O alerta colombiano e o Brasil na mira de Trump
Publicado em: 24 de junho de 2026
A apuração das eleições presidenciais na Colômbia, realizadas no último domingo, se encerrou apenas nesta quarta-feira. A contagem rápida, feita por uma empresa privada estadunidense, anunciou na mesma noite uma vitória apertada de Abelardo de la Espriella, candidato da extrema-direita apoiado por Trump nos EUA e pelo bolsonarismo no Brasil. Órgãos de imprensa local e estrangeira, inclusive da grande mídia brasileira, correram para anunciá-lo vencedor, enquanto o governo Petro e o Pacto Histórico chamaram a população a acompanhar a apuração oficial e garantir a contabilização de todos os votos. Nenhuma eleição se encerra até que os organismos eleitorais soberanos do país apurem e anunciem o resultado oficial.
Um país praticamente dividido ao meio eleitoralmente, com intensa pressão do imperialismo ianque em apoio à extrema-direita, com esforços evidentes de facilitação e fraude em favor das forças reacionárias. Com intervenção estrangeira direta por meio das redes sociais, impulsionamento de conteúdos da extrema-direita local e, o que é mais grave, fortes suspeitas de manipulação algorítmica dos resultados da contagem rápida. O caso é semelhante ao do processo eleitoral peruano – mas também serve de alerta para o Brasil.
Por si só, já chama a atenção a política internacional de fato consumado a partir da contagem rápida. Em um cenário de disputa polarizada, tomou-se o resultado do “preconteo” como oficial e diversas lideranças da extrema-direita já reconheceram de la Espriella como vencedor. Preparou-se, assim, uma justificativa para o império ianque colocar em suspeita o resultado oficial, que, no caso, diante da estreita margem de diferença, ainda poderia ter Ivan Cepeda como presidente eleito. Não é preciso muito para imaginar quais seriam os passos seguintes da combinação entre neofascismo e imperialismo que avança sobre a América Latina.
O Brasil é o próximo alvo declarado
As eleições colombianas devem servir de alerta para todas as forças democráticas brasileiras. Na última terça-feira, Trump publicou texto em que celebra os resultados eleitorais na América Latina desde o início de seu segundo mandato, e aponta para o Brasil como seu próximo alvo, desde já colocando em suspeita o sistema eleitoral de nosso país. Ademais, reconhece a importância política e econômica do Brasil na disputa pelo controle da região. Considerados os objetivos declarados para a América Latina nas estratégias de defesa e segurança nacional do governo ianque – promoção de governos alinhados a Trump, aumento da presença militar na nossa região e controle de infraestruturas estratégicas –, todo brasileiro e brasileira que defende nossa independência nacional deve levar muito a sério a ameaça, que é explícita.
Reeleger Lula e derrotar o bolsonarismo é a maior prioridade
Nesse sentido, não deve haver dúvidas de que a principal tarefa não só da esquerda, mas de qualquer pessoa que defenda o Brasil, é o máximo engajamento e dedicação à reeleição do presidente Lula. O bolsonarismo se articula diretamente com o império ianque e defende sem qualquer vergonha a submissão do Brasil aos interesses estadunidenses. Devemos estar preparados para todo tipo de pressão, interferência direta e indireta, manipulação algorítmica e questionamento posterior dos resultados. Se em 2022 os EUA reconheceram o resultado das eleições brasileiras, não se deve esperar o mesmo do neofascista Trump.
As ruas e as redes serão decisivas
O Brasil, como o restante da América Latina, passa por uma profunda fratura política. Embora as pesquisas estejam apontando vantagem de Lula, a experiência já demonstrou em diversos países que não há motivo para contar com a vitória antes da hora. Subestimar o inimigo seria preparar o caminho para nossa derrota. A ofensiva imperialista contra toda a América Latina mostra que há um método de intervenção dos EUA contra nossa região, e o roteiro já está em marcha contra nosso país. Nossa tarefa é vencer as eleições e derrotar o bolsonarismo. E quanto maior for a margem de vitória que pudermos produzir na luta eleitoral, maiores as defesas da soberania brasileira.
Assim, o engajamento de todos aqueles e aquelas que defendem o Brasil como nação independente precisa entrar em campo desde já. As redes serão uma frente decisiva: é por meio delas e do monopólio das big techs que os EUA têm intervindo na disputa de ideias com a difusão de mentiras. Nossa atuação neste terreno deve ser encarada com prioridade.
Mas também deve ser uma prioridade o engajamento nas ruas. O diálogo presencial é tão importante quanto o da rede social, mas com uma vantagem: ele não é limitado pelos algoritmos e oferece a possibilidade de diálogo real e criação de vínculo. Ir às ruas, dialogar de porta em porta nas vizinhanças, disputar indecisos, conversar com quem conhecemos e não conhecemos também devem ser ferramentas prioritárias na disputa eleitoral que já começou.
O PSOL está a serviço destes objetivos
O PSOL já definiu sua tática eleitoral: estamos ao lado de Lula na defesa do Brasil, da nossa democracia e da nossa soberania. Estaremos na linha de frente desta campanha, e nossas pré-candidaturas estão desde já dedicadas à organização e mobilização das nossas fileiras e do ativismo pela reeleição de Lula.
Na frente ampla que compomos, o PSOL defenderá os interesses do povo e avanços estruturais de direitos, como é o caso do fim da escala 6×1. Defendemos um Brasil independente, que amplie sua autonomia estratégica em todas as frentes. Acreditamos que este é o caminho para a vitória, e tem sido assim que o presidente Lula se fortalece: quando defende nossa soberania, as condições de vida dos trabalhadores e trabalhadoras, e quando enfrenta sem tréguas o bolsonarismo. Lutaremos até o final para que o Brasil não seja tratado como colônia, como quer Trump e a extrema-direita em nosso país. O desafio é grande, e os riscos também – mas da luta pelo Brasil e o povo brasileiro o PSOL nunca sairá.
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