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  • Venezuela: Maduro vence eleições, mas a situação do país é crítica

    Neste último domingo, 20 de maio, ocorreram as eleições presidenciais e parlamentares regionais na Venezuela. Tal calendário foi aprovado pela ANC (Assembleia Nacional Constituinte) de 2017, que superou o velho Congresso Nacional como instituição parlamentar daquele país e, por isso, tem sido contestada pelo imperialismo norte-americano e sua subordinada OEA (Organização dos Estados Americanos).

    O Conselho Nacional Eleitoral, através de sua presidenta, Tibisay Lucena, divulgou o resultado por volta das 23h15 (horário de Caracas), com uma totalização de 93% das urnas, apontando tendências irreversíveis. A disputa presidencial teve quatro candidatos e um total de 8,6 milhões de votantes. O atual presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, da Frente Ampla da Pátria/PSUV (nacionalismo governista) obteve 5.823 milhões de votos (67,6%); Henri Falcón, apoiado pelo MAS e COPEI (social cristão) alcançou 1.820 milhões de votos (21,15%); Javier Bertucci, da Esperança pela Mudança (direita evangélica), recebeu 925 mil votos (10,7%) e Reinaldo Quijada, da Unidade Política Popular 89 (UPP89, esquerda, ex-PSUV) obteve 34 mil (0,4%).

    O cenário que marca as eleições deste ano é o da não superação da crise econômica do país, com altas taxas de inflação e desabastecimentos de bens de consumo, e uma forte divisão da antiga MUD (Mesa Unidade Democrática), a oposição de direita, que, desde que patrocinou o derrotado boicote às eleições para Assembleia Constituinte em julho de 2017, saiu extremamente desmoralizada e sem forças, ante um forte comparecimento para a eleição e uma evidente legitimidade popular alcançada com sua instalação, em agosto do ano passado.

    A MUD, então hegemonizada pela direita pró-imperialista, que havia apostado numa derrubada de Maduro pela via dos enfrentamentos de rua com os métodos fascistas das “guarimbas” (corte de estradas e ruas combinadas com agressões e assassinatos de chavistas), além do fracassado boicote da ANC, foi fragorosamente derrotada nas eleições regionais nos Estados, em outubro de 2017, onde o chavismo havia vencido a 20ª vez das 22 que foram eleitas depois de iniciada a etapa nacional-bolivariana. Tanto na eleição para a ANC quanto nas regionais, a grande mídia empresarial, agências internacionais e porta-vozes da direita levantaram acusações de fraude antes mesmo de iniciar a apuração dos votos.

    Um setor da MUD, Henri Falcón, apoiado pela COPEI e MAS, nas presidenciais apresentou uma plataforma de centro-direita cujos eixos principais foram a defesa de um pacto nacional de reconciliação, o respeito à institucionalidade e como medida imediata de choque econômico a defesa da dolarização da economia (no modelo que já foi tragicamente implantado no Equador) para atrair investimentos externos direitos como forma de tirar o país da crise. Falcon, militar dissidente do chavismo, apoiado pelo setor moderado da MUD, no entanto, foi seriamente prejudicado pelo chamado ao boicote da extrema-direita da MUD, haja vista que houve um alto índice de abstenção que poderá chegar a cerca de 50% dos eleitores aptos a votar.

    Os setores populares que apoiam o governo Maduro, sabendo que as alternativas direitistas de Falcon e Bertucci não resolveriam a crise do país senão que poderiam piorá-la, iniciando um tratamento de choques neoliberais, preferiram não vacilar com a direita e votaram novamente no chavismo.

    Diante da realização soberana destas eleições presidenciais, o Departamento de Estado Americano (DEA), órgão do governo imperialista dos Estados Unidos cuja missão na América Latina tem sido intervir na vida política dos países que não se dobram aos ditames de Donald Trump, apoiado pelos governos títeres de Colômbia, Argentina e Brasil, já havia exortado o mundo a não reconhecer o resultado eleitoral. Trata-se de mais uma tentativa para desestabilizar o país latino-americano para novamente recriar um clima para uma tentativa de golpe ou intervenção externa no país.

     

    Avançar rumo à independência econômica e ao socialismo

    A Venezuela encontra-se em uma forte crise econômica. O embargo imposto por Trump aumenta a falta de bens de consumo, de alimentos medicamentos e de divisas. A hiperinflação chega à casa astronômica dos 750% mensais e ataque especulativo à moeda é brutal.

    Em que pese a guerra não declarada por parte do imperialismo, existe o problema que, depois de 20 anos de governo, o chavismo não superou a dependência da renda petroleira, que segue sendo a principal matriz econômica produtiva do país. Sem um parque industrial e uma produção agrícola nacionais, a Venezuela seguirá dependendo das importações de bens de consumo o que a torna totalmente vulnerável aos capitalistas especuladores, aos rentistas e ao imperialismo.

    A política econômica levada a cabo pelo governo Maduro, além de insuficiente para fazer frente ao cerco imperialista, não resolve a crise econômica que penaliza os trabalhadores.

    É urgente um plano de investimento maciço dirigida à produção de bens, a planificação centralizada da produção e distribuição, o monopólio do comércio exterior – ninguém importa nem exporta senão sob controle estrito do Estado -, a nacionalização dos bancos, a suspensão do pagamento da dívida externa e controle das transações financeiras. Em outras palavras: é necessário colocar um fim à economia mista e iniciar uma transição real ao socialismo. Os trabalhadores devem elaborar e controlar a aplicação do plano – seja em termos de produção, distribuição e dos preços e eliminar a corrupção encrustada nos meios estatais.

    A defesa da soberania nacional e da vontade popular eleitoral expressa nas urnas deve ser uma tarefa da esquerda latino-americana. Trata-se até mesmo de uma condição básica para a necessária crítica para mudanças de rumos no país, não pelas mãos do imperialismo e dos golpistas da MUD, mas pela força da classe trabalhadora e de seus aliados.

  • M5E e Liga chegam a um acordo: coalizão populista e de extrema-direita governará Itália

    Depois de quase três meses de negociações e uma ameaça de novas eleições feita pelo presidente Sergio Mattarella, o Movimento 5 Estrelas (M5E) e a Liga chegaram finalmente a um acordo de governo. No dia 19 de maio, sexta-feira, foi divulgado o “Contrato para um Governo de Mudança”, a base programática da nova coalizão. Também foi criado o “Comitê de Reconciliação”, que irá reunir o primeiro ministro (ainda a ser decidido) mais os líderes do M5E e Liga, Luigi Di Maio e Matteo Salvini, respectivamente.

    União Europeia
    Em relação à União Europeia, a coalizão decidiu recuar tanto na proposta de fazer um referendo para uma possível saída da EU como da moratória de 250 bilhões da dívida italiana com o Banco Central Europeu. O que foi anunciado são iniciativas genéricas como “revisão da política fiscal e monetária da UE” ou “revisão das regras do mercado único”. No entanto, na parte econômica do programa de governo consta a oposição às propostas de acordos de livre comércio entre a UE e os Estados Unidos, conhecido como TTIP (Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento), e entre a UE e o Canadá, o CETA (Acordo Integral de Economia e Comércio). O novo governo promete ainda reforçar a indústria nacional, como é o caso da recriação da companhia aérea Alitalia e a construção de um trem de alta velocidade entre Turin e Lyon.

    Economia doméstica
    Já na parte econômica doméstica foi estabelecida a criação da “renda básica cidadã” de 780 euros por mês para famílias pobres com cidadania italiana, principal proposta do 5 Estrelas durante a campanha. Também será aplicado o imposto único sobre o rendimento de pessoas e empresas, política econômica proposta pela Liga, que implicará a diminuição da taxação sobre grandes empresas e redução do orçamento público. Está prevista ainda a anulação da reforma previdenciária de 2011 que subiu a idade mínima da aposentadoria para 67 anos.

    Os mercados reagiram fortemente contra estas medidas, afirmando que elas aumentam o orçamento público via renda cidadã e o cancelamento da reforma previdenciária, ao mesmo tempo em que diminuem a arrecadação via corte de impostos sobre grandes empresas. Este fato torna provável a fuga de capital estrangeiro do país e chantagem dos bancos contra o governo italiano, que enseja confrontar certas medidas de austeridade da UE.

    Imigração
    O ponto mais preocupante do programa apresentado pelos partidos é o que tange o tema da imigração e dos refugiados. Foi estipulada a aplicação imediata de um plano de deportação de 500 mil refugiados residentes na Itália em um prazo de 18 meses. Para tanto, serão expandidos os “Centros de Permanência Temporários”, onde os refugiados ficariam presos até serem enviados aos seus países de origem, por definição atingidos por guerras, miséria ou repressão política.

    Determina também o cancelamento da participação da Itália nas missões da UE no Mar Mediterrâneo para resgatar refugiados em situação de risco. Ou seja, o novo governo irá boicotar as iniciativas já insuficientes da UE para impedir as dezenas de milhares de mortes de refugiados que ocorrem nas águas europeias. Desde 2014, quase 24 mil refugiados morreram ou desapareceram, sendo que metade foi no trajeto entre a África do Norte e Sul da Europa.

    Por fim, será criada ainda uma lei especial para “impedir a difusão do radicalismo islâmico”, que prevê o registro de Imãs, líderes religiosos muçulmanos, e o fechamento de mesquitas acusadas de propagar o islamismo radical. Contudo, esta lei irá ameaçar a liberdade de culto à religião muçulmana pois quem irá julgar os Imãs e as mesquitas são os próprios fiscais islamofóbicos apontados pela Liga, que acreditam que o Al Corão (livro sagrado muçulmano) é islâmico radical em si mesmo.

    Política externa
    Em relação à política externa, os partidos anunciaram que não irão contestar a participação da Itália na OTAN, mesmo mantendo seu posicionamento favorável à Rússia na região da Ucrânia e Síria. Contudo, ainda que a Itália permaneça na OTAN, a coalizão M5E-Liga anunciou que se opõe às sanções econômicas impostas à Rússia em 2014 pela anexação da Crimeia, fato que pode gerar conflitos com os norte-americanos, principais defensores e aplicadores das medidas tomadas contra a Rússia.

    A direita extrema-direita avança na Europa
    Assim como nas “eleições perigosas” de 2017 na Europa – França, Holanda e Alemanha – a Itália confirma o paradigma político que percorre o continente: o avanço da direita e da extrema direita. Agora a UE já possui quatro países em que a extrema direita se encontra no governo – Polônia, Hungria, Áustria e, agora, Itália.

    Porém, o caso italiano tem uma particularidade importante. Os dois partidos tradicionais do establishment político – Partido Democrático (PD) e Força Itália – foram substituídos por partidos populistas de direita e de extrema direita. Apesar de isso já ocorrer na Polônia e Hungria, essa situação é inédita nos países mais ricos da Europa. Na Áustria, onde o Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ em alemão), de extrema direita, está no governo, ele é parte minoritária da coalizão, dividindo-a com o tradicional partido liberal, o Partido do Povo Austríaco (ÖVP, em alemão).

    Após as eleições de março há uma dinâmica de crescimento da extrema direita italiana a partir da coalização. Uma recente pesquisa de opinião aponta que a popularidade da Liga subiu de 18% para 25%, enquanto o M5E permanece com 32%. Por outro lado, o grande bastião do 5 Estrelas é a região Sul da Itália, que enxerga a Liga ainda quanto a Liga “Norte”, que queria se separar do sul italiano pelo seu racismo e xenofobia. Por isso não se pode descartar uma dinâmica de queda na popularidade do M5E nos próximos meses pela aliança com a Liga, inclusive deserções de parlamentares descontentes com a coalizão.

    Sob a sombra de Trump
    Pouco antes das eleições de março, Steve Bannon, ex-estrategista do governo Trump e articulador do Brexit, esteve na Itália. Afirmou ser o país mais propício a entrar na tendência do neo-nacionalismo econômico de direita. Bannon é um dos principais articuladores do neofascismo contemporâneo, que há anos vem articulando laços com a extrema direita europeia.

    Não por acaso, o novo governo italiano adota uma postura comercial mais protecionista, similar ao America First (América Primeiro) de Donald Trump. Desde que chegou ao governo em 2017, Trump cancelou o acordo comercial TPP (Parceria Trans-Pacífica) entre os EUA e os países do oceano pacífico e incentivou a reconstrução da indústria nacional por meio de medidas protecionistas como o aumento das tarifas de importação de aço e alumínio.

    O novo governo italiano encabeçado pela coalização é um governo populista de direita, reacionário, xenofóbico e nacionalista. A renda mínima cidadã e outra medidas anti-austeridade não devem confundir o real caráter do governo. A Liga representa a entrada de um partido composto pela extrema-direita dentro do Poder Executivo da terceira maior economia da UE.

    Resultado eleitoral: veja quem é quem na Itália
    O partido vencedor das eleições italianas de março deste ano foi o populista Movimento 5 Estrelas (M5E) que atingiu 32,7% dos votos, um salto de 8% em relação à 2013. Apesar de o M5E ter sido o partido que individualmente ficou em primeiro lugar, a Coalizão de Direita foi quem obteve a maior votação conjunta, atingindo 36,1% dos votos. A coalizão é formada pela Liga, que recebeu 17,4%, a Força Itália (14%) e os Irmãos de Itália (4,3%). No total, a Coalizão recebeu 12 milhões de votos, 2 a mais que em 2013, mas ainda distante dos 18 milhões em 2001 e 17 milhões em 2007.

    Movimento 5 Estrelas
    O M5E é um caso sui generis na política europeia. Fundado em 2009 pelo comediante Beppe Grillo e o empresário Davide Casaleggio, o 5 Estrelas é o principal partido opositor à União Europeia (UE) no país. Defende um programa econômico reformista, em defesa da renda mínima universal e contra a austeridade fiscal da UE, ao mesmo tempo que apoia a restrição da chegada de refugiados na Itália, associada por eles à política de “portas abertas” da chanceler alemã Angela Merkel em 2015.

    Ainda, apesar de ter sido contrário às reformas neoliberais de Renzi (ex-primeiro ministro), o M5E não promoveu atos de rua nem impulsionou um movimento de massas nesse sentido. Por isso, não pode ser enquadrado entre os novos partidos de esquerda europeia – Podemos, Siryza, França Insubmissa – tampouco entre os de extrema direita – AfD, Frente Nacional, UKIP. Trata-se, portanto, de um populismo neo-nacionalista, cujo programa combina políticas de esquerda e direita.

    A Liga
    Apesar da Coalizão ter recebido uma quantidade de votos na média das últimas eleições, ocorreu uma radicalização do campo direitista. A Força Itália, do ex-primeiro ministro Berlusconi, foi substituída como liderança da Coalizão pela Liga, um partido com sérias inclinações neofascistas. Conhecida anteriormente como Liga Norte, a Liga abandonou o seu programa separatista voltando com seu discurso xenofóbico em relação aos imigrantes africanos e em defesa de uma suposta “identidade italiana”. Desde a crise dos refugiados, a Liga teve uma ascensão meteórica, crescendo 13% desde as eleições de 2013, às custas dos 8% perdidos pela Força Itália.

    Irmãos de Itália
    Menores, porém, não menos relevantes, são os quase 5% de votos alcançados pelos Irmãos de Itália. Este partido, fundado em 2012, é o herdeiro do neo-fascismo pós-Guerra do Movimento Social Italiano (1946-1995) e da Aliança Nacional (1995-2009). Os “Irmãos” são apoiados pelos movimentos neofascistas Casa Pound, Forza Nuova e La Destra, que apesar de não terem espaço político-institucional, organizam ataques à grupos de refugiados e estão ganhando cada vez mais espaço em atos de rua.

    Partido Democrático
    O Partido Democrático (PD) foi o grande derrotado das eleições, perdendo cerca de 2 milhões e meio de votos em relação à 2013, chegando à casa dos 18,7%. Apesar de ser o herdeiro do Partido Comunista Italiano, seu último ministro, Matteo Renzi, era originalmente da antiga Democracia Cristã. Ele aplicou uma reforma neoliberal radical durante seu governo, cuja consequência foi a pior votação da socialdemocracia no pós-Guerra. O partido “Livres e Iguais”, racha do PD, chegou apenas a marca dos 3,4%, não conseguindo aglutinar os votos perdidos pelos socialdemocratas.

    Poder ao Povo
    Já a esquerda radical, que esteve reunida na coalizão Poder ao Povo (PAP), obteve sua menor votação no pós-Guerra com meros 1,1%, equivalente a 370 mil votos. Esta coalizão agrupa um leque diverso de organizações socialistas, inclusive partidos trotskyistas, como as seções italianas do Secretariado Unificado – SU (Esquerda Anticapitalista) e do Comitê por uma Internacional dos Trabalhadores – CIT (Resistência Internacional). As causas desta derrota são tanto o giro à direita na consciência da classe trabalhadora europeia, como o voto útil no PD frente à ascensão da Liga.

    Saiba Mais: 

    Eleições Italianas: o crescimento da extrema-direita e do M5S; a necessidade de uma alternativa anti-capitalista

    Itália: Derrota do governo no Referendo Constitucional aumenta instabilidade no país e na UE

     

     

     

  • Dos años después: Diez argumentos para comprender el golpe jurídico-parlamentario

    El tiempo perdido no se recupera

    La fortuna se cansa de traer siempre a la espalda al mismo hombre.

    Sabiduría popular portuguesa

     

    1. Las explicaciones monocausales para los cambios desfavorables que abrieron la situación defensiva, con elementos reaccionarios, en que vivimos desde, al menos 2016, no son convincentes. El tema es demasiado complejo para formular hipótesis que privilegien o reposen en un solo factor. Hay que aprender de las derrotas. Las interpretaciones unilaterales, incompletas, conducirán a conclusiones erróneas. La explicación debe ser pluricausal. No fueron, esencialmente, las políticas anticíclicas del gobierno de Dilma Rousseff, las que explican su caída. Aunque fuese cierto que una fracción de la clase dominante, en especial el capital financiero, era muy crítica antes de 2015, esta crítica no era hegemónica. Esta explicación, casi unánime en los círculos liberales y reaccionarios, y con alguna influencia en medios de izquierda, es una “cortina de humo” y, por lo tanto, es falsa.
    2. La operación Lava Jato abrió hace cuatro años la lucha entre dos fracciones de la clase dominante: aquella que quiere mantener el sistema partidista más o menos intacto, y aquella que decidió desplazar al PT y reformar el régimen político, “cambiando la rueda con el coche en movimiento”. La burguesía no es una clase con intereses y posiciones económicas y políticas monolíticas. Ninguna clase social tiene un “comité central”. El régimen democrático-electoral es más cómodo para la burguesía, justamente, porque fortalecen libertades democráticas para que sus diferentes fracciones puedan disputar la defensa de sus intereses inmediatos, y sus apuestas estratégicas, en espacio público. La superestructura empresarial y política giró poco a poco hacia el impeachment, pero finalmente, en pocos meses, la clase dominante se unificó y decidió apostar al golpe, bajo presión de la movilización de los sectores medios impulsada por la extrema derecha, fundamentalmente, en función del resultado de 2014; de la dificultad de la alternancia electoral frente al prestigio del PT y de Lula; del estancamiento económico provocado por la caída de las inversiones como consecuencia de la tasa media de ganancia; y de la presión de una fracción del imperialismo que condicionó inversiones en Brasil a la reducción de los costos productivos: peso fiscal del Estado, proporción deuda pública/PIB, y elevación del salario medio por encima de US$ 700,00.
    3. Los gobiernos, incluso los gobiernos de colaboración de clases y de coalición, inclusive en Brasil, no caen porque dejaron de tener apoyo unánime en la clase dominante. Los apoyos unánimes son raros hasta cuando son gobiernos de partidos de representación directa del capital. Pueden mantenerse indefinidamente con el apoyo de algunas fracciones. Solo están amenazados de caída cuando la burguesía se une y pasa en bloque a la oposición y tiene luz verde de una fracción importante imperialista. Aun así es necesario alimentar una subversión social para derrocar al gobierno.
    4. Los gobiernos no caen, en regímenes presidenciales de países de la periferia, porque han perdido la popularidad. Tienen que ser derribados. Si la impopularidad fuese un factor suficiente para derribar gobiernos electos, el gobierno Temer ya habría sido defenestrado el año pasado, tras la divulgación de las grabaciones en el garaje del Palacio. Y no cayó. Aguantó el juicio en el STE y dos votaciones en la Cámara de Diputados. Para que eso acontezca es necesaria una movilización social muy fuerte que abra el camino. Sin esta intervención, el Congreso y la Justicia no alcanzan la legitimidad para que puedan resolver la crisis de gobernabilidad, sacrificando al gobierno, pero preservando el régimen político. Es necesario, también, que el gobierno de turno no tenga capacidad de defenderse apoyado en su base social, neutralizando las presiones por la interrupción del mandato.
    5. No fue tampoco el giro del MDB hacia la oposición, ni la conspiración de Temer conduciendo a Eduardo Cunha a la presidencia de la Cámara de Diputados lo que explica, en lo fundamental, el golpe jurídico-parlamentario. Tampoco fue el giro de los banqueros, o de la Fiesp, lo que explica la inversión de la situación política, la caída de Dilma, o la prisión de Lula. Todo esto contó, pero fueron factores superestructurales. Interpretaciones que valoran excesivamente la operación de la lucha de partidos en la superestructura de la sociedad flirtean peligrosamente con concepciones conspirativas de la historia. La lucha de partidos tiene un gran lugar en la historia, pero no sustituye a la lucha de clases. El papel de los individuos tiene también su lugar, pero sólo muy excepcionalmente, o sea, en situaciones revolucionarias o contrarrevolucionarias, alteran el curso cualitativo de los acontecimientos.
    6. Si no hubiesen salido millones de personas de los sectores medios enfurecidas a las calles, con el pretexto de apoyar la operación Lava Jato, derrocar al gobierno, Dilma Rousseff no habría sufrido el impeachment, en función de las llamadas “pedaleadas fiscales”. La cuestión clave debe ser el análisis de la multiplicidad de factores que empujaron a la clase media hacia la campaña de derrocamiento del gobierno. Se produjo un proceso lento de desplazamiento de los sectores medios hacia la oposición, sobre todo, durante el primer mandato de Dilma Rousseff. Se expresó en las calles en junio de 2013. La explosión de junio de 2013 fue un fenómeno complejo, por lo tanto, policlasista. Los sectores medios, con audiencia de masas, liderados por grupos de extrema derecha salieron también, a las calles. Por eso hubo combates tan violentos contra las banderas rojas. No fueron solamente los sectores más escolarizados de asalariados urbanos los que se sintieron motivados, después de la represión, las marchas contra los aumentos de pasajes. Aunque, en general, prevalecieron reivindicaciones progresivas, una parte del malestar social de los sectores medios estuvo presente.
    7. En 2015/16 estas franjas medias volvieron a las calles, ahora furiosamente disconformes con la victoria electoral del PT en 2014, y provocados por la inflación en alza de la educación y salud privadas y demás servicios, por el endeudamiento de las familias, por la tendencia de caída del salario medio de la escolaridad superior, por el estancamiento del crecimiento, por el peso creciente del IRPF (Impuesto a la Renta de la Persona Física), por el crecimiento de la criminalidad, y, finalmente, por el bombardeo de las denuncias de corrupción. Los errores de los gobiernos liderados por el PT, no sus aciertos, empujaron a la inmensa mayoría de la clase media a los brazos de los líderes burgueses. La burguesía brasileña pasó a tener, por primera vez después de medio siglo, la hegemonía en las calles.
    8. Por otra parte, lo que, desde una perspectiva histórica, merece ser considerado excepcional fue la victoria electoral del PT para la presidencia, por cuatro veces consecutivas. La victoria de Lula en 2002 remite a las luchas de la década de los ochenta y al desgaste social acumulado después de los dos mandatos de FHC. Pero las tres victorias electorales siguientes solo fueron posibles en función del contexto externo extraordinario de valorización del precio de los commodities, que ofreció el fundamento para las tasas de crecimiento económico que fundaron la estrategia “gana-gana” de las políticas sociales que llevaron a la clase dominante a sostener a los gobiernos liderados por el PT, incluso después del escándalo del “mensalão”, y ampliaron la base social del lulismo. La tendencia del capitalismo contemporáneo no es la ampliación de reformas. Lo que pasa es lo contrario incluso en los países centrales. No comprender estas restricciones históricas a la concesión de reformas solo podrá alimentar las ilusiones políticas de que una nueva experiencia de conciliación de clases merece ser replicada.
    9. La incapacidad del PT y del lulismo de levantar una movilización de los trabajadores y de los sectores populares, a la altura del desafío planteado por la campaña por el impeachment de Rousseff, es una de las claves de comprensión de las derrotas que vinieron luego, hasta la prisión de Lula. Cuando se decidieron a ir a las calles, ya era demasiado tarde. La lucha política tiene sus tiempos. Y la dirección del PT y Lula tuvieron mucho tiempo para decidirse, porque el golpe palaciego fue articulado, a diferencia de Paraguay, en “cámara lenta”. Entre la carta de ruptura de Michel Temer, la renuncia de Joaquim Levy, al final de 2015, el giro de la Fiesp y la unificación de la burguesía, y las movilizaciones de algunos millones de “amarillitos” en marzo/abril, hasta la votación del ” impeachment en mayo de 2016, existió un espacio de seis meses. No pudieron defenderse porque, incluso, cuando estaban siendo acorralados por la presión burguesa, apostaron por la vía de las negociaciones, una elección políticamente suicida. ¿Por qué?
    10. Este es otro tema pluricausal. Las explicaciones monotemáticas no son convincentes. Pesó la increíble decisión del PT y de Lula de privilegiar las alianzas en el Congreso Nacional, y de negar apoyarse en la movilización popular durante sus trece años de gobierno, hasta la hora del golpe; pesó el malestar en la clase trabajadora organizada ante el giro político de Dilma Rousseff a partir de la victoria de 2014, aceptando los chantajes burgueses por un ajuste fiscal que no podría dejar de tener secuelas recesivas graves; pesó la dificultad de movilización de la amplia mayoría del pueblo pobre que no tiene instrumentos de autoorganización; pesó la extrema burocratización de los sindicatos, aún hoy, la red más poderosa de organizaciones de representación de la clase obrera y del pueblo; pesó la fragilidad orgánica del PT, todavía el mayor partido, pero que se ha convertido en un aparato electoral profesional, impotente ante la tarea de llevar a millones a las calles. Lo que, sin embargo, es cierto es que las derrotas estimulan reflexiones sobre la responsabilidad de los dirigentes. Así como la derrota de 1964 abrió una crisis en el PCB, la derrota de 2016 ya abrió una crisis en el PT que no podrá ser contenida. Lula es un preso político frente a la Lava Jato. Pero no es inocente ante la tragedia económico-social que se abate sobre el destino de decenas de millones que sufren las secuelas del gobierno Temer. Sin crisis, nada se transforma. La reorganización de la izquierda brasileña está apenas empezando. Y el futuro pasa por la Alianza impulsada por el PSOL y el MTST.

     

    Foto: AP

     

  • Israel e Palestina em 2018: descolonização e não paz

    Na Palestina vivem-se dias dramáticos, agravando uma situação desesperadora que já dura 70 anos. O cerco a Gaza que torna a vida quase impossível levou à “marcha pelo retorno” e ao covarde massacre que estamos vendo nestes dias. Somente hoje, são 60 mortos e mais de dois mil feridos, atingidos por soldados armados até os dentes, que utilizaram todas as armas a seu dispor, inclusive bombardeios aéreos para impedir que dezenas de milhares de palestinos sequer se aproximassem da cerca de arame farpado que separa a Faixa de Gaza do território israelense.

    Menahem Kahana/AFP

    As imagens contrapostas da festa pela instalação da embaixada americana em Jerusalém não poderiam ser mais chocantes.

    Do alto de seu poderio, Israel se constitui no único poder real em todo o território da Palestina histórica. E um poder discriminatório, que nega os direitos dos cinco milhões de palestinos sob seu poder e aos milhões de refugiados e seus descendentes, que em alguns casos vivem a poucos quilômetros de distância de suas terras e propriedades roubadas. Aproveita-se cinicamente do apoio total da nova administração americana e do cenário desolador de derrota dos levantes nos países árabes em 2011. Regimes que cada vez mais apoiam a convivência com Israel e suas práticas.

    Mahmud Hams/AFP

    Mas a magnitude das manifestações coloca de forma acentuada um grande problema: a estratégia da liderança palestina desde 1988 é o estabelecimento de dois estados lado a lado, um judaico e outro palestino. A realidade demonstrou, mais além da teoria, que não é o mais provável que haja dois estados, mesmo um soberano e outro vassalo. A antiga bandeira palestina de uma Palestina laica, democrática e não racista em que convivam todas as nacionalidades é uma pista para modificar essa estratégia. Uma que possa conquistar apoio em um setor importante dos judeus israelenses, baseada na restituição dos direitos dos palestinos e na convivência igualitária. Um ponto de partida para mudanças completas em um território castigado pela opressão, racismo e discriminação há setenta anos.

    Publicamos as reflexões estratégicos do principal historiador israelense sobre a catástrofe palestina, Ilan Pappe, que está participando de um movimento por um único estado democrático na Palestina histórica.  O artigo foi publicado no dia 14/05 no site da Al Jazeera.

    Setenta anos depois da criação do estado de Israel, não se pode mais falar de um conflito israelense-palestino

    Por: Ilan Pappe

    Os fundadores do estado de Israel eram em sua maioria pessoas que se instalaram na Palestina no começo do século 20. Provinham especialmente da Europa Oriental, inspirados pelas ideologias nacionais românticas populares em seus países, desapontados pela sua incapacidade de assimilar em seu interior novos movimentos nacionalistas e entusiasmados pelas perspectivas de um colonialismo moderno.

    Alguns eram veteranos de movimentos socialistas que tinham a esperança de fundir seu nacionalismo romântico com experiências nas novas colônias. A Palestina não foi sempre sua única opção, mas se tornou a preferida quando ficou claro que ela se adaptava bem às estratégicas do Império Britânico e à visão de mundo dos Sionistas cristãos em ambos os lados do Atlântico.

    Desde a Declaração Balfour de 1917 e durante o período do Mandato Britânico entre 1918 e1948, os sionistas europeias começaram a construir a infraestrutura de um futuro estado com a ajuda do Império Britânico. Sabemos também que esses fundadores do moderno estado judaico eram conscientes da presença de uma população nativa com suas próprias aspirações e visão sobre o futuro de sua pátria.

    A solução para esse “problema” – do ponto de vista dos fundadores do sionismo – era de-arabizar a Palestina para abrir o caminho para o surgimento do moderno estado Judaico. Fossem socialistas, nacionalistas, religiosos ou laicos, a liderança sionista contemplava o despovoamento da Palestina desde os anos 1930.

    Próximo ao final do Mandato Britânico, ficou claro para a liderança sionista que o que eles haviam imaginado como um estado democrático somente poderia existir em base a uma presença judaico absoluta em sem território.

    Setenta anos de contínua limpeza étnica


    Apesar de oficialmente aceitarem a Resolução 181 da ONU de 29 de novembro de 1947 que aplicava a partilha do país (sabendo que ela seria rejeitada pelos palestinos e pelo mundo árabe), eles a consideravam como desastrosa, pois previa um número quase igual de palestinos e judeus no estado judaico. O fato de que somente 54% da Palestina tinha sido outorgada ao estado judaico nessa resolução foi também considerado insatisfatório.

    A resposta sionista a esses desafios foi a de começar uma operação de limpeza étnica que expulsou metade da população da Palestina e demoliu metade de suas aldeias e a maioria de suas cidades. Uma insuficiente e tardia resposta pan-árabe não pode impedir a conquista pelos sionistas de 78 por centro dos territórios palestinos.

    No entanto, esse “sucesso” não resolveu o “problema palestino” para o estado de Israel recentemente fundado. À primeira vista, ele parecia administrável: a minoria palestina que permaneceu em Israel foi posta sob um brutal regime militar, ao passo que o mundo não parecia se importar ou questionar a pretensão de Israel de ser a única democracia do Oriente Médio. Além disso, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) somente foi fundada em 1964 e demorou para afetar a realidade na região.

    Então, parecia que os líderes do mundo árabe, tais como Gamal Abdel Nasser, iriam vir em socorro dos palestinos. No entanto, esse momento histórico de esperança foi breve. A derrota do exército egípcio na guerra de junho de 1967 e seu sucesso parcial na guerra de outubro de 1973 diminuiu o compromisso oficial egípcio com a Palestina. Desde então, nenhum regime árabe teve um interesse genuíno no destino da Palestina, apesar do fato que ele tenha sido assumido totalmente pelas sociedades árabes.

    A guerra de junho de 1967 permitiu que Israel conquistasse toda a Palestina do Mandato, mas isso somente aprofundou o dilema que estava enfrentando como um estado colonial: mais espaço traz mais população nativa.

    A guerra também transformou a liderança central do estado judaico: o pragmático partido Laborista foi substituído pelos revisionistas  de direita que se preocupavam menos pela imagem externa de Israel. Ao contrário, eles estavam determinados a manter os territórios ocupados como parte do estado de Israel, ao mesmo tempo que continuavam a limpeza étnica por outros meios: por meio da transferência e do confinamento da população local em enclaves e destituindo-a de quaisquer direitos civis e humanos elementares, ao mesmo tempo em que institucionalizavam um novo marco jurídico para a minoria palestina dentro de Israel que perpetuava seus status de cidadãos de segunda categoria.

    A resistência palestina na forma de duas intifadas e protestos cívicos dentro de Israel não impediu o estado judaico de estabelecer no começo deste século um estado de apartheid judaico em toda a Palestina histórica. A resistência palestina – ignorada pelos países árabes e pelo resto do mundo – evocou as brutais e bárbaras ações israelenses que desgastaram o status moral de Israel no mundo.

    No entanto, a “guerra ao terror” após os ataques de 11 de Setembro e os frutos amargos da invasão anglo-americana do Iraque e da Primavera Árabe permitiram que Israel mantivesse suas alianças estratégicas com as elites políticas e econômicas no Ocidente e além dele (com a China e a Índia e inclusive com a Arábia Saudita).

    Esse ambíguo status internacional ainda não prejudicou a realidade econômica de Israel. É um país de alta tecnologia, com uma economia neoliberal que se deu bem na crise de 2008, mas que possui uma das mais altas desigualdade e polarização entre membros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Essa realidade socioeconômica volátil gerou um movimento popular, mas bem ineficaz em 2011. No entanto, o potencial para outra onda de protesto ainda está presente, e pode ser deflagrado se houver outro levante palestino ou uma guerra devido às atuais políticas irresponsáveis do presidente dos EUA, Donald Trump, e do Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Ambos estão fazendo o seu melhor para arrastar Israel a uma guerra com o Irã e o Hezbollah.

    Da descolonização à paz


    Setenta anos depois do estabelecimento do estado, Israel se destaca com um estado racista, de apartheid, cuja opressão estrutural dos palestinos se mantém como o principal obstáculo para a paz e a reconciliação.

    Israel teve muito sucesso ao fundir comunidades judaicas de todo o mundo em uma nova cultura hebraica e estabelecer o mais forte exército na região. No entanto, todas essas conquistas não legitimaram o estado aos olhos de muitos ao redor do mundo.

    Paradoxalmente, são somente os palestinos que poderiam dar legitimidade completa para esse estado ou aceitar como legítima a presença de milhões de colonos judeus ao buscar uma solução de um único estado.

    O processo de paz imitado e orquestrado pelos EUA desde 1967 ignorou completamente a questão da legitimidade de Israel e perspectiva palestina do conflito. Esse desprezo, junto com os esforços diplomáticos que não questionaram a ideologia sionista que conforma as atitudes da maioria dos judeus israelenses são as principais razões desse fracasso.

    Em 2018, não se pode mais falar de conflito árabe-israelense. Os regimes árabes estão dispostos a estabelecer relações estratégicas com Israel, apesar da objeção de seus cidadãos e, apesar de haver ainda um risco de uma guerra de Israel com o Irã, neste exato momento não parece que envolverá qualquer um dos estados árabes.

    A partir de nossa posição estratégica é também inútil falar do conflito palestino-israelense. A terminologia correta para descreve o atual estado dos acontecimentos é a contínua colonização israelense da Palestina histórica, ou como os palestinos a denominam – “al-Nakba al-Mustamera” (a Nakba permanente).

    Portanto, setenta anos depois, é preciso recorrer a um termo que pode parecer ultrapassado para descrever o que pode genuinamente trazer a paz e a reconciliação para Israel e a Palestina: descolonização. Como isso ocorrerá exatamente ainda está por se ver. Isso irá exigir em primeiro lugar uma posição sobre a estratégia política ou uma visão atualizada do projeto de libertação.

    Essa visão será apoiada por israelenses progressistas e pela comunidade internacional, que também terão que desempenhar seu papel. Eles precisam trabalhar para a criação de uma democracia para todos do Rio Jordão até o Mediterrâneo. Baseada na restituição dos direitos negados aos palestinos nos últimos 70 anos, em particular o direito de retorno dos refugiados

    Esse não é um plano para o curto prazo e irá exigir uma constante pressão sobre a sociedade israelense para renunciar aos seus privilégios e encarar a verdade de que esta é a única forma de atingir a paz e a reconciliação a um país internamente desgarrado

    Sobre o autor
    Ilan Pappe
    Ilan Pappe is the Director of European Center of Palestine Studies at the University of Exeter.

  • Palestina: aberta a embaixada dos EUA em Jerusalém e 55 palestinos pagaram com sua vida hoje

    Desde que começou a onda de protestos em Gaza no dia 30 de março, este é o maior massacre feito por atiradores de elite (Snipers) israelenses. Apenas nesta manhã, os snipers executaram pelo menos 55 manifestantes civis desarmados e feriram mais de duas mil pessoas, entre jornalistas, idosos e crianças. É um recorde de vítimas sem precedentes em Gaza em um único dia desde 2014.

    No dia 30 de março, conhecido como “Dia da Terra” (tradicional data de mobilizações palestinas), começou a Grande Marcha Pelo Retorno: uma manifestação de seis semanas com pico às sextas-feiras, que reivindica o direito dos palestinos retornarem a suas casas, da onde têm sido expulsos pela ocupação israelense há 70 anos. Nestas semanas, a mobilização foi centrada em Gaza e hoje começaram a entrar os palestinos de Jerusalém e da Cisjordânia. A Grande Marcha está planejada para acabar nesta terça-feira (15/5), data na qual que se marca os 70 anos da criação do Estado de Israel e a catástrofe palestina (Nakba).

    O massacre ocorre no mesmo dia da mudança da embaixada norte-americana para Jerusalém, uma promessa de Donald Trump ao governo Israelense. E poucos dias depois do Estado Israelense destinar aproximadamente 700 milhões de dólares para ocupar e colonizar o Leste de Jerusalém.

    Entre tantos absurdos do dia, um fato chamou muito a atenção. Embora todo o discurso na abertura da embaixada seja feito em nome da justiça contra os preconceitos e violações sofridas pelos judeus (como por exemplo por Hitler), quem fez a oração no ato de inauguração da embaixada foi um proeminente líder batista chamado Robert Jeffress. Ele é conhecido por ser um intolerante religioso e entre suas pérolas já afirmou que ele acredita que “os judeus estão destinados ao inferno”. Não satisfeito, o pastor batista ainda preferiu ofensas aos mórmons, hindus e budistas, chegando a afirmar que “o Islã é uma religião que promove a pedofilia e o sexo com crianças”.

    Imagem: AP

    A brutal ofensiva israelense contra o povo palestino vem se intensificando desde que Trump assumiu o governo e declarou a mudança da embaixada para Jerusalém. A mudança da embaixada no dia anterior aos 70 anos da criação do Estado de Israel busca enviar uma mensagem clara aos povos do mundo árabe: a aliança EUA-Israel está mais forte do que nunca e o compromisso de preservar os mais ínfimos direitos dos cidadãos palestinos está descartado. É um cheque em branco para o massacre que Israel vem realizando.

    Foto: Adel Hana/AP

    Saiba mais:

    A declaração de Trump: Novo incêndio no Oriente Médio?

    Jerusalém: Uma limpeza étnica para dispersar os palestinos da cidade

    Declaração do BDS da Palestina no dia da Nakba

    Palestina: professor Ilan Pappe e a iniciativa comum por um só estado democrático

  • Manuela Castañera: ‘A luta das mulheres vai conquistar o aborto legal na Argentina’

    Conversamos com Manuela Castañera sobre o avanço da discussão acerca da legalização do aborto na Argentina. Ela é socióloga, professora e líder do Novo MAS, um partido da esquerda radical Argentina, e do coletivo feminista Las Rojas (“As vermelhas”). Foi pré-candidata a deputada federal pela Esquerda à Frente pelo Socialismo, em 2017, tendo recebido mais de cem mil votos* na província de Buenos Aires. Castañeira afirma que dia 03 de junho, aniversário da mobilização por #NiUnaMenos, será um dia de reunir centenas de milhares em Buenos Aires pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito. Confira na entrevista exclusiva para o Esquerda Online.

    Esquerda Online: Olá Manuela, obrigado pela disponibilidade para esta entrevista. Recentemente, a luta das mulheres e dos movimentos sociais pelo direito ao aborto virou um tema de impacto nacional. Conte aos leitores brasileiros porque isso ocorreu. O que está acontecendo na Argentina?

    Manuela Castañera: O que está acontecendo na Argentina é algo que também se vê no mundo, mas aqui com mais força: o movimento de mulheres se põe de pé. Nos últimos anos, com as mobilizações por #NiUnaMenos (Nenhuma mulher a menos, luta contra o feminicídio), os encontros nacionais de mulher (um evento anual auto organizado pelas bases muito importante), a luta por aborto em casos de estupro, e sobretudo uma nova geração de jovens que questiona o lugar da mulher na sociedade, se produziu um movimento de mulheres muito forte.

    Isto se combinou com uma questão que ocorreu no país que foram as jornadas de 14 e 18 de dezembro do ano passado onde o povo trabalhador se mobilizou contra o ajuste do governo abrindo uma crise política no país – que agora está tendo seu correlato em uma crise econômica.

    Então o Governo Macri se viu obrigado a conceder algo. Em síntese, creio que o enorme movimento de mulheres obrigou o governo a abrir o debate. Um governo que está contra o direito ao aborto no hospital, que é um governo reacionário.

    EOL: Sim. E como o governo fez para abrir o debate? O que ele fez? 

    Manuela: O movimento de mulheres vem apresentando o projeto de lei por sua conta faz mais de 10 anos. Já apresentamos 7 vezes e sempre foi barrado até mesmo a discussão. O que mudou desta vez foi que o governo facilitou o debate no Parlamento. Essa era uma reivindicação muita sentida porque o governo anterior de Cristina Kirchner, uma mulher presidenta, jamais havia deixado que o projeto de lei entrasse em pauta.

    Hoje se está discutindo nas comissões a possibilidade de que se trate do tema na Câmara dos Deputados em Junho. O fato de que se abriu a discussão não garante que vão votar a favor. Se o movimento não segue nas ruas protestando e reivindicando, eles não vão votar.

    EOL: Sim, tu citou antes e eu queria saber: tu enxerga alguma relação entre a luta pelo direito ao aborto e as históricas mobilizações por #NiUnaMenos na Argentina?

    Manuela: Plena relação. Agora se está preparando a mobilização para o próximo 3 de junho (aniversário da mobilização por #NiUnaMenos) e estamos discutindo que a reivindicação central seja “NiUnaMenos por aborto clandestino. Aborto legal já!”. No 8 de março do ano passado, dia internacional da mulher trabalhadora, fomos quase meio milhão de mulheres somente em Buenos Aires, capital do país, marchando pelo aborto legal e contra a violência às mulheres.

    EOL: Por que é importante legalizar o aborto na Argentina?

    Manuela: O que estamos pedindo é aborto legal, seguro e gratuito. Porque é uma questão de saúde pública. É a primeira causa de morte de mulheres com idade fértil. Em nosso país, se faz um aborto em condições clandestinas e insalubres para cada nascimento.

    E porque acreditamos que nós mulheres temos direito a decidir sobre nossos corpos, que é decidir sobre nossas vidas, nossos sonhos e nosso futuro. Tudo isso está em jogo e muito mais quando lutamos por aborto legal no hospital.

    EOL: E agora, quais são os próximos passos dessa luta? Tu havia citado o 3 de junho.

    Manuela: No próximo 28 de maio que é o dia internacional da saúde da mulher faremos ações em todo o país. Mas estamos preparando para fazer uma mobilização de centenas de milhares na Capital Federal pelo aborto legal no próximo 3 de junho.

    EOL: Há uma data para votar no congresso?

    Manuela: Não. Há rumores de que talvez se vote em uma das duas câmaras do congresso em junho. Mas na outra Câmara não tem nem data. O governo abriu o debate, mas está contra este direito. E fazem manobras com o movimento de mulheres. Mas vai ser difícil pararem esta força. Abriram uma “Caixa de Pandora” e agora nós mulheres não vamos simplesmente nos conformar com o debate: queremos nosso direito!

    EOL: Muitas mulheres e movimentos sociais olham com esperança o que está passando na Argentina. Se o direito ao aborto for aprovado aí, será um exemplo enorme pra ampliar a luta aqui e pressionar pelo direito ao aborto legal aqui no Brasil. Tu imagina algo que se possa fazer para se somar à campanha? Há algum dia e ou articulação internacional desta luta?

    Manuela: Sim, creio que ajudaria a todas as mulheres latino americanas caso se aprove este direito na Argentina. Creio que o movimento de mulheres é um dos principais movimentos sociais a nível internacional e que conta com muitos laços de coordenação. Como por exemplo no 8M do ano passado em que se viu como nos mobilizamos no mundo inteiro. Ou agora por Marielle, que na Argentina também nos somamos ao grito de Justiça por Marielle! Mulher, negra, favelada e militante de esquerda.

    Tem que se avançar por este caminho e também em laços de coordenação entre os agrupamentos de mulheres dos nossos países. Para isso nós apostamos em Las Rojas, coletivo de mulheres feministas e socialistas, que constituímos em vários países.


    * O sistema eleitoral argentino é diferente do brasileiro. É feita através de um sistema de prévias chamado PASO: primárias abertas simultâneas obrigatórias. Segundo Renato Fernandes explica em matéria para este portal, “O objetivo inicial das PASO era o de criar uma ‘cláusula de barreira’ para impedir a participação dos pequenos partidos nas eleições e americanizar a disputa política. Ou seja, pretendiam reduzir o número de listas e de partidos competidores, principalmente com os da esquerda socialista radical e concentrar as disputas nos grandes partidos. Para que uma lista possa participar nas eleições é necessário que ela alcance 1,5% nessas primárias”. Manuela Castañera participou das PASO recebendo mais de 100 mil votos na província de Buenos Aires. Infelizmente, faltaram cerca de 30.000 votos para furar o sistema eleitoral restritivo argentino e participar das eleições.

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  • Irã: Trump cancela o acordo nuclear com o país

    Por Waldo Mermelstein, São Paulo/SP

    Foto: Reuters

     

    Como longamente esperado, Trump retirou o apoio dos EUA ao acordo nuclear assinado em 2015. Segundo este acordo, assinado também por membros da União Europeia, China e Rússia, o Irã limitaria o enriquecimento de urânio no país, e aceitaria a inspeção da ONU em seus estabelecimentos, o que diminuiria suas possibilidades de obter armas nucleares, em troca da suspensão parcial das sanções econômicas que o afetam há décadas.

    Em sua campanha presidencial, Trump fez repetidas promessas de denunciar o acordo. No último período, sauditas e israelenses pressionaram para efetivar o rompimento. O primeiro-ministro israelense chegou a divulgar um fantasioso informe sobre o suposto rompimento do acordo nuclear pelo Irã, o que 10 inspeções da ONU, a última em fevereiro deste ano, haviam negado.

    Essa ação se soma ao apoio cada vez mais unilateral dado ao regime sionista, com a concretização nos próximos dias da mudança da embaixada americana em Israel para Jerusalém, em um período em que Israel ataca com fogo mortal milhares de manifestantes na fronteira de Gaza, em contagem regressiva para a recordação de 70 anos da Nakba.

    Ao mesmo tempo, Trump anunciou o estabelecimento dos “mais altos níveis” de sanções ao Irã e a todos os que seguirem colaborando com o programa nuclear iraniano. A principal dirigente diplomática da União Europeia, Federica Mogherini, anunciou que continuarão apoiando o acordo que “está sendo cumprido” pelo Irã, o que significa também a manutenção dos bilionários negócios e investimentos com o país persa (o comércio da UE com o Irã aumentou de 6 bilhões para quase 20 bilhões de euros de 2013 até o ano passado). O presidente da França, Macron, declarou-se “desapontado” com a decisão, mais ou menos o mesmo tom da primeira-ministra da Grã-Bretanha, Theresa May. Altos dirigentes alemães seguiram na mesma linha.

    O presidente do Irã, Hassen Rouhani, declarou, minutos depois do anúncio americano, que tentaria salvar o acordo com os demais signatários, advertiu o país que poderia haver problemas econômicos para os iranianos nos próximos meses e que o Irã poderia voltar rapidamente a enriquecer urânio se o acordo fosse cancelado.

    Segundo os informes do Departamento do Tesouro americano, as sanções seriam implementadas em duas fases para “permitir que as companhias se adaptem”: na primeira fase, em agosto deste ano, incluiriam comércio de notas de dólares americanos, ouro e outros metais preciosos, comércio de alumínio, aço, carvão e grafite e sanções ao setor automotor iraniano; a partir de novembro, haverá sanções ao setor de transportes marítimos, exportação de petróleo, sanções ao Banco central do Irã e ao setor de energia do país. Seria o prazo em que haveria negociações entre os EUA e a União Europeia sobre o tema também com o próprio governo iraniano para obter maiores concessões.

    Mais além do terreno diplomático, a possibilidade de haver uma nova escalada da Arábia Saudita e Israel contra o Irã e seu aliados na região é bastante alta. Nos últimos meses, Israel tem atacado sistematicamente alvos controlados pelos  iranianos na Síria, inclusive a base aérea T4 operada pela Guarda Revolucionária do Irã.

    Incapaz de enfrentar em combate aberto as forças israelenses na Síria, o Irã não reagiu a esses ataques, além do nível retórico, provavelmente procurando não dar razões adicionais para a anulação do acordo.

    Não coincidentemente, Israel colocou suas forças armadas em alerta e, após o anúncio de Trump, o jornal Haaretz noticiou que houve um ataque a “alvos iranianos” em Damasco.
    Abre-se um período de ainda maiores incertezas em uma região com imenso grau de conflitividade, em particular na disputa por áreas de influência na Síria após a vitória de Assad na guerra civil.

    Além disso, o fato tem repercussões em outras esferas, pois denunciar um acordo negociado durante anos coloca em risco o resultado das negociações diretas com o regime norte-coreano, que ocorrerão em pouco tempo.

  • França: 160 mil marcharam neste sábado contra 1 ano de Governo Macron

    Por Lucas Fogaça, Porto Alegre/RS

    Foto: La France Insoumise

    Segundo Jean-Luc Mélenchon, líder da França Insubmissa, neste sábado (05 de maio) 160 mil pessoas marcharam nas ruas de Paris contra o primeiro ano de Governo de Emmanuel Macron. A luta é também em defesa dos direitos trabalhistas e contra as privatizações.

    A manifestação chamada #STOPMACRON foi convocada por sindicatos, partidos e diversos movimentos sociais e artísticos. Após a marcha, umas séries de eventos políticos e culturais vão ocorrer terminando com um concerto às 20h na Praça da Bastilha.

    Entre os grupos políticos que organizaram a “Festa à Macron” estavam o Novo Partido Anticapitalista (NPA), a França Insubmissa, o Partido Comunista Francês (PCF) e a Central Geral dos Trabalhadores (CGT). O protesto ocorre num momento de importantes lutas dos trabalhadores franceses como a dos ferroviários e agora dos trabalhadores da Air France que levou a renúncia do presidente da companhia.

    A mobilização de hoje é um passo importante na resistência aos planos do governo contra os trabalhadores e os serviços públicos. Um novo dia de luta já está marcado para 26 de maio.

    Veja mais sobre a Festa à Macron no vídeo da França Insubmissa https://www.facebook.com/lafranceinsoumise/videos/628644370821153/UzpfSTExNDUwMzI4NzQ5OjEwMTU2NDM3Mjg2NzMzNzUw/

  • Declaração da ISO – Organização Socialista Internacional (EUA) para os companheiros do MAIS-NOS (Brasil)

    Queridos camaradas

    Desejamos expressar a nossa grande alegria em receber o seu convite para participar do Congresso de fusão entre MAIS e NOS. Lamentamos não poder comparecer. Mas mesmo assim estamos com você em espírito.

    As tarefas da esquerda revolucionária nunca estiveram tão claras .

    Aqui nos Estados Unidos, a eleição de Donald Trump representa uma perigosa intensificação da guerra capitalista contra a classe trabalhadora e a nosso planeta, bem como a intensificação dos ataques a mulheres, LGTBQ, negros e latinos, imigrantes e muçulmanos. Felizmente, depois de um longo período de derrota para sindicatos, professores e funcionários de escolas públicas redescobriram a arma de ataque e centenas de milhares deles em West Virginia, Kentucky, Oklahoma, Arizona e Colorado fecharam suas escolas para exigir salários mais altos. e melhores condições. Eles já conquistaram algumas vitórias, mas sabemos que a resistência deve crescer muito mais poderosa para vencer.

    No Brasil, vimos horrorizados os inimigos da democracia e da classe operária chegarem ao poder através de um golpe parlamentar. Agora eles querem silenciar todos que a eles que se opõem. O assassinato de Marielle Franco chocou a todos os que conhecem a luta no Brasil pelo socialismo e pela igualdade racial e de gênero. Enviamos nossas condolências à sua família e a todos os seus companheiros. Seus assassinos devem ser levados à justiça. A prisão de Lula por um judiciário cínico e hipócrita – com o apoio dos partidos políticos burgueses mais corruptos do mundo – é uma tentativa clara de enterrar a democracia. Não é preciso fechar os olhos para as concessões de Lula à classe dominante, para exigir sua libertação imediata e defender seu direito de concorrer à eleição.

    Sabemos bem das grandes lutas que você s estão enfrentando. Mas sabemos também que vocês honram o movimento revolucionário mundial, fazendo tudo o que podem para construir a unidade da esquerda socialista e fortalecer a capacidade de luta da classe trabalhadora e dos oprimidos.

    Sua luta é nossa luta.

    Temos certeza que aprofundaremos nosso trabalho conjunto nos próximos meses e anos.

    Abaixo o imperialismo norte-americano!

    Pela abertura das fronteiras!

    Sem justiça, não há paz!

    Trabalhadores do mundo uni-vos!

    Em solidariedade,

    Ahmed Shawki, Sharon Smith e Todd Chretien, em nome da Direção da ISO (EUA)

    ____________

    Statement from the International Socialist Organization (US) to our comrades in MAIS-NOS (Brazil)

    Dear Comrades,

    We wish to express our great joy in receiving your invitation to be present at the fusion Congress of the MAIS and NOS. We are sorry we are unable to attend. We are with you in spirit.

    The duties of the revolutionary left have never been more clear.

    Here in the United States, Donald Trump’s election represents a dangerous intensification of the capitalist’s war on the working class and our planet as well as a sharpening of attacks on women, LGTBQ people, Blacks and Latinos, immigrants, and Muslims. Fortunately, after a very long period of defeat for trade unions, public school teachers and employees have rediscovered the strike weapon and hundreds of thousands of them in West Virginia, Kentucky, Oklahoma, Arizona, and Colorado have shut down their schools to demand higher pay and better conditions. They have already won some victories, but we know the resistance must grow much more powerful to win.

    In Brazil, we watched in horror as the enemies of democracy and the working class rode to power through a parliamentary coup. Now they want to silence all those who oppose them. Marielle Franco’s assassination shocked all those who understand the struggle in Brazil for socialism and for racial and gender equality. We send our condolences to her family and all her comrades. Her murderers must be brought to justice. Lula’s imprisonment by a cynical and hypocritical judiciary — with the support of the most corrupt bourgeois political parties in the world — is a transparent attempt to bury democracy. There is no need to close our eyes to Lula’s concessions to the ruling class in order to demand his immediate release and to defend his right to stand for election.

    We understand the tremendous battles you face. But we know you will make the global revolutionary movement proud in doing all you can to build the unity of the socialist left and strengthen the fighting capacity of the working class and the oppressed.

    Your struggle is our struggle.

    We look forward to deepening our mutual work in the coming months and years.

    Down with U.S. imperialism!

    Open the borders!

    No justice, no peace!

    Workers of the world, Unite!

    In Solidarity,

    Ahmed Shawki, Sharon Smith, and Todd Chretien on behalf of the Steering Committee of the International Socialist Organization

  • EUA: RED FOR ED – Vermelho pela Educação

    Por Márcio Musse, Londres/Inglaterra

    Lutas de professores e profissionais da Educação sacodem os Estados Unidos

    Nesta quinta-feira, 26/04, o estado do Arizona, nos EUA, assistiu uma das maiores mobilizações de sua história. Dezenas de milhares de profissionais da educação e estudantes vestiram vermelho e foram às ruas, em apoio à greve e à luta em defesa da educação pública no país. E não estão sozinhos, a luta de trabalhadores deste segmento está nacionalmente presente, com forte apoio popular. Além da vitoriosa greve em West Virgínia, também estão em greve professores nos estados no Kentucky e Oklahoma. Além disso, manifestações e paralizações também ocorrem em Porto Rico, Nova Jersey e Colorado. As mobilizações foram convocadas por sindicatos e organizações de classe e também, fundamentalmente, pelas redes sociais.

    Esse importante processo nacional de lutas se dá ao mesmo tempo que o país governado por Trump vive um ascenso estudantil, principalmente secundarista, contra a violência incentivada pela indústria armamentista, e das lutas feministas, contra o presidente misógino e impulsionando o movimento internacional #metoo (#eutambem).

    Esses diferentes processos de luta, com agendas e protagonistas aparentemente distintos, têm se interligado e potencializado mutuamente. No estado de Oklahoma, por exemplo, encorajados pela greve dos professores, mais de 100.000 servidores públicos estaduais iniciaram uma mobilização por aumentos salariais. Uma pesquisa de opinião ao final da greve assinalou que 72% da população do estado apoiava a greve dos professores “até que conquistassem todas as suas reivindicações”. Estes dados são ainda mais significativos se considerarmos que o estado de Oklahoma é considerado “conservador”, e um dos bastiões da direita americana e do governo Trump. Em Kentucky, mais de dez mil servidores públicos, estudantes e trabalhadores se reuniram em frente à sede do governo em uma manifestação contra uma reforma na previdência dos professores daquele estado – obrigando o governo do Partido Republicano a retirar o Projeto de pauta.

    Luta social e programa anticapitalista: o caminho para deter o avanço da extrema-direita

     

    Essas greves e mobilizações massivas nos estados de Oklahoma, Kentucky, West Virginia e Arizona trazem um significado especial, pois foram locais onde Trump teve expressiva votação nas eleições presidenciais de 2016. São estados que vem sofrendo cortes sucessivos na educação e nos serviços públicos  e onde as condições de vida dos servidores públicos, professores e trabalhadores estão entre as piores do país. Ao mesmo tempo, a receptividade a Bernie Sanders também se destacou nesses estados. Em West Virginia, onde Trump venceu com 68.7% dos votos, Bernie Sanders venceu Hillary Clinton em todos os condados nas primárias do Partido Democrata. Sanders, com sua campanha chamando a uma “revolução política” contra o sistema dos milionários, propondo sobretaxar as grandes fortunas e educação e saúde públicas e universais.

    As greves dos trabalhadores da Educação nos EUA trazem importantes lições. A primeira, é a de reafirmar o poder catalisador das lutas da classe trabalhadora, capazes de avançar a consciência e mudar a conjuntura na sociedade. A segunda, é que apesar dos tempos difíceis que vivemos em todo o planeta, os trabalhadores e a juventude estão dispostos a lutar. E a terceira, e neste momento talvez a mais importante, é que o caminho para derrotar os ataques e deter o avanço da extrema direita não é outro senão apostar na luta social. Unificar as lutas dos trabalhadores por suas questões específicas com as da juventude e dos setores oprimidos da sociedade. Quando colocamos esse time na rua e apresentamos nossa saída de ruptura, e conseguimos ter eco e audiência, detemos o avanço da extrema direita e suas variantes racistas e reacionárias.

     

    Derrotar Trump dentro e fora dos EUA

     

    Tudo isso acontece em um momento crítico para o governo Trump. Por um lado, Trump inicia ofensivas em sua política internacional, como o recente bombardeio à Síria, a reunião “domesticando” o presidente francês Macron, capitalizando os recuos da Coréia do Norte e confirmando a mudança da embaixada americana em Israel para Jerusalém. No âmbito interno, busca retomar o crescimento com políticas protecionistas e reafirmar uma “nova supremacia” do imperialismo dos EUA.

    Por outro lado, enfrenta crises internas em seu governo, e ondas de mobilizações com potenciais de crescimento e unificação que podem inviabilizar seus projetos. Vale lembrar que no segundo semestre ocorrem as Mid Term – eleições estaduais que, dependendo do resultado, derrotam politicamente o governo federal até o final de seu mandato. Em eleições semelhantes (em menor escala) no ano passado, Trump foi derrotado, com destaque ao bom desempenho de candidaturas da esquerda socialista, especialmente do DSA (Democrat Socialists of America) e do Socialist Alternative[1].

    A solidariedade completa à luta dos professores dos EUA, de todos os trabalhadores da educação e demais áreas, assim como à sua unificação com as lutas das mulheres, do movimento negro, dos imigrantes e da juventude daquele país. A derrota de Trump e dos abutres imperialistas, inimigos dos trabalhadores de dentro e fora do país, de todas as nacionalidades e etnias, não pode vir com ilusões nos Democratas ou na oposição parlamentar tradicional. Só pode ser obra de suas próprias forças, como mostram os professores, mulheres, negros e jovens americanos. Nenhuma trégua a Trump, nos EUA ou no mundo!

     

    Maior manifestação da história da Inglaterra?

     

    Quando fechávamos este artigo, Trump anunciava sua visita ao Reino Unido em uma sexta-feira 13, em Julho. Ele nunca visitou o país depois de eleito presidente, e visitas anteriores foram desmarcadas temendo protestos massivos, que seriam danosos não só ao mandatário imperialista, mas também ao combalido governo de Theresa May. Poucas horas após os anúncios, as manifestações contra a visita já contavam com centenas de milhares de participantes pelas redes sociais. Promete-se a maior manifestação da história da Inglaterra, superando as passeatas contra a Guerra de Bush e Blair. O Esquerda Online vai acompanhar esse processo de perto.

     

    Fontes – Jacobin Magazine e Socialist Alternative

    Fotos – Jacobin Magazine (Facebook)

     

     

     

     

     

    [1] https://esquerdaonline.com.br/2017/11/18/eleicoes-estaduais-nos-eua-vitoria-dos-democratas-e-avanco-da-esquerda-socialista/