Caso Mateus: grupos de extermínio no comando da PM de Goiás?

Por: G.J., de Goiânia, GO

O capitão da PM Augusto Sampaio de Oliveira Neto (Capitão Sampaio), Sub Comandante da PM em Goiás, que atingiu covardemente com um cassetete o estudante Mateus Ferreira na manifestação da greve geral no dia 28 de abril, em Goiânia, foi agraciado num ato de solidariedade na sede da Associação dos oficiais da Polícia Militar e dos bombeiros de Goiás (Assof). Na ocasião, o Tenente Coronel Alessandri da Rocha, presidente da entidade representativa dos PMs, declarou para toda a imprensa que no lugar de Sampaio teria feito a mesma coisa e que aquele fato só aconteceu porque tratava-se de terroristas e não manifestantes. Esse ato de solidariedade a Sampaio contou com a presença de 150 policiais e do chefe do estado maior da PM de Goiás e do vice-presidente da OAB-GO.

Alessandri da Rocha, através da Assof, recentemente também saiu em defesa do Tenente Coronel Ricardo Rocha, que é o chefe do Comando de Policiamento da Capital e, portanto, chefe do capitão Sampaio. O mesmo está sendo investigado pela Polícia Federal na operação Sexto Mandamento, por integrar grupos de extermínio em Goiás.

Mas, quem são Alessandri da Rocha, presidente da Assof e Ricardo Rocha, comandante do policiamento da capital e qual papel cumprem na segurança pública no governo de Marconi Perillo (PSDB) ?

Em 2011, Alessandri da Rocha, na época Major da PM e Ricardo Rocha, Tenente Coronel, foram presos pela primeira fase da operação Sexto Mandamento. Foram detidos pela Polícia Federal por serem suspeitos de integrarem um grupo de extermínio em Goiás. Com eles, foram presos mais 19 policiais. Alessandri acabou sendo solto pela PF, mas Ricardo Rocha, que também foi solto na primeira fase da operação Sexto Mandamento, está agora sendo investigado na segunda fase da mesma operação, que iniciou em 2016. Na ocasião da deflagração da segunda fase dessa operação, tanto o vice governador de Goiás, como também o próprio Tenente Coronel Alessandri da Rocha deram declarações públicas criticando a operação da polícia federal, saindo em defesa do Tenente Coronel Ricardo Rocha.

Ou seja, o responsável pelo comando do policiamento da capital de Goiânia já foi preso e agora está sendo mais uma vez investigado pela polícia federal por integrar grupos de extermínio em nosso estado. A suspeita é de que o grupo tenha feito mais de cem vítimas desde 2010. Entre as vítimas estão crianças, adolescentes e mulheres sem qualquer envolvimento com crimes.

Em 26 de fevereiro de 2016, Ricardo Rocha assumiu o Comando de Policiamento da Capital (CPC). Em março, uma ação conjunta do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) e Ministério Público Federal em Goiás (MPF-GO) recomendou que o tenente-coronel fosse destituído do cargo, pois responde por crimes e que o cargo deve ser ocupado por “militar que não exponha o Estado de Goiás a eventual novo pedido de federalização [julgamento de crimes]”.

Porém, na época, o vice-governador e secretário de Segurança Pública e Administração Penitenciária, José Eliton (PSDB), afirmou ter “integral confiança no tenente-coronel Ricardo Rocha para exercer o Comando da Capital”. Por onde passou, Ricardo Rocha é acusado de compor grupos de extermínio e o número de mortes nas regiões onde comandou a PM, chamou a atenção do Ministério Público. Ricardo Rocha assumiu o comando da Rotam, em Goiânia, de 2003 a 2005. Este foi o período no qual o número de mortes promovidas pela polícia foi mais alto.

Descontente com as investigações feitas no âmbito do estado, o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, autorizou a federalização das investigações que seguem tendo o envolvimento de Ricardo Rocha. Ele foi levado para depor no final do ano passado na Polícia Federal, podendo ser preso a qualquer momento. Só para lembrar, o Tenente Coronel Ricardo Rocha continua Chefe do Comando de Policiamento da Capital de Goiânia e, portanto, é chefe do Capitão Sampaio, responsável pela agressão absurda contra o estudante Mateus Ferreira.

E quem é o Tenente Coronel Alessandri da Rocha, presidente da Assof, que chamou os manifestantes de terroristas e que organizou o ato de solidariedade ao Capitão Sampaio?

Tenente-coronel Alessandri com o deputado Jair Bolsonaro em foto no Facebook

Tenente-coronel Alessandri com o deputado Jair Bolsonaro em foto do Facebook

Esse senhor também tem uma ficha longa, inclusive de violência contra movimentos sociais. Alessandri e seu primo foram acusados do cruel assassinato da empresária Martha Cosac e seu afilhado de 11 anos, a facadas. O caso tramitou na Justiça de Goiás por 20 anos, 1996 a 2016, e em votação apertada (4 a 3), Alessandri e seu primo foram absolvidos.

Em 2005, Alessandri foi um dos comandantes da desocupação violenta de milhares de família de sem-teto na região do Parque Oeste Industrial, onde todos os direitos humanos foram totalmente violados. Foi acusado e absolvido por crimes de homicídio nessa desocupação. Em 2016, essa absolvição é cassada, o Desembargador Carlos Alberto França, do TJ-GO, determina reinício de processo na área cível que, segundo ele, foi prejudicado por falta de testemunhas.

No dia 28 de abril desse ano, aconteceu a 16ª edição do Encontro Nacional de Entidades Representativas de Militares Estaduais (ENEME). Esse evento aconteceu em Goiânia. O Tenente Coronel Alessandri da Rocha Almeida, através da Assof, foi um dos organizadores e anfitriões do encontro, que teve como principal convidado o deputado federal Jair Bolsonaro.

Na página do Facebook do Tenente Coronel Alessandri da Rocha está em destaque uma foto com o deputado Bolsonaro, principal figura da extrema-direita no Brasil e que hoje está em segundo lugar nas pesquisas eleitorais para presidente da República.

Um alerta aos lutadores de Goiás e do país
A situação política do país tende à polarização social. O ascenso das mobilizações se choca com a repressão do Estado e tudo indica que a violência policial vai alcançar uma escala ainda maior. O crescimento da influência de massas de Jair Bolsonaro, principal figura da extrema-direita no país fortalece figuras e grupos da polícia militar, que estão envolvidos inclusive com crime organizado, grupos de extermínio e que estão localizados em estruturas de poder fundamentais do Estado.

As organizações políticas, sindicais, movimentos populares, juventude e ativistas em geral que estão na luta contra a ofensiva do capital precisam refletir, discutir e se organizar para os enfrentamentos do próximo período. Isso significa que precisamos fortalecer a unidade entre nós, para acumular forças, pois como estamos vendo, o inimigo é muito poderoso e impiedoso.

Além disso, é absolutamente fundamental levar em consideração a correlação de forças nos enfrentamentos de rua, organizar a auto defesa, mas evitar com todo cuidado ações isoladas, que dividam o movimento na frente da PM, e descoladas do apoio da opinião pública. Não podemos dar a chance para que os possíveis grupos de extermínio que são responsáveis pela segurança pública do governo de Marconi façam mais vítimas como Mateus. Esse alerta vale para todo o país.

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