Quem ganhou as eleições?


Publicado em: 30 de outubro de 2026

Coordenação Nacional do Movimento Revide

Esse post foi criado pelo Esquerda Online.

Coordenação Nacional do Movimento Revide

Esquerda Online

Esse post foi criado pelo Esquerda Online.

Compartilhe:
Ouça a Notícia:

“Como é que posso com este mundo? A vida é ingrata no macio de si; transtraz a esperança mesmo do meio do fel do desespero.” (Grande Sertão: Veredas, João Guimarães Rosa)

Vivemos dias históricos no Brasil. Ao final do primeiro turno, em 4 de outubro, a vitória do bolsonarismo no Brasil parecia um fato quase consumado para boa parte da opinião pública. Porém, a reviravolta do segundo turno, não só consolidou o presidente Lula como a maior liderança política da história do país, como também travou o forte avanço da extrema direita em nosso continente.

O resultado do primeiro turno foi uma avalanche da extrema direita. É verdade que ela atingiu em cheio os partidos do “Centrão”, mas também causou um grande abalo na confiança das forças de esquerda. Vitórias acachapantes nos governos estaduais, maioria no Senado e resultados recordes para a Câmara dos Deputados. Tudo isso com seu principal líder, Jair Bolsonaro, fora de combate, impossibilitado de realizar qualquer ação política. O cenário não era animador.

Então, o que ocorreu? No dia seguinte, 5 de outubro, a juventude organizada da Universidade Federal Fluminense se pôs em marcha e realizou um expressivo ato na cidade de Niterói-RJ. Nos dias seguintes, impulsionadas pela UNE, pelas entidades estudantis do campo da majoritária e por uma série de agrupamentos de jovens independentes que se apresentaram para a luta, as universidades brasileiras foram tomadas por ações. Atos e assembleias começaram a organizar a reação e a planejar panfletagens nos bairros, territórios, bares e igrejas.

O que ocorreu foi que todo um segmento da sociedade, inclinado às ideias da esquerda e impulsionado pelos jovens, converteu-se em ativista da campanha eleitoral da noite para o dia, para barrar o retorno da extrema direita e reeleger Lula. Lutaram com unhas e dentes contra a mudança de regime que se avizinhava em um futuro governo Bolsonaro com maioria no Congresso e no Senado. Lutaram pelos seus direitos conquistados e tão atacados nos últimos anos. E foram três semanas de enormes mobilizações, comparáveis às das Diretas Já, que ocorreram há mais de 40 anos.

A juventude foi o estopim que colocou em movimento toda uma ampla gama de sujeitos. Foi essa união, da força e do engajamento do movimento de mulheres e LGBTI+, dos movimentos indígenas e ambientais, do povo negro, dos Fandoms e artistas, e dos idosos de todo Brasil, que pavimentou nossa vitória.

Nós, do Revide, nos colocamos na linha de frente desse processo desde o primeiro momento. Organizamos grupos de vira-voto, panfletagens, assembleias e atos. Nossa iniciativa da “Caravana Pra Fazer Acontecer”, com o deputado federal eleito Guilherme Cortez, reuniu milhares de jovens de diversas regiões do país e nos deu força e estratégia para atravessar esse período

O processo combinou a espontaneidade e a criatividade das novas pessoas que se engajaram pela primeira vez na luta com a coordenação e a colaboração das entidades e dos coletivos estudantis. Nós, do Revide, nos colocamos na linha de frente desse processo desde o primeiro momento. Organizamos grupos de vira-voto, panfletagens, assembleias e atos. Nossa iniciativa da “Caravana Pra Fazer Acontecer”, com o deputado federal eleito Guilherme Cortez, reuniu milhares de jovens de diversas regiões do país e nos deu força e estratégia para atravessar esse período.

A avalanche nas redes sociais provocada pelo “Exército do Lula” foi fundamental. Pela primeira vez desde 2018, vencemos a batalha das redes contra a extrema direita, mesmo com a brutal interferência da Meta contra a esquerda. André Janones reuniu pouco menos de 11 milhões de pessoas que estavam dispostas a trabalhar de forma coordenada para ampliar nossa força, divulgar a linha da campanha e desacreditar o inimigo. Vencemos tudo que há de pior: as Big Techs, o imperialismo norte americano de Trump, as Bet’s, o mercado financeiro, a milícia e o agronegócio. Isso só foi possível graças à força popular.

Por fim, cabe destacar que a campanha de Lula soube corrigir rotas e absorver o que houve de mais progressivo e genuíno na reação popular contra o resultado do primeiro turno. Lula partiu para a ofensiva contra Flávio Bolsonaro, esgarçou suas ligações corruptas com Vorcaro e Willer Tomaz, escancarou suas ligações com a milícia e a enorme distância entre seus interesses e os interesses do povo trabalhador brasileiro.

Fundamental foi o abandono, por parte de Lula, da resistência em falar do futuro. Ele apresentou propostas concretas, ampliou o Bolsa Família, sepultou de vez a escala 6×1, anistiou a dívida dos MEIs, anunciou a ampliação do programa Pé-de-Meia e apresentou uma proposta de tarifa zero aos finais de semana para todo o país. É o começo de um processo árduo de construção de uma alternativa de futuro que precisa superar a crise do capitalismo atual e seu subproduto político, que é a extrema direita. Sem apontarmos um caminho de desenvolvimento sustentável para a classe trabalhadora, que consiga a engajar politicamente mostrando que é possível que o amanhã seja melhor do que o ontem, vamos seguir perdendo terreno para a extrema direita e sua política que instrumentaliza os ressentimentos gerados pela crise do sistema capitalista.

Em Salvador, uma onda de solidariedade avassaladora impediu os planos do prefeito bolsonarista, que retirou os ônibus de circulação para que o povo não pudesse votar. Centenas de pessoas fizeram caravanas solidárias para garantir o voto do povo. Lula virou também em estados do Norte e aumentou a vantagem em todas as regiões do país.

O resultado todos nós vimos. Lula ganhou com 4 milhões de votos de vantagem, revertendo um resultado do primeiro turno pela primeira vez na Nova República. A virada aconteceu em todo o Brasil, com diferentes contornos e dimensões. Viramos em Minas Gerais, ampliamos muito a vantagem na capital paulista, ganhamos em Porto Alegre. Em Salvador, uma onda de solidariedade avassaladora impediu os planos do prefeito bolsonarista, que retirou os ônibus de circulação para que o povo não pudesse votar. Centenas de pessoas fizeram caravanas solidárias para garantir o voto do povo. Lula virou também em estados do Norte e aumentou a vantagem em todas as regiões do país.

>> Leia também: Segundo turno 2026: cronologia de uma vitória heróica

A virada só se explica porque Lula não só conquistou parte importante dos votos dos candidatos do primeiro turno, como também conseguiu virar parte dos votos de Flávio a seu favor. Além disso, a forte campanha em prol de Lula reverteu a abstenção em 1,9 ponto percentual, emocionando o país com as imagens de idosos que, muitas vezes com dificuldades de saúde, fizeram questão de ir às urnas para eleger Lula.

O que aprendemos?

A juventude brasileira teve três semanas de forte aprendizado político. Forjados na luta social direta, dando tudo de si, os jovens fizeram o impossível. A convicção abalada depois de quase uma década de avanço da extrema direita deu lugar à certeza de que a mobilização, combinada com a audácia e a coragem política, pode mover moinhos. Esse aprendizado não desaparecerá da noite para o dia.

Não podemos ter nenhuma ilusão em relação ao bolsonarismo. A extrema direita brasileira sofreu um duro golpe, e Flávio fugiu do país para não ser preso. Mas ela ainda preserva uma forte implantação social. Cresceu expressivamente mesmo com Jair fora de combate, o que é um importante sinal de resiliência. Vai seguir tentando construir seu retorno ao poder, boicotando o governo em todas as oportunidades nos próximos quatro anos.

Resta a nós, juventude organizada, colocarmos em prática aquilo que nós também aprendemos nessas semanas. Mais do que nunca, a ideia da governabilidade a frio, da conciliação sem mobilização, está praticamente inviabilizada pela correlação de forças no Parlamento

Em seu discurso após a vitória, Lula disse que aprendeu muito com essa eleição e que vai governar nesse quarto mandato com a força do povo. Resta a nós, juventude organizada, colocarmos em prática aquilo que nós também aprendemos nessas semanas. Mais do que nunca, a ideia da governabilidade a frio, da conciliação sem mobilização, está praticamente inviabilizada pela correlação de forças no Parlamento. A construção de uma Frente Ampla que isole o bolsonarismo só pode ser resultado de uma maioria social em permanente mobilização pela conquista de direitos e pela implementação das reformas estruturais de que esse país tanto precisa.

Fizemos o Revide acontecer! A juventude ousou tomar os rumos da história em suas mãos, e nós não vamos mais soltar.

 

Ver esse post no Instagram

 

Um post compartilhado por REVIDE RS (@revide.rs)


Contribua com a Esquerda Online

Faça a sua contribuição