Bolsonaro: nem honesto, nem aliado dos trabalhadores

Por: Edgar Fogaça, do RS

O candidato a presidente do Brasil Jair Bolsonaro já atingiu 17% das intenções de votos e mantem influência na casa dos 20% desde muitos meses. O crescimento da extrema-direita e o avanço das ideias conservadoras, identificadas com o novo fascismo – neofascismo, é um fenômeno mundial. O Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de extrema-direita, obteve 12,6% dos votos nas eleições de setembro de 2017, entrando pela primeira vez no parlamento desde a II Guerra, com uma bancada de 94 deputados. Nos demais países da Europa, também cresce a influência e poder político do neofascismo, assim como nos Estados Unidos, que elegeu o tacanho Donald Trump. É preciso entender essa tendência e buscar os melhores argumentos para combater o seu crescimento.

Bolsonaro é um candidato do sistema
Muito tem se falado sobre os votos de Bolsonaro. Alguns defendem que a sua base de apoio está no voto antissistema, vindo daqueles que estão fartos da política e dos políticos tradicionais. Porém, relacionar o seu perfil e campanha como antissistema, é uma afirmação que não tem lastro na realidade. Bolsonaro foi durante muitos anos do partido de Maluf (PP) e circulou por várias legendas até ser acolhido no PSL. Votou sempre com o governo Temer e contra os trabalhadores(as), na reforma trabalhista e também na PEC do fim do mundo (EC 95- do teto dos gastos – que congela o investimento nas áreas sociais por 20 anos). Defendeu a reforma previdenciária e votou pelo impedimento da Dilma, ajudando a levar a presidência um notório corrupto – Michel Temer. Apoiou Cabral (ex governador do RJ, atualmente preso por desvio e caixa dois) e no segundo turno de 2016 pediu voto e apoio para Aécio Neves (senador derrotado na eleição presidencial de 2016 e envolvido em diversos escândalos).

Foi aliado de primeira hora de Eduardo Cunha (que também está preso por corrupção e lavagem de dinheiro), mas também foi da base aliada de Lula e Dilma. Atualmente é do grupo que dá sustentação ao governo Temer e está sempre pronto para votar projetos contra o povo. Apoiou a greve dos caminheiros, mas quando o governo mandou retirar o apoio ele pediu que a polícia acabasse com a manifestação pela força. Ele defende a venda do patrimônio brasileiro para os estrangeiros, por meio das privatizações.

Defensor das Forças Armadas, da Polícia Federal, do Ministério Público e da Justiça dos ricos, ele confia nas instituições mais atrasadas do país e que sempre atacam os mais pobres. Defendeu a intervenção militar no RJ e clama pela liberdade dos policiais para matar. Ele é tão a favor de manter tudo como está, que supostamente quer proteger este sistema das falcatruas e da corrupção e defende as instituições mais atrasadas do Estado brasileiro. Ou seja, nos 30 anos como parlamentar ele fez mais do mesmo.

Bolsonaro não é honesto
Mesmo tendo imóvel próprio em Brasília, ele sempre recebeu o auxílio moradia do governo e quando foi questionado pela repórter da Folha de São Paulo, disse que usava o apartamento para “comer gente”. Colocou toda a família na política e aumentou em 10 vezes o seu patrimônio no período.

Assim como outros corruptos, recebeu dinheiro da JBS (empresa envolvida em escândalos de caixa dois de campanha) e mentiu dizendo que tinha devolvido, mas a realidade contábil demonstrou que repassou ao partido dele na época, o qual investiu na sua campanha.

É muito difícil acreditar que um parlamentar por 30 anos e que fez da política a sua profissão, no Brasil, seja honesto. Ainda mais se este parlamentar esteve sempre no partido de Maluf e companhia, além de apoiar o gangster Eduardo Cunha e ser aliado de Magno Malta e Feliciano, todos envolvidos em esquemas de corrupção e desvio de dinheiro público.

Ele é muito ligado a chamada bancada da bala, do boi e da Bíblia: grupo de parlamentares que defende os interesses do agronegócio, das empresas de armas e munição e também das igrejas que exigem dízimos e enganam ao povo pobre, com promessas de melhoria de vida e cura de doenças.

Ele também é aliado do grupo MBL, que teve dezenas de páginas retiradas do ar nas redes sociais nas últimas semanas, acusados de criar uma rede para propagar mentiras.

Amigo dos banqueiros e empresários
Garoto propaganda da empresa de armas Taurus, defende abertamente o porte e venda de armas no país, contrariando a legislação vigente e a grande maioria dos estudos sobre redução da violência.

Em entrevista ao Roda Viva, em 27 de julho, defendeu os banqueiros, e declarou que “só pega dinheiro em banco quem quer”, apoiando os abusos e juros absurdos a que o trabalhador precisa se submeter quando utiliza algum serviço ou empréstimo bancário. Veja os números do crédito bancário no país em 2018: 61 milhões de brasileiros estão no SERASA., 8 em cada 10 brasileiros devem para o cartão de crédito, a Taxa média de Cheque especial é de 324 % ao ano, já a Taxa média do Cartão de Credito é de 243% ao ano. O Lucro do Itaú no segundo trimestre de 2018 foi de 6,38 bilhões de reais, sendo que os 5 maiores Bancos arrecadam juntos, só em TARIFAS, mais que o orçamento anual para a Saúde.

Não é difícil considerar estes números como um roubo legalizado e totalmente imoral.

Todo trabalhador brasileiro sabe das dificuldades de chegar no final do mês com as contas pagas, ainda mais com os frequentes atrasos de salários, além do impressionante número de 13 milhões de desempregados e mais de 65 milhões que estão fora do mercado de trabalho.

Segurança pública no RJ
Grande defensor da violência, incentivou a intervenção militar no RJ e declarou que a solução seria largar milhares de panfletos na Rocinha, exigindo que a população deixasse suas casas. Quem ficasse, seria fuzilado. Demonstra que desconhece a realidade das comunidades do Rio de Janeiro, onde famílias são vítimas do Estado, do crime organizado e da milícia. Os números mostram que a intervenção aumentou os tiroteios, as chacinas, e toda forma de violência contra as comunidades.

Quando do assassinato da vereadora Marielle Franco, calou-se, declarando que a opinião dele seria muito polêmica. Apesar de sempre estar aliado aos governos da vez, nos quase 30 anos em que esteve parlamentar pelo Rio de Janeiro, apresentou 176 projetos, aprovando apenas 2 deles. O detalhe: nenhum sobre segurança pública.

Escolher os inimigos e as batalhas
Bolsonaro não é um bobalhão, muito menos um idiota ou desorientado. Buscar combatê-lo com soberba e ironia não tem surtido nenhum efeito. Ainda mais nefasta é a ideia de que, ao ignorarmos a existência dele, a sua influência poderia diminuir. Nada mais falacioso. Sua liderança e suas ideias sobreviverão a outubro. O candidato não respeita a democracia, defende a tortura e a ditadura militar. São milhares de declarações que desdenham da luta contra as opressões.

Mas, antes de tudo, Bolsonaro odeia os pobres.

O candidato tem programa, tem dinheiro, base e apoio parlamentar, apoio orgânico em parte da população e uma campanha nacionalizada e enraizada nos rincões do Brasil. É hora de levarmos a sério e combater suas ideias em cada bairro, cada escola, cada rua e cada praça.

Não podemos lutar contra todos os adversários ao mesmo tempo, é preciso prioridade. E neste momento, não há outra prioridade que passe além da derrota da extrema direita no país.

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil
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