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  • Começa Congresso da Federação Nacional dos Petroleiros contra desmonte da Petrobras e redução de direitos

    Por: Pedro Augusto, do Rio de Janeiro, RJ

    Começou hoje (17), o 11º Congresso da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), na cidade do Rio de Janeiro. Trabalhadores e trabalhadoras das bases dos Sindipetros filiados à FNP, e ligados às oposições das bases da Federação Única dos Petroleiros (FUP), estarão reunidos até domingo (20) para definir a pauta e as iniciativas para mobilizar a categoria no próximo período.

    Em defesa da Petrobras 100% Estatal! Nenhum direito a menos
    Os trabalhadores brasileiros estão sendo duramente atacados, como resposta dos patrões e dos governos à crise econômica mundial. Por um lado tem o desemprego, que já atinge mais de 13 milhões de trabalhadores. Só no sistema Petrobras, nos últimos 4 anos, mais de duzentos mil petroleiros, em sua ampla maioria terceirizados, perderam os seus empregos.

    Por outro lado, as reformas feitas por Temer e o Congresso, como a PEC do teto dos gastos e a Reforma Trabalhista, e as reformas Política e da Previdência que eles ainda tentam emplacar, representam um retrocesso de décadas nas conquistas dos trabalhadores.

    É nesse contexto que ocorre o atual desmonte da Petrobras. A mega-privatização feita por Temer, uma versão piorada do plano de desinvestimento iniciado ainda no governo Dilma, está entregando de mãos beijada campos de petróleo, malhas de dutos, além de sucatear e diminuir a produção das refinarias.

    Os petroleiros estão pagando esse desmonte com a vida, devido a efetivos cada vez menores e inseguros, e com o sucateamento das unidades, que gera acidentes cada vez mais graves. Uma outra face desse ataque vai aparecer agora na campanha salarial, onde a Petrobras vai tentar retirar direitos para tornar a empresa ainda mais atrativa para os compradores.

    A conjuntura nos exige apresentar uma pauta que dialogue com as prioridades e a disposição da categoria hoje.

    Fórum dos 18 sindicatos para preparar a resistência
    O Congresso da FNP precisa se comprometer com a construção de fóruns que reúnam a categoria das 18 bases petroleiras, estimulando a formação de organismos de base, mas sem impor qualquer condição para a construção de uma pauta e um calendário comum com a FUP.

    Precisamos tomar a iniciativa de participarmos de espaços como as reuniões das centrais, a Frente do Povo Sem Medo e a Frente de Esquerda Socialista.

  • FORD demite 364 no ABC e trabalhadores aprovam resistência

    Por Miguel de Paula , do ABC Paulista, SP

    Na última semana a FORD de São Bernardo do Campo demitiu 364 trabalhadores que estavam de Lay Off (suspensão temporária do contrato).

    As demissões acontecem após sucessivos acordos entre empresa e sindicato que retiraram diversos direitos, como o congelamento do aumento de salário, redução de salários com redução da jornada. Tudo isso com o objetivo de “manter os empregos”, a FORD de forma covarde mesmo após os trabalhadores abrirem mão de direitos conquistados com muita luta descumpriu o acordo e demitiu os trabalhadores.

    Por trás das desculpas de que a crise afetou a empresa e de que é inviável manter os empregos, está a busca por lucros bilionários de uma das maiores montadoras do mundo. Na verdade as montadoras vêm se aproveitando da crise para preparar uma ampla reestruturação produtiva e aumentar ainda mais a exploração dos trabalhadores.

    Trabalhadores aprovam resistência

    Diante do golpe aplicado pela Ford os trabalhadores realizaram assembleia na última sexta e aprovaram resistir e intensificar as mobilizações. No entanto a empresa tenta inviabilizar a mobilização dos trabalhadores, se aproveitando do estoque mantido nos últimos meses, também colocando em folga boa parte dos trabalhadores na próxima segunda e terça-feira.

    Por isso os trabalhadores aprovaram nova assembleia na próxima quarta-feira e prometem intensificar a resistência até lá. À esquerda radical e todos os trabalhadores combativos cabe cercar de solidariedade a luta dos trabalhadores da Ford pelos seus empregos, nesse sentido o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC deve buscar todo apoio e organizar o restante da categoria (em particular as demais montadoras) para apoiar essa luta.

  • Municipários de Porto Alegre mobilizados para derrotar Marchezan

    Por Pedro, de Porto Alegre, RS

    Sexta-feira, inverno, após as 18h, enquanto muitos já estão iniciando seu final de semana, os Municipários de Porto Alegre fizeram uma demonstração de força. Lotaram a assembleia da categoria e definiram um calendário de mobilização.

    “Não vamos deixar que um prefeito que nunca bateu o cartão, acabe com 50 anos de conquistas dos servidores municipais ” disse a professora Martina Gomes, militante do MAIS.

    Não faltaram gritos de #ForaMarchezan em coral na assembleia.

    A categoria promete parar Porto Alegre se o pacote que acaba com o plano se carreira não for retirado.

    Agora é Greve

    Os Municipários tiraram um calendário de mobilização com nova assembleia para semana que vem. Os servidores já avisaram se não retirar o pacote a categoria vai entrar em GREVE.  

    Calendário de mobilização:

    Segunda a Sexta visitas nos locais de trabalho para construir a Luta.

    16/08 – Quarta-feira – ato unificado no Paço Municipal às 17h

    17/08 – Quinta-feira – abraço em defesa do DMAE

    22/08 – Terça-feira-  nova assembleia geral às 18h

    Marchezan se não tirar o projeto Porto Alegre vai parar.

  • Estudantes ocupam ruas contra Marchezan (PSDB), em Porto Alegre

    Por: Afronte-RS

    Na manhã desta sexta-feira (11), o tradicional protesto do Dia do Estudante, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, teve como principal reivindicação a não implementação do decreto expedido no mês passado, que restringe o direito ao meio-passe estudantil, junto com o fim da isenção para professores e idosos no transporte público municipal.

    Os protestos começaram com o trancaço realizado por estudantes da UFRGS numa das principais vias da região Central. Os estudantes ocuparam a Av. Sarmento Leite por volta das 6h e permaneceram até a Brigada Militar dispersar o movimento com bombas de gás e efeito moral, por volta das 7h.

    ato estudante 1

    A partir das 9h, milhares de estudantes se concentraram em frente à Escola Estadual Parobé e partiram em marcha até a Prefeitura. Dezenas de ônibus vieram de todas regiões da cidade no ato organizado pela UMESPA, UEE Livre, UNE, UBES e diversos Grêmios e Centros Acadêmicos. O Afronte participou do ato ao lado dos coletivos da Oposição de Esquerda da UNE e outras organizações, como o Alicerce e a Resistência Popular.

    É a primeira manifestação de resistência contra essas medidas que retiram nossos direitos históricos. O meio-passe foi implementado há quase 20 anos e, no ano passado, a partir de ação movida pela então gestão do DCE da UFRGS, conseguimos ampliar o direito para domingos e feriados. Marchezan quer agradar a máfia do transporte, seguindo o exemplo do antigo prefeito Fortunati. Precisamos ampliar a mobilização na sociedade para que a façamos como em 2013. É preciso radicalizar nas ideias e nas ações para barrar os retrocessos.

    dia do estudante 5

  • Lições e tarefas: o que fazer a partir das eleições da Apeoesp Campinas?

    Por: Ana Paula Lima, Amanda Menconi e Cauê Campos, de Campinas, SP

    Mais um semestre letivo se inicia na rede estadual de ensino. Após as férias, milhares de professores e alunos voltam para a dura realidade das escolas públicas de São Paulo. Seguimos há três anos sem reajuste salarial, o que despencou o poder de compra da categoria. As condições de trabalho nas escolas se tornam cada vez mais insustentáveis e o processo de privatização e sucateamento se aprofundam diariamente. É só vermos o caso da Diretoria de Ribeirão Preto que ameaçou o fechamento de 40 salas na cidade, mas através da atuação da subsede da APEOESP de lá, dirigida pela Oposição Alternativa, conseguiu reverter o fechamento de 21 delas.

    Conjuntamente com o semestre letivo, segue os ataques dos governo Temer e Alckmin e com ele nossa necessidade de mobilização e organização para barramos o corte de direitos e o arrocho salarial. Nesse sentido, a APEOESP já lança um calendário de mobilização para o próximo semestre, é preciso construí-lo com mais força ainda. Na próxima segunda, 14/8, haverá a primeira Reunião de Representantes de Escolas (RR) da nova diretoria da APEOESP e indicativo de assembleia para 15/9, precisamos construir estes espaços com afinco e demonstrar o peso que a Oposição Unificada demonstrou na campanha eleitoral. Neste sentido, realizamos este esforço de elaboração coletiva de um balanço sobre a experiência eleitoral na subsede Campinas da APEOESP, para a partir dele tirarmos lições e planejar nossa atuação na região no próximo período.

    O #OcupaBrasília
    Os meses de março e abril de 2017 foram marcados por enormes mobilizações que tiveram o professorado de São Paulo como vanguarda na luta contra a Reforma da Previdência. As enormes paralisações dos dias 08 e 15 de março, a greve dos dias 28, 29, 30 e 31 de março demonstraram a força da categoria que luta pelos seus direitos, que foram seguidas de uma enorme greve geral que parou o Brasil no dia 28 de abril.

    Os enormes ataques impunham que todas as forças fossem concentradas para derrubar Temer e suas reformas, tanto que as Centrais Sindicais marcaram o Ocupa Brasília para 24 de maio. Como a eleição da APEOESP estava marcada para o dia seguinte, 25 de maio, a Chapa 3 – Oposição Unificada protocolou na secretaria geral do sindicato o pedido de convocação do Conselho Estadual de Representantes para aprovar o adiamento da eleição para a semana seguinte, com intuito de permitir a ida da categoria para o Ocupa Brasília. Esta seria apenas uma confirmação do que a presidenta da APEOESP Bebel e candidata à reeleição pela Chapa 1 havia afirmado na assembleia da categoria de 31 de março que adiaria a eleição caso houvesse mobilização no dia, porém ela não cumpriu sua palavra.

    Isto demonstra que se a Chapa 1 tivesse interesse em derrubar Temer e as Reformas teria adiado a eleição, porém o interesse de continuar controlando o aparato da APEOESP falou mais alto. Devido ao não adiamento da eleição, muitos professores que gostariam de ocupar Brasília não puderam ir e muitas urnas no estado de São Paulo e também na cidade de Campinas ficaram sem fiscais da Oposição, uma vez que a Oposição construiu seriamente o ato do dia 24 de Maio.

    A maioria dos mesários do estado de São Paulo eram alinhados politicamente à Chapa 1. No caso da cidade de Campinas todos os mesários das 96 urnas do município eram aliados da Chapa 1. Com grande esforço a Oposição conseguiu garantir mesários em 70 urnas, porém 26 urnas ficaram descobertas. Houve ainda denúncias em todo o estado de São Paulo, inclusive em Campinas, que a Chapa 1 impediu muitos fiscais da Chapa 3 de entrarem no carro que conduzia as urnas de uma escola para a outra.

    Em Guarulhos, subsede dirigida pela Oposição, mostrando os métodos nefastos e criminosos das organizações sindicais ligadas à CUT, a Chapa 1 e membros do Sindicato dos Condutores da cidade destruíram os portões da subsede e roubaram 6 urnas. Dois dirigentes do PT foram levados ao Distrito Policial. Mesmo assim a Chapa 3 – Oposição Unificada obteve esmagadora maioria dos votos em Guarulhos.

    É devido a esse tipo de postura que grande parte da categoria não confia mais na direção majoritária da APEOESP, o que pode ser demonstrado na enorme queda da participação da categoria nas eleições. Os dados estaduais revelam que mais de 20% dos professores se desfiliaram e o índice de comparecimento às urnas foi de menos de 30% por cidade.

    A votação
    A eleição novamente expressou a divisão entre capital e Interior. A Oposição é a mais votada na capital e na grande São Paulo, enquanto a Chapa 1 – Bebel é a mais votada nas cidades do Interior do estado, o que pode ser visto na tabela da eleição deste ano.

    A derrota da oposição nas cidades do Interior não significa uma boa atuação da Chapa 1 nessas regiões, mas sim que a Oposição precisa crescer no Interior, pois onde os professores possuem uma alternativa à atual direção eles tendem a votar na Oposição. Exemplo disso são cidades do Interior como Campinas, Jaú e Ribeirão Preto onde a oposição está presente e há uma grande expressão na categoria. Na capital e grande SP, onde a posição também está presente, ela é mais votada que a Chapa 1.

    CHAPA

    Capital

    Grande SP

    Interior

    Total

    Chapa 1 – Bebel

    3009

    3713

    23684

    30406

    Chapa 2 – PCO

    848

    1017

    3212

    5077

    Chapa 3

    Oposição Unificada

    5236

    6463

    9873

    21572

    Em Campinas, a Chapa 3 ficou muito perto de empatar com a Chapa 1 na eleição para a Diretoria Estadual, sendo que o resultado final foi de 940 votos para a Chapa 1, 205 votos para Chapa 2 e 901 votos para Chapa 3. Ainda que saibamos que a Chapa 2, ligada ao PCO é uma chapa “terceirizada” da Chapa 1, podemos perceber que a maioria dos professores não votaram na Chapa 1.

    Além da eleição para a Diretoria Estadual, formada por chapas, houve também a eleição para o Conselho Estadual e Regional. O Conselho Estadual é uma instância acima da diretoria do sindicato e o Conselho Regional dirige as Subsedes, que totalizam 93 em todo estado. (10 na Capital, 13 na Grande São Paulo e 70 no Interior). A Oposição ganhou em todas as subsedes que já tinha maioria, além de mais 6 subsedes (Indaiatuba, Poá, Mauá, Bauru, Atibaia e Taubaté).

    O fato de a votação ser por Chapa para o Conselho Estadual e nominal para o Conselho Regional faz com que a eleição seja mais despolitizada nas regionais. Infelizmente, é comum que os professores escolham seus candidatos a partir das fotos e nomes dos materiais de campanha, estabelecendo um voto na pessoa e não no projeto político que a chapa defende para a entidade. Por isso, na votação para Conselho Estadual e Regional defendemos a votação por chapa.

    Os candidatos que compuseram a chapa da Oposição Unificada em Campinas obtiveram votação superior a 250 votos cada um, o que nos colocou em uma posição muito superior aos candidatos que compuseram a chapa dos coletivos “XV de Outubro” e “Unidade Classista”, que se recusaram a participar da Oposição Unificada em nossa subsede. Isso demonstra que a postura dos companheiros em não seguir em Campinas a unidade estadual foi um completo equívoco, o que é representado pela queda de votos dos candidatos desses coletivos em relação às eleições de 2014.

    Se tivéssemos feito uma campanha de forma unitária desde o começo, a oposição iria muito melhor do que já foi. Além disso, no momento que vivemos, de enormes ataques, a unidade se sobrepõe como uma necessidade da categoria. Devemos, portanto, deixar de lado nossas diferenças e a autoconstrução de cada coletivo para fazermos valer a vontade das professoras e professores. Esperamos que os companheiros compreendam isso e passem a fortalecer ações comuns da Oposição Unificada em Campinas.

    Uma análise detalhada dos votos
    Com as férias escolares e baixada a poeira das eleições, nos preocupamos em fazer uma análise mais detalhada dos votos para o Conselho Estadual e Regional aqui em Campinas, a fim de entender mais profundamente o processo eleitoral e nos preparar para o próximo período. Desta forma, um dos primeiros fatos que nos salta aos olhos é que todos os candidatos eleitos pela Chapa 1 tinham numeração entre 1 e 47 – curioso se lembrarmos que a ordem da numeração foi feita pela ordem de inscrição.

    Infelizmente, esta análise não pode ser feita com o completo rigor, pois a Comissão Eleitoral Regional não divulgou a votação oficial por urna, nem para os membros da Oposição que fizeram parte da Comissão Eleitoral. Só conseguimos atingir estes números através do esforço militante de nossos fiscais, que ao apurar as urnas anotavam as votações de cada um dos candidatos.

    A partir disto, podemos perceber que algumas urnas destoaram muito das outras urnas. Destacamos seis: Urna 7 – Valinhos ; Urna 8 – Valinhos; 24 – Pedreira; 25 – Cosmópolis; 27 – Cosmópolis; 32 – Paulínia. Estas urnas se destacam por algumas características específicas: fora da cidade de Campinas, sem a presença de fiscais da oposição e algumas delas por serem urnas consideradas de baixa votação (de escolas municipais e/ou rurais), mas que tiveram muitos votos nos candidatos de 1 ao 47. São elas:

    Urna 7 – Valinhos: 28 votos válidos, sendo 27 votos idênticos entre os números 1 e 47.
    Urna 8 – Valinhos: 12 votos válidos, sendo todos votos idênticos entre os números 1 e 38.
    Urna 24 – Pedreira: 58 votos válidos, sendo 57 votos idênticos entre os números 1 e 47.
    Urna 25 – Cosmópolis: 17 votos válidos, sendo 7 votos idênticos entre os números 1 e 47.
    Urna 27 – Cosmópolis: 25 votos válidos, sendo 24 votos idênticos entre os números 1 e 45.
    Urna 32 – Paulínia: 11 votos válidos, sendo 5 votos idênticos entre os números 1 e 45.

    Apesar destas não serem nem de longe as maiores urnas da subsede, as votações destoam da realidade do restante da região. Por exemplo, a Urna 7 concentra-se em escolas municipais da zona rural de Valinhos e teve a mesma votação que a Urna 41 que fica na E.E. Carlos Gomes, escola central de Campinas e a segunda maior escola da Diretoria Campinas Leste.

    Este tipo de situação acontece porque, pelas condições dadas, a Oposição não conseguiu enviar fiscais para estas e outras urnas. Quando percebemos que isto estava acontecendo, reiteramos a necessidade de analisar as atas de assinaturas dos votantes, porém fomos impedidos pela maioria da Comissão Eleitoral Regional. Mais uma vez Sueli negou direitos que estão garantidos em estatuto.

    Em um exercício para compreender a realidade dos fatos, propomos desconsiderarmos os votos destas urnas, que totalizam 132 votos. O que nos levaria a um cenário completamente diferente na composição do Conselho em Campinas (observe na tabela abaixo).1

    Segundo o resultado oficial, a Oposição Unificada não conseguiu eleger nenhum Conselheiro Estadual. Caso estes 132 votos fossem desconsiderados, a Oposição teria eleito 17 dos 38 conselheiros estaduais. Isto obedeceria fielmente a mesma proporção da votação estadual, na qual a Oposição Unificada obteve 44% dos votos válidos, e neste caso teria 44,7% dos Conselheiros Estaduais em Campinas.

    Com isto não queremos parecer mal perdedores, queriamos simplesmente que a vontade da categoria fosse expressada pela democracia e transparência do processo. Como dito antes, fazemos isto para realizarmos um balanço coletivo e a luz dos fatos do processo eleitoral na subsede de Campinas. Como podemos perceber, essas distorções acontecem exatamente nas urnas onde a oposição não conseguiu fiscalizar. Para evitarmos que isso se repita só há uma forma: ampliarmos a fiscalização, convencendo os professores dessas escolas a fiscalizarem as urnas.

    Classificação

    Nome

    Votação Oficial

    Nome2

    Votação “Virtual”

    1

    Suely Oliveira

    905

    Suely Oliveira

    773

    2

    Bernadete

    784

    Bernadete

    652

    3

    Hamed

    776

    Hamed

    644

    4

    Eduardo Martins

    772

    Eduardo Martins

    640

    5

    Neli

    744

    Neli

    612

    6

    Ulisses

    734

    Ulisses

    602

    7

    Marcos Cesar

    733

    Marcos Cesar

    601

    8

    Solange Pozzuto

    691

    Solange Pozzuto

    559

    9

    Perreira

    657

    Perreira

    525

    10

    Silvia Helena

    653

    Silvia Helena

    521

    11

    Ademilde

    649

    Ademilde

    517

    12

    Hélio

    647

    Hélio

    515

    13

    Maria Helena

    618

    Maria Helena

    486

    14

    Débora

    608

    Eunice

    486

    15

    Patrícia de Lião

    606

    Danilo Magrão

    483

    16

    Hadriel

    584

    Débora

    476

    17

    Arlete

    583

    Patrícia de Lião

    474

    18

    Adson

    576

    Kátia Sartori

    472

    19

    Shirley

    552

    Iara Lage

    468

    20

    Gislaine Marangoni

    551

    Ana Paula

    463

    21

    Caio Aguiar

    549

    Grazi

    462

    22

    Maria Julia

    547

    Adson

    456

    23

    Cristiane

    546

    Hadriel

    452

    24

    Adriel

    535

    João de Regina

    452

    25

    Aparecida

    534

    Arlete

    451

    26

    Rosa

    533

    Lívia Tonelli

    451

    27

    Mariza

    530

    Tatiane Silva

    450

    28

    Victorio

    529

    Berê

    448

    29

    Mariela

    528

    Keka Boaventura

    443

    30

    Larissa

    527

    Amanda Menconi

    441

    31

    Marina

    525

    Naná Cosme

    440

    32

    Érica

    515

    Cidinha

    439

    33

    Sandra Omitto

    510

    Carlinhos

    439

    34

    Eliane Aparecida

    506

    Cauê Campos

    438

    35

    Maria Dutra

    505

    Pamela Penha

    436

    36

    Emerson

    504

    Paula Souza

    433

    37

    Fernando Henrique

    501

    Valdecyr

    432

    38

    Dosvaldo

    499

    Antonio Juninho

    430

    39

    Reginaldo José

    499

    Maria Julia

    427

    40

    Eliana de Cássia

    498

    Flávia Leite

    427

    41

    Juliana

    488

    Chico Nery

    424

    42

    Eunice

    486

    Oscar

    422

    43

    Danilo Magrão

    483

    Shirley

    420

    44

    José Carlos

    481

    Gislaine Marangoni

    419

    45

    Kátia Sartori

    472

    Maria Clara Amon

    418

    46

    Iara Lage

    468

    Caio Aguiar

    417

    47

    Ana Paula

    463

    Vitório Zago

    417

    48

    Grazi

    462

    Ana Carolina Fulfaro

    417

    49

    Carlos Eduardo

    460

    Cristiane

    414

    50

    João de Regina

    452

    Beto Simões

    412

    A Oposição e as regiões
    Lançamos também um olhar para a votação da Oposição nas regiões das 96 urnas. Tradicionalmente duas regiões se destacaram como áreas que votam majoritariamente na Oposição: 1) Campo Grande e John Boyd Dunplop e 2) Ouro Verde e DIC’s. As escolas centrais e das cidades menores majoritariamente votavam na direção da subsede. Grosso modo, esta situação perdura. Mas se lançarmos um olhar a longo prazo percebemos que a região do Ouro Verde e DIC’s é um verdadeiro bastião da Oposição, e desta forma, deve ser defendido e fortalecido. Não é para menos, muitos de nós trabalha ou trabalhou nestas regiões. Na região do Campo Grande e da John Boyd Dunplop fomos bem votados, mas ainda há espaço para crescer na região.

    Desde a última eleição, muitos professores das escolas das regiões centrais de Campinas passaram a votar no Coletivo “XV de Outubro” e isto se repetiu nas eleições de 2017, mesmo que em menor número, o que provavelmente se deve ao fato dos companheiros não terem fortalecido a Oposição Unificada em Campinas. Mas isso demonstra que há uma perspectiva de Oposição nos professores dessas escolas e, por isso, devemos ampliar nossa dedicação nas escolas do centro de Campinas.

    É interessante notar a transformação de duas cidades: Valinhos e Vinhedo. Antes bastiões da Chapa 1, a partir da greve de 2015 e o contato de jovens professores com o sindicato e Oposição, a situação se inverteu nas eleições de 2017. Diversos candidatos da Oposição Unificada foram muito bem votados nestas regiões, mas ainda há muito espaço, apesar de serem compostas por escolas menores.

    As cidades do Interior, como Pedreira, Paulínia e outras, seguem tendo votos majoritariamente na Chapa 1, mas alguns votos “pingados” demonstram que mesmo que nosso material não chegasse em muitas dessas escolas, há professores descontentes com a atual direção da APEOESP.

    E daqui para frente?
    Acreditamos que este processo eleitoral pode nos deixar três grandes lições, que, inclusive, podem ser generalizadas para todo o estado:

    1) As direções majoritárias de nosso sindicato e das centrais que a compõe (CUT e CTB), infelizmente, não colocarão a luta em defesa de nossos direitos como prioridade de suas ações. Isto ficou nítido com o não adiamento das eleições para que pudéssemos participar do #OcupaBrasília com os demais trabalhadores brasileiros. A prioridade dessas direções sindicais e políticas é a própria manutenção de seus privilégios e benesses dentro dos sindicatos, partidos e centrais sindicais.

    2) Ameaçada pela unificação da Oposição, a Chapa 1 ampliou ainda mais seus métodos nefastos e demonstrou-nos a necessidade de fiscalização e olhos vivos em todas as urnas para garantirmos que a vontade da categoria seja expressa. Só conseguiremos isto através da ampliação do convencimento do professorado de construir uma alternativa à atual direção do sindicato.

    3) A unificação das Oposições foi uma enorme vitória. Para além da votação estadual e da conquistas de 6 novas subsedes, houve uma ampliação dos votos nos conselheiros, tanto em nível estadual como na região de Campinas. Além disso, escancarou ainda mais o desgaste com Bebel&Cia, os professores e professoras de Campinas estão com a Oposição.

    O nosso futuro e da APEOESP, principalmente em Campinas, está em nossas mãos, precisamos tomar essas lições e realizar algumas tarefas no futuro próximo.

    É preciso ampliarmos, ainda mais, nossa inserção em cada uma das escolas. Devemos convencer todos os professores que se identificam com o sentimento de mudança a se sindicalizarem e se elegerem como Representantes de Escolas. As Reuniões de RE são espaços de disputa política e devemos expressar os 44% de votos que obtivemos nestes espaço, acabou a moleza para Suely&Cia.

    Com a demonstração da vitória que foi a oposição unificar-se, precisamos manter a unidade criada no período eleitoral, superar nossas diferenças e criar um polo de atuação e resistência a esquerda de Suely&Cia. Tomemos esses 17 conselheiros “virtualmente” eleitos, como conselheiros de fatos e façamos uma campanha contínua de passagem em escolas para disputarmos as mentes e corações dos professores de Campinas para oposição. Se muitos professores não confiam na atual direção do sindicato e se desfiliam, façamos uma ampla campanha de filiação e de estímulo a eleição de REs, uma vez que só assim conseguiremos frear a forma como o sindicato tem sido conduzido há décadas.

    Nesse sentido, convocamos todas as organizações de oposição, professores independentes e qualquer um que queira conhecer a oposição a construir conosco a Oposição Unificada em Campinas e toda região metropolitana. Não podemos deixar que nossas diferenças façam com que a atuação da direção tenha sossego, é preciso que nos próximos três anos e daqui pra frente a Oposição se fortaleça.

    Por isso, neste primeiro momento, acreditamos que seja fundamental nos encontrarmos antes do RR (Hotel Vila Rica, às 14h) para fazermos um balanço comum dos acontecimentos recentes, e, principalmente, discutirmos nossa atuação na Reunião de Representantes e no semestre que se inicia. Esta deve ser uma primeira reunião da Oposição Unificada pós eleições que possibilite pensarmos conjuntamente os próximos passos que daremos em unidade, no sentido de fazer com que a Oposição Unificada exista no dia a dia em lutas e campanhas comuns nas escolas.

    Imagem: Reprodução Apeoesp

  • Universidade Federal de Sergipe pode fechar em Outubro

    Por Everton Vasconcelos, de Aracaju, SE

    Universidade Federal de Sergipe só teria verba até setembro

    A Universidade Federal de Sergipe, a única universidade pública do estado, corre o risco de fechar as portas em outubro. De acordo com nota divulgada pelo Sindicato dos Trabalhadores Técnico Administrativos da Universidade Federal de Sergipe (SINTUFS) “o reitor Ângelo Antoniolli admitiu em reunião informal com representantes das três categorias e, antes disso, em nota publicada no portal UFS, que havia possibilidade de dificuldades em honrar pagamentos a partir de outubro, mas descartou a possibilidade de fechamento da UFS, embora não tenha informado de onde sairiam os recursos para garantir isso.”

    Sendo assim, foi realizado um intenso ato organizado por toda a comunidade acadêmica da instituição com a intensão de tornar público o caos que pretende se instaurar no ensino público superior brasileiro.

    Acompanhamos com perplexidade os últimos desdobramentos na politica brasileira. O “grande acordo nacional” anunciado por Romero Jucá, para salvar os parlamentares corruptos e o Temer está sendo colocado em prática. Para que isso aconteça, Temer e seus aliados têm liberado verbas para as bancadas mais conservadoras e reacionárias do parlamento, na intenção de comprar votos de forma aberta e midiatizada, um montante que somado pode chegar aos 10 bilhões de reais, dinheiro que seria muito bem utilizado para sanar as necessidades dos trabalhadores e da juventude do país.

    Todo esse dinheiro poderia ser usado, por exemplo, para manter as Instituições Federais de Ensino (IFES) em funcionamento. Vivemos um verdadeiro desmonte das universidades e institutos federais. Em agosto de 2016, o Governo Federal já anunciava que o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2017 sofreria um corte de 20% na área de educação, em comparação com o ano de 2016. O comunicado foi alvo de diversas críticas, principalmente vindas das entidades de classe presentes nas instituições de ensino. Contudo, é importante saber que medidas como estas vem sendo utilizadas desde o governo Dilma, quando houve o corte de 7 bilhões de reais dos recursos para educação. Algumas universidades já sentem quais setores serão mais atingidos com os cortes.

    Nos últimos meses de 2016, o Brasil passou por uma crise político-econômica e várias medidas tomadas ainda na administração da gestão de Dilma Rousseff foram reavaliadas no atual governo de Michel Temer. Um exemplo é o Projeto de Lei Orçamentária Anual para 2017. De acordo com informações divulgadas no portal do Ministério da Educação (MEC), o governo anterior cortou 60% do orçamento de 2016 para investimentos nas universidades e institutos. Com isso, o volume caiu de R$ 1,9 bilhão para R$ 787 milhões. Nos institutos, a redução foi de R$ 724 milhões para R$ 296 milhões.

    É salutar compreender, ainda, que este projeto de desinvestimento pretende se intensificar nos próximos anos vide a PEC 241, a Proposta de Emenda Constitucional limitará os gastos públicos federais por 20 anos. Assim, o limite de gastos anuais não recebem investimento e o acréscimo se limita apenas a correção da inflação anual. Estas questões se aplicam às áreas de saúde e educação e tem início previsto para o ano de 2018. Isso significará, inevitavelmente, a estagnação e/ou regressão social de gerações.

    Os reflexos destas medidas já fazem efeito nas IFES pelo Brasil. UFJF, UFAL, UFS entre outras instituições já demonstraram publicamente que não possuem recursos suficientes para fechar o ano de 2017. A UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) suspendeu as aulas por tempo indeterminado e nem sequer iniciou o ano letivo de 2017.

    Diante deste panorama se faz urgente organizar a partir da unidade entre trabalhadores e estudantes um calendário nacional de lutas que vise combater os ataques deste governo corrupto e ilegítimo que tem como objetivo fim a privatização do ensino superior, é preciso mandar um recado a Temer e seu bando: Não permitiremos que nos arranquem direitos e que capitalizem nossos sonhos. Resistiremos!

  • Petroleiros do Unificado de São Paulo vão ao Congresso da FNP

    Por: João Gabriel Almeida, do ABC, SP

    O período aberto após o golpe nos trabalhadores concretizado com a posse de Temer tornou ainda mais difícil e ameaçador o dia a dia do petroleiro. E isso aconteceu de todas as formas possíveis: desde o flagrante aumento de acidentes nas áreas industriais; a condição de insegurança imposta pelas tentativas intransigentes da empresa em reduzir o efetivo de técnicos administrativos, técnicos de manutenção e operadores nas refinarias; a ameaça constante de privatização ou até mesmo desativação de plataformas, termelétricas, complexos petroquímicos, etc; o aumento de pressão sobre o ACT após o desmonte da CLT efetivado na “reforma trabalhista”.

    Apesar de tudo isso, os trabalhadores petroleiros primeirizados e terceirizados reagem. Tanto com movimentos como o Reage CENPES e a AEPET, quanto atendendo ao chamado das federações FUP e FNP nas bases em que elas dirigem.

    A greve geral de 28 de abril demonstrou que quando as centrais se uniram em torno de uma pauta e calendário comuns, os trabalhadores paralisaram fábricas, escolas, além dos transportes das maiores cidades do país. No dia 30 de junho, os petroleiros foram a vanguarda dessa luta.

    A Petrobras, assim como toda a equipe econômica do governo, está apenas de olho nas demandas do mercado financeiro e do capital estrangeiro. Mas isso não altera o poder que tem os trabalhadores que de fato são os que produzem e põe a mão na massa. É possível dar a volta por cima! E isso só acontecerá com a união e organização da categoria.

    Congresso da FNP como forma de preparar a resistência
    No dia 8 de agosto, às 18h, na UFABC Santo André, teremos a eleição de delegados da oposição unificada de São Paulo para o congresso da FNP, um dos importantes espaços de discussão sobre os rumos da organização dos petroleiros. Chamamos a todos e todas para atividade onde, além da eleição de delegados, podemos discutir e construir juntos uma alternativa para a defesa da Petrobras, em defesa da vida dos petroleiros, e por nem um direito a menos no ACT 2017.

    O grupo de oposição ao Sindipetro-SP acredita que o poder de reação e a disposição do Petroleiro ainda não foram observadas com toda a sua força. O potencial de reação ainda está limitado por muitos dos dirigentes sindicais, pela falta de diálogo entre as federações e pela ideia de parte do movimento sindical e da categoria de que a reviravolta da situação está em outro lugar que não as nossas próprias forças a mobilização direta.

    Nesse congresso da FNP, poderemos expressar o nosso empenho por uma mesa de negociação entre FUP e FNP, por um calendário e um comando unificado de mobilizações e não uma chamada unilateral para que um participe das mobilizações organizadas pelo outro. Só assim, teremos força suficiente para barrar definitivamente essa direção golpista de Temer e Parente sobre a Petrobras.

    Foto: FNP

  • Municipários de Porto Alegre fazem grande ato

    Por Pedro, de Porto Alegre, RS

    Após 7 meses de ataques aos serviços públicos de Porto Alegre, o governo Marchezan apresenta um pacote de projetos de lei na Câmara de Vereadores que visam destruir o plano de carreira dos servidores municipais e privatizar departamentos municipais.

    Os projetos apresentados no final do dia de sexta-feira visam acabar com a licença prêmio (projeto 07/17); privatizar a água e esgoto (projeto 10/17); terminar com o triênio, avanços com 15 e 25 anos de carreira, assim como muda as regras dos regimes complementares de trabalho (projeto 11/17) e permite parcelar e atrasar o pagamento dos funcionários (projeto 08/17).

    Os municipários não demoraram a responder, hoje (01/08/17) fizeram um grande ato no paço municipal que contou com apresença de mais de 1500 pessoas. Somaram-se ao ato os professores estaduais, que decretaram greve até terem seus salário integralizados pelo governador Sartori, que iniciou o parcelamento dos salário com parcelas de R$650,00. Também diversos Vereadores e Deputados estiveram presentes no ato, prestando solidariedade aos municipários.

    Categoria demonstra na rua que o governo terá que enfrentar muita luta se tentar atacar os direitos conquistados pelos trabalhadores de Porto Alegre.

    Os Municiparios no dia 2, quarte-feira, farão seu CORES (Conselho de Representantes do sindicato), para marcar data de assembleia que deve organizar os próximos passos da luta.

    É muito importante que essa nova assembleia tenha massiva presença dos servidores e que juntos tirem um plano de lutas que impeça esse novo ataque, que demonstra que Marchezan tem um único objetivo, destruir com o serviço público municipal, para abrir espaço para os empresários, através das privatizações e das parcerias público privadas.

    #Não ao Pacotão!

    #Fora Marchezan

    Foto: Simpa

  • Nota coletiva de repúdio à disciplina casa grande

    Publicado originalmente no facebook do DAEA UFMG.

    Belo Horizonte, Julho de 2017

    À comunidade,

    Nós, estudantes do curso de Arquitetura e Urbanismo, representados pelo Diretório Acadêmico da Escola de Arquitetura da UFMG viemos expressar nossa indignação quanto ao racismo e desrespeito contidos no nome e no programa da disciplina de projetos flexibilizados (Pflex) “Casa Grande” ofertada pelo professor Otávio Curtiss.

    Historicamente, a casa grande e a senzala, em hierarquia, sempre se delinearam como pilares da ordem escravocrata no Brasil, estruturada em uma produção latifundiária completamente controlada pelo senhor do engenho, que tentava exercer poder sobre a vida de seus escravos, empregados e moradores. Após 129 anos da abolição da escravidão no Brasil, no entanto, a estrutura escravocrata ainda segue presente no cotidiano brasileiro. Como discutido em diversas disciplinas na EAD-UFMG, o quarto de empregada, por exemplo, tem como origem a segregação escravista. Ele surge como uma solução para separar empregados e patrões que permaneceram vivendo juntos após a abolição, em 1888. Com o crescimento das cidades e a verticalização urbana, as novas soluções de moradia mantiveram soluções arquitetônicas que perpetuam a separação entre patrões e empregados.

    Ao propor um projeto localizado em um condomínio de alto padrão de Nova Lima com a organização de uma zona íntima de 5 suítes com banheiro completo e rouparia e, paralelamente, uma zona de serviço composta de cozinha, lavanderia, despensa, depósito, quartos e banheiros para 8 empregados, o professor Otávio Curtiss incentiva os discentes a projetarem uma casa grande que incorpora a senzala e reforça os moldes de dominação em pleno século XXI. O programa da disciplina, agravado pelo nome, explicitamente fere e desrespeita estudantes que, em diferentes níveis, conseguem subverter a ordem escravista ainda existente no Brasil.

    Sendo assim, questionamos a quem contempla a construção da grade curricular e a arquitetura fomentada pela universidade na formação dos alunos do curso voltada para uma classe elitista, a qual parte dos graduandos da escola de Arquitetura e Urbanismo da UFMG, pretos, pobres e advindos de escolas públicas, não pertencem. Com essa proposta, o professor Otávio Curtiss reforça os padrões sociais que vão ao encontro das estruturas do Brasil Colônia e fogem da realidade da maioria dos indivíduos que compõem a população brasileira, utilizando a proposta da disciplina para justificar a produção de uma arquitetura racista.

    Questionamos também a posição do Departamento de Projetos em permitir a oferta da disciplina uma vez que está explícita as problemáticas do termo e do conteúdo propostos. O racismo institucional presente na Escola de Arquitetura vai de encontro a todos os esforços de inclusão expressados pela UFMG. Mais uma vez, os setores reacionários da universidade estão pouco preparados para receber a diversidade sociocultural do novo perfil de seus estudantes, reforçando suas estruturas racistas e como elas representam uma forma de dominação na sociedade atual.
    Dessa forma, ressaltamos nossa inflexibilidade em aceitar uma disciplina que perpetue o racismo. Exigimos um parecer do Departamento de Projetos em relação à pretensão do professor Otávio Curtiss e à proposta da disciplina, bem como seu cancelamento.

    Diretório Acadêmico da Escola de Arquitetura e Design da UFMG
    Link para PDF > http://bit.ly/2v1Xuk3

  • URGENTE | Juíza dá prazo de três horas para reintegração de posse de fazenda de Ricardo Teixeira, em Piraí

    Da Redação

    Juíza da comarca de Piraí autoriza reintegração de posse na fazenda de Ricardo Teixeira no prazo de até três horas. Caso a desocupação não for efetuada, a juíza recomenda o uso da força. Fazenda do ex-presidente da CBF fica na Estrada da CoopLand, em Piraí, no estado do Rio. Foi ocupada às 3h, por integrantes do MST. Acampamentos estão sendo montados desde a madrugada.

    “Defiro liminarmente a reintegração do autor na posse do imóvel situado na Estrada Hugo Lemgruber Portugal, n. 13.300, Santanésia, nesta cidade”, diz a decisão. Ainda, a juíza decidiu conceder aos participantes do MST que lá se encontrem o prazo de 3 (três) horas, a contar da intimação da presente decisão, para que seja feira a desocupação. Caso contrário, “Escoado o prazo estabelecido e não havendo desocupação voluntária ou pacífica, caberá ao Oficial de Justiça empreender a desocupação forçada, valendo-se de força policial, cuja requisição para cumprimento da presente ordem resta”, completa a decisão.

    Ainda de acordo com a Juíza, no ato, o oficial de justiça deve “identificar os líderes do movimento e o número de acampados no local; e fazer um levantamento dos bens que foram objeto de dano, destruição e deterioração”. E em caso do que chamou de “nova turbação ou esbulho”, poderá ser aplicada “multa diária de R$ 30.000,00 (trinta mil reais)”.

    Veja a decisão na íntegra