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EDITORIAL

Quatro motivos para ir às ruas neste sábado, dia 09

Neste sábado (9), em quase todas as capitais e no Distrito Federal (DF), ocorrerão atos convocados pela Campanha Nacional Fora Bolsonaro, contra a fome, o desemprego e a inflação dos alimentos e combustíveis. O dia nacional de mobilização Bolsonaro Nunca Mais ocorre após uma série de sete atos de rua em 2021, e dos protestos no 8 de março deste ano. Confira a seguir quatro motivos para participar do ato e ajudar em sua construção.

Editorial de 07 de abril de 2022


1 – A inflação, a fome e o desemprego ameaçam a vida da classe trabalhadora

2 – Bolsonaro é responsável pela piora da condição de vida do povo

3 – É necessário ir às ruas e mostrar que a culpa é dele!

4 – Bolsonaro não será derrotado e nem a vida irá mudar sem mobilização


1 – A inflação, a fome e o desemprego ameaçam a vida da classe trabalhadora

A piora nas condições de vida faz com que a situação já seja intolerável para a maioria do povo. A inflação segue acima de dois dígitos, impulsionada pela alta dos combustíveis, do gás de cozinha e das tarifas de água e energia. As famílias pagam mais de R$ 100 no botijão de gás e abastecer o carro virou um sofrimento.

A inflação dos alimentos, que já era um grave problema, acelerou no início do ano, atingindo praticamente todos os itens da mesa das famílias, como trigo, pão, café, legumes, carne e verduras. Pesquisa recente mostrou que uma de cada quatro pessoas afirma que a quantidade de comida em casa não tem sido suficiente. Mais da metade reduziu a compra de comida. A insegurança alimentar é mais grave para quem recebe menores salários (35% dos que recebem até 2 salários mínimos de renda mensal disseram ter faltado comida); entre os 12 milhões de desempregados (38%) e para as famílias do Nordeste (32%).

A realidade dramática é de quase 20 milhões de pessoas passando fome, o equivalente a toda a população do Chile. Pessoas em miséria extrema percorrem as ruas das grandes cidades revirando lixo ou buscando restos em mercados e açougues e dependendo de ações de solidariedade.

Cenário que leva ao aumento das greves em todo o país, como a dos garis do Rio de Janeiro, da educação, metroviários de BH, de servidores e rodoviários. Greves que estão ocorrendo para defender as condições de vida destas categorias.

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2 – Bolsonaro é responsável pela piora da condição de vida do povo

A inflação e a crise social devem se manter elevadas nos próximos meses, em função da alta mundial dos preços dos alimentos, dos fertilizantes e combustíveis, agravada pela guerra na Ucrânia. Mas estes fatores não retiram a responsabilidade de Bolsonaro sobre a situação a que chegamos. Bolsonaro é sim, responsável pela fome, pela inflação e pelo desemprego.

Seu governo mantém a política de preços da Petrobrás, que mantém o preço nas alturas, refém das flutuações do mercado mundial. Essa política favorece apenas os acionistas, que comemoram a cada aumento na bomba de gasolina. A decisão sobre o PPI (Preço de Paridade Internacional), criado em 2016, é da Petrobrás e do governo. Bolsonaro nunca modificou essa política, mesmo agora, diante da explosão dos preços dos combustíveis e do gás.

Por último, seu governo é culpado diretamente pela fome, ao boicotar as ações sociais, como o auxílio emergencial de R$ 600 e desmontar políticas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), ao qual foi destinado menos de R$ 100 milhões em 2021, ano no qual a fome assolou a nossa população. Desde que tomou posse, Bolsonaro atua contra todas as políticas sociais de combate à fome, o que fez com que a insegurança alimentar dobrasse desde 2018 (gráfico).

Fonte: Campanha http://olheparaafome.com.br/

Bolsonaro é culpado por manter um patamar permanente de desempregados, em torno de 12 milhões de pessoas, que lhe permitiu achatar a média geral dos salários e avançar na precarização do trabalho. O desemprego é, portanto, mais uma decisão de Guedes e Bolsonaro.

Da mesma forma, ele é o grande responsável pela economia seguir em crise. Nenhuma de suas reformas e medidas de austeridade, anunciadas como saídas para a economia decolar, provocaram melhora nos índices econômicos. Serviram apenas para retirar direitos e ampliar a desigualdade.

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3 – É necessário ir às ruas e mostrar que a culpa é dele!

Nesse momento, Bolsonaro está empenhado em ações que o livrem da responsabilidade pela alta dos preços dos combustíveis, através da troca no comando da Petrobrás, e na crise alimentar, com ações emergenciais contra a fome e o auxílio Brasil.

Em outros países, a inflação tem acirrado a polarização política e as disputas, nas quais a extrema direita tem atuado disputando o seu desfecho. Na Espanha, o Vox, partido xenófobo e de extrema direita, tem inclusive convocado manifestações de rua, responsabilizando o governo pela inflação e disputando a opinião da classe trabalhadora e de seus setores mais atingidos. Na recente eleição da Hungria, o tema da inflação foi um assunto chave (junto ao da guerra), motivando ações sociais por parte do presidente Viktor Orbán, aliado de Bolsonaro. No Peru, manifestações contra o custo de vida sacodem o país, voltando-se contra o governo do presidente Pedro Castillo, também acossado por pedidos de impeachment no Congresso.

Nada indica, portanto, que Bolsonaro não possa ter algum sucesso em sua empreitada, apoiado em fake news e em políticos do Centrão, para livrar-se da responsabilidade e do desgaste com a inflação. Mais do que nunca é necessário fortalecermos as greves e os atos como o dia 09, dialogando com milhões de pessoas, mostrando que a culpa pela inflação é sim de Bolsonaro. É fundamental retornar as ruas e garantir que a raiva da população se volte contra o principal responsável pela crise.

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4 – Bolsonaro não será derrotado e nem a vida irá mudar sem mobilização

Em 2021, a esquerda protagonizou grandes mobilizações de rua, com uma sequência de atos pelo Fora Bolsonaro, que, no entanto, não foram capazes de derrubá-lo. A luta pelo fim desse governo genocida terá seu desfecho mais provável nas eleições, quando o povo brasileiro terá a oportunidade de encerrar esse governo marcado por retrocessos históricos em todas as áreas. O principal desafio do próximo período será, portanto, derrotar Bolsonaro nas eleições de outubro.

Há no entanto, algumas armadilhas que podem ser fatais para todes que queremos dar fim a seu governo. A primeira é, apoiado em pesquisas de opinião a meses da eleição, acreditar que Bolsonaro já perdeu, que sua derrota é inevitável. É um erro. A terceira via de direita não decolou e a candidatura de Bolsonaro vem subindo nas pesquisas nos últimos meses. Lula continua liderando as pesquisas, mas não podemos subestimar as forças de Bolsonaro nessas eleições.

A ideia de que Bolsonaro não tem chances leva a uma espécie de contagem regressiva silenciosa até a data das eleições, que paralisa e transfere todos os esforços para o terreno eleitoral. Caberia ao ativismo aguardar o início da campanha eleitoral, enquanto confia na capacidade de articulação do PT e Lula, e em acordos como o de Alckmin como vice.

Este tipo de pensamento é um equívoco. Para vencer Bolsonaro nas eleições e assegurar o resultado, será necessário muita mobilização, gente na rua e uma campanha que mostre capacidade de entusiasmar e apaixonar a militância e as massas com um programa de transformação do país pela esquerda.

A mobilização é também fundamental para evitar que o bolsonarismo se aventure em tentativas golpistas, como Trump tentou no Capitólio ou como Bolsonaro ensaiou no 7 de setembro passado.

E, não menos importante, como não basta derrotar Bolsonaro, precisamos estar nas ruas também para defender e divulgar um programa de mudanças para o país, construído nas ruas, que defenda a revogação das contrarreformas e do legado do golpe, como o teto de gastos e a reforma trabalhista. Um programa que só será possível de ser alcançado se estiver apoiado diretamente na mobilização da classe trabalhadora, dos oprimidos e da juventude.

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