Manifesto: O futuro não demora – chegou o revide
Publicado em: 22 de julho de 2026
“Não importa que doa: é tempo de avançar de mão dada com quem vai no mesmo rumo,
mesmo que longe ainda esteja de aprender a conjugar o verbo amar.
É tempo sobretudo de deixar de ser apenas a solitária vanguarda de nós mesmos.
Se trata de ir ao encontro. Se trata de abrir o rumo.
Os que virão, serão povo, e saber serão, lutando”
– Thiago de Melo
Em cada esquina, cada escola, cada universidade, de norte a sul do país. Nos cursinhos populares, nas rodas de leitura, no cotidiano do trabalho, nas periferias urbanas. Nos campos de futebol, nas rodas de samba, no ballroom, nas batalhas de rap, nos slams.
Nós chamamos seu nome.
No movimento negro, na luta das mulheres, na afirmação das LGBT’s. Nos quilombos urbanos e rurais. No campo e na cidade.
Nós te desejamos
Na mudança das estações. No cair da noite. Nos primeiros raios de sol. No encanto da madrugada. Na força do meio dia. Entre a Amazônia e o Sertão. Cortando arranha-céus na metrópole paulistana, ou cruzando as curvas das montanhas de Minas Gerais. Pelas areias e periferias cariocas, ou no vento gelado do pampa. Na maior avenida em linha reta do mundo ou na roma negra que nasceu o Brasil.
Nós te procuramos.
E ele está lá, à espreita. Observando e querendo ser notado. Por ora, tímido, com receio. Afinal, seus inimigos estão à atentos.
Os “seus inimigos” tentam a todo momento sabotar. Transformar a vida num eterno presente, para que amanhã permaneça subordinado às lógicas de acumulação do capital financeiro. Seus inimigos buscam as guerras, a destruição ambiental, a superexploração do trabalho, a destruição dos serviços públicos, tudo isto para otimizar seus lucros. Seus inimigos ameaçam a democracia, recorrem ao colonialismo, ao genocídio, e ao resurgimento do fascismo, como forma de manter seu controle. Seus inimigos, são também os nossos inimigos.
Mas ainda assim, ele está lá. E também, está aqui, agora. Deitado diante de nós, em pleno horizonte, aguardando nossos passos.
Afinal, o futuro é uma construção do tempo presente. Ele é misterioso, assustador, encantador, e acima de tudo incerto. É uma permanência constante, um não lugar, algo que está sempre em mudança. Ele está presente hoje nas lutas que o anunciam e definem com qual rosto ele chegará nos dias seguintes. Ele não é um fato dado. O futuro é fruto da ação humana.
Ele está nas ruas de Havana lutando contra o bloqueio. Em Caracas reivindicando soberania. Está na criança que insiste em sorrir em Gaza. Está na ocupação dos moradores na periferia de Recife, e também nas Cozinhas Comunitárias de Porto Alegre. Está nas lutas indígenas no Norte e também na luta das mães cariocas. O futuro se encontra nas ruas e na greve dos estudantes que emparedaram o governador de São Paulo. O futuro está sendo feito hoje e nós tomaremos ele em nossas mãos.
O mundo atual possui tecnologia e o conhecimento científico para erradicar a fome, o analfabetismo e grande parte das doenças. No entanto, a metade da humanidade permanece presa na pobreza enquanto alguns poucos acumulam mais e mais riqueza. O problema não é a técnica, mas a forma que a sociedade se organiza no presente. É justamente essa sociedade que nós recusamos
Uma sociedade que apresenta para nossa geração empregos precários, exclusão social, individualismo, a falsa ideia da meritocracia, o Estado mínimo e ajustes fiscais como solução, e que tem no fascismo a última face do realismo capitalista. Essa sociedade é indefensável e nós queremos seu fim.
Somos alguns, talvez centenas, talvez milhares. Somos um só. Somos nós que carregamos seu nome diante de uma sociedade que não apresenta perspectiva. Uma sociedade adoecida, incapaz de curar os males que ela mesma cria, e que leva a humanidade e o planeta para a miséria, guerras sem fim, e o abismo da crise climática.
Nós, seguiremos caminhando rumo ao futuro. Somos alguns, talvez centenas, talvez milhares. Somos um só. Somos nós que carregamos seu nome diante de uma sociedade que não apresenta perspectiva. Uma sociedade adoecida, incapaz de curar os males que ela mesma cria, e que leva a humanidade e o planeta para a miséria, guerras sem fim, e o abismo da crise climática.
Somos, o que somos. Entre cores e valores, somos socialistas. A justiça social, o fim da miséria, a igualdade de direitos, a paz e a soberania das nações, são nossas bandeiras. O ecossocialismo é nossa estratégia. Superar o atual estágio das coisas, onde uma pouca dezenas de bilionários dormem em berços de ouro para que metade da humanidade mergulhe na miséria, é nosso objetivo.
Somos, o que somos. Entre cores e valores, somos brasileiros. Nossos passos não começam agora. Sob nossos ombros, levamos nas mochilas o desejo de mudança e transformação que a séculos regam nossa terra. Da Cabanagem à Balaiada, da ousadia da Coluna Prestes, a coragem dos Malês, da força dos marinheiros da Revolta da Chibata, aos desejos da Guerra de Independência na Bahia, do sonho de uma Nação soberana e livre materializada em Palmares.
Levamos os pensamentos daqueles que tombaram e se tornaram milhões. Levantamos nossa bandeira em nome de Luiza Mahin, Mariele Franco, Maria Felipa, Xica Manicongo. Mas também em nome de Dragão do Mar, Josué de Castro, Carlos Marighella e Honestino Guimarães. Nós temos a certeza, que eles também cantaram um dia.
Somos, o que somos. Entre cores e valores, somos internacionalistas. O imperialismo é o maior inimigo da humanidade. Em busca de manter seus lucros, o imperialismo busca colonizar o mundo. Os Estados Unidos usam da guerra e da destruição como uma arma permanente. Para eles não existem fronteiras seguras, muito menos soberania. O imperialismo acha que tudo e todos estão a serviço de sua vontade. Nós recusamos, o eurocentrismo e o mito do Ocidente salvador.
Temos em Nuestra América as tecnologias ancestrais para a construção de um mundo novo. Acreditamos na soberania dos povos, que cada nação deve determinar seus caminhos. Que a humanidade tem um destino compartilhado e a solidariedade entre os povos é um dever. Acreditamos que o futuro se materializou e se fez presente na luta de libertação em África e da Ásia, nos vietcongs que venceram a maior potência militar da humanidade, na guerrilha cubana que conquistou os céus, na revolução chinesa que colocou todo o Sul global de pé, nos sovietes e nos bolcheviques que mudaram a história da humanidade.
Somos o que somos, entre cores e valores. Somos seres coletivos, nem a solidão e nem o silêncio nos cabe. Nós sentimos a necessidade de lutar.
Nascemos de um processo novo, de unificação e fusão. Deixamos nossas antigas casas para ter a coragem de avançar juntos. O Afronte e o RUA, de Roraima ao Rio Grande do Sul, estiveram nas principais batalhas de seu tempo. No Fora Temer, no Ele Não e no Vira Voto, no Tsunami da Educação, nas campanhas de Solidariedade na pandemia, na eleição de Lula em 2022, na construção de uma nova esquerda que tenha centralidade no feminismo e na questão racial. Agora, se muito vale o que foi feito, mais vale o que será.
Nascemos de um processo novo, de unificação e fusão. Deixamos nossas antigas casas para ter a coragem de avançar juntos. O Afronte e o RUA, de Roraima ao Rio Grande do Sul, estiveram nas principais batalhas de seu tempo. No Fora Temer, no Ele Não e no Vira Voto, no Tsunami da Educação, nas campanhas de Solidariedade na pandemia, na eleição de Lula em 2022, na construção de uma nova esquerda que tenha centralidade no feminismo e na questão racial. Agora, se muito vale o que foi feito, mais vale o que será.
O Revide nasce e carrega em si o sentimento de revolta de uma geração, mas também traz a esperança como sua pedra angular. Nascemos do triunfo da luta contra o fim da escala 6×1, e sabemos que os tempos que vivemos são de mares turbulentos. Os desafios para o futuro são muitos. As discussões sobre DataCenters, soberania digital e Inteligência Artificial. O debate sobre as Terras Raras. A luta contra o machismo, a ideologia redpill e o feminicídio. A busca por reparação para o povo negro. A conquista das cotas trans nas universidades. A batalha por mitigação e transição energética. E o principal desafio deste ano, garantir a vitória eleitoral do Presidente Lula e a derrota do fascismo brasileiro.
Somos negras e negros que representam os primeiros de sua familia e amigos a entrar na univerisdade. Somos gays, transfem, bissexuais, lésbicas, transmasc, que não se curvam para os padrões de gênero e sexualidade. Somos a mãe solteira que coloca o filho para ninar. Somos a mulher que carrega o novo mundo em seu punho erguido. Somos os que se recusam a abandonar a luta e o desejo de mudança. Somos a geração que vai derrotar a extrema-direita e construir uma nova história do Brasil.
Se lutam melhor os que têm belos sonhos, como disse Che Guevara, nós sonhamos com o mais belo deles. O de um mundo onde a justiça social, a igualdade e a solidariedade sejam a regra. Esse é nosso futuro e a ele vamos em busca.
Nós acreditamos que a rua é a parte mais bonita da cidade. Acreditamos que é preciso transformar a vida, para cantá-la e assim arrancar alegria ao futuro.
Por mim, por você, por Cuba, pela Venezuela e por Gaza.
Nós, no fim, veremos o nascer da primavera e venceremos.
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