Centrais sindicais repudiam afirmação de Bolsonaro de que é horrível ser patrão no Brasil

Da Redação

A afirmação de Jair Bolsonaro (PSL) de que é ‘horrível ser patrão no Brasil’ foi repudiada pelas principais centrais sindicais do país, que saíram em defesa da organização e dos direitos dos trabalhadores. De acordo com o presidente eleito, leis trabalhistas prejudicariam interesses dos patrões. Além da afirmação, Bolsonaro já anunciou a extinção no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em seu governo, que seria desmembrado em três áreas, nos ministérios da Justiça, Economia e Cidadania.

“Quero cumprimentar quem votou na reforma trabalhista. Devemos aprofundar isso daí. Ninguém mais quer ser patrão no Brasil, é horrível ser patrão no Brasil com essa legislação que está aí”, afirmou Bolsonaro, em reunião com parlamentares do MDB. O presidente eleito culpou os direitos pela falta de empregos e comemorou que ações trabalhistas tenham diminuído com a Reforma Trabalhista. Ainda, convocou os empregadores para entrar no que chamou de guerra de informação. “Tenho dito aos empregadores, eles têm que entrar nessa guerra, não deixar a cargo do governo”, afirmou.

As centrais sindicais CUT, Força Sindical, CTB, Nova Central e CSB divulgaram nota conjunta, nesta quarta-feira (5), em repúdio aos últimos posicionamentos de Bolsonaro sobre os trabalhadores. A CSP-Conlutas também divulgou em seu site o repúdio à afirmação de Bolsonaro e a seu intuito de aprofundar a Reforma Trabalhista.  

Leia, abaixo, a íntegra da nota das centrais CUT, Força Sindical, CTB, Nova Central e CSB

– A declaração do presidente eleito, Jair Bolsonaro, que disse que “é horrível ser patrão no Brasil”, reflete sua falta de consideração e demonstra total desconhecimento da situação causada pela reforma trabalhista, que resultou em perda de direitos e não gerou empregos no País. É lamentável que, em uma nação com 13 milhões de desempregados, o presidente eleito faça tal declaração para agradar apenas aos empresários, que financiaram e apoiaram sua eleição.

– Sobre o fim do Ministério do Trabalho, as Centrais Sindicais lembram que o MT foi criado em 1930, e que cumpre um papel importante na sociedade. Vale ressaltar que sua função é discutir questões como as políticas necessárias para a criação de empregos e a geração de renda, auxílios ao trabalhador, fazer evoluir as relações de trabalho, fiscalizar, promover políticas salariais, de formação e desenvolvimento para os trabalhadores e garantir segurança e saúde no trabalho. Desta forma, a importância e a relevância política do MT são inquestionáveis.

– É preocupante o fim do MT. Para a classe trabalhadora isto representará um retrocesso político que vai resultar em enormes prejuízos aos trabalhadores da ativa, aos aposentados e aos pensionistas. A fiscalização contra trabalhos análogos à escravidão e à prevenção contra acidentes serão desarticuladas, gerando enormes prejuízos à sociedade. E os números já são alarmantes: em 2015 tivemos o registro de 376 mil casos de afastamento em função de acidentes de trabalho.

– A extinção do Ministério do Trabalho viola vários artigos da Constituição e Convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que já foram ratificadas pelo Brasil.

– A transferência do registro sindical para o Ministério da Justiça tem o claro propósito de criminalizar a ação sindical.

– O Brasil precisa de um Ministério do Trabalho técnico, forte, parceiro e protagonista na luta contra a recessão e pela retomada do crescimento econômico do País, com respeito aos direitos sociais, previdenciários e trabalhistas da classe trabalhadora, geração de empregos, distribuição de renda e inclusão social.

Miguel Torres
presidente da Força Sindical

Antonio Neto
presidente da CSB – Central dos Sindicatos Brasileiros

Vagner Freitas
presidente da CUT – Central Única dos Trabalhadores

Adilson Araújo
presidente da CTB – Central dos Trabalhadores Brasileiros

José Calixto
presidente da NCST – Nova Central Sindical dos Trabalhadores

Foto: CTB

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