na agenda de contrarreformas seu principal trunfo. Não se sabe até quando, mas o peemedebista ainda mantém uma significativa base parlamentar. O andamento da Reforma da Previdência foi paralisado na Câmara, mas a Reforma Trabalhista, ainda que de modo mais lento, está avançando no Senado. Até aqui, parte do grande empresariado, perante a falta de uma alternativa segura, segue amparando o governo em razão da política econômica.

    A rigor, a classe dominante está dividida sobre o que fazer com Temer. Com o aprofundamento do lodaçal político, mais setores passaram a defender o fim do governo e a adoção de eleições indiretas, com a manutenção da equipe econômica de Henrique Meirelles. As posições editoriais das organizações Globo e da Folha de S. Paulo, que advogam pela saída de Temer, expressam esse movimento crescente de ruptura com o governo no interior da burguesia.

    Imprevisibilidade e choques: o lugar da luta de classes
    O grau de imprevisibilidade político-social é enorme, e decorre do quadro de turbulência e choques agudos, os quais produzem um quadro de relativo descontrole, por parte da classe dominante, das coordenadas principais do processo.

    Esse momento extraordinário, de crise de direção burguesa, expressa num governo suspenso no ar e no sério conflito político-institucional (Lava Jato versus sistema político-partidário), abre margens para diversos desfechos, positivos ou regressivos, tanto no curto, quanto no médio prazo. Será na (e pela) luta política, num ambiente de mal estar social e recessão econômica, que se decidirão os rumos dessa crise.

    Neste contexto particular, abriu-se uma janela de oportunidade que deve ser aproveitada. O desafio decisivo, do ponto de vista da esquerda, segue sendo colocar a classe trabalhadora no centro da conjuntura, de modo a deslocar as frações burguesas dominantes em confronto e, assim, abrir caminho para um projeto de transformação política e social anticapitalista.

    Nesse sentido, impõe-se como a ação e método prioritários a construção pela base da greve geral marcada para o dia 30 de junho. É preciso alcançar uma contundente paralisação geral e grandes protestos de rua para sacudir o país.

    As bandeiras do povo estão tremulando: Fora Temer e as reformas! ‘Diretas, Já’, para presidente e o Congresso!

    Foto: Carol Burgos | Esquerda Online

  • Reforma Trabalhista avança no Senado e só a greve geral poderá pará-la

    Editorial 08 de junho

    O Congresso Nacional já há muito tempo não é bem visto pela população. Agora, parece que os deputados e senadores se esforçam para ser odiados. Mesmo com todos os escândalos e uma evidente instabilidade e ilegitimidade política, eles seguem fingindo que está tudo normal para fazer avançar as reformas anti-povo. Mesmo atolados até o pescoço com escândalos de corrupção, o Senado, no último dia 6, aprovou na Comissão de Assuntos Econômico a Reforma Trabalhista.

    Sete em cada dez deputados foram financiados por uma ou mais empresas do grupo das dez principais financiadoras do Congresso (JBS, Bradesco, Itaú, OAS, Andrade Gutierrez, Odebrecht, UTC, Queiroz Galvão, Grupo Vale e Ambev). Deputados e Senadores não estão nem um pouco preocupados com o que a população pensa deles. O único interesse deles é agradar os banqueiros e grandes empresários, seus reais eleitores.

    A Reforma Trabalhista é um imenso retrocesso
    Os defensores da Reforma Trabalhista fazem chantagem com os trabalhadores desempregados, dizendo que ela é necessária para a criação de vagas. Isso não é verdade. Os únicos interessados nesta reforma são os patrões, que poderão até demitir funcionários para colocar os que sobraram para trabalhar mais. Vejamos algumas mudanças propostas:

    A carga horária vai aumentar de até 44 para 48 horas semanais
     Isto poderá ser feito por “livre negociação” entre patrão e empregado. Na teoria, você vai trabalhar as 44 horas e ganhar quatro horas extras. Na prática, o ganho em horas extras vai se perder, porque seu salário vai parar de aumentar. Por quê? Com o aumento de carga horária, o patrão vai poder demitir trabalhadores. Isso vai aumentar o desemprego e toda vez que você pedir aumento vai ouvir um “sabe quantos querem sua vaga?”

    Será legalizada a chamada jornada intermitente
    Se você for contratado por este regime, não terá um horário de trabalho definido, nem um salário definido. Não vai poder programar sua vida, nem seu orçamento. Vai ficar 24 horas por dia e sete dias por semana à disposição do patrão.

    Vários direitos que antes eram obrigatórios passarão a ser “optativos”

    (inclusão do artigo 611-A na CLT). O patrão vai conceder estes direitos se quiser. Ou seja, não vai conceder. Isso é o que eles chamam de “livre negociação”. Funciona assim: seu patrão te obriga a assinar um acordo renunciando direitos, ou você está demitido. Entre os direitos que deixarão de existir, na prática estão: participação nos lucros e resultados, adesão ao Programa Seguro-Desemprego e plano de cargos, salários e funções.

    Estes são apenas alguns exemplos das mudanças previstas. A reforma prevê mais de cem alterações nas leis trabalhistas. E os empresários não querem limites. Até trabalho em troca de comida eles estão propondo. Com a reforma, está aberto o precedente para a volta da escravidão.

    30 de junho: greve geral para barrar as reformas contra o povo
    Em uma situação dessas, apenas a mobilização direta nas ruas pode fazer valer a vontade popular. As centrais sindicais marcaram uma greve geral para o próximo dia 30. Temos tempo de dialogar com os trabalhadores em cada local de trabalho e aprovar a greve em assembleias. As direções sindicais que não estão se mexendo devem ser cobradas.

    A última greve geral, no dia 28 de abril, conseguiu atrasar a tramitação das reformas Trabalhista e Previdenciária. Pelas previsões do governo, elas já deveriam ter sido aprovadas. Outra grande mobilização pode acabar com as reformas de vez.

    Em julho, o Congresso entra em recesso e só volta a trabalhar em agosto. No segundo semestre, já começam as articulações para as eleições previstas para 2018. E, cada vez mais, a aprovação das reformas representa um desgaste para os parlamentares. Por isso, a batalha do dia 30 de junho será decisiva. Se a reforma não for aprovada até este dia, ela tem boas chances de ser descartada.

    Sendo assim, é preciso construir, desde já, uma grande mobilização para a greve geral ser maior e mais forte que a última. Comitês pela greve geral devem ser criados por local de trabalho, categoria ou bairros. Além de uma ampla articulação unitária entre os movimentos sociais do campo e da cidade, sejam sem teto; estudantes; mulheres, LGBTS e negras(o)s. Devem ser impulsionadores da nova data em que pararemos o país.

    Foto: CAE – Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) realiza reunião deliberativa com 11 itens. Na pauta, o PLC 38/2017, que trata da reforma trabalhista. Mesa: relator da PLC 38/2017, senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES); presidente da CAE, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE); vice-presidente da CAE, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) | Por: Marcos Oliveira/Agência Senado

  • URGENTE | Centrais sindicais decidem nova greve geral para o dia 30 de junho

    Da Redação

    Acabou há pouco a reunião das centrais sindicais, em São Paulo, e ficou decidida a realização de uma nova greve geral no dia 30 de junho. O movimento vai pedir a saída de Michel Temer (PMDB) da Presidência da República com paralisação de postos de trabalho em todo o país. Também terá como pauta a paralisação das contrarreformas do governo.

    Centrais se reuniram em São Paulo nesta segunda (5)

    Centrais se reuniram em São Paulo nesta segunda (5)

    Após o golpe parlamentar que colocou Temer no governo, protestos aconteceram na maioria das cidades brasileiras. No dia 28 de abril foi realizada uma greve geral histórica, com paralisação de atividades centrais, como o transporte, em várias capitais do país. Trabalhadores de universidades, serviços públicos, fábricas, estaleiros, plataformas de petróleo também aderiram ao movimento. Estradas e rodovias foram bloqueadas e manifestações de rua aconteceram em várias cidades. Para a preparação, foram realizadas assembleias nas categorias e montados comitês em bairros, escolas, entre outros locais.

    Agora, para o dia 30 de junho, devem ser programadas novas iniciativas que podem superar a adesão do primeiro movimento paredista. Temer já goza de mais de 90% de desaprovação, de acordo com últimos dados divulgados pelo Paraná Pesquisa. A impopularidade aumentou após as denúncias envolvendo diretamente o presidente em esquemas, como a tentativa de calar o ex-presidente da Câmara dos Deputados, agora preso, Eduardo Cunha (PMDB).

    Além da data de 30 de junho, as centrais agendaram para daqui a dois dias, na quarta-feira (7), a realização de uma reunião organizativa com o Dieese e no dia 20 panfletagens e atos como um esquenta para a realização da greve geral.

    Confira o comunicado das centrais sindicais convocando a Greve Geral do dia 30 de junho.

     

    ( Mauro Puerro da Secretaria Executiva da CSP Conlutas fala sobre a reunião das centrais e a data da greve geral)

  • Governo manobra com o resultado do PIB para buscar sobrevivência

    Por: André Freire, colunista do Esquerda Online

    O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, no primeiro trimestre de 2017. Depois de oito trimestres sucessivos em queda, a maior recessão da nossa história, houve uma pequena recuperação na economia, com um crescimento raquítico, de apenas 1%. Segundo fontes do próprio IBGE, seria precipitado basear-se apenas neste resultado para identificar o fim da recessão em nossa economia. Afinal, são dois anos em que a economia vem amargando índices negativos, e o resultado de apenas um trimestre não é suficiente para afirmar que a situação já se inverteu.

    O pequeno resultado positivo de agora se deve praticamente a um crescimento histórico na safra agrícola, que obteve uma elevação de 13%, neste trimestre. Além do resultado inédito do agronegócio, e alguns resultados menos expressivos no setor de exportação, segue um quadro recessivo em outros ramos da nossa economia. Dados do mesmo IBGE demonstram esse diagnóstico.

    O setor industrial obteve um crescimento ainda menor do que o PIB de conjunto, de 0.9% em comparação ao trimestre anterior. Mas, o resultado da indústria em março foi desanimador, caindo 1,8% em relação a fevereiro do mesmo ano. O consumo das famílias também seguiu em queda em relação aos resultados anteriores, agora com um resultado negativo de 0,1%.

    A taxa de investimentos no país também caiu 1,6% neste trimestre, o pior resultado desde 1996. Ou seja, embora exista uma pequena melhora, não há nenhum motivo para toda a comemoração que o governo busca fazer via a grande imprensa.

    O Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, já afirma que o resultado do PIB neste trimestre é “histórico”. O próprio presidente corrupto e golpista Michel Temer afirmou que o resultado do PIB já representa que “o país saiu da recessão”.

    As declarações de Temer e Meirelles são uma verdadeira provocação. Justamente quando o desemprego bate recordes atrás de recordes em nosso país, já superando os 13%. Lembrando, inclusive, que estes índices são bastante imprecisos e, na verdade, existe um desemprego ainda muito maior na realidade.

    O que assistimos hoje foi um governo ilegítimo, impopular e corrupto, buscando uma “tábua de salvação” em resultados bastante parciais da economia para buscar ganhar alguma sobrevida, depois que a população rejeitou massivamente seu programa de reformas reacionárias, e ainda todos e todas se escandalizaram com o envolvimento direto de Temer nas “negociatas” com a JBS.

    O governo quer usar ainda o resultado do PIB para aumentar a pressão no Congresso para que ele retome imediatamente as votações das reformas trabalhista e previdenciária. Sua receita para sair da crise econômica é jogar todo o peso dela nas “costas” do povo trabalhador, mas a decisão dessa guerra será nas ruas.

    Na próxima segunda-feira, dia 5 de junho, as centrais sindicais voltam a se reunir em SP. E, em Brasília, acontecerá uma importante reunião para organizar a campanha pelas “Diretas Já” – convocada pela Frente Povo Sem Medo e a Frente Brasil Popular.

    Ambas as reuniões devem se posicionar pela realização de uma nova Greve Geral, ainda esse mês. Essa nova Greve Geral – que deve ser mais forte do que a realizada no dia 28 de abril – deve ter como bandeiras principais a derrota imediata das reformas reacionárias, o Fora Temer e as Diretas Já, em nossa opinião, não só para Presidente, mas também para todo o Congresso.

    Um Plano de Emergência dos trabalhadores, para combater a crise
    Ao contrário da política econômica a favor das grandes empresas e bancos, que infelizmente foi praticada também nos governos do PT, e agora é intensificada pelo governo ilegítimo de Temer, a classe trabalhadora deve apresentar seu plano alternativo.

    Nada de reformas reacionárias que ataque os direitos da maioria do povo e nem medidas paliativas. Precisamos de uma política econômica totalmente oposta a praticada pelos governos dos ricos e poderosos. É necessário ter coragem política de combater as injustiças sociais e fazer com que percam as grandes empresas e os bancos com seus lucros exorbitantes, para que a maioria da população, os trabalhadores e a juventude, possam ter uma vida melhor.

    É urgente a suspensão imediata do pagamento dos juros e amortizações da dívida pública, para que seja realizada uma auditoria realmente independente. Praticamente metade do Orçamento anual da União é consumida para o pagamento dos encargos dessa dívida, que na prática, devido aos seus juros criminosos, já foi paga há muito tempo.
    Com esse dinheiro, que deve parar imediatamente de ir para os cofres dos banqueiros nacionais e internacionais, devemos propor que se dobre os investimentos imediatos em saúde, educação, transporte, saneamento e moradia. Realizar um grande plano de obras públicas nacional, que garanta a construção de escolas, hospitais, casas populares e estrutura de saneamento básico.

    Obras que sejam realizadas por uma empresa pública nacional, estatal e sob o controle dos trabalhadores e do povo, para que acabe com a farra de corrupção das empreiteiras e jamais entreguemos as nossas obras públicas para empresas estrangeiras.

    É necessária uma ampla reforma tributária popular, que sobretaxe as grandes fortunas e heranças, aumente os impostos dos que tem muito, para que o povo trabalhador pague menos impostos.

    Só com medidas como estas que teremos condições reais de investir em uma reforma agrária, para atacar o grande latifúndio e para tenhamos realmente às terras no Brasil cumprindo sua função social, que é produzir alimentos de qualidade e baratos para atender a maioria da população, e não servindo mais para enriquecer os grandes empresários e o agronegócio.

    E, como a mesma importância, realizar uma reforma urbana, que ataque a especulação imobiliária nas grandes cidades brasileiras e priorize a construção de moradias populares.

    Para combater o desemprego, devemos propor a redução da jornada de trabalho sem redução de salários, e acabar de uma vez com a famigerada terceirização da mão-de-obra.

    Somente um governo dos trabalhadores e do povo teria coragem para aplicar medidas tão urgentes e necessárias como estas. Portanto, nos processos de luta contra Temer e suas reformas, precisamos construir e fortalecer uma nova alternativa de independência de classe, uma Frente de Esquerda e Socialista, sem a presença dos patrões e dos partidos da velha direita.

    Já que a direção do PT segue optando pela conciliação com interesses das grandes empresas e se aliando com representantes de partidos da velha direita, essa frente deve unificar o PSOL, PSTU, PCB, movimentos sociais combativos como MTST e organizações socialistas ainda sem legalidade.

    Esta frente política, nas lutas e nas eleições, deve ter a tarefa imediata de apresentar este Plano de Emergência, que realmente rompa a com a atual política econômica, para começarmos a construir um novo país, onde o povo trabalhador e a juventude possam viver dignamente.

    Foto: Marcos Corrêa/PR

  • Profissionais de Imprensa ocupam prédio da JBS denunciado como propinoduto de Aécio

    Imóvel é a antiga sede do jornal “Hoje em Dia”, que em 2015 demitiu cerca de 150 funcionários sem pagar o última salário e direitos trabalhistas.

    Por Diego Franco David de BH

    Jornalistas e trabalhadores gráficos de Minas Gerais demitidos do jornal Hoje em Dia ocuparam, na manhã desta quinta-feira (01/06), o prédio que funcionava como sede do Jornal. O edifício voltou a estrelar a grande mídia brasileira depois que o sócio-diretor da JBS Joesley Batista afirmou, em sua delação premiada, que teria usado o imóvel como propinoduto para o senador afastado Aécio Neves (PSDB/MG).

     

    Oucupa Predinho

    Joesley revelou que pagou R$ 17 milhões por esse edifício – que chamou de “predinho” – de forma superfaturada, a pedido do senador. Segundo o diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJPMG) Felipe Canêdo, parte do valor, obviamente, virou caixa dois. “Ou cx2, como o senador prefere dizer”, ironizou.
    Cerca de 100 pessoas ocupam o imóvel neste momento. Além do Sindicato dos Gráficos (STIG-MG) e o SPJMG, o movimento conta com o apoio do SindiElétro, do Sindágua, do Levante Popular da Juventude e do MST.

    O “predinho” fica na R. Padre Rolim, 652, bairro Santa Efigênia, em Belo Horizonte. Os manifestantes convocam a população a se integrarem à ocupação. Confira o evento do facebook do ato:

    Entenda o ato

    Em março de 2016, o jornal Hoje em Dia demitiu 150 trabalhadores, entre eles metade da redação (cerca de 40 jornalistas). Até o momento, os trabalhadores ainda não receberam direitos trabalhistas, como FGTS, nem o salário do último mês. Segundo o SJPMG, os colaboradores foram dispensados sem comunicação prévia e, por isso, sem intermediação da entidade.

    Os ex-funcionários reivindicam o pagamento do salário referente ao último mês trabalhado e seus direitos trabalhistas. A ocupação também levanta a bandeira de uma imprensa mais livre, transparente e democrática.

    A venda do imóvel para a JBS apareceu durante ação movida contra o “Hoje em Dia” pelos 150 trabalhadores demitidos pela empresa, em fevereiro e março de 2016. A demissão aconteceu depois que o Grupo Bel vendeu o jornal para o então prefeito de Montes Claros, Rui Muniz. A história não acaba aí, Rui Muniz é alvo de duas operações policiais – que lhe renderam cem dias de cadeia e uma fuga de mandado de prisão. Ele é acusado de beneficiar seu próprio hospital e também de estar envolvido num esquema de super-faturamento de combustível.

    Predinho 2

     

    Segundo Eliana Lacerda, presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores da Indústria Gráfica, e uma das demitidas do jornal Hoje em Dia, essa é uma ação política para chamar a atenção da população para a situação dos trabalhadores demitidos há mais de 1 ano. “O fato do prédio ter voltado aos noticiários demonstra que a grande corrupção que afeta o país tem consequências diretas na vida das pessoas.  Enquanto figuras importantes do cenário político estão envolvidos em escândalos dignos de história de máfia, trabalhadores simplesmente tem seus direitos mínimos desrespeitados”, comentou.

    Eliana ainda explica que a situação dos demitidos é muito difícil, principalmente devido ao contexto de reformas que o país vive neste momento. E relata seu caso pessoal “Minha audiência de reintegração está marcada para 2018, mas se eu não tivesse sido demitida eu iria me aposentar em junho deste ano. Ou seja, eu posso ficar sem aposentadoria e sem emprego”. Para a sindicalista essa ação pode trazer o debate

    Confira o panfleto distribuído pelos manifestantes

    Predinho 3

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    Assista o vídeo

     

     

  • Quatro pontos breves sobre a conjuntura

    Por Valerio Arcary, colunista do Esquerda Online

    1. Abriu-se uma nova conjuntura na última semana. Ela foi precipitada por uma divisão séria na classe dominante. No plano imediato, mais tático, há aqueles que já defendem que a queda de Temer é inevitável, e terá um custo inferior à sua permanência para o destino das reformas trabalhista e da previdência.

    Outra fração ainda hesita, porque temerosa de que a destituição pelo TSE, uma renúncia, ou impeachment, sejam fatais para o futuro das reformas. Receiam que a derrubada de Temer subverta a continuidade da agenda reacionária que permitiu formar o bloco que se articulou para fazer o impeachment de Dilma Rousseff, um ano atrás, e praticar  a política de choque pelas reformas.

    As duas frações têm muito medo de que não seja possível eleger, pela segunda vez, um presidente no Congresso Nacional com um mínimo de legitimidade. Mas estes dois blocos expressam diferenças, também, mais estratégicas.

    Uma fração defende a iniciativa do Ministério Público, da Polícia Federal, e de uma parcela do Judiciário que, através da LavaJato, desde 2014, há três anos, decidiu abraçar um programa de reforma política, em especial, de reforma do sistema partidário erguido nos últimos trinta anos, desde o fim da ditadura. Percebem que este sistema partidário é anacrônico, atrasado, obsoleto, corrupto e passou a ser disfuncional. Em primeiríssimo lugar, porque os grandes partidos são todos financiados, ilegalmente, pelas grandes corporações.

    A outra fração resiste, porque teme as consequências de um desmoronamento abrupto do sistema. Ambos os blocos são reacionários. Nenhum deles merece apoio algum. Alianças com qualquer um destes dois blocos serão fatais para a esquerda brasileira.

    Há que explorar as possibilidades abertas pela divisão dos inimigos, mas marchar de forma independente. Isso significa defender o Fora Temer, mas, também, um Fora às contrarreformas trabalhista e previdenciária, e denunciar os planos de um golpe dentro do golpe, que seria a eleição indireta de um novo presidente por este Congresso Nacional.

    Os métodos de luta são, também, importantes. Uma nova greve geral deve começar a ser construída, imediatamente, a partir do Ocupa Brasília da quarta-feira dia 24 de maio. Somos socialistas, não “grevicultores”. Mas a Greve Geral para derrubar Temer se impõe como o próximo passo para que a classe trabalhadora ganhe confiança em suas próprias forças como o sujeito social que abre o caminho.

    2. Já tinha ocorrido uma inflexão favorável na relação social de forças entre as classes depois da greve geral de 28 de abril. A entrada em cena dos grandes batalhões da classe trabalhadora organizada confirmou que a maioria da população já tinha concluído que as reformas trabalhista e previdenciária eram inaceitáveis, e tinha se deslocado para a oposição às reformas do governo Temer.

    A revelação ainda parcial do conteúdo escandaloso da delação premiada parece estar produzindo uma reviravolta positiva na consciência de muitos milhões de trabalhadores. As camadas médias parecem estar perplexas. É possível que franjas da classe média se desloquem para o campo do Fora Temer, o que seria muito positivo.

    Agora o que está em cheque não são somente as reformas, mas a própria continuidade do governo Temer. Acontece que esta dinâmica ainda é lenta, como se confirmou nas primeiras passeatas, essencialmente, de uma vanguarda jovem muito combativa, na última semana. Portanto, a mudança na conjuntura não permite concluir que estamos em uma situação revolucionária. Não existe situação revolucionária sem disposição revolucionária de luta entre os trabalhadores. Esta disposição, infelizmente, ainda não está madura. O que estamos vivendo não autoriza analogias apressadas com a situação de 2001/02 na Argentina. Não se trata de um “argentinazo” em câmara lenta.

    O governo Temer agoniza, é verdade. Quem ainda governa, ainda que pouco é Meirelles. Pensar que estaríamos, de alguma maneira, na iminência de uma crise de regime que pode colocar, do ponto de vista dos interesses da classe trabalhadora, a perspectiva da luta direta pelo poder é uma ilusão muito perigosa, porque a tendência é colocar para o movimento tarefas que não podem cumpridas, portanto, precipitar ações aventureiras. Aprendamos as lições das Jornadas abertas em Junho de 2013. Ações aventureiras foram responsáveis pelo isolamento e refluxo depois de fevereiro de 2014.

    3. O movimento de resistência dos trabalhadores e da juventude veio acumulando forças, no contexto de uma situação defensiva, desde o fim do ano passado. Mas pode dar um salto de qualidade, em função das fissuras na burguesia, e da divisão na classe média. Mas ainda não se deu este salto de qualidade. Não nos enganemos, o papel do PT e PcdB neste processo ainda será decisivo. Apesar de estarem desgastados pela crise das propinas, o PT e Lula ainda têm influência de massas.

    Não estava nos seus planos derrotar as reformas, nem muito menos tentar derrubar Temer. Sua estratégia era desgastar o governo em função das eleições do ano que vem, com a fórmula Lula 2018. Mas é inegável que a frente única construída a partir da convocação da greve geral pelas centrais sindicais, aliadas aos movimentos sociais, foi indispensável para o sucesso do 28 de Abril. Agora o PT e a CUT se reposicionaram à esquerda, um sinal de que estão sentindo a pressão social. Sem uma nova greve geral, maior e mais poderosa não será possível que a força social dos trabalhadores se manifeste, plenamente, como um sujeito social independente, diante dos dois blocos burgueses em disputa.

    O papel da Frente Povo Sem Medo, em especial, tem sido muito progressivo, porque tem se destacado na denúncia dos dois blocos da classe dominante, e assumido a defesa simultânea do Fora Temer, do Fora às reformas, das Diretas Já para a presidência e das eleições gerais. Manter uma política de construir a frente única com um programa de emergência diante da crise é vital.

    O desfecho ainda incerto da luta para derrubar Temer abre a necessidade da CSP/Conlutas se apresentar como uma Central Sindical e Popular engajada na luta pela Frente Única chamando à Greve Geral sem vacilação, mas, também, sem ultimatismos.

    4. A importância do papel da esquerda socialista não deve ser subestimada. Devemos ser conscientes que a disputa política em curso tem os seus ritmos. Estamos em um momento em que o decisivo é ampliar a força social pelo Fora Temer, mas construir um bloco político contra as eleições indiretas. Defender Diretas Já não é capitular a uma “saída eleitoral” nos limites da democracia liberal burguesa. Defender Diretas Já significa dizer não à política da fração burguesa que já se deslocou para o Fora Temer, mas quer que o Congresso Nacional decida quem deve governar.

    Somos por um governo dos trabalhadores e do povo, evidentemente. Mas ainda não temos forças acumuladas para lutar pelo poder. Por isso, não surgiram ainda sequer organismos de base que expressem a frente única. Não há Conselhos Populares, nem embriões de Poder Popular, a não ser como propostas literárias. Não estamos em uma situação revolucionária. O que podemos é impedir a burguesia de conseguir governar. Isso não é secundário. Porque se a classe dominante conseguir arbitrar as suas diferenças, a ofensiva das reformas trabalhista e previdenciária voltará com força total. Podemos e devemos defender eleições gerais, isto é, agitar pela dissolução do Congresso Nacional.

    Queremos que se forme uma Frente da Esquerda Socialista com um programa anticapitalista, que seria uma referência de um terceiro campo político, contra os blocos burgueses e, simultaneamente, contra o lulismo. O Psol tem um lugar especial na formação desta Frente – porque ele deve indicar quem deverá ser o porta-voz desta candidatura – para a qual devem ser chamados todos os partidos e organizações da esquerda radical. Mas o fundamental é começar a popularizar um programa.