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A história ensina: o fascismo nunca fica apenas na ameaça

Direita Volver

Coluna dedicada ao acompanhamento semanal das ações e absurdos dos representantes da extrema direita. Por Ademar Lourenço.

Recentemente foi publicado o manifesto do movimento “Estamos Juntos”, que reúne personalidades dos mais diversos tipos, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, ao petista Fernando Haddad. O manifesto contém críticas ao bolsonarismo e defende as liberdades democráticas. Temos que comemorar esta iniciativa. A má notícia é que o dito movimento não pede a saída de Bolsonaro do governo. A estratégia deles é fazer com que o Presidente se controle sem a necessidade de enfrentamentos. Afinal, quem seria louco de tentar um golpe com tantos nomes de peso defendendo a democracia, não é mesmo? 

A vida não é tão simples. Bolsonaro é um fascista. Não apenas porque ele cita Mussolini publicamente. Mas porque seu discurso e suas ações reúne todos os 14 elementos do que Uberto Eco chama de “Fascismo eterno”. Você pode usar outras referências, como George Orwell ou Laurence Britt. A conclusão será a mesma. Temos um fascista no governo.  E como agem os fascistas? 

Em 1938, a Alemanha Nazista anexou a Áustria. Os governos de países considerados democratas fizeram pouco caso e achavam que Hitler não iria muito longe. Em 1939, Hitler invadiu a Checoslováquia. Reino Unido e França, ao invés de atacar, preferiram negociar, achando que o Nazismo poderia ser domesticado com algumas concessões. Algumas semanas depois, os nazistas invadem a Polônia. As democracias liberais declararam guerra, mas não promoveram muitos ataques. Achavam que não era para tanto. Em abril de 1940, a Dinamarca e a Noruega são invadidas pelo exército de Hitler. Mas o Reino Unido e a França continuaram com a chamada “Phoney War”, ou guerra de mentira, achando que seria o suficiente. Eles pensavam que Hitler não iria mais longe que isto. Em 10 maio de 1940, a Alemanha invade a França, a Bélgica, os Países Baixos e Luxemburgo. Já era tarde demais. O Nazismo havia tomado conta de quase toda a Europa. Foi necessário uma guerra longa e sangrenta para reverter a situação

Quem está acostumado com a política conhece o jogo de fazer ameaças e depois se sentar com o inimigo para negociar. Tudo sem precisar ir para o enfrentamento direto. Com o Fascismo isto não funciona. Não funcionou no Século XX e não vai funcionar no Século XXI. 

Na melhor das hipóteses, eles fazem acordos instáveis e de curto prazo. E, via de regra, violam os acordos. A artimanha deles é fazer uma ameaça tão direta, tão explícita, que faz a gente achar que não é possível que seja sério. Eles usam exatamente esse erro para que a gente não se prepare para o pior. Enquanto esperamos os fascistas para negociar, eles nos pegam desprevenidos. Exatamente como foi com as democracias liberais na Segunda Guerra. 

O Fascismo é pulsão por morte, violência irracional. Não é uma corrente política como as que estamos acostumados a lidar. Ele reúne aqueles que já perderam a humanidade e transformam sua ideação suicida em ativismo político.  Por isto são contra os cuidados com a saúde. Por isto eles adoram ver o meio ambiente sendo destruído. Eles não tem um projeto político. Querem apenas destruição, guerra e violência. Até que não sobre pedra sobre pedra. Dá para fazer um acordo estável com gente deste tipo? 

Não há meio termo. Ou tiramos o Fascismo do governo ou o Fascismo destrói a democracia. Não há solução intermediária. Todas as tentativas históricas de fazer mediações com gente como Bolsonaro fracassaram. Todas. Enxergar isto é o mínimo. O básico. A partir disso é possível discutir táticas e avaliações. 

Em 2022 teremos eleições livres. Ou teremos a família Bolsonaro no Poder. É ilusão querer os dois ao mesmo tempo. Nunca um golpe foi anunciado com tanta antecedência. Como o próprio Eduardo Bolsonaro disse, não é questão de “se”, mas de “quando”. O Presidente já fala publicamente em intervenção militar. 

A unidade ampla para acabar com este governo e impedir um golpe é bem vinda. Mas a unidade para tentar “domesticar” o Fascismo não serve para muita coisa. Não podemos repetir a História.

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fascismo / neofascismo