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MOVIMENTO

Nota de Pesar – Stalin Borges

Celia Barbosa, da Argentina

Caracas Venezuela 27 de fevereiro de 2019

No dia de hoje, 28 de fevereiro de 2024, faleceu um revolucionário, combatente incansável pelo socialismo em seu país, Venezuela, e em todo o mundo, um amigo e camarada de muitos espalhados em vários países.

Stalin Pérez Borges nos deixou, depois de um mês de batalha contra uma pancreatite que o surpreendeu enquanto realizava os preparativos para voltar a seu país, depois de três anos vivendo em Buenos Aires, assim como sua esposa Marilú, junto ao filho, nora e neta migrados para a Argentina.

Antes a vida já lhe havia reservado uma situação inesperada: durante uma viagem para visitar o filho e neta que não via desde que migraram três anos antes, com uma passagem antes pelo Brasil para participar de eventos sindicais, foi surpreendido pela pandemia de Covid que o forçou a aguardar vários meses para chegar a Buenos Aires, para onde Marilú já havia viajado, esperando juntar-se a ele.

Por necessidade de tratamentos de sua esposa primeiro, e depois pela situação econômica na Venezuela, que se agravou, a volta à Venezuela foi sendo adiada, até que a própria nova e drástica situação na Argentina, depois da vitória de Milei, fez com que ambos tomassem a decisão de voltar a seu país.

Mas essa nova e defintiva surpresa, uma infecção repentina, o impediu de realizar o voo de volta, comprado para o dia 22 de feveiro último.

Pérez Borges, ou simplemente Stalin como preferimos seus amigos, iniciou sua militância ainda muito jovem no movimento operário venezuelano, foi dirigente do sindicato UTITC (Unión de los Trabajadores de la Industria Textil de Carabobo), do PST-La Chispa, organização revolucionária com uma presença importante no movimento operário de Carabobo e Aragua, estados da Venezuela, até o final da década de 1990, depois do Marea Socialista, e do atual LUCHAS, além de ter sido dirigente sindical nacional da CUTV (central sindical) e de prestar assessoria a vários outros importantes sindicatos de operários venezuelanos.

Incansável, desde seu exílio forçado pela pandemia no Brasil e em sua última morada em Buenos Aires, organizou o site Insisto-Resisto (iResisto) no qual publicava diariamente, e até altas horas, matérias dos mais diferentes autores da esquerda mundial, informando sobre as lutas dos trabalhadores de todo o mundo, além de análises e elaborações sobre a luta de classes em todo o planeta. Foi também utilizando a internet que mantinha o contato e a batalha pela organização do movimento socialista venezuelano, na construção do grupo LUCHAS.

Sempre otimista e de riso fácil, conseguia ver o lado divertido de qualquer situação, embora lhe pesassem as derrotas e desilusões que em seu país experimentam os trabalhadores, e os difíceis percalços que lhe coube ver de perto, como a destruição promovida por Bolsonaro no Brasil, enquanto aqui esteve, e agora na Argentina, com Milei.

Uma trágica ocorrência o impediu de continuar sua luta mais desesperada: a reorganização de um polo alternativo e de unidade entre os revolucionários de seu país, por uma saída realmente socialista ao fosso aberto pelo bloqueio econômico imperialista à Venezuela e pela escolha política e econômica de seu atual governo.

Nossa solidariedade a toda sua família, a sua companheira de toda a vida, Marilú, seus filhos e netos.

Seus companheiros de tantas décadas de batalhas hoje estão inconsoláveis e inconformados com essa perda imensa, mas certos de que Stalin viveu a glória dos que lutam pela humanidade, para “livrá-la de todo o mal”, como disse León Trotsky, quem o inspirou em toda sua jornada, pela vitória do socialismo.

Stalin Pérez Borges, presente, sempre!

Adeus, amigo.