O governo deve retomar a ofensiva contra o centrão e a extrema direita


Publicado em: 4 de maio de 2026

Editorial Esquerda Online

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Crédito Foto Gabriela Biló
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A última semana foi marcada por dois importantes reveses para o governo Lula, para a democracia e para as forças populares no Brasil. Na quarta-feira (29/04), o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias para o STF. Foi a primeira vez, desde 1894, em que os senadores rejeitaram uma indicação do presidente da República a uma vaga no Supremo.

No dia seguinte, o Congresso derrubou o veto presidencial ao PL da dosimetria, possibilitando a redução das penas de Bolsonaro e dos demais condenados pela trama golpista, além de diversos outros criminosos comuns. Na prática, a derrubada do veto pelo Congresso significou a anistia aos golpistas, ainda que parcial, contra a vontade da maioria do povo brasileiro.

As causas e o significado das derrotas

Em ambos os casos, a direita tradicional – o Centrão – se aliou ao bolsonarismo, com o objetivo de desgastar o governo Lula, mirando a disputa eleitoral em outubro. Em um sentido mais imediato, essa aliança expressa um acordo de autopreservação mútua, para impedir o avanço das investigações do caso Master, além do sequestro das prerrogativas do Executivo pelo Congresso. Mas o significado mais profundo dessa aliança é a convergência em torno a um projeto político: atacar o regime democrático por dentro, desmontar o Estado brasileiro, retirar direitos dos trabalhadores e colocar o país de joelhos diante de Trump.

O que explica as derrotas da última semana, portanto, são os interesses de classe da direita, extrema-direita e do imperialismo. Tais interesses se expressam na candidatura de Flávio Bolsonaro, que se fortalece diante das derrotas do campo popular na última semana.

O que explica as derrotas da última semana, portanto, são os interesses de classe da direita, extrema-direita e do imperialismo. Tais interesses se expressam na candidatura de Flávio Bolsonaro, que se fortalece diante das derrotas do campo popular na última semana.

Compreender as causas e significados mais profundos das derrotas é decisivo: não se trata meramente de problemas na articulação política do governo. Trata-se da convergência programática entre estes setores contra os interesses populares. A campanha eleitoral na prática já começou, e um reposicionamento de Lula, de seu governo e das forças populares será fundamental para deter os avanços do bloco neofascista e garantir a reeleição em 2026.

Lições políticas das derrotas

Embora a aprovação do PL da dosimetria seja a mais grave derrota da última semana – proporcional ao tamanho da vitória que foi a condenação exemplar dos golpistas –, o caso da indicação de Messias ao STF revela erros táticos por parte do governo.

Messias foi rejeitado, não por suas posições, mas porque a maioria do Senado estava determinada a impôr uma derrota ao governo. É provável, portanto, que rejeitasse qualquer nome proposto por Lula.

Lula errou ao não abraçar a campanha dos movimentos sociais pela indicação de uma mulher negra e progressista ao STF. Jorge Messias fez todos os gestos que pôde aos setores conservadores e, mesmo assim, foi rejeitado. Entregou todos os anéis e, mesmo assim, perdeu os braços. Novamente, de nada adiantou o esforço de conciliação com a direita. Messias foi rejeitado, não por suas posições, mas porque a maioria do Senado estava determinada a impôr uma derrota ao governo. É provável, portanto, que rejeitasse qualquer nome proposto por Lula.

No entanto, ao deixar de indicar uma mulher negra progressista ao STF, Lula perdeu a oportunidade de fazer uma luta política, que poderia, mesmo diante de uma derrota no parlamento, posicionar melhor as forças progressistas no embate contra os que tentam sufocar o governo. Se houver nova indicação para a vaga, será importante que Lula corrija o erro e atenda ao clamor dos movimentos sociais por uma mulher negra e progressista no STF.

Mas, para além da indicação ao STF, é preciso extrair lições mais profundas. O objetivo do centrão e da extrema direita é sangrar o governo, pavimentando sua volta ao poder em 2026. Para que possamos vencer, é incontornável que o campo popular, liderado pelo presidente Lula, enfrente o bloco neofascista com luta política e ideológica, opondo os interesses da maioria do povo aos interesses dos donos da riqueza.

Retomar o giro à esquerda

Essa lição é reforçada pela comparação entre o ganho de popularidade do governo no semestre passado e a queda relativa neste início de ano, juntamente com o crescimento da candidatura de Flávio Bolsonaro. Lula ganhou apoio popular quando denunciou os inimigos do povo alojados no Congresso, quando enfrentou o tarifaço de Trump, quando apresentou e chamou o povo a lutar por uma agenda de conquistas, como a isenção do IR para os que ganham até R$ 5 mil.

Diante do esvaziamento do espaço para a conciliação, só resta ao governo a organização das forças populares para o enfrentamento.

O discurso do presidente no 1° de Maio retomou parcialmente essa perspectiva, ao denunciar o sistema contrário à agenda do governo, movimento que precisa ser aprofundado daqui em diante. Diante do esvaziamento do espaço para a conciliação, só resta ao governo a organização das forças populares para o enfrentamento.

Por isso, é necessário avançar em um pacote emergencial para aliviar o endividamento das famílias promovido pela taxa de juros estratosférica, pelas bets e pelo mercado financeiro em geral. No médio prazo, será preciso retomar o controle do Estado sobre os combustíveis e energia, que tem exposto o país a pressões inflacionárias externas, como a guerra dos EUA e Israel contra o Irã. É preciso ainda denunciar o bloco do centrão e da extrema direita como aliados diretos dos interesses imperialistas no Brasil e na América Latina.

Uma batalha decisiva será travada no fim da escala 6×1, reduzindo a jornada sem redução de salários. Essa pode ser uma vitória histórica para a classe trabalhadora no país e, por isso mesmo, a aliança Centrão-bolsonarismo tem trabalhado para esvaziar ou atrasar a agenda. Seguimos em luta com os movimentos sociais pela sua aprovação e implementação imediata, sem compensações para os grandes empresários, que vivem de lucros obscenos. Os mesmos que tiveram “compensações” pelo fim da escravidão são os que agora querem receber mesada pela redução da jornada, enquanto boicotam os programas sociais do governo.

O fim da 6×1 exigirá muita luta para se tornar realidade. Também exigirá muita unidade das forças populares. O último 1° de Maio, tradicional dia de luta, foi marcado por manifestações dispersas. Não há tempo para fragmentação. O futuro do país está em jogo, e batalhas cada vez mais difíceis se avizinham.

O fim da 6×1 exigirá muita luta para se tornar realidade. Também exigirá muita unidade das forças populares. O último 1° de Maio, tradicional dia de luta, foi marcado por manifestações dispersas. Não há tempo para fragmentação. O futuro do país está em jogo, e batalhas cada vez mais difíceis se avizinham.

Para vencer, Lula deve retomar e aprofundar o chamado à luta popular. Este é o apoio decisivo com o qual poderá contar. Nossa soberania – já minada por décadas de neoliberalismo –, nosso direito de decidir os rumos que o Brasil irá perseguir, está sob risco. O resultado será definido pela luta entre as forças populares e as do atraso. Se eles têm o dinheiro, o apoio do imperialismo, os algoritmos e o poder oligárquico em seu favor, nós só poderemos vencer se o governo se apoiar no que há de mais forte em qualquer luta: o povo organizado.


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