Perspectivas da greve nacional dos TAES da Fasubra
Publicado em: 27 de abril de 2026
Juscelino de Souza
A categoria Técnica Administrativa em Educação (TAE) de 51 bases da FASUBRA encontra-se em greve desde o dia 23 de fevereiro de 2026 pelo cumprimento integral do Termo de Acordo de Greve n°11/2024, firmado com o Governo após uma greve de mais de cem dias, entre março e junho de 2024.
Entre avanços e contradições, o atual movimento paredista resiste diante de dificuldades de mobilização e postura dura do governo, que não abriu a mesa de negociação. Estamos diante de um processo capaz de gerar reflexões importantes para todas as pessoas que estão na luta contra o neofascismo, que ameaça o futuro da sociedade brasileira e mundial.
Após anos de congelamento salarial e desesperança, a capacidade de articulação política e de luta da categoria TAE iniciou um processo de renovação e mobilização que culminou na greve de 2024. Dentre as conquistas, destaca-se a reestruturação da carreira e a criação do Reconhecimento dos Saberes e Competências (RSC-TAE) como símbolos da vitória pelo aperfeiçoamento do Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação (PCCTAE).
Se comparado aos demais Termos de Acordo de Greve assinados naquele ano com as demais entidades sindicais do serviço público federal, é possível perceber o significado da vitória que a Greve TAE (FASUBRA/ SINASEFE) promoveu. Também é positivo quando se olha no panorama histórico das greves anteriores da categoria.
Acontece que, mesmo remando contra a maré da conjuntura, a greve de 2024 não escapou das contradições inerentes ao nosso tempo. Houve ruídos nas negociações, intransigência do Ministério da Gestão e Inovação (MGI) e pontos importantes do acordo ficaram condicionados a estudos de viabilidade, os quais, até o momento, não foram concretizados, como as 30 horas, racionalização dos cargos ocupados e democratização nas Instituições Federais de Ensino (IFE). Sobre as pessoas aposentadas, mesmo o acordo determinando que as conquistas alcançam o setor, o Governo não aplicou a aceleração e impôs uma restrição na lei do RSC para esta valorosa parcela da categoria.
Ainda que limitada, há uma postura progressista do Governo em defender e conquistar a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000,00, bem como seguir disputando pelo fim da escala 6×1. Infelizmente, tal postura não tem sido plenamente observada em relação aos acordos assinados em 2024 com as carreiras do serviço público federal. O MGI vem atropelando diálogos, prejudicando o próprio Governo, e deixando escapar a oportunidade de se apoiar na luta e mobilização das trabalhadoras e trabalhadores para eliminar os entulhos bolsonaristas ainda fortemente presentes no Estado e na sociedade civil.
Em relação ao PCCTAE, parte relevante da pauta econômica foi atendida e não podemos desprezar esses avanços! Depois de 7 anos de congelamento com o golpista Temer é o fascista Bolsonaro, obtivemos pontos como a nova matriz salarial (tabela com 19 padrões de vencimento e ajuste na correlação entre os níveis), a recomposição de 9% em janeiro de 2025 e 5% em abril de 2026, aumento nos steps, progressão a cada doze meses, acelerações, entre outros.
Porém, há um esvaziamento de algumas pautas políticas e históricas da categoria, tais como a redução de jornada para 30 horas semanais sem redução salarial, e a democratização nas IFE com a instituição de paridade nos órgãos colegiados e a possibilidade que a categoria técnica administrativa em educação também ocupe cargos de Reitor/a.
Além disso, do mesmo modo que nas duas primeiras gestões (2003-2010), o Governo Lula comete erros, especialmente em relação à garantir mais dignidade para as pessoas aposentadas e pensionistas, as quais dedicaram suas vidas para à construção das nossas Instituições de Ensino. O esforço para excluir essas pessoas de acessar o RSC e o fato de ignorar a pauta do reposicionamento (correção do enquadramento quando da migração para o PCCTAE), demonstra falta de preocupação em proporcionar alguma melhora para o setor, gerando enorme frustração para milhares de aposentadas(os), que padecem com dificuldades financeiras numa fase tão delicada da vida.
Quem ganha com essa postura do Governo Federal? Certamente não é o campo social democrático que se mobiliza contra a volta do bolsonarismo ao governo!
Quem ganha com essa postura do Governo Federal? Certamente não é o campo social democrático que se mobiliza contra a volta do bolsonarismo ao governo!
Como dito anteriormente, após semanas em greve, reivindicando o cumprimento do acordado em 2024 e o não retrocesso em algumas IFE no que se refere a flexibilização da jornada de trabalho, o Governo Federal ainda sequer estabeleceu uma mesa de negociação. Ainda é tempo de mudar essa postura e retomar o diálogo com esse setor da classe trabalhadora que se mobiliza em defesa da Universidade Pública democrática e contra o avanço do neofascismo na sociedade brasileira.
não queremos fazer dessa greve um movimento indefinido de desgaste do Governo democraticamente eleito contra a alternativa Neofascista, ainda mais em um ano eleitoral em que as pesquisas indicam a liderança de Flávio Bolsonaro.
No entanto, não queremos fazer dessa greve um movimento indefinido de desgaste do Governo democraticamente eleito contra a alternativa Neofascista, ainda mais em um ano eleitoral em que as pesquisas indicam a liderança de Flávio Bolsonaro.
Precisamos ser objetivos, entender os limites do momento e ter uma linha de ação clara, com prioridades factíveis, como garantir que o decreto do RSC contemple o máximo possível das elaborações feitas pela Comissão Nacional de Supervisão da Carreira (CNSC), bem como avaliar possibilidades do plantão 12×60 e a pauta das 30 horas, por exemplo. Para isso é fundamental superar as divisões internas na categoria e desenvolver esta greve de forma responsável, a fim de que possa mobilizar mais a base, renovar nossas fileiras e arrancar conquistas.
O governo precisa respeitar a categoria e o acordo da última greve. Isso fortalecerá o polo social que defende a democracia, a ciência e a educação, em um momento decisivo da luta de classes, em que a alternativa é o obscurantismo fascista.
Nessa negociação é preciso que as duas partes estejam presentes. O governo precisa respeitar a categoria e o acordo da última greve. Isso fortalecerá o polo social que defende a democracia, a ciência e a educação, em um momento decisivo da luta de classes, em que a alternativa é o obscurantismo fascista.
Seguiremos em luta por todas as pautas colocadas, afinal a luta pela carreira é uma maratona. Porém é fato que há mais dificuldade em algumas delas, levando a uma escolha de prioridades: uma pauta que mobiliza, tem avançado e beneficiará milhares de TAEs: Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC). Queremos o avanço imediato de um decreto do RSC que seja acessível aos TAEs! Queremos uma implantação célere e democrática em todas as instituições em que os TAEs atuam!
Igor Dantas, TAE da UFRJ, membro da comissão interna de supervisão de carreira (CIS UFRJ)
Tais Ranieri, TAE da UFPA, Coord. Geral SINDTIFES-PA
Ambos participam do movimento TAES na luta e são militantes da Semear/PSOL (o texto representa um chamado ao debate, a partir da contribuição dos autores, e não uma posição fechada do movimento).
Mais lidas
editorial
O futebol resiste, apesar da FIFA e da CBF
colunistas
Semear, uma ferramenta revolucionária útil
mundo
Os Estados Unidos levam a Copa do Mundo a um Novo Patamar de Decadência
psol
Sergipe: Sonia Meire (PSOL) apresentará pré-candidatura a deputada estadual em ato coletivo
cultura









