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Venezuela: grupo de paramilitares é detido no Brasil

Fabrice COFFRINI / AFP

José Carlos Miranda

José Carlos Miranda foi ferroviário e metalúrgico. Ativista dos movimentos sociais desde os anos 1981, é da Coordenação Nacional da Resistência/PSOL, membro do Conselho Curador da Fundação Lauro Campos (PSOL) e da Direção do PSOL-SP

No último dia 22 de dezembro, um grupo de cerca de 12 paramilitares invadiu e assaltou uma unidade militar roubando um lote de armas e munições de um batalhão em Luepa, estado de Bolívar. Após o ataque, unidades militares e policiais iniciaram uma perseguição na qual recuperaram todas as armas e prenderam alguns. À tarde, o Chanceler Jorge Arreaza denunciou: “É uma estratégia golpista de triangulação de governos do Cartel de Lima para produzir violência e desestabilização política na Venezuela. Denunciamos estes governos para o mundo. Não Passaran!”.

Durante interrogatório os criminosos revelaram que “foram treinados em acampamentos paramilitares claramente identificados na Colômbia” e “receberam colaboração“ do governo do presidente Bolsonaro, declarou Jorge Rodrigues, Ministro de Comunicações da Venezuela, por sua conta no TwitTer.

Em 23 de dezembro, após reunião do Conselho de Ministros, o presidente Nicolas Maduro denuncia que este assalto era parte de um plano para ações violentas durante as festividades de fim de ano. E solicita ao governo brasileiro que não apoie atos terroristas.

No dia 27 de dezembro, cinco militares venezuelanos foram apreendidos. Segundo nota do Ministério da Defesa, “Esses militares estavam desarmados e foram conduzidos a boa vista, onde estão sendo entrevistados. O exército brasileiro intensificou o patrulhamento na fronteira”. Segundo o texto, os militares foram encontrados no dia 26, durante patrulhamento, e conduzidos a Boa Vista.

Em comunicado, o Governo da Venezuela informa que iniciou os trâmites diplomático para solicitar a entrega dos cidadãos venezuelanos detidos para que sejam apresentados à Justiça.

Segundo o Ministro da Comunicação Jorge Rodrigues, “O governo do Brasil tem que explicar por que um criminoso, traficante de ouro e assassino, que esteve por trás de ações contra o comando da Venezuela, este senhor Antonio Fernandez, foi quem manteve os desertores e criminosos em Pacaraima e quem lhes prometeu dar uma quantia de dinheiro depois que eles atacassem a base militar”, disse o ministro em 23 de dezembro. O Ministério da Relações Exteriores negou que o Brasil tenha tido qualquer participação no episódio.

Mais um grave caso de ataque à soberania e com fortes evidências da participação do Brasil. Segue sendo fundamental a solidariedade à luta do povo venezuelano por sua soberania, contra o bloqueio comercial liderado pela administração Trump e contra a reacionária política do Governo Bolsonaro na América Latina.

 

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