O Stalinismo e a Polônia


Publicado em: 18 de agosto de 2026

Bruno Alves

Esse post foi criado pelo Esquerda Online.

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O dia 15 de agosto é celebrado na Polônia como o dia do Exército, havendo uma grande parada militar, com exibição de diversos modelos de aviões, tanques e tropas marchando, enquanto uma multidão assiste ao desfile e ouve discursos do Presidente, balançando bandeiras nacionais. Isto remete a várias camadas de reflexões.

Primeiro que é curioso que um povo veja no seu exército uma defesa e não apenas uma ameaça contra si mesmo. Mas cabe aos comunistas refletir quais motivos fazem com que este povo tenha de forma tão profunda um trauma contra o comunismo. E o ponto central é entender como o Stalinismo é o maior causador do anti-comunismo.

A Polônia ao longo de mais de mil anos foi invadida pela Rússia dezenas de vezes. O imperialismo russo segue sendo uma ameaça real. Sendo Putin um neo-nazista, apoiado no partido “Rússia Unida”, com ambições de anexação aos países próximos. De modo que quando os stalinistas apoiam Putin repetem uma tradição do stalinismo de apoiar os nazistas. Portanto, o medo do povo polonês contra uma invasão russa é algo muito real, não apenas de um passado distante, mas de um risco presente.

Stalin foi o grande responsável, diretamente, por vários traumas do povo polonês, contra o que chamam de “comunismo”. Sem entender que há uma diferença entre o comunismo e o stalinismo. Um episódio é um marco fundamental que tem consequências até os dias atuais, que em 1938 Stalin ordenou a dissolução do Partido Comunista Polonês. Este episódio foi decisivo, no contexto do conjunto de fatos que veio a ocorrer posteriormente. Desde 1937 Stalin iniciou uma perseguição contra os poloneses dentro da URSS. Em seguida oficializa sua aliança com Hitler e o nazismo. Participando da invasão da Polônia, apoiando Hitler a formar os Guetos, como o de Varsóvia.

Do lado dominado pelos russos Stalin ordem massacres, criando campos de concentração. No campo de concentração de Katyn foram exterminados mais de 20 mil pessoas polonesas, por ordem de Stalin.

A aliança de Stalin com o nazismo só foi rompida por iniciativa de Hitler, com a operação Barbarossa, que resultou na morte de 20 milhões de soviéticos. O exército vermelho ganhou dos nazistas apesar de Stalin ser um traidor. Mas no momento em que as tropas do exército vermelho se aproximaram do rio Vístula, que corta Varsóvia, então Stalin ordenou que o avanço fosse interrompido. Em 1º de Agosto de 1944 teve início uma insurreição popular contra o domínio nazista. A insurreição de forma heroica conseguiu muitos sucessos militares impondo derrotas aos nazistas. Mas ao perder espaço na infantaria, na batalha de rua, a cada casa, o nazismo ficou sem saída. Então os nazistas bombardearam toda a cidade. Quase 90% das casas foi totalmente destruídas. Mas a ordem de Stalin foi expressa, de que nem mesmo deveriam abater os aviões nazistas. Deveriam deixar destruir tudo. A resistência foi derrotada após 63 dias.

Depois da guerra a Polônia passou a ser controlada pela Rússia. Não como um Estado operário, mas como um protetorado, uma nação ocupada. Aqueles que lutaram na insurreição foram perseguidos, pois eram uma ameaça ao stalinismo. O stalinismo não tolerou quem enfrentou o nazismo com armas em punho. Após a dissolução do Partido Comunista em 1938, restou então aos invasores governarem o país com uma casta de burocratas autoritários.

Na medida em que o sindicalismo foi reprimido, logo se posicionou contra o chamado “comunismo”. Em algum momento houve um impulso por democracia operária, mas que não estava ainda vinculado à restauração capitalista. Mas a burocracia stalinista ao reprimir a classe trabalhadora foi abrindo espaço político para o capitalismo, com o Papa João Paulo II e Ronald Regan.

Portanto, o trauma do povo polonês é contra o Stalinismo. Sendo simbólico disto uma escultura, no Palácio da Cultura, que teve o nome de Stalin apagado, mantendo até  hoje os nomes de Lenin, Marx e Engels. Sendo um dever histórico dos comunistas do mundo superarem o Stalinismo, como condição sine qua non para reconquistarem a possibilidade histórica do socialismo. Os desafios históricos que Trotsky enfrentou foram muito distintos dos desafios que teremos até a metade do século XXI. O principal divisor de águas do século XX, que eram os então Estados Operários (degenerados), não existe mais. Mas o neo-stalinismo passa a apoiar Putin, Alexander Dugin, flertar com alianças com a extrema-direita. Vide Sahra Wagenknecht na Alemanha se aliando ao AfD. A derrota histórica da restauração capitalista na Polônia começou antes mesmo do início do comunismo, começou em 1938, e tem um preço sendo pago até hoje. Cabe às novas gerações derrotar e superar o stalinismo, como condição necessária para construir um comunismo no Século XXI.


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