Dois projetos para a educação paulista: análise preliminar das propostas de Tarcísio e Haddad para o governo do Estado de São Paulo
Publicado em: 17 de agosto de 2026
Reprodução/Twitter e Marcelo Camargo/Agência Brasil
No dia 16 de agosto, os candidatos ao cargo de governador do Estado de São Paulo apresentaram ao TSE, conforme prazo eleitoral, suas candidaturas e propostas de governo. Conforme divulgado, os planos de governo serão lançados de forma parcelada como estratégia de campanha. Contudo, uma análise preliminar das propostas de governo dos dois principais candidatos paulistas, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (Partido dos Trabalhadores), com foco na temática educacional, é de fundamental importância para o eleitorado paulista. Tratam-se, evidentemente, de dois textos de campanha, não propriamente programas de governo completos[1]. Contudo, é evidente uma diferença bastante clara de concepção, grau de concretude e estratégia discursiva.
Tarcísio de Freitas, atual governador de São Paulo, aparece como candidato favorito nas pesquisas de opinião pública para a disputa pelo governo de São Paulo, em um cenário que também reúne o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e outras candidaturas que não são objeto de análise neste texto. Restringimo-nos, portanto, à análise comparativa das propostas dessas duas candidaturas especificamente no campo da educação. Estes dois candidatos expressam, no estado de maior peso político e econômico do país, a principal polarização política brasileira: de um lado, o campo político identificado com Luiz Inácio Lula da Silva; de outro, o bolsonarismo e seus aliados.
Embora outras cinco candidaturas concorram ao pleito paulista — encabeçadas por Carlos Machado (PCB), Izadora Dias (PCO), Policial Edjane (Agir), Vivian Mendes (UP) e Vera Lúcia (PSTU) —, a análise concentra-se em Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad em razão de sua centralidade no cenário eleitoral e da polarização política que caracteriza a disputa estadual. Trata-se, portanto, de um recorte deliberado, que não pretende desconsiderar as demais candidaturas, mas privilegiar o confronto entre os dois projetos que, neste momento, ocupam posição de maior relevância no debate eleitoral paulista. Para tanto, faremos um exercício de análise de conteúdo e análise de discurso preliminares de suas respectivas propostas educacionais. Senão, vejamos.
O programa de Tarcísio: “Trilhas da Prosperidade”. Item 3: “Educação na Trilha Certa”[2].
A coligação política que compõe a candidatura de Tarcísio de Freitas ao governo do Estado de São Paulo é formada pelos partidos: REPUBLICANOS / PL / MDB / DEMOCRATA / AVANTE / PSD / FEDERAÇÃO RENOVAÇÃO SOLIDÁRIA (PRD/SOLIDARIEDADE) / FEDERAÇÃO UNIÃO PROGRESSISTA(UNIÃO/PP).
O projeto eleitoral e a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos) na área da educação contam com o apoio de seu partido, de aliados políticos de direita e centro-direita ligados ao bolsonarismo e de um núcleo político no governo estadual, encabeçado por nomes como o secretário de Educação, Renato Feder. Principal executor das diretrizes pedagógicas e administrativas da rede estadual paulista, Feder conduz uma política cujos eixos centrais são a ênfase tecnológica e as parcerias com a iniciativa privada, além da expansão do Programa de Ensino Integral (PEI), de sua articulação com a Inteligência Artificial, apresentada pelo governo sob a perspectiva das chamadas “profissões do futuro”, e da adoção de modelos de gestão terceirizada ou privada de serviços educacionais.
Mesmo diante das crescentes críticas dirigidas à política de privatizações de Tarcísio e de sua equipe — especialmente em relação à venda da Sabesp e às concessões de linhas de trens e metrô —, a campanha parece reafirmar sua estratégia de continuidade. Não por acaso, o próprio título do programa de governo, “Trilhas da Prosperidade”, parece carregar uma dimensão metafórica: as “trilhas”, evocando o universo dos transportes, são apresentadas como os caminhos a serem percorridos em direção à prosperidade. A escolha da expressão, portanto, não parece apenas nomear um programa, mas também sintetizar e naturalizar uma determinada concepção de desenvolvimento e de futuro para São Paulo.
A prévia do plano de governo do candidato à reeleição ao governo do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), resume-se a apenas seis páginas, excluindo-se a capa, a contracapa e a última página. Há um único’ parágrafo destinado à educação, em um tópico intitulado “Educação na trilha certa” (item 3, de dez itens elencados):
A prévia do plano de governo do candidato à reeleição ao governo do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), resume-se a apenas seis páginas, excluindo-se a capa, a contracapa e a última página. Há um único parágrafo destinado à educação, em um tópico intitulado “Educação na trilha certa” (item 3, de dez itens elencados):
EDUCAÇÃO DO FUTURO NO PRESENTE É DAR OPORTUNIDADES E INCENTIVOS REAIS PARA APRENDER, PODER ESCOLHER, CONQUISTAR O 1º EMPREGO E PROSPERAR Nosso propósito: preparar o cidadão para os desafios do presente e do futuro, com educação de qualidade, acessível e inclusiva. Adaptada às diferentes linguagens e integrada à cultura, às finanças, ao meio ambiente, ao turismo e ao esporte. Formação conectada ao ensino superior e ao mundo do trabalho. Educadores valorizados como protagonistas. Famílias e sociedade próximas da escola (pag.05).
Ora, como se pode observar, o eixo central da proposta está em preparar o estudante para o futuro, com ênfase na ampliação de oportunidades e na aproximação entre a escola e o mercado de trabalho. Ganham destaque temas como o incentivo à aprendizagem, o protagonismo individual e a empregabilidade dos jovens, com especial atenção ao papel atribuído à educação financeira — aspectos que se mostram alinhados às diretrizes do Projeto Empresarial para a Educação.
A expressão “formação conectada”, vale ressaltar, suscita certa ambiguidade. Estaria o plano de governo sinalizando a intenção de ampliar e intensificar a conectividade, a plataformização do ensino e o uso de tecnologias digitais na educação? Ou o termo “conectada”[3] foi empregado de maneira casual, sem necessariamente carregar esse sentido? Talvez, numa leitura mais provocativa — e psicanalítica —, possamos perguntar se não se trata de um ato falho[4]: uma palavra que, ainda que inadvertidamente, revela algo da concepção de educação que sustenta a proposta.
Outro aspecto interessante do breve parágrafo dedicado à educação paulista diz respeito à aproximação das famílias e da sociedade com o ambiente escolar. Como se sabe, a relação entre escola e comunidade constitui um elemento fundamental para a construção de uma gestão democrática. No entanto, a proposta não explicita qualquer concepção ou mecanismo de participação que permita compreender essa aproximação nesse sentido. Limita-se a afirmar, genericamente, que se pretende manter “famílias e sociedade próximas da escola”.
Essa formulação, justamente por sua generalidade, abre margem para diferentes interpretações. Embora o texto não afirme explicitamente qualquer orientação nesse sentido, a ausência de uma concepção democrática de participação pode deixar espaço para que a ideia de aproximação entre família e escola seja associada a uma perspectiva mais conservadora, na qual a instituição escolar deveria se alinhar às expectativas e aos valores de uma determinada concepção de família, notadamente a família tradicional cristã. Nesse caso, o que chama a atenção não é apenas aquilo que a proposta afirma, mas também o que ela deixa de dizer sobre participação, diversidade e gestão democrática da escola pública.
Em síntese, trata-se de um programa de governo com ausência de formulação de políticas concretas para a temática educacional. O embasamento de dados oficiais ou científicos é praticamente inexistente na proposta. Resume-se ao marketing político de temas genéricos e precariamente apresentados.
O programa de Haddad: “Diretrizes para o Programa de Governo Haddad governador de São Paulo 2027-2030”, Item: “Educação: a porta da prosperidade”[5].
Apresentando-se como oposição ao candidato da situação, a campanha de Haddad procura, por um lado, se aproximar da política federal de Lula da Silva e, por outro, tecer críticas ao atual governo de São Paulo. A candidatura do petista é composta pela coligação PDT / PSB / FEDERAÇÃO BRASIL DA ESPERANÇA – FE BRASIL(PT/PC do B/PV) / FEDERAÇÃO PSOL REDE(PSOL/REDE).
A proposta divulgada tem 12 páginas, excluindo-se a capa e o sumário. Seis parágrafos (uma página e meia) são destinados exclusivamente à educação. Ênfase na escola pública e no papel do Estado (tendo como referência o governo federal). O discurso assume um tom diagnóstico e programático, com críticas ao atual governo paulista, utilizando-se de indicadores para sustentar a crítica (como é o caso do tema da alfabetização). Educação é assumida como “obra de Estado”.
Os eixos defendidos são: “ninguém para trás” (aprendizagem e permanência); “escola completa, com profissão” (ensino em tempo integral, formação profissional e empregabilidade juvenil); “universidade pública, patrimônio de São Paulo” (defesas das instituições USP, a Unicamp, a Unesp e a FAPESP); “o professor no centro” (valorização da carreira, formação continuada e condições de trabalho); “educação com liderança” (papel diretivo e coordenado, metas e acompanhamento das ações).
O texto se concentra em apresentar mecanismos concretos voltados ao tema educacional, e menos propagandísticos e genéricos, ainda que insuficientes, por se tratar de meros parágrafos destinados ao tema. Destaco a abordagem, ainda que de passagem, a defesa das universidades paulistas e da ciência, com foco no respeito à autonomia, política de permanência e financiamento. Propõe uma “revisão completa” do modelo de plataformização do ensino levado à cabo nas escolas estaduais paulistas e investimento na carreira docente. Contudo, apesar das importantes intenções anunciadas, a campanha de Haddad não especifica suficientemente os recursos e condições necessários para executar todas as medidas anunciadas. Como enfatiza um de seus trechos:
Um governo que trata mal quem ensina está tratando mal o futuro. Educação com liderança. A educação paulista terá governança clara, prioridades definidas e responsabilidade nomeada, do gabinete do governador à sala de aula, com metas públicas e acompanhamento permanente. Chega de cada um fazendo o que quer: rede boa é rede coordenada, e coordenar é responsabilidade de quem governa (pag.09).
Certamente é um programa educacional insuficiente para os problemas educacionais do estado de São Paulo. Contudo, trata de elementos positivos no que se refere ao papel do Estado como protagonista da coordenação do sistema escolar – e não da transferência para o empresariado e de valorização (ainda que no plano das intencionalidades em vésperas de eleições) da carreira e das condições do trabalho docente.
Educação em disputa: dois projetos educacionais para o Estado de São Paulo
Temos duas candidaturas distintas para o governo do Estado de São Paulo. Contudo, este texto se concentrou em analisar suas propostas educacionais contidas em suas propostas de governo. Um fato curioso está no título de ambas candidaturas no que se refere à proposta educacional paulista: a noção de prosperidade. Uma espécie de horizonte discursivo na educação, a “prosperidade” carrega consigo uma noção de positividade e de futuro, de “melhora de vida”.
Outro aspecto que aproxima os dois programas é a maneira como ambos estabelecem uma relação entre a escola e o mundo do trabalho. Na proposta de Tarcísio, isso aparece em expressões como “1º emprego”, “prosperar”, “formação conectada” e “mundo do trabalho”. Na de Haddad, aparece na conexão entre ensino médio e formação profissional e na ideia de preparar o jovem para as “carreiras que a nova economia está criando”.
Em ambos os casos, portanto, a educação é apresentada como um meio para alcançar uma vida futura melhor, especialmente por meio da inserção profissional. Apesar dessa noção em comum, as propostas são evidentemente distintas, conforme nos esforçamos em demonstrar. Embora partam dessa mesma preocupação, os textos (e seus contextos e trajetórias políticas) conferem sentidos distintos a essa aproximação. Em ambos, a educação é tida como instrumento de preparação dos estudantes para a inserção profissional e para as transformações do mercado de trabalho. A diferença está, sobretudo, na ênfase atribuída a essa relação: enquanto o programa de Haddad tende a articulá-la a uma concepção mais ampla de formação, vinculando a preparação para o trabalho ao desenvolvimento integral dos estudantes, à ampliação de oportunidades e à redução das desigualdades, o programa de Tarcísio enfatiza de maneira mais direta a formação de competências e habilidades demandadas pelo setor produtivo, aproximando a política educacional das necessidades do mercado e da empregabilidade.
Assim, embora ambos reconheçam a escola como espaço de preparação para a vida profissional, essa finalidade aparece inserida em projetos educacionais distintos: em um caso, mais associada à formação e à inclusão social; no outro, mais fortemente vinculada à adequação da formação às demandas econômicas e produtivas.
Se é possível arriscar uma inferência a partir de tão poucos textos, a proposta educacional de Tarcísio parece ter sido concebida sobretudo sob a lógica do marketing político, privilegiando palavras de ordem, expectativas e imagens positivas de futuro. Já a de Haddad revela, ao menos em sua formulação, maior proximidade com o repertório e a linguagem dos formuladores de políticas educacionais, apresentando diagnósticos, dados, problemas concretos e mecanismos de intervenção.
O papel do Estado da proposta de Tarcísio é menos explicitado, ao passo que no programa de Haddad, aparece como papel de coordenação e liderança em uma rede de articulações. No que se refere à concepção de papel do Estado, no primeiro texto, o foco recai sobretudo sobre o estudante e as oportunidades que a educação deve proporcionar. No segundo, a ênfase está na coordenação do sistema educacional pelo governo estadual, no regime de colaboração com os municípios e na definição de responsabilidades.
O tema “professor” aparece em Tarcísio genericamente como “valorizado como protagonista”, ao passo que em Haddad surge como tema central, com críticas à plataformização do ensino. A educação profissional aparece como objetivo na proposta de Tarcísio, já na de Haddad surge articulada ao ensino integral e ao Centro Paula Souza. As metas e mecanismos concretos na educação são genéricas na primeira proposta, na segunda são mais detalhadas. A estratégia discursiva é: em Tarcísio, a promessa de um futuro desejável, ao passo que, na candidatura petista, apontam-se problemas e propõe-se correções.
Mais do que duas listas de propostas, os textos revelam duas maneiras distintas de pensar a política educacional — uma centrada na educação como instrumento de oportunidade individual e preparação para o futuro; outra que enfatiza a responsabilidade do Estado pela coordenação, redução das desigualdades e garantia do direito à aprendizagem.
Embora não explicite no texto analisado, Tarcísio, concretamente, vem operando uma série de ataques à educação pública em seu mandato, por meio de precarização de serviços e projetos de militarização das escolas estaduais em parceria com Renato Feder. Tenha o leitor em mente que uma suposta continuidade de sua gestão representa um retrocesso para a educação pública e democrática.
Por fim, importante algumas observações. Embora não explicite no texto analisado, Tarcísio, concretamente, vem operando uma série de ataques à educação pública em seu mandato, por meio de precarização de serviços e projetos de militarização das escolas estaduais em parceria com Renato Feder. Tenha o leitor em mente que uma suposta continuidade de sua gestão representa um retrocesso para a educação pública e democrática.
Se, por um lado, a esquerda socialista deve manter uma postura de independência crítica em relação aos governos institucionais do PT, enfatizando a necessidade de mobilização popular e de resistência sindical autônoma diante de pautas como reformas administrativas, ajuste fiscal e defesa dos serviços públicos, por outro, em um contexto eleitoral, não é possível permanecer resignado. A defesa da educação pública exige, neste momento, uma orientação tática capaz de preservar a unidade do campo progressista, democrático e de esquerda diante do avanço do bolsonarismo.
Essa unidade, contudo, não implica abrir mão da independência política ou da crítica aos governos petistas. Significa reconhecer que, em disputas majoritárias nas quais se contrapõem projetos de natureza profundamente distinta, a derrota de candidaturas reacionárias constitui uma tarefa política concreta. No caso paulista, ainda que a candidatura de Haddad não corresponda necessariamente ao projeto ideal ou aos desejos estratégicos da esquerda socialista, o apoio à candidatura petista pode se apresentar como uma tática acertada diante de uma candidatura como a de Tarcísio de Freitas, que se afirma como expressão do campo da extrema direita nacional.
Nesse sentido, independência política e unidade eleitoral não são necessariamente termos contraditórios. É possível sustentar a crítica, organizar a mobilização social e sindical e, simultaneamente, reconhecer que determinadas conjunturas eleitorais exigem alianças táticas para impedir o avanço de projetos que representam uma ameaça ainda maior aos direitos sociais, à educação pública e à democracia. Todos aqueles e aquelas que são refratários aos retrocessos educacionais, ao avanço neoconservador e ao gerenciamento neoliberal na educação pública devem se posicionar de forma contundente nestas eleições de 2026. Esta semana começa a campanha eleitoral mais importante dos últimos anos. É hora de concentrar esforços coletivos. Derrotar a extrema direita é imperioso.
Diante disso, no dia 04 de outubro todos e todas às urnas: Tarcísio não!
Notas:
[1] Os textos podem ser encontrados no site do TSE: https://www.tse.jus.br/eleicoes/eleicoes-2026.
[2] Disponível, na íntegra, em: file:///C:/Users/Usuario/Downloads/0035TarcisioplanodegovernoPREVIAV8updated.pdf (acesso em 17 de agosto de 2026).
[3] Curiosamente, na proposta de Fernando Haddad, o verbo “conectar” também aparece associado à educação: “Vamos expandir com qualidade o ensino em tempo integral e conectar o ensino médio à formação profissional…” (p. 9). Teria sido mera coincidência? Casualidade? Resultado do uso de mecanismos de inteligência artificial na redação do programa? Alinhamento ao discurso corporativo? Ou estaríamos, também aqui, diante de uma escolha vocabular que revela uma determinada concepção de educação, ainda que em sentido bastante distinto daquele que aventamos na proposta de Tarcísio?
[4] Em psicanálise, o ato falho (ou lapso freudiano) ocorre quando a mente oculta um desejo, podendo ser um erro na fala, na escrita, na memória ou mesmo na ação (na linguagem, na memória ou no comportamento). Ele não ocorre por acaso ou simples falta de atenção. Para Sigmund Freud, são lapsos que revelam um desejo ou um pensamento escondido no inconsciente. Conferir, sobretudo, em Psicopatologia da Vida Cotidiana (1901) e nas Conferências Introdutórias à Psicanálise (1916-1917).
[5] Disponível, na íntegra, em: file:///C:/Users/Usuario/Downloads/19.%20Plano%20de%20governo.pdf (acesso em 17 de agosto de 2026).
Michelangelo Torres é professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo
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