Quando Maria da Penha passa a representar as mulheres violentadas e mortas no Brasil

Por: Zuleide Queiroz, do Crato/CE

Em 2001, o Brasil foi condenado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos (OEA). O motivo da condenação: “omissão, negligência e tolerância em relação a crimes contra os direitos humanos das mulheres”.

No dia 12 de agosto de 2018, completamos 12 anos da Lei Maria da Penha. Temos a felicidade de encontrar Maria da Penha viva e lutando cotidianamente pela vida das mulheres. Porém, a realidade ainda é muito dura, as mulheres precisam lutar muito ainda.

No Brasil foram 4.473 homicídios dolosos em 2017, um aumento de 6,5% em relação a 2016. Significa dizer que uma mulher é assassinada a cada duas horas, sabendo que este número pode ser ainda maior, pois a falta de padronização e de registros atrapalham o monitoramento de feminicídios no país. A pergunta que não pode deixar de ser feita: fomos quantas mulheres mortas em 2018?

Não podemos deixar de registrar aqui o ocorrido na madrugada do dia 22 de julho, quando a advogada Tatiane Spitzer, no estado do Paraná, foi vítima de feminicídio. Foi brutalmente agredida e morta pelo marido. A história de Tatiane se soma a história de muitas mulheres. Hoje mesmo no Rio de Janeiro uma mulher grávida foi morta pelo companheiro. Lamentável, mais uma história para as páginas policiais. Até quando?

No Ceará, conforme dados do Instituto Maria da Penha, em 2018 foram 229 casos registrados, tendo maior gravidade em Fortaleza, capital do estado, onde o número saltou de 39 assassinatos, nos primeiros seis meses de 2017, para 109, em 2018.

Queremos lembrar da morte da juventude da periferia, fazendo o recorte étnico-racial, pois foram jovens negras! Em janeiro deste ano, oito mulheres foram mortas durante a Chacina das Cajazeiras, a maior já registrada no estado do Ceará. Dessas, cinco eram jovens entre 15 e 24 anos, a faixa etária que mais tem sido assassinada.

Esta semana, avançando na compreensão de que a vida das mulheres importam muito, apoiamos a luta das mulheres pela descriminalização do aborto, entendendo que estas lutas não podem ser separadas. Entendemos que mulheres-mães morrem todos os dias, seja no espaço familiar, seja nas portas dos hospitais públicos, seja por falta de uma política preventiva de saúde.

Somos pela vida das mulheres. Por isso fazemos uma chamados a todas e todos!

 

FOTO: Reprodução de imagem do circuito interno do edifício onde morava a advogada Tatiane Spitzer.

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