Daily Archives

14 Dezembro, 2016
  • PEC do Fim do Mundo aprovada! E agora?

    EDITORIAL 14 DE DEZEMBRO

    É preciso lutar, é possível vencer!

    Assim como no primeiro turno, o governo cumpriu o rito de audiências e votações no segundo turno e os senadores, em sua maioria, aprovaram a PEC do fim do mundo. VitÓria dos poderosos, que mesmo diante de uma crise política profunda, não abriram mão da unidade em torno da aplicação do ajuste fiscal, em especial da PEC 55. Mais à frente será a vez da Reforma da Previdência.

    O acordo nos bastidores do STF para tirar Renan Calheiros da linha sucessória da presidência da República, mas mantendo-o na presidência do Senado foi um desgaste assumido pelos poderosos que operam o regime, que contou com a ajuda do próprio PT, vide o papel que cumpriu o senador Jorge Viana, para garantir a aplicação do ajuste. Nem a crise institucional que surgiu foi capaz de ruir a unidade em torno da aprovação da PEC 55. Henrique Meirelles tem conseguido saltar a crise política e redesenhar a constituição de 88, reavendo as mínimas concessões que ali estão, para atender os interesses do capital. Primeiro, remendando com a PEC 55 e em breve reescrevendo com a PEC 287 (Reforma da Previdência), mais uma bomba atômica contra direitos sociais que está sendo preparada por um Congresso corrupto sob orientação do governo ilegítimo de Michel Temer, mais corrupto ainda.

    Muitos ativistas devem estar tristes e desanimados, mas agora é hora de dar a volta por cima e não desistir da luta. Fizemos bonito e podemos fazer muito mais, aprendendo com nossos erros e fortalecendo o diálogo entre a esquerda e suas distintas concepções para não perdermos de vista as possibilidades de sempre construir ampla unidade de ação para lutar.

    A resistência cresce
    Houve forte resistência dos trabalhadores e da juventude contra a PEC do Fim do Mundo, que ajudou a desgastar o governo Temer e o próprio Congresso, que aumentou a audiência sobre o tema na sociedade, ganhando parte significativa da opinião publica. A greve da educação federal em unidade com as ocupações do movimento estudantil, a construção da unidade em torno da grande marcha da educação em Brasília no dia 29 e as manifestações que também ocorrem no dia 13 foram vitórias políticas importantes e que sem dúvida nenhuma foram o maior enfrentamento contra Temer e o Congresso desde o impeachment consolidado. Precisamos ter orgulho de tudo o que fizemos e ter disposição pra fazer muito mais.

    Mas, ter orgulho da nossa luta não pode nos cegar pela arrogância. Para impedir que Temer e esse Congresso sigam em frente com tal ofensiva, vai ser preciso ampliar a unidade de ação contra a Reforma da Previdência e outros ataques. As centrais sindicais majoritárias precisam mudar a postura que tiveram esse ano e a busca por ações que movam milhões e que paralise setores estratégicos da economia deve ser uma prioridade. Só o setor da educação não conseguirá derrotar o ajuste.

    É preciso organizar já a luta contra a Reforma da Previdência
    A luta contra a Reforma da Previdência promete ser mais explosiva do que os enfrentamentos que se deram esse ano. O governo Temer e o Congresso estão mais desgastados também por conta da crise política (Delações da Odebrecht). Há conversas nos bastidores que indicam graves fissuras na base aliada e há quem já está aceitando discutir a queda de Temer e os desdobramentos. Será diante desse cenário mais difícil para Temer que se dará a luta contra a Reforma da Previdência e outros ataques que vão tramitar no Congresso em 2017.

    Por isso, desde já, todo o movimento precisa começar a construir uma forte e ampla campanha denunciando as consequências desastrosas para os trabalhadores nas escolas, nas fábricas, nas associações de bairro e nas redes sociais. Temos que despertar a indignação das pessoas em não aceitar de maneira nenhuma que um Congresso de ladrões roube também os nossos direitos.

    Temer precisa ser derrubado para a realização de eleições gerais no país
    Não está sendo fácil para os senhores do capital administrarem uma crise política grave e ao mesmo tempo conseguir avançar com a aplicação do ajuste fiscal. Nada garante que manterão o controle da situação por muito tempo, como também nada nos autoriza a pensar que os trabalhadores não irão se levantar e sacudir a conjuntura política do Brasil invertendo inclusive a correlação de forças. Para aprovar a PEC 55, o governo Temer usou de muita violência e repressão contra os manifestantes, como também vários governos estaduais como Rolemberg, no Distrito Federal, tiveram a mesma postura.

    A margem de manobra para saídas negociadas dos conflitos sociais diminuiu de tamanho. A violência da polícia militar é a única forma dos poderosos imporem à força sua vontade, é a garantia final que seus interesses prevaleceram mesmo que não tenham a razão e nem os melhores argumentos. As experiências das lutas do século XXI não deixam dúvidas que é preciso que o movimento avance no desenvolvimento da sua auto defesa. Todo ataque aos direitos sociais terão sempre o conflito explosivo como forma de desenlace por ser absolutamente irreconciliável os interesses de classe em jogo.

    Por último, todo o movimento sindical e a juventude tem uma grande responsabilidade nesse momento, em não só construir uma forte unidade para lutar, mas também apresentar uma saída política para a crise. O Fora Temer e a exigência das eleições gerais precisam ser um objetivo a ser perseguido, associado à luta econômica e democrática e que, necessariamente, precisam se massificar entre os trabalhadores e toda juventude.

    Foto: Julia Gabriela | Esquerda Online

  • Morreu Dom Paulo e mais uma vez este ano fiquei melancólico

    Por: Valério Arcary, colunista do Esquerda Online

    Que ano terrível este 2016.

    Esta foto foi tirada quando do velório de Vladimir Herzog e diz muito para mim. Diz o que não sou agora capaz de dizer, porque quero silêncio.

    Um homem de coragem partiu, e estamos mais sozinhos.
    Aqueles que não foram contemporâneos da luta contra a ditadura não compreenderão, possivelmente, os sentimentos dos mais velhos. Na luta de classes temos amigos e camaradas, adversários e inimigos. E temos, também, os aliados. As pessoas não podem ser resumidas às organizações das quais participam. Nas mesmas instituições há pessoas de índoles e caráter muito diferentes umas das outras.

    Há grandeza e há vilania.
    A Igreja Católica apoiou o golpe de 1964.
    Nunca deveremos esquecer isso. A lição deve ficar para sempre.

    Mas Dom Paulo foi um ponto de apoio essencial na resistência.
    Não será esquecido. Quando triunfar a revolução brasileira celebraremos a sua memória como um dos valentes que se levantou contra a tirania.

  • 16 de dezembro, em Osasco: dia de protestar contra roubalheira na cidade e pelo Fora Temer

    Por: André Valuche, de Osasco, SP

    No dia 6 de dezembro, Osasco virou manchete nacional quando 14 dos 21 vereadores da cidade tiveram prisão preventiva decretada em função de um grande esquema de corrupção que teria desviado ao menos R$ 21 milhões dos cofres públicos. Segundo o Ministério Público, os vereadores contratavam apadrinhados que não trabalhavam, mas recebiam como funcionários. Em troca, os parlamentares ficavam com parte dos salários dos funcionários fantasmas.

    Entre os investigados com mandado de prisão expedida estão vereadores do PTN (1), PT do B (2), PSDB (2), PEN (1), PDT (1), PROS (1), PT (1), PSD (1), PTB (1), PRB (1) e PC do B (1) e até o prefeito eleito e atual vereador pelo PTN, Rogério Lins. Sete desses vereadores foram reeleitos e Rogério Lins segue foragido “em férias” em Miami, nos Estados Unidos.

    “Não tem dinheiro para saúde, para educação, para moradia e transportem mas para roubar do povo tem?, é a pergunta que não sai da cabeça dos osasquenses e dos milhões de brasileiros. “O sistema de saúde em Osasco passa por uma situação de completo sucateamento, o único hospital central Antônio Giglio foi terceirizado. Nos postos de saúde tá faltando tudo. Até mesmo o mais básico como receituários especiais, fita de medição para diabetes, seringas, agulhas”, afirma Solange Pall, ex-candidata a prefeita pelo PSOL e a única mulher entre os nove candidatos. Solange é uma das organizadoras do protesto dessa sexta.

    “Nos somamos a essa manifestação pois entendemos que a corrupção é parte do mesmo ataque aos direitos dos trabalhadores que Temer e governos locais estão fazendo com o apoio da maioria dos senadores e deputados em Brasília e dos vereadores da nossa cidade. São os recursos fundamentais da saúde, educação e outras áreas desviados para pagar a dívida pública aos banqueiros e propinas aos parlamentares e governantes de plantão”, completou Roger Reis, professor e militante do MAIS.

    A delação bomba do executivo da Odebrechet comprovou que a corrupção é também pagamento de gordas comissões para deputados, senadores e membros do governo, para aprovarem medidas a favor dos empresários contra os trabalhadores.

    No dia 16, vamos ocupar as ruas de Osasco contra a roubalheira dos vereadores. Mas, também levantaremos a bandeira do Fora Temer, chefe maior da quadrilha e apoiado por boa parte dos vereadores presos, e por eleições gerais, contra a PEC 55 e a Reforma da Previdência.

    Vamos lá! Leve seu cartaz, sua bandeira, seu grito e sua indignação! O povo unido jamais será vencido!

    DATA: sexta-feira, 16/12
    HORÁRIO: a partir das 17h30
    LOCAL: no largo em frente à estação de Osasco

    Foto: Reprodução TV Globo

  • Cultura Geek e a Sociedade  - Primeira Parte

    Por: Mariana Rio, do Rio de Janeiro, RJ

    Estava esperado numa fila, quando me virei e dei de cara com Capitão América que estava do lado da Arlequina. Quando entrei no auditório, assisti um bate papo com Aaron de “The walking dead”, saindo do painel, dei uma passada na lanchonete para comer pipoca na cabeça de um Stormtroopers. E assim foram os quatro dias que estive no CCXP — Comic Con Experience 2016, maior evento de cultura geek do país. Esse foi o segundo ano que estive no evento, primeiro que fui nos quatro dias. Em amplo crescimento, a CCXP contou com 196 mil visitantes que consumiram centenas de conteúdos relacionados à cultura pop mundial.

    Mas, para muitas pessoas essa ideia de cultura pop é obscura. De certa maneira, todos nós moradores de áreas urbanizadas com acesso à televisão consumimos cultura pop. O conceito se diferencia da cultura popular pela sua comercialização e origem, que em sua maioria vem dos países de capitalismo avançado como EUA e Japão, que possuem uma industrial cultural desenvolvida e organizada.

    Como um exemplo da geração millenium, literalmente nasci vendo televisão, gosto de pensar que a televisão foi minha segunda mãe, não menosprezado a educação dos meus pais, mas na televisão, nos desenhos como Cavaleiros dos Zodíacos aprendi os valores que levo até hoje para a vida.

    De certa maneira, podemos considerar a geração millenium como uma geração geek em sua essência, alguns mais, outros menos, mas todos esses jovens foram expostos ao turbilhão de conteúdo desde criança. Faça o teste. Duvido que tenham mais do que cinco pessoas da faixa dos 25 e 30 anos, que possuía televisão quando criança, e não tenha assistido Cavaleiro do Zodíaco na extinta TV Manchete e Dragon Ball Z na TV Globinho.

    Todo esse boom promovido pela inclusão de famosas editoras estadunidense de comics no mundo cinematográfico, transformou um mercado antigo de nicho, numa verdadeira máquina de fazer dinheiro. Hoje, não saber que Luke Skywalker é filho do Darth Vader não prejudica em nada as pessoas em consumirem bilhões em mercadorias de Rogue One. Das dez maiores bilheterias do cinema de todos os tempos, nove são de filmes do gênero fantasia e super-heróis.

    Nunca imaginação esteve tão na moda, mas, ao mesmo tempo, nunca a imaginação foi tão controlada e fabricada. Não sou daquelas pessoas que querem manter a cultura geek como cultura undergraund para satisfazer sua necessidade de exclusividade. Para mim, quanto mais popular, melhor. Mas, é necessário debatermos o estado de alienação e falta de qualidade que a chamada cultura geek vem passado.

    Primeiro, quando me refiro a cultura geek estou colocando tudo no mesmo bolo. Otakus, tecnerd, viciados em música pop e geek. Não consigo tratar das múltiplas especificações desse mundo pop. Na minha opinião, os geek estão mais na moda do que outros setores por causa do cinema.

    A chamada cultura geek é uma cultura de classe média, não vamos nos enganar. Ir ao cinema, comprar quadrinhos, PS4 e ir a eventos especializados custa dinheiro, devido a isso esse conceito é difícil de ser pensado além das operações de marketing. Como o Globo Repórter diria: Quem são essas pessoas? Como comem? Onde vivem? Segundo uma recente pesquisa promovida pelo grupo omelete, que aponta os hábitos e perfil dos consumidores de cultura pop nos Brasil, estamos falando de um tipo de consumidor que está longe der ser um ávido lutador contra a alienação.

    Segundo a pesquisa, os fãs de cultura geek em sua ampla maioria são homens e mulheres brancas entre 18 e 34 anos (68%), moram no Sudeste (60%), possuem Ensino Superior completo, ou estão cursando (65%), contam com uma renda familiar entre dois e dez salários-mínimos (64%) e gostam de fazer compras online (91%).

    Esse perfil já coloca os fãs de cultura geek em um setor específico na sociedade. Nesse sentido, podemos diferenciar o consumidor direto e indireto desse mundo pop. Como disse em cima, de uma forma ou de outra todos moradores urbanos que possuem televisão são consumidores da chamada cultura pop. Mas, exite um setor da sociedade que vai além disso, eles gasta rios de dinheiro pelas suas paixões. Alguns desses indivíduos, vivem a partir dessas paixões. Cansei de ler notícias de jovens Otakus que se submeteram às cirurgias para parecer com algum personagem de anime.

    Um mundo que parece piada para algumas pessoas, principalmente do campo de esquerda, vem ganhado os corações e mentes de milhões de jovens pelo mundo. Harry Potter é mais uma inspiração de vida do que Che Guevara, para essa juventude millenium. E o pior de tudo isso é que pouco debate vem sendo feito sobre isso. Vejo todo esse boom da cultura pop relacionada com o tempo em que vivemos. O que diabos afinal é cultura pop além do boca a boca da atualidade? Um meme, um brinquedo podem ter o mesmo valor que um filme, a rapidez, a superconectividade vem produzindo uma massa de pessoas que consomem imaginação, mas não conseguem imaginar. O problema de mercantilizar uma paixão é a alienação que isso provoca nos apaixonados.

    Comic Con Experience, por exemplo, é uma propaganda pura. As pessoas pagam para consumir e gastam dinheiro. Mesmo assim, eu ainda prefiro um evento desse, que tem espaço para variedade, do que nenhum evento. Mesmo com esse panorama, existe residência. Já fui colecionadora de muitas coisas na vida. De todas as minhas coleções, os quadrinhos são os mais valiosos e queridos. Eu tenho visto, nos últimos dez anos, um mercado que era dominado por homens velhos, e com pouca reimpressão, explodir. Os quadrinhos brasileiros, mesmo com pouco incetivo, vêm sendo organizado como há muito tempo não conseguia. As mulheres, que historicamente eram deixadas de lado, além de consumidoras estão produzindo muita coisa boa por aqui.

    Nesse sentido, esse fenômeno chamando cultura geek é possuir caraterística tridimensionais. Foi o sistema capitalista que criou a cultura pop, tem total domínio sobre sua criação. Mas, mesmo assim, como no cinema, a arte inventada pelo capitalismo, exite diferentes formas de apropriação cultural. No próximo texto, vou discutir a influência dos videogames na massificação da cultura pop.

  • Em defesa de Juary Chagas, começamos a campanha pela readmissão, em Porto Alegre

    Por: Francisco da Silva

    No dia 9 de dezembro, em meio a plenária na faculdade de Direito da UFRGS para debater a situação política do país, organizamos uma moção em defesa do camarada Juary Chagas como um primeiro passo da campanha contra a demissão e perseguição política que o nosso companheiro vem sofrendo por parte da Caixa Econômica Federal. Entenda mais sobre o caso clicando aqui .

    Leia, abaixo, a moção na íntegra:

    MOÇÃO EM SOLIDARIEDADE AO CAMARADA JUARY CHAGAS

    Juary Chagas é bancário e servidor da Caixa Econômica Federal. Militante do MAIS, sofre um processo de perseguição política desde maio deste ano, que culminou em sua suspensão com pedido de demissão por justa causa no último dia 18 de novembro.

    O gerente de Tecnologia da Caixa em Recife, Murilo Alves, e as chefias da Caixa Econômica Federal querem demitir Juary porque ele é um reconhecido lutador da categoria e liderança da CSP-CONLUTAS. Desde Natal, (RN) realizaremos no próximo dia 15 de dezembro atos públicos em diversas cidades contra essa perseguição.

    Um por todos e todos por um! Nós ativistas, abaixo assinados, começamos agora uma campanha contra a demissão e pela imediata revogação do processo administrativo. Não à criminalização dos movimentos sociais. Seguiremos com essa campanha até que Juary seja reintegrado e o processo arquivado.

    1 – Karen Morais dos Santos – Movimento Negro, Coletivo Alicerce.

    2 – Shin Nishimura – Professor, Coletivo Alicerce.

    3 – Marina El Hajjar Meneghel – Professora, Coletivo Alicerce.

    4- Wilson Brito – Sociólogo

    5 – Letícia Matos – Estudante

    6 – Igor Veloso – Ator e produtor

    7 – Lucas Reco – Estudante

    8 – Luciano Piazetta – Estudante

    9 – Giovani Kuhn – Professor, Coletivo Alicerce.

    10 – Otávio Gonçalves

    11 – Daniela Conte

    12 – João Genaro Neto – Professor municipal, Alicerce

    13 – Caio Bruno Bassi – Estudante

    14 – Otávio Barradas – Servidor Federal

    15 – Douglas Fapes – Coletivo Alicerce

    16 – Liana Ribeiro  – Estudante

    17 – Tzusy Estivalet – Professora, Coletivo Alicerce

    18 – Bárbara Biolchi – Coletivo Alicerce

    19 – Eder Maciel da Silva –

    20 – Roberto Vesolovski

    21 – Nara Silva

    22 – Guilherme Kranz – Estudante, MRT

    23 – Fabrício Gonzales – Estudante, MRT

    24 – Thiago Rodrigues, bancário CEF, MRT

    25 – Isabella Filippini

    26 – Giovanni Frizzo – PCB

    27 – Leonardo Silvestrin – PCB

    28 – Theo Pagot – UJC

    29 – Felipe Amaro – PCB

    30 – Bruno Inghes

    31 – Átila Tresohlavy – UJC

    32 – Rafael Melo – PCB

    33 – Desirée Moler – UJC

    34 – Julia Rocha Clasen – UJC

    35 – Tauana Terra de Mendonça

    36 – Tayná Corrêa de Oliveira – UJC

    37 – Erón D’Ávila – DS/PT

    38 – Ricthele Vergara – Estudante de Direito UFRGS

    39 – Juliano Figueira  – Estudante de Fisioterapia

    40 – Alexandre do Carmo – Estudante de Direito UFRGS

    41 – João Pedro Pita – Estudante de Direito UFRGS

    42 – Kimberley dos Santos  – Estudante de Direito UFRGS

    43 – Pedro Porto dos Santos – Estudante de Direito UFRGS

    44 – Matheus Gomes – MAIS

    45 – Ronaldo Pinto

    46 – Julia Corrêa

    47 – Lucas Fagundes – MAIS

    48 – Matheus Sanguiné

    49 – Juliana B – MAIS

    50 – Edir de Moraes

    51 – Milena de Moraes

    52 – Bianca Barreto – MAIS

    53 – Felipe Pereira – MAIS

    54 – Pedro Rosa – MAIS

    55 – Flávio Falcão – Técnico administrativo

    56 – Hilda Dobal – MAIS

    57 – Martina Gomes – MAIS

    58 – Artemi Fagundes – servidor municipal, MAIS

    59 – Altemir Cozer – Professor, MAIS

    60 – Davi Dietricht – Professor, MAIS

    61 – José Cardoso  – Professor municipal

    62 – Diogo Correia – UJC

    63 – Lucas F. – metalúrgico, MAIS

  • Previdência: suspender o pagamento da dívida pública para garantir o amanhã

    Por: Edgar Passos, de Mogi das Cruzes, SP

    Repentinamente, a Previdência está quebrada. “A reforma é urgente”, ou ainda “sem a reforma os benefícios não serão pagos no futuro” e também ” é uma realidade mundial”. São incontáveis os argumentos com os quais somos bombardeados nos últimos dias. O mito do déficit da previdência parece um mantra infernal e incontornável. Mas, por trás dos detalhes econômicos excessivamente complexos e das minúcias jurídicas, a sensação de que estamos sendo sacaneados parece unânime. De fato, estamos sendo assaltados, e há muito tempo. Nesse momento, o que querem é ampliar, e muito, o tamanho do saque.

    De acordo com a Lei Orçamentária Anual, em 2015 o Governo Federal, com uma gigantesca carga tributária imposta sobre uma das sete maiores economias do mundo, contou com R$ 2,86 trilhões em seu orçamento. Quase metade, mais de R$ 1,356 trilhões foram entregues aos banqueiros através do pagamento de juros e amortizações da dívida pública. Os benefícios previdenciários e assistenciais, ditos insustentáveis, consumiram apenas 18,6% do orçamento, R$ 526 bilhões. Ou seja, para o batalhão de especialistas econômicos em seu coro atordoante de que “a reforma da previdência é inevitável”, a montanha de dinheiro entregue aos bancos sequer é digna de ser mencionada como um problema no orçamento.

    Pior, escondem o fato de que a dívida pública é um flagrante caso de agiotagem, proibido pela constituição. Juros sobre juros que formam um mecanismo de extração de riquezas eterno, que está nos condenando, neste momento, a bater o ponto até a morte, se não cairmos antes no desemprego.

    O fato é que basta a suspensão do pagamento da dívida pública e a execução de sua auditoria, pendente desde a aprovação da Constituição de 1988, para deixarmos de sustentar os lucros exorbitantes do capital financeiro e garantir o mínimo àqueles que dedicam os melhores anos de suas vidas para construir a riqueza desse país, os trabalhadores.

    No entanto, essa medida relativamente simples, que faz tremer a agiotagem internacional, vai exigir de nossa classe a superação da fragmentação das lutas e uma profunda obstinação para encarar a blitz armada para arrancar o pouco que temos.

    Temer e o Congresso já demonstraram do que são capazes, é nossa vez de dar troco.

    Foto: Marcos Santos/USP Imagens

  • Aleppo: «Quero viver livre e dignamente. E isso é um crime para o regime de Bashar»

    Publico originalmente em A l’Eccontre em 13/12/2016

    conscricao

    Homens jovens que fugiram de Aleppo foram conscritos forçadamente nas “tropas de choque” do regime contra os “bolsões de resistência” em Aleppo Oriental

    Pela Redação de A l’Encontre

    Segunda-feira (12) e terça-feira (13), as milícias controladas pelo regime iraniano – os Guardiões da revolução, o Hezbollah, as milícias vindas do Iraque – e as forças especiais da ditadura de Bashar el-Assad, apoiados diretamente pelos bombardeios da aviação russa, retomaram, distrito após distritos, a maioria de Aleppo Oriental graças a uma barragem de fogo que não cessou de crescer. Sabe-se de forma documentada que os bombardeios com bombas de fósforo, ou seja, obuses incendiários, fizeram vítimas civis, queimadas em plena rua.

    Jovens rebeldes que se recusavam a ir para as zonas controladas pelos serviços especiais, pela polícia e pelo exército da ditadura. Nas redes sociais, confessavam seu medo de ser presos, torturados e executados. Efetivamente, informações coincidentes sobre tais abusos foram confirmadas, as que se acrescentam a conscrição forçada – documentadas pelos jornalistas que se encontram em Aleppo Ocidental – de homens jovens que fugiram de Aleppo nas brigadas pró-regime e enviados para a primeira linha de combate contra os últimos bolsões mantidos pela rebelião.

    Os que se recusaram são “entregues” aos serviços especiais do regime, os Moukhabarat, que mataram cerca de 40.000 pessoas desde 2011.

    Omar Ouahmane, correspondente da France Culture, reuniu vários testemunhos difundidos neste 13 de dezembro, em seu jornal das 7h: «Mondher passou os últimos cincos anos de sua vida testemunhando primeiro a repressão do regime de Bashar el-Assad, e depois os horrores da guerra civil. Para esse jovem pai de família, é melhor morrer do que voltar para as zonas controladas pelas forças governamentais. Ele declarou “ Não posso ir para as zonas controladas pelo regime”.

    As pessoas são torturadas e mortas em grande número lá. É o regime que assassinou centenas de milhares de pessoas. Não terá nenhuma piedade. »Permanecer nos bairros rebeldes de Aleppo, quaisquer que sejam as consequências, é também a escolha que fez Mohammed para quem a liberdade não tem preço: «Por que não vou para a parte sob controle do regime? Porque eu seria preso. Quero viver livre e dignamente. E isso é um crime para o regime de Bashar. Centenas de pessoas que decidiram ir para as zonas controladas pelo regime hoje são consideradas como desaparecidas e esse seria também o meu caso. Alguns foram recrutados à força no exército do regime. E outros estão presos. » O único crime desses ativistas é o de ter testemunhado os abusos do regime sírio. »

    Raphaël Pitti – u, ex-médico militar francês que cuidou, junto com outras pessoas em Aleppo, da formação de pessoal médico, os Praticantes da União das associações sírias de socorro médico, tendo estado sempre em contato com o pessoal médico presente no que resta da zona rebelde – declarava no dia 13 de dezembro ao jornalista Eric Biegala que as forças ditas legalistas “queimaram famílias dentro de suas casas. Eles executaram de forma sumária trinta crianças perto do cemitério. No hospital Al-Hayat mataram o conjunto do pessoal médico, bem como os doentes que estavam naquele hospital. As pessoas estão aterrorizadas. »

    Os «boinas vermelhas »: de Grozny a Aleppo
    No momento em que a aviação de Putin multiplica seus bombardeios: «as unidades especiais chechenas foram enviadas para a Síria, para realizar uma missão de ‘polícia militar’ e fazer a segurança da base aérea russa situada na província de Latakia. Dezenas de soldados que se preparam para embarcar em uma pista apareceram em um vídeo tornado público no dia 6 de dezembro e difundida, na quinta-feira, por um site ligado ao ministério da defesa e pela mídia russa», como relatado por Isabelle Mandraud no Le Monde de 10 de dezembro de 2016.

    A experiência de Grozny – uma cidade que foi destruída e cuja população « rebelde » foi reprimida por métodos idênticos aos utilizados na Síria e em Aleppo – está sendo reciclada. Segundo o que diz Isabelle Mandraud: «A presença de militares chechenos na Síria constitui de fato um símbolo, como parecia sugerir um Tweet da embaixada russa nos Estados Unidos que foi publicado em outubro. Acompanhado de fotos recentes de Grozny, devastada pelos bombardeios russos no começo dos anos 2000 e depois reconstruída, a mensagem insistia no fato de que essa cidade, depois, tinha se tornado «aprazível, moderna e próspera”: “Não seria a solução que buscamos? John Kerry? Boris Johnson?”, foi escrito com a palavra-chave ‘Aleppo”.»

    Aleppo oriental destruída, os caças Soukhoï, entre outros embarcados no porta-aviões Admiral-Kouznetsov, poderão bombardear a província de Idlib, a única saída que foi deixada para a população de Aleppo para tentar escapar do massacre.

    A sinistra experiência de Grozny se repetiu aqui: em 2007, os « campos de refugiados », entre outros o de Tchernokosovo, serviram para «filtrar os resistentes”, em outras palavras, para torturá-los, executá-los ou exigir somas enormes para sua liberação. As práticas conjugadas dos Moukhabarat e dos « boinas vermelhas » chechenos – os últimos colocados formalmente sob o comando de Ramzan Kadyrov – poderão cometer novos crimes sob a cobertura da “luta contra o terrorismo».

    A destruição de Aleppo Oriental e o martírio infligido à sua população não como único objetivo, segundo a fórmula atual da mídia, “retomar o controle do pulmão econômico da Síria». Para a ditadura de Assad e para os poderes políticos e militares que o enquadram (Irã, Rússia), trata-se de infligir uma derrota completa a uma das expressões, depois de 2012, do potencial que representou a «revolução síria» com suas estruturas locais que exigiam uma luta, uma resistência, depois uma sobrevivência das mais difíceis frente a uma contrarrevolução apoiada pela massiva intervenção aérea russa depois de outubro de 2015. É o que ressaltou, à sua forma, Brita Hagi Hasan, presidente do conselho local de Aleppo Oriental, nas duas conferências proferidas em Lausane e Genebra no dia 11 de dezembro.

    (Redacão de A l’Encontre)