Por que precisamos eleger mais trabalhadores para cargos públicos?


Publicado em: 3 de setembro de 2026

Por Roxanne D. Brown, do portal Counterpunch

Esse post foi criado pelo Esquerda Online.

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Crédito https://www.ryankominakis.com
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Traduzido por Anderson Santana

Ryan Kominakis abriu sua conta de luz há alguns meses e na hora decidiu se candidatar a deputado estadual pelo 4º distrito de Indiana.

Ele viu sua conta dobrar praticamente da noite para o dia devido a aumentos exorbitantes nas tarifas, o que acabou forçando alguns consumidores com dificuldades financeiras a apagar as luzes, baixar o termostato e passar o inverno tremendo de frio.

Esse tipo de humilhação foi a gota d’água. Ryan, responsável pelas reclamações da seção sindical do Local 1066 dos United Steelworkers (Siderúrgicos Unidos) (USW) na usina Gary Works da U.S. Steel, se cansou de ver os líderes estaduais, favoráveis aos interesses das grandes empresas, concederem enormes isenções fiscais aos ricos enquanto famílias comuns lutavam para sobreviver.

Ele se deu conta de algo que está ficando cada vez mais claro para os trabalhadores: precisamos eleger mais trabalhadores para cargos públicos se quisermos um governo que trabalhe para nós.

“Ainda trabalho em turnos de 12 horas e turnos alternados no chão de fábrica”, disse Ryan, destacando as características que o diferenciam de seu oponente, um político ex-vice-presidente do setor aéreo que ocupa o cargo há 20 anos e que já chamou cidadãos de “barulhentos”.

Não são apenas as contas de energia exorbitantes que estão empurrando as famílias para a margem da sociedade, destacou Ryan, operador de guindaste e veterano da Marinha no Afeganistão.

“Combustível, cesta básica, creche — tudo ficou mais caro”, disse ele. No entanto, ele destaca que seu oponente ignora essas dificuldades e “legisla como um executivo de empresa”, chegando a ameaçar cortar o financiamento de uma cidade depois que o prefeito criticou o aumento exorbitante das contas de serviços públicos.

É isso que acontece quando os privilegiados se impõem no poder para servir a si mesmos e a outros de sua laia, prejudicando todos os demais.

É algo tão disseminado que muitos de nós já não temos uma representação política de fato. É o que aponta um estudo de 2024, realizado pela Duke University e pela Loyola University Chicago, mostrou o quanto os mais ricos conseguiram se entranhar no poder e como é urgente recuperá-lo.

Aproximadamente metade da força de trabalho dos EUA é composta por mecânicos, vidreiros, operários da indústria automobilística, mineiros, siderúrgicos, outros trabalhadores da indústria manufatureira etc. No entanto, menos de 2% dos legisladores estaduais em todo o país eram oriundos de famílias da classe trabalhadora em 2023, segundo levantaram os pesquisadores.

Apenas 116 dos 7.300 legisladores no estudo “trabalham ou trabalharam recentemente em trabalhos braçais, no setor de serviços, em funções administrativas ou em sindicatos”. Em 10 estados, os pesquisadores não encontraram um único legislador com um emprego de verdade, típico de trabalhador.

A mesma situação se repete no Congresso e no governo Trump, ambos repletos de políticos de carreira, ideólogos, magnatas, advogados corporativos e outros que não compreendem nem se importam com as dificuldades do dia a dia dos americanos comuns.

Nada evidencia melhor o abismo entre ricos e pobres do que o Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, minimizando a desigualdade desenfreada do país. Bessent, fundador de um fundo hedge com um patrimônio líquido de cerca de US$600 milhões, declarou recentemente que “não aguenta mais ouvir falar” da crise e afirmou que ela não existe mais.

Os trabalhadores, especialmente os líderes sindicais como Ryan, nunca fogem de um problema nem tentam ignorá-lo. Eles enfrentam os problemas de frente e os resolvem, entregando resultados porque seus salários, suas famílias e até suas próprias vidas dependem disso em ambientes de trabalho perigosos.

Ryan, que já trabalhou como líder de equipe e defensor da segurança no trabalho, cuida de seus colegas. Essa mesma preocupação com os outros também está por trás de seu envolvimento com a comunidade, incluindo seu trabalho voluntário na Veterans of Foreign Wars (Veteranos de Guerras Estrangeiras), uma organização formada por veteranos de guerra que enfrentam muitos dos mesmos desafios que ele.

É o tipo de mentalidade – o tipo de conjunto de habilidades – ideal para um cargo público.

“Você aprende a ser um líder”, disse Ryan sobre sua atuação sindical. “Quando você trabalha gerenciando pessoas, é mais ou menos como estender a mão ao outro lado, buscando trabalhar em conjunto”.

Os dados confirmam o que ele diz.

Segundo um estudo divulgado em março pela Jacobin, pelo Centro para Políticas da Classe Trabalhadora e pelo Centro para Estudos sobre o Trabalho e a Democracia da Universidade Estadual do Arizona, sindicalistas defendem com mais veemência os interesses dos trabalhadores (tanto durante as campanhas eleitorais quanto depois de eleitos para cargos públicos) do que seus pares que não são sindicalizados.

Os sindicalistas também usam suas habilidades de liderança para construir pontes no campo político. Eles convertem sua experiência na linha de frente em credibilidade nos corredores do poder. E conquistam a confiança dos eleitores de maneiras que impulsionam a participação nas urnas, concluíram os pesquisadores.

Ao decidir se candidatar à Assembleia Legislativa de Indiana, Ryan concluiu que só há uma maneira de garantir aos trabalhadores o governo que merecem.

Temos que construí-lo com nossas próprias mãos.

Roxanne D. Brown é a presidente internacional do Sindicato dos Siderúrgicos (United Steelworkers Union – USW).

Original em https://www.counterpunch.org/2026/08/28/why-we-need-to-elect-more-workers-to-public-office/


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