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  • Lições do fim de um ciclo: coragem e ousadia para superar o Lulismo

    Por: Silvia Ferraro, colunista do Esquerda Online*

    *Artigo publicado na revista Socialismo e Liberdade da Fundação Lauro Campos do PSOL

    Vozes quase unânimes na esquerda concordam que a hegemonia do PT chegou ao fim.  Uma trajetória que se iniciou no movimento pró-PT no início da década de 80, ancorado em um forte ascenso operário-popular que sacudiu a ditadura militar e fez emergir os sujeitos proletários com suas organizações na cena política brasileira.

    Mas o ciclo que se iniciou exuberante terminou de forma trágica. O PT definha aos olhos da classe que ele representou sem esboço de resistência. O signo progressivo do classismo e da rebeldia, foi paulatinamente se adaptando ao regime do capital. Foram anos de transmutação em que prevaleceu a estratégia do pacto social e do pragmatismo parlamentar.

    É importante considerar que Lula mantém um capital político que se revelou nas últimas pesquisas. O líder das greves operárias ou a memória do Lulismo que fez pequenas concessões aos setores mais explorados, ainda é capaz, sem grandes paixões, de capitalizar o voto popular. Num momento de fortalecimento da direita, o grande desafio da esquerda coerente será ter a capacidade de enfrentar o projeto reacionário de aumento do patamar de exploração, porém, sem cair na reedição do pacto Lulista.

    Analisar a trajetória petista é essencial para entender como um grande movimento social emancipador foi derrotado pelas forças reacionárias. Grandes oportunidades foram desperdiçadas por uma direção que preferiu pactuar com o mercado financeiro, com o agronegócio e com as empreiteiras do que com a força que vinha das greves e das ruas.

    Há muitos exemplos de como esta direção, tendo José Dirceu e Lula à frente, foram responsáveis por este curso. Em 1992, diante da mobilização espontânea pela derrubada de Collor, José Dirceu orientou o diretório petista a preservar o calendário eleitoral, o mesmo se repetindo em 1999, quando os movimentos sociais davam sinais de recuperação ao fazer a grande Marcha pelo Fora FHC em Brasília. A partir da derrota eleitoral de 1989, a direção petista abraçou a estratégia de ganhar as eleições cacifando Lula como inofensivo ao capital imperialista. A aliança do operário com o empresário José de Alencar e a carta ao povo brasileiro sacramentou o pacto com a intenção de apaziguar aqueles que estavam ansiosos pelas transformações sociais.

    Daí em diante, o desmonte das mobilizações e a cooptação dos movimentos sociais, combinado com pequenas concessões como a redução do desemprego, o aumento do salário mínimo, o Bolsa-Família, e a expansão do acesso às universidades, conseguiu camuflar o escândalo dos governos petistas: a transferência de imensas riquezas para as mãos dos mais ricos. Não foi à toa que Lula disse que os bancos nunca ganharam tanto sob o seu governo e a oposição burguesa até 2012 foi comportada e silenciosa. Para além disso, a troca de interesses com as empreiteiras colocou o PT na vala comum do fisiologismo.

    Mas as consequências da crise econômica ficaram insustentáveis a partir de 2012 e impossibilitaram a continuidade da sustentação do pacto entre o PT e as frações burguesas.

    Governos de colaboração de classes só se sustentam quando as frações dominantes saem ganhando. A ilusão que o PT construiu de que é possível governar para todos, cumpriu um papel regressivo. Imobilizou a classe trabalhadora para resistir ao próprio golpe e fez retroceder a consciência popular para não diferenciar a direita da esquerda, ou os patrões dos trabalhadores. O classismo dos anos 80 se esfarelou e sua ruína produziu o imobilismo e a cooptação dos movimentos comandados pela direção petista.

    Em meio à crise, o PT mais uma vez fez uma opção conservadora. Quis manter o pacto a qualquer custo, vendeu a alma pela confiança do mercado, anunciou o ajuste fiscal e a retirada de direitos. Esta foi a política que abriu o caminho para as forças reacionárias e conduziu a classe trabalhadora ao matadouro, sem ter condições de reagir. Infelizmente, não é só o PT que está pagando o preço de sua traição. O golpe colocou em piores condições a correlação de forças para o conjunto dos explorados e oprimidos e a direita avança com o seu veneno para cima de toda a esquerda.

    Ser coerente com esta análise implica em lutar com todas as forças para que o proletariado brasileiro não seja enganado novamente. Uma geração inteira viu seus sonhos arrancados e a descrença tomou conta de muitos. Muita energia revolucionária se perdeu e se dissipou.

    A esquerda que permaneceu combativa em oposição ao PT, e que também lutou contra o golpe, tem a responsabilidade de apresentar um projeto e construir uma alternativa que possa apaixonar as novas gerações que já estão resistindo aos planos de retrocesso. São os jovens que estão ocupando as escolas e universidades, são as mulheres e LGBT’s que saem às ruas contra os Cunhas e Bolsonaros, são as famílias que ocupam os prédios e terrenos vazios das grandes cidades, mas são também os operários que estão mais receosos em fazer greves com o medo do desemprego, e os mais de 12 milhões de desempregados que viram presas fáceis do discurso neopentecostal. Junto a estes também estão aqueles que estão morrendo na luta contra o agronegócio. Os indígenas, os quilombolas e os sem-terras foram acuados e estão sendo exterminados por um projeto que priorizou a expansão das comodities.

    Apaixonar as novas gerações e a multiplicidade de movimentos implica em abandonar definitivamente o velho e dar espaço ao novo. Será necessária firmeza para não reeditar saídas como a Frente Ampla e nem sucumbir a Lula 2018, se esta hipótese se concretizar. Ao mesmo tempo será necessário exercitar a generosidade para construir a unidade da esquerda socialista disposta a abrir mão de projetos sectários.

    Dois desafios se colocam para aqueles que irão trilhar o caminho da ousadia: o primeiro é a construção de um programa que possa dar sentido a todas as lutas. Um programa de mobilização permanente que se enfrente com a estrutura injusta, desigual e subalterna do capitalismo brasileiro. Um programa de transição “que combine as tarefas mais elementares da independência nacional e da democracia burguesa com a luta socialista”.

    O outro desafio é tornar este programa vivo e dedicar energia militante ao trabalho de base. Sem organização não é possível construir esta força viva de carne e osso que possa ser o sujeito coletivo de sua emancipação.

    Foto: Capa da Revista Socialismo e Liberdade

  • A esquerda socialista precisa apresentar uma alternativa para o país

    EDITORIAL 17 de MARÇO |

    No dia 15 de março aconteceu um importantíssimo dia nacional de lutas e paralisações. As manifestações na semana passada do dia internacional de luta das mulheres e, principalmente, as paralisações e manifestações de ontem, em todo o país, marcam um novo momento na conjuntura, tendo como principal característica a ampliação das lutas de resistência contra os ataques dos patrões, de todos os governos, do Congresso e do poder judiciário, sempre com o apoio das grandes empresas de comunicação.

    Depois das grandes manifestações de 15 de março, fica nitidamente demonstrado a importância da mais ampla unidade de ação de todos os setores da classe trabalhadora e da juventude. Uma verdadeira frente única pra lutar, que busque o fortalecimento das mobilizações, rumo a uma greve geral. Só dessa forma poderemos derrotar esses ataques históricos, como a reforma da previdência e trabalhista, abrindo a possibilidade de darmos um fim no governo ilegítimo de Temer.

    Mas, a presença de Lula na manifestação da Avenida Paulista, em SP, fazendo uso da palavra no carro de som das centrais sindicais, não é apenas um fruto natural da unidade de ação em torno da convocação do dia de luta.

    Na verdade, ela reacende uma discussão muito importante entre os que lutam contra Temer e seus ataques: devemos entrar na campanha de Lula presidente em 2018? E este debate vai crescer no interior de nossos movimentos, afinal o PT deve formalizar a pré-candidatura de Lula a presidente já na próxima segunda-feira, 20 de março, em um ato político de lançamento.

    Estamos a favor de uma ampla unidade para mobilizar a classe trabalhadora contra esse governo e seus terríveis ataques. Neste sentido, não vemos problema na presença de dirigentes do PT nos protestos. Quem tem essa posição não está levando em consideração a gravidade do momento e a importância de uma política de frente única para lutar.

    Mas, isso não significa que apoiemos politicamente a saída de conciliação de classes proposta pela direção do PT ou que estejamos favoráveis que a esquerda socialista participe da proposta de frente ampla, apoiando a candidatura de Lula em 2018.

    Porque precisamos de uma nova alternativa, realmente independente?

    Seria muito positivo para o povo trabalhador se realmente a direção do PT e Lula tivessem de fato revisto a sua política de alianças com as grandes empresas e com os partidos da velha direita, que se concretizou em 13 anos de governos que, no fundamental da sua política econômica, administrou segundo os interesses dos grandes empresários, restando ao povo trabalhador poucas medidas sociais compensatórias, que no máximo atenuaram, em alguma medida, a terrível situação por que passa a maioria da população.

    Esse não é um debate do passado. Ou seja, que só deve ser lembrado porque Temer era vice de Dilma, e porque o PMDB foi o principal aliado do PT em seus governos. O grave problema é que, mesmo depois do “golpe parlamentar” do Impeachment, que sacou Dilma do governo e colocou Temer na presidência, o PT segue praticando a mesma política.

    Nas eleições municipais de 2016, a direção do PT fez alianças politicas em mais de mil cidades com o PMDB, fora as alianças com os outros partidos burgueses da ex-base do governo Dilma, mas que acabaram apoiando o “golpe parlamentar” do Impeachment.

    Isso se manteve também nas eleições da presidência da Câmara e do Senado, onde o PT cogitou apoiar o deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), para depois apoiar o candidato do PDT, e no Senado apoiou Eunício de Oliveira (PMDB-CE), que acabou sendo eleito presidente da Casa. Esse mesmo cenário se repetiu em várias eleições para a presidência de assembleias legislativas e câmaras municipais, como vimos no apoio dos deputados estaduais do PT a reeleição de Picciani (PMDB) para a presidência da ALERJ.

    Onde o PT está à frente de governos estaduais, como MG, BA, CE e PI, seus governadores praticam a mesma política econômica do atual governo ilegítimo de Temer. Inclusive, aprovando em algumas assembleias legislativas, medidas que congelam investimentos sociais, semelhantes à famigerada “PEC do fim do mundo”, aprovada pela bancada golpista no congresso, no fim do ano passado.

    Enfim, dar apoio à candidatura Lula em 2018 é insistir no erro de confiar em uma proposta que apresenta o discurso de governar para todos, mas que na verdade não enfrenta em nada o verdadeiro pacto político perverso das elites brasileiras.

    É necessário dar os primeiros passos

    A chamada frente ampla reivindica integralmente a experiência equivocada dos governos Lula e Dilma e quer reeditar as alianças com os grandes empresários e partidos da velha direita.

    É necessário trilhar outro caminho. Defendemos a construção de uma nova alternativa, realmente independente, uma Frente de Esquerda e Socialista, formada pelo PSOL, PSTU, PCB, organizações socialistas ainda sem legalidade e movimentos sociais combativos.

    Neste sentido, é muito importante que o MTST, o movimento popular que no último período ganhou grande protagonismo na luta por moradia, contra o golpe e pelo Fora Temer, seja parte ativa e destacada desta nova alternativa política.

    Devemos apresentar um programa de ruptura com a atual política econômica, apontando uma saída anticapitalista e dos trabalhadores para a crise e suas consequências terríveis, como o aumento astronômico do desemprego.

    Nossa alternativa tem que recuperar propostas que sempre foram defendidas pelos movimentos sociais, como a suspensão e auditoria da dívida, o fim das privatizações e a reestatização das empresas privatizadas, a redução da jornada de trabalho sem redução de salários, reforma agrária e urbana, o fim das isenções fiscais para grandes empresas e a taxação das grandes fortunas, entre outros pontos programáticos para que sejam os ricos e poderosos que paguem o custo da crise, que eles mesmos criaram.

    Mas, para além de um programa, a esquerda socialista precisa lançar, o quanto antes, uma pré-candidatura a presidente da república, uma figura que represente nossas propostas e a saída dos trabalhadores para a crise. Temos que ter a coragem de superar os limites dos governos petistas, aliados com os patrões e seus partidos.

    Nomes existem, para encabeçar esta alternativa. Agora, precisamos iniciar imediatamente as discussões deste programa e da pré-candidatura, através de um debate coletivo, não só entre as organizações políticas, mas que os ativistas participem plenamente.

    O ideal é que nas próximas grandes manifestações unitárias contra os ataques de Temer, use a palavra também uma pré-candidatura presidencial da Frente de Esquerda e Socialista. O fundamental agora é darmos os primeiros passos necessários para que a esquerda socialista apresente um programa para o país e uma pré-candidatura a presidência da república. Mãos a obra!

  • MAIS e NOS lançam declaração política conjunta sobre conjuntura

    O Esquerda Online divulga, na íntegra, a declaração conjunta das organizações MAIS e NOS sobre a conjuntura brasileira, pela importância do debate no conjunto da esquerda do país. 

    DECLARAÇÃO POLÍTICA COMITÊ DE ENLACE MAIS E NOS

    O mundo e o sistema mundial de estados vive uma instabilidade fruto dos desdobramentos da grave crise econômica mundial que explodiu no coração do capitalismo em 2008. Passados quase dez anos, esse processo que atingiu as economias dos países centrais num primeiro momento, se ampliou para a periferia do mundo e não encontrou ainda uma saída positiva.

    Estamos diante da maior crise humanitária desde a criação da ONU que castiga populações inteiras na África e Ásia com a violência da guerra e da fome. Há uma crise social que se aprofunda na América Latina, com aumento do desemprego, ampla precarização dos serviços públicos, queda da renda, aumento do endividamento das famílias e elementos de barbárie social contra os setores mais oprimidos (mulheres, negros e LGBTTs) da sociedade.

    BRASIL PÓS IMPEACHMENT…
    O governo Temer (PMDB) acelera e aprofunda o ajuste fiscal que já tinha se iniciado no governo Dilma (PT). A aprovação da chamada PEC do Fim do Mundo no ano passado é um exemplo, pois foi a base da lei que alterou a Constituição do país, congelando os investimentos públicos em saúde, educação, etc, por 20 anos.

    Uma ofensiva política da direita contra direitos sociais e democráticos no Brasil está em curso. Há uma disputa importante entre as frações da burguesia que se expressa, muitas vezes, nos atritos entre, por um lado, o Judiciário (Lava Jato) e, por outro lado, o Executivo e o Legislativo. Mas tal estranhamento entre os três poderes do regime não foi até agora um problema para o desenvolvimento do processo de ajuste fiscal e de aprovação das contrarreformas no congresso nacional.

    Embora haja divergências e disputas entre “os de cima”, todas as frações da burguesia nacional e internacional possuem um grande acordo em avançar no saque de direitos e, para isso aumentar os mecanismos de repressão à classe trabalhadora e criminalização dos movimentos sociais.

    Mas não para por aí. A ofensiva para reescrever a Constituição Federal de 1988  iniciou esse ano com a continuidade da tramitação da PEC 287 (Reforma da Previdência), com a tramitação da reforma trabalhista, com a tentativa de aprovar no congresso a ampliação das terceirizações de todas as atividades laborais(PL 4302), a proposta de regulamentação super-restritiva do direito de greve e a tentativa de reforma política, cujo objetivo é reformular o sistema de partidos e deixar a esquerda socialista (PSOL, PCB, PSTU e PCO) na ilegalidade ou semi-legalidade.

    É PRECISO PARAR A OFENSIVA DA DIREITA…
    Vivemos um momento histórico no qual está colocado para o conjunto da classe trabalhadora brasileiros um enorme desafio no atual estágio da luta de classes. Unificar forças para impedir o avanço dos planos da burguesia e de Temer é a principal tarefa que exige disposição de luta e responsabilidade das principais direções do movimento. Caso o governo ilegítimo e o congresso nacional consigam aprovar seu pacote de maldades, impondo mais sacrifícios ao povo trabalhador no próximo período, estaremos diante de uma derrota histórica, que gerará mais crises e retrocessos sociais.

    As manifestações contagiantes do dia 08 de março protagonizadas pelo movimento feminista e as manifestações unitárias nesse dia ‪15 de março estão cumprindo um papel muito importante em fortalecer a resistência e demonstrar o acerto da construção desse calendário unificado. Mas ainda urge darmos continuidade a ações unitárias que  apontem para uma inversão da atual correlação de forças, mudando a situação defensiva para uma localização mais ofensiva da classe. É preciso interromper o processo de saque dos direitos sociais e de cerceamento dos direitos democráticos que está em marcha pelas mãos do governo golpista de Michel Temer.

    Há, no movimento sindical e na esquerda em geral, muitas diferenças estratégicas; diferenças sobre o que significou o processo de impeachment, como também diferenças importantes sobre a caracterização dos governos de conciliação de classe do PT. Tais diferenças jamais podem ser esquecidas e escondidas, mas ao mesmo tempo não podem ser obstáculos intransponíveis para a construção de iniciativas unitárias.

    Defendemos a construção de um calendário de lutas unificado que abra as condições para construir uma greve geral no país. Essa é uma tarefa que só pode ser cumprida pela ação conjunta de todas as centrais sindicais (majoritárias e minoritárias) e movimentos sociais, sem atitudes sectárias e pouco democráticas que abalem a necessidade imperiosa da unidade de ação nesse momento. Para que a nossa classe possa confiar em suas próprias forças, precisa perceber que as suas direções estão dispostas a levar a frente essa iniciativa.

    POR UMA FRENTE DE ESQUERDA E SOCIALISTA COMO ALTERNATIVA POLÍTICA PARA EXPLORADOS E OPRIMIDOS!
    Defendemos a total unidade para lutar com todas as centrais e movimentos sociais organizados numa frente única para derrotar Temer. Nesse sentido, achamos que é possível termos uma ampla ação conjunta. Mas isso não significa que temos acordo sobre qual saída política precisamos apresentar para o país e, em especial, para os trabalhadores.

    Somos críticos da experiência de mais de 10 anos dos governos de conciliação de classes do PT em aliança com partidos e figuras nefastas da direita, como o PMDB de Temer. Não estamos a favor de reeditar essa experiência com Lula em 2018, como estamos vendo a direção da CUT e do PT propagandear nesse momento. Somos parte daqueles que no ultimo período fizemos oposição de esquerda aos governos do PT, que também atacaram a classe trabalhadora e, inclusive, abriram as condições para o golpe sofrido por Dilma Rousseff.

    O fato de Lula liderar as pesquisas significa que, apesar de tudo, ainda há ilusões dos trabalhadores na principal figura do PT, o lulismo ainda não morreu na esquerda. Respeitamos essas ilusões, mas seria uma tragédia repetir os erros do passado, apostar na estratégia de conciliação de classes. É nossa obrigação lutar por uma alternativa política, apresentar aos trabalhadores outro caminho, outro projeto.

    Não há, entre a esquerda socialista hoje, nenhuma organização que, sozinha, poderia apresentar uma alternativa que ganhasse de imediato corações, mentes e influência de massas. A unidade é possível e necessária. A construção de uma Frente de Esquerda e Socialista em caráter nacional é uma tarefa fundamental nesse momento. As organizações, partidos e coletivos que defendem a estratégia da revolução socialista precisam abraçá-la imediatamente.

    Fora Temer e eleições gerais já!

    Por uma Frente de Esquerda e Socialista

    Rio de Janeiro, 15 de março de 2017

    Publicado originalmente em http://maismovimento.org/2017/03/15/declaracao-politica-do-comite-de-enlace-mais-e-nos/ e http://novaorganizacaosocialista.com/2017/03/15/declaracao-politica-do-comite-de-enlace-mais-e-nos/

  • Rio de Janeiro é tomado por manifestação contra Reforma da Previdência

    Da Redação

    A manifestação contra a Reforma da Previdência, no Rio de Janeiro, reuniu dezenas de milhares de pessoas.  A concentração na Candelária, às 16h, já demonstrava a força e o peso do que seria o protesto, comparado aos grandes atos de junho de 2013.

    Bancários, aeroviários, servidores públicos, petroleiros, educadores, cedaianos, trabalhadores dos Correios, operários, desempregados, estudantes, moedeiros, portuários, trabalhadores sem teto se reuniram em defesa da aposentadoria e por nenhum direito a menos. A crítica ao governo de Michel Temer foi presente em toda manifestação. Não faltaram gritos de “Fora Temer”.

    O ato estava marcado para sair em passeata às 18h. Mas, a força dos presentes fez o conjunto tomar a Avenida Presidente Vargas, antes mesmo do previsto. Uma das vias principais do Rio de Janeiro ficou lotada até a Central do Brasil. Mesmo após a dispersão, centenas de pessoas seguiram até a Cinelândia, ainda cantando palavras de ordem contra Pezão, Temer e a Reforma da Previdência.

    Um dos destaques foi a coluna da Frente de Esquerda Socialista, com bonita e forte presença no ato. E dando continuidade à importante iniciativa do vitorioso ato do 8 de março, homens e mulheres garantiram uma creche para que as mães e os pais pudessem participar da manifestação enquanto os pequenos ficavam em tranquilidade. Ao todo, 58 crianças foram inscritas para participar.

    Ao final do protesto, a Polícia Militar jogou bombas de gás e spray de pimenta contra os manifestantes. Há denúncias de pessoas serem atacadas em bares e estabelecimentos comerciais.

    O apoio da população foi marcante. Durante todo o dia, trabalhadores de diversas categorias realizaram ações pela cidade. Mulheres ocuparam simbolicamente a sede do INSS, petroleiros da Reduc realizaram atraso de turno, a ponte Rio Niterói teve ato do SOS Emprego e de portuários, no aeroporto Santos Dumond aconteceu protesto de aeroviários, universidades como a UFRJ, escolas municipais e pelo menos 40 particulares foram paralisadas.

    As ações só foram possíveis porque foram organizadas em unidade por diversos setores, organizações dos movimentos sociais e categorias. Novos protestos devem ser marcados ainda nos próximos dias.

    Imagens

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  • São Paulo amanhece sem metrô e sem ônibus: greve contra a reforma da previdência

    imageRedação

    São 5h47 da manhã. A maior cidade do país não está com ônibus e metrôs circulando. A greve dos metroviários está com forte adesão.

    O metrô, de forma irresponsável, tenta operar um plano de contingência que coloca a população em risco. Supervisores com treinamento não adequado são obrigados a entrar nesse esquema de contingência, sob forte assédio moral.

    Essa irresponsabilidade coloca a população em risco e divide os metroviários. Apoie a greve do transporte, um dia de paralisação para defender a aposentadoria e derrotar a Reforma da Previdência.

     

     

    Foto: paralisação do pátio Itaquera do Metrô

  • Confira o que vai parar, em São Paulo, nesta quarta-feira

    Redação

    Metroviários SP: greve de 24h no dia 15 (Paralisção de 5 linhas do Metrô)

    Condutores SP: vai parar da 0h as 8h

    Metalúrgicos SP: Vai parar em peso a zona sul com passeata e grande ato na ponte do Socorro. Nas demais regiões (leste, oeste e norte) vão parar as principais fábricas e realizar atos nas regiões

    APEOESP (Professores estaduais): vai fazer greve a partir do dia 15 e convoca assembleia na República, às 14h. Em seguida vai para Paulista se incorporar no ato unificado.

    SINPEEM (Trabalhadoras/es em educação da rede municipal de São Paulo): vai fazer greve a partir do dia 15 e convoca assembleia no viaduto do Chá em frente ao gabinete da Prefeitura às 14 horas.

    SINASEFE (Servidores Federais/ escolas técnicas ): vão parar no dia 15

    Servidores Municipais: vão parar no dia 15 e convocam para Paulista

    Trabalhadores  e estudantes da USP: Vão parar dia 15

    SINDSEF( Servidores Federais): vão parar dia 15

    SINTRAJUD ( Judiciário Federal) : vão parar dia 15

    Eletricitários:vão parar 24h no dia 15

    Correios: Vão parar 24 horas no dia 15

    *Sintaema – Sabesp: vão parar metade do dia

    Sindsaúde: vão parar vários hospitais dia 15

    Sinsprev ( previdência e saúde federal) –  Vão parar dia 15, confira os locais 

    Ato Unificado de todas as categorias com concentração às 16 horas no MASP

     

  • 15M: São Paulo pode parar

    Por: Richard Araújo, de São Paulo, SP

    Na noite de quinta-feira (9), quase 60 dirigentes de sindicatos, centrais sindicais e movimentos sociais e políticos se reuniram no Sindicato dos Metroviários de São Paulo numa plenária convocada para preparar as iniciativas unitárias de construção do 15M, dia nacional de paralisações, greves e manifestações contra a Reforma da Previdência de Temer. A data, inicialmente convocada pelos sindicatos da educação básica como o início a greve nacional da educação, foi incorporada pelas centrais sindicais como um dia nacional de mobilização.

    Dentre as representações presentes, além do Sindicato dos Metroviários, estavam dirigentes da APEOESP, SINPEEM, Sinasefe, Sindicato dos Condutores de São Paulo, Oposição do SINTECT (Sindicato dos Trabalhadores dos Correios), Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Sintraemfa, Sintaema, Sindicato dos Trabalhadores da CPTM (linhas da Zona Leste), Sindicato dos Eletricitários e dentre as centrais sindicais a CSP Conlutas, Intersindical, CUT, UST, Nova Central Sindical. As Frentes Povo sem Medo e Brasil Popular também estavam presentes.

    A reunião começou com dois informes importantes: a possibilidade de paralisação no dia 15 dos metroviários e dos trabalhadores do transporte urbano, que já votaram em suas assembleias a paralisação e que se reunirão às vésperas do 15M para deliberar definitivamente sobre a adesão à greve, que caso se confirme pode dar contornos de greve geral ao dia na cidade de São Paulo.

    A reunião cumpriu o importante papel de apresentar um quadro das iniciativas e dá mobilização já encaminhadas pelas entidades, movimentos e centrais, que expressam que a proposta de Reforma da Previdência de Temer está iniciando uma importante agitação na classe trabalhadora que começa a entrar em movimento e sinaliza a disposição de enfrentar os ataques do governo. As ações informadas pelas organizações sinalizam a possibilidade e disposição de várias categorias em realizar greves e paralisações das atividades neste dia, para além da educação, que desde janeiro está se mobilizando para a construção de uma greve nacional.

    Além do raio x das ações que estão sendo construídas pelas diversas categorias representadas, a reunião também cumpriu o papel de encaminhar algumas iniciativas unitárias na cidade, que podem ajudar na tarefa de massificar a campanha contra a Reforma e a convocação do 15M. Dentre as iniciativas aprovadas estão a realização de panfletagens em algumas estações de Metrô da cidade e em grandes concentrações populares (praças, terminais de ônibus) nos dias 13 e 14 de março, a organização de bloqueios em algumas avenidas e vias importantes nas regiões no período da manhã e o ato unitário contra a Reforma da Previdência no final da tarde na avenida Paulista no dia 15.

    A realização desta plenária e os encaminhamentos de iniciativas unitárias entre os sindicatos, movimentos e centrais foram muito importantes. Principalmente depois da vitória que foi a unificação da luta da educação com os movimentos feministas, que colocou dezenas de milhares nas ruas de São Paulo no 8M.

    A unificação da resistência é a única alternativa que temos para criar as condições de derrotar a unidade burguesa que quer nos impor um retrocesso histórico com a aprovação da Reforma da Previdência. A alegria que se expressava nos rostos das educadoras e educadores, das militantes dos movimentos feministas na última quarta-feira quando se encontraram nas ruas e na luta contra este ataque é a comprovação de que a classe trabalhadora começa a compreender que somente unindo nossas forças teremos condições para barrar a Reforma e derrotar o governo golpista.

    Por isso é fundamental que não paremos aqui. É necessário que esta unidade expressa na plenária de ontem e nas ações que faremos para construir o 15M siga para a preparação de mais iniciativas depois do 15M, na criação de comitês e frentes contra a Reforma nos bairros e regiões da cidade, na construção de um calendário de mobilização e luta que permita construir outros dias nacionais de luta, dando passos decididos para a construção de uma greve geral no país.

    Veja o que cada categoria está organizando para o 15M:

    Metroviários SP: greve de 24h no dia 15 (assembleia no dia 14 delibera sobre a greve)

    Condutores SP: vai parar da 0h as 8h (na véspera realizará assembleia que poderá ampliar o período de paralisação)

    Plenária do setor de transportes em SP: segunda-feira às 15h para aprovar a participação no dia de luta com os trabalhadores da base de Osasco, ABC e Guarulhos

    Metalúrgicos SP: Vai parar em peso a zona sul com passeata e grande ato na ponte do Socorro. Nas demais regiões (leste, oeste e norte) vão parar as principais fábricas e realizar atos nas regiões

    APEOESP (Professores estaduais): vai parar a partir do dia 15 e convoca assembleia na República, às 14h. Em seguida vai para Paulista se incorporar no ato unificado.

    SINPEEM (Trabalhadoras/es em educação da rede municipal de São Paulo): vai parar a partir do dia 15 e convoca assembleia no viaduto do Chá em frente ao gabinete da Prefeitura.

    SINASEFE (Servidores Federais): vão parar no dia 15

    Servidores Municipais: vão parar no dia 15 e convocam para Paulista

    SINTUSP: vão parar dia 15

    SINDSEF: vão parar dia 15

    SINTRAJUD: vão parar dia 15

    Luta Popular SP: vai fazer manifestações em avenidas e estradas

    Bancários: vão parar os bancos na região da avenida Paulista no dia 15

    *Eletricitarios:* vão parar 24h no dia 15

    Correios: assembleias em todos os estados no dia 14 para organizar a paralisação de 24h no dia 15

    *Sintaema – Sabesp:* vão parar metade do dia

    *Sindsaude:* vão parar vários hospitais dia 15

    *Quimicos SP:* vão parar dia 15

    *Municipais e Professores de Fco Morato:* vão parar dia 15 e virão para a Paulista

    *Quimicos de Osasco e bancários de Santos:* vão fazer manifestações em avenidas

    *Quimicos SJC:* vão parar as fábricas

    *Metalúrgicos SJC:* vão parar as fábricas e fazer manifestações em avenidas e estradas

    *Metroviários de BH:* vão parar 24h no dia 15

    *CNTE:* entidade nacional da educação convoca greve a partir do dia 15

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    *Encaminhamentos*

    *Carta aberta unificada (100 mil cartas):* no dia 14 às 6h nas estações de Metrô com assinatura de todas as entidades

    *Inserção em rádios:* informando os trabalhadores e convocando o dia 15

    *Carros de som:* nas portas de fábricas e nos bairros convocando a paralisação

    *Ato unificado na Paulista:* dia 15 às 16h

  • O 8 de Março em São Paulo colocou milhares de mulheres nas ruas!

    Por Luísa D’Avola, de São Paulo, SP

    Hoje, aconteceu o 8 de Março em São Paulo, que reuniu 20 mil ativistas em torno do mote: “Previdência fica e Temer sai! Paramos todas pela vida das mulheres!”.

    O ato concentrou na Praça da Sé e seguiu trajeto pela rua Brigadeiro Luiz Antônio, onde unificou com o ato da paralisação dos professores municipais e estaduais e encerrou em frente da prefeitura de São Paulo.

    Além da manifestação unificada da Praça da Sé, que juntou milhares de lutadoras, houve diversos atos do 8M, como uma concentração em conjunto com a assembleia de professores estaduais na Avenida Paulista, e outros atos na zona sul da cidade (8M na Quebrada) e em Guaianases, este último organizado pelas companheiras do coletivo Ana Montenegro.

    O chamado internacional para a construção do 8M mobilizou as mulheres no mundo todo. No Brasil, para se somar ao chamado mundial, fomos às ruas contra a Reforma da Previdência. Esse ataque do governo Temer irá atingir diretamente as mulheres, pois vai igualar a idade mínima para aposentadoria, ignorando a dupla e a tripla jornada de trabalho.

    A luta das mulheres foi capaz de reunir as mais diversas organizações políticas e milhares de ativistas independentes. Além das bandeiras históricas do movimento de mulheres contra o feminicídio e por mais direitos, em São Paulo, as mulheres também marcharam contra o prefeito higienista João Dória, do PSDB.

    Na capital paulista, tivemos outra grande vitória, pois foi formada uma Frente Feminista de Esquerda. Um processo construído a partir dos vários coletivos, organizações e ativistas independentes que, para além do 8 Março, pretende ser um polo de reorganização do feminismo de esquerda na cidade de São Paulo.

    A luta unificada das mulheres mostrou que os grandes enfrentamentos no Brasil e no mundo, hoje, passam pela força feminina. Das curdas às argentinas, das norte-americanas às brasileiras, existe uma inspiração para a organização e unidade, necessária para enfrentar esses tempos de ataques globais que o neoliberalismo nos impõem.

    As mulheres mostram as possibilidades de novos tempos!

     

  • A Revolução Russa e o protagonismo das mulheres

    Por: Fátima Dias, de Niterói, RJ

    Pouca gente sabe que a Revolução de fevereiro de 1917, que derrubou o regime czarista existente há séculos na Rússia, foi protagonizada pelas operárias da indústria têxtil que organizaram um ato público no Dia Internacional da Mulher, de forma espontânea, insurrecional e pela base.

    Conforme relata Trótski em sua História da Revolução Russa, as mulheres foram a vanguarda da Revolução de Fevereiro: “O dia 23 de fevereiro (no calendário juliano, correspondente a 8 de março no calendário gregoriano) era o Dia Internacional da Mulher. Os círculos da social democracia tensionavam festejá-lo segundo as normas tradicionais: reuniões, discursos, manifestos, etc. Na véspera ainda ninguém poderia supor que o Dia da Mulher poderia inaugurar a Revolução. Nenhuma organização preconizava greves para aquele dia. (…) No dia seguinte, pela manhã, apesar de todas as determinações, as operárias têxteis de diversas fábricas abandonaram o trabalho e enviaram delegadas aos metalúrgicos, solicitando-lhes que apoiassem a greve. (…) É evidente pois que a Revolução de Fevereiro foi iniciada pelos elementos de base, que ultrapassaram a resistência de suas próprias organizações revolucionárias, e que esta iniciativa foi espontaneamente tomada pela camada proletária mais explorada e oprimida que as demais – as operárias da indústria têxtil, entre as quais, deve-se supor, estavam incluídas numerosas mulheres casadas com soldados. (…) O Dia da Mulher foi bem sucedido, cheio de entusiasmo e sem vítimas. Anoitecera e nada revelava ainda o que esse dia trazia em suas entranhas. No dia seguinte, o movimento, longe de se apaziguar, dobrou em intensidade(…)” (1)

    Como era a vida das mulheres operárias da indústria têxtil e a importância do Dia Internacional das Mulheres em seu desenvolvimento político

    Na Rússia, em 1916, as operárias se concentravam no setor têxtil e eram a categoria mais explorada da classe operária. A média de seus salários chegava a menos da metade do salário dos operários do setor metalúrgico. A porcentagem de analfabetismo entre os trabalhadores industriais, que atingia a média de 36%, se reduzia a 17% entre os metalúrgicos e subia para 62% entre as têxteis.

    No entanto, desde a revolução de 1905, já havia entre as mulheres socialistas como Aleksandra Kollontai, uma compreensão de que seria uma tarefa estratégica ganhar as mulheres trabalhadoras para o socialismo. Assim, na Primeira Conferência das Mulheres Socialistas, em Stuttgart (1907), se propôs a agitação e propaganda socialista entre as mulheres russas, e na Segunda Conferência, em Copenhague, 1910, com delegadas de dezessete países, foi declarada a necessidade do Dia da Mulher, com um caráter internacional e cuidadosamente preparado, em especial para a promoção da propaganda pelo sufrágio feminino.

    Em 1914, as militantes socialistas russas decidiram editar uma revista dirigida às mulheres trabalhadoras, seguindo exemplo das social-democratas alemãs, que já tinham desde 1892, uma revista editada por Clara Zetkin chamada “A igualdade” (Die Gleichheit) que alcançou mais de 120 mil exemplares naquele ano. Editaram então a revista “Trabalhadora” (Robôtnitsa). O lançamento foi no Dia Internacional da Mulher de 1914 com 12 mil exemplares e faziam parte de seu conselho editorial Inês Armand, Aleksandra Kollontai e Nadêjda Krúpskaia, companheira de Lênin.

    Nessa primeira edição, a revista já afirmava que educaria as trabalhadoras que, naquela época, eram um grupo com pouca consciência política, com um índice de sindicalização muito baixo e com pouca participação nas atividades como reuniões e conferências.

    Entretanto, a Primeira Guerra Mundial foi decisiva na transformação do papel social das mulheres na Rússia. Entre 1914 e 1917, um grande número de jovens operários que eram o único sustento para suas famílias foram enviados ao front e, pressionadas pela necessidade, as mulheres foram ocupando seus lugares nas fábricas. Em 1916, o número de homens trabalhadores recrutados para a guerra chegou a 14,6 milhões.

    Isso fez com que as mulheres se convertessem em operárias da indústria e o componente de mulheres na classe operária aumentou de 25,7% em 1914 para 33,2% em 1917, sendo que nas indústrias têxtil e de alimentos se tornaram maioria. Mas, além de estarem nos setores mais explorados da Indústria, as mulheres continuavam com suas tarefas domésticas e pressionadas pela fome de seus filhos e, nessa época, eram ainda bastante excluídas da vida social e política, o que as convertiam em um dos setores mais conservadores, conforme assinalava a revista “Trabalhadora”. Entretanto, essa condição de dupla opressão ia se tornando cada vez mais explosiva e, com a falta de pão que as obrigava, constantemente, a enfrentar filas para conseguir alimentos durante o inverno, passaram a questionar o poder político sem mais mediações.

    Assim, na manhã de 23 de fevereiro de 1917, conforme relata Gordienko, trabalhador metalúrgico, no livro “Russia’s Second Revolution” (2) , ouviram-se vozes femininas na rua: “Chega de guerra! Chega de fome! Pão para os trabalhadores!” e ao olhar pela janela da fábrica os operários viram uma massa de mulheres trabalhadoras com ânimo militante! E cada uma que via os operários na janela, gritava: “Saiam! Deixem o trabalho!”, algumas atirando bolas de neve para chamar atenção.

    E assim, esses operários decidiram em conjunto, se unirem às manifestações. O papel de vanguarda das mulheres trabalhadoras conquistou apoio dos soldados e desencadeou uma insurreição que contrariou as considerações de que não havia condições maduras para uma greve geral. A Revolução de Fevereiro foi desencadeada por uma greve insurrecional iniciada por operárias que se dirigiam à Duma (Câmara) Municipal pedindo pão e conseguiu, rapidamente, o apoio dos operários, se fundindo em palavras de ordem políticas como “Chega de autocracia” e “Chega de Guerra!”

    O conceito de liderança – Consequências da mobilização das mulheres para a classe trabalhadora russa e da Revolução bolchevique para as mulheres

    Essa iniciativa política das mulheres operárias teve como consequências a queda da Dinastia dos Românov, que governava a Rússia desde 1613, a proclamação de uma república democrática, o ressurgimento dos conselhos de deputados operários (sovietes), criados inicialmente pela classe operária russa na Revolução de 1905 e a abertura de uma etapa de duplo poder entre tais conselhos e o governo provisório que culminou com a tomada de poder pelos bolcheviques em 1917.

    O enorme impulso que as trabalhadoras russas deram à revolução, combinado com a política revolucionária consequente dos bolcheviques, trouxe avanços como a plena igualdade de direitos civis e políticos, o casamento civil e o divórcio, o direito ao aborto em 1920 (primeiro país no mundo a conquistar esse direito) e desenvolveu uma política que incentivava a socialização do trabalho doméstico e a criação dos filhos, liberando a mulher do jugo da escravidão doméstica.

    (1) León Trótsky “A História da Revolução Russa” Editora Paz e Terra, 2a Edição, 1977, vol.1, capítulo VII.

    (2) Gordienko apud Cintia Frencia e Daniel Gaido em “Trabalhadoras na Vanguarda”, Revista CULT, fevereiro de 1917.

  • Fortaleza terá ato unificado contra a reforma da previdência no dia 15 de março

    Por: Raquel Dias, Diretora do ANDES-SN (Regional NE1)

    O dia 15 de março foi, inicialmente, convocado pela CNTE como um dia de Greve Nacional da Educação Básica contra a Reforma da Previdência e em defesa do cumprimento da Lei do Piso. Em seguida, o ANDES-SN aprovou em seu 36º Congresso, a convocação do 15 de março, como um Dia de Greves, Mobilizações e Paralisações nas universidades contra a Reforma da Previdência.  Depois, as centrais sindicais se reuniram e tomaram a importante decisão de incorporar esse dia em seus calendários de luta. Dessa maneira, o dia 15/03 foi se construindo como um importante dia nacional de luta. Começava, então, nos estados uma batalha para somar as centrais, as frentes, as entidades, os movimentos, as organizações num ato unificado porque não bastava tomar a decisão isolada de convocar um dia nacional de luta, mas transformar essa decisão em unidade concreta da classe trabalhadora em torno da defesa de um de seus direitos fundamentais, que é a previdência social, a aposentadoria, a assistência social, os quais estão gravemente ameaçados pela Reforma que Temer colocou em curso e está a todo vapor.

    Estamos vivendo uma situação muito grave no nosso país desde a consumação do golpe parlamentar que levou Temer à Presidência da República. Várias medidas foram aprovadas que retiram direitos e pioram as condições de vida da classe trabalhadora no contexto de uma profunda crise econômica.  De forma rápida e virulenta, o governo aprovou a EC 55 e congelou os gastos com a educação, a saúde e com outras áreas sociais por 20 anos, fez a reforma do ensino médio por meio de medida provisória e, agora, pôs em andamento a Reforma da Previdência, que impede que trabalhadoras e trabalhadores se aposentem.

    A burguesia, seus partidos e suas organizações estão unidas no que diz respeito à implementação do pacote de ajuste fiscal com o objetivo de descarregar nas costas da classe trabalhadora os efeitos da crise econômica. Estes, por sua vez, têm reagido e realizado jornadas de lutas, greves por categoria, manifestações, caravanas à Brasília etc. Sem dúvida, são ações importantes, mas insuficientes para enfrentar os ataques, ou seja, a resistência ainda não se colocou à altura dos ataques sofridos. O que está faltando é a unidade do lado de cá para enfrentar a unidade do lado de lá. Só a unificação da classe trabalhadora por meio de uma Frente Única das entidades e dos movimentos organizados dos trabalhadores e das trabalhadoras do campo e da cidade é que possível derrotar este governo golpista e suas medidas regressivas.

    Nesse marco, o dia 15/03 se apresenta como uma importante iniciativa de unificação das luta e de constituição de uma frente contra a Reforma da Previdência, como primeira tarefa, mas que deve se fortalecer para continuar enfrentando as medidas do governo Temer que visam à retirada de direitos. Aqui, em Fortaleza, várias entidades de servidores públicos, tendo a Regional NE1 do ANDES-SN e o Fórum das Três, que reúne as seções sindicais das Universidades Estaduais do Ceará (SINDUECE, SINDIUVA, SINDURCA) à frente tomaram a iniciativa de realizar duas plenárias de construção do 15/03, que reuniu ativistas e entidades de várias categorias e dos movimentos popular e estudantil, a exemplo da FPSM, do MTST, da Intersindical, da CSP Conlutas, dos sindicatos das universidades, dentre outros. No entanto, apesar dessa significativa iniciativa, havia o reconhecimento por parte de todos e todas de que seria necessário ampliar a construção para o conjunto das centrais sindicais e das frentes de luta, como FBP, a CUT, os sindicatos da base da CNTE (SINDIUTE e APEOC) etc. Nesse sentido, o grupo até então constituído fez um esforço para costurar a unidade com estes setores que estava organizando o ato do dia 15 em outro local a partir da avaliação de que questões menores, como local, horário, estrutura, não poderiam se constituir em barreiras ao que é fundamental, a luta contra a Reforma da Previdência e o governo Temer. Ontem, dia 06 de março, obtivemos uma grande vitoria após reunião das duas frentes, FBP e FPSM, e das centrais sindicais que convocam o ato em Fortaleza, CSP Conlutas, CUT, CTB e Intersindical, que chegou a um consenso sobre a realização de um ATO UNIFICADO no dia 15 de março em Fortaleza.

    A unidade da classe trabalhadora para lutar não é uma escolha e sim uma necessidade numa conjuntura regressiva e de ataques aos direitos históricos conquistados com muita luta!