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  • 2018? Por uma frente de esquerda e socialista

    Por André Freire, Colunista do Esquerda Online

    A esquerda socialista deve começar desde já a construção de uma alternativa política radicalmente contra a velha direita e o governo ilegítimo de Temer, mas que supere também a política de conciliação de classes da direção petista

    No processo de construção da necessária e urgente frente única, que enfrente nas ruas, com greves e mobilizações, a onda de ataques contra os trabalhadores, a juventude e a maioria do povo, a esquerda socialista deve encarar a discussão, muito importante, de que alternativa política construir, desde já, na ação direta, e também para o processo eleitoral de 2018.

    Evidentemente que para a luta que busca derrotar as reformas reacionárias da previdência e trabalhista, entre outros ataques do governo ilegítimo de Temer e de seus aliados nos Estados, como Pezão no Rio de Janeiro, será necessário unir todos os setores, que estão contra estas medidas absurdas, independentes das direções que estão à frente destas entidades e movimentos.

    O povo trabalhador precisa da mais ampla unidade para que se levante em um grande movimento de ação que tente derrotar esses “pacotes de maldades” dos governos, parlamento, judiciário e dos patrões. Por isso, será muito importante a construção das manifestações unitárias no dia 8 de março – dia internacional de luta das mulheres – e no dia 15 de março. É fundamental que todas as Centrais Sindicais, o MST, o MTST, a UNE e demais movimentos que estão contra o governo e suas medidas draconianas se empenhem com tudo na organização e convocação destes protestos.

    Mas, a pergunta que fica para a esquerda socialista é a seguinte: esse mesmo critério de unidade para ação contra os ataques deve servir para construir a alternativa política que precisamos em nosso país?

    A Esquerda Socialista deve integrar a campanha Lula 2018?

    Essa questão ganhou ainda mais relevância, na semana passada, com o anúncio da última pesquisa de intenções de votos para a Presidência da República (CNT / MDA), onde Lula aparece na frente em todos os cenários, tanto de primeiro como de segundo turnos, o governo Temer cai ainda mais a sua já baixíssima popularidade e Bolsonaro cresce também – já disputando um eventual segundo lugar com Marina Silva.

    Mesmo sabendo que este cenário é produto de uma pesquisa, ainda muito longe das eleições, é evidente que ele reacende a discussão sobre se a esquerda socialista deve aderir a chamada frente ampla, apoiando uma eventual candidatura de Lula em 2018, caso ele não seja impedido pela “Lava Jato”. Com objetivo de derrotar eleitoralmente as distintas alternativas da velha direita e até da extrema direita.

    Diante desta discussão fundamental, é muito importante um posicionamento nítido e explícito sobre que caminho seguir. Velhas formas políticas de exigências a que Lula assuma um programa dos trabalhadores e não se alie a setores da burguesia, nos parecem equivocadas neste momento. Afinal, elas não levam em consideração o que foram os 13 anos de governo do PT (Lula e Dilma) e a própria política que este partido tem na atual conjuntura, mesmo depois da manobra reacionária do Impeachment.

    O PT e Lula já governaram o país e a política central de seus governos foi realizar uma administração que não rompesse em nada com o pacto de dominação da elite brasileira, em associação direta aos interesses imperialistas para a América Latina.

    O máximo do que se chegou foram adoções de políticas sociais compensatórias, que tiveram impacto positivo devido a grande miséria de grandes parcelas da população, mas que em nada atingiram os lucros exorbitantes do agronegócio, das empreiteiras, bancos e demais grandes empresas nacionais e transnacionais. Ou seja, não realizando de fato nenhuma das mudanças estruturais que tanto nosso país precisa.

    E, não podemos esquecer que estes governos também desferiram ataques ao povo trabalhador e a economia nacional, como a reforma da previdência de 2003, as parcerias-público-privadas e os leilões de venda das reservas de Petróleo e do Pé-sal. Além de terem entrado no jogo sujo da política burguesa, marcado pelos escândalos de corrupção, compra de votos no parlamento e financiamento milionários de campanhas pagos pelas grandes empresas.

    Não podemos apagar o que foram os governos petistas, suas medidas e alianças espúrias, e agora acreditar que um eventual novo governo de Lula será diferente qualitativamente. Não podemos esquecer também que Temer era vice de Dilma, e chegou ao governo pelas mãos da própria direção do PT.

    Seria muito bom para os trabalhadores que pudesse ser diferente, que fosse possível um novo rumo para o PT. Mas, nada de concreto nos autoriza a acreditar nesta real perspectiva. Qualquer candidatura do PT em 2018 não fará nenhuma autocrítica séria sobre o que foram seus governos. Ao contrário, reivindicará este período como modelo a ser seguido para o futuro de nosso país. E, mesmo hoje, depois do golpe parlamentar do Impeachment, vemos que o PT na oposição não mudou em nada a essência de sua política.

    Afinal, onde é governo nos Estados vem aplicando medidas muito similares, por exemplo, a PEC que congela investimentos sociais e os salários dos servidores públicos (Como no Ceará e Piauí); no Senado Federal apoiou a eleição do golpista Eunício de Oliveira (PMDB/CE) para presidência da Casa e seu Senador do Acre – Jorge Viana – vacilou quando poderia ter assumido a presidência do Senado e pelo menos ter adiado a votação da PEC 55.

    No Rio de Janeiro, seus deputados estaduais votaram no corrupto Jorge Picciani (PMDB) para Presidência da Assembléia Legislativa, o mesmo que deu mais um golpe, aprovando de forma relâmpago e antidemocrática a autorização para privatização da Cedae, que inclusive contou com um voto favorável de um deputado estadual do PT, André Ceciliano.

    Seguir atrelando o futuro da esquerda socialista ao projeto de conciliação de classes do PT é uma política totalmente equivocada que vai preparar novas derrotas e mais desmoralização de parcelas importantes da classe trabalhadora, da juventude e dos lutadores dos movimentos sociais combativos. É necessário começar, desde já, a construção de uma nova alternativa da esquerda socialista.

    A hora é agora: Por uma nova alternativa da esquerda e socialista 

    Temos que apostar em outro caminho. Na construção desde já de uma Frente de Esquerda e Socialista, que una nas lutas e em uma alternativa política para as eleições de 2018, o PSOL, o PSTU, o PCB, o MTST e organizações da esquerda socialista ainda sem legalidade.

    Esta frente deve se organizar desde já, em nada devemos esperar o ano das eleições. Neste sentido, é muito importante que em vários Estados já existem espaços que começam a construir esta perspectiva, temos que fortalecê-los e ampliá-los.

    Em primeiro lugar, porque esta unidade é muito importante para atuação nos processos reais de mobilização que acontecem agora, lutando para ampliar uma frente única nacional que enfrente e busque derrotar os terríveis ataques dos governos e dos patrões. Mas, também, na construção desta unidade na perspectiva de construção de uma aliança da classe trabalhadora, do conjunto dos explorados e oprimidos e da juventude para as eleições de 2018.

    Esta frente não deve também ser improvisada, devemos começar construí-la desde já, com discussões programáticas abertas e coletivas e o lançamento de uma pré-candidatura que expresse uma alternativa tanto a velha direita e o governo ilegítimo de Temer, mas também supere a política de conciliação de classes do PT.

    Neste momento, é muito importante que estes partidos e organizações da esquerda socialista comecem a discutir coletivamente essa construção, pois não devemos nos conformar com a situação atual, onde o que aparece como alternativa a este governo ilegítimo é somente uma candidatura de Lula e do PT, novamente em 2018.

    É importante abrir um diálogo também com os camaradas do MTST, que foi o movimento social de luta que mais ganhou expressão política e capacidade de mobilização no último período, para que também eles tomem uma decisão pela construção desta Frente de Esquerda e Socialista e ocupem um papel de destaque nesta construção, inclusive disponibilizando suas principais lideranças para serem candidatas nesta nova alternativa política que devemos construir.

  • Alerj vota a venda da CEDAE: e agora?

    Por Clara Saraiva, do Rio de Janeiro, RJ

    Nesta segunda-feira, dia 20 de fevereiro, o Presidente da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani (PMDB-RJ), deu mais um dos seus golpes. Colocou para votar, em apenas uma sessão, a autorização para que o governo do estado privatize a Cedae. Havia sido anunciado, anteriormente, um calendário de discussão e votações que iria até a próxima quinta-feira.

    A autorização da privatização da Cedae foi aprovada com o voto favorável de 41 deputados; 28 votaram contra. A aprovação foi relâmpago, sem nenhuma audiência pública para discutir com a sociedade a venda do último ativo do Estado do Rio de Janeiro, e, ainda por cima, rejeitando em bloco (em apenas uma votação) mais de 200 emendas ao projeto. Um verdadeiro escândalo.

    O Movimento Unificado dos Servidores Públicos Estaduais (MUSPE) e o Sindicato dos trabalhadores da Cedae (Sintsama) organizaram às pressas um protesto, que mais uma vez foi duramente reprimido pela tropa de choque da PM. Houve uma passeata dos trabalhadores da Alerj até a sede da empresa, na Praça XI. A repressão foi brutal, com dezenas de feridos e 24 detidos, que até a meia noite já estavam em liberdade.

    Os trabalhadores da Cedae seguirão em greve e já planejam novos protestos, apontando sua ampliação e radicalização. O MUSPE está convocando um novo protesto para a Alerj hoje, dia 21 de fevereiro, terça-feira, a partir do 12h. Os profissionais de educação do Estado farão uma paralisação também.

    A votação golpista dessa segunda-feira na Alerj está muito longe de encerrar a nossa luta contra a venda da Cedae e para derrotar o pacote de maldades de Pezão. Ela não é ainda a privatização, é um passo neste sentido. Inclusive, durante a gestão do tucano Marcello Alencar, ex-governador do RJ, muitas vezes eles ameaçaram e até chegaram perto de vender a empresa. Mas, a luta histórica e exemplar dos “cedainos” por um lado, e o apoio a ela da maioria da população carioca em defesa da Cedae pública e estatal, derrotaram os planos de vender a empresa.

    Se o Governador Pezão, que hoje, inclusive, teve seu impeachment oficialmente publicado em Diário Oficial da Justiça Eleitoral do RJ, pensa que já venceu a guerra, está muito enganado. Hoje a manifestação será ainda maior, para derrotar as suas medidas contra o povo trabalhador e para colocar ele e seu vice para fora, exigindo novas eleições antecipadas para o governo do estado.

    Temos certeza que os protestos em defesa da Cedae e pelo fora Pezão e Dornelles tomarão conta do irreverente carnaval carioca. Na sexta-feira de carnaval, já há um chamado ao grande Bloco Fora Temer, que vem sendo construído por diversos movimentos. E, logo após o carnaval, a luta vai seguir já no dia 8 de março, dia internacional de luta das mulheres, e no dia 15 de março, dia nacional de lutas e paralisações, convocado pelas centrais sindicais contra a reforma reacionária da previdência social.

    . Unificar as lutas e parar o Rio de Janeiro!

    . Pezão, a crise é você! Não à venda da CEDAE!

    . Não ao acordo Temer-Pezão!

    . Contra a Reforma reacionária da Previdência!

    . Abaixo a repressão!

    . Desmilitarização da PM!

    . Fora Pezão e Dornelles. Novas eleições antecipadas para o governo do Estado!

    . Por uma Frente de Esquerda dos Trabalhadores.

     

     

  • Atlético PR x Coritiba: jogo cancelado em nome do lucro da grande imprensa

    Por Izabella Lourença, de Belo Horizonte.

    É o primeiro clássico do ano entre Atlético Paranaense e Coritiba. Enquanto a globo paga milhões para transmitir clássicos de São Paulo ou Rio de Janeiro, como Flamengo e Fluminense (Fla-Flu), ofereceu a quantia de um milhão de reais para a transmissão do Atletiba. Os clubes não aceitaram a proposta e fecharam o acordo de transmitir o jogo ao vivo pelo youtube, através de seus canais, com uma estrutura composta por narrador, comentarista e repórter de campo.

    O clássico que contou com um assassinato da Polícia Militar no início de uma briga na concentração das torcidas, gerou revolta por outro motivo. Antes do início do jogo, a Federação Paranaense de Futebol (FPF) impediu a realização do jogo, alegando que os profissionais da imprensa alternativa não foram credenciados na federação. A FPF alegou que enquanto a transmissão continuasse, o jogo não começaria. Os dirigentes dos dois times decidiram continuar a transmissão como forma de protesto contra o monopólio da grande mídia. Depois de uma hora de atraso, os torcedores se retiraram do campo e princípios de tumultos, barulhos de bombas e balas de borracha puderam ser ouvidos.

    Alternativas como essas servem para questionar o poder da mídia, em especial da Rede Globo, sobre o futebol brasileiro, que dita os horários, movimenta milhões e mostrou-se capaz de impedir a realização de um jogo se os clubes não aceitarem suas regras.

    Foto: Jogadores voltam ao gramado para agradecer a torcida. Publicada pela página Coritiba Campeão do Povo

  • MAIS e NOS abrem discussão estratégica para testar a possibilidade de unificação

    DECLARAÇÃO CONJUNTA DO MOVIMENTO POR UMA ALTERNATIVA INDEPENDENTE E SOCIALISTA (MAIS) E DA NOVA ORGANIZAÇÃO SOCIALISTA (NOS)

    A militância da esquerda socialista brasileira está acostumada a vivenciar processos mais ou menos dolorosos de rupturas, que compõem uma imagem de fragmentação que nos acompanha. Fragmentação e fragilidade aparecem nessas situações como quase sinônimos. Ainda que momentos de intensa reorganização das representações da classe trabalhadora envolvam necessariamente rupturas e reaglutinações, temos que assumir que a conjuntura exige de nós diferentes formas e gradações de atuação unitária das forças políticas comprometidas com a revolução socialista. É esse o espírito que preside esta declaração.

    O Movimento por uma Alternativa Independente e Socialista (MAIS) e a Nova Organização Socialista (NOS) vêm a público informar que decidiram iniciar uma discussão política, teórica e programática com o objetivo de testar a possibilidade de unificação das duas organizações. Para tanto, o MAIS e a NOS conformam um Comitê de Enlace, que coordenará o processo através do qual buscarão conhecer melhor o programa e as posições políticas de cada parte, identificar pontos de convergência e divergência e avançar em uma atuação comum na luta de classes. Trata-se de um processo que apenas se inicia e cujo resultado não pode ser antecipado com certeza, mas que, diante do atual quadro de dispersão da esquerda socialista brasileira e ofensiva da direita, é certamente um passo importante, que nos enche de entusiasmo. Abraçamos, por isso, essa possibilidade com todo o empenho.

    Vale ressaltar que ambas organizações já atuam conjuntamente em vários espaços e já identificaram uma série de convergências em suas posições. Desde o seu surgimento, tanto a NOS quanto o MAIS se colocam como objetivo contribuir com o processo de reorganização da esquerda revolucionária no Brasil. Ambas as organizações rejeitam a ideia de que um partido revolucionário possa se construir unicamente por meio do crescimento linear. Ao contrário, pensamos todos que a construção de um partido marxista passa inevitavelmente por um processo de fusões e reagrupamentos, sempre pacientes e respeitosos, sempre em base a uma profunda discussão política, programática e de princípios.

    Além disso, temos noção de nossas modestas dimensões. Caso o processo que ora iniciamos obtenha êxito em seu propósito e permita a unificação das duas organizações, mesmo assim sabemos que há muitas outras organizações revolucionárias no país, que representamos apenas uma pequena fração da esquerda socialista brasileira e que, portanto, a luta pela unificação dos socialistas revolucionários no país deverá seguir com ainda maior força e maior dedicação.

    As primeiras discussões realizadas entre nossas organizações já revelaram uma série de acordos importantes: a reivindicação da revolução socialista como única forma de superar a sociedade capitalista; a crítica ao possibilismo reformista e ao corporativismo sindical, tão entranhados na prática da esquerda brasileira; o reconhecimento do proletariado como sujeito da revolução socialista; a estratégia da construção de conselhos de trabalhadores, em suas diversas formas, como instrumentos de luta pelo poder; a necessidade do internacionalismo; a independência de classe; a afirmação da perspectiva materialista da história em sua valorização das classes sociais e da luta de classes contra as visões campistas e pós-modernas de mundo; a ditadura do proletariado como tipo de Estado necessário à transição socialista que abrirá caminho à emancipação da humanidade; a compreensão da democracia burguesa como um regime político que confere forma própria a uma dada dominação de classe e que, por isso mesmo, jamais levará ao socialismo; ao mesmo tempo, a necessidade de utilizar os pequenos espaços dessa democracia como pontos de apoio secundários para a luta de massas; a luta contra todo tipo de opressão e a necessidade de um partido com regime interno democrático e atuação militante centralizada.

    Além desses acordos estratégicos e de princípios, possuímos também importantes convergências na luta de classes atual: a visão sobre o balanço dos governos petistas; a avaliação da atual correlação de forças no país; a necessidade da mais ampla unidade de ação contra os ataques dos governos; a luta pela construção de um campo de independência de classe para superar o petismo; a aposta na CSP-Conlutas como um espaço onde ainda é possível batalhar por uma política de classe, combativa e antiburocrática.

    Sabemos que as unificações dentro da esquerda revolucionária nunca são fáceis ou simples. Se assim fosse, os marxistas não estariam tão divididos. E embora já tenhamos identificado uma série de acordos e convergências, tanto em relação à estratégia e ao programa, quanto no que diz respeito à intervenção na conjuntura atual, certamente encontraremos diferenças e desacordos ao longo desse processo, mas encaramos isso como algo natural e até certo ponto inevitável. Desacordos teóricos, políticos e até programáticos não são, por si só, impedimento para um processo de fusão. Em primeiro lugar, porque podem ser superados pelo debate e pela prática comum. Em segundo, porque rejeitamos a ideia de uma organização monolítica, onde todos pensam igual em absolutamente todos os pontos.

    Ao contrário, entendemos uma organização revolucionária como um espaço vivo, democrático e plural, onde devem conviver companheiros(as) de distintas tradições e origens, onde estão presentes diferentes matizes e sensibilidades políticas, onde todos estão unidos pelos princípios, pelo programa, por uma moral e por uma disciplina voluntária e consciente. Apostamos que é possível chegar a uma síntese desse tipo entre nossas organizações. Sem apressar o ritmo da construção coletiva, mas confiando no debate sincero e fraterno e em que a prática conjunta pode ajudar a resolver muitas diferenças.

    Rejeitamos a ideia de uma unificação como um simples acordo de direções. Em processos como esse, a disposição das direções conta, mas é insuficiente. Para que uma possível unificação seja sólida, é preciso construí-la de forma democrática, desde a base. Por isso, impulsionaremos plenárias, reuniões e comitês unificados na base das duas organizações, para que o conjunto da militância possa fazer a fundo a experiência de discussão e atuação conjunta com vistas à fusão.

    Direção Nacional da NOS | Direção Nacional do MAIS

    Rio de Janeiro – São Paulo, 06 de fevereiro de 2017.

  • Pesquisa do IBGE mascara o nível real de desemprego

    Por Marcello Locatelli, Curitiba, Paraná

    Ontem (31), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados oficiais da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio Contínua (Pnad Contínua), revelando a situação dramática e triste que os trabalhadores vivem no Brasil.

    A taxa de desocupação encerrou em 12% no último trimestre de 2016, isto significa que 12,342 milhões de pessoas estão atrás de emprego. Segundo o IBGE, temos 3,269 milhões a mais de desempregados em relação ao ano anterior, alta de 36%. Neste período tivemos 1,983 milhões de postos de trabalho fechados, uma queda de 2,1% na taxa de ocupação.

    O trabalho encolheu nos diversos segmentos da economia, mas foram na indústria e na construção civil que estes resultados foram mais expressivos. A classe, de conjunto, sofre diante da nefasta política econômica recessiva imposta antes por Dilma (PT) e agora por Temer (PMDB).

    A pesquisa do IBGE mascara a realidade

    O desemprego é bem maior do que diz o IBGE. Segundo o estudo divulgado pelo banco Credit Suisse, o Brasil tem a sexta maior taxa de desocupação entre os 31 países desenvolvidos e emergentes que foram avaliados. Este estudo indica que o país está no topo do chamado desemprego ampliado.

    A taxa de desemprego estimada pelo IBGE considera apenas quem procura trabalho e não encontra. Já a metodologia da taxa de desemprego ampliada é mais complexa, ela reflete quem faz bico por falta de alternativa, trabalha menos do que poderia ou desistiu de procurar emprego.

    Considerando o estudo do Credit Suisse, o Brasil tem hoje quase o dobro do desemprego oficial anunciado. Para o IBGE este número é de 12,342 milhões, enquanto para o Credit Suisse é de 23 milhões de pessoas desocupadas.

    É preciso lutar contra o desemprego e a alta do custo de vida

    Aos trabalhadores não resta alternativa senão lutar contra o desemprego e a alta do custo de vida. A crise recessiva que atravessamos foi engendrada pelos próprios capitalistas, a ganância e a busca incessante por mais lucros conduz o sistema social capitalista a um beco sem saída. A cada ciclo econômico a burguesia demonstra que o acúmulo de capital não trás prosperidade as massas trabalhadoras, que ao primeiro sinal de crise são jogadas no abismo da miséria.

    A cada período de crescimento econômico os capitalistas festejam e batem no peito, orgulhosos dos “feitos conquistados”. Os governos burgueses proclamam prosperidade, exaltam o papel que cumprem na sociedade. Pura hipocrisia. Ao longo da história contemporânea, ao final de cada ciclo econômico, a verdade sempre é revelada: a burguesia vive da exploração e opressão dos assalariados.

    A atual situação do país revela o quanto a classe dominante e os seus governos são hipócritas. Os diversos escândalos de corrupção, assim como a prisão de alguns políticos e empresários, apenas revelam a verdadeira natureza do sistema atual. Agora reclamam e choram o leite derramado. A culpa da alta no custo de vida é da inflação, a culpa do desemprego é da recessão e esta é culpa da política econômica dos últimos governos. É sempre assim, nunca podem explicar o porquê deste sistema deixar milhões de pessoas na miséria.

    Os trabalhadores não podem aceitar o desemprego.  É Preciso unir o conjunto da classe, empregados e desempregados, numa corrente de solidariedade mútua para lutar. A inflação, o suposto “caixa negativo das empresas” e a “crise fiscal” do Estado não são argumentos válidos para os trabalhadores. A união da classe é condição necessária para poder lutar por emprego e salário digno.

    É urgente um plano nacional de obras públicas para gerar empregos. A jornada de trabalho precisa ser reduzida a 36 horas semanais para que mais trabalhadores sejam contratados e as horas disponíveis sejam repartidas. Ao mesmo tempo, o salário deve ser reajustado automaticamente conforme a inflação, o poder de compra do salário deve ser protegido. Ao final, estes problemas só podem ser resolvidos no terreno político da luta de classes e o êxito dependerá da relação de forças entre burgueses e assalariados.

    Foto: retirada em www.flickr.com/photos/agenciabrasilia/

     

     

     

     

  • Recordações sobre Nahuel Moreno nos 30 anos de sua morte

    Por Valerio Arcary, Colunista do Esquerda Online

    Fiquei sabendo da morte de Moreno em plena Praça da Sé, em São Paulo. Era janeiro de 1987, e eu estava voltando de ônibus de um Congresso Nacional de professores em João Pessoa. Tinha desembarcado na rodoviária do Tietê, tomado o metro e, acidentalmente, cruzei com um militante que me deu a notícia. Ainda me lembro de ter comentado: “agora estamos muito mais sozinhos”.

    Tinha acabado de fazer trinta anos. Fui, atordoado ou, talvez, atormentado à redação da Folha de São Paulo e da Globo para levar uma nota. Sentia o peso esmagador das novas responsabilidades.

    Suspeitava que, para aqueles que estávamos engajados na luta pela reconstrução da Quarta no Brasil, esse janeiro desenhava uma antes e um depois. E foi assim.

    Não estou entre os brasileiros que tiveram contato pessoal regular e intenso com Hugo. Nunca vivi nem na Colômbia, nem na Argentina. Depois que saí de Portugal permaneci, ininterruptamente, no Brasil. Minha relação foi sempre, essencialmente, indireta, através da leitura de seus escritos.

    Encontrei-o pela primeira vez no aeroporto de Lisboa em 1975. Ele demorava muito para sair do controle de passaportes e eu estava ansioso, portanto, não hesitei. Não me lembro como, mas conhecia o seu nome de batismo. Em alguns minutos ecoava bem alto pelos autofalantes da Portela: “Senhor Hugo Bressano, estão à sua procura”, e não deixei que cansassem de repetir.

    Estavam em Lisboa, desde o último trimestre de 1974, Aldo Casas e Lídia Daleffe do PST argentino e seu filho Huguito, então um menino. Eles tiveram a disposição de mudar para Portugal, vieram para ficar. Tínhamos recebido a visita de Gerry Foley do SWP dos EUA, mas somente uma visita de poucas semanas. Os dois eram quadros de despojamento extraordinário, e de capacidades complementares. Tinham conquistado, merecidamente, a nossa confiança e afeto.

    Era a primeira vez que Moreno vinha a Portugal, e fomos direto do aeroporto para a Avenida da República, onde o GMR (Grupo Marxista Revolucionário) tinha ocupado um palacete, alguns meses antes, um solar meio grandioso, quase um Palácio, porém, abandonado e decadente. Ainda assim, desproporcional para o quê, de fato, éramos: um pequeno núcleo fundador de algumas dezenas de jovens estudantes imberbes, e alguns poucos trabalhadores inexperientes. Majestoso e, também, algo pretensioso era o novo nome da organização: PRT (Partido Revolucionário dos Trabalhadores). Ousadia e alguma presunção não nos faltavam.

    A primeira impressão de Moreno foi arrebatadora, creio que para todos nós. Hugo estava no auge aos cinquenta anos. Parecia, talvez, um pouco mais velho: era um homem alto e corpulento, muito educado, até um pouco formal, tinha um vigor, intensidade ou veemência que lhe era própria. Não era nem solene, nem pomposo. Nós éramos adolescentes, portanto, impressionáveis, e ele transbordava de entusiasmo. Tinha uma força contagiosa que animava todos que o ouviam, quase uma comoção. O tom de voz era poderoso, e uma atitude, ao mesmo tempo, enérgica e séria. Mas, também, respeitosa.

    Moreno tinha amplo repertório cultural, aos nossos olhos era um erudito. Combinava variedade de interesses e um senso de humor de tipo “monumental”: ria muito e alto, e sem freios, todo ele se sacudia em gargalhadas, quando contava uma de suas muitas histórias hilárias. Minha primeira impressão permanece viva até hoje: foi umas das pessoas, sem exagero algum, de inteligência mais extraordinária que conheci ao longo da vida.

    A corrente morenista se expandia, nesses anos, com muito dinamismo. O impacto do trabalho que veio a ser publicado sob o título O partido e a revolução era muito grande. Em imensa maioria concordamos, em 1976, com a decisão de formar a Tendência Bolchevique, que depois se transformou em Fração. Mas pagamos um preço elevado. Porque o processo de debate da separação com o SWP norte-americano, com quem tinha sido constituída a FLT para o Congresso Mundial de 1974, não foi unânime. Os procedimentos da discussão foram, em Portugal pelo menos, extremadamente sumários.

    Tudo terminou em algumas expulsões sob a acusação de fração secreta. Olhando para trás, em perspectiva, iniciava-se ali, talvez, uma dinâmica de fracionamentos rápidos, portanto, também, de isolamento latino-americano, que viria a ter graves, ou até incontornáveis consequências para nossa corrente nos anos oitenta: a incapacidade de compreender a abertura de uma situação europeia e mundial mais desfavorável, na virada para a década de oitenta, ao mesmo tempo em que, paradoxalmente, as ditaduras eram derrotadas no Cone Sul.

    Reencontrei Moreno quando ele voltou a Lisboa, em 1977, e ele teve um papel agregador insubstituível na solução de uma crise que quase destruiu a jovem organização. No ano e meio anterior, inspirados por um projeto elaborado por quadros da fração bolchevique que vieram para Portugal substituir Aldo e Lídia, tínhamos realizado uma experiência de proletarização de mais de cinquenta militantes entre os metalúrgicos de Aveiro. O giro era fundamentado em uma análise da situação política que se demonstrou equivocada. A ligeireza, imaturidade e superficialidade, ou um pouco de tudo isso, não nos permitiram compreender o significado da inversão desfavorável da relação social de forças, depois do golpe de 25 de novembro de 1975, e da eleição do general Ramalho Eanes à presidência em 1976.

    Tampouco consideramos que não era razoável exigir da abnegada estrutura de quadros um engajamento em uma tática de construção irrealista, que colocava objetivos que estavam muito além das possibilidades subjetivas da militância. Participei, então, da minha primeira luta política, em condição de minoria, e fiquei chocado, e entristecido com a forma impaciente, áspera, e até mesmo feroz de polêmica de alguns quadros educados na “escola” argentina. Felizmente, a vinda de Moreno permitiu um diálogo unificador e construtivo, e a recuperação das relações de confiança que abriram o caminho para a unificação com a LCI, e a fundação do PSR.

    Poucos meses depois, em agosto de 1978, Moreno foi preso em São Paulo, junto com a maioria dos quadros da organização brasileira. Decidi voltar para o Brasil, e me unir à Convergência Socialista. Com a saída dos quadros mais veteranos da prisão se abriu na CS uma luta fracional. Uma luta política que tinha, como pano de fundo, diferentes apreciações de balanço sobre os erros que tinham conduzido às prisões, diferenças sobre os ritmos da luta de classes, e a pressão do crescente movimento pró-PT, que acabou sendo fundado em fevereiro de 1980. Mas, também, uma disputa pela direção, com elementos de um conflito geracional, que terminou resultando na ruptura de um terço do núcleo dirigente, e a dispersão de mais de metade da militância: uma catástrofe. O papel moderador dos camaradas argentinos nessa luta, em especial, de Martin Hernandez, representando a tradição da organização argentina, e inspirado por Moreno, consolidou uma sólida relação de confiança entre nós, que foi decisiva, em minha opinião, para manter a unidade da direção e da organização por muitas décadas.

    Depois estive presente, em janeiro de 1980, no Congresso do PST argentino que se realizou na Colômbia e, na sequência, na reunião que constituiu o comitê paritário com a corrente liderada pela OCI francesa e Pierre Lambert, uma tentativa frustrada de reagrupamento internacional para diminuir o risco do isolamento latino-americano. O contexto era dramático: as diferenças com o SU da Quarta sobre a revolução nicaraguense conduziram à ruptura com o bloco da maioria formado pelos franceses e norte-americanos. O horizonte sul-americano de perspectiva de momentos decisivos na etapa final de luta pela derrubada das ditaduras nos levou a conclusões apressadas e unilaterais.

    Foi nesse processo que a corrente assimilou, infelizmente, a elaboração sobre o caráter “iminente” da revolução socialista, uma formulação sobre a etapa internacional que se demonstrou, especialmente, equivocada, depois do início da restauração capitalista na China com Deng Xao Ping, em 1978, e que deu um salto de qualidade com Gorbatchev em 1986. Acompanhei o Congresso do PST (A) preocupado. Porque a polêmica que existia, previamente, foi resolvida por uma intervenção pessoal de Moreno que, embora brilhante, foi devastadora para os que estavam em minoria, e sugeria que ele ocupava, na principal organização da Fração, o papel de uma liderança com autoridade incontestável.

    Compreendo que alguns possam ter concluído que ele seria um caudilho, ou até que ele gostava de ser um caudilho. Não é essa a minha opinião. Ele era, ao lado de Ernesto Gonzalez, o único quadro reminiscente dos anos cinquenta. Exercia autoridade com equilíbrio, mesmo quando perdia a sobriedade, ainda quando sua opinião tendia a ser a última. Acontece que líderes incontroversos, queiram ou não, podem acabar cercados por colaboradores incondicionais, em um processo de seleção regressivo determinado pelas lealdades pessoais.

    Seria injusto não ressaltar que Moreno era, diante de nós, um “gigante”, ou seja, tinha qualidades excepcionais. Hugo ocupava um papel proeminente, muito especial, mas não acredito que se sentia confortável nessa condição. Era melhor que isso. Era lúcido o bastante para tentar evitar, a qualquer preço, a degeneração da corrente em mais uma seita que se transforma a si mesma em um fim. Gostava muito de rir, honestamente, de si mesmo.

    Me recordo de um episódio divertido. Aconteceu quando Moreno voltou de uma viagem à Inglaterra, e comentou a reunião que tinha feito com um grupo que tinha rompido com WRP de Healy. Os camaradas ingleses colocaram como ponto de pauta um balanço da experiência, na Argentina, de intervenção nas 62 organizações, um movimento de resistência operária sindical liderado pelos peronistas. Consideravam oportunista a orientação. Hugo não se ofendeu, mas nos alertou que o debate sobre possíveis unificações deveria sempre calibrar os acordos e diferenças sobre a realidade presente, e perspectivas do que fazer no futuro. Nunca a partir da exigência ultimatista de acordo sobre balanços autocríticos do que tinha acontecido vinte e cinco anos atrás.

    Pude testemunhar, mais de uma vez, que valorizava camaradas com opiniões distintas às suas. Nunca aderiu à ideia ingênua de internacional-fração. Minha interpretação é que Moreno queria reconstruir a Quarta como uma grande organização, por isso, estava sempre inquieto: depois do fracasso das relações com a OCI de Lambert, tentou a aproximação com Lutte Ouvriere e com os ingleses que vinham do WRP de Healy.

    Moreno já era nesses anos, indiscutivelmente, o nosso mentor. Estive, nos dois anos seguintes, por mais duas vezes alguns poucos dias em Bogotá, a primeira vez com Eduardo Almeida, e a segunda com Maria José de Almeida, a Zézé, para discutir a proposta de entrada no PT. Cada um de nós representava uma das sensibilidades presentes na direção brasileira.

    O papel de Hugo nesse debate foi inspirador. Abdicou de avançar posição sobre os temas mais táticos, e privilegiou o debate estratégico sobre as peculiaridades brasileiras, que conhecia bem. Insistiu que a construção de um partido de classe sem delimitação estratégica, ou seja, sem um programa revolucionário, era, relativamente, progressivo, quando considerado o papel do MDB como único partido de oposição legal à ditadura. Mas alertou para o caráter social de casta burocrática das lideranças sindicais. E insistiu que não deveríamos, em nenhuma circunstância, sacrificar a nossa própria independência política, nem nos dissolvermos.

    Foi quando tive um convívio pessoal mais estreito com Hugo. Comentou as viagens que tinha feito ao Brasil, no passado, e fez elogios a Hermínio Sachetta. Me recordo, também, dos comentários respeitosos sobre Ernest Mandel. Moreno procurava ter, ao mesmo tempo, uma visão crítica, e uma atitude generosa sobre as pessoas. Ele nos ofereceu uma noite um jantar em seu apartamento: a célebre preferência argentina pelo bife à milanesa, que ele mesmo preparou. Gosto de pensar que, para me agradar, Hugo abriu uma garrafa de vinho verde português. Ainda colocou um tango, e convidou Zézé para dançar.

    Ao final da noite, ele perguntou se eu ainda tinha o passaporte diplomático. Tive esse direito até os 25 anos, pelo lugar de minha mãe no Itamaraty. Eu já tinha sido correio uma vez, entre Lisboa e Madri, com uma mala cheia de dólares: uma parte dos fundos do partido argentino. Hugo me pediu para passar por Buenos Aires, antes de voltar, para levar uns documentos em microfilmes, porque sabia que era pequena a possibilidade de ser revistado com o passaporte vermelho. Hugo gostava de acreditar nos camaradas, mesmo os muito jovens: preferia a confiança à suspeita, nos estimulava e empolgava, apostava na integridade dos militantes, e lhes colocava desafios.

    Finalmente, em meados dos anos oitenta, encontrei-o, pela última vez, com Luís Leiria, no Rio de Janeiro. Viajamos para vê-lo. Ele estava muito zangado conosco, e discordava, frontalmente, de nossas posições. Discutiu de forma franca, perdeu a paciência, decepcionado, talvez. Levantou a voz mais de uma vez, furioso. Lembro da minha surpresa quando ele nos disse, já mais calmo, que esperava mais de nós dois, já que éramos tão estudiosos: tínhamos a obrigação de ser mais agregadores, ter sentido das proporções, e ser menos conflitivos. Não chegamos a um acordo, e a reunião terminou muito amarga. Mas, somente anos depois, fiquei sabendo que a intervenção enérgica dele favoreceu, na reunião do executivo da CS, uma solução negociada, depois referendada no comitê central. Brigou conosco, mas depois nos defendeu. Foi possível a constituição de uma regional para uma experiência em separado, em São Paulo, e o ambiente, em alguns anos desanuviou.

    Assim era Moreno: o dia em que foi mais brutal conosco foi o mesmo dia em que nos fez o maior elogio de sempre. Moreno foi grande.

  • Lições de 2016 e as tarefas para 2017

    Por Andre Freire, Colunista do Esquerda Online

    Finalmente, chegamos ao fim de 2016. Sem dúvida, um ano de muitas disputas políticas, algumas derrotas importantes e lutas de resistência, protagonizadas pela classe trabalhadora e a juventude.

    Vimos o fim dos governos de conciliação de classes do PT. Depois de muito decepcionar a maioria dos que o elegeu, o PT foi retirado do governo, não por uma ação independente da classe trabalhadora, mas sim pela manobra parlamentar do Impeachment – um golpe parlamentar dos partidos burgueses e da velha direita, apoiado em manifestações de setores mais abastados das classes médias dirigidas por setores reacionários. Esse movimento colocou no poder um governo ilegítimo, chefiado por Temer e Meirelles, que vem impondo duros ataques aos direitos do povo trabalhador.

    A aprovação da PEC (241 / 55) que congela por até 20 anos os investimentos sociais e da Reforma do Ensino Médio por medida provisória, são demonstrações cabais dos objetivos perversos desse governo. Objetivos estes que ganham contornos ainda mais graves com as propostas da Reforma da Previdência e da Reforma Trabalhista, a primeira já enviada ao Congresso e a segunda já anunciada na grande imprensa.

    Contra este verdadeiro “pacote de maldades”, os trabalhadores, a juventude e o conjunto dos explorados e oprimidos já estão organizando lutas muito importantes, como as ocupações de escolas e universidades, as greves dos servidores públicos, as passeatas do movimento popular, entre outras mobilizações. Foram parte de um primeiro “round” de protestos, fundamentais mas ainda insuficientes para impedir a imposição desses ataques.

    Em 2017, vamos viver uma verdadeira guerra, de um lado os patrões, todos os governos, o Congresso Nacional e o poder Judiciário buscando aprofundar sua ofensiva de jogar todo o peso da crise econômica apenas sobre os ombros da maioria da população e, de outro, os trabalhadores, a juventude e os oprimidos lutando para derrotar essas medidas absurdas, que só aumentam – a já terrível – desigualdade social em nosso país.

    Para se armar para os próximos enfrentamentos, os ativistas dos movimentos sociais combativos, e as organizações da esquerda socialista em particular, devem tirar lições dos duros combates que travamos em 2016.

    Desde o Movimento por uma Alternativa Independente e Socialista – MAIS, propomos algumas tarefas que consideramos fundamentais para o ano que vem, com a humildade de quem está construindo uma pequena organização socialista, que deu seus primeiros passos no segundo semestre de 2016.

    A frente única para lutar deve ser nosso eixo de atividade

    Diante da gravidade do momento e do tamanho e profundidade dos ataques do governo ilegítimo de Temer, não podemos ter dúvidas, é necessário unir nas lutas todos e todas que estão contra essas medidas brutalmente reacionárias, independente de quem dirige as entidades e movimentos que participam e participarão destas lutas.

    Para organizar greves, mobilizações, passeatas, ocupações devemos estar dispostos a unificar todos os movimentos, mesmo aqueles que estavam na base de apoio dos governos do PT. Para derrotar esses terríveis ataques não devemos deixar de exigir publicamente das direções majoritárias, como a CUT, a UNE, o MST e o próprio PT que estejam à frente das mobilizações, ao lado das organizações da esquerda socialista.

    Já no inicio de 2017 devemos retomar imediatamente a perspectivas sobre a realização de um plebiscito nacional popular sobre as reformas reacionárias de Temer e a convocação, e preparação pela base, de um novo dia nacional de lutas que enfrente a reforma da previdência e trabalhista.

    Uma alternativa política que supere a conciliação de classes

    Mas, estender o mesmo critério da unidade de ação para as mobilizações para a alternativa política que precisamos construir é um grave erro. Nossa alternativa política deve sim começar por negar veementemente o atual governo da velha direita, que tenta impor ataques históricos ao povo trabalhador, mas não pode parar por aí.

    Qualquer alternativa política que a esquerda socialista deve construir precisa superar o projeto falido de conciliação de classes com as grandes empresas, os ricos e poderosos, praticados pelos governos do PT, durante 13 anos.

    A política econômica aplicada pelo PT não enfrentou em nenhum momento os interesses das grandes empresas, e para o povo sobraram às migalhas das chamadas políticas sociais compensatórias.

    Não é verdade que a direção do PT fez alguma autocrítica sobre os graves erros que cometeu durante suas administrações, longe disso. Poderia até ser diferente se estivessem de fato dispostos a mudar por completo o rumo de sua política.

    Mas, ao contrário, vem cometendo agora erros semelhantes quando estavam no governo. Como podemos ver explicitamente quando alguns de seus governadores aplicam reformas em seus Estados muito semelhantes às praticadas pelo governo Temer. Como, por exemplo, assistimos na aprovação da PEC Estadual que congela por 10 anos os investimentos sociais, aprovada pela Assembleia Legislativa do Ceará por proposta do governador petista, Camilo Santana.

    Não podemos confiar novamente na direção do PT. Nas eleições municipais, logo após o golpe parlamentar do Impeachment, o PT se aliou novamente ao PMDB, nas eleições de centenas de municípios. E, agora mesmo, a maioria dos senadores petistas cogita apoiar a candidatura de Eunício de Oliveira (PMDB-CE) para a Presidência da Casa.

    Na verdade, a direção do PT não está disposta em mudar e mantém intacta sua política de conciliação de classes. Uma aliança com as grandes empresas e os partidos da velha direita, chamados por eles de “progressistas” – agora apresentada com um novo nome, Frente Ampla.

    Nossa proposta deve ser completamente outra. A cada luta da classe trabalhadora, da juventude e dos oprimidos, devemos afirmar uma alternativa política que defenda nitidamente a independência política dos trabalhadores. Uma verdadeira Frente de Esquerda Socialista, formada pelo PSOL, PSTU, PCB, movimentos sociais combativos e organizações socialistas sem legalidade formal.

    Reorganizar e fortalecer a esquerda socialista e revolucionária

    No processo de construção de uma alternativa política que enfrente o governo da velha direita e o projeto de conciliação de classes da direção do PT, temos que encarar o desafio de reorganizar e fortalecer uma alternativa socialista e revolucionaria em nosso país.

    Não acreditamos que apenas uma única organização política tenha o monopólio do projeto marxista revolucionário em nosso país. Por isso, a tarefa para reagrupar os marxistas revolucionários é fundamental e urgente.

    No ano que vem vamos lembrar e comemorar o primeiro centenário da Revolução Russa de 1917. Será um momento muito importante para encararmos a tarefa fundamental de atualizarmos nosso programa, para as novas tarefas da luta pela revolução socialista brasileira.

    Defendemos uma organização que supere o oportunismo da defesa da conciliação de classes e o sectarismo que impede uma intervenção concreta nos processos reais da luta de classes. Defendemos como os Bolcheviques – “firmeza nos princípios e flexibilidade nas táticas”.

    O MAIS, desde sua fundação, não se considerou uma organização acabada. Ao contrário, neste momento, busca realizar seus debates programáticos de forma aberta com os ativistas e está realizando uma importante discussão, com várias organizações e agrupamentos políticos, com o objetivo de testar a possibilidade desta unificação, na defesa de um programa e uma concepção revolucionaria de organização marxista.

    Estas três grandes tarefas serão, para nós, um guia para ação. São ideias que, felizmente, não são defendidas somente pela militância do MAIS. Portanto, queremos dialogar, de forma permanente, com todos e todas que as defendam, sobre os melhores caminhos que devemos seguir para realizá-las. Mãos a obra!

     

     

  • Natal sem Natal para os servidores municipais

    Por: Luana Soares, de Natal, RN

    Em greve há mais de quarenta dias, a ceia natalina será de miséria para os servidores de Natal. A culpa é do Prefeito Carlos Eduardo (PDT)
    Luana Soares, Assistente Social

    Há cerca de quarenta dias os servidores municipais de Natal estão em greve, principalmente, pelo atraso dos salários que já dura pelo menos cinco meses. Durante esse período o Prefeito Carlos Eduardo (PDT) vem, arbitrariamente, descumprindo a Lei Orgânica do Município que determina que o pagamento dos salários seja feito até o quinto dia útil do mês.

    Para se ter uma ideia, na véspera dos festejos natalinos, ainda não recebemos o salário equivalente ao mês de novembro. Parece brincadeira, mas estamos em greve pelo direito mais elementar de qualquer pessoa que trabalha que é o pagamento em dia.

    O cenário que temos hoje em Natal é na prática o comprometimento de todos os serviços públicos da cidade com a paralisação da Assistência Social, Serviços Urbanos, Saúde, Educação, Obras e Infraestrutura, Guardas Municipais, Segurança e Defesa Civil, Agentes de Saúde e da Secretaria de Mobilidade Urbana.

    Natal não está fora da realidade das demais cidades do país.

    Seguindo o exemplo do Rio de Janeiro, o Governo Municipal insiste em se utilizar da desculpa da crise econômica para atacar os direitos dos trabalhadores e o serviço público. Mas na verdade, o grande problema está na inversão de prioridades de Carlos Eduardo.

    O prefeito gastou apenas com a decoração natalina da cidade mais de três milhões, e com os fogos de artifício para o réveillon está previsto mais de um milhão de reais. É o nosso dinheiro sendo queimado, literalmente.

    O cenário é difícil, são muitos ataques. Mas ao mesmo tempo é empolgante a nossa greve, especialmente, pela notória renovação da categoria que se deu em razão do último concurso da Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social (SEMTAS), que renovou praticamente todo o seu quadro de servidores efetivos.
    Seja pela presença nas atividades ou pela criatividade e irreverência nos métodos das mobilizações, os jovens adultos, que em parte estiveram presentes nas lutas de junho de 2013, estão entusiasmando o conjunto dos servidores.

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    Nós somos a juventude filha da classe trabalhadora, que pede passagem na luta do serviço público. Reivindicamos a luta e a democracia como principais instrumentos para a garantia do nosso direito ao futuro. A combinação da experiência dos mais antigos com o oxigênio dos novos só fortalece a nossa classe contra os ataques da gestão de Carlos Eduardo.

    Além disso, o protagonismo das mulheres chega a impressionar. A incisiva participação feminina se dá pelo fato de ocuparmos os postos de trabalho mais precários e desvalorizados, no caso dessa greve, destacamos as técnicas de enfermagem, servidoras da saúde, e as assistentes sociais, psicólogas e socioeducadoras, servidoras da SEMTAS.

    As mulheres grevistas são, sem dúvida alguma, exemplos de coragem e ousadia, pois transcendem a invisibilidade imposta pela sociedade machista não só no espaço doméstico e profissional, mas também nos espaços políticos. A nossa presença na greve unificada de Natal fortalece não apenas a greve, mas também os processos de luta das mulheres e o surgimento de uma nova geração de ativistas feministas.

    Não sabemos ainda até quando irá durar essa greve, mas se depender de Carlos Eduardo, ela vai longe. É comum a postura arrogante e de desprezo por parte dele, por isso não parece estar muito preocupado com a paralisação dos principais serviços públicos que assistem à população mais pobre da nossa cidade.

    A preocupação dele é mesmo com a cidade de Natal decorada com uma bela iluminação natalina, que esconde a realidade a qual está submetida a juventude e os trabalhadores potiguares. Por isso, a única saída que podemos apontar é o fortalecimento das mobilizações, e para isso não há outro caminho senão a unidade entre as entidades sindicais e as organizações de esquerda da cidade.

    Afinal, o ano que se aproxima será um período de grandes lutas, não apenas na nossa cidade, mas no Brasil inteiro. Os governos municipais, estaduais e federal estão alinhados e organizados para acabar com os nossos direitos, a exemplo da Reforma da Previdência e da Reforma Trabalhista que estão por vir.

    Nós do MAIS e o mandato da Vereadora Amanda Gurgel estamos na construção da greve, apoiando irrestritamente a luta dos servidores públicos contra as arbitrariedades do Prefeito Carlos Eduardo.

     

    Fotos: SINSENAT

  • No Rio Grande do Sul a peleia continua e Governo avança na aprovação de ataques

    Por: Altemir Cozer, de Porto Alegre, RS

    No mesmo dia em que o Governador não pagou nenhum tostão do décimo terceiro a nenhum servidor, a assembleia legislativa, sitiada e de madrugada, deu continuidade às votações do dia anterior para privatizar, demitir e reduzir direitos.

    Era manhã de quarta-feira (21) já quando encerrou a sessão da Assembleia Legislativa gaúcha que havia iniciado no dia anterior às 14h. Foram mais de 17 horas de sessões e os deputados votaram a extinção de oito fundações. Entre as extintas esteve a Fundação Piratini que era responsável pela TVE e Rádio Cultura. O Governador conseguiu 30 votos favoráveis do mínimo de 28 necessários.

    Na tarde desta quarta, às 14h, terá nova sessão da Assembleia Legislativa para que o governador, Ivo Sartori (PMDB/RS), tente aprovar mais extinções de órgãos e retire direitos trabalhistas dos servidores, como por exemplo, a obrigatoriedade de pagar o décimo terceiro até o dia 20 de dezembro do ano e o salário até o dia 30 do mês.

    Esta terça feira (20) foi de mais resistência e enfrentamentos entre os servidores e a tropa de choque da Brigada Militar na Praça da Matriz. Por vários momentos o clima ficou tenso. Com servidores da SUSEPE, da Polícia Civil e funcionários da CEEE à frente, todos os servidores avançaram vários metros com os gradis que foram colocados e chegaram muito perto do portão de entrada e da barreira da brigada.

    Nesta quarta-feira, já se faz sentir as consequências da paralisação dos funcionários da segurança que cuidam dos presídios. Até o momento, são três os presídios que tiveram rebeliões de presos: Uruguaiana, São Borja e Getúlio Vargas. Numa destas rebeliões já são cinco mortos.

    Entre os servidores há um misto de raiva, indignação e incredulidade pelos resultados obtidos pelo governo e pela amargura das medidas. O cansaço também se faz presente, mas é o que menos conta no momento.

    A certeza da grande maioria é que estamos diante de ataques duríssimos e que precisamos resistir, agora mantendo nossa mobilização, e depois, construindo unidade e recuperando forças para voltar o mais rápido possível com muito mais força.

    Nossa luta por serviços públicos de qualidade e valorização dos servidores precisa seguir e levantar bem alto que o governador e a maioria dos deputados querem mais verbas para ampliar as isenções fiscais às grandes empresas e distribuir mais serviços para empresas privadas, que são os doadores do caixa dois das campanhas eleitorais.

    Foto: Leonel Azevedo

  • PEC do Fim do Mundo aprovada! E agora?

    EDITORIAL 14 DE DEZEMBRO

    É preciso lutar, é possível vencer!

    Assim como no primeiro turno, o governo cumpriu o rito de audiências e votações no segundo turno e os senadores, em sua maioria, aprovaram a PEC do fim do mundo. VitÓria dos poderosos, que mesmo diante de uma crise política profunda, não abriram mão da unidade em torno da aplicação do ajuste fiscal, em especial da PEC 55. Mais à frente será a vez da Reforma da Previdência.

    O acordo nos bastidores do STF para tirar Renan Calheiros da linha sucessória da presidência da República, mas mantendo-o na presidência do Senado foi um desgaste assumido pelos poderosos que operam o regime, que contou com a ajuda do próprio PT, vide o papel que cumpriu o senador Jorge Viana, para garantir a aplicação do ajuste. Nem a crise institucional que surgiu foi capaz de ruir a unidade em torno da aprovação da PEC 55. Henrique Meirelles tem conseguido saltar a crise política e redesenhar a constituição de 88, reavendo as mínimas concessões que ali estão, para atender os interesses do capital. Primeiro, remendando com a PEC 55 e em breve reescrevendo com a PEC 287 (Reforma da Previdência), mais uma bomba atômica contra direitos sociais que está sendo preparada por um Congresso corrupto sob orientação do governo ilegítimo de Michel Temer, mais corrupto ainda.

    Muitos ativistas devem estar tristes e desanimados, mas agora é hora de dar a volta por cima e não desistir da luta. Fizemos bonito e podemos fazer muito mais, aprendendo com nossos erros e fortalecendo o diálogo entre a esquerda e suas distintas concepções para não perdermos de vista as possibilidades de sempre construir ampla unidade de ação para lutar.

    A resistência cresce
    Houve forte resistência dos trabalhadores e da juventude contra a PEC do Fim do Mundo, que ajudou a desgastar o governo Temer e o próprio Congresso, que aumentou a audiência sobre o tema na sociedade, ganhando parte significativa da opinião publica. A greve da educação federal em unidade com as ocupações do movimento estudantil, a construção da unidade em torno da grande marcha da educação em Brasília no dia 29 e as manifestações que também ocorrem no dia 13 foram vitórias políticas importantes e que sem dúvida nenhuma foram o maior enfrentamento contra Temer e o Congresso desde o impeachment consolidado. Precisamos ter orgulho de tudo o que fizemos e ter disposição pra fazer muito mais.

    Mas, ter orgulho da nossa luta não pode nos cegar pela arrogância. Para impedir que Temer e esse Congresso sigam em frente com tal ofensiva, vai ser preciso ampliar a unidade de ação contra a Reforma da Previdência e outros ataques. As centrais sindicais majoritárias precisam mudar a postura que tiveram esse ano e a busca por ações que movam milhões e que paralise setores estratégicos da economia deve ser uma prioridade. Só o setor da educação não conseguirá derrotar o ajuste.

    É preciso organizar já a luta contra a Reforma da Previdência
    A luta contra a Reforma da Previdência promete ser mais explosiva do que os enfrentamentos que se deram esse ano. O governo Temer e o Congresso estão mais desgastados também por conta da crise política (Delações da Odebrecht). Há conversas nos bastidores que indicam graves fissuras na base aliada e há quem já está aceitando discutir a queda de Temer e os desdobramentos. Será diante desse cenário mais difícil para Temer que se dará a luta contra a Reforma da Previdência e outros ataques que vão tramitar no Congresso em 2017.

    Por isso, desde já, todo o movimento precisa começar a construir uma forte e ampla campanha denunciando as consequências desastrosas para os trabalhadores nas escolas, nas fábricas, nas associações de bairro e nas redes sociais. Temos que despertar a indignação das pessoas em não aceitar de maneira nenhuma que um Congresso de ladrões roube também os nossos direitos.

    Temer precisa ser derrubado para a realização de eleições gerais no país
    Não está sendo fácil para os senhores do capital administrarem uma crise política grave e ao mesmo tempo conseguir avançar com a aplicação do ajuste fiscal. Nada garante que manterão o controle da situação por muito tempo, como também nada nos autoriza a pensar que os trabalhadores não irão se levantar e sacudir a conjuntura política do Brasil invertendo inclusive a correlação de forças. Para aprovar a PEC 55, o governo Temer usou de muita violência e repressão contra os manifestantes, como também vários governos estaduais como Rolemberg, no Distrito Federal, tiveram a mesma postura.

    A margem de manobra para saídas negociadas dos conflitos sociais diminuiu de tamanho. A violência da polícia militar é a única forma dos poderosos imporem à força sua vontade, é a garantia final que seus interesses prevaleceram mesmo que não tenham a razão e nem os melhores argumentos. As experiências das lutas do século XXI não deixam dúvidas que é preciso que o movimento avance no desenvolvimento da sua auto defesa. Todo ataque aos direitos sociais terão sempre o conflito explosivo como forma de desenlace por ser absolutamente irreconciliável os interesses de classe em jogo.

    Por último, todo o movimento sindical e a juventude tem uma grande responsabilidade nesse momento, em não só construir uma forte unidade para lutar, mas também apresentar uma saída política para a crise. O Fora Temer e a exigência das eleições gerais precisam ser um objetivo a ser perseguido, associado à luta econômica e democrática e que, necessariamente, precisam se massificar entre os trabalhadores e toda juventude.

    Foto: Julia Gabriela | Esquerda Online