Todos têm o dever de impedir a vitória do neofascismo


Publicado em: 13 de abril de 2026

Coluna Paulo Pasin

Paulo Pasin é metroviário aposentado do Metrô de São Paulo (SP) e ex-presidente da Fenametro (Federação Nacional dos Metroviários).

Coluna Paulo Pasin

Paulo Pasin

Paulo Pasin é metroviário aposentado do Metrô de São Paulo (SP) e ex-presidente da Fenametro (Federação Nacional dos Metroviários).

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A reeleição de Lula não é apenas uma escolha política; é uma necessidade vital. A eleição brasileira ocorre sob o impacto direto do neofascismo imperialista encabeçado por Donald Trump que, sob a égide da “Doutrina Monroe”, reafirma a visão da América Latina como o quintal dos Estados Unidos. O destino do continente está intrinsecamente ligado ao do Brasil; portanto, o desfecho do próximo pleito será determinante para a soberania regional, com profundas repercussões na geopolítica mundial.

Afinal, o Brasil é a oitava economia do mundo e o quinto país em extensão territorial, detentor de riquezas inestimáveis: minérios, biodiversidade, a Floresta Amazônica e as maiores reservas de água doce do planeta. Destaca-se por depósitos estratégicos de terras raras, nióbio, ferro, cobre e ouro.

A direita liberal, através de seus representantes na grande imprensa, já abraçou a candidatura de Flávio Bolsonaro para 2026 diante da ausência de um nome competitivo da “terceira via”. O caso do PowerPoint na GloboNews não foi um incidente isolado ou um “equívoco do estagiário”, mas uma sinalização política deliberada.

Estão profundamente iludidos aqueles que creem que uma conexão pessoal com Lula seja capaz de conter o ímpeto colonialista de Trump. A Casa Branca e as big techs, em aliança com a mídia hegemônica — porta-voz histórica dos colonizadores —, empregarão força máxima contra Lula nas eleições presidenciais. A direita liberal, através de seus representantes na grande imprensa, já abraçou a candidatura de Flávio Bolsonaro para 2026 diante da ausência de um nome competitivo da “terceira via”. O caso do PowerPoint na GloboNews não foi um incidente isolado ou um “equívoco do estagiário”, mas uma sinalização política deliberada.

A essência dessa postura da direita liberal está ancorada na simbiose das elites locais com o neofascismo imperialista. Diferente do fascismo do século XX, o neofascismo atual situa-se no epicentro do império, detendo hegemonia militar, econômica e ideológica em nível global. A subserviência das elites brasileiras é evidente: nunca se opuseram às ordens criminosas da Casa Branca. Diante do sequestro do presidente da Venezuela, do bloqueio econômico a Cuba, das agressões ao Irã e dos massacres na Faixa de Gaza e no Líbano, as mídias hegemônicas distorcem a realidade para proteger tiranos genocidas que ameaçam a civilização.

Contudo, os defensores da revolução socialista encontram-se fragmentados, muitas vezes limitados à manutenção de pequenos espaços de poder no parlamento ou em estruturas sindicais, em vez de elaborarem um programa unificado capaz de atrair a classe trabalhadora e a juventude. É incontestável que apenas a mobilização direta das massas poderá derrotar definitivamente o fascismo. No entanto, não se pode inferir disso — como fazem certos setores radicalizados — que a reeleição de Lula seja uma questão secundária ou meramente “conciliadora”.

A esquerda revolucionária não se fortalecerá sobre a derrota de Lula na era do neofascismo imperial. É cômodo refugiar-se em um mundo paralelo onde o imperialismo está em colapso e o bolsonarismo por um fio; contudo, revolucionários conscientes entendem que a análise concreta de uma situação concreta é a própria essência do marxismo.

A esquerda revolucionária não se fortalecerá sobre a derrota de Lula na era do neofascismo imperial. É cômodo refugiar-se em um mundo paralelo onde o imperialismo está em colapso e o bolsonarismo por um fio; contudo, revolucionários conscientes entendem que a análise concreta de uma situação concreta é a própria essência do marxismo.

As críticas ao governo federal em temas como o arcabouço fiscal, as privatizações, o financiamento do BNDES para PPPs e a prioridade ao agronegócio em detrimento dos povos originários são pertinentes e fundamentais para a estruturação de um programa de esquerda. O voto em Lula no primeiro turno não implica concordância com todos os pontos da “frente ampla”. Por outro lado, o lançamento de candidaturas próprias com fins exclusivos de autoconstrução partidária pode atrair os impacientes, mas dividirá o ativismo em uma eleição onde cada militante será decisivo.

Estamos diante de uma encruzilhada histórica. A união para combater o fascismo imperialista, inclusive no campo eleitoral, não é uma opção — é uma necessidade vital.


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