Governo Lula: “do desastre ao triunfo” em duas semanas


Publicado em: 28 de maio de 2026

Por Carol Barreto

Esse post foi criado pelo Esquerda Online.

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Não é Apolo 13, mas bem que poderia ser: “do desastre ao triunfo” define bem o carrossel de emoções vivido pelo Governo Lula e seus apoiadores nas duas últimas semanas. Lá atrás, duas humilhantes derrotas seguidas: o veto ao nome de Messias para o STF (que foi humilhante, mas no fim é uma bênção) e a aprovação do PL da Dosimetria pelo Congresso, que passou a mensagem de que o golpe de Estado compensa. Pouco depois, virada importante na trama: eclode o envolvimento de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro para a produção de filme de qualidade duvidosa sobre a vida do papai. O sujeito é tão burro que, não satisfeito, ainda vai fazer visita íntima para o banqueiro na cadeia. Resultado: o empate técnico entre ele e Lula na corrida presidencial se converteu em vantagem de sete pontos para o atual presidente. E ontem uma das mais belas vitórias da classe trabalhadora nos últimos anos: a aprovação do fim da escala 6×1 pelo Congresso inimigo do povo, por um placar acachapante.
Nessa minha vida militante de 22 anos bem vividos, se tem uma coisa que eu aprendi é que surra política resulta em surra eleitoral. E nas últimas semanas, a extrema-direita tem levado uma surra de gato morto na política. Perdidinhos, ontem tentaram, como birutas de aeroporto, dissimular uma radicalidade que nunca tiveram, propondo escala 4×3 e nenhum tempo de transição. Foram, entretanto, em tudo derrotados. Atropelados, eu diria. Por um caminhão chamado luta de classes, que alguns teimam em dizer que está morta, mas que segue viva e emparedando o parlamento brasileiro. O que foi o discurso de Hugo Motta ao final falando do fim da escravidão? É pra emoldurar e glorificar de pé! Apesar de Nikolas e “raspa cus”, ontem nós vencemos. Vitória estratégica, estrutural, dessas que não se perdem com o tempo e que raramente existiram nos governos petistas – em que pese a importância de programas como o Bolsa Família, estes promovem mudanças apenas conjunturais, tanto que foram praticamente destruídos nos governos Temer e Bolsonaro.
Com a luta pelo fim da escala 6×1, o PSOL já justificou em muito sua existência e ajudou o Governo Lula, sem abrir mão de suas críticas, muito mais do que os bajuladores sempre de plantão. Mais do que nunca, este partido é necessário e deverá colher os louros do acerto político nesta proposta que, apesar de tão óbvia, estava há tantos anos esquecida pela esquerda brasileira. Eu fico satisfeita de ter panfletado o fim da 6×1 nas ruas todos os dias da última semana, como se não houvesse amanhã. Em que pese a pauta ser um hit de sucesso na rua, é ame ou odeie, e quem odeia é raivoso: uma rasgou o panfleto na minha frente, a outra mandou eu enfiá-lo no rabo, uma terceira afirmou que todo mundo vai virar preguiçoso e um quarto ainda me chamou de vagabunda. Nem preciso dizer que todos foram respondidos à altura… aqui é assim: bateu, levou. Jamais me esquecerei da cena de segunda-feira, quando os trabalhadores das farmácias e Burger King da Rio Branco iam para a porta ver a manifestação em defesa do fim da 6×1 passar. Um deles disse para mim: “vamos ganhar, não. Nós já ganhamos.” Você estava certo e a vitória foi maiúscula, meu camarada. Que venham outras.
Restou a Flávio Bolsonaro ir visitar o Trump, como quem recorre ao irmão mais velho valentão quando se vê em apuros. Tirou uma foto com o gringo como quem tira uma selfie com o Mickey Mouse. Além de tudo, é um viralatismo covarde e cafona… nas próximas semanas, deve derreter ainda mais nas pesquisas porque ficou evidente o papel de obstrução cumprido pela extrema-direita no debate do fim da escala 6×1.
Dizem que se conselho fosse bom se vendia, mas aí vai um mesmo assim, presidente Lula: pra cima deles. Bora governar com o povo. Bora emparedar esse congresso que é nosso inimigo. É bom demais derrotar Sóstenes Cavalcanti e seus acólitos. Que esta seja a primeira de muitas. A extrema-direita não vai esquecer a noite de ontem. E a classe trabalhadora também não. Que venha agora uma mulher negra progressista para o STF!
Carol Barreto é militante do PSOL e jornalista da EBC

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