André Freire

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  • Abaixo o “acordão” pelas eleições indiretas para Presidente

    Por André Freire, do RJ, colunista do Esquerda Online.

     

    Foi há mais de 30 anos atrás. Depois de uma incrível onda de mobilizações em todo o país, exigindo “Diretas já” para Presidente da República, a Emenda Constitucional que previa a eleição popular foi derrotada no Congresso Nacional, e um colégio eleitoral escolheu o último presidente de forma indireta no Brasil.

    Era dessa forma – indireta – que se “elegiam” os presidentes no período terrível da ditadura militar no Brasil. Um colégio eleitoral formado por Senadores, Deputados Federais e representantes da Assembléias Legislativas se reunia para escolher um presidente. Ou seja, o povo ficava de fora da eleição.

    No dia 15 de janeiro de 1985, pela última vez se reuniu esse famigerado colégio antidemocrático, definindo Tancredo Neves (PMDB) como presidente. O Avô de Aécio Neves derrotou Paulo Maluf, naquele momento do PDS, partido sucessor da Arena que apoiou a ditadura.

    O Partido dos Trabalhadores (PT) boicotou a eleição indireta para presidente, a maioria dos seus deputados votou nulo no colégio eleitoral. O PT chegou a expulsar três de seus Deputados Federais que não seguiram a orientação do partido, e votaram em Tancredo Neves.

     

    A história pode se repetir como farsa

    Agora, no Brasil dos dias de hoje, diante de uma cada vez mais eminente queda do Presidente ilegítimo e corrupto Michel Temer (PMDB), que chegou ao governo fruto do golpe parlamentar do Impeachment, estamos vivendo uma intensa discussão sobre como será escolhido o seu sucessor.

    A grande imprensa, as Forças Armadas, os partidos da velha direita, os representantes diretos das grandes empresas e bancos, se apressam a afirmar que essa escolha deve ser indireta. Ou seja, novamente um Presidente da República seria escolhido não pelo voto popular, mas por uma espécie de “colégio eleitoral”, parecido com o da ditadura militar, novamente formado somente por Senadores e Deputados Federais.

    Os arautos da institucionalidade bradam que assim manda a Constituição de 1988. Caso exista vacância de presidente e vice depois de passados a metade do período da gestão, o Congresso escolhe um sucessor para um mandato “tampão”.

    Ignoram dois fatos muito importantes. Que na prática Temer não foi eleito pelo povo, ele virou presidente pela manobra reacionária do Impeachment. E, que já tramita na Câmara dos Deputados uma nova Emenda Constitucional que propõe eleições diretas para presidente imediatamente. Como há mais de 30 anos atrás, essa nova Emenda das “diretas já” está muito mais conectada com o sentimento das ruas. Vide a gigantesca manifestação nacional que acaba de acontecer em Brasília.

    Afinal, nosso país vive uma colossal crise econômica, social e política, com a maioria dos partidos envolvidos em escândalos de corrupção. Seria um verdadeiro escárnio e uma tragédia que um Congresso Nacional formado por uma maioria de “picaretas” e reacionários escolhesse indiretamente um novo presidente.

    Essa eleição indireta seria uma espécie de “golpe dentro do golpe”, mais uma manobra reacionária, para escolher um novo governo ilegítimo que teria a missão criminosa de seguir as reformas reacionárias que querem jogar sobre os ombros do povo trabalhador todo o peso da crise em que vive o nosso país.

    Na verdade, o minimamente justo seria a realização de uma nova eleição direta não só para Presidência da República, como também para Deputados Federais e Senadores. O que chamamos de eleições gerais.

    Essa eleição antecipada, inclusive, deveria acontecer com novas regras, por exemplo, sem a participação dos políticos corruptos, sem o financiamento privado de campanhas, com igualdade de tempo na TV e Rádio para todos os partidos, entre outras medidas mais democráticas.

     

    Apoiar ou participar desta eleição indireta é um crime político

    A grande imprensa está divulgando que a direção petista e Lula estariam participando de negociações secretas para a escolha de um presidente de forma indireta. Segundo as notícias, o PT seria fiador de um nome de consenso, junto com o PDSB de FHC, para uma transição até as eleições de 2018. Até agora, não houve um desmentido oficial dessas negociações.

    Hoje, espacialmente depois da gigantesca e vitoriosa manifestação que acabamos de realizar na Capital do Brasil, construímos um amplo movimento pelo Fora Temer e suas reformas e por diretas já, ou seja, radicalmente contra uma saída conservadora representada por uma eleição indireta ().

    Seria mais um grave erro da direção do PT negociar secretamente uma saída contrária ao sentimento popular das manifestações de rua. O único caminho aceitável seria a mesma postura de boicote, realizada de forma firme e correta, há mais de 32 anos atrás.

    Os erros da direção do PT só reforçam a necessidade de apostarmos na construção de uma Frente de Esquerda e Socialista, formada pelo PSOL, PSTU, PCB, movimentos sociais combativos como o MTST e organizações socialistas ainda sem legalidade. A Construção dessa frente política, nas lutas e nas eleições, é o melhor caminho para fortalecermos a luta por um verdadeiro governo dos trabalhadores e do povo.

    Ao invés de negociar com os golpistas, o que precisamos de verdade é que as centrais sindicais, os movimentos sociais e os partidos de oposição se juntem para convocar imediatamente uma nova Greve Geral, para colocar Temer para fora de uma vez, derrotar as reformas trabalhista e previdenciária e impor “Diretas já”, em nossa opinião, para Presidente da República e para o Congresso Nacional.

  • É a hora de fortalecer uma nova alternativa de esquerda e socialista

    Por: André Freire, colunista do Esquerda Online

    A ampliação do processo de resistência contra os ataques do governo Temer, principalmente a partir das grandes manifestações e dias de luta de março deste ano (8, 15 e 31) e, sobretudo, com a realização histórica da greve geral de 28 de abril, colocou em outro patamar a luta para derrotar as reformas reacionárias e para acumularmos forças para derrubarmos este governo ilegítimo.

    O crescimento das lutas animou novamente milhares de ativistas, que já estavam presentes nas lutas contra o golpe parlamentar do impeachment e os primeiros ataques de Temer e Meirelles, ainda no ano passado; fez também surgir novos ativistas, principalmente estudantes e jovens trabalhadores e trabalhadoras, que querem derrotar o governo dos partidos da velha direita e grandes empresas, sustentado pela mídia oficial (principalmente, a famigerada TV Globo).

    Entre os que lutam contra os ataques de Temer, cresce também a importante discussão sobre qual alternativa política temos que construir contra esse governo nefasto, que foi fruto de uma manobra reacionária deste Congresso Nacional, formado por uma maioria corrupta e conservadora.

    Muitos ainda acreditam ser o melhor dar o apoio à candidatura Lula em 2018, através de uma frente ampla, para derrotar os apoiadores do golpe, apostando num novo rumo do PT; outros tantos já querem apostar numa nova alternativa da esquerda socialista, por exemplo, com a defesa da pré-candidatura do deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) à Presidência da República, ou ainda apostam na possibilidade de que Guilherme Boulos (Coordenação Nacional do MTST) se disponha a construir uma nova alternativa política e eleitoral, já nas próximas eleições.

    Este texto não é neutro neste debate. Ele parte da defesa convicta de que temos que apostar em uma nova alternativa que defenda, em primeiro lugar, a independência política do povo trabalhador.

    Seguir apostando em Lula e no PT é ceder à velha receita das alianças com os partidos da ordem burguesa e com as grandes empresas e num programa rebaixado, que não se propõe a atacar o pacto histórico de preservação dos interesses das elites brasileiras.

    A repetição dos erros dos quase 13 anos de governos do PT só irá preparar mais derrotas e desmoralizações no futuro para os trabalhadores, a juventude e o conjunto dos explorados e oprimidos. É nisto consiste a chamada frente ampla, defendida pela direção petista, ou seja, uma proposta requentada de conciliação de classes.

    Nossa aposta deve ser outra. Temos que desde já, não esperar 2018, construir uma nova alternativa política, uma verdadeira Frente de Esquerda e Socialista, formada pelos partidos da esquerda socialista – PSOL, PSTU e PCB; por movimentos sociais combativos, como o MTST; e por organizações socialistas ainda sem legalidade.

    Mas, para a construção desta nova alternativa é fundamental adotarmos alguns eixos políticos básicos, que ajudem no seu desenvolvimento e no diálogo com a classe trabalhadora, a juventude e o conjunto dos explorados e oprimidos, inclusive com aqueles que ainda acreditam no Lulismo.

    Neste artigo, proponho alguns eixos políticos, mas o fundamental agora é abrir essa importante discussão com o conjunto da esquerda socialista brasileira. São eles:

    Construir a Frente Única contra o governo ilegítimo de Temer e seus ataques
    De forma sincera, temos que lutar diariamente pela construção e fortalecimento de uma ampla frente única para a ação, que busque, num primeiro momento, derrotar os terríveis ataques do governo de Temer. Mas, queremos que este movimento unitário se fortaleça cada vez mais, criando as condições para derrubar Temer e esse Congresso, antecipando eleições gerais em nosso país.

    Não estamos interessados na disputa fratricida de “protagonismos”, seja entre centrais, frentes ou partidos. Devemos ser contrários, por exemplo, a ruptura de atos unitários e a resistência a construção de espaços comuns de discussão e de definição de calendários de luta.

    Sem em nenhum momento deixarmos de apresentar publicamente nossas posições políticas, na ação concreta contra esses ataques, como agora na luta para derrotar as reformas reacionárias, realmente e honestamente, devemos ter como objetivo unir todos os setores que se opõe a estas medidas draconianas contra a classe trabalhadora e a maioria do povo.

    Uma nova alternativa política que enfrente a velha direita, mas que supere também o Lulismo
    Mas, não confundimos a necessária unidade para lutar contra os ataques de Temer e Meirelles, com a extensão dessa unidade na construção de uma alternativa política contra os governos, a velha direita e os patrões.

    Somos contrários à proposta da direção do PT de construção de uma frente ampla em torno da candidatura Lula em 2018, uma nova alternativa de alianças com as grandes empresas e com partidos burgueses da velha direita.

    Seria muito positivo que Lula e o PT estivessem realmente dispostos a mudar seu programa e rever a sua política de alianças com a velha direita para as próximas eleições. Mas, esta possibilidade, não existe.

    Não é possível um novo rumo para o PT. Seja o balanço dos quase 13 anos de governos petistas de conciliação de classes e, principalmente, a política que a direção do PT mantém até hoje, demonstra que seu projeto se mantém o mesmo da chamada “carta ao povo brasileiro”, ou seja, reeditar um governo que aplica a mesma política econômica das administrações anteriores, de governar de acordo com os interesses das grandes empresas.

    Por isso, defendemos a construção de uma nova alternativa política de independência de classe, uma verdadeira Frente de Esquerda e Socialista, que uma PSOL, PSTU, PCB, movimentos sociais combativos, como o MTST, e organizações socialistas ainda sem legalidade.

    Defendemos essa construção a partir de um programa anticapitalista. E não a defendemos apenas para as eleições de 2018, mas desde já, construindo nacionalmente os espaços das frentes e, ou blocos de esquerda e socialista.

     Contra todo o tipo de opressão, apontando um programa classista e socialista
    Queremos construir cotidianamente, e com cada vez mais força, a luta contra toda e qualquer forma de opressão, seja ela contra negros e negras, mulheres, LGBTs, nacionalidades e povos, entre outras.

    Nossa política deve ser cada vez mais importância à luta das mulheres contra o machismo, a violência e o feminicídio; Contra o racismo e a dita guerra as drogas, que na verdade a criminalização da pobreza, praticando um genocídio cotidiano da juventude negra nas comunidades carentes das grandes cidades brasileiras; e contra a homofobia que agride e mata diariamente homens e mulheres pelo simples fato de terem outra orientação sexual.

    Na construção dessas mobilizações buscamos sempre a organização dos setores oprimidos para a luta, apresentando nosso programa classista e socialista, que tem como objetivo disputar a consciência da classe trabalhadora, para que ela atue de forma unificada contra as opressões.

    Estrategicamente só o fim do sistema capitalista vai abrir as condições de que acabemos de uma vez por todas com os horrores do machismo, do racismo e da homofobia.

    Avançar na unificação dos marxistas revolucionários em torno de um programa anticapitalista para o Brasil
    Nossa proposta deve ser realizar, de forma aberta, o debate sobre o programa anticapitalista e socialista para o Brasil. atualização programática. Pois, entendemos que a tarefa de atualizar e construir o programa da esquerda socialista não é da militância de uma só organização.

    Devemos lutar para reagrupar os marxistas revolucionários em torno de um programa anticapitalista e de uma organização política voltada prioritariamente para ação política n o movimento de massas. O objetivo é realizar esta tarefa sem ser sectários e auto proclamatórios.

    A busca pela construção de uma organização comum entre a Nova Organização Socialista (NOS) e o Movimento por uma Alternativa Independente e Socialista (MAIS) é um dos exemplos importantes que temos que reivindicar. Devemos estar dispostos seguir este mesmo caminho com outros setores da esquerda socialista.

     Por uma Plenária Nacional da Frente de Esquerda e Socialista
    Em torno destes 4 eixos políticos e programáticos principais devemos desenvolver a construção e fortalecimento da Frente de Esquerda e Socialista. Eles são um ponto de partida, que não negam que deve haver outros pontos políticos importantes, que devemos discutir coletivamente.

    Para avançar na construção dessa nova alternativa política, propomos a construção de uma plenária nacional da Frente (ou Blocos) de Esquerda e Socialista, que já se organizam em vários Estados.

    Essa convocação deve partir destes pontos políticos iniciais, mas ele deve ter a ambição de avançar em um programa de emergência para a crise política, econômica e social em que vive o nosso país, uma saída classista, anticapitalista e socialista para o Brasil.

    Foto: Greve Geral no Rio de Janeiro | Carol Burgos | Esquerda Online

  • Resultados das eleições internas do PT apontam para o continuísmo

    Por André Freire, Colunista do Esquerda Online

    No último dia 9 de abril, o Partido dos Trabalhadores (PT) realizou seu Processo de Eleição Direta (PED). Nestas eleições internas, os filiados do PT votam nas eleições dos diretórios municipais e nas chapas de delegados aos congressos estaduais, etapa regional do sexto congresso nacional do partido, marcado para junho deste ano.

    O PT possui cerca de 1,5 milhão de filiados, e destes 290 mil compareceram para votar em todo o país. Estes números demonstram que o PT ainda mantem um grande número de filiados e força política. Mas, o grande fato novo, sem dúvida nenhuma, foi à queda expressiva da participação no PED, sejam em número de filiados votantes, seja em número de cidades atingidas pelo processo.

    O PED de 2017 foi significativamente menor do último realizado, em 2013, quando o partido ainda estava no governo federal. Em 2013, votaram 425 mil filiados, agora, no processo de 2017, votaram 290 mil, um número de comparecimento 31% menor. Em 27% das cidades, onde o PT estava formalmente organizado, sequer se conseguiu organizar as eleições.

    E, o que é pior, alguns parlamentares e correntes internas, que se reivindicam da ala mais à esquerda do partido, denunciaram a existência de fraudes no PED em dezenas de cidades, em vários Estados, como São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, entre outros.

    Manifestos políticos destes grupos internos, tanto em SP como em MG, denunciam que filiados mortos chegaram a votar em algumas cidades no interior paulista e em algumas cidades do interior mineiro a totalidade da lista de filiados chegaram a votar na mesma chapa, ligadas a corrente majoritária – Construindo um Novo Brasil (CNB). Segundo estes dirigentes petistas, as fraudes podem chegar atingir cerca de 30 mil filiados, que constam como votantes efetivos no processo.

    Na verdade, o resultado demonstra a grave crise em que vive o partido, que esteve na presidência da república entre 2003 e 2016, quando Dilma foi afastada por Impeachment, num golpe parlamentar articulado principalmente pelo PMDB, um partido que foi aliado em boa parte do período dos governos petistas, especialmente pelo atual presidente ilegítimo, Michel Temer (PMDB-SP), que foi vice-presidente de Dilma nas duas eleições que ela concorreu.

    É possível mudar os rumos do PT?

    Muitas correntes internas e parlamentares apostavam que esta PED poderia abrir um momento de mudanças de rumos no PT. Um processo que significasse uma correção das opções políticas e dos graves erros cometidos pela direção petista, especialmente no desenvolvimento de seus governos de alianças com a velha direita e as grandes empresas.

    Mas, os resultados demonstram o oposto do que vinha sendo proposto e esperado pelo Movimento Muda PT. Além da queda significativa dos filiados participantes e das fraudes denunciadas, o que vemos foi que a corrente majoritária, a CNB – de Lula e Zé Dirceu, entre outros, sairá mais uma vez vitoriosa.

    Embora ainda não esteja público o resultado nacional oficial das eleições dos (as) delegados (as) eleitos (as) pelas chapas que disputavam o PED, todos já sabem que o maior número dos (as) que terão direito a voto no sexto congresso nacional do PT estará sob o controle da corrente majoritária petista e de seus aliados políticos.

    Portanto, ao contrário de uma mudança de rumos, o que veremos será a manutenção da mesma política de conciliação de classes, praticada pela direção do PT nos seus quase 13 anos de governo.
    Esse novo projeto de alianças com setores da burguesia já pode ser sentido na política de construção da chamada frente ampla, junto com políticos como Ciro Gomes, Roberto Requião e, pasmem, até uma reaproximação com Renan Calheiros foi cogitada por alguns setores da direção petista.

    Além da mesma política de alianças, veremos também defesa de um programa e de uma política econômica que não proporá nenhuma mudança de conteúdo daquela praticada pelos governos de Lula e Dilma.

    Ao invés de adotar propostas históricas defendidas pelos movimentos sociais, como suspensão e auditoria da dívida pública, a redução da jornada de trabalho sem redução de salários, a reestatização das empresas privatizadas e a retomada do monopólio estatal sobre o petróleo e o pré-sal, entre outras, veremos, na verdade, a defesa de medidas mínimas que não mexem em nada no pacto político com as elites, que preserva e garante os interesses das grandes empresas e bancos, ou seja, dos mesmos ricos e poderosos de sempre em nosso país.

    Construir uma nova alternativa de independência de classe

    Infelizmente, mesmo com todas as evidências do continuísmo no atual projeto petista, a maioria das direções das correntes que compõe o Movimento Muda PT seguem defendendo a permanência no PT. Inclusive, se disciplinando as mesmas diretrizes programáticas e de alianças que estarão presentes na plataforma de governo da candidatura Lula 2018, caso ele tenha condições legais de concorrer.

    Este caminho é mais um grave erro. A classe trabalhadora, a juventude e o conjunto dos explorados e oprimidos precisam de uma nova alternativa de esquerda e socialista, que combate veementemente o governo golpista de Temer e sua maioria no Congresso Nacional, mas que seja também uma ruptura e uma superação completa do projeto de alianças do lulismo com os grandes empresários e os partidos da velha direita.

    Essa nova alternativa política deve se construída desde já, principalmente a partir dos processos concretos de luta contra as reformas reacionárias do governo ilegítimo de Temer, como na paralisação nacional do dia 28 de abril.

    Além da prioridade na construção do calendário de mobilizações e da greve geral que derrote as reformas reacionárias, o ajuste econômico e o próprio governo, nossa tarefa é apresentar esta nova alternativa também nas eleições de 2018, com a construção de uma Frente de Esquerda e Socialista, formada pelo PSOL, PSTU, PCB, movimentos sociais combativos como o MTST e organizações socialistas ainda sem legalidade.

    Essa alternativa deve ser construída a partir das lutas do povo trabalhador e da juventude, deve passar pela apresentação de uma alternativa política de independência de classes nas eleições de 2018, mas não deve parar por aí.

    Neste processo, devemos ir acumulando a possibilidade da construção de um novo instrumento político, um partido realmente do povo trabalhador, de esquerda, democrático e socialista.

     

  • Previdência: reforma da reforma?

    Por: André Freire, colunista do Esquerda Online

    A grande mídia vem reproduzindo a notícia que o governo Temer, diante das dificuldades de aprovação da Reforma da Previdência no Congresso, teria aceitado flexibilizá-la, recuando de alguns pontos da sua proposta original (PEC 287/2016).

    É evidente que a força das lutas de resistência da classe trabalhadora e dos movimentos sociais já fez “tremer” a maioria que o governo se orgulha possuir no Congresso Nacional.

    A força das manifestações de março passado (8, 15 e 31) e a marcação, pelas centrais sindicais, de um dia nacional nacional de paralisação no dia 28 de abril (uma Greve Geral) já criaram “insegurança” em muitos parlamentares da própria base do governo, que começam a se preocupar com a sua popularidade no ano que antecede as eleições de 2018.

    A própria popularidade de Temer, segundo a última pesquisa CNI / Ibope, que já não era boa em 2016, caiu ainda mais nos primeiros meses de 2017, com 79% dos entrevistados afirmando que não confiam no presidente ilegítimo.

    Diante deste novo cenário de ampliação da resistência às reformas reacionárias do governo, Temer tenta uma manobra suja. Finge ceder, para tentar novamente unificar a bancada governista, especialmente na Câmara dos Deputados, mantendo a essência reacionária desta reforma da previdência anti-povo trabalhador.

    Derrotar a Reforma da Previdência de conjunto
    Não existe como reformar ou melhorar a PEC 287. Ela foi elaborada com uma lógica de jogar somente sobre os ombros da classe trabalhadora e dos mais pobres o custo de um tal déficit da Previdência Social.

    Déficit este, que caso exista de fato, só pode ser explicado pelo fato que sucessivos governos, seja o atual do PMDB, seja os anteriores do PT e do PSDB, desviaram as verbas da Seguridade Social, onde se inclui as verbas da Previdência Social, via a Desvinculação das Receitas da União (DRU) – mecanismo que permite o Executivo remanejar verbas do orçamento federal – principalmente para pagar “religiosamente” os juros e amortizações da dívida pública.

    E, o que é mais absurdo, nem as astronômicas dívidas que grandes empresas e bancos – como a JBS, o Bradesco, o Itaú – possuem com a Previdência Social o governo cogita cobrar de forma séria.

    Não podemos cair em mais essa artimanha golpista do governo ilegítimo de Temer. Não existe como reformar essa reforma reacionária. Nossa tarefa é derrotá-la de conjunto, forçando o Congresso Nacional, com a força da nossa luta, a rejeitar a PEC 287 na íntegra.

    Por isso, nossa tarefa não é ficar alimentando ilusões em negociações no interior do Congresso Nacional, com uma maioria de parlamentares corruptos e reacionários, como, infelizmente, vem fazendo o deputado Paulinho da Força (SSD/SP). O Presidente da Força Sindical e deputado federal, que na prática atua como um apoiador do governo ilegítimo na Câmara de Deputados, apresentou várias emendas que vão no mesmo caminho sugerido por Temer, ou seja, a defesa da utopia reacionária de tentar “suavizar” o terrível ataque representado pela PEC 287/2016.

    O papel dos movimentos sociais, dos sindicatos, das centrais sindicais e das organizações de esquerda não é apostar na via morta das negociações com a bancada governista no Congresso. Nosso caminho deve ser outro e oposto a este.

    O que fez o governo ilegítimo exitar e ter que fazer manobras de efeito foi a força de nosso movimento, das greves, paralisações e grandes manifestações de rua. Por isso, nosso caminho deve ser jogar todas as nossas forças na preparação pela base da paralisação nacional do dia 28 de abril, buscando realizá-la como uma verdadeira Greve Geral.

    Nossa luta é para derrotar as reformas reacionárias da Previdência e Trabalhista, criando as condições de colocar para fora esse governo ilegítimo e o atual Congresso Nacional, que teve a esmagadora maioria de seus parlamentares eleita com o dinheiro sujo da corrupção do financiamento privado de campanhas.

    No dia 28 de abril, estaremos nas ruas mais um vez contra as reformas da Previdência e Trabalhista, mas também, e com a mesma força, pelo Fora Temer e por eleições gerais, já.

    Foto: 21/03/2017- Brasília- DF, Brasil- Pronunciamento à imprensa do presidente Michel Temer. | Beto Barata/PR

  • Um importante capítulo do golpe parlamentar

    Há um ano, o PMDB desembarcava do governo petista de Dilma, pavimentando o caminho para a manobra reacionária do Impeachment

    Por: André Freire, colunista do Esquerda Online

    Nessa semana, se completou um ano do desembarque oficial do PMDB de Michel Temer, Romero Jucá, Renan Calheiros, Eliseu Padilha, Eduardo Cunha, entre outras “raposas” da velha e corrupta política brasileira. Desembarcou do governo petista de Dilma.

    No dia 29 de março de 2016, em reunião relâmpago, que durou cerca de cinco minutos, o diretório nacional do PMDB aprovou a sua ruptura oportunista com o governo de Dilma (PT), encerrando uma aliança de praticamente uma década. Ela se iniciou ainda nos tempos dos governos de Lula, posteriormente tendo Michel Temer como vice-presidente de Dilma nas duas eleições em que ela foi eleita presidenta (2010 e 2014).

    O episódio pavimentou o caminho do golpe parlamentar do Impeachment, sinalizando para o “mundo político”, a mídia e as grandes empresas que já haveria maioria significativa de parlamentares no Congresso para aprovar o Impeachment de Dilma, mesmo não havendo provas concretas de crime de responsabilidade. O golpe parlamentar se concretizou logo em seguida, com a aprovação do afastamento da ex-presidenta no dia 17 de abril, na Câmara de Deputados e no dia 31 de agosto, no Senado Federal.

    Existe uma relação direta entre as alianças que o PT promoveu com os partidos da velha direita, especialmente com o PMDB, e a rapidez e agilidade com que foi efetivada a manobra reacionária do Impeachment no Congresso.

    Depois de um ano do fim da aliança PMDB – PT em torno da manutenção de Dilma na Presidência da República e da posterior votação do Impeachment no Congresso torna-se necessário e urgente um balanço político entre os ativistas que lutam hoje contra o governo ilegítimo de Temer.

    As alianças políticas e eleitorais do PT com os partidos que representam os interesses das grandes empresas, bancos e do agronegócio demonstraram sua falência. Significaram mais de uma década de governos que no fundamental não mudaram a política econômica que sempre privilegiou os ricos e poderosos.

    Os governos do PT não mexeram em nada no pacto de governabilidade das elites brasileiras. Não fizeram uma reforma política minimamente democrática, não fizeram a auditória da dívida pública, não sobretaxaram os lucros exorbitantes e as grandes fortunas, não reduziram a jornada de trabalho sem redução de salários, e um longo etc.

    Foram governos – tanto os de Lula, como os de Dilma – que acabaram se limitando a tomar medidas mínimas de concessão aos mais pobres. Medidas que tiveram sua importância, mas não significaram uma mudança qualitativa e permanente na vida da maioria do povo, que agora vê essas mesmas medidas “irem por água abaixo”, diante da intensificação da crise econômica e dos ataques do governo de Temer e Meirelles, que, inclusive, foi presidente do Banco Central na gestão de Lula.

    O que explica o golpe parlamentar?
    Até os dias de hoje, setores da esquerda socialista não admitem a existência do golpe parlamentar. Insistem no erro de afirmar que o Impeachment de Dilma foi uma vitória distorcida das massas e que a saída de Dilma e a entrada de Temer “foi trocar seis por meia dúzia”.

    Afirmações como estas são um grave equívoco, ainda mais nos dias de hoje. Afinal, é cada vez mais nítido que o golpe parlamentar, apoiado pelas manifestações reacionárias da direita explica, em última instância, a ofensiva de ataques que os trabalhadores estão sofrendo agora.

    Isso não significa defender o PT, ou minimizar o fracasso de seus governos de aliança com os grandes empresários e os partidos da velha direita. Mas, é crucial entender que o desfecho desses governos de conciliação de classes, da forma que se deu, não foi favorável a classe trabalhadora, a juventude e a maioria do povo.

    Não foram os trabalhadores que derrubaram Dilma. Ao contrário, ela foi derrubada por uma manobra reacionária, via parlamento, que deixaram a burguesia em melhores condições para aplicar seu ajuste, do que estava durante o segundo mandato de Dilma. É verdade que muitos ataques começaram nos governos do PT. Mas, hoje é impossível não reconhecer que eles ganharam mais força, dimensão e profundidade no governo ilegítimo de Temer.

    Porém, também não é possível acreditar na versão que as direções do PT e da CUT dão ao golpe. Para eles, um governo popular e de esquerda teria sido retirado do poder pela velha direita, que não aceitava a sua existência e permanência.

    Seria ótimo que essa narrativa petista fosse verdade. Mas, ela ignora por completo o fato de que o PT governou por mais de 13 anos, em aliança com vários partidos da velha direita, que lhe deram maioria no Congresso, e segundo os interesses de importantes setores da burguesia, especialmente dos bancos e do agronegócio.

    O que fez os grandes empresários e seus representantes no Congresso retirarem seu apoio ao governo de Dilma não foi a origem do PT nos movimentos sociais e nem porque ele se apresente até hoje como um partido de esquerda. Mas, o que fez a mudança radical da postura dos ricos e poderosos em relação ao governo do PT foi sua incapacidade de ir até o fim na aplicação do ajuste econômico e das reformas reacionárias.

    Os governos do PT perderam sua utilidade para os interesses dos grandes empresários e bancos. É duro, mas é a verdade. Quem iniciou muitas das medidas reacionárias que hoje são aplicadas pelo governo ilegítimo de Temer contra o povo trabalhador foram os governos do PT. Não podemos esquecer a reforma da previdência de 2003, das privatizações através das parcerias público-privadas, dos leilões das reservas do petróleo, da abertura da exploração do pré-sal para empresas estrangeiras, entre outros tantos ataques.

    Mas, a gravidade da crise da economia mundial capitalista e suas graves consequências na economia brasileira fez com que os grandes empresários e os seus partidos preferissem um governo que pudesse recompor uma nova maioria no Congresso, para impor de forma mais rápida e eficaz todos estes ataques que estão sendo executados agora, que mesmo querendo, a direção do PT não teria como aplicar mais. Afinal, por exemplo, foi o próprio governo Dilma que começou a falar, ainda em 2015, sobre a necessidade de uma nova reforma da previdência, isso não podemos esquecer.

    É possível um novo rumo para o PT?
    Agora na oposição, a direção do PT tenta apresentar a candidatura de Lula em 2018 como a única alternativa de oposição para o povo trabalhador. Porém, não é verdade que o PT tenha mudado sua política e seu programa de governo. E, o que é pior, nem a sua política de alianças com setores da burguesia e políticos da velha direita.

    O PT segue, mesmo depois do golpe parlamentar, se aliando ao PMDB e a outros partidos da velha direita. Esteve aliado ao partido de Temer em mais de mil cidades nas eleições municipais do ano passado, votou em Eunício de Oliveira para presidente do Senado, Picciani para a presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e em um tucano para a presidência da Assembleia Legislativa de São Paulo.

    Onde está à frente de Governos de Estado, como no Ceará, Bahia, Piauí e Minas Gerais, ataca os servidores públicos e vem adotando medidas muito semelhantes às aplicadas nacionalmente pelo governo Temer, como o congelamento dos investimentos sociais por vários anos.

    A chamada frente ampla, defendida pelo PT, PCdoB e setores dos movimentos sociais, na verdade é a reedição de uma aliança de conciliação de classes, que já nesse momento envolve políticos tradicionais como Ciro Gomes (PDT) e Roberto Requião (PMDB), que se apresentam como oposição, mas já foram governos e sempre atacaram os trabalhadores.

    Não existe um novo rumo possível para o PT. O seu congresso, marcado para julho deste ano, na verdade irá avalizar a mesma política de rebaixamento programático e alianças com os patrões, que marcaram os 13 anos de seus governos.

    Os trabalhadores e a juventude não devem apostar suas fichas mais uma vez nesta proposta, que no fundamental irá representar a manutenção da mesma governabilidade podre e corrupta dos últimos anos.

    É necessária uma nova alternativa de fato, uma Frente de Esquerda e Socialista, composta pelo PSOL, PSTU, PCB, movimentos sociais combativos como o MTST e organizações socialistas ainda sem legalidade.

    Estas organizações devem, ao mesmo tempo, seguir construindo uma ampla unidade de ação com todos os setores de oposição, uma verdadeira frente única para lutar, que prepare pela base a greve geral no dia 28 de abril para derrotar o ajuste a as reformas reacionárias de Temer, mas precisam também iniciar imediatamente a discussão de um programa alternativo do povo trabalhador frente à crise que os capitalistas criaram e a apresentação de uma pré-candidatura, que expresse essa nova alternativa contra a velha direita, mas que supere também a política de conciliação de classes da direção petista.

    Foto: EBC

  • Preparar a Greve Geral pela base

    Por André Freire, Colunista do Esquerda Online

    Um  Novo Momento

     Na próxima segunda-feira, dia 27 de março, as centrais sindicais voltam a se reunir. Na pauta, a possibilidade da marcação de um dia de Greve Geral, em abril.

    Motivos não faltam: aprovação do congelamento dos investimentos sociais por 20 anos e, nessa semana, mais um golpe contra o povo trabalhador, com a aprovação de um projeto de lei de 1998 que amplia a terceirização do trabalho para as atividades fins das empresas e o prolongamento dos contratos temporários. E, a tudo isso, se soma as propostas de reformas reacionárias da previdência e da legislação trabalhista.

    Caso todos esses ataques sejam consumados, vamos ter, na prática, a destruição das poucas conquistas consolidadas na Constituição de 1988. Sem sequer haver um processo democrático de revisão constitucional.

    Felizmente, menos de um ano depois do golpe parlamentar do Impeachment, a classe trabalhadora e o conjunto dos explorados e oprimidos já demonstraram que não aceitarão calados a esta situação absurda.

    A realização das maiores manifestações do dia internacional de luta das mulheres das últimas décadas e o dia nacional de lutas e paralisações, em 15 de março, muda o cenário, deixando evidente que haverá um grande movimento de resistência contra os ataques do governo ilegítimo de Temer.

    Este é o fato novo da conjuntura. Independente de avaliações distintas sobre a real correlação de forças entre as classes em nosso país, todos e todas devem concordar que a militância da esquerda socialista deve dedicar a maior parte de suas forças para que este movimento seja o mais forte e amplo possível. Ainda mais se tivermos a marcação de um dia de Greve Geral.

     Preparar a Greve Geral pela base

     Há muitos anos não existe uma verdadeira Greve Geral em nosso país.

    A década de 1990 foi marcada pelo auge do neoliberalismo no Brasil, durante os dois governos tucanos de FHC. Foi um período de forte ofensiva das grandes empresas e seus governos, e de defensiva da nossa classe.

    Depois, a partir de 2003, vieram os sucessivos governos do PT (Lula e Dilma), que foram marcados pela aliança com grandes empresários e bancos e por um processo de cooptação da maioria das direções sindicais, especialmente da CUT, na prática desmobilizando os movimentos da classe trabalhadora.

    A manobra reacionária do Impeachment, a intensificação do ajuste econômico, das reformas reacionárias e da retirada de direitos provoca uma alteração importante nos movimentos sindicais e populares.

    A maioria das direções destes movimentos, que antes apoiavam os governos petistas de aliança com os grandes empresários, agora estão na oposição. Em geral, estão a favor de mobilizar contra o governo, mesmo que queiram sempre impor limites ao desenvolvimento dos movimentos independentes dos trabalhadores.

    A esquerda socialista deve saber identificar com precisão esta nova situação por que passa nosso movimento de resistência. Adotando uma política ousada de preparação de nossas lutas e da possível Greve Geral. A partir dos locais de trabalho, estudo e moradia, construindo comandos de mobilização pela base.

    Para que uma Greve Geral aconteça em abril, com toda a força possível, será necessário prepará-la, com antecedência, envolvendo o maior número possível de ativistas na sua organização. Todos e todas devem começar por organizar o seu próprio local de trabalho e estudo para paralisar no próximo dia unificado de luta. Para isso, é importante organizar um comitê de base em nossos locais.

    Devemos procurar, em cada cidade, as centrais sindicais e os sindicatos e movimentos mais combativos para ampliar e coordenar estes comitês de base. Levando sua organização para as mais distintas regiões e bairros da nossa cidade.

    Nos dias que antecederem a paralisação nacional, estes comitês devem organizar agitações com panfletagens para informar a maioria da população de nosso movimento, ganhando o povo trabalhador para a necessidade de parar suas atividades neste dia histórico. E, para acumular força, temos que realizar um forte dia de luta em 31 de março. Mãos à obra!

     

  • Encontro com um velho amigo petista…

    Por André Freire, Colunista do Esquerda Online

    No inicio do ano voltei a morar na minha cidade natal, o Rio de Janeiro. Esse retorno tem me propiciado reencontros muito legais, com velhos amigos. Nessa semana, na manifestação unitária do dia nacional de lutas e paralisações, tive um desses encontros, com um amigo de muitos anos, que segue defendendo o PT e Lula.

    Nossa conversa, sempre amistosa, foi muito interessante. Começamos por um grande acordo, nossa raiva do governo ilegítimo de Temer, de quanto são absurdas as suas medidas reacionárias como a reformas da previdência e trabalhista, que será necessária uma ampla unidade para lutarmos para derrotar todos estes ataques, entre outros acordos importantes para o momento em que vivemos em nosso país.

    Nossos acordos, que permitiram estarmos juntos naquela importante manifestação, esbarraram em uma diferença importante entre nós, que é parte dos debates que acontecem entre os que lutam contra o governo golpista: qual é a alternativa política de oposição temos que construir?

    Meu amigo tomou a ofensiva na discussão. Afirmou que os governos do PT, especialmente os de Lula, melhoraram a vida do povo, com medidas concretas, as que foram possíveis na correlação de forças que exista em nosso país. Que justamente por isso, os setores mais conservadores deram o golpe e tiraram Dilma do governo.

    Meu amigo segue: que a mesma unidade que foi fundamental para construir aquela linda manifestação, deveria se repetir na construção de uma ampla unidade da esquerda para as eleições de 2018. Que, evidentemente, essa unidade deveria ser encabeçada novamente por Lula. Para ele, essa seria a única chance de derrotarmos a direita nas eleições.

    Ele é também é crítico aos 13 anos do governo do PT, defende que a possibilidade de um novo governo do Lula seria a chance de mudarem o rumo, corrigir os erros, limitar as alianças eleitorais somente a Ciro Gomes e aplicar um programa de mais enfrentamento contra o capital, principalmente com a TV Globo, etc… De fato, ele tinha fortes argumentos.

    Quero confessar, que em um primeiro momento, fiquei meio na defensiva. Afinal, sem dúvida nenhuma, a unidade é uma necessidade diante da onda de ataques dos patrões e seus governos sobre a classe trabalhadora, a juventude e o conjunto dos explorados e oprimidos.

    Mas, logo, me recuperei, e de forma calma e firme, eu acho, fui contrapor seus principais argumentos. Comecei dizendo que considerava muito positivo para os trabalhadores e para a esquerda se realmente Lula e o PT tivessem realmente dispostos a rever sua política de alianças e seu programa de governo.

    Que seria ótima uma frente de esquerda ampla, que colocasse na ordem do dia a unidade da classe trabalhadora, da juventude e da maioria do povo. Que nessa frente não caberia os grandes empresários, os políticos corruptos e reacionários dos partidos da velha direita. Que teríamos de apresentar como programa dessa alternativa as autênticas propostas que sempre foram defendidas pelos movimentos sociais e que, inclusive, foram as bases da fundação do PT e da CUT.

    Que deveríamos defender a suspensão e a auditoria da dívida, que defendêssemos acabar com as privatizações e a reestatização das empresas privatizadas, a redução da jornada de trabalho sem redução de salários, entre outras medidas.

    Meu amigo, embora um pouco surpreso, com uma cara que demonstrava me considerar um pouco “esquerdista”, acabou concordando comigo. Eu, me sentindo mais fortalecido, segui: afirmei que o PT teve 13 anos para avançar na aplicação desse programa, mas parou somente na adoção de medidas mínimas, que foram importantes, mas não mudaram para valer a vida do povo, e nem esteve disposto a sobretaxar os lucros astronômicos das grandes empresas e também as grandes fortunas.

    Queria seguir, dizendo que onde o PT está na administração de governos de estados importantes vem aplicando medidas muito semelhantes ao governo ilegítimo de Temer, como o congelamento de investimentos sociais e dos salários dos servidores; que mesmo depois do golpe parlamentar, o PT se coligou com o PMDB em centenas e centenas de cidades nas eleições municipais do ano passado, que na eleição dos presidentes das assembleias legislativas apoiou o PSDB (em SP) e PMDB (no RJ)… Ou seja, a política do PT segue a mesma.

    Mas, não pude continuar, pois meu amigo me interrompeu, dizendo que uma candidatura da extrema esquerda não teria chances de ganhar as eleições em 2018. Que até podia concordar comigo em muito do que eu falava, mas o fundamental era derrotar a direita nas próximas eleições.

    Eu retruquei, dizendo que o argumento das chances eleitorais não podia ser o principal, e que em muito esse discurso foi o que fez o PT começar seu curso de adaptação ao status quo, inclusive com muitos de seus dirigentes se envolvendo em escândalos de corrupção, como sempre fez a velha direita.

    Que as eleições passadas para a prefeitura do Rio de Janeiro demonstraram que é possível superar o PT pela esquerda, como foi feita pela bela campanha militante e mobilizadora de Marcelo Freixo.
    Bem, a conversa acabou sendo interrompida, pois a passeata já estava saindo, e ele precisa ir embora, e eu me somar à coluna da frente de esquerda e socialista, junto à militância do MAIS, da NOS e outras organizações socialistas que compõe este importante espaço.

    Trocamos nossos números de telefone, para seguir a conversa. Embora não tenhamos chegado a um acordo, considero essa conversa muito interessante, pois ela acaba sendo um pequeno retrato dos debates que muitos de nós teremos com vários ativistas no próximo período.

    Estou convicto, que a esquerda socialista deve se jogar com tudo na construção de uma nova alternativa, realmente independente. Nosso esforço deve ser concentrado na construção de uma Frente de Esquerda e Socialista, que na o PSOL, PSTU, PCB, organizações socialistas ainda sem legalidade e movimentos sociais combativos, como o MTST.

    Essa tarefa fundamental não será feita se aliando a Lula. Pois, a direção do PT mantém o seu programa rebaixado e a sua política de alianças com parte dos grandes empresários e os políticos e os partidos da velha direita.

    Mas, outra certeza que tenho, é que essa nova alternativa política da esquerda socialista deve ser construída em permanente diálogo com os trabalhadores e jovens que ainda acreditam em Lula. Temos que ser sempre muito pacientes neste diálogo, mas também muito firmes na necessidade de superarmos a experiência de conciliação de classes, defendidas até hoje pela direção do PT..

  • Grandes empresas devem R$426 bilhões à Previdência Social

    O governo ilegítimo de Temer prefere atacar os direitos do povo trabalhador do que cobrar essa dívida bilionária dos grandes empresários, latifundiários e banqueiros

    Por: André Freire, Colunista do Esquerda Online

    Tramita no Congresso Nacional, “a toque de caixa”, uma proposta reacionária de Reforma da Previdência que, caso aprovada, será um enorme e injusto ataque aos direitos previdenciários do povo trabalhador, atingindo em especial as mulheres e os mais pobres.

    A proposta perversa prevê o aumento a idade mínima para a aposentadoria integral para 65 anos, aumenta também o tempo de contribuição para se aposentar, acaba com o direito das mulheres se aposentarem antes do que os homens – devido a sua tripla jornada, mexe com a aposentadoria dos atuais trabalhadores – não respeitando sequer seus direitos adquiridos, entre outras medidas absurdas. Ou seja, querem que os trabalhadores e as trabalhadoras, na verdade, trabalhem até morrer!

    A grande justificativa do governo e de sua base no Congresso para tamanho ataque, é que a Previdência Social é deficitária, que caso não for feita a essa reforma reacionária os atuais e os futuros aposentados não terão garantidas as suas pensões. Mais uma grande mentira.

    Uma rápida consulta na lista das 500 empresas com as maiores dívidas com a Previdência Social (https://drive.google.com/file/d/0Bx4m9ZZtuuzQeGZMOGxoSVZpNG8/view) vai deixar nítido quem são os grandes beneficiários da gestão nefasta e fraudulenta realizada por sucessivos governos. E, nesse quesito, os governos do PT não diferem muito dos governos do PSDB ou do PMDB.

    O total da dívida das 500 empresas que mais devem a Previdência Social é de 426 bilhões de reais. Ou seja, um valor três maior do que o déficit alegado pelo governo para o ano de 2016.

    Cobrar imediatamente essa dívida vergonhosa

    Encabeçando a lista está a massa falida da Varig, com uma dívida superior a 3 bilhões de reais. Mas, o fato de ser uma empresa falida a encabeçar a lista, não pode nos dar a falsa impressão de que essa é uma dívida irrecuperável. Afinal, grandes empresas, em plena atuação no mercado e com lucros astronômicos, estão entre as principais devedoras.

    Logo em segundo lugar, aparece a JBS, gigante do ramo da alimentação, com uma dívida de, nada mais nada menos, 1,8 bilhão de reais. A JBS é umas das empresas privadas nacionais que mais cresceram durante a última década e sempre consta no topo do ranking das que mais lucram no país.
    Também chama a atenção a presença do Banco Bradesco na lista, com uma dívida de 465,2 milhões de reais. Só no ano passado, o Bradesco lucrou mais de 15 bilhões de reais, o segundo maior lucro entre os bancos privados brasileiros em 2016, perdendo apenas para o Itaú, que aliais também a aparece na lista, devendo 88,8 milhões de reais.

    Destacam-se na lista outras grandes empresas, como a Vale, Instituições de Ensino Privado, grandes Usinas, planos de saúde, sempre com dívidas na casa dos milhões de reais. Empresas estatais também aparecem, como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Correios.

    O mínimo que se deve cobrar desse governo é que antes de atacar nossos direitos, cobre essa dívida vergonhosa dessas grandes empresas. Medida, que evidentemente um governo como este, aliado e capacho dos grandes empresários, latifundiários e banqueiros, não fará de forma nenhuma.

    São os governos que desviam as verbas da Previdência

    Além do escândalo desta dívida bilionária das grandes empresas, a grande verdade é que são os próprios governos, sejam do PSDB, do PMDB ou, infelizmente, do PT que desviaram e desviam cotidianamente grandes volumes de receitas da Previdência Social.

    Através do mecanismo da Desvinculação das Receitas da União (DRU), os governos podiam desviar em até 20% das verbas da Seguridade Social, onde está incluída a Previdência Social. Segundo o próprio Tesouro Nacional, isso significou que as verbas da Seguridade Social perdem anualmente cerca de 60 bilhões de reais.

    E, o que é pior, por iniciativa do Executivo, proposta feita ainda no tempo do governo Dilma e aprovada já com Temer no governo, o Congresso Nacional aprovou uma PEC que amplia esse percentual para 30%. Um escândalo!

    A maioria do montante bilionário dessa verba desviada, que deveria ser investida para garantir a saúde e a previdência da maioria da população, vai direto para o bolso dos banqueiros, para pagar os juros e a amortização da dívida pública, externa e interna aos grandes investidores. Como todo ano é muito bem denunciado pela importante Campanha Auditoria Cidadã da Dívida.

    O único caminho é a unificação das lutas

    Para derrotar mais este ataque, materializado na atual proposta de reforma reacionária da previdência, o único caminho é a unificação de nossas luta. Não podemos confiar em negociações com esse governo ilegítimo e com a maioria corrupta e reacionária do Congresso Nacional.

    As grandes manifestações do dia 8 de março, dia internacional de luta das mulheres, já mostraram o caminho. Temos que organizar um amplo movimento de luta contras as reformas reacionárias de Temer e Meirelles. Uma verdadeira frente única, que impeça toda e qualquer retirada de direitos.

    Na semana que vem, no dia 15 de março, vamos ter uma grande oportunidade para dar um salto em nossa resistência, com a realização do dia nacional de lutas e paralisações, convocado pelas centrais sindicais e movimentos sociais combativos. Fortalecer essa manifestação unitária deve ser a nossa tarefa prioritária nos próximos dias. Mãos a obra!

     

     

     

  • É correto abrir espaço para Bolsonaro defender suas idéias?

    Por André Freire, Colunista do Esquerda Online

    Uma polêmica tomou conta da comunidade judaica, quando recentemente a direção do Clube Hebraica de SP, resolveu convidar o “sinistro” deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), pré-candidato a presidência da república, para expor suas idéias de extrema direita, em um debate voltado para a comunidade judaica paulista.

    Este fato gerou um enorme desconforto em parcelas mais democráticas de seus associados, que organizaram um abaixo-assinado, com mais de 4 mil assinaturas, pedindo a não realização de tal evento. Para estes setores, seria um contrassenso a organização de um evento especial para uma figura muito conhecida pela defesa de idéias racistas e xenófobas.

    A direção do Clube Hebraica paulistano acabou cedendo à pressão, e cancelou o evento, com a desculpa de organizar, futuramente, um debate com todos os pré-candidatos a presidente da república.

    Mas, a polêmica está longe de se encerrar, e chegou, inclusive, a grande imprensa. Afinal, o Presidente do Clube Hebraica do Rio de Janeiro, Luiz Mairovitch, acaba de se pronunciar contrário ao cancelamento do evento com Bolsonaro em SP e anunciou que vai convidá-lo para palestrar na sede da agremiação no Rio de Janeiro.

    Em uma postura bem mais afinada com a ideologia opressora e xenófoba hegemônica no Estado racista de Israel, o presidente do Clube Hebraica carioca chegou a declarar, ao Jornal Folha de SP, sobre Bolsonaro: “hoje um nome muito forte e muito querido. Eu mesmo tenho simpatia, sim”. E, em outra passagem: “sem querer contrariar ninguém, mas objetivando fazer jus ao Estado democrático de Direito”.

    Sem querer me aprofundar nas disputas políticas no interior da comunidade judaica, é inquestionável que o fato chamou a atenção e desnudou uma questão muito importante na atual conjuntura brasileira, para a esquerda socialista e os movimentos da classe trabalhadora em geral: figuras como Jair Bolsonaro devem ter garantido espaços democráticos para defender suas idéias?

    Nenhum espaço para os que defendem a ditadura, seus torturadores, a opressão e o fim das liberdades democráticas:

    Embora Jair Bolsonaro seja uma figura bastante caricata, existe um projeto político ultraconservador e de extrema direita que encontra nele sua maior expressão na atualidade.

    Ele e o seu projeto ganharam força no último período, principalmente com o fracasso dos governos de conciliação de classes do PT, com o golpe parlamentar do Impeachment e com as grandes manifestações reacionárias – hegemonizadas por setores conservadores e mais abastados das classes médias das grandes cidades brasileiras e dirigidos politicamente por setores da direita. Este fato explica seu o crescimento nas pesquisas de opinião entre os possíveis candidatos a presidência da república em 2018.

    Este processo no Brasil também é parte de uma realidade internacional, onde vemos também o fortalecimento de movimentos de extrema direita, como a Frente Nacional francesa, e até fascistas, como o movimento Aurora Dourada na Grécia.

    Não é novidade para ninguém que Bolsonaro defende os “anos duros” da ditadura militar no Brasil, incluindo seus métodos mais fascistas. Ele se orgulha, por exemplo, de defender torturadores comprovados, como o Coronel Ustra, como fez no seu lamentável discurso quando da votação na Câmara dos Deputados do Impeachment de Dilma.

    Ele tem sido um inimigo público da causa dos direitos humanos e um defensor da violência policial, que assassina diariamente a juventude pobre e negra das periferias urbanas brasileiras, além de evidentemente defender a redução da maioridade penal e a pena de morte.

    Tem perseguido de forma permanente os oprimidos, as mulheres, os negros e as negras e os LGBT´s, realizando uma verdadeira guerra contra quem defende os direitos dos setores oprimidos, como repetidamente faz contra o deputado federal Jean Wyllys, do PSOL-RJ.

    Outra posição muito comum de Bolsonaro é o ataque permanente aos movimentos sindicais da classe trabalhadora e as mobilizações dos movimentos sociais combativos. Sempre se colocando contra as liberdades democráticas daqueles que lutam para defender suas idéias e seus direitos.

    A esquerda socialista não deve, de modo nenhum, subestimar a importância de um enfrentamento duro, direto e intenso contra esse projeto ultraconservador e de extrema direita, representado, principalmente hoje, na figura repugnante de Bolsonaro.

    O fortalecimento deste projeto nefasto equivale a uma maior repressão e cerceamento das já parcas liberdades democráticas para os movimentos de luta da classe trabalhadora, da juventude e do conjunto dos explorados e oprimidos.

    Portanto, a esquerda socialista não deve cair no erro de defender os direitos democráticos daqueles que querem acabar com a mínima democracia existente, reduzindo drasticamente o pouco de conquistas e espaços democráticos que o povo trabalhador ainda possui para se expressar politicamente.

    Contra a extrema direita e os setores fascistas, que também começam a se organizar de forma mais contundente no Brasil, não existe diálogo democrático possível. O único caminho a seguir é o combate político direto e permanente, contra as suas idéias reacionárias, buscando evitar a sua penetração em setores da classe trabalhadora e da juventude.

    Este confronto pode até chegar a ser físico, caso isso se coloque como uma necessidade para seguirmos expressando democraticamente nossas bandeiras políticas nas lutas do nosso povo.

    Frente Única Antifascista

    Na história do movimento operário, se comprovou que contra as idéias e o projeto político da extrema direita e, principalmente, do fascismo é necessário unificar todos os movimentos da classe trabalhadora, da juventude, dos oprimidos, democráticos e da esquerda.

    A defesa da frente única antifascista já foi uma importante ferramenta política dos movimentos socialistas e dos trabalhadores contra o avanço político destes setores mais reacionários da burguesia.

    No Brasil, inclusive, existe um fato histórico memorável. No dia 7 de outubro de 1934, aconteceu a chamada “Batalha da Praça da Sé” ou a noite da “Revoada das Galinhas-Verdes” – nome em alusão a como eram conhecido os integrantes da Ação Integralistas, de Plínio Salgado, um movimento político de cunho fascista, que ganhou forte presença no Brasil na primeira metade da década de 1930.

    Uma Frente Antifascista, formada por amplos setores da esquerda, onde os Trotskistas tiveram papel de destaque, dispersou fisicamente uma marcha integralista que tinha a intensão de ocupar a Praça da Sé, no Centro de SP.

    Evidentemente, não vivemos o mesmo momento histórico da década de 30 do século passado, e tão pouco estes setores de extrema direita têm hoje a mesma política que tinham no mundo naquela época, mas não devemos descartar a possibilidade da tática da frente única antifascista novamente estar colocada na ordem do dia, caso estes setores sigam se fortalecendo e comecem a colocar em ação seus métodos fascistas, que hoje são defendidos muito mais nos seus discursos.

  • 2018? Por uma frente de esquerda e socialista

    Por André Freire, Colunista do Esquerda Online

    A esquerda socialista deve começar desde já a construção de uma alternativa política radicalmente contra a velha direita e o governo ilegítimo de Temer, mas que supere também a política de conciliação de classes da direção petista

    No processo de construção da necessária e urgente frente única, que enfrente nas ruas, com greves e mobilizações, a onda de ataques contra os trabalhadores, a juventude e a maioria do povo, a esquerda socialista deve encarar a discussão, muito importante, de que alternativa política construir, desde já, na ação direta, e também para o processo eleitoral de 2018.

    Evidentemente que para a luta que busca derrotar as reformas reacionárias da previdência e trabalhista, entre outros ataques do governo ilegítimo de Temer e de seus aliados nos Estados, como Pezão no Rio de Janeiro, será necessário unir todos os setores, que estão contra estas medidas absurdas, independentes das direções que estão à frente destas entidades e movimentos.

    O povo trabalhador precisa da mais ampla unidade para que se levante em um grande movimento de ação que tente derrotar esses “pacotes de maldades” dos governos, parlamento, judiciário e dos patrões. Por isso, será muito importante a construção das manifestações unitárias no dia 8 de março – dia internacional de luta das mulheres – e no dia 15 de março. É fundamental que todas as Centrais Sindicais, o MST, o MTST, a UNE e demais movimentos que estão contra o governo e suas medidas draconianas se empenhem com tudo na organização e convocação destes protestos.

    Mas, a pergunta que fica para a esquerda socialista é a seguinte: esse mesmo critério de unidade para ação contra os ataques deve servir para construir a alternativa política que precisamos em nosso país?

    A Esquerda Socialista deve integrar a campanha Lula 2018?

    Essa questão ganhou ainda mais relevância, na semana passada, com o anúncio da última pesquisa de intenções de votos para a Presidência da República (CNT / MDA), onde Lula aparece na frente em todos os cenários, tanto de primeiro como de segundo turnos, o governo Temer cai ainda mais a sua já baixíssima popularidade e Bolsonaro cresce também – já disputando um eventual segundo lugar com Marina Silva.

    Mesmo sabendo que este cenário é produto de uma pesquisa, ainda muito longe das eleições, é evidente que ele reacende a discussão sobre se a esquerda socialista deve aderir a chamada frente ampla, apoiando uma eventual candidatura de Lula em 2018, caso ele não seja impedido pela “Lava Jato”. Com objetivo de derrotar eleitoralmente as distintas alternativas da velha direita e até da extrema direita.

    Diante desta discussão fundamental, é muito importante um posicionamento nítido e explícito sobre que caminho seguir. Velhas formas políticas de exigências a que Lula assuma um programa dos trabalhadores e não se alie a setores da burguesia, nos parecem equivocadas neste momento. Afinal, elas não levam em consideração o que foram os 13 anos de governo do PT (Lula e Dilma) e a própria política que este partido tem na atual conjuntura, mesmo depois da manobra reacionária do Impeachment.

    O PT e Lula já governaram o país e a política central de seus governos foi realizar uma administração que não rompesse em nada com o pacto de dominação da elite brasileira, em associação direta aos interesses imperialistas para a América Latina.

    O máximo do que se chegou foram adoções de políticas sociais compensatórias, que tiveram impacto positivo devido a grande miséria de grandes parcelas da população, mas que em nada atingiram os lucros exorbitantes do agronegócio, das empreiteiras, bancos e demais grandes empresas nacionais e transnacionais. Ou seja, não realizando de fato nenhuma das mudanças estruturais que tanto nosso país precisa.

    E, não podemos esquecer que estes governos também desferiram ataques ao povo trabalhador e a economia nacional, como a reforma da previdência de 2003, as parcerias-público-privadas e os leilões de venda das reservas de Petróleo e do Pé-sal. Além de terem entrado no jogo sujo da política burguesa, marcado pelos escândalos de corrupção, compra de votos no parlamento e financiamento milionários de campanhas pagos pelas grandes empresas.

    Não podemos apagar o que foram os governos petistas, suas medidas e alianças espúrias, e agora acreditar que um eventual novo governo de Lula será diferente qualitativamente. Não podemos esquecer também que Temer era vice de Dilma, e chegou ao governo pelas mãos da própria direção do PT.

    Seria muito bom para os trabalhadores que pudesse ser diferente, que fosse possível um novo rumo para o PT. Mas, nada de concreto nos autoriza a acreditar nesta real perspectiva. Qualquer candidatura do PT em 2018 não fará nenhuma autocrítica séria sobre o que foram seus governos. Ao contrário, reivindicará este período como modelo a ser seguido para o futuro de nosso país. E, mesmo hoje, depois do golpe parlamentar do Impeachment, vemos que o PT na oposição não mudou em nada a essência de sua política.

    Afinal, onde é governo nos Estados vem aplicando medidas muito similares, por exemplo, a PEC que congela investimentos sociais e os salários dos servidores públicos (Como no Ceará e Piauí); no Senado Federal apoiou a eleição do golpista Eunício de Oliveira (PMDB/CE) para presidência da Casa e seu Senador do Acre – Jorge Viana – vacilou quando poderia ter assumido a presidência do Senado e pelo menos ter adiado a votação da PEC 55.

    No Rio de Janeiro, seus deputados estaduais votaram no corrupto Jorge Picciani (PMDB) para Presidência da Assembléia Legislativa, o mesmo que deu mais um golpe, aprovando de forma relâmpago e antidemocrática a autorização para privatização da Cedae, que inclusive contou com um voto favorável de um deputado estadual do PT, André Ceciliano.

    Seguir atrelando o futuro da esquerda socialista ao projeto de conciliação de classes do PT é uma política totalmente equivocada que vai preparar novas derrotas e mais desmoralização de parcelas importantes da classe trabalhadora, da juventude e dos lutadores dos movimentos sociais combativos. É necessário começar, desde já, a construção de uma nova alternativa da esquerda socialista.

    A hora é agora: Por uma nova alternativa da esquerda e socialista 

    Temos que apostar em outro caminho. Na construção desde já de uma Frente de Esquerda e Socialista, que una nas lutas e em uma alternativa política para as eleições de 2018, o PSOL, o PSTU, o PCB, o MTST e organizações da esquerda socialista ainda sem legalidade.

    Esta frente deve se organizar desde já, em nada devemos esperar o ano das eleições. Neste sentido, é muito importante que em vários Estados já existem espaços que começam a construir esta perspectiva, temos que fortalecê-los e ampliá-los.

    Em primeiro lugar, porque esta unidade é muito importante para atuação nos processos reais de mobilização que acontecem agora, lutando para ampliar uma frente única nacional que enfrente e busque derrotar os terríveis ataques dos governos e dos patrões. Mas, também, na construção desta unidade na perspectiva de construção de uma aliança da classe trabalhadora, do conjunto dos explorados e oprimidos e da juventude para as eleições de 2018.

    Esta frente não deve também ser improvisada, devemos começar construí-la desde já, com discussões programáticas abertas e coletivas e o lançamento de uma pré-candidatura que expresse uma alternativa tanto a velha direita e o governo ilegítimo de Temer, mas também supere a política de conciliação de classes do PT.

    Neste momento, é muito importante que estes partidos e organizações da esquerda socialista comecem a discutir coletivamente essa construção, pois não devemos nos conformar com a situação atual, onde o que aparece como alternativa a este governo ilegítimo é somente uma candidatura de Lula e do PT, novamente em 2018.

    É importante abrir um diálogo também com os camaradas do MTST, que foi o movimento social de luta que mais ganhou expressão política e capacidade de mobilização no último período, para que também eles tomem uma decisão pela construção desta Frente de Esquerda e Socialista e ocupem um papel de destaque nesta construção, inclusive disponibilizando suas principais lideranças para serem candidatas nesta nova alternativa política que devemos construir.