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10 Janeiro, 2017
  • Com apoio da PM, Reitoria cerca com grades sindicato dos trabalhadores e espaço estudantil

    Por: Anna Guedes e Giulia Castro, ECA-USP, SP

    A medida é parte da política de repressão e criminalização adotada pela Reitoria.

    No dia 21 de dezembro, o que se viu na Escola de Comunicações e Artes da USP foi uma súbita mudança na rotina de férias. Isso porque, a Reitoria da universidade decidiu construir uma cerca entorno do espaço de convivência, conhecido como “Prainha”.

    Ali, além de residir a sede do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) há mais de cinco décadas, também estão duas entidades estudantis, o Centro Acadêmico Lupe Cotrim e a Atlética, ambos da ECA, uma lanchonete, bem como alguns trailers de venda de comida.

    Para mais, a “Prainha” não é apenas um espaço estudantil: é também uma praça pública, de livre circulação e convivência dentro da universidade, aberta para a comunidade acadêmica e para a população do entorno.

    A ação foi tomada sem nenhuma consulta com estudantes, trabalhadores e ainda, sem mesmo passar pelo Conselho Universitário (órgão máximo deliberativo). Funcionários de uma empresa terceirizada estavam cavando buracos para a instalação de um cerca de metal, a qual pega todo o perímetro da chamada “Prainha”, localizada atrás do prédio da Reitoria.

    Neste dia, a ação não pode ser efetivada devido à pressão de membros do Sintusp e estudantes que estavam no local, entretanto, no dia 03 de janeiro (terça-feira) a presença de policiais militares garantiu que a obra fosse iniciada efetivamente.

    No dia seguinte, quase todo espaço estava cercado, apesar das tentativas de diálogo por parte de estudantes e trabalhadores.

    Entenda o processo

    No dia 9 de dezembro, data que antecede ao próprio cercamento, o Sintusp tomou conhecimento de uma liminar de reintegração de posse de sua sede por uso de força militar. Para isso, a Reitoria usou como justificativa a solicitação do local por parte da Diretoria da ECA, instituto que abriga a sede do Sindicato, alegando que a escola o utilizaria para “fins acadêmicos”.

    Em reunião ordinária, a ECA afirmou que não estava reivindicando a desocupação do local, o que desmente a versão apresentada pela Reitoria.

    Frente ao cercamento, a Diretoria então divulgou uma nota oficial, dizendo que “reitera o posicionamento já aprovado pela Congregação em defesa da manutenção dos espaços hoje ocupados pelas entidades estudantis desta Escola”.

    Ao início da obra da cerca, uma comissão foi composta por diretores do sindicato que, após muita insistência, conseguiu se reunir com a Reitoria no dia 23 de dezembro. Mas o que se viu ali foi novamente a falta de diálogo com a comunidade que se utiliza dos espaços.

    Isso porque o atual chefe de gabinete Thiago Liporaci afirmou aos trabalhadores que não era possível assumir qualquer compromisso com o cancelamento ou suspensão da obra de cercamento. A única garantia foi o acesso ao espaço do sindicato se manter até a próxima reunião de negociação, que ocorrerá dia 26 de janeiro no Ministério Público do Trabalho.

    O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), quando abordado por trabalhadores do Sintusp na saída do Instituto Butantã, na manhã da terça-feira passada, início da obra de cercamento, disse que “não vai ter reintegração sem negociação”.

    Diante disso, quando questionada novamente sobre os motivos para o cercamento do espaço e sobre como se dará a entrada de estudantes e trabalhadores, a Reitoria da USP respondeu que a colocação das grades “faz parte do projeto de remodelação do entorno do prédio da Reitoria e já estava prevista desde a reforma do espaço”.

    No entanto, novamente, nada disso foi comunicado, muito menos discutido com o sindicato dos trabalhadores e com as entidades estudantis que ocupam o local.

    Para os membros do Sindicato, esta obra tem sido vista como uma ameaça eminente de que seu espaço seja retirado. Ainda mais quando acompanhada de um pedido de reintegração de posse da sede.

    As cercas em torno da “Prainha”, que ameaça o espaço do Sintusp e das entidades estudantis, preocupam os estudantes, que encaram a situação como mais um ataque advindo da Reitoria.

    Na última quinta-feira (5), uma Assembleia Extraordinária aconteceu para que a discussão fosse tangível a todos e ainda, se tirar medidas que evidenciem a importância do espaço para a comunidade da USP, como um calendário de atividades para esta semana.

    Histórico

    Os últimos acontecimentos apenas evidenciam a política de repressão e criminalização da Reitoria para com o Sintusp e estudantes, já que, historicamente, o que se vê é a adoção de medidas arbitrárias tomadas sem nenhum tipo de diálogo.

    Por exemplo, também se aproveitando do período de férias e consequentemente, do esvaziamento natural da universidade, no dia 22 de dezembro de 2012, o Canil – espaço utilizado por outra entidade da ECA para promover eventos festivos e atividades culturais – foi brutalmente demolido, novamente, sem diálogo com os estudantes. Fora as sindicâncias (processos internos da USP) contra os estudantes que resistem, a partir da organização de festas.

    Já no início de abril do ano passado, o sindicato recebeu um ofício da Reitoria para deixar a sede em um prazo de 30 dias. Assim, estudantes e trabalhadores da universidade deram início à uma greve que se estenderia por três meses, que dentre outras pautas, reivindicava também a defesa dos espaços estudantis. O projeto, então, acabou não sendo efetivado.

    Há de se lembrar que no início de seu mandato, o reitor em entrevista à Revista Veja afirmou que “é preciso abandonar a dinâmica de sindicalismo na vida universitária” para privilegiar o modelo de meritocracia na universidade. Contudo, sabemos que a chamada meritocracia defendida por Zago nada mais é que o indício do projeto de tornar a universidade cada vez mais elitizada.

    Dessa maneira, são adotadas políticas que impedem a manutenção do caráter público da universidade, como o cercamento dos espaços, crescimento do número de terceirizados e abertura para financiamento a partir da iniciativa privada que, em primeira instância, não serviriam para atender à população que a financia, mas, pelo contrário, serviriam para atender ao próprio capital privado.

    Assim, entende-se que o conjunto dessas medidas e o esforço para o cerceamento do local do Sintusp servem para a destruição do caráter público da universidade, além de estancar a organização tanto do movimento estudantil quanto do movimento sindical, os quais, historicamente, lutam contra o projeto de privatização da universidade.

    É de interesse desta reitoria e dos governos que se aliam a ela que estes desejam que o Sintusp se retire da sua sede, enfraquecendo as mobilizações e abrindo margem para políticas de repressão e privatização.

    Foto: Victória Damasceno

  • Dois anos de ajuste: aonde chegamos?

    Editorial de 10 de janeiro |

    Quando Joaquim Levy, em 27 de novembro de 2014, foi nomeado ministro da Fazenda pela então presidenta Dilma Rousseff, poucos poderiam prever o precipício que se avizinhava.

    Naquele ano, a economia havia crescido magros 0,5%, o desemprego marcava moderados 6,8% e o consumo das famílias ainda crescia, embora em velocidade menor. O boom das commodities, os bons ventos da economia mundial e o dinamismo do mercado interno haviam ficado para trás.

    Foi precisamente nesse momento de desequilíbrios crescentes que a ortodoxia neoliberal se impôs como pensamento hegemônico e programa prático de governo. A austeridade capitalista contou para seu triunfo com a completa rendição do PT aos ditames do capital financeiro.

    2016: naufrágio econômico e déficit nas alturas
    A primeira constatação é que o PIB (Produto Interno Bruto) afundou sob o comando neoliberal. Em 2015, a economia encolheu assustadores 3,8%. A expectativa, para 2016, é de um novo tombo de 3,5%. As estimativas mais animadoras sugerem um crescimento anêmico de 0,7% em 2017, mas muitos analistas temem uma nova recessão.

    Quando olhamos os impactos sociais o cenário se torna ainda mais sombrio. O desemprego atinge 12,1 milhões de pessoas, o que equivale a 11,9% de pessoas desocupadas em novembro do ano passado, de acordo com o IBGE. Só em 2016 foram 2 milhões de novos desempregados, sendo um milhão deles foram demitidos na indústria. Em 2017, nada indica que a situação do emprego irá melhorar, ao contrário.

    Mas alguns poderiam se perguntar: esse não seria o preço necessário para “arrumar a casa” e conter o déficit do governo?

    Mais um engano. Em dezembro do ano passado, o Tesouro informava que a previsão atualizada de déficit para 2016 era de R$ 167,7 bilhões. Para efeito de comparação: lembremos que o déficit fiscal do governo federal em 2014 foi de R$ 17,2 bilhões. Ou seja, após de dois anos de ajuste para “pôr a casa em ordem”, o déficit pulou de 17 bi para mais de 160 bi, um salto espetacular de mais de 900%!

    Como fica evidente, a política econômica baseada na austeridade foi um fracasso em toda linha.

    O verdadeiro objetivo do “ajuste”
    A intenção real da classe dominante não é “equilibrar as contas”, mas sim impor um novo patamar de exploração da classe trabalhadora, de modo a elevar o lucro dos grandes capitalistas. Para tanto, a burguesia quer destruir direitos trabalhistas e previdenciários, rebaixar o salário médio e cortar todo tipo de gastos sociais.

  • Prefeitura de Santo André não paga férias dos servidores

    Santo André trocou o prefeito, mas os ataques aos servidores públicos da cidade continuam. A prefeitura de Paulo Serra (PSDB) – que arrecadou em sua campanha cerca de R$ 901 mil e gastou R$ 1.226.241,49, de acordo com a página correspondente ao candidato, no site do TSE¹–,  anunciou o adiamento do pagamento das férias dos servidores da educação.

    A prefeitura justifica o atraso “em decorrência de ajustes operacionais e fluxos de caixa”. No entanto, não falta dinheiro para pagar as benesses dos políticos. Os vereadores, por exemplo, possuem direito a carros oficiais cheios de combustível e custeio para alimentação, além de já possuírem um salário de mais de R$ 15 mil por mês, sendo que cada gabinete conta com até 13  assessores, que podem receber de R$ 1.600 a R$ 8.600 reais cada.

    Como se não bastasse, os vereadores da cidade se reunem apenas duas vezes por semana, normalmente terça e quinta-feira sem trabalhar nos fins de semana nem em feriados prolongados. Elem ganham tudo isso enquanto a média salarial da região não passa dos R$ 1.504,55, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

    Férias sem dinheiro! 

    Os servidores da educação foram informados pela prefeitura que receberão o pagamento apenas no fim do mês, no dia 20. Assim, depois de trabalharem um ano inteiro, os trabalhadores ainda vão passar suas férias e praticamente todos seus dias de descanso sem dinheiro. Tudo isso é parte do plano de ajuste fiscal que se dá com apoio do PSDB (partido de Paulo Serra, o novo prefeito da cidade) que vem apoiando o governo de Michel Temer (PMDB) e as medidas que atacam os direitos dos trabalhadores, como a reforma da previdência e a reforma trabalhista.

    ¹http://divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/#/candidato/2016/2/70572/250000033808

     

  • De 2013 à 2017: transporte público continua um problema sem solução

    Por: Sonia Conti, do ABC, SP.

    Entra ano, sai ano, e um dos problemas que não mudam é a falta de qualidade no transporte e os preços das passagens, que onera a renda da população carente do Brasil em todos os estados e municípios.

    Os protestos de 2013 já demonstraram a insatisfação da população com a péssima condição do transporte público e das altas tarifas cobradas. O ônibus é a principal forma de locomoção, com a complementação dos metrôs e trens.

    No Brasil, segundo o artigo 30 da constituição “Cabe ao município organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse, incluindo o de transporte coletivo, que tem caráter essencial” Este dispositivo permite que o município opte 100% pela sua gestão ou a transfira ao setor privado.

    Alegando outros gastos públicos, os municípios apontam a baixa arrecadação e transferem ao setor privado a concessão ou permissão do transporte público.

    Por este dispositivo, a prefeitura fica responsável pela construção e manutenção de vias, pontos de parada e acesso para bicicletas. Aos empresários do transporte cabe a contratação de profissionais, compra e manutenção de veículos, custos com combustíveis e outros.

    As tarifas cobradas, teoricamente, são para a manutenção do sistema. Como fatores das altas tarifas, os empresários apontam o preço dos combustíveis e as gratuidades a policiais, carteiros, estudantes e idosos.

    Os demais usuários cobrem estas gratuidades ficando com o ônus das altas tarifas que deveria ser subsidiada pelo estado.

    Desde a década de 90 estas atividades realizadas pelo estado, foram transferidas ao setor privado, ou terceiro setor. Embora o termo público refira-se “ao que é de todos”, “pertence ao povo”, isto deixou de ser assim.

    Chama-se público apenas por atingir grandes massas populacionais, mas sendo executado pelo setor privado, supostamente sem fins lucrativos, e passa a ser chamado de público não estatal.

    É consenso no Brasil que a qualidade do transporte público em geral é ruim e cara. Com ônibus velhos, superlotados e grande espera nos pontos de ônibus e metrô.

    Mas de onde vem o problema? Alguns apontam a migração das populações rurais devido a mecanização da lavoura e concentração de terras no meio agrário. Sem emprego no campo, muitos procuram as cidades em busca de melhor sorte.

    O crescimento sem planejamento e a especulação imobiliária empurram esta população carente para zonas mais afastadas dos grandes centros.

    Estas zonas segregadas sem política de investimentos, com favelas, invasões e ocupações irregulares de todo o tipo, levam uma grande massa de operários e trabalhadores a percorrer longas distâncias em ônibus lotados até seu local de trabalho.

    Isso é uma maneira realista, mas simplista, de dizer que o problema do transporte público é também a falta de uma estruturação urbana.

    É preciso olhar a cidade no seu lado mais pobre. Democratizar os espaços e aumentar os investimentos em áreas carentes descentralizando os investimentos dos espaços nobres das grandes cidades.

    Mas como nada ainda foi feito neste sentido, entramos no ano de 2017 com aumento nas tarifas de ônibus, metrô, trólebus.

    Como sempre, as companhias responsáveis pela distribuição do transporte, que dizem sem fins lucrativos, informam que o aumento se faz necessário devido ao alto custo de insumos e mão de obra.

    Como todos sabem, com mão de obra, já reduziram seus custos com demissões de cobradores. Muitas linhas operam com catraca eletrônica ou os próprios motoristas exercem a dupla função.

    O que sabemos é que várias regiões serão afetadas com os aumentos nas tarifas. Baixada Santista, Campinas, Sorocaba, Vale do Paraíba, Litoral Norte e Grande São Paulo.

    A região do ABC já sente seus efeitos.

    O Consórcio Intermunicipal, entidade que reúne as sete prefeituras do ABCD, informa que não houve uma decisão coletiva entre os municípios sobre aumento de tarifa no transporte coletivo. O consórcio comunicou que não houve por parte das empresas e dos municípios pauta sobre reajuste das tarifas dos ônibus municipais na atual assembleia de Prefeitos da entidade.

    O que circula na imprensa do ABC é que nem todas as cidades confirmaram o aumento da tarifa de ônibus municipais. Em Santo André, o reajuste já foi publicado no Diário Oficial, em decreto assinado pelo ex-prefeito Carlos Grana (PT) que passou a vigorar a partir de 3 de janeiro, com a passagem passando de R$ 3,80 para R$ 4,20. O vale-transporte pago pelas empresas também ficou mais caro, passou de R$ 4,50 para R$ 5.

    São Bernardo: O ex secretário de Transportes e Vias Públicas, Oscar José Gameiro Silveira Campos, afirmou que a tarifa não será reajustada por meio da gestão Marinho. Contudo, nada impede que o atual prefeito aumente as passagens.

    São Caetano, a nova tarifa está valendo desde o sábado (31/12), quando a passagem deixou de custar R$ 3,70 e passou para R$ 4,10.

    Mauá: O aumento seria a partir de sábado (31/12), mas foi adiado para o dia 7 de janeiro por meio de uma determinação judicial. A tarifa vai passar de R$ 3,80 para R$ 4,20 e o vale-transporte de R$ 4,50 para R$ 5.

    Átila Jacomussi, atual prefeito de Mauá, afirmou que tentaria rever as condições. “Nesta semana vou reunir as secretarias de Finanças, Mobilidade Urbana e de Governo para reavaliarmos [o reajuste] e até a sexta-feira (06/01) daria uma posição oficial, porque a cidade não pode mais ter duas tarifas de R$ 5 no vale-transporte e 4,20 a vista. Vamos trabalhar para um valor unificado”.

    Diadema e Rio Grande da Serra: até o momento o reajuste ainda não estava definido. Contudo, as prefeituras não descartaram a possibilidade.

    Ribeirão Pires:  uma nova tarifa está em vigor desde o dia 23 de novembro. Antes custava R$ 3,50 e agora custa R$ 3,80.

    Mas, ainda, segundo a imprensa local, na Região do ABCD, que inclui Diadema, São Caetano do Sul, São Bernardo do Campo, Santo André, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, a tarifa de 13 linhas passa, a partir do dia 08/01, a ser de R$ 4,30. O reajuste médio na região será de 6,10%. A integração entre as linhas dos sistemas municipal e metropolitano nos Terminais Piraporinha e Diadema será R$ 1,00, terminando desta forma com as integrações gratuitas. Porém, até o momento, há uma suspensão liminar do reajuste das integrações dada pelo TJ-SP.

    Manifestações

     Santo André

     Manifestantes, em ato organizado pelo Comitê Regional Unificado Contra os Aumentos de Passagens no ABC, realizaram nesta terça-feira (3), em Santo André, o primeiro protesto contra o reajuste de passagens na região, que passou a ser de R$ 4,20.

    O prefeito Paulo Serra (PSDB), até o momento do ato, não pretendia revogar o aumento. O reajuste foi determinado por decreto assinado pelo ex-prefeito Carlos Grana (PT) em 29 de dezembro do ano passado.

    “É a reposição da inflação. O que a gente precisa avaliar não é somente a questão do custo. Claro que a questão da planilha de custo para repassar o preço para o usuário é importante, mas temos foco na qualidade”, afirmou o prefeito. Ele tem batido na tecla da necessidade de revisão de itinerários e melhorias no transporte público da cidade.O aumento da tarifa em Santo André foi de 10,52%. O índice é superior à inflação (IPCA) do ano passado, que deve ficar na casa de 6,38% segundo projeções de economistas.

    Diadema

    O Prefeito de Diadema, Lauro Michels (PV), participou de protesto contra aumento da tarifa de ônibus no terminal Diadema.

    Dizendo não ter sido informado pelo estado de São Paulo sobre o aumento das tarifas, disse que só sairia do local depois que algum representante do governo se reunisse com ele. O prefeito também afirmou que, se não conseguir barrar o aumento da tarifa e a taxa por uso do terminal, irá rever a concessão do terminal.

    Chamado para uma reunião com o secretário da Casa Civil do estado de  São Paulo na última sexta feira, dia 06, ele solicitou que os moradores de Diadema formassem uma comissão de três representantes e fossem juntos na reunião.

    Ele deixou claro que é contra a cobrança de R$ 1 da integração dentro do terminal.

    “Se não sair nada dessa reunião revogando a cobrança de R$ 1 da integração, segunda-feira estarei aqui de novo e vou parar o terminal”, disse o prefeito.

    Mauá

    Em Mauá, um ato contra o aumento da tarifa, organizado por um grupo chamado Alerta Social Mauá, ganhou apoio da população, que se mostrava indignada com o aumento.

    Mas como já era esperado, a repressão de Alckmin, tomou conta do ato com a Policia Militar, Municipal, Ambiental e seguranças da empresa Suzantur. Um manifestante foi preso e liberado depois.

    O que pode ser mudado?

    O que não dá para entender é que a desculpa é sempre a mesma: baixa arrecadação dos municípios, crise, aumento dos combustíveis entre outros motivos. Mas, e o trabalhador, como fica?

    Sendo mal remunerados, tanto os da ativa como os aposentados, eles também sofrem com os aumentos abusivos de impostos e taxas sem fim: IPVA, IPTU, vestuário, remédios, alimentação, educação e transportes.  A quem o trabalhador deve repassar seus custos?

    Muitos prefeitos acenam com redução de impostos para empresários. Impostos estes que farão falta para transporte, saúde e educação.

    O transporte público no Brasil é conhecido pela sua má qualidade, ingerência, preços abusivos, e tratamento desumano. Transportam as pessoas como sardinhas em lata, as esperas nos pontos são longas e as regras de terceirização são pouco claras. .

    Os que podem, mesmo com sacrifícios frente ao também abusivo valor dos combustíveis, fogem deste meio de transporte, utilizando veículos particulares, que em sua maioria conduzem um único passageiro: o próprio motorista. Isso ocasiona congestionamentos, tornando a locomoção coletiva mais sofrida.

    Sem esquecer os interesses da indústria automobilística que, em conluio com os governantes, impedem a ampliação de bons meios públicos de locomoção como metrô e trens. Desta forma, estimulam o uso de carros para obtenção de lucros.

    Outro ponto alarmante que ocorre nas grandes cidades é a construção cada vez maior de vias elevadas, para propiciar maior comodidade aos veículos particulares. Em lugar de melhorar a fluidez do trânsito, em muitos casos eles pioram a situação, trazendo mais sofrimento ao usuário do transporte público, que fica preso no engarrafamento.

    Obras assim, muitas vezes, além de não atenderem às necessidades das pessoas, enfeiam a cidade e facilitam a corrupção por meio do já conhecido superfaturamento.

    O que se precisa fazer é melhorar a qualidade do transporte público, fazendo uma unidade entre as diversas modalidades e colocar o automóvel particular, à custa de um cabo de guerra com as montadoras, em segundo plano.Pensar a cidade como um todo e não apenas como apelo político para angariar votos nas eleições. Organizar a sociedade e ouvir suas demandas seria um bom começo.

    Novos atos

     Santo André: dia 11/01 às 7h30 concentração em frente da Estação de trem em Santo André, rumo ao Consórcio Intermunicipal, onde tem ato marcado para as 10h.

    Diadema: dia 14/01 às 7h, no Terminal Diadema.

    São Paulo: dia 12/01 às 17h, na Praça do Ciclista

  • Joaquim Aristeu, o Boca, integra as fileiras do #MAIS

    Joaquim Aristeu, o Boca, tem longa trajetória de militância no Vale do Paraíba. Operário, trabalhou em fábricas como Volkswagen, TI Automotive e Fibria. Em 1988, ingressou na Ambev, onde trabalhou por 24 anos, sendo 20 como dirigente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de São José dos Campos e Região. Na última eleição foi candidato a prefeito de Jacareí pelo PSOL. Atualmente, tem 57 anos, atua na CSP-CONLUTAS e segue na luta pela construção de uma sociedade socialista. Ele agora faz parte das fileiras do #MAIS. Leia a carta de adesão:

    Informe aos camaradas da LSR, companheiros com quem militei lado a lado por quase oito anos, e aos novos companheiros do #MAIS (Movimento por uma Alternativa Independente e Socialista), com os quais inicio uma experiência de militância a partir de agora.

    Camaradas, estou na militância há mais de 30 anos. Iniciei este caminho nos anos 80, no movimento sindical. Ainda nesta década, entrei para o PT e logo depois para a Convergência Socialista, passando anos depois a integrar as fileiras do PSTU, onde militei até 2008.

    Neste mesmo ano entrei para a ex-CLS, corrente interna do PSOL. Em 2009 a CLS e o ex-Socialismo Revolucionário “SR“ – também corrente do PSOL – se uniram criando a corrente Liberdade, Socialismo e Revolução “LSR”, onde militei até poucos dias.

    Faço este relato inicial para resgatar o respeito e a gratidão que tenho pelos companheiros e companheiras da LSR\CIT, que me receberam de braços abertos e com toda a solidariedade, num momento em que eu estava saindo de um partido onde havia militado por mais de 18 anos e passava por uma forte crise, a ponto de pensar em abandonar a militância.

    Durante os oito anos em que estive na LSR\CIT, pude constatar a seriedade e o comprometimento de sua militância. Nos momentos mais difíceis de minha atuação, sempre recebi a solidariedade e a compreensão dos companheiros.

    Ao longo destes anos, convivi com camaradas socialistas e grandes lutadores da classe em defesa desses ideais.

    Reconheço que nestes anos aprendi muito com os companheiros. Separamos nossos caminhos na militância por enquanto, na certeza de que, na luta de classes e na labuta pelo socialismo, estaremos lado a lado no próximo período.

    Também gostaria de esclarecer que, hoje, a LSR e o #MAIS têm muitas convergências nas lutas do dia a dia, inclusive no esforço pela construção de um Bloco da Esquerda Socialista, como vem se dando em várias partes do País.

    Junto aos companheiros e companheiras do #MAIS, seguirei dando uma batalha pela reorganização da esquerda combativa, consequente e socialista. Seguirei atuando na CSP-Conlutas, no Bloco de Esquerda e filiado ao PSOL, dando uma batalha pela unidade em defesa de uma sociedade livre e igualitária: uma sociedade socialista.

    Nesta luta, nos encontraremos e nos somaremos, com certeza. Até a vitória, camaradas!

    Joaquim Aristeu Benedito da Silva, o Juca Boca”

  • Povo do Rio Grande do Sul é reprimido em visita de Temer

    Por: Lucas Fagundes, de Porto Alegre, Rio Grande do Sul

     Ontem pela manhã, o presidente ilegítimo Michel Temer fez sua primeira visita no ano de 2017. Após um fim de ano de intensas mobilizações contra seus projetos, como a PEC 55, Temer iniciou 2017 de um jeito discreto.

    Ele saiu logo cedo de Brasília e por volta das 9h30 pousou na base aérea de Canoas. A essa hora, estudantes, sindicalistas, trabalhadores e trabalhadoras já tínhamos enfrentado cassetetes, escudadas, spray de pimenta e algumas ameaças por parte da Brigada Militar do Rio Grande do Sul. Temer sobrevoou a cidade de Rolante antes de pousar no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, por volta das 10h30.

    A falta de diálogo é uma característica marcante de um governo ilegítimo

     O presidente chegou de helicóptero e não, não foi à toa. Temer não chegou de helicóptero simplesmente por ser mais rápido ou mais confortável. Ele sobrevoou os manifestantes porque ele e seus aliados não conseguem dialogar com o povo.

    Desde a consumação do impeachment, nunca se viu Temer indo nas vilas e nas fábricas conversar com os trabalhadores. Ele não consegue mostrar credibilidade e não é a toa que o seu governo tem ampla rejeição dos trabalhadores e trabalhadoras. Seus projetos mostram bem a sua forma de governar e a política de seu governo.

    A repressão se fez presente, novamente!

     Após algumas semanas sem mobilizações de massa contra o governo e sem nenhum acontecimento influente, a repressão dessa vez foi em conjunto! A Brigada Militar, a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia do Exército impediram a participação do povo no evento em que o presidente estava.

    Logo no começo da manhã, a tropa de choque foi para confronto corpo a corpo. Sofremos com cassetetes e spray de pimenta. Eles agrediram mulheres e idosas, foram extremamente truculentos. Tudo isso para defender Temer e seus aliados. Não deixaremos passar em branco.

    Centenário da revolução russa e a resistência nas ruas!!

     No ano em que vivenciamos a comemoração de 100 anos da primeira revolução socialista do mundo, chefiada por Lênin, nós aprendemos e evoluímos nos esforçando pra colocar a teoria em prática. Desde o ano passado as massas saem às ruas. Não como em 2013, mas saem. 2016 foi um ano de diversos acontecimentos, ocupações, prisões e nos mostrou que o povo ainda tem a capacidade de lutar contra os retrocessos.

    Os secundaristas mostraram a saída para resistência. Seus gritos de ordem já diziam, “ocupar e resistir”. Que em 2017 o povo ocupe cada vez mais os espaços que são seus por direito.

    Lutar contra Temer e suas medidas é essêncial, mas não podemos repetir os erros do passado. Avante na luta, compas!