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Colunas

Relato 25: Minha História de Superação

Que Loucura!

Coluna antimanicomial, antiproibicionista, abolicionista penal e anticapitalista. Esse espaço se propõe a receber relatos de pessoas que têm ou já tiveram alguma experiência com a loucura: 1) pessoas da classe trabalhadora (dos segmentos de pessoas usuárias, familiares, trabalhadoras, gestoras, estudantes, residentes, defensoras públicas, pesquisadoras) que já viveram a experiência da loucura, do sofrimento psicossocial, já foram atendidas ou deixaram de ser atendidas e/ou trabalham ou trabalharam em algum dispositivo de saúde e/ou assistência do SUS, de entidades privadas ou do terceiro setor; 2) pessoas egressas do sistema prisional; 3) pessoas sobreviventes de manicômios, como comunidades terapêuticas e hospitais psiquiátricos, e outras instituições asilares; 4) pessoas do controle social; 5) pessoas da sociedade civil organizada, movimentos sociais Antimanicomiais, Antiproibicionistas, Abolicionistas Penais, Antirracistas, AntiLGBTFóbicos, Anticapitalistas e Feministas. Temos como princípio o fim de tudo que aprisiona e tutela e lutamos por uma sociedade sem manicômios, sem comunidades terapêuticas e sem prisões!

COLUNISTAS

Monica Vasconcellos Cruvinel – Mulher, latinoamericana, feminista, escrivinhadora, mãe, usuária da RAPS, militante da Resistência-Campinas, da Luta Antimanicomial pela Coletiva Livre Nacional de Mulheres e Saúde Mental Antimanicomial (CLNMSMA) e Conselheira Municipal de Saúde;

Laura Fusaro Camey – Militante da Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial (RENILA);

Andréa Santos Miron – Mulher, feminista, apaixonada pelo Sistema Único de Saúde, por fazer trilhas e astronôma amadora; Assistente Social de formação pela Universidade Federal de São Paulo, pós-graduada em Saúde Pública, Saúde Mental e Psiquiatria; Militante pela Resistência / Psol – Mauá/SP, pela Coletiva Livre Nacional de Mulheres e Saúde Mental Antimanicomial, pelo Fórum Paulista da Luta da Luta Antimanicomial e Movimento Nacional da Luta Antimanicomial.

Se você quer compartilhar o seu relato conosco, escreva para [email protected]. O relato pode ser anônimo.

Por Priscylla Coutinho

Sou Priscylla Coutinho, mulher trans e casada. Minha trajetória de vida é marcada por desafios intensos e transformações profundas. Passei mais de 10 anos como pessoa em situação de rua e, durante esse período, fui usuária de crack, álcool e outras drogas. Minha dignidade foi roubada pelo preconceito e pelos julgamentos da sociedade, principalmente, preconceitos e julgamentos da minha família. Foram anos de escuridão, recaídas constantes e uma luta contra um destino cruel que parecia não ter fim.

Em 2018, minha vida começou a mudar quando conheci a Redução de Danos. Foi como se o colorido da vida voltasse a existir para mim. A partir daí, comecei a entender minha própria dependência e aprendi a lidar com a abstinência. Percebi que, mesmo usando drogas, eu era uma pessoa que merecia cuidado e respeito. A Redução de Danos me ensinou que meu valor não estava condicionado à abstinência completa, mas sim à minha capacidade de viver de maneira mais segura e digna.

Esse novo entendimento e a vontade de transformar a minha realidade me motivaram a compartilhar o que aprendi com minha comunidade LGBTǪIA+. Pensando nesses cuidados e na construção de uma grande rede de afeto, idealizei a Associação Donnas da Rua. Hoje, temos o orgulho de trazer a Redução de Danos para toda a comunidade LGBTǪIA+, com um foco especial nas pessoas trans. Ver minha vida completamente transformada pelas estratégias da RD e observar o impacto positivo nas vidas das pessoas que cuidamos diariamente é uma vitória imensurável para mim.

Na Associação Donnas da Rua, nosso foco não é a substância (droga), mas sim o indivíduo. Com essa abordagem, conseguimos uma grande abertura para acolher, cuidar e transformar vidas. Trabalhamos diariamente para oferecer um ambiente de acolhimento, respeito e cuidado, onde cada pessoa é vista em sua totalidade e tem suas necessidades respeitadas. É um trabalho de amor, paciência e dedicação.

A Redução de Danos nos permite enxergar além do estigma e da marginalização, proporcionando uma abordagem humanizada e eficaz para lidar com a dependência química. Cada história de recuperação e cada vida transformada são testemunhos poderosos do impacto positivo dessa abordagem. Convido todos a conhecerem nosso trabalho e se juntarem a nós nessa jornada de amor, respeito e recuperação.

Além de tudo isso, hoje tenho a felicidade de ser estudante de Assistência Social pela UNIFESP Santos. Essa nova etapa da minha vida é um reflexo do meu compromisso contínuo em aprimorar meus conhecimentos para poder ajudar ainda mais a minha comunidade. Acredito que a educação é uma ferramenta poderosa para a transformação social e pessoal, e estou determinada a utilizar o que aprendo para beneficiar aqueles ao meu redor.

Obrigada por lerem minha história. Sou Priscylla Coutinho, e esta é minha luta, minha vida e minha missão. Cada passo que dou é uma celebração da resistência, da superação e da esperança de um futuro melhor para todos.