O desafio de 2026: Reconquistar o futuro!

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Publicado em: 5 de agosto de 2026

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O que vem à cabeça quando você imagina o futuro? Guerras? Desemprego em massa? Desastre climático? Uma nova pandemia? Será que vou conseguir me aposentar? Terei um bom emprego?

De alguma forma, muitos pensam assim, e isso não acontece por acaso. É resultado de um sistema que já não consegue oferecer à juventude uma perspectiva de futuro. O capitalismo, em sua fase atual, avança de forma predatória sobre as condições de vida, transforma direitos em mercadorias, aprofunda desigualdades e produz uma sequência permanente de crises. Ao mesmo tempo, os 1% dos mais ricos atua para transformar essa agenda de crises em uma agenda de resignação, fazendo com que nossa geração olhe para o futuro com medo, naturalize a precariedade e deixe de acreditar que outro mundo é possível.

Nas eleições brasileiras de 2026, talvez mais do que nunca, a disputa sobre o que será o futuro está em jogo.

Brasil na mira de Trump

Os Estados Unidos atravessam um período de intensificação de sua política imperialista. Diante das disputas econômicas e geopolíticas do século XXI, sua estratégia tem sido ampliar os mecanismos de dominação sobre países soberanos, recorrendo à pressão econômica, à chantagem diplomática, às sanções, à intervenção política e, quando necessário, ao uso da força para preservar sua hegemonia e garantir o controle sobre mercados, recursos naturais e áreas consideradas estratégicas. Nesse cenário, a América Latina volta a ocupar um papel central na agenda norte-americana.

Desde que foi eleito em 2024, Trump aprofundou essa orientação ao colocar a ampliação da dominação dos Estados Unidos sobre a América Latina como uma de suas prioridades políticas.

As agressões imperialistas dos EUA escalaram de forma inédita na história recente. O ponto mais dramático foram os ataques aos países independentes do continente, como a ampliação do embargo contra o povo cubano — que colocou milhões em situação de extrema miséria — e o sequestro de Nicolás Maduro em solo venezuelano, em flagrante violação do direito internacional e da soberania nacional da Venezuela. Mais recentemente, a Casa Branca e a CIA interferiram abertamente em processos eleitorais importantes no Peru e na Colômbia, com o objetivo de garantir a vitória de seus aliados entreguistas em ambos os países.

As Big Techs dominam a disputa pelo poder no século XXI a partir da corrida tecnológica em torno da Inteligência Artificial. E o fato delas estarem alinhadas ideologicamente com a extrema-direita, tornam a situação ainda pior.

As Big Techs dominam a disputa pelo poder no século XXI a partir da corrida tecnológica em torno da Inteligência Artificial. E o fato delas estarem alinhadas ideologicamente com a extrema-direita, tornam a situação ainda pior. Essa aliança consolidou plataformas digitais cada vez mais receptivas à extrema direita, que opera de forma privilegiada dentro dessa lógica de funcionamento, enquanto a esquerda disputa um terreno desigual.

Trump quer derrotar Lula para desmoralizar a esquerda e combater a luta pela soberania regional da América Latina. Com isso, busca avançar nos planos de construção de regimes políticos cada vez mais autoritários, hipervigilantes e repressivos, sem a garantia de direitos ou de qualidade de vida e bem-estar mínimos para a grande maioria da população.

Isso significa que as eleições de 2026 não são apenas uma disputa eleitoral, mas um momento decisivo para que os povos brasileiro e latino-americano impeçam o avanço de um projeto imperialista que trata a América Latina como um quintal das grandes potências, subordinando sua soberania aos interesses econômicos e geopolíticos dos Estados Unidos. Nesse cenário, o Brasil exerce um papel central, defender sua soberania e sua independência significa também fortalecer a capacidade dos povos latino-americanos de resistirem à ofensiva da extrema direita e reafirmarem o direito de decidir seu próprio destino. Essa resistência passa também pela luta das mulheres, que historicamente estiveram na linha de frente da defesa da democracia, da justiça social e dos direitos populares. Não é por acaso que a extrema direita ataca os direitos reprodutivos, as políticas de combate à violência de gênero e a participação das mulheres na política. Mas é justamente a força da organização das mulheres, das juventudes e dos movimentos populares que mantém viva a esperança de derrotar o autoritarismo e construir uma América Latina mais soberana e altura de nossos sonhos.

A Resiliência do Neofascismo

O neofascismo brasileiro não é uma onda passageira, mas uma cultura política totalitária entranhada nas instituições do país: no Congresso Nacional, nas Forças Armadas, nas forças policiais, no Judiciário, nas instituições religiosas e nos sindicatos patronais. Ou seja, em todas as dimensões da organização social brasileira.

O neofascismo brasileiro não é uma onda passageira, mas uma cultura política totalitária entranhada nas instituições do país: no Congresso Nacional, nas Forças Armadas, nas forças policiais, no Judiciário, nas instituições religiosas e nos sindicatos patronais. Ou seja, em todas as dimensões da organização social brasileira.

A liderança bolsonarista nas eleições de 2026 é a expressão de um bloco político-social que se consolidará, composto por super-ricos, milícias, máfias, ruralistas, grileiros, especuladores financeiros, criminosos de colarinho branco e fundamentalistas religiosos. Esse arranjo é visto como diretamente favorecido e financiado pelo imperialismo americano e seus parceiros, que detêm o controle sobre as principais redes sociais utilizadas no território brasileiro.

Mesmo com os gravíssimos escândalos de corrupção envolvendo Flávio Bolsonaro, as tensões públicas entre ele e Michelle Bolsonaro, e as profundas ligações entre o bolsonarismo, Vorcaro e o que há de mais questionável na sociedade brasileira, a força eleitoral do neofascismo no Brasil não diminuiu consideravelmente. Prova disso é que Flávio Bolsonaro ainda possui chances concretas de vencer as eleições em outubro. Estamos diante de um inimigo resiliente que, apesar de escândalos e contradições, não deixa de demonstrar que tem força social no país, inclusive na juventude. A extrema direita não devem ser subestimada.

Embora seu núcleo político permaneça o mesmo, a extrema direita readequou sua forma de intervenção para responder às novas disputas abertas na sociedade brasileira. Um dos principais movimentos foi a reorganização da disputa entre as mulheres. Sabendo que esse continua sendo o segmento em que encontra maior resistência, o PL fortaleceu sua estrutura nacional de mulheres sob a liderança de Michelle Bolsonaro, organizando caravanas, ampliando sua presença nos territórios e buscando reduzir a rejeição ao bolsonarismo entre as eleitoras. Ao mesmo tempo, intensificou a ofensiva institucional em torno de uma agenda ainda mais reacionária, impulsionando pautas como a redução da maioridade penal, propostas de caráter transfóbico sob o pretexto de combater a chamada “ideologia de gênero” e outras medidas de endurecimento penal e dos costumes, buscando deslocar o centro do debate público para temas em que historicamente acumula mais força.

Enquanto a extrema direita continua encontrando maior apoio entre os homens, a esquerda mantém maior influência entre as mulheres. Esse cenário ajuda a explicar por que a disputa em torno das mulheres se tornou uma prioridade estratégica para o bolsonarismo nas eleições de 2026

Tudo indica, entretanto, que a divisão de gênero permanece como uma das principais características da disputa eleitoral. Enquanto a extrema direita continua encontrando maior apoio entre os homens, a esquerda mantém maior influência entre as mulheres. Esse cenário ajuda a explicar por que a disputa em torno das mulheres se tornou uma prioridade estratégica para o bolsonarismo nas eleições de 2026.

Também é preciso reconhecer que a extrema direita consegue capturar parte dos anseios da nossa geração. Vendem a narrativa de que seu projeto ultraconservador de desmonte dos direitos sociais e das garantias democráticas é um projeto disruptivo, antissistema, de “desmonte do que está posto”. Por isso, a organização da nossa geração é decisiva! Mostrar que a verdadeira luta disruptiva é a de um projeto anticapitalista, que defenda não o desmonte, mas a ampliação de direitos como a certeza de futuro para nossa juventude.

Nesse sentido, precisamos de uma juventude que encare esses antagonismo de frente nas eleições, e mobilize através de cada candidatura os reais interesses dos 99% da população: enfrentar o movimento Red Pill e anti-gênero que assassina nossas meninas, mulheres e jovens LGBTI+; defender um projeto de desmilitarização da polícia, que promova cultura e educação pela vida da nossa juventude negra é periférica; seguir na luta pelo fim da 6×1, por regularização dos aplicativos, das Bets e por dignidade trabalhista para nossa geração. Diante da crise de futuridade, encarar as eleições como um enfrentamento de projetos para nossa juventude e para o Brasil.

Reeleger Lula pelo futuro do Brasil

Por tudo o que discutimos até aqui, a tarefa mais importante da juventude neste ano é reeleger Lula por todos os meios necessários. Lula é, mais uma vez, o único candidato capaz de impedir o retorno da família Bolsonaro ao poder e a transformação do Brasil em um país subordinado aos interesses de Trump e do neofacismo . Portanto, é dever de toda a esquerda que se preocupa com o destino dos povos brasileiro e latino-americano apoiá-lo ainda no primeiro turno.

Nossa geração não pode titubear diante de tarefas históricas. Muitos de nós viveram os anos de governo Bolsonaro ainda na escola, entrando na universidade ou trabalhando em condições ainda mais precárias — sem a perspectiva de sobrevivência para nossas famílias na pandemia, com um ataque sistemático à educação e aos programas que defendem a juventude, as mulheres, a negritude, a comunidade LGBTI+. Estamos, mais uma vez, diante das eleições que nos permitirão deflagrar mais um golpe contra o bolsonarismo, manter as conquistas democráticas do último período e avançar nas lutas dos movimentos sociais. E, para isso, construir a candidatura de Lula desde o 1º turno é nossa alternativa.

As eleições de 2022 provaram que, mesmo com a amplíssima aliança formada pela chapa de Lula, o resultado final garantiu uma vantagem de menos de 2 milhões de votos em um país com mais de 200 milhões de habitantes. Essa experiência nos autoriza a dizer que qualquer dispersão de forças do nosso campo seria um erro que poderia custar caro.

As eleições de 2022 provaram que, mesmo com a amplíssima aliança formada pela chapa de Lula, o resultado final garantiu uma vantagem de menos de 2 milhões de votos em um país com mais de 200 milhões de habitantes. Essa experiência nos autoriza a dizer que qualquer dispersão de forças do nosso campo seria um erro que poderia custar caro.

Os Socialistas nas Eleições: Reconstruir o futuro

A eleição é um momento determinante na disputa pelos rumos da sociedade e pelos valores em jogo na atual polarização eleitoral, além de ser a arena onde se define quem ocupará os espaços de poder. Nesse contexto, a luta por hegemonia contra o neofascismo atravessa todos os campos da sociabilidade humana.

A eleição é um momento determinante na disputa pelos rumos da sociedade e pelos valores em jogo na atual polarização eleitoral, além de ser a arena onde se define quem ocupará os espaços de poder. Nesse contexto, a luta por hegemonia contra o neofascismo atravessa todos os campos da sociabilidade humana.

Hoje, devemos disputar centímetro a centímetro a consciência da nossa geração, que é bombardeada diariamente pelo hiperindividualismo, pelo egoísmo, pelo materialismo e pela falta de caráter defendidos pela extrema direita. Por isso, não podemos, de forma alguma, sucumbir ao possibilismo inerte, o que nos colocaria na retaguarda da luta ideológica por um novo futuro e deixaria o caminho livre para o neofascismo.

É nesse sentido que entendemos o PSOL como a principal ferramenta política para apostarmos neste momento. O partido esteve à frente das principais batalhas políticas da última década: desde a campanha pela liberdade de Lula e sua eleição em 2022, até a defesa de bandeiras que inspiraram a juventude a acreditar que a luta organizada pode construir mudanças estruturais, como a batalha pelo fim da escala 6×1, a implementação da Tarifa Zero, a defesa da Soberania Nacional contra as Big Techs, o combate ao feminicídio e a oposição à redução da maioridade penal.

O futuro não está definido, nós podemos reconquistá-lo por meio da nossa organização política. Reeleger Lula e fortalecer o PSOL são passos determinantes para isso. A tarefa agora é levar esse debate para as ruas, os locais de trabalho e estudo, e construir, desde já, a mobilização que pode decidir os rumos do Brasil e da América Latina em outubro. Cada jovem no Brasil tem um papel fundamental nessas eleições. É hora de arregaçar as mangas e, através das nossas candidaturas, disputar a fundo a opinião e o voto da nossa geração. Enquanto o neofascismo vende uma fantasia do passado como solução para as crises do presente, nós seremos aqueles que apontam para um mundo novo, onde nossa geração tem futuro.


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